Um pouco antes

Gina vai em direção ao endereço que Sirius lhe passou, agora ela entende porque ele pediu que ficasse mais um pouco e porque ele lhe pediu que fosse com seu próprio carro. Não há tempo a perder, Gina sabe que a qualquer momento o suspeito pode pedir um advogado e eles não poderão mais interrogá-lo. Então quanto mais tiverem, melhor.

Gina quer fazer o que lhe foi pedido o mais rapidamente possível, ela quer estar presente no interrogatório do homem. Como alguém formada em psicologia, ela quer mesmo ver a mente ardilosa escondida por trás de um simples motorista, ela precisa ver com os seus próprios olhos como alguém consegue ser tão dissimulado por tanto tempo, isso se ele realmente tiver alguma forma de ligação com todos os assassinatos.

Se esse homem realmente for o serial killer, o seu trabalho para a Scotland Yard chegará ao final. A ruiva sabe que tem uma grande chance que Sirius a chame para compor a equipe e se ao mesmo tempo isso é algo que ela sempre esperou, ela também se pega pensando no que isso afetará a sua relação com Harry Potter, se é que existe alguma.

Gina não nega que passou a olhá-lo com outros olhos desde que ele contou sobre a sua antiga parceira/namorada, a ruiva não pode negar que ela tem um pouco do ímpeto desta mulher, mas ela também gosta de pensar que não seria tão impulsiva e, diabos, ela nunca colocaria a sua carreira em risco assim e ela também pensaria na sua família!

Mas agora não é hora de pensar nisso, neste momento Gina deve focar no seu caso e fazer o que seu chefe lhe ordenou...

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De volta a Scotland Yard

Sirius sorri ao ver Gina entrar com a moça, se ela também reconhecer o homem eles terão algo com o que começar e quem sabe assim colocar um serial killer atrás das grades.

- Fico feliz que tenha vindo, senhorita Robins – ele cumprimenta a moça.

- Imagine – Demelza sorri enquanto diz – tudo pra ajudar a tirar um maluco das ruas, o que eu tenho que fazer?

Sirius a leva para a mesma sala onde Anna Abbot estava ainda a pouco – você deve observar estes homens e dizer se algum deles é o homem que te atacou, leve o tempo que quiser.

A moça passa alguns segundos observando e aponta dizendo de modo assertivo – esse! Esse é o filho da mãe que tentou me levar à força!

Não é preciso ser um adivinho pra saber que ela apontou para o senhor Filch...

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Enquanto isso

Luna continua com os olhos na sua revista, mas sua mente está longe. Aliás, não tão longe assim, ela está pensando no que está acontecendo na sala ao lado onde as moças estão tentando identificar os agressores, tentando identificar o senhor Filch.

Ela ainda não acredita que o senhor Filch foi capaz de fazer mal a alguém, tudo bem que o seu desprezo pelas meninas do centro era evidente, mas ele nunca chegava perto delas se pudesse evitar, a impressão que dava é que ele tinha nojo de qualquer uma delas.

Seu pai sempre disse que ela sempre via o melhor das pessoas e talvez ele esteja certo, mas não neste momento, só o que ela quer agora é olhar nos olhos do senhor Filch e perguntar se ele matou a sua mãe e por que ele fez isso.

A visão de Sirius Black lhe diz que talvez ela vá fazer isso mais cedo do que imagina...

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Um pouco antes

Gina observa a figura recém identificada por Demelza Robins, a jovem parece ter absoluta certeza que foi ele quem a atacou, mas para a detetive ele não parece ser alguém que tenha capacidade de matar mulheres por anos e não ser identificado.

Ela se recusa a acreditar que o seu perfil pudesse estar tão errado, o senhor Filch definitivamente não é rico e não aparenta ter inteligência suficiente para cometer assassinatos tão elaborados. Diabos, ele parece nunca ter assistido um filme na vida!

