JAMES SIRIUS BLACK
Electra ofegou, dando um passo para trás, mas o meu instinto foi o oposto - eu dei dois grandes passos para frente e abracei Lilu com tanta força que a ergui do chão. Os braços magricelas de Lily se enrolaram no meu pescoço e meu coração se apertou quando minha irmã caçula soluçou, apoiando o queixo no meu ombro.
- Ela apareceu no Salão Comunal da Grifinória, na madrugada de hoje. Os elfos a levaram até a minha sala. - eu ouvi Minerva explicar, quando Els perguntou como diabos isso havia acontecido. - Eles não vão dizer nada, ordenei silêncio sobre isso. Pelo o que ela me disse, foi a mesma runa que causou aquela bagunça na escola em setembro. - Minerva era esperta o suficiente para não dar essa informação de mão beijada no meio da floresta.
- Puta que pariu. - Electra xingou e eu coloquei Lilu de volta ao chão. Els se aproximou, passando a mão pelos cabelos da minha irmã:
- O que eu lhe disse na última vez em que nos vimos?
- Não acredita que seja eu?! - Lilu pareceu ofendida. Eu também fiquei ofendido, porém Els foi firme:
- Preciso ter certeza. Então, o que eu lhe disse na última vez em que nos vimos? - ela repetiu. Lily encarou minha namorada, revirando os olhos:
- Que você não sabia se contava a James sobre o que Davies fez a você. - Lily respondeu. - Serve?
- Serve. - Els puxou Lilu para um abraço apertado. - Merlin, que bom que está segura. Podia ter dado tão errado. Você estava sozinha…
- Eu aprendi com os melhores. - Lilu se afastou. - Vocês sempre disseram que, se eu visse alguma coisa esquisita e não encontrasse ninguém conhecido, deveria ir atrás do diretor. Ou diretora, no caso. - ela pareceu ansiosa.
- Vamos entrar. - eu decidi e olhei Electra, que assentiu:
- Vamos. - ela se inclinou na direção de Lilu e murmurou o segredo no ouvido dela e depois fez o mesmo com McGonagall. Lilu enrolou o braço no meu e eu a levei para a Mansão Nott, onde todos esperavam para ver quem era o novo morador.
Eles estavam todos perto da escadaria da entrada da Mansão, com varinhas empunhadas, esperando um ataque. Eu acenei para que abaixassem a varinha, o que eles fizeram imediatamente. Meus olhos imediatamente encontraram Alvo, que ficou pálido ao reconhecer a ruiva ao meu lado. Anabelle colocou a mão sobre a boca, incrédula.
Mas foi a reação de Cygnus que quebrou o silêncio:
- Lily! - ele gritou, correndo até nós assim que passamos pelo portão e Cyg pôde ter certeza de quem trazíamos. Lily largou meu braço imediatamente, correndo até o namorado.
Ninguém teve coragem de separar os dois, enquanto eles choravam, Lily nos braços de Cygnus e ela com as mãos segurando o rosto dele.
- Eu suponho que esta seja sua irmã caçula. - Pontas deslizou para o meu lado.
- A própria. - eu passei a mão pelo rosto, enquanto Anabelle e Alvo vinham na nossa direção, com expressões ansiosas:
- O que aconteceu? Como ela veio parar aqui? - Al perguntou, olhando a professora.
- Acredito que foi a mesma runa que os trouxe até aqui. - Minerva explicou, suspirando. - Estou pensando em isolar a área por um período. Não posso arriscar mais um viajante do tempo ser pego.
- Quem a pegou? - Anabelle questionou.
- Os elfos-domésticos, graças a Merlin. - Minerva se remexeu, inquieta. Alvo assentiu e girou nos calcanhares:
- Eu sei que você namora a minha irmã, mas é a minha vez. - ele deu um tapinha no ombro de Cyg, que soltou Lily contra a vontade. Lilu abraçou Al e depois Anabelle, os olhos ainda vertendo lágrimas.
Ela devia estar apavorada. Merlin, eu estava apavorado quando vim parar aqui e estava em um grupo grande. Ela estava sozinha e era a mais nova do nosso grupo.
- Acho que precisamos de um chá. - Alyssa disse alto o suficiente para chamar a atenção de todos. - Vamos entrar, todos. Para a sala de cristais.
