De volta à Scotland Yard

Gina olha para Harry, ambos estão sozinhos na sala utilizada para o caso. O restante da equipe foi para a rua e cabe a ruiva e ao seu parceiro buscar a forma de conectar ou não o macabro achado, segundo Sirius conhecer mais sobre o seu homem pode ajudar a encontrá-lo e cabe a Gina e a Harry traçar o perfil do serial killer.

Mas antes de tudo Gina terá que tirar o elefante branco que se encontra na sala olhando para ambos, ela esperou um pouco pra ver se Harry iria tocar no assunto, mas ele simplesmente fez de conta que nada aconteceu, no entanto Gina não é assim, ela não conseguiria trabalhar com o foco necessário sem tirar isso da cabeça e é por isso que ela diz:

- Eu queria pedir desculpas por ontem...

Harry respira fundo e olha para Gina. Ele decidiu fingir que nada aconteceu e continuar o seu trabalho, mas já que ela quer discutir o que aconteceu que seja. Ele no entanto não vai facilitar pra ela.

- Especificamente por qual parte você quer pedir desculpas? Por ter saído sem permissão? Por bancar a prostituta ou por quê? Seja mais clara.

A ruiva olha para o homem a sua frente sem acreditar. É sério mesmo que ele vai lhe fazer dizer tudo com todas as letras? Mas ela não é mulher de não encarar o desafio, então se ele quer fazer do jeito difícil que seja.

- Eu não saí sem permissão – ela diz de modo desafiador – eu nem cheguei a pedir permissão para que ela fosse negada, então não estou pedindo desculpas por isso. Quanto a bancar a prostituta eu estava disfarçada e isso é comum para nós policiais, caso você não saiba – ela completa encarando Harry – então não, não é por isso também. Você quer mesmo que eu diga por que eu estou pedindo desculpas?

- Na verdade, eu quero – Harry diz rezando para não ruborizar, ao menos não tanto quanto a mulher na sua frente está ruborizada. Ele sabe que isso é uma característica das ruivas e seu pai às vezes faz isso com a sua mãe só pra provocá-la mesmo estando sujeito a ira dela depois, exatamente da forma que Harry está fazendo agora – por que especificamente você está me pedindo desculpas? – ele fala contendo o sorriso.

- Por ter pulado em você como uma cadela no cio – Gina diz com um suspiro – eu tive uma impressão e queria fazer alguma coisa pra que a gente não chamasse muita atenção e acabei não pensando direito – ela diz tudo de uma vez só. Já que vamos puxar esse curativo, que seja rápido. Ela pensa com seus botões.

- Ah, então isso não é procedimento padrão? – Harry diz de modo sério, mas acaba sorrindo ao ver a ruiva encará-lo como se de repente houvesse surgido um nariz extra em seu rosto – ora Gina, eu estou apenas brincando! Eu realmente imaginei que você tenha feito aquilo pra disfarçar alguma coisa. Eu sei que uma discussão faz as pessoas olharem, mas duas pessoas se agarrando faz com que os curiosos desviem o olhar e fiquem constrangidos. Eu conheço a natureza humana – Harry diz rezando mentalmente para não se ruborizar, a última coisa que ele pensou quando foi literalmente agarrado foi na natureza humana, pelo menos qualquer natureza que não fosse uma ruiva esquentadinha e muito bonita.

- Que bom que você entendeu – Gina diz meio aliviada e meio decepcionada. Ela perdeu boa parte da sua noite pensando naquele beijo, mas pelo jeito Harry levou na esportiva e não pensou muito nisso – fico feliz que isso não vá atrapalhar o fato de trabalharmos juntos, eu fiquei preocupada porque você me encarou como se eu houvesse maculado a sua virtude, achei que isso fosse ser um empecilho, que você iria ficar constrangido comigo.

