Alguns minutos antes
- Eu não acredito que vocês fizeram isso! – Harry diz após uma risada – a minha mãe sempre quis ter tido mais filhos, mas acho que bastariam algumas das suas histórias com seus irmãos pra ela ver que não se deve mexer em time que está ganhando. E a tinta saiu facilmente?
- Claro que não! – Gina também sorri – foram alguns dias com cada um de nós levemente pintados com as cores do arco-íris. Afinal nós somos sete, então sete cores do arco-íris iriam a calhar. Nunca vou me esquecer dela furiosa com a gente e depois com meu pai que não conseguiu segurar as gargalhadas, ele tem fotos disso em algum lugar.
- Me lembre de cobrar estas fotos se algum dia eu chegar a conhecer os seus pais – ele diz e se assusta com o que disse – desculpe – Harry logo se corrige – eu não queria impor a minha presença ou nada do tipo.
- Relaxa, Harry! – Gina diz. Nunca em sua vida ela viu um homem tão tenso, é como se ele medisse cada palavra o tempo todo e se apavorasse com a ideia de dizer algo inadequado – você seria mais do que bem vindo na casa dos meus pais – ela faz uma pausa – já sei. Não seria adequado, é isso?
Harry respira fundo. Ele não sabe o que essa ruiva tem que faz com que ele fique mais espontâneo do que de costume, é quase como se ele fosse o Harry de anos atrás.
- Desculpe – ele diz meio sem jeito – não queria ofender você...
- Harry! – Gina o interrompe novamente – você é assim com todo mundo ou o problema é comigo? Eu entendi que você fez uma brincadeira a respeito das fotos ou que foi só o modo de falar! Relaxe, eu não vou ficar esperando que você aceite um convite meu pra conhecer meus pais - ela o encara – eu não quero que fique uma situação chata entre a gente, mas às vezes eu tenho a impressão que você vai pular pra trás sempre que eu faço qualquer tipo de brincadeira. Colegas fazem isso de vez em quando, sabia? Não significa que eu tenha qualquer intenção.
- Desculpe – ele fala mais uma vez e se assusta com a gargalhada que Gina dá – o que foi?
- Você reparou que em menos de cinco minutos já pediu desculpas três vezes? – ela fala de modo divertido
- Descul... – ele começa a dizer e se vê sorrindo também – ok, eu desisto. Eu juro que não sou assim o tempo todo e sim, por algum motivo você me deixa meio sem jeito. Não é nada pessoal, eu juro e eu não me importo de confraternizar com colegas também, como amigos é claro. Não sei o que me deu
- Se você pedir desculpas de novo eu te enfio este pãozinho de alho pela garganta abaixo! – ela diz e sorri ao ver o clima um pouco mais ameno – mudando agora para assuntos profissionais, o que você achou da ideia da senhorita Lovegood?
Harry respira fundo e tenta buscar na sua mente uma época em que ele era mais arrojado, ele sabe que perdeu muito deste ímpeto, mas por outro lado ele também tem consciência de que seu excesso de cautela não vai levar a nada. Até porque como Gina disse, a senhorita Lovegood está determinada e não vai ser demovida da ideia tão facilmente. Ele olha para Gina que o encara
- Bem – ele finalmente diz – é potencialmente perigoso, você tem que admitir – ele vê que Gina quer argumentar, mas a impede – é perigoso sim, Gina, mas como você mesma disse, ela não vai ser demovida da ideia e não podemos mesmo impedi-la, então cabe a nós nos certificarmos que ela vai ficar bem, pelo menos no que for possível.
- Então você vai estar comigo quando eu falar com o Sirius? – ela diz sem conter um sorriso – e me ajudar a convencê-lo a dar suporte para a Luna?
- Você não conhece o Sirius mesmo - Harry sorri - ele vai fazer aquele discurso de que ela não tem experiência, de que ela vai se arriscar e tal...
