Um pouco antes na Scotland yard
Sirius observa ao longe Draco e Lucio conversarem. Eu já devia saber que ele seria chamado, ele pensa com seus botões, só um peixe grande o faria usar o seu diploma. De fato, o marido da sua prima Narcisa, pai de Draco cursou direito apenas pelo status de possuir um diploma preferindo se dedicar aos negócios escusos dos Malfoy e dos Black.
Ele sabe exatamente como Draco está se sentindo agora, Sirius sabe porque ele mesmo passou por isso anos atrás quando a sua família tentou fazê-lo, digamos, voltar a razão e abraçar o modo de vida da família. Na última vez que tentaram, isso terminou com uma violenta discussão e a mudança para a casa de James onde os pais do amigo custearam a sua faculdade até que ele recebesse uma herança de um tio que também abominava aquele modo de vida.
Para Draco as coisas foram mais difíceis ou mais fáceis dependendo do ponto de vista, seu primo em segundo grau sempre foi um garoto cordato e adaptado ao modo de vida da família, até que um dia ele saiu de casa e se inscreveu na academia de polícia. Sirius nunca soube o que aconteceu e pelo jeito introspectivo do rapaz provavelmente ele nunca saberá.
Ele vê que seu agente pega o celular e empalidece antes de sair as pressas, algo aconteceu. No entanto, ele não pode pensar nisso agora, Lucio Malfoy vem em sua direção e Sirius sabe que ele vai exigir com toda arrogância do mundo falar com o senhor Riddle, então ele se prepara para o embate...
XXXXX
Enquanto isso
Gina e Harry aguardam na sala que os mesmos utilizam para fazer o perfil do serial killer, nem é preciso dizer que ele estão entediados, entediados e apreensivos. Eles sabem que o homem sob custódia é poderoso e que não vai ser difícil que ele consiga um habeas corpus.
- Você detesta isso – Harry quebra o silêncio e sorri enquanto Gina o encara
- Esperar? Sim, eu detesto – ela diz com um suspiro – eu sempre tive problemas com tocaias, pode me julgar.
- Eu nunca faria isso, ruiva – ele diz, Harry respira fundo – a gente vai precisar conversar quando isso acabar, você sabe disso
- Você quer dizer, sobre a gente? – Gina questiona mesmo sabendo a resposta. Ela sabe que quebrou todas as suas regras com um parceiro e ela sabe que isso pode colocar em risco a sua permanência na Scotland Yard, mas ao mesmo tempo só em pensar em nunca mais ver Harry, um bolo incômodo se forma em seu estômago.
Sim, eles precisam conversar e eles farão isso quando tudo acabar, mas não agora, não quando eles recebem uma mensagem. Sirius está chamando...
XXXXX
Mais tarde
Draco não sabe direito o que aconteceu depois de ouvir que Luna Lovegood não havia resistido, ele se lembra vagamente de ter visto o pai da moça se desesperar, dos médicos tentando consolá-lo, de se recusar a ver o corpo e de sair como um autômato do hospital.
Ele ainda não acredita que Luna se foi e ele também não acredita nas lágrimas que saem dos seus olhos sem que ele tenha controle, a sensação de impotência e de que ele falhou em sua missão o assolam agora e ele não pode deixar de pensar que se ele estivesse com ela isso não teria acontecido.
Ele sabe que agora precisa focar no caso, Draco precisa voltar a ser o cara insensível que sempre foi, ele precisa se afastar da vítima e focar apenas em pegar o cara e fazê-lo pagar. Eu vou fazer isso, Luna, eu prometo...
XXXXX
Mais tarde
Harry e Gina aguardam no lado de fora da sala de interrogatório, eles não sabem direito o que Sirius está planejando, só o que eles sabem é que devem observar as reações e torcer para que alguma coisa surja e os ajude antes que algum juiz emita um habeas corpus que liberte Tom Riddle.
Harry se pergunta por que Sirius não está lá. Ele sabe que seu padrinho não deixaria isso sem supervisão mesmo com ele e Gina, então ele só pode supor que Sirius está fazendo algo importante.
Eles observam Tom Riddle que parece muito a vontade com a certeza daqueles que se julgam acima do bem e do mal.
Neste momento a porta se abre e uma pessoa entra. Harry e Gina se entreolham e sorriem, o show vai começar...
XXXXX
Enquanto isso
Sirius observa Lucio Malfoy tentando conter o asco, o marido da sua prima definitivamente tem a capacidade de tirá-lo do sério. O detetive só pode agradecer por Draco ter se tornado um homem tão correto com as influências que teve.
O detetive sabe que a despeito da vontade que Lucio deve estar de voar no seu pescoço, ele é mais sofisticado que Pettigrew e vai manter a sua pose. Então Sirius espera pacientemente que ele dê o primeiro passo.
