Quase ao mesmo tempo

James engole com dificuldade um dos bolos secos que Hagrid lhe oferece. O homem de tamanho descomunal tem inúmeras qualidades, mas habilidade culinária nunca poderia ser considerada uma delas. No entanto a boa vontade dele em lhe preparar um café da manhã foi tão grande que a James só cabe respirar fundo e fazer o seu melhor pra conseguir engolir. Por sorte o café forte ajuda com isso.

Quando James ligou para Hagrid na véspera, ele percebeu que o seu amigo se achava a beira de um colapso nervoso. Era como se os anos em que ficou preso injustamente viessem à tona e James como amigo se prontificou a vê-lo e é isso que ele está fazendo agora.

- Você precisa entender, Hagrid – o advogado diz tentando acalmá-lo – que não é porque você encontrou o cemitério clandestino que você vai ser acusado de alguma coisa. Você foi inocentado, todas as acusações foram retiradas e você agora é um homem livre, nada vai mudar isso.

- O senhor é que precisa entender – Hagrid diz e James luta contra a tentação de rolar os olhos, por mais que James diga Hagrid não consegue parar de chamá-lo de senhor – o senhor não entende porque é uma pessoa boa, mas nem todo mundo é assim. Eu consegui construir uma reputação aqui porque eu fiz tudo às claras, eu procurei a igreja e contei tudo vigário e juntos nós conversamos com a comunidade, eu abri meu coração aqui, eu disse que caso alguém tivesse algo contra ou não se sentisse confortável com a minha presença, poderia me procurar pra gente resolver. Demorou alguns anos até que eles pudessem confiar em mim e eu tenho certeza que se eu não tivesse feito isso eu seria visto como suspeito mesmo tendo vivido corretamente durante todos esses anos, na verdade agora eu estou com medo de que nada disso tenha adiantado.

- Você foi muito corajoso em contar tudo – James diz, de fato quando Hagrid disse que iria fazer isso James temeu por ele, mas talvez o fato dele ter sido tão aberto logo que chegou fez com que ele fosse respeitado em sua comunidade.

- Imagine – Hagrid diz com um sorriso – eu estava morrendo de medo. Como estou agora, e se mesmo assim as pessoas daqui duvidarem de mim? Eu sei que a maioria confia, mas eu tenho a impressão às vezes que alguns ficam olhando pra mim quando pensam que eu não estou vendo

- Você vai superar eu tenho certeza e qualquer coisa pode me pedir ajuda, eu ficaria mais do que feliz em falar por você na igreja ou onde você quiser e tenho certeza que se eu pedir, a Scotland Yard também pode dizer que você não é suspeito - Ele completa sabendo que certamente Sirius vai investigar seu amigo, mas Hagrid não precisa ficar sabendo.

- Eu agradeço – Hagrid diz com um sorriso – mas não foi por isso que eu te chamei. Quer dizer, foi por isso também, mas não foi só por isso. É algo que vinha acontecendo por aqui há algum tempo e talvez não tenha ligação alguma, mas em todo caso...

- Tem a ver com tudo o que aconteceu? Com o que você achou? – James pergunta curioso

- Pode ser que sim – Hagrid fala – não sei dizer, por isso te chamei. Eu vou te contar e você me diz se eu não estou imaginando coisas

- Tudo bem, Hagrid – James diz enquanto toma mais um gole de café – sou todo ouvidos, pode contar.

E Hagrid conta a sua história...

XXXXX

Na Scotland Yard

Sirius e Kim veem a moça sair pela porta após fazer o retrato falado. Talvez seja apenas um cara louco procurando por uma prostituta, mas pode ser que seja algo importante para a investigação e eles esperam fortemente que seja a última opção e embora isso seja uma coisa boa para a investigação pode ser também algo ruim, afinal se por um lado ele cometeu um erro por outro talvez ele esteja se descontrolando e o descontrole em se tratando de psicopatas nunca é algo bom.