Lily Luna estava um pouco mais alta do que da última vez em que eu a vira, com menos sardas e pele mais pálida - claramente o tempo havia passado desde quando tínhamos viajado.
- Estão todos malucos atrás de vocês cinco. - ela disse, por fim, depois das devidas apresentações. - Vocês sumiram bem debaixo do nariz de McGonagall, no meio da escola, em um ambiente seguro.
- Já houve alguma mudança? - Els perguntou, ansiosa. Lils encolheu os ombros:
- Bem, Sirius apareceu e, até então, estava morto. - ela foi enfática. - Mortos estão voltando, Electra, e coisas estranhas estão acontecendo.
- Ok. - Els respirou fundo. - Voldemort?
- Ainda não deu as caras.
- Menos mal. - Els apoiou as costas contra a poltrona escolhida por ela. - Podia ser pior.
- Minha irmã viajou sozinha no tempo. - eu olhei minha namorada, indignado.
- Ela está viva e coisas esquisitas aconteceram, porém estão sob controle. Podia ser pior. - Electra repetiu. Lilu se ajeitou, olhando para Bells e Al:
- Então, em todos esses meses vocês se resolveram? - ela sorriu de leve, as mãos ainda em torno de uma xícara de chá. Cygnus tinha se recusado a sair do lado dela, mantendo o corpo mais próximo possível do da minha irmã.
- Sim. - Al revirou os olhos. - Mas essa nem é a grande notícia. James e Electra se casaram.
- O que?! - Lilu me encarou, boquiaberta, os olhos castanhos cheios de incredulidade. - CASADO?!
- Não é bem assim. - Els emendou, sacudindo a cabeça, enquanto Aric ria, alegre. - Eu precisava de uma runa de ancoragem para conseguir acessar a Magia Ancestral e eu não sabia que essa runa também tinha essa função.
- Mas a runa saiu? - Lilu me encarou, mas eu não tive a chance de responder.
- É permanente. - Al sorria. - Electra e James estão ligados um ao outro pela eternidade. Corpo e alma e tudo mais.
- Mas não tem aliança? - ela esticou os olhos para a mão de Electra, que riu:
- É uma ancoragem, Lily, não um casamento de fato. Seu irmão e eu não somos casados no papel.
- Ancoragem uma ova! - Aric pareceu indignado. - Eles se casaram sim! Eles sentem o outro pela runa, pelas cuecas de Merlin. Minha família usava essa runa como símbolo de casamento e ela tem a audácia de negar a real função dessa runa!
- Sua família deturpou o sentido real da runa. - Els cortou, seca.
- Eu estou me sentindo rejeitado. - eu olhei minha namorada, que suspirou, dando um beijinho na minha bochecha:
- Desculpe. - ela dise, delicadamente. - Lilu, vamos ao essencial, então.
- Certo. - ela se empertigou e Cyg mudou de posição, de forma a ficar de costas para a porta, protegendo minha irmã de algo invisível.
Eu queria ficar bravo com ele, mas não conseguia. Talvez pela alegria de Lilu em ver Cyg, talvez pela forma como ele a protegia desde que ela tinha chegado.
- Como você ativou a runa? - Electra foi direto ao ponto. Lilu suspirou:
- Eu não conseguia dormir. Estive procurando por vocês, todos nós estivemos. - ela contou. - Nós, os ainda alunos, na escola. Entramos na floresta, invadimos salas trancadas, e nada. Nunca imaginamos uma viagem no tempo, mas depois que Sirius apareceu ficou esquisito.
- E os outros? - eu perguntei.
- Não sei. Foi Atlas que o encontrou. Ele estava vasculhando Grimmauld Place, disse que Electra considerava aquele um lugar seguro e talvez alguma pista estivesse ali. Atlas disse que Sirius simplesmente apareceu no meio da cozinha e ele quase teve um infarto. É estranho, porque ele está velho como vó Molly. - Lilu contou, olhando para Sirius, assombrada. - Sei que papai foi a Godric's Hollow este final de semana, mas não me disse nada.
- Godric's Hollow? - Pontas franziu a testa.
- É lá que moravam quando… Bem, quando tentaram matar meu pai. - Al explicou. Pontas assentiu:
- Ele foi nos procurar.
- Provavelmente. Estamos causando uma bagunça no espaço-tempo. - Cygnus suspirou. - Ok. Tudo bem. Como encontrou a runa?