- Exatamente como você fez – Gina rebate
- Sim, mas eu realmente acredito nisso. Já o Sirius, bem, ele é um bocadinho mais arrojado do que eu e se não fosse realmente o chefe e tivesse que seguir alguns protocolos, ele seria o primeiro a apoiá-la
- Eu já notei que ele pode realmente ser um cara peculiar – Gina diz – você acha realmente que vai apoiar?
- Não abertamente, é claro – Harry diz depois de pensar um instante – aliás, ele vai dizer mais ou menos o que você disse, que temos que fazer o possível pra deixá-la em segurança já que ela vai fazer de qualquer jeito
Antes que Gina diga alguma coisa o celular de Harry toca, não o celular que ele usa para o trabalho, mas o seu pessoal. Ele pede licença rapidamente e atende.
- Oi pai... Tudo bem, não você não me atrapalhou. Eu estava almoçando – ele faz silêncio por um momento – não pai, não estou sozinho. Estou com uma colega, a senhorita Weasley que trabalha comigo, você a conheceu.
Harry fica em silêncio novamente e Gina pode ver que ele está ficando vermelho e neste momento ela queria mesmo saber o que James Potter pode estar dizendo ao filho para deixá-lo assim.
- Tudo bem, pai – Harry finalmente diz – eu falo para o Sirius te ligar e a gente conversa depois... Não sei se isso seria adequado, eu sei que faz parte do caso mesmo assim não sei se seria. Eu preciso desligar agora. A gente se fala, te amo...
- Desculpe – ele diz para Gina enquanto desliga o celular – era meu pai e, bem, ele não perde a oportunidade de me constranger, principalmente quando estou com alguém. Ele acha isso divertido, Deus sabe o porquê.
- Imagine se você tivesse seis irmãos como eu – Gina diz de modo solidário – tudo bem com seu pai? - Gina pergunta, apesar de ter conversado pouco com James, ele lhe pareceu alguém simpático.
- Acredite, meu pai pode muito bem ser equivalente a seus irmãos quando ele quer ser inconveniente – Harry diz com um suspiro – e sim ele está bem, ele tem algo a dizer sobre o nosso caso – ele completa – e disse pra gente ir a sua casa pra discutir sobre os filmes hoje a noite ou quando acharmos mais conveniente
- Deixe me adivinhar... – Gina diz – foi por isso que você disse que não sabe se seria adequado, acertei? – ela completa com um sorriso maroto ao ver seu parceiro ruborizar
- Mais ou menos isso – ele diz meio sem jeito – eu conheço meu pai ele vai transformar isso em uma reunião de amigos quando a gente menos esperar.
- E que mal tem? – ela argumenta – depois que tratarmos do assunto, a gente conversa alguma amenidade pra desanuviar antes que um de nós acabe tendo pesadelos sobre esse cara.
- Tem certeza que você não é filha ou irmã do Sirius? – ele olha para Gina e sorri – vocês se parecem demais.
- Se ele fosse ruivo seria talvez um primo distante – ela diz enquanto olha no relógio e se assusta – por falar em Sirius, espero mesmo que ele seja um cara tão legal quanto parece ou vamos levar uma bronca pelo atraso.
- Nossa! – Harry exclama enquanto olha seu relógio também – não achei que fosse tão tarde – ele completa enquanto faz um sinal para o garçom. Ele vê Gina abrir a bolsa e pegar a carteira – ah não, nada disso. Essa é minha!
- Nada disso digo eu, senhor Potter – ela retruca – isso é machismo! Além disso, fui eu quem te chamei pra almoçar
- Mas fui eu quem sugeriu essa churrascaria – ele argumenta – sem falar que a minha mãe me mataria se soubesse que eu deixei a garota pagar a conta no primeiro encontro.
- Então isso foi um encontro? – ela sorri ao ver Harry se ruborizar – ok, parei. Mas eu só aceito se você me deixar pagar na próxima – ela diz – agora vamos logo antes que eu comece a me sentir como uma colegial sendo pega fazendo coisas impróprias nos vestiários.