- Nós somos profissionais e precisamos trabalhar juntos – Harry diz de forma segura – e se Sirius nos colocou juntos é porque ele sabe que seremos bons juntos – ele sorri – agora vamos partir para estes painéis, temos o perfil de um cara muito mau pra traçar – ele olha para o relógio – e eu vou precisar sair mais cedo porque eu tenho que passar na faculdade pra umas instruções para o meu substituto. Tem problema em ficar sozinha?

- Protegida entre quatro paredes? – ela pergunta com desdém – problema nenhum – Gina sorri – então não sairemos juntos? Eu pensei em dar uma voltinha por aí, conheço um beco escuro ou dois que poderíamos vasculhar...

- Ruiva se comporte! – Harry diz sorrindo também. Essa ruiva é louca, isso é fato, mas definitivamente vai ser bom trabalhar com ela...

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Em uma redação, num distrito londrino qualquer

Colin terminou a sua reportagem sobre o cemitério clandestino. Infelizmente não há muito a dizer, a Scotland Yard não adiantou muita coisa e o seu contato na homicídios infelizmente não está mais tão disponível. O repórter foi procurar Gina Weasley para descobrir que ela havia sido temporariamente transferida para a Scotland Yard e embora isso vá dar a ela mais conhecimento sobre os acontecimentos por outro lado vai fazer com que fique mais difícil o acesso à moça.

Ele sabe que tem algo grande vindo por aí e ele definitivamente quer fazer parte disso. Mais ainda, Colin quer ajudar porque ele como repórter muitas vezes está perto destas pessoas. Drogados, prostitutas, pessoas que não são notícias, pessoas para as quais a sociedade simplesmente fecha os olhos para elas. Colin quer ser a voz destas pessoas de alguma forma, se ninguém olha por elas por que não ele?

Colin sabe que na maioria das vezes em que mulheres que vivem nas ruas desaparecem, as pessoas simplesmente dão de ombros e seguem as suas vidas e a seu ver isso é muito cruel e muito injusto.

Ele se prepara para ir a campo, Colin quer conversar com as pessoas que moram nas ruas. Ele tem uma vantagem, pois na maioria das vezes estas pessoas estão mais abertas a conversar com repórteres do que com policiais.

No entanto ele não chega a sair, uma figura feminina vestida com roupas de menos mostra que as ruas vieram até ele e com um sorriso na face ele se dirige para ouvir o que ela tem a dizer...

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Quase ao mesmo tempo

Hermione acabou de relatar para Minerva o que aconteceu na Scotland Yard. Não que ela quisesse expor a vida da moça, isso não. Mas a morena se achou na necessidade de explicar para a sua mentora onde elas foram, bem como pedir mais uma vez desculpas por ter julgado mal Luna Lovegood. Nunca ela poderia imaginar que a Luna estava no centro para buscar se não alguma pista ao menos uma espécie de conexão com a mãe desaparecida e, verdade seja dita, a moça é realmente uma figura excêntrica, Hermione não pode ser culpada de desconfiar.

Mas ela se sente culpada, Hermione é o tipo de pessoa muito correta e ela viu que pisou na bola feio com alguém e é por isso que ela está frente a frente com Minerva fazendo seu mea culpa e ela fará isso com Luna Lovegood assim que tiver a oportunidade.

- E foi isso, Minerva – ela conclui o relato – eu a levei a Scotland Yard pra falar com o Rony que está colaborando com o caso, talvez isso ajude e quem sabe traga a conclusão que a senhorita Lovegood precisa tanto – ela suspira – eu me sinto super culpada por ter pensado mal dela.

- Você estava preocupada com as meninas – Minerva a tranquiliza – eu sei que você não fez por mal e se eu não tivesse conhecido toda a história eu também estranharia – ela suspira – a Luna e o pai sofreram muito durante todos estes anos, eu sei que não é o final ideal, mas pelo menos será uma conclusão. Eles merecem ao menos isso mesmo que no fundo ambos ainda tivessem uma ínfima esperança que de alguma forma ela voltasse.

