Mais tarde, na Scotland Yard

Sirius larga-se em uma poltrona, frustrado. O interrogatório foi exatamente o que ele esperava, a partir do momento que Peter Pettigrew reivindicou o seu suspeito como cliente eles não conseguiram tirar praticamente nada, pois toda vez que ele pensava em falar seu advogado dizia que ele deveria ficar calado. Depois o advogado veio com a conversa que ele era apenas um velho ingênuo que estava tentando fazer seu trabalho de levar as moças para um lugar onde pudessem receber tratamento e que elas entenderam mal.

O advogado chegou mesmo a dizer que iria pedir para um juiz autorizar a sua libertação alegando que um idoso como ele não representaria perigo algum à sociedade. Só sob o meu cadáver! Ele pensa com seus botões.

Sim, ele vai fazer o que for possível para evitar isso e a primeira coisa é saber tudo o que eles puderem sobre o senhor Filch.

Não há tempo a perder, ele pede que a sua equipe vá para a sala de informática onde encontram Remo concentrado em seus computadores – conseguiu alguma coisa? – ele pergunta.

- Nada – Remo diz e vê o semblante frustrado de Sirius – mas o nada em si é uma pista (ele coça a cabeça e suspira) esse homem não tem absolutamente nada online, não tem certidão de nascimento, registro social, nem sequer uma carteira de motorista.

- Isso não é possível – Sirius diz intrigado – como alguém vive sem registro algum?

- Não vive – Remo diz – isso é impossível nos dias de hoje. Tem alguma coisa estranha e eu vou continuar procurando, assim que tiver alguma coisa eu aviso.

- Enquanto isso – Sirius olha pra Harry e Gina – vocês vão ao centro tentar descobrir o que puderem (ele entrega um papel) esse é o mandado de busca e apreensão para a casa e o trabalho. Tonks – ele chama a moça – vá para o laboratório e veja o que eles têm a respeito do DNA, eu sei que ainda é cedo para um resultado, mas você sabe como persuadi-los a ir mais rápido, mãos a obra! – ele completa enquanto a equipe sai restando ainda Draco Malfoy que o encara com um ar inquiridor – e você e eu, Malfoy (ele respira fundo) bem, nós vamos colocar a senhorita Lovegood a par de tudo.

Draco encara o seu superior como se de repente tivesse surgido um nariz extra em sua face, ele nunca viu Sirius agir desta forma em nenhum outro caso, ao contrário, ele sempre manteve uma distância confortável de qualquer parente de vítima.

O loiro sempre respeitou a hierarquia como sempre se gabou de não se meter na vida de ninguém, mas neste momento é mais forte que ele e Draco acaba confrontando o chefe.

- O que está acontecendo? – ele sustenta o olhar que Sirius lhe lança – você está tratando essa moça como parte da equipe! Você nunca deixou que nenhum familiar chegasse tão perto (ele suspira) a moça até ficou disfarçada. Pelo amor de deus, essa maluca poderia ter morrido!

- Por isso você estava lá – Sirius diz impassível – e acabou dando certo, conseguimos prender alguém.

- Você está ciente que isso poderia ter acontecido se tivéssemos uma agente treinada da mesma forma, eu espero – Draco diz com um suspiro – foi loucura, Sirius, você sabe disso. Se as outras equipes descobrem, se a imprensa descobre, todos nós estamos acabados.

- Assim como se alguém descobrir que nós estávamos cientes do que ela queria fazer e não fizemos nada – Sirius rebate. Ele respira fundo – e eu não poderia decepcioná-la mais uma vez.

- Mais uma vez? – Draco indaga sem entender, então ele compreende – você já a conhecia.

- Foi no meu primeiro ano ainda na homicídios – ele diz com um suspiro –ela era apenas uma garotinha e ia toda semana com o pai para procurar notícias da mãe. Meu chefe era um babaca e a partir do momento que soube que a desaparecida teve problemas com drogas, ele concluiu que ela teve uma recaída e ninguém deu ao caso a importância que deveria, sem falar que não havia pista alguma. Eu nunca esqueci o olhar triste que ela me deu quando dissemos que não poderíamos continuar procurando, ela era muito nova pra entender, mas eu juro por deus que de alguma forma ela entendia.