Ele vê em seu celular uma mensagem da sua nova recruta, Gina Weasley, dizendo que a sua cunhada que trabalha em um centro de reabilitação tem algo a lhe dizer e embora Gina não esteja recrutada para trabalho externo ela é a mais qualificada para averiguar já que foi chamada pessoalmente.

O detetive se recorda da primeira vez que Shacklebolt falou da moça com um entusiasmo contagiante e pelo pouco que Sirius analisou, o detetive já sabe que ela tem potencial para ser uma das suas quando tudo isso acabar e quem sabe até algo mais. Sirius sorri lembrando a fisionomia do seu amigo James quando soube que Harry iria trabalhar com uma ruiva, o detetive tem certeza que o seu amigo deve ter ouvido os sinos matrimoniais ao saber disso.

Harry... Sirius sorri seu afilhado é uma das melhores pessoas que ele conhece, um homem como poucos embora Sirius admita que ele tem dificuldades em vê-lo assim. Para Sirius, Harry Potter sempre vai ser aquele garoto meio tímido que sonhava em ser um policial.

Infelizmente o destino foi mais duro com o seu afilhado do que ele poderia imaginar e por algum tempo Sirius achou que Harry não iria suportar. Mas o garoto, sim para ele Harry sempre vai ser um garoto, acabou dando a volta por cima e chegou à Scotland Yard por vias não tão comuns, mas mesmo assim ele chegou lá e está melhor do que nunca.

Sim, profissionalmente Harry está muito bem, mas Sirius sabe que uma parte dele ainda não está totalmente curada e segundo James nada melhor pra isso do que uma ruiva para terminar de colocar os pedaços do seu afilhado no devido lugar...

XXXXX

Quase ao mesmo tempo

Gina olha para Minerva e Hermione que olham para o homem que chegou como se ele fosse uma celebridade. Ela não o conhece, mas fica claro que ele é alguém realmente importante.

- Senhor Riddle, que surpresa agradável – Minerva diz um pouco surpresa – não sabia que havia uma visita agendada – ela olha pra Hermione cujo olhar deixa claro que ela também não tem conhecimento algum de qualquer visita

- Oh não – o homem diz com um sorriso enquanto cumprimenta as duas mulheres beijando as mãos de ambas de um modo antiquado e galante – eu sei que não é de bom tom comparecer sem avisar, mas eu estava entediado sem fazer nada, então eu pensei por que não vir e ficar a par do excelente trabalho do nosso centro de mulheres? Espero que não se importem.

- Imagine – Minerva o tranquiliza – o senhor pode vir quando quiser, nosso trabalho só é possível graças a sua ajuda.

- É uma honra poder contribuir de alguma forma com o trabalho que vocês fazem com essas mulheres – ele diz – e essas jovens encantadoras? – ele olha para Gina e Luna – estão fazendo uma visita?

- Ah não – Minerva esclarece – esta é Luna Lovegood, voluntária aqui no centro e esta é Gina Weasley, ela é cunhada da nossa Hermione – Minerva diz e Gina não pode deixar de notar que ela não falou nada a respeito da sua profissão.

- É uma honra, senhoritas – ele diz cumprimentando as duas, ele então fixa seu olhar em Luna – a senhorita me lembra alguém, mas não me recordo direito, perdoe um velho – ele olha para Minerva – a senhorita me disse que ela é uma voluntária – ele vê a supervisora assentir com a cabeça – se permitir que esta jovem encantadora me mostre como está tudo, eu agradeceria.

- Creio que não há muita mudança – Minerva diz olhando para Luna que a seu ver parece um pouco desconfortável – mas se a senhorita Lovegood não tiver nenhuma objeção...

- Tudo bem – Luna diz – se o senhor quer ver tudo, pra mim não tem problema algum mostrar. Só não posso demorar muito, tudo bem?