- Deve ser terrível viver assim – Hermione diz de forma pensativa – eu sempre pensei que perder alguém para a morte fosse o pior que poderia acontecer, mas isso de alguma forma é mais terrível ainda.

- Eles precisam do desfecho – Minerva diz de forma filosófica – vai ser difícil, mas a Luna e o pai precisam disso para seguir em frente – ela olha para a sua pupila – o que o seu marido disse? Existe a possibilidade de que um dos corpos seja o da mãe dela?

- Pelo que disseram as chances devem ser as mesmas de qualquer pessoa desaparecida nos últimos anos – Hermione diz pensativa – mas pelo que o meu marido me disse antes, a mãe da Luna tem o perfil das pessoas desaparecidas que eles estão investigando, então pode ser – ela suspira – o jeito é mesmo esperar os exames ficarem prontos.

- Espero que eles finamente saibam o que aconteceu – Minerva diz – e eu vou pedir para alguém sair com a van hoje. Duvido que a senhorita Lovegood esteja em condições e o senhor Filch não pode ir sozinho por motivos óbvios – ela completa com um suspiro.

- Desculpe a curiosidade – Hermione diz. Faz tempo que ela queria perguntar sobre isso e nunca teve a oportunidade – mas por que o senhor Filch trabalha aqui? Se me permite dizer não existe uma pessoa com menos empatia por estas meninas do que ele, pelo menos eu não conheço. É quase como se ele as odiasse, é a impressão que eu tenho. Desculpe se eu fui inconveniente – Hermione apressa-se em dizer.

- Pelo contrário, menina – Minerva diz com um meio sorriso – você não poderia estar mais certa. O senhor Filch não faz questão nenhuma de esconder que despreza estas meninas. Meu antecessor o empregou como um favor especial ao senhor Riddle e bem, eu sinceramente não tenho coragem de demiti-lo, pois além de criar uma situação difícil com o nosso maior benfeitor eu não conseguiria dormir sabendo que deixei um ancião sem emprego.

- Entendo – Hermione diz de forma solidária – eu também não teria coragem, por mais desagradável que ele seja e depois – ela respira fundo – não deve faltar tanto tempo pra ele se aposentar.

- Na verdade ele já poderia ter se aposentado – Minerva esclarece -mas ele nunca quis. Acho que por mais que ele não goste daqui, ter algo pra fazer deve dar um sentido a sua vida mesmo detestando o que faz.

- Vai entender – Hermione diz se você quiser que eu vá com a van, eu só preciso pedir pra babá ficar até mais tarde e avisar ao Rony.

- Ah não querida – Minerva diz – seu bebê precisa de você, se não houver ninguém eu mesma irei – ela sorri – faz tempo que não vou a campo, preciso ver se ainda levo jeito ou se a minha cara séria vai assustar alguém

Hermione sorri, apesar do semblante sisudo da sua mentora não existe ninguém mais doce e prestativa e bastam dois minutos de conversa para que qualquer pessoa perceba isso – eu sei que você gosta de assustar – ela diz – mas isso só vale para os primeiros minutos. Em todo caso se precisar que eu vá me avise – ela suspira – agora eu vou escrever aquela carta para o senhor Riddle para garantir as nossas doações anuais.

- Faça isso menina – Minerva diz enquanto Hermione se retira...

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De volta a uma redação qualquer

Colin terminou de ouvir o relato alheio aos olhares dos seus colegas de redação, muitos deles se sentem incomodados com a presença dela, mas azar o deles. O jornalista pensa, se eles preferem torcer o nariz do que ajudar que seja.

- Então você conhecia a mulher que saiu no jornal? – ele confirma novamente, Colin quer ter certeza antes de partir para o segundo passo.

- Eu tenho certeza que é ela – a moça diz com os olhos marejados – a gente costumava fazer programas juntas, mas depois de um tempo só o que ela queria era a sua droga e acabamos nos afastando. Até que há uns três meses atrás ela me procurou novamente. Ela estava limpa e disse que queria mudar de vida e agora isso – ela completa com um soluço.