Draco olha para Sirius e não sabe o que dizer. Ele sempre soube que seu primo era um policial com um senso de dever inabalável e decepcionar uma garotinha deve tê-lo abalado. Diabos, ele ficaria abalado também! Então ele suspira e se prepara para acompanhar Sirius e colocar Luna Lovegood a par do caso...

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Enquanto isso

Harry e Gina se dirigem ao centro de reabilitação onde eles irão cumprir um de seus mandados de busca, para Harry isso é apenas trabalho, mas ele sabe que para a sua parceira não vai ser tão simples assim. Pelo que a ruiva falou a sua cunhada trabalha neste centro desde a faculdade e isso vai ser um retrocesso imenso no trabalho que ela faz para a reabilitação de mulheres de rua o que é facilmente compreensível se uma das pessoas responsáveis por resgatá-las estava na verdade assassinando estas mulheres.

A ruiva está mais calada que de costume, mas Harry sabe exatamente o que ela está pensando. Ele sabe porque os mesmos pensamentos também povoam a sua mente, o fato do homem sob custódia estar anos luz distante do perfil que elaboraram. Ele se recusa a acreditar que tenham se enganado tanto, mas ao mesmo tempo ele torce para que tenha acontecido e assim ele possa voltar parra as suas aulas.

Eles entram no escritório onde encontram Minerva e Hermione, previsivelmente ambas estão preocupadas e ainda sem acreditar em tudo o que aconteceu. Harry olha para Gina que se adianta e abraça a cunhada – eu sinto muito, Mione, espero que isso não afete o centro de forma irreparável.

- Acho que agora é tarde – Hermione diz desanimada – nós recebemos uma ligação do senhor Riddle, nosso principal doador. Sem as suas doações não temos como manter as meninas.

- Ele falou que vai cancelar as doações? – Gina pergunta mortificada, ela sabe o quanto Hermione se esforça para garantir a todas aquelas garotas a chance de mudar de vida.

- Não, ele não falou – Hermione suspira – não é assim que funciona, mas se as coisas acontecerem como já aconteceu com outras instituições que ele ajudava, as doações vão começar a ficar cada vez menores e com menos frequência, até que um dia deixarão de acontecer e ele vai encontrar algum lugar que segundo os seus critérios necessita mais de auxílio.

- Não é só isso – quem fala agora é Minerva – ele também vai fazer de tudo para que outros cancelem as suas doações e não nos restará outra opção a não ser fecharmos as portas.

- Isso não é justo! – Gina fala exasperada – quem esse cara pensa que é? O dono da cidade? Daqui a pouco eu vou pensar que ele tem mais poder aqui do que a própria família real!

- Chega muito perto disso – Harry diz com um suspiro – pode-se dizer que ele é dono de boa parte da cidade e muitos políticos estão no parlamento graças a sua influência e aos seus donativos de campanha. Infelizmente ele é alguém que poucas pessoas conseguem enfrentar e os que conseguem não querem comprar esse tipo de briga.

- Isso não pode acontecer! – Gina diz. Ela olha para Hermione e Minerva – nós vamos fazer todo o possível para o centro não fechar, deve ter alguma forma pra fazer isso e eu vou descobrir.

Harry olha para Gina e não fala nada e neste momento ele admira a ruiva ainda mais pela coragem de comprar uma briga quase impossível de ganhar, ou talvez não seja tão impossível assim, talvez existam mais pessoas que queiram enfrentar o império de Tom Riddle e talvez ele mesmo conheça alguém assim.

No entanto agora eles têm algo mais importante a fazer, achar algo que possa manter o suspeito atrás das grades e provar a sua culpa...

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Na Scotland Yard

Luna acaba de ouvir o que Sirius pacientemente lhe explicou, ou talvez não tão pacientemente assim já que ela não pode deixar de notar a contrariedade do detetive, é evidente que ele também não está gostando desta história.

- Então o senhor está me dizendo que ele vai ser solto? – ela indaga – mesmo com tudo o que ele fez?

- O advogado está alegando que as mulheres entenderam mal, que o que ele estava fazendo era apenas tentar levá-las ao centro de reabilitação, que ele é apenas um homem idoso mal compreendido – Sirius diz lutando para não demonstrar a sua contrariedade.