- Desta vez você se superou – o homem finalmente se expressa e apesar do tom calmo, Sirius o conhece bem o suficiente para saber que ele está realmente furioso.
- Não me admira você considerar cumprir a lei algo condenável – o detetive rebate – desculpe eu tenho a tendência a esquecer que para você e os seus a lei só se aplica àqueles que não têm recursos para comprar o sistema.
- Eu exijo ver meu cliente agora mesmo! – o homem diz e desta vez a sua voz se altera um pouco, mas ele logo se controla – creio que ninguém aqui vai tirar de uma pessoa o direito a um advogado.
- Longe de mim, doutor Malfoy – Sirius diz enfatizando a palavra doutor – mas pensei que talvez o senhor quisesse saber de tudo antes de conversar com o seu cliente que certamente lhe dirá que tudo não passou de um terrível mal entendido – então eu vou fazer o favor de contar exatamente do que o senhor Riddle está sendo acusado antes que o senhor seja levado a ele. Agora, se não quiser tudo bem, mas eu lhe aviso a Scotland Yard vai com tudo nesse caso e o senhor não vai poder dizer que não foi avisado dos detalhes, então assine aqui por favor e eu lhe encaminho.
- Esperto, Sirius – o homem o encara – muito esperto realmente, se aproveitando da minha preocupação com um homem idoso para que eu não seja informado do que aconteceu, mas eu sou um advogado dos bons. Então tenha a gentileza de me inteirar de tudo agora antes que eu me queixe aos seus superiores que a Scotland Yard está ocultando informações e prejudicando a defesa de alguém.
- Perfeitamente, senhor advogado – Sirius diz com um semblante de desagrado – mas se Lucio pudesse ver nas entrelinhas, veria que o homem a sua frente estava sorrindo por dentro...
XXXXX
Enquanto isso
Harry e Gina veem o senhor Filch ser conduzido à sala onde Tom Riddle está. Eles sabem que isso foi ideia do Sirius e foi brilhante, afinal não há nada que diga que dois suspeitos não podem ser colocados no mesmo local. É verdade que isso nunca é feito por motivos óbvios, mas neste caso pode ser que eles consigam alguma coisa.
Eles percebem que após o susto inicial o zelador encara o homem a sua frente com um olhar de admiração num primeiro momento, depois o homem parece culpado ao passo que Tom Riddle parece desconcertado, ele se mexe em sua cadeira como se pedisse que o zelador não abrisse a boca.
No entanto as preces do homem não foram atendidas, pois o zelador diz:
- Eu não disse nada, eu juro...
XXXXX
Pouco depois
Sirius está passando o caso a Lucio Malfoy com uma riqueza de detalhes jamais feita antes. Ele precisa manter o advogado ocupado tempo suficiente para que os dois homens sob custódia se encontrem e aconteça alguma coisa que possa ser útil para o caso. Não que o detetive tenha esperanças que o senhor Riddle possa dizer algo, mas ele sabe que o zelador fatalmente o fará.
Ele sabe que não vai poder detê-lo por mais tempo, não sem que ele desconfie. Entre todos os defeitos que Lucio Malfoy tem Sirius não pode dizer que ele é um homem burro, então o detetive não pode se arriscar. Sirius só espera que Harry e Gina já tenham conseguido algo para ajudar.
Ele está prestes a dizer que não há mais nada, quando um Draco Malfoy visivelmente alterado entra na sala.
- Ela está morta – ele diz para o pai – satisfeito agora, senhor Lucio Malfoy?
XXXXX
Quase ao mesmo tempo
Harry e Gina observam a cena com a respiração suspensa, é evidente que o zelador conhece o senhor Riddle. Mais ainda, é evidente pela fala do Filch que eles possuem algum tipo de ligação. No entanto, o homem olha para o senhor Filch e diz:
- Eu não entendo, quem é o senhor?
O zelador olha para o homem sem entender. – Como assim, senhor Riddle? O senhor sabe quem sou eu, o senhor me conhece há anos, o senhor sempre me ajudou e eu sempre ajudei o senhor. Eu juro que continuo ajudando, eu nunca falei o seu nome, eu sou um homem honrado, eu cumpro com as minhas promessas.
- Desculpe senhor – Tom Riddle fala – o senhor deve estar me confundindo com outra pessoa, eu lhe asseguro que nunca falei com o senhor antes.
Filch olha para o homem que continua afirmando que não o conhece, a sua boca se abre e fecha enquanto ele encara o homem a sua frente, não com admiração, seu olhar agora é de decepção...
XXXXX
Enquanto isso
Sirius olha para seu agente, ele pode dizer que raramente viu Draco Malfoy tão transtornado. Corrigindo, ele nunca o viu perder a compostura desta maneira, o loiro está muito perto de atacar o próprio pai dentro das dependências da Scotland Yard.
