De volta à Scotland Yard

O grupo se debruça nas informações que Lupin conseguiu, não há tempo a perder. Sirius se prepara para entrar e interrogar o seu antigo amigo de infância, o cara que em sua juventude fez parte do quarteto mais fantástico do ensino médio e que ele achou que seria algo para sempre.

No entanto as coisas não funcionaram assim, logo que começou o curso de direito juntamente com James e ele próprio, Pettigrew mostrou que a ambição estava em primeiro lugar e acabou se afastando e enquanto Sirius decidiu pela polícia entrando em pouco tempo na Scotland Yard e James começou uma ONG que buscava justiça para pessoas condenadas injustamente, Peter começou a advogar para as piores pessoas que se poderia imaginar, desde que fosse bem pago é óbvio.

Ele balança a cabeça para espantar a lembrança enquanto diz para a equipe – o que nós já temos?

- Separamos alguns lugares que poderiam ser usados como cativeiro – Gina diz – esse aqui parece ser o mais promissor, é um antigo frigorífico que está desativado há anos.

- É o lugar perfeito para guardar corpos – Tonks fala e se encolhe ao ver o olhar de Draco – desculpe, Malfoy, mas é verdade.

- A Tonks tem razão – Sirius diz – e vai ser com isso que eu vou colocar o Pettigrew contra a parede (ele olha para o afilhado) Harry, você vem comigo.

- Desculpa Sirius, eu preciso ir a outro lugar – Harry diz – eu volto assim que puder. Tem a ver com o caso e pode nos dar algo mais.

- É mais algum local onde a Luna possa estar? – Sirius questiona.

- Não – ele diz – é uma pessoa, não dá pra explicar agora, eu volto assim que puder (ele se volta para Gina) se você puder vir comigo.

A ruiva olha para Sirius que lhe assente com a cabeça e o casal sai apressadamente...

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Local desconhecido

Luna olha para o homem na sua frente, ela já percebeu que ele oscila entre períodos que sabe quem ela é e períodos que ele pensa que ela é a sua mãe e parece que é num destes períodos que ele se encontra agora. Talvez ele tenha alguma doença como esquizofrenia ou algo parecido ou talvez ele esteja fazendo uso de algum tipo de substância.

Ela vai jogar de acordo com a situação, se ele quer que ela seja a sua mãe então que seja. Neste momento só o que Luna quer é ganhar tempo e se para isso ela tiver que ser Pandora Lovegood, ela será.

- Sim, eu estou aqui – ela diz – e agora como vai ser?

- Agora, minha cara – o homem olha para ela e sorri – vai ser como deveria ter sido desde o início, você vai ser minha...

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Enquanto isso

Gina olha para Harry que dirige de forma concentrada, ele ainda não falou nada e isso a está matando por dentro, a ruiva não é uma pessoa que lida bem com a curiosidade.

E isso logo é mostrado quando a moça diz – a que horas você está pensando em contar o que você pretende? – ela diz impaciente

- Só mais um pouco, ruiva – Harry diz – nós vamos falar com uma pessoa que talvez tenha alguma coisa a acrescentar. É um sujeito mal humorado, mas eu acho que não vai se negar a salvar uma vida.

- Estou entendendo cada vez menos, Harry – ela retruca – se nós somos parceiros, eu não posso chegar totalmente no escuro para interrogar alguém, não concorda?

- Não vai ser bem um interrogatório – ele diz – se fosse, eu iria levá-lo para a Scotland e seria mais difícil conseguir qualquer coisa – ele completa - só mais um pouco, assim que nós chegarmos, eu coloco você a par, tudo bem?

- Se não tem jeito – a ruiva diz enquanto suspira – mas vamos logo antes que aconteça alguma coisa com a senhorita Lovegood, o tempo está correndo.

- Vamos ser rápidos, eu garanto e isso vai ajudar. Pelo menos eu espero... Ele completa em pensamento.

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De volta à Scotland Yard

Sirius encara seu antigo amigo cujo olhar o mataria, se ele tivesse esse poder. Ele chamou Remo Lupin para acompanhá-lo. Embora o mesmo seja responsável apenas pela parte da informática, o detetive achou que seria bom ter alguém que, digamos, sabe o lado podre do seu interrogado. Draco Malfoy se ofereceu para estar presente, mas Sirius recusou temendo que o tão centrado e frio agente resolvesse perder as estribeiras e arrancar algo com as próprias mãos. Sirius nunca viu seu subordinado levar um caso para o nível pessoal desta maneira, mas se isso trouxer alguma humanidade para um Malfoy, ele pode aceitar essa mudança.

