Quase ao mesmo tempo
Harry sobe os degraus do prédio da reitoria, ele resolveu rapidamente a questão com seu substituto e agora vai dar uma palavrinha com Dumbledore. Ele sabe que o reitor sempre fica curioso a respeito dos casos que ele pega e Harry sempre satisfaz a sua curiosidade, na medida do possível é claro.
Ele se pega pensando no quanto Dumbledore o ajudou quando tudo aconteceu, Harry se lembra dos meses que ficou perdido até que foi procurado por pelo reitor que lhe ofereceu um doutorado. A princípio Harry não queria fazer, mas seus pais o convenceram que seria bom ter algo com que ocupar a cabeça, logo depois ele começou a substituir professores e descobriu que era bom nisso e mais ainda que gostava disso e que embora não fosse o seu sonho de infância ele poderia ser feliz assim.
Faz muito tempo que Harry não pensa em como a sua vida tomou um rumo totalmente diferente do que ele havia planejado e ele se assusta ao perceber que já não dói mais tanto quanto antes, agora é mais como uma lembrança dolorida da vida que ele planejou e não conseguiu. Harry tem consciência que as coisas não estavam mais tão bem quanto ele gostaria e ter tudo acabado sem ter tido a chance de consertar às vezes é o que mais dói.
Ele balança a cabeça para espantar o pensamento enquanto bate na porta do escritório de Dumbledore entrando assim que ouviu a voz vinda de dentro.
- Olá Harry – o reitor o cumprimenta – o que temos por aqui?
- Eu passei para dar algumas instruções ao meu substituto e aproveitei pra ver se tudo está bem.
- Ora – Dumbledore sorri – então você não veio pra aplacar a minha curiosidade sobre o caso? Você pegou um bravo desta vez
Harry suspira – só por isso eu aceitei ficar em tempo integral, mas eu não imaginava que chegaria a esse ponto. Como ninguém viu esse cara fazendo algo desse tipo por mais de uma década está além da minha capacidade dizer
- Eu tenho certeza que se alguém vai conseguir fazer isso, esse alguém é você – Dumbledore diz com um sorriso solidário – antes que você me conte os detalhes que pode compartilhar, eu quero te entregar isso – ele lhe passa um envelope que Harry percebe ser coisa fina.
Harry olha curioso para Dumbledore que só assente a cabeça enquanto ele abre e vê um convite.
- É o evento anual do senhor Riddle – Dumbledore esclarece – ele sempre chama os professores daqui, além de outras figuras promissoras e antes que você se recuse eu digo que o ele é um dos nossos maiores benfeitores e pegaria muito mal recusar. Então, por favor, faça o sacrifício – ele sorri – até nosso recluso e mal humorado professor Snape sempre comparece, você não precisa ficar até o final se não quiser e pode levar uma acompanhante também – ele sorri e fica sério logo após – Por falar em acompanhante... Eu sei que você não fala sobre isso e longe de mim querer me meter na sua vida, mas você merece seguir em frente
- Eu sei – Harry o interrompe, ele não quer ser ríspido com alguém que só quer o seu bem – mas não é o meu foco no momento – ele suspira – aliás, agora meu foco é só pegar esse cara. Depois, bem, depois veremos
- Tudo bem – Dumbledore diz – agora você vai me contar o que puder sobre o caso – ele completa parecendo muito com uma mocinha à espera do próximo capítulo da novela.
Harry sorri e se prepara para dar ao reitor alguma informação inocente sobre os últimos acontecimentos da investigação...
XXXXX
Quase ao mesmo tempo
James olha para a profusão de filmes em sua videoteca particular. Ele tem um bloco nas mãos onde ele faz algumas anotações enquanto pega as cópias das fotos que Sirius compartilhou. Esse cara é bom... Ele não pode deixar de pensar. Um monstro, mas definitivamente bom no que faz.