Luna fica em silêncio por um momento e Draco quase pode ver as engrenagens do seu cérebro trabalhando. O loiro só reza para que não seja mais nenhum plano mirabolante para tentar descobrir mais alguma coisa, só deus sabe o que ela poderia inventar. Sirius pode até vê-la como uma criança que perdeu a mãe, mas para o loiro ela é apenas uma mulher sem um pingo de juízo, mesmo que seja uma mulher muito bonita por sinal. Ele pensa e se assusta com o próprio pensamento.

Ele se assusta ainda mais com o que a moça diz:

- Existe alguma possibilidade dele ser inocente? – ela questiona encarando Sirius com os olhos azuis sonhadores – ele pode realmente ser alguém que estava apenas tentando ajudar ou ele é realmente um homem horrível que mata mulheres? (ela para um momento) Quer dizer, o senhor Filch realmente é um homem horrível que não tem empatia alguma pelas meninas, mas eu nunca pensei que ele fosse capaz de machucar alguém.

- Vamos por partes – Sirius diz com um suspiro – eu não tenho nenhuma dúvida que ele tentou pegar duas mulheres a força e que a intenção dele não era ajudar, quanto as mortes ainda não temos nada que o ligue a elas, mas estamos procurando. Eu juro, senhorita Lovegood, se ele for o nosso homem iremos pegá-lo e ele vai pagar por tudo.

Luna respira fundo antes de dizer – eu vou pra casa agora, preciso de um tempo com meu pai e preciso pensar no que fazer.

Ela se retira deixando Draco e Sirius. O investigador chefe logo se retira, mas o loiro fica um bom tempo olhando para a porta por onde Luna saiu...

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Quase ao mesmo tempo

Harry e Gina estão no modesto apartamento que o suspeito usa não muito longe do centro de reabilitação. Eles não acharam nada no trabalho, mas isso era de se esperar uma vez que ele ficava na garagem na maioria do tempo e muitos outros funcionários também tinham acesso ao local.

Então se eles tiverem a chance de encontrar alguma coisa, agora é o momento e eles torcem para que tenha algo que ligue o homem ao caso para que isso termine e eles admitam que fizeram o perfil mais errado da história da Scotland Yard.

E isso se mostra cada vez mais improvável uma vez que até agora eles não encontraram nada, o que significaria que ainda há um maníaco homicida a solta.

Eles se preparam para sair levando as más noticias quando Gina tem uma ideia, ela vai até a cozinha e busca uma faca.

- O que você está fazendo? – Harry indaga curioso.

- É só uma intuição – ela responde e se dirige à cama – olha aqui – ela mostra o colchão que parece ter sido grosseiramente costurado – parece que isso foi aberto e fechado várias vezes – ela esclarece enquanto corta cuidadosamente as costuras.

A ruiva prende a respiração e ela olha para Harry talvez isso seja alguma coisa...

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De volta à Scotland Yard

Sirius respira fundo várias vezes, é um hábito que ele adquiriu quando parou de fumar, encher seus pulmões de ar lhe proporciona calma e substitui a necessidade de acender um cigarro, que aliás cairia bem diante das circunstâncias.

Ele balança a cabeça para espantar a ideia e respira fundo mais uma vez, enquanto foca na investigação. Ele sabe que a presença de Pettigrew na história vai dificultar tudo, mas ao mesmo tempo isso pode ser indício de alguma coisa, uma vez que o homem sob custódia não parece ser o tipo de pessoa que interessaria o advogado. Tem alguma coisa aí, ele pensa enquanto continua as suas conjecturas. Ele pode não ser um perfilador nato como Harry e Gina, mas a experiência lhe ensinou uma coisinha ou duas. Vamos lá, Sirius, um homem claramente limitado intelectualmente, planejando assassinatos elaborados, um homem que não tem onde cair morto com um advogado de milhões. O que isso quer dizer?

Ele poderia ficar fazendo conjecturas por um bom tempo se um som que ele já conhece bem não o tirasse do seu devaneio. Tonks esfrega a canela e pega algo que ela derrubou, enquanto diz:

- O pessoal do DNA conseguiu alguma coisa!

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Quase ao mesmo tempo

Harry e Gina observam a quantidade insana de recortes de jornal falando sobre a situação da cidade no que se refere ao consumo de drogas ou prostituição, os dois parceiros observam a fixação quase doentia nos jornais sensacionalistas que focam nas mortes por violência ou overdose.

