Enquanto isso
James olha a sua coleção de filmes de suspense, talvez ele encontre alguma coisa que possa ajudar. Harry não ligou o que mostra que ele está bem ocupado, embora seu filho apareça menos do que Lilly gostaria, raramente ele passa um dia sem ligar para os pais e se isso ainda não aconteceu é porque eles têm algo importante com o que lidar.
Ele olha para as duas pilhas de filmes, uma dos que ele descobriu indícios nas fotos e outra de filmes também famosos que não foram utilizados. James não é um detetive ou um policial, no entanto seus anos como advogado já o fizeram ver muita coisa e ele conhece um pouco da natureza humana para saber que esse cara não ia parar simplesmente. Então das duas uma, ou ele descobriu outra coisa para se focar ou ainda há mais corpos por aí para serem descobertos.
Ele anota tudo detalhadamente para entregar a seu filho ou a Sirius, isso talvez dê a eles uma ideia de onde e do que procurar. James sabe que quanto antes conseguirem prender esse maluco melhor, mas ao mesmo tempo ele sabe que quando tudo isso acabar talvez Harry e a ruiva dele não se vejam mais. E sim, para James Gina é a ruiva do seu filho, por mais que todos digam que ele é um tolo romântico, ele simplesmente sabe, mesmo que Harry ainda não saiba, ele conhece os sinais e vai fazer de tudo para que seu filho os perceba.
James poderia ficar muito tempo perdido em seu devaneio se a figura elegante da sua esposa não aparecesse.
- É meio cedo para a faxina da primavera ou eu estou enganada? – ela graceja.
- Não, você não está enganada, nada de faxina da primavera por aqui – James sorri – eu só estou tentando ver algo nesses filmes (ele explica) pode ser que a gente tenha deixado alguma coisa passar.
- Sinceramente eu duvido – Lilly diz – você é a maior autoridade nessa área que eu conheço, acho que não deixaria passar nada... O que foi? – ela indaga ao ver o semblante do marido.
- Eu sei que você me ama, querida, mas eu não sou a maior autoridade nessa área – ele sorri – mas eu sei quem é e você também, e quem sabe ele possa ajudar...
XXXXX
De volta à Scotland Yard
Gina olha para o parceiro que está tão chocado quanto ela com as palavras de Sirius. Harry parece estar disposto a aceitar, mas não ela, não tem como esse cara ter copiado os cenários dos filmes e ela vai defender a sua tese mesmo que isso signifique arruinar suas chances de ficar na Scotland Yard.
- Tem alguma coisa errada, Sirius – ela dispara – esse cara não pode ter cometido crimes assim tão elaborados, eu entrego meu distintivo agora se ele for capaz de algo assim.
- O DNA não mente, Gina – Sirius diz – você sabe disso. Ele é o cara, acabou.
- Eu não estou dizendo que ele não está envolvido – Gina encara seu chefe – é claro que ele está! Mas esse homem não é capaz de armar tudo sozinho (ela suspira) olhe nos meus olhos e diga com sinceridade, você pode dizer com certeza que acabou?
Sirius olha para a sua agente, são poucas as pessoas que teriam a coragem de confrontá-lo assim e isso faz com que ele a admire ainda mais. Essa menina é exatamente como Shacklebolt havia descrito e sem dúvida vai ser uma ótima agente para a sua equipe e sim pra ele também parece difícil que aquele homem possa ter feito tudo sozinho, mas pra onde isso os leva?
Ele vê que Gina continua o encarando e Harry parece concordar com ela, então ele respira fundo e diz:
- Eu concordo, Gina, mas o DNA está lá e isso é uma coisa que a gente não pode negar e você sabe que seremos pressionados pra dizer que tudo está resolvido. Você sabe como a engrenagem funciona.
- A gente sabe, Sirius – quem fala agora é Harry – esse cara está envolvido, mas ele não é tão inteligente pra ter armado tudo sozinho. Eu tenho certeza que com um pouquinho de persuasão a gente consegue descobrir se tem mais alguém nesta história.
- Não com o Pettigrew na cola – Sirius suspira, então ele pensa melhor – quem sabe a gente possa propor um acordo, de repente não vai ser tão ruim ter aquele rato por perto.