Ele olha para o seu celular e vê uma mensagem de Hagrid, James conhece o homem bem o suficiente pra saber que toda a situação o deixou apavorado, ele sabe que o fato de ser um ex-presidiário vai de uma forma ou de outra colocá-lo na berlinda. O fato que dele ser inocente vai parecer irrelevante se alguém descobrir que ele foi acusado de assassinato uma vez. James faz uma anotação mental de entrar em contato com ele mais tarde, os anos os transformaram em bons amigos e James nunca iria deixar um amigo na mão.
Ele coloca as fotos em um mural muito parecido com o usado na Scotland Yard, James o providenciou para facilitar a sua organização de ideias, o seu pensamento é chamar seu filho, Sirius e quem sabe mais alguns que trabalham no caso para compartilhar as suas descobertas. Será mais fácil fazer isso em casa com seus filmes à mão do que levar tudo para a Scotland Yard e sim, ele tem certeza que vai achar alguma coisa, James não é um cinéfilo à toa e neste momento ele sente um arrepio ao pensar que a pessoa que está fazendo tudo talvez seja tão cinéfilo quanto ele, talvez até mesmo alguém com quem ele já teve contato.
- Você não vai me pedir pra fazer companhia? – ele ouve a voz da esposa, de fato James sempre a chama para assistir com ele mesmo sabendo que ela recusa na maioria das vezes
- Você nunca aceita mesmo – ele diz sacudindo os ombros – e desta vez é trabalho, não é diversão.
- Desta vez talvez eu possa dar algum palpite – Lilly argumenta – não quanto ao filme em si, mas como psicóloga eu talvez possa contribuir com uma coisinha ou outra
- É verdade, ruiva – ele diz pensativo e sorri – eu acabei esquecendo de te contar, o Harry tem uma nova parceira no caso. O Sirius comentou que ela tem também um diploma de psicologia - seu sorriso se alarga ainda mais – e ela é ruiva assim como você
- É impressão minha ou estou vendo sinos matrimoniais na sua cabeça? – Lilly pergunta sorrindo. A história da família Potter com ruivas já é conhecida e James jura que seu filho vai seguir o padrão
- É assim que as coisas são, aceite isso – James diz com um sacudir de ombros – e aí, posso começar?
- Só o tempo de pegar meu bloco de anotações – Lilly diz enquanto se prepara para ajudar o marido...
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Na Scotland Yard
Gina revê as suas anotações, por hoje o dia acabou pelo menos pra ela já que os outros agentes estão nas ruas, ela pensa e suspira um pouco frustrada, ela sacode a cabeça para não pensar nisso e se prepara para ir à casa dos seus pais. Ela recebeu uma mensagem não de sua mãe, mas do seu pai a chamando para jantar. Isso é um pouco estranho já que na maioria das vezes é sua mãe quem manda milhares de mensagens sempre se queixando que ela aparece pouco, não que Gina apareça pouco, mas para os padrões de Molly Weasley qualquer coisa que não seja ficar com seus filhos sob a sua proteção é sempre menos do que ela gostaria.
Mas não seu pai, embora ele sinta tanta falta de ter os filhos por perto quanto à esposa, Arthur Weasley não é o tipo que manda mensagens para dizer isso. Então ela tem duas teorias, ou a sua mãe usou o celular do seu pai ou ele tem algo a dizer e visto que a sua mãe nunca usa o celular do marido é bem provável que seja a segunda.
Gina é uma mulher muito curiosa, curiosa e impaciente e foi por isso que ela logo enviou uma resposta dizendo que iria hoje mesmo e é por isso que ela sai rapidamente a caminho para a casa dos seus pais...
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Enquanto isso
Draco Malfoy está nas ruas, o lugar onde ele sempre quis estar, lutando para deixar os caras maus fora dela e fazer justiça. Mesmo não sendo exatamente bom em lidar com as pessoas, ele sabe que é bom nisso. Ser sociável não é uma de suas qualidades, mas ser bom no que faz é.