- Eu não estava procurando. Só estava sentada, perto da lareira e tem um buraco no tapete…
- Só pode ser brincadeira. - Els murmurou, ao meu lado.
- E eu vi uns traços estranhos. Eu mexi um pouco, mas decidi parar porque podia ser perigoso e eu não sabia o que era, mas aí tudo brilhou e eu acordei aqui. - Lilu encolheu os ombros.
- Eu realmente estou na porra de uma creche. - Electra resmungou e eu lutei contra um sorriso. - E você se lembra da runa? - ela questionou, mais alto.
- Em partes. Está procurando? - Lilu perguntou, se ajeitando.
- Ela está criando a runa, Lily. - a voz de Cygnus era firme. - Electra acessou a Magia Ancestral e está mexendo com Alquimia para nos levar de volta para casa.
- Ah. - Lily engoliu em seco. - Então não é nada já criado.
- Não. Estou trabalhando nisso, mas não sozinha. - Els explicou. - Cyg fez a mandala, Al fez a tintura com Bells. James e eu estávamos na runa, mas agora ele me abandonou para lidar com a guerra e meu irmão está comigo na criação da runa agora.
- Eu sempre disse que você se daria bem em Alquimia. - Lily olhou para Cyg, que sacudiu a cabeça:
- Prefiro DCAT.
- Claro que prefere. - ela revirou os olhos. - Eu estou na turma de Runas Antigas e Aritmancia. Posso ajudar, também.
- Toda ajuda é bem-vinda. - Els sorriu para minha irmã. - Como estão todos em casa? Estão bem? Eu sei que estão preocupados, mas…
- Estão doidos de preocupação, mas bem. - Lilu prometeu. - O Quartel de Aurores parou tudo para procurar por vocês. Mas já sabem o que me trouxe aqui e como as coisas estão em casa. Quero que me contem o que andaram fazendo para trazerem Sirius de volta à vida.
- Eu não acredito que perdi a luta do basilisco. - Lily reclamou, praticamente escorada em Cygnus, que beijou a cabeça dela.
Tudo bem. Sem pânico. Eu tinha quase arrancado a roupa da irmã dele e Alvo tinha dormido com a outra irmã.
Aquele era só um beijinho na cabeça. Carinhoso. Inocente.
- Ah, nem foi o pior. - Bells comentou, alegre. - Electra ficou dias inconsciente quando acessou a Magia Ancestral. Ah, e Al matou o Sr. Nott.
Lilu me encarou, boquiaberta:
- Você sabia disso?
- Sim, sabia. Mas ele mereceu, então sem reclamações da minha parte. - eu sacudi os ombros. - Electra, Al, Cyg e Aric o encurralaram em St. Mungus e fizeram o que precisava ser feito.
- Ele foi tão ruim assim? - ela sussurrou, os olhos ainda arregalados.
- Ele ameaçou e torturou Anabelle, James, Aric e Remus. - Alvo respondeu, a voz seca. - Ele merecia pior, mas estávamos sem tempo, com o Moody socando a porta e tentando entrar.
- E está tranquilo com isso?
- Eu fiz o que deveria ser feito. - Al foi displicente. Cyg, por sua vez, ficou subitamente quieto, quase imóvel. - O que ele ameaçou fazer com Anabelle, o que ele fez a nosso irmão e nossos amigos… Ele teve uma morte rápida, na minha opinião.
- Confio no julgamento de vocês. - Lily murmurou. - Mas ainda é estranho saber que você matou uma pessoa.
- Alvo não foi o único a cometer assassinato. - Els interrompeu, os olhos encarando rapidamento Cyg, que ainda estava imóvel. - Eu matei meu bisavô. Nós vamos explicar tudo conforme as coisas forem acontecendo. O que você precisa saber agora é que estamos com algumas coisas para resolver: temos duas Horcruxes para serem capturadas, temos que caçar Voldemort e matá-lo, temos que terminar a runa e garantir uma viagem no tempo segura.
- É muita coisa. - Lilu encolheu os ombros, a mão ainda segurando a mão de Cygnus, como se tivesse medo de que ele sumisse novamente. - Como posso ajudar?