- Sirius! – Gina fala num rompante – eu... Eu queria entrevistar o nosso suspeito.
- Você acha que pode conseguir uma confissão? – Sirius a encara intrigado – acha que pode conseguir algo que eu não consegui? Por quê?
- Não, não é isso – a ruiva se explica rapidamente – eu sei que você é um interrogador eficiente. É só que eu acho que posso conseguir alguma coisa seguindo outra linha.
- Me conta direito o que você tem em mente – Sirius pergunta e Gina abre um sorriso antes de começar a falar...
XXXXX
Enquanto isso
Draco espera Sirius ansiosamente, ele ficou sabendo que o DNA do suspeito bateu com um dos últimos corpos encontrados e embora ainda não seja possível dizer que o homem sob custódia é o responsável pelo que aconteceu com a mãe da senhorita Lovegood, pelo menos eles conseguiram tirar um maluco das ruas.
Sim, ele sabe que vão tirar um maluco das ruas, mas ao mesmo tempo ele não sabe se isso será suficiente para Luna. Essa maluca não vai descansar enquanto não tiver certeza e só deus sabe o que ela vai fazer para ter essa confirmação.
Draco deveria estar aliviado, afinal seu chefe não falou nada a respeito de continuar com essa história maluca, mas uma parte dele não está. O loiro pode dizer que já conhece a sua parceira improvisada bem o suficiente para saber que a moça está angustiada pelo fato de conhecer o homem que talvez tenha sido o responsável por ela crescer sem uma mãe.
Ele não sabe por que está fazendo isso e ele acha que talvez receba uma bela reprimenda do seu chefe, mas é mais forte que ele. Então o agente digita uma mensagem rápida e sai apressadamente da Scotland Yard...
XXXXX
Pouco depois
Gina respira fundo, por sorte Sirius gostou da sua ideia e vai lhe dar uma chance de conversar com o senhor Filch antes de falar sobre o resultado do teste de DNA. Ela só espera que ela consiga tirar alguma coisa dele sobre o verdadeiro mentor das cenas de crime.
Ela sabe que pode ser arriscado, não no sentido de que ela vá correr algum risco, mas Gina sabe que qualquer coisa que ele diga não poderá ser utilizado em um tribunal, e sim ela vai tentar conversar com ele sem a presença do advogado. Ela não quer uma confissão, ela quer uma pista, ela quer conseguir ler algo nas entrelinhas, ela quer captar um sinal por menor que seja, um pequeno tremor no lábio ou um desvio no olhar.
Harry até sugeriu que ela fizesse o interrogatório acompanhada por um deles, mas Gina recusou. Ela já percebeu que uma presença feminina vai afetá-lo e isso talvez possa ser usado em seu favor.
E é por isso que ela respira fundo mais uma vez e abre a porta da sala onde o senhor Filch a aguarda.
- Olá, senhor Filch meu nome é Gina Weasley. Eu sou cunhada da Hermione Granger que trabalha no centro, o senhor deve conhecer. Eu gostaria de dar uma palavrinha com o senhor, se o senhor permitir. Eu tenho um diploma em psicologia (ela sorri) eu quero conhecer o senhor e vou deixar claro que o senhor pode solicitar o seu advogado, se quiser.
- O que a senhorita pode querer comigo? – ele diz e Gina nota que ele parece desconfortável, ela faz uma anotação mental para conversar com Hermione sobre isso – a senhorita trabalha aqui? É uma policial?
- Se eu responder a essas perguntas, eu posso fazer algumas também? – ela diz – nós podemos chamar seu advogado se o senhor se sentir mais confortável assim e não, eu não trabalho aqui, mas eu estou colaborando com a Scotland Yard nesse caso e como eu disse, eu quero conhecê-lo melhor. E então eu posso perguntar? (ela o encara e sorri) eu prometo que não farei nenhuma pergunta a respeito do motivo pelo qual o senhor está aqui, tudo bem? O senhor concorda em conversar sem a presença do advogado? Eu posso mandar chamá-lo se o senhor se sentir melhor.
- Tanto faz, vamos acabar logo com isso – o homem diz com um encolher de ombros – não tem muito pra falar sobre mim que possa interessar a alguém.