- Perfeitamente senhorita – Tom Riddle diz enquanto oferece o braço para Luna que hesita um pouco, mas acaba segurando e os dois saem em direção às dependências da clínica.

- Só espero que a senhorita Lovegood não fale nada inadequado – Minerva diz quando os dois saem da sala – a última coisa que nós precisamos é que o senhor Riddle se chateie e pense em retirar as suas doações.

- Ela é tão terrível assim? – Hermione pergunta já que ela voltou tem pouco tempo e ainda não conhece direito a moça.

- Filtro e Luna são duas palavras que não estão na mesma frase com muita frequência – Minerva diz com um suspiro – em todo caso vou dar alguns minutos antes de dizer que preciso dela com urgência, acho que não vai dar tempo de um estrago muito grande ocorrer – ela olha para Gina – senhorita Weasley eu sei que a ideia da Luna é meio inusitada, mas você pode ajudá-la?

- Eu não sei – Gina fala pensativa – não é algo que eu pensaria, muito menos faria. Mas ela parece decidida a fazer de qualquer forma e talvez ela consiga alguma coisa – Gina suspira – tudo bem, eu vou ajudar – ela vê Minerva e Hermione sorrirem e logo completa – mas vou informar tudo na Scotland Yard sem negociação. Eu não vou arriscar que aconteça alguma coisa com ela muito menos perder a minha chance lá.

- Justo – Minerva diz, ela dá um meio sorriso – e depois eu conheço mesmo a senhorita Lovegood. Mesmo que seus superiores não concordem, ela está decidida e fará com ou sem ajuda...

XXXXX

Enquanto isso

Harry olha para o relógio pela terceira vez, boa parte da manhã já se passou e nada da sua parceira aparecer, o que o intriga e o preocupa um pouco. Harry já percebeu que Gina é alguém bastante dedicada e atrasos não parecem algo do seu feitio. Será que essa doida resolveu investigar sozinha mais uma vez? Ele pensa com seus botões.

Não. Ela não faria isso. Harry sacode a cabeça em negativa. Não que ela não seja capaz, mas pelo que Harry percebeu a moça é arrojada, mas não é inconsequente e ela sabe uma diligência solitária não seria uma boa ideia.

Mesmo assim essa demora o intriga um pouco. Será que aconteceu alguma coisa? Ele se pergunta

Mas a sua curiosidade fica pra depois quando ele vê a porta se abrindo e uma visita inesperada entrar...

XXXXX

Um pouco mais tarde

Gina entra na Scotland Yard, ela sabe que está mais atrasada do que deveria, mas foi por um bom motivo. A detetive não apenas ouviu o que Luna tinha a dizer como também aproveitou para conversar com várias jovens do centro. Isso é que foi uma manhã produtiva. Ela pensa com um sorriso.

Ela deveria ir direto a Sirius para contar a ideia estapafúrdia de Luna Lovegood. Estapafúrdia e perigosa, mas a ruiva tem uma intuição sobre isso e a sua intuição lhe diz que pode sim ser um caminho.

Sim, ela deveria ir direto a Sirius e ela foi, mas seu chefe imediato está em reunião com o chefe maior. Ela deveria esperar, mas ao invés disso, ela se vê pegando o caminho para o recinto que divide com Harry Potter. Mesmo que Sirius seja seu chefe imediato é com Harry que ela trabalha diretamente, é ele que provavelmente deve estar se perguntando por que ela não chegou. É apenas consideração profissional, ela pensa enquanto se dirige ate a sua sala.

No entanto, a ruiva para antes de entrar ao ouvir vocês alteradas no local...

XXXXX

Um pouco antes

Harry vê Draco Malfoy entrar na sala com seu costumeiro ar esnobe. Ele sabe que o loiro mal consegue lhe dirigir a palavra, então se ele está aqui deve ser por algum motivo sério.