Ele sabe que eles não têm muita coisa a não ser um bando de filmes e uma ligação destes filmes com as vítimas, sem falar dos corpos que podem ou não ser obra do mesmo cara. Draco sabe que essa talvez seja a grande pista, mas não cabe a ele desvendá-la. Isso é coisa para o Potter. Ele pensa com um certo desdém
Draco não pensa muito nisso, ele se força a não lembrar aquela época da sua vida, a época em que ele e Harry Potter pensavam em ser grandes policiais, ambos tinham um desejo quase infantil de fazerem justiça e meio que fizeram um pacto de fazer isso juntos. Infelizmente as circunstâncias não permitiram que isso acontecesse. Draco até entende o lado de Harry Potter, mas lá no fundo ele esperava que ele superasse e voltasse aos seus planos antigos
Mas Draco nunca foi homem de ficar se lamentando. Mesmo que Harry tivesse desistido, ele seguiu seus planos e chegou mais longe do que ele esperava, a Scotland Yard e Harry mesmo de um jeito torto acabou chegando lá também o que lhe deixou um pouco frustrado. Ele tem que admitir já que o plano era que eles galgassem o caminho juntos
No entanto nada mais foi como antes e Draco não conseguiu evitar o ressentimento, mesmo sabendo de tudo o que o amigo ou ex-amigo passou. Ninguém nunca disse que eu era perfeito. Ele pensa balançando a cabeça para afastar Harry Potter dos seus pensamentos e se concentrar no que deve, no seu trabalho...
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Ao mesmo tempo
As primeiras estrelas ainda não surgiram, mas ele sabe que não falta muito, em breve aquelas mulheres estarão nas ruas e disponíveis para ele, tudo o que ele precisa fazer é esperar. Ele sabe que o trabalho será feito como acontece em todos estes anos, embora não tenha a sua sofisticação seu subordinado sabe assim como ele que é necessário limpar as ruas deste tipo de mulher. Elas não merecem viver e muito menos procriar e ele sabe que mais cedo ou mais tarde isso acontece.
Sim, isso sempre acontece e a prole sempre acaba caindo no mesmo círculo vicioso. São raras as exceções e ele mais do que ninguém sabe o quanto é difícil ser uma exceção
Ele sabe que os seus anos áureos não durarão muito. Mais cedo ou mais tarde ele não terá mais a força ou a astúcia necessária para mostrar a sua arte, muito menos para conseguir a sua matéria prima, então ele precisa mesmo aproveitar e é por isso que ele precisa mais do que nunca agir.
E é isso que ele vai fazer, ele vai continuar limpando as ruas ao mesmo tempo em que realiza as suas obras primas...
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Na casa da família Weasley
Gina ajuda a sua mãe com a refeição, ao contrário da matriarca ela nunca foi muito de cozinhar, mas isso não significa que ela não saiba como fazer e verdade seja dita ela até gosta de fazer isso de vez em quando, de vez em quando bem entendido.
Seu pai ainda não apareceu, a sua mãe informou que ele está fazendo alguma coisa no galpão e Gina já o conhece bem o suficiente pra saber que quando ele está no galpão a sua atenção fica, como direi, bem dispersa, então ela nada mais pode fazer do que esperar.
Mas isso não significa que ela não pode pescar uma coisinha ou outra com a sua mãe.
- Eu achei estranho o papai me chamar pra almoçar hoje – ela diz enquanto lava os vegetais – geralmente é você quem manda as mensagens dizendo que está com saudades
- Isso não significa que ele também não sinta falta – a sua mãe diz sem parar de mexer no fogão
- Eu sei mãe, eu sei que ele também sente falta – Gina apressa-se em dizer – mas não é muito a cara dele mandar mensagens, geralmente é você quem faz isso, então eu só posso achar que ele tem algo pra me dizer.
- Bem, isso você vai ter que perguntar pra ele – é a resposta da sua mãe e neste momento Gina tem certeza que ela sabe muito bem o que o seu pai quer, mas não vai abrir a boca sobre isso.