- Nunca imaginei que você fosse assim – Harry diz lutando para não ruborizar ao pensar na ruiva, um vestiário e coisas impróprias
- Tire a sua mente da sarjeta, Potter. Estou falando de colocar tinta colorida no chuveiro masculino e coisas assim – ela diz e sorri ao ver Harry se ruborizar ainda mais – vamos logo
- Tudo bem, mulher mandona – ele resolve entrar na brincadeira enquanto termina de pagar a conta e eles se dirigem a Scotland Yard...
XXXXX
Local desconhecido
Ele respira fundo para conter as palpitações de seu coração. É como se o seu maior fracasso surgisse em sua vida novamente. Ele não sabe como conseguiu manter a sua compostura, apenas o fato de ser um perfeito cavalheiro permitiu que isso acontecesse. Ela seria a sua obra prima e ele fez tudo para isso, esperou pacientemente até a melhor oportunidade, mas algo deu errado e ele não conseguiu completar o seu trabalho e desde esse momento todo trabalho que ele completa não consegue lhe dar o prazer que ele procura porque ela sempre está lá em sua mente e em seu corpo. O seu maior desejo e seu maior fracasso.
Ele sabe que precisa aliviar essa tensão, se isso não for feito ele não vai conseguir focar na sua arte e ele precisa focar na sua arte para tentar mais uma vez. Sim, é isso que ele vai fazer, a beleza vai ficar pra depois, agora é só trabalho.
Sim, ele vai tirar tudo da sua mente para focar no que interessa, no que realmente interessou durante todos esses anos...
Ele pega o celular e manda uma mensagem. Apenas uma palavra, ele sabe que basta isso para que o necessário seja feito...
XXXXX
De volta à Scotland Yard
Harry e Gina estão na sala de Sirius. Harry preferia mil vezes uma reprimenda pelo atraso do que o sorrisinho sarcástico que seu padrinho ostentou ao ver ele e Gina chegarem juntos do almoço. Bem se vê que ele é o melhor amigo do meu pai. Harry diz para si mesmo enquanto evita rolar os olhos.
Eles acabaram de contar para o seu superior o plano de Luna Lovegood e neste momento seu padrinho está em silêncio, mas Harry sabe exatamente o que ele fará. Incrível como ele e a Gina são parecidos. Ele pensa sem se tocar que chamou a sua parceira pelo primeiro nome.
- Bem... – Sirius diz e seu olhar se foca na sua nova agente – suponho que a senhorita alertou a senhorita Lovegood que o que ela planeja pode ser perigoso
- Veementemente, senhor – Gina diz e baixa os olhos – eu fiz o melhor que pude, mas vou ser bem sincera, a mãe dela sumiu tem quinze anos e pelo jeito o empenho da polícia deixou a desejar, então eu não a culpo por querer descobrir alguma coisa por conta própria. Desculpe, senhor – ela diz meio sem jeito
- Imagine menina, eu entendo – Sirius suspira – você não sabe, mas eu trabalhei infiltrado antes da Scotland Yard e eu senti na pele o que é ser invisível pela sociedade em geral. Mesmo que fosse um disfarce a gente acaba sentindo, então eu digo que entendo o ponto de vista da senhorita Lovegood e não posso dizer que faria diferente se estivesse em seu lugar.
- Fico feliz que pense assim, senhor – Gina diz mal contendo o sorriso – mas o que podemos fazer? Ela vai pras ruas e com o perdão da palavra eu vi que ela é meio avoada, ela vai precisar de alguém que a mantenha segura
- Eu vou dar um jeito nisso – Sirius diz e Harry já conhece o seu padrinho o suficiente pra saber que ele não vai dizer mais nada – mudando de assunto, Harry, seu pai me ligou enquanto eu estava com o Moody. Eu retornei, mas estava ocupado. Você tem ideia do que seja?
- Na verdade ele me ligou também – Harry diz – ele tem umas informações que talvez tenham a ver com o caso. Ele perguntou se a gente quer ir à casa dele hoje depois do expediente, a gente aproveita pra ver o que ele tem sobre os filmes e conversar sobre isso – ele para e sente o seu rosto pegar fogo – disse pra chamar a senhorita Weasley também – ele completa e olha para Gina – se estiver tudo bem pra você – ele pergunta e vê a garota assentir com a cabeça.