- Isso eu decido, tudo bem? – Gina diz – eu sei que o senhor trabalha para o centro e procura ajudar as garotas a se recuperarem, estou certa?
- Se a senhorita diz – ele fala aparentando desinteresse e Gina percebe que a última coisa que aquele homem está é preocupado com o bem estar das meninas.
- Eu digo – ela afirma – ninguém fica tanto tempo em um lugar sem estar envolvido de alguma forma. O que o senhor fazia antes disso?
- Eu fazia uns bicos aqui e ali pra uma família – ele diz – nada desonesto, eu garanto. Eu sempre fiz tudo como deveria. Sou um cidadão de bem, defensor da moral e dos bons costumes! A senhorita não vai achar nada que desabone o meu caráter – ele rebate mal humorado.
- Eu não estou aqui pra julgar o seu caráter, senhor Filch – Gina diz calmamente – só quero conhecê-lo, o que o senhor gosta de fazer no seu tempo livre?
- Não que seja da sua conta – ele diz amuado – mas eu gosto de assistir TV, gosto dos noticiários e leio os jornais todos os dias pra saber o que se passa na cidade.
- E filmes, o senhor assiste? – Gina diz.
- Como? – o homem questiona sem entender.
- O senhor vai ao cinema? – ela esclarece – Gosta de ver quais tipos de filmes?
- Eu não gosto de filmes – ele diz – eles me dão sono, por que a senhora está perguntando isso?
- Eu quero conhecê-lo, eu já disse – Gina o encara – então o senhor gosta de noticiários, mas não gosta de filmes. Nem dos filmes de suspense, dos filmes tipo policiais? (ela sorri) eu não gosto, esse tipo de violência me incomoda, mas devo confessar que às vezes eu assisto alguns, principalmente com meu pai. Ele adora os clássicos.
- A senhorita quer dizer tipo os que estão em cartaz agora? – ele diz – não, eu não assisto. A última vez que fui ao cinema a senhorita sequer havia nascido e caso lhe interesse eu assisti a um musical. Podemos encerrar?
- Só mais uma última pergunta – Gina diz – depois acabamos, o senhor já assistiu a algum filme de Alfred Hitchcock?
- Eu não gosto dessas coisas novas – ele responde com um suspiro – mas assim que eu sair daqui eu posso assistir se isso fizer com que você pare, e então, acabamos?
- Sim senhor, acabamos – a ruiva diz contendo o sorriso – foi um prazer conversar com o senhor.
Gina se retira com a certeza de que esse homem realmente não pode ser o autor dos crimes elaborados. A pergunta agora é, como ele se encaixa nos assassinatos e quem é o cabeça de toda essa trama...
XXXXX
Pouco depois
Draco Malfoy respira fundo antes de bater na porta, ele ainda não acredita que está fazendo isso e sinceramente ele não sabe por que está fazendo. Foi um impulso de momento, justo ele que nunca tem rompantes, mas alguma coisa em seu íntimo lhe disse que ele deveria e surpreendentemente ele seguiu a sua intuição.
Ele bate na porta e um momento depois um senhor de meia idade com aparência excêntrica aparece na porta. Draco só precisa de um minuto para identificá-lo como o senhor Lovegood, pai de Luna. Tal pai, tal filha. Ele pensa com seus botões.
- Pois não – o homem diz encarando o loiro.
- Sou o agente Malfoy, eu gostaria de dar uma palavra com a senhorita Lovegood – Draco diz usando seu tom de policial – prometo que será breve.
O homem olha para Draco, meio surpreso e então diz – eu acho que vocês se desencontraram, ela disse que precisava sair por algum tempo e eu achei que ela tinha ido pra Scotland Yard de novo, mas se o senhor quiser esperar.
- Não tudo bem eu vou avisar que ela me espere lá e vou ao seu encontro. Faz tempo que ela saiu? – ele indaga.
- Ah sim, ela ficou pouco tempo em casa – o senhor Lovegood completa pensativo – eu pensei que a prisão deste senhor fosse dar algum alento ao coração da minha filha, mas parece que isso ainda não aconteceu (ele suspira) eu tenho medo do que possa acontecer.