Ele por um momento pensa em como os dois cultivaram uma amizade rápida nos primeiros anos de academia, uma amizade que por um breve período ambos acharam que iria superar qualquer tipo de percalço, mas os dois jovens logo perceberam que isso não iria acontecer e tão rápido como começou esta amizade se esvaiu como fumaça.

Harry não sabe dizer ao certo como ou porque isso aconteceu. Talvez as expectativas de Draco quanto ao futuro tivessem sido exageradas e quando tudo desmoronou seu agora ex amigo não soube lidar, mas talvez a culpa tenha sido um pouco sua já que Harry simplesmente desistiu e nunca pensou em dar uma satisfação. Ele sabe que devia isso a Draco, mas ele simplesmente não pôde.

- Algum problema? – ele diz ao ver Draco bater levemente na porta e entrar.

- Nada sério – o loiro usa seu costumeiro tom impessoal – o Sirius pediu pra deixar esse depoimento que ele pegou com uma provável vítima pra você e a sua parceira analisarem, afinal você é a parte que pensa aqui...

Harry rola os olhos. Ele sabe que é uma atitude infantil, mas diabos! O jeito que Draco o trata também é!

- Já entregou, obrigado. Vou fazer meu trabalho que é pensar, trabalho que nem todos podem fazer - ele não resiste em alfinetar.

- Como é que é? –Draco diz depois de um momento. Ele sabe que sempre provoca, mas Harry nunca revida.

- Sabe Malfoy – ele diz num tom gélido – as pessoas realmente boas no que fazem não se incomodam com as outras. Então eu vou fazer o meu trabalho que é pensar, como você mesmo falou, sem me importar com você, como eu sempre fiz. Consegue entender?

- Você está insinuando que eu não sou bom no que eu faço? – Draco diz sem conter a sua contrariedade. Se Harry queria pegar no seu ponto fraco, ele conseguiu.

- Eu não estou insinuando nada, Malfoy – Harry diz – eu só quero fazer meu trabalho, mas você cisma em alfinetar sempre que tem uma oportunidade e hoje eu simplesmente cansei de ficar calado. Mas tudo bem, como a parte pensante desta operação, eu vou analisar o depoimento e deixar essa conversa pra lá. Agora, se me dá licença...

- Depois eu é que sou frio – Draco diz – você realmente se importa? Você algum dia se importou?

- O que você quer dizer? – Harry olha incrédulo para o loiro – é claro que eu me importo, caramba! Você deveria saber melhor que ninguém!

- Caramba, Potter! – o loiro passa a mão pelo cabelo – Eu a amava também, você sabe disso. Eu a amava do meu jeito, do jeito que eu consigo amar e eu todos os dias tento ser o melhor, porque eu sei que ela queria ser a melhor. Esse é o jeito que eu me lembro dela todos os dias, o jeito que eu presto a minha homenagem. E você o que faz? Dá aulas e pensa? Você acha que era isso o que ela iria querer?

Harry olha para Draco. Ele o conhece há anos, mas é a primeira vez que o vê sendo tão sincero sobre esse assunto, e por um momento Harry se sente um pouco culpado, como se ele tivesse ficado preso em seu mundinho de dor e se esquecido que outras pessoas também sofreram.

- Você pelo menos vai ao cemitério de vez em quando? – Draco continua a alfinetá-lo – ou seu tão falado luto eterno só diz respeito ao nosso sonho de sermos todos policiais?

- Você vai? – Harry devolve a pergunta – eu vou ser sincero. Eu não vou, eu não tenho coragem. Eu prefiro lembrar dela viva e não em uma lápide e eu sinto muito se eu não pude ficar pra realizar o sonho do trio. Talvez eu não seja tão bom assim, mas eu estou ajudando do jeito que eu posso eu estou vivendo a minha vida e tentando seguir em frente. Eu sei que ela ia querer isso se isso te decepciona, eu sinto muito.