- James e eu vamos procurar pelo medalhão. Lily e Pontas vão procurar pela Taça. - Els explicou, por cima. - Você precisa de treinamento antes de sair em campo, então não vai sair tão cedo. Irá treinar com Caradoc e Fabian e com alguns de nós quando tivermos tempo livre. Nesse meio tempo, enquanto fica presa aqui dentro, pode me ajudar com a Runa. Merlin sabe que eu preciso de muita ajuda nesse departamento.
- Já testou algum protótipo? - Lilu se inclinou na direção de Els.
- Sim, uma pedra, e ela ficou perdida por tanto tempo que retornou cheia de musgo e erodida. - Els encolheu os ombros. - Estou melhorando a runa, mas preciso de ajuda. Você está com a mente fresca e ainda não se sente como se seu cérebro estivesse com a consistência de um pudim. Vou te passar tudo o que tenho, quem sabe você consiga pensar em alguma coisa.
- Vamos criar uma runa nova ou um código?
- Tanto faz, eu só quero ir para casa em segurança. - Els disse, sinceridade pingando da voz dela. - Iremos depois de acabar com essa guerra, mas gostaria de realizar alguns testes antes de enviar seis pessoas em uma viagem no tempo.
- Bem, então vamos começar amanhã. - Lily bocejou e depois olhou para as pessoas que realmente pertenciam a este tempo. - Eu realmente não tenho nada. Só a roupa do corpo e a minha varinha.
- Não se preocupe. - Pontas respondeu, tranquilo. - Vamos arranjar tudo para você.
- Você pode ter um quarto para você, Lily, ou dividir com Cygnus se quiser. - Aric emendou.
- Não! - Al e eu gritamos ao mesmo tempo. Bells e Electra riram baixinho, enquanto Lily corava:
- Posso dividir com as meninas. - ela disse, timidamente.
- Ah, elas dormem com os seus irmãos. - Aric fez um gesto de descaso, mas um sorriso brincava na boca dele. Ele sabia que a frase tinha duplo sentido, mas nem tentou consertar.
- Ela tem dezesseis anos. - eu lembrei. - Ela não vai dividir a cama com um homem.
- Você foi pego com Electra no escritório dela. Você estava sem camisa, o vestido dela estava aberto e eu não sei se quero saber onde diabos a sua mão estava! - Cygnus protestou. Remus riu, cruzando os braços. - Lilybug, você pode ficar onde quiser. Ignore os seus irmãos. Eles dormem na mesma cama que as minhas irmãs, então eles não têm moral alguma para definir onde você ficará.
- Acho que vou ficar com você. - Lilu olhou para Cyg. - Ou você ou as meninas, mas como elas já estão… Ocupadas, - ela estreitou os olhos para Anabelle e Electra, ambas fingindo que não estavam sendo mencionadas na conversa. - fico com você. Mas não conte ao papai. Ele vai matar você e o seu pai por ter te criado assim.
- Seu irmão quase arrancou a roupa da minha irmã. Esse será o meu argumento. - Cygnus pareceu despreocupado.
Lilu riu:
- Ah, tio Atlas vai amar saber disso. - ela pareceu satisfeita, olhando para mim, sem ter a menor ideia de que Alvo tinha passado um patamar que nem mesmo eu e Els tínhamos chegado, apesar dos constantes flagrantes.
Alvo, como o desgraçado que era, riu:
- James deve muitas explicações a Atlas. - ele alongou os braços, fingindo inocência.
Sim, sim, jogue o irmão aos lobos.
- Vamos. Vou ajudar você com algumas coisas e depois você pode cochilar. - Els ficou de pé e acenou para que Lily a seguisse. - Você está com olheiras imensas.
- Não durmo direito há meses e certamente não preguei os olhos desde que vim parar aqui. - Lilu se queixou, enrolando o braço no de Bells, enquanto as garotas Black, minha irmã, Lily Evan e Alyssa a levavam escadaria acima.
Quando a conversa delas desapareceu, eu encarei Cygnus:
- Ela tem dezesseis anos. Se eu desconfiar que a sua mão saiu da cintura dela, você não vai dar continuidade à linhagem Black, está me entendendo? - eu alertei. Al assentiu, do meu lado:
- Quando ela completar dezessete, vocês podem se entender. Antes disso, Lilu é responsabilidade minha e de James. Mantenha suas calças no lugar.
Corajoso, considerando o que ele tinha feito com a irmã gêmea do melhor amigo. Cygnus suspirou:
- Eu tenho autocontrole e ela é menor de idade. - ele revirou os olhos.