Colin olha para a mulher na sua frente. A sua intuição jornalística diz que há algo aí e neste momento o ser humano ultrapassa o profissional e ele pensa apenas nas famílias angustiadas de todas as mulheres desaparecidas e é por isso que ele diz:

- Nós precisamos procurar a polícia, eu tenho uma amiga que é detetive da homicídios, foi ela quem me pediu pra colocar a história da senhorita Brown no jornal, foi assim que você ficou sabendo. Você se importaria em ir comigo falar com ela?

- Não sei... – ela está agora visivelmente contrariada – não gosto muito da polícia e depois eles nunca dão importância quando a gente presta qualquer tipo de queixa, eu já fui espancada, já tomaram meu dinheiro e raramente algum deles se importa.

- Eu sei – Colin diz pacientemente, ele sabe que precisa ter tato agora ou pode por tudo a perder – mas essa minha amiga não é assim, eu garanto. Ela está empenhada em descobrir o que aconteceu com a sua amiga. Por favor, se vocês não ajudarem vai ser difícil pra polícia fazer alguma coisa – ele vê que a mulher ainda fica receosa – vamos fazer o seguinte, eu te apresento a minha amiga e se você não se sentir a vontade a gente vai embora, tudo bem?

- Tudo, eu acho. Amanhã eu volto e a gente vai – ela diz.

- Não – Colin diz – todo tempo é precioso – ele olha para a moça – talvez outra garota esteja correndo perigo agora. Nós precisamos fazer alguma coisa, por favor.

- Que seja – a mulher suspira – vamos logo antes que eu me arrependa.

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Pouco depois

Gina modifica pela terceira vez o mapa dos prováveis locais onde seu assassino ataca . Isso não é uma coisa divertida de fazer quando não há ninguém para trocar teorias, se ao menos Harry estivesse aqui meu trabalho renderia muito mais, ela pensa com seus botões.

Harry Potter... Ela não pode deixar de pensar no seu colega mais vezes do que o seu lado profissional recomendaria. Não que ela esteja tendo delírios românticos, isso não, mas Gina não pode negar que seu colega beija bem e como beija!

Ela se pega pensando se tivesse aceitado o convite de Neville para esticar após o trabalho naquele dia e se tivesse conhecido Harry em outras circunstâncias o que poderia ter acontecido, mas rapidamente balança a cabeça para espantar o pensamento. O melhor agora é focar em traçar o perfil, a ruiva sabe que não deve demorar para que Sirius cobre algo a respeito dela e de Harry..

Vamos lá... Ela fala consigo mesma. As áreas que as mulheres identificadas frequentavam eram na maioria das vezes longe dos locais onde elas foram encontradas e os locais embora sejam semelhantes não eram os mesmos. Isso quer dizer que nosso suspeito possui um meio de transporte próprio, ou talvez algum veículo de trabalho. Ela pensa com seus botões. Deve ser algum tipo de utilitário ou alguma coisa que não chame atenção, então ele pode ser de classe média, mas também pode ser alguém que tenha dinheiro e use esse tipo de carro pra não ser reconhecido.

Segundo ponto, a idade. Ela continua a sua divagação, ao mesmo tempo em que anota alguns pontos. Se realmente houver alguma ligação entre o cemitério clandestino e nosso suspeito, podemos dizer sem sombra de dúvidas que é um homem maduro, talvez de meia idade. Ela pensa mais um pouco. É muito difícil alguém muito jovem ter esse tipo de sofisticação, ele não deve ter começado antes dos vinte talvez até trinta. Ela pensa um pouco mais. Talvez ele tenha feito outros testes antes, quem sabe. Ela pensa com um arrepio.

Ela poderia ficar por muito tempo anotando as suas teorias se alguém não batesse em sua porta dizendo que um repórter gostaria de falar com ela.

- Eu não posso dar entrevistas – Gina diz esperando que isso seja suficiente.