A ruiva olha de soslaio para seu parceiro, Gina já conhece Harry o suficiente para saber que ele pensa a mesma coisa que ela, o semblante dele mostra isso claramente.

Agora o que eles têm a fazer é esperar pelo interrogatório, pode ser que o senhor Filch seja mais inteligente do que eles pensam e talvez tudo acabe aqui.

Sirius chega com um meio sorriso – duas identificações positivas. Podemos dizer que pegamos o cara (ele suspira) embora não possamos ligá-lo ainda aos assassinatos em série, pelo menos ele não vai perseguir mais ninguém.

Neste momento um oficial chega com um papel que entrega a Sirius ele sorri e esclarece diante da face curiosa de Gina e Harry – isso, meus caros, é o mandado para que a gente recolha uma amostra de DNA do sujeito, com isso poderemos ligá-lo ou não a mais alguma coisa. Eu e o Malfoy iremos fazer o interrogatório e vocês dois vão observar de fora, vejam se conseguem pegar alguma coisa nas entrelinhas, no jeito que ele se comporta – ele vê os dois agentes assentirem com a cabeça e se retira.

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Pouco depois

Luna vê Sirius entrar na sala. Ela se levanta num pulo ignorando o suspiro entediado que Draco emite – e então? – ela pergunta

- Tudo a seu tempo, senhorita Lovegood – ele diz – Malfoy, nós vamos fazer o interrogatório, o senhor Filch já foi levado, tudo bem?

Antes que Draco diga alguma coisa, Tonks chega assoberbada.

- Desculpe – ela diz ao tropeçar em uma cadeira – chefe, você precisa ver isso - a moça leva Sirius e Draco até uma janela e eles veem atônitos que a entrada está lotada de repórteres. A pergunta agora é, como essa história vazou?

Sirius respira fundo agora é o momento de controlar os danos, não há como simplesmente ignorar a imprensa lá fora. O interrogatório vai ter que esperar um pouco. Ele pensa enquanto se prepara para passar instruções para a assessoria de imprensa.

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Enquanto isso

Gina e Harry se entreolham, Sirius saiu para preparar o interrogatório e ainda não retornou. Isso está demorando mais do que de costume o que lhes dá a certeza que algo aconteceu.

- Provavelmente é alguma questão burocrática – Harry diz adivinhando os pensamentos da ruiva – isso acontece de vez em quando.

- Daqui a pouco ele pede um advogado – Gina diz com um suspiro – me admira que ele não tenha berrado dizendo que quer sair daqui.

- Ele parece não ter inteligência o suficiente pra perceber o que está acontecendo – Harry diz e para se dando conta do que acabou de dizer – se ele for realmente o cara, deve ser um excelente ator.

- Ele não parece alguém com capacidade de representar nem que a sua vida dependesse disso – Gina diz, cismada – será possível que nós erramos tanto assim no perfil?

Harry fica em silêncio por um momento, então ele diz – se o Sirius voltar, diga que eu precisei sair por um minuto, mas volto antes que o interrogatório comece.

- Aonde você vai? – a ruiva indaga curiosa.

- Falar com o Lupin, é hora da gente saber tudo que puder sobre esse cara e se tem alguém que pode conseguir é ele – Harry responde enquanto sai da sala deixando a ruiva perdida em seus pensamentos...

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Enquanto isso

Hermione e Minerva ainda tentam processar o que aconteceu. Embora Gina tenha dito que não é culpa de ninguém é impossível para as duas mulheres não se sentirem culpadas. Elas sabiam que o motorista não suportava as meninas da clínica, por que diabos então elas o mantiveram lá? É a pergunta que ambas estão se fazendo, embora ambas saibam a resposta, elas nunca teriam coragem de demitir um homem idoso e mesmo que tivessem, isso não agradaria o senhor Riddle.

Mas agora não é hora de ficar remoendo essas coisas, elas precisam começar a pensar nos danos que essa prisão fará na imagem do centro, como uma chamada urgente na televisão acaba de mostrar...