- Bom. - eu cortei, passando a mão pelo rosto. - A mamãe vai ficar puta quando souber que Lily andou mexendo com runas desconhecidas.
- Eu achei poético, considerando que o namorado dela fez a mesma coisa. - Aric jogou uma almofada para o alto, deitado no chão. - Então, professora, como andam as coisas na escola?
ELECTRA ADDHARA BLACK
Lilu dormiu boa parte do dia - ela só se levantou para jantar e tomar um banho. Cygnus não saía do lado dela e tinha confessado que não sabia se aquilo era real:
- Eu sonhei tanto em ver Lilybug de novo, mas não assim. Não aqui, no meio de uma guerra e com o Lorde das Trevas em ascensão. - ele comentou, enquanto ela tomava banho. - Como vou contar a ela o que fiz?
- Ela não vai ficar brava. Só surpresa, mas acho que todo mundo vai. Quer dizer, nós matamos uma pessoa. - eu ponderei. Cyg assentiu, mas ainda tinha uma expressão preocupada. - Conte aos poucos. Não minta, mas não precisa jogar tudo em cima dela agora. Lilu vai ter que se adaptar à nossa rotina e tudo o que estamos lidando. Tenha calma e paciência. E, por favor, lembre-se de que ela é menor de idade e James o mataria se você fizesse alguma coisa.
- Como se ele não tivesse feito nada com você. - Cyg resmungou. Eu sacudi os ombros:
- James e eu somos legalmente adultos tanto no mundo bruxo quanto no mundo trouxa. - eu lembrei. - Em tese, somos casados perante a Magia Ancestral.
- Então ele fez…
- Não, não fez. - eu corei, sacudindo a cabeça. Cyg ergueu as sobrancelhas, descrente, mas Bells deu uma risadinha.
Claro. Ninguém acreditava em mim. Não depois que Sirius saiu aos berros, xingando meio mundo por ter visto James sem camisa e eu com o vestido todo aberto há uma semana.
- Eu não vou entrar em detalhes, mas estamos indo devagar. - eu revirei os olhos, ainda corada. - Mas, se precisar de ajuda ou quiser conversar sobre isso, estou à disposição. - eu me levantei.
- Eu não vou discutir sexo com você. - Cyg fez uma cara de nojo.
- E eu preferia não ter que fazer isso, também, mas sou a responsável por você aqui. Então, infelizmente, sou a pessoa que você deve procurar caso precise discutir isso. - eu sacudi a cabeça. - Ou prefere ir falar com James?
- Merlin, não! - ele gritou, horrorizado.
- Então tem a sua resposta. Se precisar, é só me puxar para um canto. - eu suspirei e acenei para Bells me seguir. - Vamos deixar a Lilu descansar. Amanhã retomamos as tarefas.
Bells deu um beijinho na bochecha de Cyg e eu a imitei antes de sairmos de volta para o corredor e irmos para o quarto dela. Anabelle fez careta quando eu apontei para que ela entrasse no meu quarto, onde James e Al estavam. Eu lacrei a porta atrás de mim e os três me encararam, sérios.
- Nós vamos ter que resolver algumas coisas. - eu comecei. - Em primeiro lugar, Alvo e Anabelle, tomem cuidado. E, sinceramente, acho que talvez Cyg mereça saber o que vocês andam fazendo pelas costas dele, mas isso não é uma decisão minha.
- Ele vai me matar. - Al sibilou.
- Pensasse nisso antes. - James cortou. - Ainda não acredito que você não teve a capacidade de usar um feitiço ou uma poção contraceptiva.
- Eu não vou discutir isso com vocês. - Anabelle sacudiu a cabeça.
- Isso não é opcional. - eu cortei. - Mas não se esqueçam disso. E deem um tempo aos dois. Cyg e Lilu têm muita a discutir sobre tudo o que aconteceu aqui e o que está acontecendo em casa. Tenham paciência com ele, Cyg está com os nervos à flor da pele e ela também.
- Certo. - Al assentiu. - Mas se ele…
- Você não tem moral nenhuma. - eu cortei. Al resmungou, azedo. - E conversar com eles será responsabilidade minha e de James.
- Eu não vou falar com a minha irmã caçula sobre isso! - James pareceu horrorizado.