Então ele respira fundo e começa torcendo para conseguir alguma coisa ou manter o advogado tempo suficiente para que Harry traga alguma coisa.

- Bem, Pettigrew, eu diria que era apenas uma questão de tempo para você ser interrogado por alguma força policial, mas se eu fosse apostar eu apostaria em algum tipo de crime de colarinho branco e não em cumplicidade de assassinatos – ele diz calmamente enquanto estuda as expressões do homem a sua frente – o que você acha, Remo?

- Devo concordar – Remo diz de forma mais segura do que o tímido analista normalmente diria. Mas agora ele não é mais o analista técnico da Scotland Yard ele é o homem que confiou em uma amizade e se decepcionou, assim como Sirius e como James. Então ele encara Pettigrew – mas você sempre consegue superar as nossas expectativas.

- Com certeza o numero de processos que eu vou abrir contra vocês e a Scotland Yard vai superar as suas expectativas – Pettigrew retruca tentando aparentar uma calma que ele está longe de sentir – agora vocês foram longe demais! Colocar um advogado sob custódia é inadmissível, vocês enlouqueceram!

- Você já devia saber, Peter – Sirius diz de forma irônica – eu sempre fui meio louco ou você já esqueceu? E não eu não tenho um advogado sob custódia, eu tenho um rato, um rato que se envolveu com um peixe grande, um peixe que não teve o mínimo escrúpulo de jogar seus bichinhos aos tubarões (ele sorri) ou você achou que apenas o velho preso lá embaixo teria capacidade de armar tudo que está acontecendo por anos? Ora, faça-me o favor! Esse cara não conseguiria esconder um assassinato por cinco minutos, o que dirá por anos!

- Eu diria que a partir do momento que ele confessou, o caso já está resolvido – o advogado retruca com um sorriso – e digo que a esta altura tem muita gente querendo que a Scotland Yard faça um pronunciamento dizendo que o bandido foi preso. Se não me engano, já existem até mesmo jornalistas a postos esperando pra dar a notícia em primeira mão.

- Eu diria que você não é o advogado brilhante que pensa que é se acredita nisso. – Sirius rebate – Você sabe que existe outra pessoa atrás dessa história, uma pessoa importante, alguém que tem boa parte da cidade em suas mãos, eu diria.

- E você acha que aquele interrogatório vai ter alguma validade? – Peter diz – ele não teve um advogado, vocês sequer perguntaram se ele queria um! E quanto ao homem importante – ele sorri – eu conheço alguns, mas duvido que vocês consigam me ligar a qualquer um que possa estar implicado em alguma coisa desonesta que dirá em assassinatos.

- Sabe o que eu acho, Peter? Que você passa tanto tempo olhando para o seu umbigo e pensando no quanto poderia ganhar que não percebe o que está acontecendo ao redor. Você subestima a nossa inteligência. Você já ouviu aquela expressão, eu tenho um amigo que tem um amigo? Pois é, isso funciona para escavar sujeira que as pessoas varrem para baixo dos tapetes também. E nos vamos escavar e eu tenho certeza que alguma coisa vai ligar você.

- Eu sei que nada que vocês acharem vai ser suficiente para que eu seja condenado – Peter diz – agora vamos parar com essa palhaçada! É bom vocês me acusarem de alguma coisa ou me liberam agora (ele se levanta) e se preparem para receber uma enxurrada de processos em breve