Felizmente o seu pai chega, empoeirado de seja lá o que ele estivesse fazendo no galpão – oi filha, que bom que você veio – ele vê o semblante curioso da moça – eu vou só tirar essa poeira, você sabe que de jeito nenhum a sua mãe vai me permitir sentar em qualquer lugar desse jeito.
- Você me conhece bem – Molly diz tentando aparentar rispidez, mas Gina sabe que ela está sorrindo – vai logo que o jantar está quase pronto, depois vocês conversam
- Mas mãe... – a ruiva tenta argumentar.
- Eu disse depois, Gina – a sua mãe diz num tom que ela já conhece bem e à ruiva só cabe suspirar e esperar pelo jantar...
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Enquanto isso
James pausa o filme enquanto faz algumas anotações. Ele olha para a esposa, é muito raro ver Lilly tão absorta em um filme de suspense e ele sabe que não é pelo filme em si, mas pela possibilidade de ajudar seu filho e também tirar um monstro como esse das ruas.
- O que você tem a dizer? – ele pergunta – além do óbvio que é esse cara ser louco.
- Personalidade narcisista... – ela começa – alguém que se acha muito inteligente e que de alguma forma não acha que é reconhecido – ela pensa mais um pouco – alguém que odeia as mulheres, obviamente não deve ser casado e nem ter algum tipo de relacionamento e caso tenha deve ter uma esposa ou namorada bem submissa. Isso pode ser meio óbvio, mas provavelmente teve problemas com a mãe, avó, ou alguma figura feminina.
- Você viu tudo isso apenas assistindo um filme? – James fala sorrindo – se o Sirius sabe disso você vai acabar parando na Scotland Yard.
- Pelo que você disse, ele já tem uma ruiva por lá – Lilly responde também sorrindo – me fale mais sobre ela.
- Na verdade não sei muita coisa – James diz – só que ela pareceu ser uma boa moça, bem determinada e dedicada – ele sorri – quem sabe eu a convide pra vir aqui ver os filmes comigo e o Harry pra gente trocar teorias. Tudo bem profissionalmente, é claro.
- Claro... – Lilly fala rolando os olhos – nada além de um compromisso profissional.
- Pelo menos até os filmes acabarem – James completa, ele olha para o relógio – eu vou ligar para o Hagrid antes do jantar, se eu conheço bem meu amigo ele deve estar bem apreensivo.
- Faça isso – Lilly concorda enquanto dá um selinho no marido – eu vou tomar um banho enquanto isso – ela completa antes de se retirar...
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Mais tarde
Gina janta com os pais, ela se segura pra não tocar no assunto, mas ela literalmente está com brotoejas de curiosidade. Ela olha para o seu pai diretamente enquanto conversam amenidades esperando que ele toque no assunto, o que não acontece. A ruiva pode notar um meio sorriso nos lábios de seu pai, como sempre acontecia quando chegava perto do seu aniversário ou do natal e ela queria saber o que iria ganhar e seu pai se divertia em deixá-la curiosa.
Ela suspira enquanto olha para o pai e diz – tudo bem, eu desisto pai. Você nunca manda mensagens dizendo que está com saudades e me chamando pra jantar, o que aconteceu?
Arthur solta uma gargalhada enquanto a sua mãe suspira – pode pagar – ele fala para a esposa
- Como assim? – Gina fala curiosa – por que você precisa pagar o papai?
- Nós apostamos quanto tempo você iria demorar pra perguntar e a sua mãe disse que você esperaria a sobremesa. Eu disse que seria ainda no jantar – ele vê que a filha abre a boca espantada – o que foi? Você pensa que só você e seus irmãos gostam de apostar?
- Você nunca conseguiu se conter mesmo – a mãe diz dando de ombros – mas custava esperar mais um pouquinho?
- Desculpe, eu acho – Gina diz. Ela respira fundo – agora que vocês dois já se divertiram ás minhas custas, que tal eu ficar sabendo por que você mandou a mensagem pai?
