Na Scotland Yard

Luna chega com o coração aos pulos, seu pai está com ela e embora ele não fale nada a moça sabe que ele está tão apreensivo quanto ela. Eles são encaminhados para uma sala onde outras pessoas aguardam, pessoas que também têm amigos e familiares desaparecidos, pessoas que como ela também precisam de uma conclusão.

Embora haja um ou outro sussurro a maioria está em silêncio. Luna vê algumas pessoas enxugando lágrimas, ela sabe que vai ser difícil seja qual for a notícia que eles recebam. Ter a confirmação vai partir o coração de todos eles e uma resposta negativa vai ser a continuidade de uma saga que já durou tempo demais.

Ela vê algumas pessoas entrarem na sala, Luna reconhece Sirius Black com quem ela conversou da última vez que veio com Hermione verificar se a sua mãe era um dos corpos encontrados.

- Boa tarde, senhores – Sirius começa – sou Sirius Black, chefe de uma das nossas divisões e estou encarregado de investigar o cemitério clandestino que encontramos. Como os senhores foram informados os testes de DNA foram concluídos e temos algumas respostas a dar (ele respira fundo) nestes envelopes estão as respostas e orientações a respeito do procedimento com os restos mortais. Aceitem nossas condolências, a Scotland Yard se coloca a disposição para o que os senhores ou suas famílias precisarem.

Por algum tempo eles esperam enquanto uma voz monótona diz os nomes das pessoas identificadas. Luna aperta a mão do seu pai enquanto os nomes são ditos, pode ter durado alguns poucos segundos ou talvez uma vida inteira até que o nome Pandora Lovegood é falado. Luna sente as lágrimas escorrendo por sua face, ela olha para o pai cujas mãos tremem. Pai e filha se abraçam, finamente acabou a procura, agora o que eles precisam é saber o que aconteceu.

- Nós poderemos levá-los? – uma voz tomada pela emoção se faz ouvir.

- Sim – Sirius assente – vocês poderão dar um enterro descente aos seus entes queridos. Recebam as condolências da Scotland Yard e saibam que iremos fazer tudo que estiver a nosso alcance para descobrir o que aconteceu com seus parentes e amigos – ele completa enquanto vê as pessoas se retirarem – senhorita Lovegood (ele se vira para Luna) eu poderia ter uma palavrinha se a senhorita estiver em condições?

Luna olha para o seu pai, ela não quer que ele saiba o que ela pretende fazer pelo menos não todos os detalhes, mas ao mesmo tempo ela não pode se recusar a falar com a pessoa que pode ajudar a colocar o seu plano em prática. Como se adivinhasse o seu pensamento, seu pai diz:

- Se você não se incomodar, filha, eu vou tomar as primeiras providências pra gente colocar a sua mãe pra descansar – ele vê a moça assentir com a cabeça e beija a sua fronte antes de se retirar.

Ela acompanha Sirius até uma sala privada. Luna só espera que o policial não tente convencê-la a não colocar a sua ideia em prática já que isso seria em vão.

- Suponho que a senhorita saiba que a agente Weasley me colocou a par do que a senhorita pretende fazer.

- Sim senhor – ela diz cabisbaixa e então Luna encara o detetive – se o senhor me chamou pra dizer que é perigoso e que eu deveria deixar tudo para a polícia, eu lhe digo que isso ficou nas mãos da polícia por tempo demais e não tivemos nenhum avanço. Pra vocês ela era apenas uma ex viciada que provavelmente teve uma recaída e por esse motivo não merecia atenção.

- Eu não tenho palavras pra dizer o quanto eu lamento o tratamento que a sua mãe recebeu, senhorita Lovegood – Sirius finalmente diz – eu não concordo com a atitude que certos policiais têm no que diz respeito a certos tipos de pessoas, como se elas não merecessem estar vivas, como se não fizessem falta. Eu não posso dizer que sei o que você está passando, eu não tenho como saber, mas eu não posso dizer que faria diferente se estivesse no seu lugar, então eu te trouxe aqui pra dizer que por mais que seja perigoso nós vamos fazer o possível pra garantir que você fique segura.