- Você vai sentar agora! – Sirius diz mais alto do que falaria em um interrogatório formal – eu sei que você nunca foi lá tão brilhante, mas dá pra pensar antes de sair por aí ameaçando processar deus e todo mundo? Eu sei que eu não posso usar muita coisa daqui num tribunal, nos não somos idiotas, caramba! Mas nós estamos chegando perto e na hora que chegarmos tudo, eu disse absolutamente tudo, vai ser jogado no ventilador e vai ser tanta coisa que nem toda a influência, nem todos os advogados, nem todo o dinheiro vão poder esconder e certamente a mesma imprensa que está aguardando o anúncio de que um velho que vive de favor e trabalha em uma casa de recuperação saiu matando por aqui publicaria esta notícia em primeira página. Eu acho que as manchetes seriam ainda maiores com o que vem por aqui e querendo ou não você vai ser ligado e você pode escolher de que forma será ligado, como o advogado que ferrou seu cliente para salvar o figurão ou como alguém que ajudou a fazer justiça – ele olha para Remo que entende a deixa, o analista pega algumas fotos, fotos de propriedades ligadas a Tom Riddle – onde ela está, Peter? Nós precisamos de uma pista, não temos como apagar tudo o que já foi feito, mas talvez a gente consiga salvar uma vida hoje.

O advogado parece não saber direito o que dizer, uma pessoa que não o conhecesse pensaria que ele estava tocado pelas palavras de Sirius, mas os dois amigos o conhecem bem o suficiente para saber que seus neurônios trabalham furiosamente para descobrir uma forma de lucrar com a sua opção ou pelo menos não ser tão prejudicado.

Então o homenzinho respira fundo e diz – eu já sei o que fazer...

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Enquanto isso

Gina olha espantada para Harry – o que estamos fazendo na universidade? Tem alguém aqui que possa estar envolvido? A gente poderia ter enviado alguém para levá-lo e estar na Scotland ajudando.

- Acredite, ruiva, não é assim que funciona, não com esse cara. Se ele decidir não falar, nada mais brando do que arrancar as suas unhas vai abrir a sua boca – Harry diz enquanto eles descem do carro e se encaminham para o departamento de química.

- Você acha que alguém aqui tem envolvimento com tudo que está acontecendo? – Gina pergunta – ela ainda não sabe direito o que está acontecendo e não gosta nada disso.

- Não – Harry diz – mas talvez ele tenha algo que ajude a incriminar nosso suspeito principal. Eu lembrei de uma conversa que tive com meu pai a algum tempo atrás...

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Algum tempo atrás

Harry está na casa dos pais em mais um almoço domingueiro, depois de todo o discurso da sua mãe a respeito dele aparecer menos do que ela gostaria, eles finalmente passaram a falar de outros assuntos. A sua mãe foi convidada para ministrar um curso de extensão na universidade em que ele trabalha e está muito entusiasmada com isso, ao contrário do seu pai.

- Eu não entendo por que você está chateado – Harry questiona o pai – a mamãe está tão feliz. Vai ser legal pra ela e a gente vai se encontrar mais, ela vive reclamando que eu não apareço.

- Você pode não acreditar, Harry – Lilly fala em um tom irônico – mas seu papai é sim um homem ciumento, por isso ele está chateado.

Harry olha espantado para a sua mãe. Seu pai nunca deu qualquer demonstração de ciúmes, a seu ver a relação do casal sempre foi algo acima deste tipo de sentimento.

- Seu filho está chocado – Lilly sorri – mas sim seu pai tem ciúmes de apenas uma pessoa, eu devo dizer, embora ele saiba que é totalmente infundado.

- Esse cara é apaixonado por você desde o ensino médio! – James resmunga – eu me atrevo a dizer que mesmo antes, ele ficava o tempo todo te rondando depois que vocês brigaram!

- Ele só queria me pedir desculpas – Lilly diz, ela suspira – ele sabe que pisou na bola.

- Será que dá pra vocês preencherem os espaços em branco? – Harry interrompe – tem alguém boiando aqui.

- Ah querido – Lilly sorri – seu pai está falando do Severo, ele foi meu amigo de infância e o James sempre cismou que ele queria algo mais.

- Severo? – Harry diz sem entender, então ele faz a conexão – você está falando do Snape? – ele encara os pais sem acreditar.

- Ele mesmo – James diz mal humorado – Snape também conhecido como seboso.

- James! – Lilly diz em tom reprovatório – o que nós conversamos sobre você não ser mais um adolescente? Pare com isso! – ela completa diante do olhar emburrado do marido e se volta para Harry – sim querido, o Snape. Ele foi o meu melhor amigo durante muito tempo, nós praticamente crescemos juntos. Eu morava duas ruas abaixo de onde ele morava (ela suspira) a mãe dele foi empregada na casa do senhor Ridle e ele cresceu lá, inclusive foi graças ao senhor Ridle que ele estudou. Eu lembro quando a mãe dele deixou a casa e eles se mudaram para longe. Eu senti muita falta dele e fiquei feliz por reencontrá-lo na universidade.