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De volta à Scotland Yard

Sirius se prepara para o interrogatório, ele ainda não tem o resultado da amostra de DNA, é claro, mas nada o impede de utilizar isso. Se ele tiver sorte, talvez ele consiga algo e quem sabe hoje será o dia em que eles colocarão um serial killer sob custódia e posteriormente atrás das grades.

A figura de um homenzinho muito parecido com um rato vestindo terno e gravata caminha até ele. Sirius suspira, ele conhece o cara, conhece e definitivamente não gosta dele.

Ele respira fundo e cumprimenta o homem fazendo o possível para esconder a sua contrariedade:

- Olá Pettigrew, o que você faz por aqui?

- Sirius Black – o homem diz usando a mesma entonação – você é inteligente o bastante para saber o que eu vim fazer aqui (ele para por um minuto), mas por via das dúvidas, eu vou esclarecer. Vocês têm um homem sob custódia, um homem simples que provavelmente não sabe que ele tem direito a um advogado.

- Deixe-me entender, senhor Pettigrew – Sirius diz aparentando uma calma que definitivamente ele não está sentindo – o senhor está insinuando que a Scotland Yard não informou ao nosso suspeito os seus direitos?

- Oh não, eu nunca faria isso – o advogado responde ironicamente – mas um mero motorista sem muito estudo, talvez não tenha entendido direito. Então eu estou me colocando à disposição, afinal todos têm direito a ampla defesa como você sabe.

- Então você está dizendo que está aqui oferecendo seus serviços a alguém cujo salário anual não pagaria uma hora dos seus honorários? – Sirius diz sem acreditar, ele conhece o homem muito bem para saber que ele nunca faria isso.

- Dinheiro não é tudo na vida, sabia? – o advogado diz e vê que Sirius o encara com ar incrédulo – tudo bem, você me conhece. Esse caso vai ter uma grande repercussão e isso é bom para os negócios, satisfeito? – ele vê que Sirius continua encarando – e eu posso ou não estar recebendo por isso e antes que me pergunte, eu vou alegar sigilo entre advogado e cliente. Aliás, eu poderia ter a chance de conversar com ele antes do interrogatório?

- Certamente – Sirius diz com um suspiro - se ele aceitá-lo como advogado.

- Ah, mas ele aceitará - Pettigrew diz de modo firme – agora, por favor, eu quero ver o meu cliente (ele encara Sirius de modo desafiador) sozinho.

- Pois bem – Sirius diz com um suspiro – vou lhe dar uns minutos com o seu cliente antes de iniciarmos o interrogatório.

E dizendo isso o detetive se retira com o advogado em seu encalço...

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Pouco depois

Gina vê Sirius entrar. Ela já conhece bem o seu superior pra ver que alguma coisa aconteceu, a moça não gostaria de ser a pessoa que colocou o olhar furioso no semblante do detetive, ela já o conhece suficiente pra saber que apesar do jeito descontraído Sirius não é uma pessoa que deve ser levada levianamente.

- Tudo bem? – as palavras saem da sua boca sem que ela tenha controle – o senhor parece preocupado (ela olha para Sirius) e um pouco furioso também se me permite dizer

- Ambas as coisas, menina – Sirius diz com um suspiro – a imprensa descobriu, não me pergunte como (ele completa ao ver o semblante surpreso da detetive) onde está o Harry?

- Disse que iria falar com o Lupin, ver se ele conseguia descobrir alguma coisa sobre o senhor Filch – a ruiva esclarece – ele já deve estar voltando pra gente observar o interrogatório.

- Ótima ideia! – Sirius diz – um cara assim deve ter alguma coisa, uma queixa de agressão no mínimo e quanto ao interrogatório, não se preocupe. O nosso suspeito está falando com o advogado

- Não me lembro dele ter pedido um advogado – Gina fala, confusa.