Arthur olha para a filha e Gina vê que ele está procurando as melhores palavras, como se estivesse se sentindo um pouco culpado – bem... – ele começa – agora que você está na Scotland Yard, creio que você deve ter ouvido meu nome por lá uma vez ou outra
- Pra falar a verdade, eu ouvi – Gina admite – e fiquei bem espantada – ela encara o pai – por que você nunca nos disse que havia trabalhado com a Scotland Yard? O que aconteceu? Por que você saiu? Você foi muito elogiado até pelo próprio Moody.
Arthur suspira – é complicado, filha. Eu sei que pra você não tem nada mais importante do que ter o seu sonho de entrar na Scotland Yard realizado, mas pra mim havia outras coisas em jogo.
Seu pai fica em silêncio por um momento e Gina não precisaria ser uma agente para saber exatamente o que estava em jogo, a sua família. Mesmo assim ela precisa insistir – mas papai, você sempre conciliou bem a polícia com a gente. Eu não sou ingênua a ponto de acreditar que sempre foi fácil, mas você sempre conseguiu. Tanto que todos nós seguimos seu caminho e os meninos também têm as suas próprias famílias
- Sim Gina – seu pai fala com a mesma paciência que tinha quando ela era uma menina e queria participar de todas as brincadeiras dos irmãos mesmo sendo muito pequena pra isso – mas se você perguntar pra qualquer um deles, nenhum vai dizer que tem a Scotland Yard como meta – ele faz uma pausa – você já conheceu alguém na sua equipe que tem uma família?
- Na verdade não – a ruiva diz – mas isso não quer dizer que ninguém na Scotland Yard não tenha
- Sim Gina, várias pessoas lá tem sim uma família ou um relacionamento, mas na maioria das vezes não são os agentes – ele respira fundo – é complicada a vida de pessoas que precisam estar sempre à disposição quando estão em um caso ou estão trabalhando infiltrados. Isso pode acabar com um relacionamento e mesmo que não acabe, uma vida assim exige muitos sacrifícios de ambas às partes. A sua mãe nunca me pediu nada nesse sentido, mas eu não estava disposto a sacrificar o meu tempo com ela ou com vocês, eu fiz a minha escolha e em momento algum eu me arrependi – ele sorri – e foi bom saber que eu era bom o suficiente para a Scotland Yard... O que foi? – ele vê que a filha está calada.
- Você acha que tem algo errado comigo? – ela diz depois de um instante – é que a Scotland Yard sempre foi o meu maior sonho desde que comecei na academia, eu fiz dois cursos de graduação para ser o mais qualificada possível – ela baixa os olhos – eu não consigo sequer pensar em qualquer coisa que me afaste do que eu quero. Isso é tão ruim assim? Digo, eu querer tanto entrar na Scotland Yard a ponto de não querer tanto assim um relacionamento ou uma família?
Arthur chega até a filha e a abraça. A sua menina sempre foi tão determinada. Ele nunca admitiu, mas sempre teve medo que ela acabasse deixando outros aspectos da sua vida pra trás – só o que eu quero é que você seja feliz – ele diz – eu só não quero que você pense que um relacionamento ou uma família pode por o fim nos seus planos. Ao contrário, eles só vão fazer com que você sonhe mais alto, só vão te dar mais força pra lutar por eles e caso você não queira isso, você sempre vai ter uma família que a ama aqui.
Gina seca uma lágrima com as costas da mão. Seu pai sempre sabe fazê-la se sentir bem mesmo que antes ela tenha se sentido um lixo – obrigada
- Mas sabe de uma coisa? – Arthur continua – eu tenho certeza que a pessoa certa pra você está em algum lugar por aí e mesmo que você não esteja procurando, vocês vão se encontrar.
- Você é um romântico incorrigível – ela diz sorrindo
- E eu não sei? – Arthur também sorri – como não seria se eu encontrei o amor da minha vida e estamos juntos até hoje?
- E sortudo também – ela completa – agora me conte umas histórias de quando você estava na Scotland Yard
Ela se aconchega junto ao pai e se prepara para ouvir as histórias inéditas com o mesmo entusiasmo que tinha quando era apenas uma menininha e na verdade Gina admite que mesmo sendo uma mulher feita, ela ainda tem muito de uma menininha do papai...