- Não mais do que ele, eu garanto – James sussurra e logo se cala diante do olhar repreendedor da esposa – tá, parei – ele murmura.

- Eu sei que o Severo é um homem difícil – Lilly diz – mas tudo na vida dele foi difícil, ele não costumava falar muito de si próprio, mas dava pra ver que havia alguma coisa. Talvez ele tenha visto coisas que ninguém mais viu...

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De volta aos dias atuais

Talvez ele tenha visto coisas que ninguém mais viu... É o pensamento de Harry quando eles entram no departamento de química para falar com Severo Snape.

Eles entram na sala do professor sem se fazerem anunciar. Harry sabe que se o fizer, Snape provavelmente daria a ele um chá de cadeira e eles não têm tempo para isso.

- Ora, ora... – O professor diz – eu diria que isso é uma surpresa, mas não posso dizer que é um prazer.

- A recíproca é verdadeira – Harry diz, causando espanto em Gina. Não é da natureza do seu parceiro ser tão ríspido – eu não tenho tempo a perder e o que eu tenho a dizer é importante.

- E o que seria tão importante para o queridinho de Dumbledore se dignar a falar com um simples mortal? – o professor retruca acidamente.

- Eu preciso de tudo que você sabe sobre o Tom Riddle – Harry diz sem rodeios e pela primeira vez na sua vida ele vê Severo Snape empalidecer...

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De volta ao local desconhecido

Luna sente seu coração falhar uma batida, a sua boca está seca enquanto ela pensa. Onde você está, Malfoy. Você disse que era bom nisso, a essa altura você já não tinha que ter me encontrado? Luna sabe que este é um pensamento desesperado e infantil, mas ela precisa mantê-lo para ter alguma sanidade e não gritar e chorar perante o olhar maligno do homem que a encara como se ela fosse um doce muito apetitoso.

A sua intuição lhe diz que ela precisa fazer com que o homem foque em outra coisa, talvez em suas lembranças com a sua mãe. Luna sabe que ouvir isso vai ser difícil, mas infinitamente melhor do que se ele resolvesse tocá-la, certamente ela não aguentaria. Então ela continua conversando:

- O que você me daria se eu fosse sua? Será que eu poderia ter tudo o que eu quisesse a minha vida toda? O que eu teria se eu fosse sua?

- Eu te daria o mundo – ele diz – eu te dei o mundo e você recusou! – a sua voz se altera agora – mas desta vez você não vai ter chance, você vai ser minha a minha grande obra prima, a minha última obra, aquela que ninguém vai esquecer e eu serei falado por anos em toda cidade e por anos as pessoas irão me temer. Eu garanto a você que vai doer só no início, depois você vai ser minha para sempre.

Luna olha ao redor buscando alguma forma de escapar, ela está pronta pra correr ou lutar com todas as suas forças. O homem a sua frente não parece ser alguém com capacidade para imobilizá-la, então talvez ela tenha uma chance e ela está pronta pra isso é o que ela pensa enquanto ele avança em sua direção.

Ela procura por alguma coisa com que possa se defender, mas parece que não há nada, sem falar no frio que começa a entorpecê-la. Neste momento Luna pensa em seu pai que vai sofrer mais uma perda e talvez não consiga enterrá-la por anos, como aconteceu com a sua mãe. Ela vê seu pai enfrentando seu pesadelo mais uma vez.

O homem se aproxima com um sorriso em seus lábios, Luna tenta empurrá-lo de forma violenta e realmente consegue, mas não antes de sentir uma dor aguda, a dor de uma picada.

Ela desfalece quase ao mesmo tempo em que a porta é arrombada, o último vislumbre que ela tem é de um homem loiro correndo ao seu alcance, enquanto uma voz diz de forma dura:

- Não se mexa, é a polícia!


NOTA DA AUTORA

Não vou me estender muito, já que os acessos à fic estão cada vez mais escassos, mas caso apareça alguém por aqui, espero que tenha gostado e se puder deixar uma palavrinha, eu agradeço imensamente

Bjos e até o próximo