- Quer dizer que o senhor concorda? – Luna indaga incrédula.

- Não cabe a mim concordar ou discordar – Sirius diz – você não estará infringindo nenhuma lei, mesmo que seja perigoso. Nós vamos fazer o possível pra garantir que você fique segura, queira você ou não (ele vê que Luna quer falar) isso é inegociável.

- Acho que posso aceitar isso – Luna suspira e encara o detetive – acredito que mesmo que eu dissesse que não, o senhor iria colocar alguém.

- Você é esperta, garota – Sirius sorri, ele olha para a porta onde uma pessoa acaba de entrar – eu quero que conheça o agente especial Draco Malfoy, ele foi designado para estar com você o tempo todo.

Luna olha para o homem loiro com um porte arrogante que acaba de entrar e neste momento a sua sinceridade vem à tona – Ele? O senhor tem certeza? Não é por nada, mas eu tenho que ficar desapercebida e parece que ele não consegue estar em um lugar sem parecer um policial nem se a sua vida dependesse disso.

- Eu confio nos meus agentes – Sirius diz de modo sério, mas Draco nota um olhar divertido no seu chefe, é evidente que ele está tentando não sorrir. Onde eu fui me meter? É só o que o loiro pensa.

- Você também não parece uma viciada – o loiro não resiste em alfinetar – mas você parece mesmo alguém que não tem um pingo de juízo. Deveria deixar o trabalho para os policiais.

- Vocês tiveram muito tempo pra isso – Luna diz sem se abalar – mais de quinze anos pra ser mais exato. Então você escolhe, estar comigo ou sair fora, o que vai ser?

Draco olha para a moça sem acreditar. Ele evita olhar para o seu chefe, mas ele conhece Sirius bem o bastante para saber que nunca mais vai ter paz. Ele respira fundo enquanto diz:

- Eu cumpro as minhas ordens e neste momento a minha ordem é manter você viva e quem sabe contar com a sua sorte de principiante pra descobrir alguma coisa...

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Ao mesmo tempo

Harry e Gina analisam o depoimento de Demelza Robins, os dois chegam à conclusão de que esse pode ser o seu suspeito e que a jovem teve muita sorte. Talvez o fato de ela não ser realmente uma prostituta das ruas e, mais importante ainda, dela não estar sob o efeito de nenhum entorpecente a tenha salvado. Mas ao mesmo tempo parece ter alguma coisa errada no que aconteceu.

- Estranho... – Gina diz depois de refletir por um tempo – o nosso perfil diz que o homem tem uma certa sofisticação, então ele deveria ter conseguido perceber que a senhorita Robins não era uma viciada.

- Talvez isso não importe no fundo – Harry diz depois de pensar um momento – ou talvez ele não esteja pensando com clareza. Esse cara é louco (ele respira fundo) ele vem fazendo isso há anos e algo me diz que ele não está ficando mais são com o passar do tempo.

- E isso significa... – Gina para um momento com a respiração suspensa.

- Sim – Harry assente com a cabeça, ela não concluiu seu pensamento, mas ele sabe exatamente o que ela quis dizer – que tudo pode piorar. Ele deve saber que estamos investigando, então ou isso pode fazer com que ele pare...

- O que já sabemos que não vai acontecer – Gina diz.

Harry assente com a cabeça – então o mais provável...

Nenhum dos dois completa a frase, mas ambos sabem que o mais provável é que ele passe a matar ainda mais.

- Espero mesmo que seu pai tenha alguma coisa que ajude – Gina diz. Ela respira fundo – tudo bem? (ela vê que Harry a olha com curiosidade) se eu for à casa dos seus pais? É que você parece tão desconfortável com esse tipo de coisa, se você quiser, eu invento uma desculpa qualquer, eu sei que vai ser trabalho, mas parece que...

- Weasley! – Harry a interrompe – tudo bem, eu juro. Você às vezes me deixa meio desconfortável, eu admito (ele vê que Gina quer argumentar, mas a interrompe) eu juro que não é você, sou eu.