- Foi o que eu disse – o agente diz com uma feição recriminadora – mas ele insistiu em falar com você mesmo assim, espero que você saiba lidar com o protocolo ou o Moody corre com você daqui antes que consiga pensar em uma desculpa.

- Eu sei como agir obrigada – Gina diz enquanto sai da sua sala. Ela vê a figura de Colin Creevey e suspira desanimada, por mais que ela goste do rapaz de jeito nenhum ela vai arriscar perder a sua chance na Scotland Yard por dar alguma informação não autorizada.

- Oi Colin, o que você está fazendo aqui? – ela o cumprimenta meio sem jeito – você sabe melhor do que eu que o protocolo aqui é mais rígido, eu não posso falar absolutamente nada sem conversar com o meu superior e provavelmente o Kim deve ser uma mocinha comparado com o Moody.

- Calma menina – o jornalista diz – eu não vim aqui pedir ajuda pelo menos por enquanto, eu estou aqui pra ajudar, eu quero que conheça a senhorita Parvati Patil – ele diz e só então Gina repara na moça com traços indianos do lado do rapaz – ela era amiga da senhorita Brown, a sua vítima do hotel. Talvez ela saiba de algo que possa ajudar.

- Sério? – Gina fala sorrindo – ao invés de fazer uma reportagem com ela você a trouxe para depor? – ela vê o jornalista assentir com a cabeça – o que aconteceu com aquela história de noticiar os fatos acima de tudo?

- Pessoas estão morrendo e pelo que eu pude perceber a muito tempo – ele diz seriamente – eu sei que ninguém liga muito pra essas mulheres e eu quero realmente ajudar – ele sorri – quem sabe isso não me dá uma vantagem com os caras lá em cima quando vocês puderem soltar mais informações.

- Poxa Colin obrigada – Gina sorri – eu poderia mesmo te beijar agora, mas acho que não cairia bem – ela diz – vocês esperam até que eu ligue para o Sirius? Eu não sei direito ainda como funcionam algumas coisas por aqui, preciso saber se preciso esperar por mais alguém ou se posso conversar com ela sozinha.

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Pouco depois

Sirius e Gina olham para a mulher amedrontada a sua frente, é óbvio que ela é uma prostituta assim como também é óbvio que ela não se encontra a vontade naquele lugar. Normalmente Sirius faria a entrevista, mas ele quer ver se a sua nova agente se sai bem em uma situação como essa. Kim falou a respeito desta moça como uma jovem muito promissora para a sua equipe e ele quer ver realmente o seu potencial.

O detetive faz um discreto aceno de cabeça para que Gina comece. A ruiva respira fundo, ela sabe que está sendo testada e pretende fazer o seu melhor.

- Bem senhorita Patil, Parvati é o seu nome, certo? Eu posso te chamar assim? – ela vê que a moça assente com a cabeça – eu sei que essa vai ser uma conversa difícil e provavelmente vou fazer perguntas que podem ser desconfortáveis, mas, por favor, tenha em mente que precisamos tocar nestas questões pra tentar descobrir o que aconteceu, tudo bem pra você?

- Tudo bem – a moça diz – eu quero ajudar – ela enxuga uma lágrima – a Lilá não merecia isso.

- Eu quero que você me conte como conheceu a senhorita Brown e sobre o tempo que trabalharam juntas, depois eu faço as perguntas – Gina diz. Não é assim que ela faz normalmente, mas talvez saber o máximo possível sobre essa vítima lhe ajude com o perfil do elemento. Ela vê a moça na sua frente respirar fundo e começar.

- Eu e a minha irmã, Padma somos gêmeas. Nossos pais vieram da Índia e tinham um pequeno comércio no subúrbio. Eles foram mortos por assaltantes quando tínhamos doze anos e nós fomos para o sistema. Lá nos conhecemos a Lilá, ela tinha passado por várias casas, a sua mãe era viciada e o pai bem, ela nunca falava dele. Quando fizemos dezoito anos ficamos por conta própria, a gente até tentou alguns empregos, mas nunca dava pra nos manter e bem rapidamente nós descobrimos que gêmeas idênticas mexiam com as fantasias dos homens e vimos que em uma noite conseguíamos mais dinheiro que em uma semana, então fomos pras ruas.