- Senhor Malfoy, contenha-se! – ele se vê na obrigação de intervir – não é o seu pai quem está aqui, mas um advogado. Então mesmo que eu entenda o que o senhor está sentindo, o senhor...
- Não, você não entende! – o loiro o interrompe – uma jovem que só queria justiça perdeu a vida e nos não pudemos fazer nada (ele respira fundo), mas eu vou deixar o senhor advogado aqui fazer seu trabalho e tentar livrar um assassino da prisão.
E dizendo isso, Draco se retira perante os olhares dos dois homens...
XXXXX
De volta à sala
Harry e Gina observam a cena, a decepção nos olhos do senhor Filch é evidente e os agentes torcem para que ele diga mais alguma coisa, o que acontece em alguns minutos.
- Como o senhor não me conhece, senhor Riddle? - ele fala exasperado. Então ele se cala diante do olhar do homem a sua frente – desculpe, eu devo ter me confundido.
Neste momento um policial retira o senhor Filch, Harry e Gina se entreolham.
- Eu não entendo – a ruiva diz – está na cara que o senhor Filch conhece o senhor Riddle, por que ele mudou de ideia e disse que se enganou?
- Está na cara que ele o controlou de alguma forma – Harry pondera, ele suspira – um bom advogado pode dizer que tudo não passou de uma confusão de um homem idoso
- Droga! – Gina não contém a imprecação – então não temos nada.
- Que possa ser usado num tribunal? – Harry diz – é, acho que não, mas isso não significa que não possamos usar isso a nosso favor.
Mas antes que ele diga o que está pensando, ele recebem o recado de que Sirius está chamando...
XXXXX
Mais tarde
Harry e Gina se entreolham desanimados. Eles estão na casa de Harry, Sirius deu a notícia de que Luna Lovegood não havia sobrevivido e isso literalmente abriu o chão sob seus pés.
O agente sênior ordenou que eles fossem para casa descansar, pois amanhã seria um longo dia e embora ambos contestassem, eles acabaram obedecendo a ordem.
Harry pediu que Gina ficasse em sua casa com ele, não é preciso ser um gênio para saber que a moça ficou abalada com a notícia, não apenas porque Luna era uma testemunha importante, mas também pelo fato de uma vida ter sido ceifada.
- Isso não é justo – a ruiva diz e Harry pode ver que ela se esforça para não chorar – ela se sacrificou e talvez a justiça não seja feita.
- Ei, que pessimismo é esse? – Harry diz enquanto acaricia os cabelos da ruiva – É a Scotland Yard, sabia? Nós somos bons no que fazemos e recentemente adquirimos uma colaboradora fenomenal, alguém que está fazendo tudo para pegar o cara mau, alguém que eu... (ele para de falar abruptamente)
- Que você o quê? – Gina pergunta curiosa.
- Nada, ruiva – ele desconversa – não é nada pelo menos até isso tudo acabar, agora durma um pouco.
Por sorte o cansaço da agente faz com que ela não insista no assunto. Harry respira aliviado, por muito pouco ele não confessou que está se apaixonando pela sua parceira e que isso o assusta até a morte.
Ele jurou para si mesmo nunca mais se envolver com alguém do ramo depois de Cho, mas quis o destino que Gina cruzasse o seu caminho e embora ele não tenha admitido na época, desde que trocaram o primeiro beijo Harry estava perdido. Como diria o seu pai, os potters e suas ruivas... Segundo James, Harry até pode lutar, mas iria acabar sucumbindo.
Harry não sabe o que o destino lhe reserva agora, ele só pode esperar que tudo acabe e que ele e Gina possam ter a sua conversa definitiva...
XXXXX
Mais tarde
Gina observa Harry que dorme a sono solto. Ela conseguiu dormir um pouco, mas os acontecimentos fizeram com que seu sono acabasse antes do amanhecer.
Ela notou que Harry esteve prestes a falar alguma coisa e desistiu e Gina respirou aliviada. Ela sabe que eles devem conversar quando isso acabar, mas seu estômago se contorce só em pensar no que isso poderia acarretar. Ela tem medo que ele diga que não há futuro entre eles por causa do seu trabalho e só em pensar nisso seu coração se parte, ela não pode mais imaginar uma vida sem Harry Potter.
Ela tem que admitir que embora tenha feito tudo para não chegar a este ponto, a ruiva se encontra totalmente e irremediavelmente apaixonada por Harry e pensar que tudo pode terminar ao final do caso a deixa sem chão.
Ela suspira enquanto se aconchega a seu parceiro, falta pouco tempo para amanhecer e amanhã será um longo dia...
NOTA DA AUTORA
Finalmente atualizada! Não vou ficar perdendo tempo dando explicações para a demora já que raramente alguém aparece para comentar e isso está me deixando cada vez mais frustrada. Só o que posso dizer é que não irei deixar a fic sem finalizar e depois, bem depois veremos.
Espero que tenham gostado. Bjs e até o próximo