- Claro que ele disse – Sirius diz sorrindo, ele se volta para Gina – e aí Weasley, tudo bem pra você?
- Se não tiver problema tudo bem – ela diz – não sei se seria adequado, no entanto – ela completa olhando pra Harry com um sorriso maroto.
- A gente não tem problema com isso por aqui, eu pelo menos não tenho – Sirius diz sem perceber que seu afilhado fica sem jeito – agora vão trabalhar, crianças. Vejam se conseguem alguma coisa nas entrelinhas do depoimento da senhorita Robins – ele olha para Gina – eu sei que você disse que não conseguiu nada com as internas da clínica da sua cunhada, mas repasse cada uma delas com o Harry, às vezes um olhar diferente pode ajudar. A gente se encontra mais tarde, agora vão que eu vou ligar para o James
Harry e Gina assentem com a cabeça e se retiram e a Harry só cabe suspirar pensando no que seu pai e seu padrinho vão conversar agora...
XXXXX
Quase ao mesmo tempo
Minerva suspira aliviada, não faz muito tempo que o senhor Riddle saiu e para a sua sorte tudo estava nos conformes. Ela não quer nem pensar no que aconteceria se o magnata deixasse de contribuir com o centro de recuperação
Ela sabe que milionários costumam ser pessoas bem temperamentais e o senhor Riddle já mostrou isso várias vezes. Instituições que eram praticamente sustentadas por ele simplesmente foram deixadas de fora das suas doações e muitas delas não conseguiram se manter. Isso é algo que a incomoda muito, ser refém de uma pessoa dessa forma é algo que ela não gostaria, mas infelizmente ela nunca conseguiu encontrar alguma coisa que deixasse as finanças do centro confortáveis a ponto de não precisar de nenhuma ajuda
Ela está tão absorta que não nota que Luna bate na sua porta e entra vagarosamente – desculpe – ela diz – a senhora parece bem distraída e preocupada com alguma coisa
- Não se desculpe, Luna – Minerva diz – e sim, eu estava distraída, a visita do senhor Riddle me pegou de surpresa – ela olha para o relógio – você não costuma ficar até essa hora hoje, aconteceu alguma coisa?
- Na verdade sim – Luna diz, ela baixa os olhos – eu estava me despedindo das meninas, eu disse que ia fazer uma viagem e que não viria aqui por algum tempo, talvez algumas delas não estejam mais por aqui quando eu retornar – ela respira fundo – se eu retornar
- Não diga isso, senhorita Lovegood – Minerva fala de forma enfática – a senhorita vai voltar, eu tenho certeza disso. Se não tivesse, eu faria tudo o que tivesse a meu alcance pra que você não fizesse o que tem em mente – ela para por um minuto – a não ser que a senhorita não queira mais ficar como voluntária quando tudo se resolver.
- Não, eu gosto realmente daqui – Luna diz sem hesitar – de alguma forma eu me sinto perto da minha mãe aqui, eu sei que foi aqui no centro que ela começou a tomar as rédeas da sua vida e eu nunca vou ser grata o suficiente pelo que vocês fizeram por ela e pela nossa família – ela olha para Minerva – eu sei que vai ser arriscado e eu sei que eu posso ter o azar das coisas darem muito errado, mas eu quero que a senhorita saiba o quanto tudo aqui foi importante pra mim, eu queria dizer isso antes de me despedir
- Não vai ser um adeus – Minerva diz – eu sei que não...
XXXXX
Na Scotland Yard
Draco Malfoy olha para o seu chefe esperando que ele solte uma gargalhada e diga que isso é uma brincadeira de mau gosto, o que não acontece.
Então o jeito é perguntar...
- O senhor não está falando sério... Está?