- Eu devo ir agora – Draco diz – não se preocupe, senhor Lovegood, eu mesmo a trago para casa – ele completa enquanto se retira com o pensamento de que pelo que ele já conhece da moça, o último lugar para onde ela está é a Scotland Yard...
XXXXX
Quase ao mesmo tempo
James olha para o prédio da reitoria, o prédio da faculdade onde Harry estudou e leciona e onde ele próprio e Lilly estudaram. Ele ser recorda saudosista dos anos de graduação onde ele era um aluno brilhante embora um pouquinho arrogante, ou babaca como Lilly o descrevia nos primeiros anos em que se conheceram.
De fato ser um aluno popular fez com que a sua já elevada auto estima ficasse ainda maior e isso irritava Lilly que o achava insuportável nos primeiros anos. Por sorte o tempo levou-o ao amadurecimento e isso fez com que eles se entendessem e eles estão juntos desde então e embora tenham feito cursos diferentes, o casal tem boas lembranças do campus onde se apaixonaram e começaram a namorar.
Mas não é para relembrar velhos tempos que ele está neste local hoje, James precisa encontrar um antigo professor, alguém que ele sabe que nutre a mesma paixão que ele por filmes de suspense, alguém que pode lhe fornecer alguns nomes que poderão ser úteis para a investigação do seu filho.
Eles nunca foram propriamente amigos e embora nutrissem a mesma paixão, não chegavam a conversar sobre o assunto, mas James sempre soube que ele é um grande conhecedor de filmes de um modo geral e também um sujeito pra lá de vaidoso e embora James saiba que ele nunca diria o nome de alguém se isso pudesse prejudicá-lo, ajudar em um caso tão notório irá afagar seu ego de uma forma impar.
James sabe que não pode revelar muita coisa, mas ele já conhece os tramites devido ao seu trabalho como advogado e sua convivência com Harry e Sirius. Sim, ele sabe até onde pode ir, então ele vai ter apenas uma conversa informal com Horácio Slughorn...
XXXXX
De volta à Scotland Yard
Sirius observou Gina conduzir o interrogatório, ele tem que admitir que a moça foi muito eficaz. Como ela mesma disse, a intenção não é conseguir uma confissão, pois ela seria invalidada pelo fato de não haver um advogado presente, mas apenas verificar se o homem em questão seria capaz de alguma coisa mais elaborada e como a sua agente afirmou e ele mesmo desconfiava, não há uma possibilidade sequer no inferno de que ele tenha a inteligência ou a sofisticação necessárias para algo como o que ele estão investigando. Resta agora saber se ele é um imitador, se foi uma coincidência ou se ele está de alguma forma ligado a tudo e como ele bem sabe, coincidências não existem, então Sirius está inclinado a acreditar na última hipótese.
Ele precisa pensar bem a sua estratégia, Sirius sabe que haverá pressão por parte de seus superiores para que o caso seja dado como encerrado, mas isso não é de seu feitio, o detetive só dará o desfecho quando realmente acabar.
Não há tempo a perder, agora ele precisa traçar as estratégias para descobrir onde esse homem se encaixa se é que ele se encaixa em algum lugar.
Isso é o que ele faria se um Pedro Pettigrew não entrasse parecendo muito um rebanho desembestado enquanto diz:
- O que você pensa que está fazendo com meu cliente?
NOTA DA AUTORA
Em primeiro lugar mil perdões pela demora, eu sei que desta vez foi maior do que as anteriores, o motivo foi que eu fiz uma viagem e isso atrasou um pouco as minhas atualizações, mas valeu a pena, eu estava precisando de uns dias na praia. Agora eu estou de volta e tentarei postar regularmente (eu disse, tentarei, não estou fazendo nenhuma espécie de voto perpétuo ok)
Mais uma vez muito obrigada a todo mundo que está lendo, favoritando e colocando a fic em alerta, e um agradecimento mais do que especial para a aleebarros que comentou e me deixou muito feliz.
Espero que tenham gostado do capítulo e quem puder deixar uma palavrinha eu agradeceria imensamente e pra expressar minha felicidade e agradecimento, mandaria um trechinho do próximo capítulo.
Bjs e até o próximo