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Bem mais tarde
Luna Lovegood está absorta com os diários da sua mãe. Embora tenha ficado meio sem jeito pensando na privacidade dela, depois que abriu a primeira página não conseguiu mais parar.
Ela viu que a sua mãe começou o seu diário bem nova, antes mesmo de conhecer o seu pai e mesmo no período em que estava nas ruas ela sempre escrevia. Algumas páginas são difíceis de entender, Luna desconfia que estas partes fossem escritas no período em que ela estava sob a influência das drogas. A moça enxuga uma lágrima ao pensar no que a sua mãe deve ter passado, Luna imagina que para seu pai isso seja mais difícil ainda já que ele conheceu a sua mãe ainda na reabilitação.
Mas Luna não é apenas filha de uma mulher desaparecida, ela também é uma mulher determinada e uma jornalista investigativa, ela sabe ler nas entrelinhas e é boa nisso. Então ela respira fundo e continua a ler, ela está chegado na parte em que a mãe viu que estava chegando ao fundo do poço e buscou por ajuda, a sua intuição diz que tudo vai se conectar mas ela tem um bom tempo pela frente até descobrir esta conexão...
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Madrugada adentro
Luna não conseguiu dormir, ela tentou se recolher, mas a sensação de tarefa pela metade a incomodou a ponto de fazê-la perder o sono. Então ela trouxe novamente o diário da sua mãe, a moça sabe que amanhã estará acabada, mas ela também sabe que não vai conseguir parar antes de terminar. Ela pensa na ironia das vezes em que seu pai carinhosamente disse para a sua mãe que ela iria passar a madrugada toda escrevendo e agora é ela quem fica lendo o que a mãe escreveu durante toda a madrugada.
Ela passou pela parte em que a sua mãe procurou a clínica voluntariamente, pela época em que conheceu o seu pai, leu sobre as dificuldades que tiveram uma vez que não poderiam se envolver pelas regras do lugar, Luna já perdeu as contas das vezes que chorou com as memórias da sua mãe, leu sobre a vida perfeita que teve nos anos em que viveu com seu pai, o seu nascimento e o quanto ela gostava de ser mãe. Sim, Luna já leu sobre todas estas passagens e embora tenha sido gratificante conhecer a sua mãe por ela mesma e isso a tenha emocionado, neste momento as suas emoções são bem diferentes, ela está na última parte do último diário e o que ela está sentindo agora são os pelos da sua nuca se eriçarem.
A sua mãe não diz nada claramente, mas Luna sente pela forma sua de escrever que ela encontrou alguém, alguém do seu passado e conhecendo a sua mãe como ela conheceu, Luna sabe que ela faria tudo pra ajudar e talvez isso tenha sido a sua ruína.
Luna não sabe se essa pessoa é a responsável pelo desaparecimento da sua mãe ou se é apenas outra vítima, ela sequer sabe se a pessoa de quem a sua mãe fala nas últimas páginas é um homem ou uma mulher. Luna nem sabe se isso seria uma pista que ela deveria levar para os investigadores, pra falar a verdade ela não ainda não tem sequer a confirmação que a sua mãe é um daqueles corpos, mesmo que seu coração grite que sim.
Ela sabe que ainda demoram alguns dias para que o resultado do exame saia, mas Luna também sabe que não conseguiria ficar sem fazer nada, não agora que ela tem alguma pista do mistério que permeia a sua vida e ela vai se agarrar a isso com todas as suas forças, Luna vai entregar o diário para a polícia assim que houver uma confirmação, mas enquanto isso não acontece, ela sabe que não vai conseguir ficar parada.
Sim, ela não vai conseguir ficar parada e ela não vai ficar parada, Luna já sabe exatamente o que fazer e ela vai fazer isso amanhã...