- A Lilá foi também e nós sempre procurávamos ficar juntas – ela suspira – mas muitas vezes acontecia de eu e a minha irmã pegarmos clientes juntas, essa coisa com gêmeas, sabe. E a Lilá acabava ficando sozinha e ela acabou fazendo amizade com um pessoal barra pesada. No início a gente não notou nada de errado, mas com o passar dos anos foi ficando pior, ela mal tirava o suficiente pra se alimentar o resto ia pras drogas, a gente acabou brigando e ela sumiu.

Gina ouve atentamente contendo a vontade de interromper para perguntar, ao invés disso a ruiva faz anotações mentais para quando a mulher na sua frente concluir o seu relato

- De vez em quando a gente tinha alguma notícia sobre ela, nenhuma delas animadora. Ela estava no fundo do poço, eu sei que eu deveria ter me empenhado mais em tirar a Lilá dessa, mas nós tínhamos nossos próprios problemas se é que me entende, a vida nas ruas não é nada fácil. Até que há alguns meses atrás ela nos encontrou, ela estava mudada, dava pra ver que ela estava sóbria, bem talvez não completamente, mas ela disse que estava se esforçando pra ficar, ela disse que alguns dias eram mais difíceis, mas que ela estava determinada a parar com tudo – ela enxuga uma lágrima – eu disse que estava muito feliz por isso e que ela poderia contar comigo e com a minha irmã – eu ofereci a ela ficar conosco por um tempo, mas ela se recusou ela disse que iria procurar um centro de reabilitação, sempre tem gente na rua oferecendo lugar pra pessoas como nós e ela estava disposta a procurar ajuda e foi a última vez que a vi.

Gina vê que o relato da moça terminou. A ruiva respira fundo e tenta ignorar a presença do seu chefe, ela tem um trabalho a fazer e ela o fará, então ela começa:

- Pelo que você falou, a senhorita Brown estava decidida a largar o vício – ela vê a moça na sua frente assentir com a cabeça – você acha que ela realmente estava falando sério?

- Acho que sim – ela diz categórica depois fica meio sem jeito – quer dizer, eu sei que é difícil sair dessa quando se mexe com drogas pesadas, mas ela parecia muito decidida principalmente porque ela disse que iria buscar ajuda – ela para e encara a detetive – isso pode ajudar? Vocês vão encontrar quem faz isso com ela?

Gina fica calada por um minuto, seus neurônios trabalhando furiosamente. Ela vê que a moça espera uma resposta:

- Vai ajudar sim, senhorita Patil, você foi muito corajosa – ela respira fundo – eu sei que muitas vezes vocês são ignoradas, mas eu lhe asseguro que iremos fazer o que for possível pra achar quem fez isso com a sua amiga – ela pensa por um momento – você conhece mais alguém que tenha simplesmente desaparecido? Mesmo que já tenha algum tempo? – ela vê a moça balançar a cabeça negativamente – caso você saiba de alguma coisa pode me ligar – ela dá um cartão à prostituta – ligue a qualquer hora.

Gina acompanha a moça até a porta onde Colin a espera, a ruiva sorri e fala:

- Obrigada por não ter transformado isso em uma história sensacionalista, Colin. Eu sei que muitos não fariam isso.

- Eu não poderia – ele diz com um meio sorriso – embora meu chefe vá me matar, ou pior ainda, me demitir. Vocês teriam um lugar para um repórter desempregado por aqui?

- Poxa Colin – Gina fala se sentindo culpada – desculpe. Eu não sabia que você poderia perder seu emprego por algo assim, mas eu posso falar com Sirius ou com o Kim...