Draco olha para Harry, ele até pensa em responder, mas um toque tímido na porta diz que eles não estão mais sozinhos. Eles olham para trás e veem Gina Weasley que está ligeiramente ruborizada. Ela baixa os olhos enquanto diz:

- Desculpe o atraso eu tive que resolver umas coisas, o Sirius está sabendo. Espero não atrapalhar, mas eu preciso conversar com você o quanto antes – ela completa olhando para Harry.

- Tudo bem – Harry diz tentando não demonstrar a situação pesada de alguns segundos atrás. Ele não olha para Draco, mas Harry o conhece bem o suficiente pra saber que ele também está se perguntando o quanto Gina ouviu – mas devo dizer que já estava um pouco preocupado de que você tivesse resolvido dar uma patrulhada sozinha por aí.

- Eu sei melhor do que isso – Gina diz – mas sim era algo referente ao caso, eu ia direto conversar com o Sirius, mas como nós trabalhamos juntos diretamente e como eu me atrasei achei que um mínimo de cortesia seria legal.

- Desculpe não ficar pra ver a cena tocante – Draco que estava até então calado se manifesta – o recado está dado, Potter, faça o seu melhor com a informação – ele completa antes de sair.

- Tudo bem? – Gina pergunta. Ela sabe que deveria ser discreta e fingir que não ouviu nada, mas ela também sabe que Harry é inteligente o suficiente para saber que ela deve ter ouvido uma coisa ou duas – parece que vocês não estavam muito amigáveis quando eu cheguei.

- Eu e o Malfoy temos várias divergências, mas isso não nos impede de trabalhar – ele diz de modo vago. De jeito nenhum ele vai fazer confidências pra sua colega de trabalho, mesmo que o beijo que trocaram venha a sua mente de vez em quando – então sim, está tudo bem.

- Ok então – ela o encara de forma que fique claro que ela sabe que na verdade não está nada bem, mas ela sabe que não tem nada a ver com isso – desculpe o atraso, eu fui ao centro de recuperação que a minha cunhada trabalha pra conversar com a Luna Lovegood e aproveitei pra conversar com as mulheres de lá, algumas saíram das ruas tem pouco tempo e podiam ter alguma coisa.

- Alguma coisa interessante? – ele pergunta e vê a ruiva sacudir a cabeça desanimada.

- Quem dera que fosse assim, mas a Luna Lovegood aquela que veio aqui pra tentar identificar um dos corpos, ela é voluntária lá e nós tivemos uma conversa no mínimo interessante, eu vou conversar com o Sirius, mas queria falar com você também e, bem, já digo logo que ela vai fazer independente do que a Scotland Yard disser.

É algo perigoso? – Harry pergunta – porque se for, você deve impedi-la. Ela não tem preparo pra isso, eu suponho.

- Talvez seja perigoso sim – Gina diz pensativa – afinal o cara já mostrou que é mais do que capaz de ser mau. Agora pelo que eu conversei com ela, a senhorita Lovegood não vai ser demovida desta ideia de jeito nenhum.

- E pelo jeito você acha que não deve fazer nada pra impedir. Ela pode se ferir! – Harry diz de modo acusatório.

- Pra falar a verdade eu não acho mesmo que devo – Gina levanta o queixo e o encara – primeiro porque ela não vai fazer nada ilegal e talvez isso possa nos ajudar, segundo porque tem mais de quinze anos que ela não tem notícias da mãe e a polícia – ela respira fundo – nós não fizemos nada pra ajudar. Então não, eu realmente não vou fazer nada pra impedi-la.

- Mas ela é uma civil! Ela não é treinada, ela não pode se arriscar – Harry diz e Gina percebe que ele está realmente muito alterado.

- Potter! – ela o interrompe de forma ríspida – se acalme! Você nem sabe qual é a ideia da Luna, o que deu em você?

Harry para subitamente. Ele respira fundo antes de falar com a ruiva – desculpe, você tem razão. Eu posso saber então qual é o plano da senhorita Lovegood?