- Você não tem nada menos clichê pra dizer não, Potter? – a ruiva retruca com um revirar de olhos –eu sei que a nossa relação é de trabalho, mas mesmo assim. Não é você sou eu é a pior resposta que alguém pode dar!

- Eu juro – Harry diz – o problema sou eu mesmo. Mas vai passar, já está bem melhor. Um dia quem sabe nós conversamos sobre isso e pra você ver que está mesmo tudo bem, eu estou te oferecendo carona até a casa dos meus pais (ele vê que Gina o fita como se houvesse surgido um nariz extra em seu rosto) o que foi? (ele graceja) brincadeiras entre colegas de trabalho pode, mas caronas entre colegas de trabalho não?

- Muito engraçado, senhor humorista –ela debocha – o senhor "não seria adequado" oferecendo carona? Essa realmente eu não esperava!

- Ora, cale a boca! – Harry diz amuado e quando Gina sorri, ele revira os olhos – nós moramos perto, é claro que seria uma boa ideia irmos em um carro só e como a gente sempre bebe alguma coisa na casa dos meus pais, eu acabo ficando por lá e você pode pegar um taxi depois

- Essa não vai ser uma reunião de trabalho? – Gina pergunta estranhando

- Você não conhece o Sirius – Harry sorri – assim que o que formos fazer tenha finalizado a reunião vai se transformar, aguarde. E então, tudo bem pra você a gente ir junto?

- Se o senhor certinho está dizendo, quem sou eu pra dizer não? – Gina sorri - sete e meia está bom pra você?

- Ótimo! – Harry confirma com a cabeça – tudo bem se você preparar o material daqui pra levar? Eu vou confirmar com o Neville, meu pai é um grande fã dele e se ele não for, eu vou ouvir o resto da noite

- Tudo bem – Gina diz – devo levar alguma coisa especial ou só material de trabalho mesmo?

- Não se preocupe, a minha mãe há essa hora deve ter organizado tudo, então passo na sua casa às sete e meia? –Harry pergunta

- Combinado – Gina oferece a mão que Harry aperta com relutância o que ela não deixa de perceber, mas como uma boa psicóloga a ruiva sabe a hora de deixar pra lá...

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Local desconhecido

Ele olha para o seu estoque e desta vez não sente nenhum prazer, nenhuma vontade de trabalhar. É como se o seu talento estivesse sumido e a sua vontade de mostrar a sua obra ao mundo também, neste momento nada mais tem importância a não ser a vontade de transformar o seu maior fracasso na sua melhor obra prima.

Ele passou anos pensando nela, em sua beleza e inocência. Inocência que as ruas não tiraram, ela poderia ter tudo se quisesse e mesmo assim escolheu as ruas. Esse foi o tipo de coisa que ele nunca pôde perdoar, ela poderia ter tudo, poderia ter sido imortalizada pela sua arte e agora anos depois tudo volta para ele.

Mas ele vai tomar as rédeas do seu destino novamente e isso agora significa começar o zero e é isso que ele vai fazer...

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Mais tarde

Luna está em seu quarto, o mesmo quarto que ela usa desde garotinha, o quarto que foi decorado por sua mãe e que ela nunca teve coragem de mudar um milímetro sequer mesmo depois de se transformar em uma mulher feita. Pra ela é quase como se tivesse traindo a memória da sua mãe e os bons tempos que passaram juntas.

Ela suspira enquanto luta para conter as lágrimas e diz para si mesmo que será a última vez que chora por sua mãe. Foram anos de choro e angústia, agora ela precisa focar para descobrir o que aconteceu. Ela deve isso à memória da sua mãe, ela só precisa duas coisas antes de partir, se despedir do seu pai e colocar a sua mãe para finalmente descansar em paz.

E é isso que ela vai fazer agora. Ela dá um último olhar para o seu quarto e prepara para assumir o seu personagem nas ruas da cidade.

Ela ouve o som da batida na sua porta, agora ela vai fazer o que ela mais temeu e esperou nos últimos quinze anos. Dar adeus a sua mãe...