- Claro que eu estou, Malfoy. Nós não podemos deixar que nada aconteça. Ela é uma civil e nós devemos protegê-la – seu chefe completa como se fosse uma professora primária ensinando as primeiras letras a uma criança.
- Exatamente – o loiro argumenta – ela é uma civil! Não tem nada que se meter a fazer esse tipo de coisa! Deixe para nós que somos treinados pra isso, a gente precisa impedir que essa doida se meta nisso, vai ser encrenca na certa!
- Modos, senhor Malfoy! – Sirius diz contendo o sorriso – eu sei que você foi muito bem educado, então contenha a linguagem. Ela é uma civil, mas este é um país livre e ela não vai infringir nenhuma lei. É arriscado, concordo, mas não há nada que possamos fazer pra impedir e nas atuais circunstâncias, devemos isso a ela.
- Mas por que eu? – ele continua argumentando – coloque a Tonks nessa, ela é a pessoa perfeita pra isso, seria mais convincente que eu.
- Isso é um ponto, mas a Tonks acabou de sair de uma missão como infiltrada, ela precisa de um tempo longe. Não tem jeito, vai ter que ser você, mas... – Sirius o encara – se você acha que não é capaz, tudo bem. Eu posso ver nas outras equipes
- Não! – Draco diz rapidamente e quase morde a língua ao ver o sorriso irônico do seu chefe – eu sou perfeitamente capaz, não é esse o problema, mas talvez isso seja perda de tempo
- Talvez seja – seu chefe concorda – mas talvez seja o que precisamos – ele respira fundo – então a partir de agora você está dispensado para se preparar, não me decepcione
- Não vou – ele diz com convicção. Não era nada do que ele esperava, mas ele vai fazer o seu melhor.
Sirius sorri, embora seja incrivelmente arrogante, Draco é muito bom no que faz. O rapaz é um verdadeiro milagre se for levar em conta o lugar de onde veio e Sirius tem muito orgulho disso. Claro que ele não fala, não é da natureza dos Black fazer esse tipo de confissão, mas ele pode dizer que se orgulha em fazer parte do que Draco Malfoy se tornou
Ele se perderia em suas conjecturas se não acabasse de receber uma mensagem do chefe supremo, parece que há algo pra ele...
XXXXX
Mais tarde
Luna Lovegood olha mais uma vez para os diários de sua mãe enquanto luta contra as lágrimas. Eu estou tão perto agora, ela diz para si mesma. É como se um desejo de infância que ela nunca imaginou ser atendido recebesse essa graça.
Ela sabe que não vai ser fácil, mas Luna está determinada. A despeito do seu ar avoado e do seu jeito pouco ortodoxo, ela é uma pessoa extremamente focada e desde muito cedo ela tem essa meta, descobrir o que aconteceu com a sua mãe.
Luna sabe que não há nenhuma possibilidade da sua mãe estar viva. Ela simplesmente sabe disso, sua mãe era totalmente devotada ao marido e a ela e a única coisa que a manteria longe seria estar morta. Isso dói, mas ao mesmo tempo lhe dá algum alento saber que a sua mãe não deixaria a família por livre e espontânea vontade.
Ela vê que seu pai está escrevendo na biblioteca, embora já pudesse estar aposentado, Xenofilius Lovegood ainda dirige o seu jornal com maestria. Para alguns o Pasquim é considerado excêntrico, mas Luna sabe que ele é um veículo de informação totalmente isento. Luna não pode expressar em palavras o orgulho que sente do pai e ela vai sentir muita falta dele, mas ela sabe que precisa fazer o que tem que ser feito
Fazer o que tem que ser feito não vai ser difícil pra ela, pelo menos não tanto quanto dizer isso ao seu pai...