- Calma menina! – Colin sorri – eu estou brincando! Meu chefe sabe que isso é maior do que uma reportagem. Ele não vai me demitir, eu garanto. Embora a parte de querer me matar seja realmente verdade, então se eu sofrer algum tipo de acidente misterioso, por favor, investigue.

Gina demora apenas um minuto ou dois pra perceber a nova brincadeira. então ela sorri e diz – eu prometo colocar toda a Scotland Yard nisso se acontecer qualquer tipo de acidente com você – ela vê que Sirius está atrás dela sorrindo - chefe, esse é Colin Creevey. Ele é repórter e meu amigo, foi ele que trouxe a senhorita Patil pra falar com a gente e eu estou prometendo pra ele que nós vamos investigar caso seu chefe ache que o fato dele ter trazido ela aqui ao invés de fazer uma reportagem seja algo tão terrível que ele mereça a morte.

- Fico feliz em saber que nem todos vocês pensam que uma história é o propósito maior – Sirius diz com um sorriso – e pode ter certeza que investigaremos qualquer morte suspeita ou mesmo desaparecimento e quando formos dar algum tipo de declaração sobre o assunto lembraremos de você.

- Obrigado senhor - Colin diz e Gina pode notar que ele está meio amedrontado. Diabo de homem medroso! Ela não pode deixar de pensar enquanto sorri – fico feliz em ajudar e caso eu tenha mais alguma informação eu falo para a Weasley aqui.

- Faça isso rapaz – Sirius diz enquanto Colin se retira. Ele olha para a ruiva – podemos conversar enquanto o restante da equipe não chega?

- Claro senhor – a ruiva fala meio temerosa

- E melhore essa cara, eu não sou o seu diretor do ensino médio, você não vai receber uma detenção – ele completa com um sorriso

- Eu tinha ele nas mãos – Gina diz – agora pergunte sobre a minha mãe, essa sim é capaz de fazer um homem adulto chorar

- Não duvido – Sirius fala sorrindo – mas vamos ao que interessa. O que você achou do depoimento da senhorita Patil? Você conseguiu ver algo que possa ajudar?

- Nossa vítima era uma viciada, como esperávamos que fosse – Gina diz pensativa – mas o que me intrigou mesmo foi a semelhança com o que a senhorita Lovegood falou a respeito da mãe dela. Ela também estava tentando sair dessa, talvez isso seja um bom ponto de partida

- Ótimo! – Sirius diz, ele pega o celular – Remo! – ele fala – você poderia verificar nos centros de recuperação sobre pessoas que estavam em reabilitação e simplesmente pararam de ir? – ele fica em silêncio por um momento – me ligue assim que tiver a lista – então ele se volta para Gina - assim que essa lista for providenciada conversaremos, bom trabalho, menina.

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Enquanto isso

Luna está em casa, seu pai ainda demora um pouco para chegar e isso lhe dará algum tempo para se acalmar, se o seu pai a encontrar neste estado certamente ficará preocupado.

Para a sua surpresa ela ouve o barulho da porta, seu pai está chegando mais cedo o que nunca acontece.

- Tudo bem? – ela pergunta preocupada e o semblante do seu pai lhe diz que não está tudo bem.

Seu pai a olha nos olhos e desvia o olhar rapidamente, mas Luna o conhece o suficiente pra saber que ele sabe, o que não é nenhuma novidade se ela for pensar bem, afinal ele trabalha em um jornal e a notícia com certeza chegou até ele e como ela seu pai também deve ter feito a conexão óbvia. Luna suspira e se prepara para uma conversa que ela sabe que será difícil para os dois.

Ela se aproxima e dá um beijo nele como em todos os dias, mas seu pai a abraça tão apertado que Luna pode sentir as batidas do seu coração, então ele a beija na testa. As palavras não são necessárias neste momento, apenas o conforto dos braços um do outro, um conforto que eles trocam durantes todos estes anos. Então ele diz:

- Você viu os jornais – ele vê a filha assentir com a cabeça e suspira – imaginei. Por que você não me disse?