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Na casa de James e Lilly Potter

Gina olha a casa suntuosa e fica imaginando o tipo de vida que Harry teve. Ela já conheceu James que pareceu ser alguém bem simpático, mas nunca se sabe. Ela pensa com seus botões ao mesmo tempo em que espera uma socialite descer as escadas com salto alto e vestido de grife

- Não se impressione com o tamanho da casa – Harry adivinha seus pensamentos – como eu disse, meus pais queriam mais filhos e meio que se empolgaram quando a construíram

- Vou fazer o meu melhor pra não me impressionar – Gina diz com sinceridade. Pra ela que vem de uma família de recursos modestos é difícil ficar a vontade num lugar assim, mas neste momento seu desconforto vai ter que ficar de lado, ela vê James Potter descer com um sorriso largo acompanhado de uma mulher que parece ser jovem demais para ter um filho da idade do seu parceiro

- Já começaram a festa? – James diz enquanto cumprimenta a todos

- Não assuste a recruta – Sirius diz – a mocinha ainda não está muito acostumada comigo. Vai acabar pensando que não iremos trabalhar

- Meu chefe não me cederia pra alguém que não trabalhasse duro – Gina se ouve dizendo e sente seu rosto ruborizar – desculpe senhor

- Com certeza ele não cederia – Sirius solta uma gargalhada – e pode estar certo que nós trabalharemos duro, menina. Mas agora vamos às apresentações, o James aqui você já conhece e esta dama ruiva aqui é a mãe do seu parceiro, Lilly Potter – ele se volta para Lilly – um dos diplomas da nossa Gina é psicologia como o seu – ele completa e Gina sente seu rosto ruborizar mais uma vez, não que as suas formações sejam segredos, mas ela não gosta muito de se gabar disso.

- Um dos diplomas? – Lilly diz curiosa, ela olha para o filho que também tem uma expressão surpresa

Gina vê que os presentes esperam que ela diga alguma coisa então a ruiva se explica:

- Eu fiz ciências forenses por motivos óbvios e enquanto estava no curso percebi que aspectos psicológicos eram importantes pra traçar um perfil e como já estava lá mesmo acabei cursando psicologia – ela suspira – quando se é a caçula e a única mulher numa família de policiais a tendência é não sermos levados muito a sério e a gente sempre acaba tendo que fazer um pouco mais.

- Só falta você dizer que tem um diploma de direito escondido em algum lugar – James graceja e vê a ruiva se ruborizar ainda mais – você tem? (ele questiona)

- Na verdade eu cheguei a fazer algumas disciplinas, mas comecei a pegar mais casos e não tive como concluir ainda – Gina diz sentindo seu rosto pegar fogo

- Bonita e inteligente – James diz. Ele olha para Gina e depois para a esposa – ruivas vão ser sempre a perdição dos Potters

- James – Lilly o recrimina suavemente – você está deixando a moça sem graça. Não ligue, querida (ela se volta para Gina) com o tempo você se acostuma. Prazer, Lilly Potter, mãe do Harry e esposa dessa criança gigante aí (ela fala carinhosamente para o marido)

- Gina Weasley – a ruiva cumprimenta meio tímida – a sua casa é muito bonita

- Obrigada – Lilly responde com um sorriso orgulhoso –eu sei que parece imponente no início, mas ela é muito aconchegante, o Harry pode te mostrar depois se você quiser

- Eu gostaria, obrigada – Gina diz sem saber direito o que falar.

- Mas agora é hora de trabalhar – Sirius assume o seu tom mais profissional, ele olha para James – podemos começar com os filmes se você não se importar

- Me importar? – James sorri – você não me conhece ou algo do tipo? Vamos aos filmes então, eu fiz algumas anotações – ele diz enquanto leva os presentes a uma espécie de escritório equipado com uma grande tela, um quadro de cortiça e um quadro branco com várias anotações.

Gina olha para Harry que simplesmente dá de ombros embora ele pareça surpreso também.

- Alguém gostou de brincar de detetive – Sirius não resiste em provocar o amigo.

- Se é pra fazer, vamos fazer direito – James diz – e sim eu gostei de brincar de detetive. Por favor, senhores acomodem-se. Onde está o Neville? (ele pergunta)

- Alguma coisa relacionada à avó (Harry diz) ele disse que vai fazer o possível pra vir mais tarde.