- Ele não pediu,, mas o senhor Peter Pettigrew se apresentou como advogado dele e, bem, eu não seria louco de negar acesso de um advogado a um cliente a não ser que ele se recusasse categoricamente, o que não aconteceu.

- O Pettigrew disse que é advogado dele? – Harry entra e pega a conversa – esse cara não defenderia a própria mãe, se ela não pagasse e é evidente que nosso suspeito não tem grana! Tem alguma coisa nessa história.

- Ele disse que publicidade é sempre bom para os negócios – Sirius diz e recebe um olhar incrédulo de Harry – mas sim, eu também acho que tem alguma coisa aí, ele insinuou que pode ter alguém pagando. O fato é que ele se apresentou como advogado e o senhor Filch aceitou, então só vamos poder interrogá-lo depois da conversa (ele suspira) e temos que pensar em outra linha de interrogatório. O Pettigrew é astuto e se não tomarmos cuidado tudo será posto a perder. De qualquer forma vamos aproveitar o tempo que temos. O Remo conseguiu alguma coisa? – Ele pergunta para Harry.

- Nada a primeira vista – Harry diz com um suspiro – o Remo ainda está procurando, falei pra ele entrar em contato assim que conseguisse alguma coisa

- Ótimo, então agora vamos nos preparar – Sirius olha para os dois agentes – já temos duas identificações positivas, ou seja, ele tentou atacar duas mulheres, mas isso não quer dizer que já podemos ligá-lo aos assassinatos. Não podemos dizer sequer que ele queria fazer mal às mulheres que ele atacou. O Pettigrew pode ser um rato, mas ele é um advogado dos mais agressivos e ele sabe como fazer um cara culpado aparentar inocência (ele olha para Harry e Gina) nós vamos para o interrogatório, agora vocês dois tentem ler nas entrelinhas não apenas do nosso suspeito.

Harry assente com a cabeça, mas Gina o encara, curiosa – o que mais a gente precisa observar? – ela indaga

- A gente vai observar o Pettigrew – Harry esclarece – um advogado como ele não se meteria num caso desses sem motivo. Tem alguma coisa por aí...

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Enquanto isso

Hermione e Minerva olham para a televisão, elas ainda não acreditam que a história vazou. Ambas sabem que ninguém na Scotland Yard faria isso, Hermione conhece as nuances policiais bem o suficiente pra saber que eles não falam nada para a imprensa a não ser que não tenha outro jeito.

Felizmente o nome da sua instituição não foi citado, mas elas não têm esperança que isso não vá respingar não apenas no centro, mas em qualquer trabalho de assistência social que alguém esteja fazendo. Já é difícil convencer uma viciada a aceitar ajuda, agora com essa ameaça será quase impossível, Minerva se prepara para entrar em contato com outros centros de assistência social para buscar uma forma de minimizar os danos quando seu celular pessoal começa a vibrar, a senhora olha e seu olhar encontra com o de Hermione.

É raro que Hermione veja um semblante como o que ela está vendo na face de sua mentora. Minerva está pálida, a sua voz é praticamente um sussurro quando ela diz:

- O senhor Riddle está ligando!

Hermione vê Minerva McGonagall pegar o telefone com as mãos trêmulas. Ambas sabem que dependendo do que o homem disser o centro de reabilitação pode estar com os dias contados...


NOTA DA AUTORA

Capítulo postadinho pra vocês! Com gente nova aparecendo pra botar mais lenha na fogueira, podem ter certeza que as coisas vão esquentar nos próximos capítulos.

Espero que tenham gostado do capítulo. Obrigada a todo mundo que está lendo e um agradecimento todo especial para a pessoa que deixou uma palavrinha de incentivo. Não posso citar o nome porque foi anônimo, mesmo assim agradeço de coração, confesso que andava bem chateada por causa da falta de comentários e você renovou meu ânimo.

Por enquanto é só, bjos e até o próximo!