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Nas ruas escuras de um subúrbio qualquer
Demelza Robins ou Demi Delícia como é conhecida em seu meio se prepara para mais uma noite de trabalho. Ela raramente frequenta as ruas já que os seus clientes entram em contato com ela através das mídias sociais, ela é adepta da tecnologia e isso faz com que o seu público seja, digamos, bem mais selecionado.
Sim, ela raramente vai para as ruas a não ser que haja uma emergência e agora ela definitivamente está em uma emergência. Não uma emergência tipo preciso pagar o tratamento dentário da minha avó ou vou ser despejada amanhã, mas uma emergência do tipo não resisti a uma liquidação da Victoria Secret's e preciso de uma grana extra pra pagar meu cartão. É um investimento profissional, ela diz para si mesma dando de ombros, lingerie nunca é demais no meu ramo de atuação e se eu tiver que fazer um programa diferenciado de emergência, que seja.
Ela anda pelas ruas com cuidado, procurando evitar as garotas que ficam nas ruas. Demelza sabe que elas costumam ser bem hostis com aquelas que estão nos seus pontos de programa e a última coisa que ela quer é se indispor com as colegas. Deus sabe que a vida é difícil para a maioria delas, não pra ela, é claro, Demelza tem mais cabeça e juízo do que estas pobres mulheres, grande parte delas não teve muita escolha, o que não foi seu caso. Vinda de uma família de classe média, ela estudou e até trabalhou em outras coisas até que viu que poderia ter uma vida muito mais fácil usando a sua cabeça e seu corpo e se ela não gostasse tanto das coisas boas da vida, ela não precisaria usar estes artifícios para conseguir um extra de vez em quando
Não que ela esteja nas ruas pra pegar um cliente qualquer, isso nunca. Ela não se presta a esse tipo de coisa, mas ela sempre tem um ou outro dos seus clientes habituais que gosta de realizar alguma fantasia deste tipo, e como eles pagam bem, que seja, ela pensa enquanto ajusta o seu decote mais do que avantajado.
Ela olha para o relógio, não deve faltar muito até que a sua atuação comece. O combinado foi que ela ficasse em uma esquina com um cigarro nas mãos aguardando, seu cliente pararia e a encenação começaria. Alguns homens são mesmo patéticos! Ela pensa lembrando as últimas vezes que ela fez o papel, na fantasia dele, eles fariam sexo alucinadamente e ela diria que ele foi tão bom que dispensaria o pagamento. Só em sonhos mesmo! Ela pensa com seus botões.
Ela vê um carro se aproximando, não é o carro habitual, desta vez parece mais uma van ou um carro de transporte. O que será que o senhor Lockhart tem em mente desta vez? Ela pensa com um sorriso. Esses velhos estão cada vez mais safados.
O farol alto a cega momentaneamente e ela vê que não é o senhor Lockhart quem está lá...
NOTA DA AUTORA
Mais um capítulo prontinho e postadinho como manda o figurino. Mesmo que a maioria de vocês seja muito tímido e não consigam tirar nem um tempinho pra dar um oi e deixar uma palavrinha pra me fazer feliz eu continuo aqui, firme e forte!
Falando sério agora, eu posto aqui há muito tempo e sempre digo que odeio fics sem conclusão e não vou fazer isso nunca e também não vou condicionar a atualização aos comentários porque não acho esse tipo de coisa legal. Mas poxa, gente, deixar uma palavrinha não custa nada e faz uma diferença danada pra quem escreve, pronto falei!
De qualquer forma eu quero mesmo agradecer a todo mundo que está lendo, muito obrigado a todos que favoritaram ou colocaram a fic em alerta. É bom saber que vocês estão por aqui e meu obrigado mais do que especial para a Allegra23 que não me deixa desanimar e sempre deixa uma palavrinha por aqui.
Espero que tenham gostado do capítulo. Vou fazer o possível pra não enrolar muito com a atualização mas as férias acabaram e com isso o meu tempo livre vai diminuir também.
Bjos e até o próximo capítulo e desculpem o desabafo!