- Deus nos proteja de irritar a senhora Longbottom! – James diz – espero que ele consiga vir, não é a mesma coisa sem ele. Vamos ao trabalho!

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Local desconhecido

Ele respira fundo, finalmente está feito. Não foi fácil e definitivamente foi descuidado e sem um pingo de sofisticação, mas isso não é importante agora e ele precisa focar no que realmente importa.

Ele considera isso como uma, digamos, faxina de primavera. Talvez ele devesse se sentir culpado por deixar a sua obra inacabada, mas ele não se sente, é como se o seu corpo e a sua mente só tivessem um objetivo, ela.

Ele prepara para se recolher. Amanhã será um novo dia e o início de uma nova história, a limpeza das ruas vai ter que esperar, agora é hora de focar no que importa realmente.

Uma presença interrompe o seu devaneio. Ele sabe que alguém não vai ficar muito feliz com a sua decisão, mas sinceramente ele não se importa. Ele não se importava antes e agora ele continua sem se importar, ele sabe como mantê-lo controlado e depois, assim que a sua obra prima for finalizada, a limpeza continuará. É só uma questão de tempo...

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Na casa de James e Lilly Potter

Gina nunca poderia imaginar que uma reunião informal pudesse render tanto. Eles já estão há um bom tempo analisando os filmes e ela tem páginas e páginas de anotações sobre o perfil do seu assassino. Ela pode dizer que eles já têm o suficiente para traçar um perfil, o que infelizmente não significa que eles estão perto de pegá-lo, afinal esse perfil se encaixa em muitos cidadãos de Londres.

Eles sabem disso, mas eles também têm consciência de que eles estão melhores hoje do que ontem e isso é muito em se tratando de um caso destes.

- É a primeira vez que eu trabalho assim de forma tão informal – Gina diz – e posso dizer que achei bem interessante

- Quer dizer que o Kim não trabalha dessa forma? – Sirius sorri. Ele conhece o chefe de Gina bem o suficiente para saber que o seu tempo livre é todo dedicado à família e enquanto ele é um agente excepcional, ele não usaria seus momentos livres para algo assim.

- Ele iria dormir na casinha do cachorro – Gina entra na brincadeira. Ela sabe que Sirius e Kim se conhecem bem o suficiente pra terem conhecimento das suas vidas particulares.

- O que é perfeitamente compreensível – Lilly diz de forma solidária – mesmo com toda a admiração que eu tenha pelo que vocês fazem, eu devo admitir que é uma vida difícil para quem quer constituir uma família.

- Pois a nossa recruta aqui – Sirius diz alheio ao fato da ruiva estar se ruborizando – vem de uma família de policiais, seu pai e seus seis irmãos são todos policiais também

- Uau! – Lilly diz com admiração sincera – a sua mãe deve ser uma santa.

- Ela é – Gina concorda sorrindo. A sua admiração pela mãe não tem limites, ela não sabe se conseguiria lidar com tudo o que a sua mãe lida. Aliás, ela sabe muito bem que não conseguiria – uma mistura de santa e general com mãos de ferro, eu diria.

- E todos vocês sempre quiseram ser policiais? – James pergunta curioso – era meio que esperado né

- Da parte dos meninos, era esperado sim – Gina diz, ela já perdeu as contas de quantas vezes contou essa história – quanto a mim, ingenuamente a minha mãe achou que eu seria uma princesinha mesmo sendo criada com seis garotos. Felizmente isso durou pouco.

- As Barbies que o digam! – Neville chega neste momento e Gina rola os olhos, que culpa ela teve de viver em uma casa com seis garotos? Era de se esperar que ela não brincasse com as bonecas do mesmo jeito que as outras meninas, não é mesmo?