- Eu não queria que você se preocupasse antes que eu tivesse certeza – ela também suspira – mas pelo jeito não adiantou. Eu deveria saber melhor que um jornalista experiente como você iria fazer a conexão.

- Eu sou seu pai, lembra? – ele diz carinhosamente – sou eu quem deve te proteger e não o contrário e sim eu fiz a conexão. Assim que a notícia vazou, eu mandei alguns caras do jornal para a Scotland Yard pra ver o quanto eles iriam deixar a gente saber – ele para por um momento – eu não tive coragem de ir pessoalmente. Não conseguiria ter a objetividade necessária pra lidar com a notícia.

- Eu... – ela respira fundo – eu fui a Scotland Yard – ela vê que o pai a encara curioso – uma das pessoas que trabalha no centro, bem o marido dela está colaborando com o caso e ela me levou lá, eu conversei com os detetives e eles colheram material para o exame de DNA. Eu ia te contar depois que o resultado saísse, eu não queria que você tivesse qualquer esperança, pode ser que não seja nenhuma delas – seus olhos se enchem de lágrimas – oh papai, eu estou com medo, se a mamãe estiver lá finalmente a gente vai saber onde ela está, mas ao mesmo tempo eu estou pedindo com toda força que ela não esteja.

Seu pai a aconchega em seus braços da mesma forma que ele fazia quando ela era apenas uma menina com o joelho ralado – eu também, filha, eu também – então ele a solta e sai por um momento voltando logo em seguida com um caderno nas mãos – esse era o diário da sua mãe, ela começou a escrever durante a reabilitação e mesmo depois que estávamos casados ela ainda escrevia quando estava com algum problema – ele sorri – ela dizia que quando estava com a cabeça cheia era a melhor forma de se livrar dos problemas, falava que ler depois fazia com que ela tivesse uma nova perspectiva.

- Você leu? – Luna pergunta curiosa.

Seu pai balança a cabeça negativamente – eu só encontrei alguns anos depois e nunca tive coragem, eu sempre senti que estaria violando a privacidade dela, agora penso que deveria ter lido, mas acho que não conseguiria – ele entrega para a filha - talvez tenha alguma coisa aqui que possa ajudar, eu acho que ela falava do tempo que estava nas ruas.

Luna pega o caderno e as lágrimas descem quando ela reconhece a letra caprichada da mãe – eu não sei se eu tenho coragem também, pai.

- Você precisa, filha – ele diz – você é a garotinha mais corajosa que eu conheço e você vai ver tudo com uma perspectiva diferente.

Luna assente com a cabeça e se prepara para entrar nos pensamentos mais íntimos da sua mãe...


NOTA DA AUTORA:

Espero que todos estejam bem e que tenham aproveitado a virada do ano com todos os cuidados necessários. Desculpem a demora, eu aproveitei as férias pra dar viajar por alguns dias e espairecer um pouco e isso acabou atrasando um pouquinho a minha postagem.

Mais uma vez agradeço a todos que estão por aqui, eu já notei que o número de acessos neste site diminuiu bastante, muita gente está migrando pra outros sites de fics que estão mais "na moda" ultimamente. Sinceramente já pensei nisso também, mas vejo tantos comentários sobre fics que são denunciadas por coisas mínimas ou que simplesmente desaparecem em alguns destes sites que eu fico desanimada, afinal eu escrevo por prazer e não para me chatear, se for pra me deixar estressada eu não quero, prefiro ficar só por aqui onde não tenho tantos comentários mas também não tenho nenhum problema do tipo. O que vocês acham, deveria ir para lugares com mais acessos? Deixando bem claro que eu não vou parar de postar por aqui e mesmo que eu demore eu sempre concluo as minhas histórias.

Bem, é só. Espero que tenham gostado do capítulo, um obrigado mais do que especial para a Allegra23 que sempre comenta e levanta meu astral. Um feliz 2022 pra todos nós.

Bjs e até o próximo