Enquanto isso, no hospital.
Draco anda de um lado para o outro. Luna foi levada assim que chegaram e ninguém aparece para dar notícias. O loiro tem a impressão que tudo vai ser em vão se ela não sobreviver, a moça é uma maluca, isso é fato, mas o mundo precisa de pessoas assim. Ela faz tudo mais interessante. Draco fala para si mesmo enquanto se pergunta como o pai da moça consegue ficar sentado esperando.
- Eu sei que ela vai ficar bem – Xenofilio diz como se adivinhasse seu pensamento – a propósito, eu devo agradecer por tudo que você fez – ele suspira e sorri – eu sei que a Luna pode ser, bem, digamos, peculiar. Não são todos que a entendem.
- Eu só fiz o meu trabalho, senhor – Draco diz e faz uma coisa que espanta a ele mesmo, ele emite um pequeno sorriso – e devo dizer que concordo com o senhor, a sua filha é bem peculiar.
- Ela puxou à mãe – Xenofilio diz – a minha Pandora era do mesmo jeito, era impossível não gostar dela e com a Luna é da mesma forma. Você deve ter percebido.
Draco olha para o homem a sua frente, por incrível que pareça ele concorda totalmente com isso, mas antes que ele possa falar alguma coisa um médico vem avisar que a moça está acordando...
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De volta à Scotland Yard
Snape observa Sirius Black que luta para que seu queixo não caia – o que foi Black? – ele diz com desdém – você não pensou que eu não teria vindo aqui só pra dizer na sua cara que eu não faria nada pra ajudar, pensou?
- Passou pela minha cabeça – Sirius responde no mesmo tom – pode me julgar (ele respira fundo) o fato é que vamos mexer com um peixe grande, um tubarão eu diria, e podemos ter muitos problemas no percurso. Eu quero que você fique ciente do que está se metendo para que depois você não venha jogar na minha cara que eu o arruinei.
- Eu não faria isso – Snape diz e vê que Sirius o encara com incredulidade – não faria, Black, porque se der errado, você vai estar tão arruinado quanto eu, talvez até mais (ele respira fundo) então, o que eu tenho que fazer?
- Por enquanto agir como se você nunca tivesse vindo aqui – Sirius diz – e aguardar. Agora, por favor, você deve ir, não queremos que as pessoas erradas te vejam aqui e eu preciso conversar com outra pessoa. Eu entro em contato.
- Vou aguardar ansiosamente – Snape diz com sarcasmo antes de se retirar...
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De volta ao hospital
Draco continua andando de um lado para o outro, mas desta vez ele está mais aliviado, o médico falou que Luna não corre perigo imediato, então agora ele pode voltar a ser um agente novamente.
O loiro se espanta com seus sentimentos em relação à moça. Ele sempre procurou manter uma distância saudável das pessoas durante seus casos. Diabos, ele nem gostava de conversar com os parentes das vítimas! Mas com Luna Lovegood tudo foi diferente desde o início.
Sim, por incrível que pareça Luna fez com que Draco Malfoy se tornasse, digamos, um pouco mais humano, mas não o suficiente para esquecer seu lado profissional e foi por isso que ele ligou para Sirius informando que a moça havia acordado e recebeu ordem para interrogá-la se ela estiver em condições.
Então ele aguarda ansiosamente até que alguém diga que ele pode ir vê-la...
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De volta à Scotland Yard
Sirius aguarda seu próximo interrogado. Snape saiu faz pouco tempo e Sirius pode dizer que ele não está satisfeito por ter um agente disfarçado fazendo a sua proteção. Sirius não pode arriscar que alguém faça alguma coisa e o impeça de testemunhar, então ele que se dane e aceite o agente na sua cola, Sirius só tem pena da pessoa que ficar encarregado da sua proteção porque aguentar o mau humor do seboso é algo que ele não desejaria nem para o seu pior inimigo.
Mas agora Severo Snape vai ficar no banco dos reservas até que seja convocado a jogar, Sirius vai conversar com outra pessoa e ele se dirige a sala de interrogatório onde se encontra Peter Pettigrew.
- Isso está virando assédio! – o homem diz assim que a porta se fecha – o que vocês querem de mim? Eu não tenho culpa se vocês não encontraram a moça, eu fui sincero quando falei que achava que ela poderia estar na fazenda, mas eu não tenho culpa...
Sirius encara o homem a sua frente. A despeito da vontade de agredi-lo, ele apenas se senta e diz:
- Como você sabe que nós não encontramos a moça? Talvez seja porque você sabia que ela não estava lá. Você não achou mesmo que eu ou o Remo iríamos acreditar no que você falou, principalmente quando percebemos que a fazenda que você mencionou era coincidentemente o local mais afastado, não é mesmo? Você se acha muito esperto, mas é apenas um rato puxa saco que como era de se esperar escolheu o lado do esgoto para ficar – ele faz uma pausa para observar o advogado empalidecer. Sirius mal esconde o sorriso
- Eu não posso fazer nada se vocês deliberadamente resolveram não seguir a minha dica – Peter se recompõe e fala – eu fiz a minha parte no acordo.