- Vamos fazer o seguinte – ela diz depois de pensar um momento – já é quase hora do almoço e o Sirius está com o Moody agora e não parece que essa conversa vai terminar tão cedo. A gente vai comer alguma coisa e eu conto pra você, depois a gente vai juntos conversar com o Sirius e você me ajuda a convencê-lo. O que você acha? – ela vê que Harry parece pensativo – ora, vamos, é só um almoço. Eu não estou te chamando para um encontro nem nada do tipo – ela vê que Harry se ruboriza – desculpe, isso foi inadequado. Se você tiver outros planos ou não estiver a fim tudo bem. É que lá na homicídios costumamos almoçar juntos sem problemas e pelo que eu vi o Sirius não tem muito problema com isso também, agora se você tiver algum problema com esse tipo de coisa e só dizer não e eu vou procurar o Neville ou a Tonks. Eu só não quero almoçar sozinha.

- Não, eu não tenho problema – ele olha para o relógio e se dá conta que realmente já está quase na hora do almoço – tem uma churrascaria muito boa aqui perto ou você é dessas que só come saladinhas? – ele diz de forma provocativa.

- Com sete irmãos em casa? – ela sorri – nem pensar! Vamos logo que você vai ver só o que é uma garota que come de forma decente.

XXXXX

Mais tarde

James acaba de chegar em casa. Foi bom passar um tempo com Hagrid, o grandão parecia muito assustado, ele pensa consigo mesmo e, James nunca falaria isso para o homem tão gentil, mas ele sabe que Hagrid tem uma certa razão. O estigma do ex presidiário não é deixado de lado tão facilmente e James não se surpreenderia se algumas pessoas passassem a desconfiar ou mesmo hostilizar o seu amigo que já está mais do que cismado e apavorado pelo fato de ter achado o cemitério clandestino.

James se lembra como se fosse hoje dos primeiros tempos de liberdade de Hagrid, o homem estava literalmente apavorado com tudo e com todos. Ele sentia como se a qualquer momento ele fosse voltar para o inferno que viveu e James sabe que infelizmente as estatísticas dizem que isso realmente acontece com boa parte das pessoas que viveram na margem da sociedade.

Os anos duros fizeram de Hagrid alguém desconfiado e observador e James viu isso com o que seu amigo lhe contou. Pode realmente não ser nada, mas em vista do que a Scotland Yard tem um pode não ser nada já é alguma coisa.

Ele ligou para Sirius para contar o que Hagrid lhe disse, mas seu amigo não atendeu e James sabe que isso só acontece quando ele está realmente ocupado. Então James vai falar com Harry. Seu filho seria a opção lógica, mas já que James foi oficialmente chamado para colaborar nada como um pouco de protocolo antes. Ele pensa sorrindo enquanto liga o numero do seu filho torcendo para que ele possa atender...


NOTA DA AUTORA

Mais um capítulo pra vocês! Desculpem a demora, andei meio ocupada nestes últimos dias além de estar com outra fic na reta final e estar dando maior prioridade a ela. Espero que entendam

Mais uma vez agradeço a todo mundo que está lendo. Confesso que ando meio chateada, não com a aceitação da fic, mas ultimamente notei que está quase impossível encontrar fics cannon aqui no site. E eu não estou falando de boas fics cannon, estou falando de QUALQUER fic cannon! É sério, andei procurando até em espanhol e quase não estou encontrando! O que está acontecendo? Nada contra as fics com os casais "não oficiais", eu leio e gosto e inclusive escrevo, mas estou mesmo preocupada por não encontrar quase nada com os casais oficiais por aqui. Não sei se a galera anda meio afastada porque se chateou com as pisadas na bola da JK ou se simplesmente perderam o interesse mas confesso que isso me deixa bem pra baixo

Desculpem o desabafo, espero que tenham gostado e quem puder deixar uma palavrinha vai levantar o meu astral e me deixar bem feliz

Bjos e até o próximo capítulo