- Oi – ela diz e vê seu pai se voltar
- Chegou cedo – ele diz enquanto se levanta e a beija na testa – achei que você fosse sair com a van hoje a noite
- Eu não vou sair com a van hoje – ela respira fundo – eu não vou sair com a van por um tempo, pai – ela baixa os olhos – eu vou ficar um tempo longe, eu preciso sair um pouco pra clarear as minhas ideias com tudo o que está acontecendo
- Filha – seu pai diz e levanta seu rosto obrigando-a a encará-lo – você é tão parecida com a sua mãe. Ela também não conseguia me olhar nos olhos quando estava me escondendo alguma coisa, não que ela escondesse as coisas de mim com muita frequência
Luna olha para o pai e não diz nada. Ela não suporta mentir para ele e ela não suporta partir seu coração e ela sabe que vai fazer isso quando sair por aquela porta, mas ela deve isso a sua mãe e ela está disposta a fazer o que tem que ser feito.
- Papai – ela diz enquanto seus olhos azuis sonhadores ficam marejados – eu amo você, nunca se esqueça disso e mesmo que eu fique um tempo sem dar notícias eu vou estar pensando em você e na mamãe.
- Eu não posso perder você também – seu pai diz enquanto a abraça – minha garota corajosa, eu não suportaria ficar sem você também
- Eu vou tomar todo cuidado, nós estamos tão perto de saber o que aconteceu – ela diz – vai dar tudo certo, eu sei que vai. A mamãe merece que eu faça isso por ela
Antes que seu pai diga alguma coisa o celular de Luna toca, a moça atende e depois de alguns segundos ela diz:
- Era da Scotland Yard, eles pediram que nós fôssemos até lá o mais rápido possível
Ela e o pai se entreolham, Xenofilius assente com a cabeça e pai e filha partem sabendo que esse será um momento crucial para ambos...
XXXXX
Enquanto isso
Lilly está na cozinha. Ela não costuma cozinhar muito, mas hoje é uma ocasião especial. James informou que Sirius, Harry e outros do departamento virão para conversar sobre o caso que James está ajudando e ela conhece o seu marido muito bem pra saber que isso vai acabar virando uma reunião festiva, então nada melhor do que estar preparada
Ela não pode negar que está curiosa pra conhecer a ruiva da qual seu marido falou. Não que Lilly acredite nesta baboseira de todos os homens da família Potter se interessarem por ruivas. Tudo bem que a sua sogra também é ruiva, mas coincidências existem, não é mesmo?
Ela não está tão entusiasmada quanto o seu marido, afinal alguém tem que ser racional nesta história toda, mas ela definitivamente vai analisar essa garota quem sabe ela não seja exatamente o que o seu filho precisa
- Por isso que eu te amo – ela ouve a voz do marido – eu estava vindo verificar o que nós temos e o que eu encontro? Tudo preparado pra nossa reunião
- E eu que achei que você me amasse porque eu sou ótima na cama – ela diz e sorri ao ver seu marido enrubescer, Lilly sabe que é a única que consegue tirar essa reação dele
- Isso também – ele entra na brincadeira – falei com o Sirius, eles devem chegar lá pelas oito e disse pra você não se preocupar com o jantar
- Se eu conheço bem o Sirius, ele vai chegar trazendo um arsenal de petiscos com ele e todo mundo só vai sair daqui quando o dia amanhecer, vão direto para o trabalho e todo mundo vai estar acabado menos ele que vai passar o dia inteiro dizendo que os garotos são muito fracos – ela diz de modo profético
- Esse é o meu amigo – James concorda – mas você sabe que só vai começar a diversão depois que o trabalho for feito, então eu vou preparar os filmes e as nossas considerações. De qualquer forma a noite vai ser longa...
NOTA DA AUTORA
Mais um capítulo postadinho como manda o figurino. Estou fazendo o meu melhor pra não enrolar muito, mas a vida real muitas vezes não deixa, então desculpem qualquer demora.
Obrigada a todo mundo que está acompanhando, favoritando ou colocando a fic em alerta e um obrigado mais do que especial para a Allegra23 que sempre passa aqui e comenta deixando meu dia mais feliz. Quem puder deixar uma palavrinha eu agradeço, é muito importante receber um incentivo de vez em quando principalmente quando eu estou vendo as fics de um modo geral diminuírem muito por aqui.
Bjos e até o próximo