- Tem certeza que fez? – Sirius diz – ah Peter, você não mudou nada, mas felizmente isso aqui é a Scotland Yard e somos bons no que fazermos e tenha a certeza que quando essa história acabar, você vai ter um ou dois processos contra a sua pessoa para lidar. Sugiro que você arrume um advogado melhor do que você mesmo. Ah, e antes que eu esqueça o senhor Riddle já solicitou o dele e adivinhe, não é você, porque você para ele não é nada, ou melhor, é apenas alguém descartável, um peão que pode ser sacrificado a qualquer momento assim como o senhor Filch, resta agora saber quem vai cair primeiro.
Essas são as últimas palavras de Sirius que sai deixando Peter atônito...
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De volta ao hospital
Draco se prepara para interrogar Luna, ele conversou rapidamente com o médico que a atendeu que lhe informou que havia uma dose imensa de entorpecentes em seu organismo, mais um minuto ou dois ela estaria morta e mesmo agora ela ainda vai precisar ficar um bom tempo em observação para estar fora de perigo, vai ser preciso um tempo até que tudo saia de seu sistema.
Se não fosse um caso tão extremo, Draco poderia deixar que ela se recuperasse rapidamente antes que ele fizesse o seu trabalho, mas o detetive sabe que não pode se dar a esse luxo. O loiro sabe que mais rápido do que ele gostaria vários advogados renomados estarão prontos para conseguir uma fiança que por maior que seja Tom Riddle pagará com os olhos fechados, ele sabe porque já viveu neste mundo e sabe como as coisas são.
Ele abre a porta do quarto e encontra a moça, Luna está acordada, mas não parece muito ela mesma, é como se uma parte dela não estivesse lá.
- Que susto a senhorita nos deu – ele diz tentando iniciar um diálogo. Ele vê Luna sorrir fracamente – como você está? Eu tenho algumas perguntas, mas se a senhorita não estiver bem...
- Eu ainda estou meio tonta – ela diz – o médico falou que tinha uma quantidade de drogas muito grande no meu organismo. Eu não acredito que algumas pessoas fazem isso de propósito! Isso é muito ruim.
- A senhorita é inteligente – Draco sorri – tem ideias totalmente malucas, mas é inteligente – ele respira fundo – a senhorita acha que está em condições de conversar?
- Eu vou tentar contar tudo, mas eu vou pedir duas coisas antes – ela vê Draco assentir com a cabeça – primeiro você vai me prometer tentar não falar o tempo todo que eu não devia ter feito o que fiz.
- Ênfase no tentar – Draco diz e vê Luna sorrir – e a segunda coisa?
Ele vê o semblante de Luna ficar sério.
- Você vai me prometer que ele não vai escapar...
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Mais tarde
Draco volta para a Scotland Yard, ele fez o melhor possível para pegar o depoimento da garota, mas Luna não estava tão bem e divagou bastante. O loiro não sabe se isso foi efeito da quase overdose ou uma característica dela. Então só resta esperar que Luna melhore e possa dar mais informações.
Ele procura Sirius com os olhos e acha o detetive vestido mais formalmente que normalmente estaria, o loiro olha para seu chefe com curiosidade.
- Nem pergunte – Sirius diz com um suspiro – o Moody quer que eu esteja com ele em uma coletiva de imprensa, é claro que a noticia já vazou.
Mas antes que Draco possa falar qualquer coisa, ele vê alguém entrando pela porta, alguém que embora ele não esperasse não chega a ser uma completa surpresa. Seu passado está batendo novamente na sua porta...
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De volta ao hospital
Luna tenta conectar seus pensamentos. Está cada vez mais difícil, ela se recrimina por não ter ajudado muito, mas tudo em sua mente neste momento é pouco mais que um borrão.
Ela sabe que está viva por muito pouco e por mais que ela estivesse decidida a desvendar o que estava por trás da morte da sua mãe, morrer nunca foi parte do processo. Ela sabe que seu pai não aguentaria outra perda como essa.
Agora só cabe a ela esperar que a polícia faça a sua parte e que o risco que correu não tenha sido em vão.
Mas talvez tenha sido, ela percebe isso no momento em que vê seu pai se levantar rapidamente ao mesmo tempo em que tudo começa a apitar e de repente apenas a escuridão...
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De volta à Scotland Yard
Draco encara Lucio Malfoy lutando para manter a sua feição impassível. Seu pai é uma das poucas pessoas que tem o poder de fazê-lo perder o controle, então ele respira fundo e se dirige a ele.
- Tendo a mais absoluta certeza que o senhor não veio aqui para saber como eu estou, imagino que o senhor vai utilizar seus talentos mais uma vez. Finalmente apareceu alguém com o prestígio necessário para fazer o grande Lucio Malfoy deixar a aposentadoria.