- Acho que temos o que precisamos para tentar ligar nosso suspeito aos assassinatos, não é preciso ser um psicólogo pra afirmar que ele tem fixação por estas mulheres a ponto de colecionar recortes de jornal... O que foi? – ele diz ao ver que a mulher a sua frente não parece satisfeita.

- Não está certo, Harry, olha isso – ela diz olhando desanimada para o colchão – isso é obra de uma pessoa sem um pingo de sofisticação. Meus sobrinhos pré-adolescentes esconderiam alguma coisa melhor, isso não pode ser obra de alguém que copiava cenários de filmes de forma tão perfeita, não tem como a gente ter errado assim!

- Você está dizendo que ele não atacou ninguém? – Harry diz meio confuso.

- Não, Harry, você viu o interrogatório. Ele odeia essas mulheres e sim, ele as atacou e deve ter atacado outras mais – Gina esclarece – mas nem no inferno esse cara que esconde as coisas de modo tão amador seria capaz de criar cenários como os que nós encontramos, ele pode até estar ligado de alguma forma, mas de jeito nenhum esse cara poderia armar aquilo.

- Então você acha que ele pode estar ligado de alguma forma? – Harry diz, de fato tudo que a sua parceira disse faz sentido.

Gina assente com a cabeça – vamos falar com o Sirius (ela encara o parceiro de forma decidida) vamos convencê-lo a nos deixar interrogá-lo.

- Mas o Sirius já o interrogou – Harry diz. Por melhor que Gina seja, ele sabe que Sirius é um interrogador mais treinado e experiente e que a ruiva não chegaria a seus pés – você acha que pode fazer melhor?

- Céus, Harry, claro que não! – a ruiva diz como quem explica algo para uma criança – eu só gostaria de tentar outro tipo de abordagem (ela sorri) estou tendo uma ideia ou duas, quem sabe pode dar certo...

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Quase ao mesmo tempo

Luna olha para o teto do seu quarto, ela não sabe direito o que fazer, um lado dela se revolta em pensar que o senhor Filch pode ser solto e ao mesmo tempo outro lado se alivia se isto significar que o homem com o qual ela conviveu por meses não foi o responsável pela morte de sua mãe.

Sinceramente ela não sabe o que pensar. Luna sempre pensou que soubesse ler as pessoas e embora o senhor Filch sempre lhe causasse arrepios por seu jeito grosso e a sua falta de empatia, nunca passou pela sua cabeça que ele fosse capaz de machucar alguém, ou talvez tenha passado e ela nunca tivesse tido coragem de admitir. Se Luna for sincera, o jeito que ele olhava para as meninas deixava claro que se ele pudesse aquelas meninas não existiriam.

Mesmo assim não é possível. Ela diz para si mesma, Luna sabe que não vai conseguir dormir e ela sabe também que seu pai vai se preocupar mais ainda, ela sabe que o policial Malfoy vai lhe arrancar o fígado caso ele descubra, mas ela simplesmente não vai conseguir ficar parada pensado que talvez o responsável ainda esteja por aí.

E é com este pensamento que Luna Lovegood sai para se esgueirar pelas ruas da cidade mais uma vez...

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De volta à Scotland Yard

Harry e Gina chegam e descobrem que Sirius está no laboratório. O casal segue ao encontro do seu superior com a missão de convencê-lo a deixar que o suspeito seja interrogado mais uma vez.

Não que Gina pense que vai conseguir uma confissão, ela sabe que Sirius é um interrogador muito mais experiente e se ele não conseguiu não será ela quem vai tirar do suspeito algo assim, o que ela tem em mente é outra coisa, ela sabe ler nas entrelinhas e Gina tem certeza que com alguns minutos de conversa ela saberá se ele pode ou não ser a mente brilhante por trás de toda a trama.

Eles encontram Sirius que sorri e caminha até eles e antes que Gina ou Harry possa dizer alguma coisa ele fala exultante:

- Conseguimos! Achamos o DNA do senhor Filch em um dos últimos corpos que encontramos!


Mais um capítulo por aqui! Espero que tenham gostado, desculpem a demora estive meio enrolada esses dias, mas prometo fazer o possível pra desenrolar.

Obrigada a todo mundo que está lendo e um agradecimento mais do que especial para a aleebarros que comentou e me deixou muito feliz, valeu mesmo, menina!

Bjos e até o próximo, e quem puder deixar uma palavrinha vai me fazer muito feliz.