- Eu nunca devia ter contado isso pra você! – ela diz lançando um olhar furioso para o amigo

- Se você tem seis irmãos e não aprendeu isso, não posso fazer nada – ele sorri – desculpem o atraso pessoal, mas a minha avó precisava de mim

- Confesse que você só queria fugir do trabalho – James brinca com o legista

- Na verdade eu não teria muito a fazer aqui, a não ser que vocês tenham trazido algum corpo pra ser analisado – Neville retruca – mas falando sério, obrigado pelo convite

- Imagine rapaz – Lilly diz – você é sempre bem vindo aqui e não nós não temos nenhum corpo pra você, mas eu sei que você é bem perspicaz nos filmes, então poderia mesmo ajudar.

- Bem senhores – Sirius pigarreia – vamos então fechar aqui pra podermos relaxar um pouco (ele olha para James) você disse que tinha algo importante pra falar.

- Não sei se realmente seria importante – James diz – é só algo que o Hadrid notou e que talvez tenha a ver com o cemitério clandestino.

Neste momento a descontração acaba e eles ouvem atentamente o que James tem a dizer...

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Em outro local

Luna segura a mão do seu pai da mesma forma que fez no dia em que ela foi ao quarto da sua mãe e ela não estava lá, da mesma forma que fez várias vezes durante estes quinze anos. Ela sabe que é a última vez que eles passarão por isso, finalmente a sua mãe vai poder descansar em paz.

Embora seja noite, as boas relações de Xenofilius fizeram que ele conseguisse que a sua esposa fosse cremada imediatamente após a confirmação de que seu corpo foi encontrado, e agora finalmente tudo vai acabar.

Eles rumaram por cerca de uma hora até Portsmouth, uma cidade litorânea ao sul de Londres onde a pequena família costumava passar feriados antes de tudo acontecer, um dos lugares onde Luna sabe que a sua mãe foi mais feliz. Luna era apenas uma criança, mas ela se lembra de cada uma desta viagens, do tempo em que ela e a sua mãe passavam em coisas de garotas e de tudo o que elas faziam neste lugar. Tanto ela quanto o pai tem uma certeza, este foi o lugar em que a sua mãe foi mais feliz e é aqui que ela deve descansar.

Nem ela nem seu pai falaram qualquer coisa sobre isso, mas é como se algo estivesse em sintonia e eles sempre soubessem, um acordo mudo sobre onde esposa e mãe deveria descansar. Ela luta contra as lágrimas enquanto foca nas lembranças boas do tempo em que ela teve a sua mãe e a certeza que Pandora Lovegood foi a melhor mãe que ela poderia ter tido. Em sua mente apenas um pensamento, descobrir o que aconteceu e ter a certeza que ela vai fazer o que estiver ao seu alcance para encontrar o culpado e fazê-lo pagar por tudo.

Luna olha para o mar e o porto. Ela sempre se perguntou por que a sua mãe gostava tanto do lugar. Não que não fosse agradável, mas aos seus olhos não parecia nada especial. Pandora sempre disse que um dia lhe contaria, mas infelizmente esse dia nunca chegou.

- A sua mãe adorava isso aqui – seu pai diz adivinhando o seu pensamento, como acontecia muitas vezes, como acontece até agora. Embora ela seja muito parecida fisicamente com a sua mãe, Luna sabe que tem muito do seu pai também – ela sempre me disse que iria te contar um dia, quando você fosse madura o suficiente para entender (ele suspira) mas infelizmente ela não vai poder fazer isso, então acho que cabe a mim – ele vê que Luna quer dizer alguma coisa, mas a impede – você é a nossa menina corajosa, a sua mãe teria orgulho de você, e agora você tem o direito de saber de tudo. Vamos dar adeus a sua mãe, depois conversaremos.

Luna respira fundo e luta contra as lágrimas. Agora ela vai colocar a sua mãe para finalmente descansar e depois ela vai saber a história de Pandora Lovegood...


NOTA DA AUTORA

Mais um capítulo pra vocês! Sei que não tem muita novidade mas o próximo vem com algumas coisinhas, só peço que tenham um pouquinho de paciência porque vou viajar em alguns dias e passarei algumas semanas sem me preocupar com o mundo das fics.

Espero que tenham gostado e quem puder deixar uma palavrinha vai me fazer muito feliz. Obrigada a todo mundo que passa por aqui e em especial à Allegra23 que sempre aparece pra dar uma força.

Bjs e até o próximo