- A ironia não combina com você, Draco – Lucio responde no mesmo tom – você poderia pelo menos perguntar como a sua mãe está.
- As colunas sociais sempre me informam como ela está – Draco diz – mas se isso for se tornar uma conversa social, então que seja. Como a mamãe está? E o senhor?
- Sua mãe está bem – ele diz – mas não está nada satisfeita por causa da confusão que vocês armaram com o senhor Riddle. Eu tive que adiar a nossa viagem para Paris e isso está me colocando louco. Você sabe como a sua mãe fica quando quer alguma coisa – ele para por um momento – ou talvez você já tenha esquecido já que nunca mais apareceu.
- O senhor não tem nem ideia do por que eu não apareço, pai? – Draco diz buscando uma calma que ele está longe de sentir – será porque eu teria que ouvir mais uma vez que eu estou traindo o legado da família? Que eu deveria estar me preparando para assumir os negócios, ao invés de brincar de policial?
- É o seu legado, aceite isso. Você é um de nós, Draco – Lucio encara o filho – quanto antes você souber disso, melhor. Mas não foi por isso que eu vim até aqui – ele olha ao redor – eu preciso falar com o responsável pela prisão arbitrária de um homem idoso.
- Arbitrária? – Draco diz mais alto do que gostaria, seu pai ainda tem o poder de tirá-lo do sério, tem sido assim desde que ele descobriu quem Lucio Malfoy era realmente – você quer dizer uma prisão em flagrante de um homem que quase matou uma mulher e que talvez tenha muito mais a responder? Mas é claro que o senhor vai dizer que tudo na passou de um lamentável engano, afinal para aqueles que você defende crimes só são cometidos por aqueles que não têm dinheiro.
- Eu poderia dizer que um dia eu fui jovem e ingênuo como você – Lucio rebate de maneira sarcástica – mas você sabe que eu estaria mentindo. Eu sempre soube que não há bem ou mal, apenas o poder e aqueles que são tolos o bastante para não perceber isso. É uma pena que você se encaixe nesta categoria, agora se me dá licença eu preciso conversar com meu cliente e tirá-lo daqui o mais rápido possível.
Draco respira fundo tentando buscar uma calma que está longe de sentir, seu pai sempre consegue tirar dele o seu pior, mas antes que ele possa dizer alguma coisa seu celular toca e ele vê que e Xenofilio Lovegood. Alguma coisa aconteceu...
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Um pouco antes
Sirius está sozinho, ele acabou de dispensar Peter Pettigrew, a despeito da vontade de trancafiar aquele rato para sempre o detetive sabe que agora ele precisa ter sangue frio para fazer o que tem que ser feito mesmo que isso seja deixar alguém envolvido na sujeira sair neste momento. Sim, Sirius sabe que mesmo que Peter não estivesse ciente do que o cara estava fazendo ele aceitou defender o senhor Filch sem sequer questionar os motivos e isso para Sirius os transforma em um cúmplice porque Sirius sabe que seu amigo de infância nunca moveria uma palha para defender alguém sem recursos, então certamente há um motivo por trás, um motivo chamado Tom Riddle.
Ele sabe que tem uma briga pela frente, uma briga provavelmente no estilo Davi e Golias e ele sabe que não é o gigante na história. Sirius sabe que é mais fácil o inferno congelar do que o senhor Riddle passar uma noite na prisão e que a partir do momento em que ele sair as suas testemunhas passarão a correr perigo, principalmente a senhorita Lovegood.
Não se eu puder evitar... É o seu pensamento antes de se levantar abruptamente com o celular na mão, ele fará o que for preciso...
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No hospital
Draco entra assoberbado, Xenofilio não falou muita coisa, mas Draco sabe que algo aconteceu, um bolo crescente em seu estômago lhe diz isso.
Ele encontra o homem sozinho no quarto com uma feição arrasada, Luna não está lá – o que aconteceu? – as palavras praticamente saltam sem que ele tenha controle.
- Não sei direito – Xenofilio diz lutando contra as lágrimas – ela estava meio sonolenta e então tudo começou a apitar. Eles me tiraram de lá e pouco depois a levaram, eu não suportaria se algo acontecesse com a minha menina.
Neste momento o médico responsável pelo caso chega. Ele respira fundo e diz:
- A senhorita Lovegood infelizmente não resistiu...
NOTA DA AUTORA
Espero que tenha alguém por aqui, e espero MESMO que ninguém esteja querendo me matar também. Em minha defesa devo dizer que algumas coisas precisam ser feitas, mesmo que seja difícil.
Espero que tenham gostado do capítulo mesmo com este final e quem puder deixar uma palavrinha, mesmo que seja me xingando, vai me fazer muito feliz. A fic está caminhando para a sua reta final, não sei ainda quantos capítulos faltam, mas não são muitos.
Bjos e até o próximo!