- Eu vou falar com a Lily. Você fala com Cygnus. - eu propus. James jogou os óculos na cama e passou a mão pelo rosto, indignado:
- Isso é um pesadelo. - ele sacudiu a cabeça. - Alvo, ele é seu melhor amigo…
- Agora eu sou adulto o suficiente para ser responsável por outra pessoa? Até ontem a noite você era o irmão mais velho responsável por mim, mesmo que eu seja maior de idade, agora você quer me passar essa bomba? - Al reclamou.
James afundou o rosto nas mãos:
- Vou falar com Cygnus se for preciso.
- Não. Você vai falar com Cygnus amanhã cedo e eu levarei Lily para Alyssa. Sem bebês nessa casa. - eu sentei na cama, exausta.
- Isso é um pesadelo. - Anabelle sacudiu a cabeça, incrédula. Eu olhei minha irmã, que era abraçada por Al:
- Falando nisso, a poção está em dia, certo?
- Ah, Merlin, de novo não! - Bells guinchou.
- Certo? - eu insisti.
- Certo. Tudo em dia, como deve ser. - Bells murmurou, vermelha como um rabanete.
- Outras medidas estão sendo tomadas? - James olhou Alvo, que lançou um olhar lancinante para ele:
- Anabelle já respondeu, esse assunto não precisa se prolongar. - ele segurou a mão de Bells e a puxou em direção à porta. - Boa sorte amanhã.
James e eu fizemos caretas e nossos irmãos saíram do quarto.
- Eu gostava de ser a irmã mais velha quando podia puni-los por terem pegado pesado e acabado em detenção. - eu reclamei, me deitando na cama e encarando o teto. - Eu vou cobrar meus pais quando voltarmos. Quero uma reparação em dinheiro pelo trauma que estou vivendo com esses dois tentando não ser tia no meio de uma guerra.
James riu e mudou de assunto de uma forma nada sutil.
- Ah, nossa. - Lilu arregalou os olhos quando eu levitei a pilha de pergaminhos até ela, na manhã seguinte. Ela ainda estava tímida, bem diferente do habitual, se acostumando com tanta gente nova e que conhecíamos apenas por histórias contadas. - Está pesquisando isso desde quando?
- Desde setembro. - eu suspirei. - Se quiser adicionar alguma coisa, fique à vontade, mas isso é o que temos atualmente.
- Eu nem sei se tem algum livro aqui que você não tenha lido. - Anabelle comentou, ainda lendo sobre Fogo Maldito. - Você debulhou a biblioteca da Mansão Potter e está debulhando a dos Nott.
- E vou debulhar a de Grimmauld Place se precisar. - eu comentei. - É uma pena que eu não tenha acesso à Mansão Rosier, Evan não quer me deixar ir.
- E a Yaxley? Eles devem ter algum livro raro lá também. - Lilu começou a separar as anotações em pilhas que fariam sentido apenas para ela: para mim tudo ali era interligado, mas ela claramente estava analisando as coisas de uma forma diferente.
- Está sob o poder de Corban, nosso tio. Não é uma opção agora. - eu lamentei. - Mas se qualquer uma dessas mansões cair nas minhas mãozinhas, podem apostar que eu estarei lá no minuto seguinte.
- Você não pode ir sozinha. - Aric lembrou, virando uma página do livro Feitiços Mui Malignos.
- Eu levo James. - eu sacudi os ombros e me recostei na cadeira.
- Claro que vai levar James. - Cygnus manteve os olhos no livro puído que lia. - Você só quer uma oportunidade para ficar sozinha com ele.
Lilu riu.
- Não é isso. - eu guinchei, corando. - James é minha dupla desde sempre. Nós dividimos o berço, Cygnus, e ele treinou comigo no quartel quando estávamos em casa. É só… Ele me conhece melhor do que ninguém e nós conseguimos nos entender sem precisar falar nada. É só mais fácil.
- Então, Bells e eu somos difíceis? - Cyg estreitou os olhos.
- Anabelle não me obedece há semanas e você nunca obedeceu. - eu cortei, seca, ignorando a risada alegre de Aric. - Desculpe se isso é um empecilho para o cumprimento de missões.
- Você, por acaso, já foi à Mansão Yaxley? - Aric finalmente me encarou, sério. Eu sacudi a cabeça, negando. - Então James não é sua melhor opção, Alyssa é. Talvez Evan. Se você acha Grimmauld Place recheada de feitiços malignos, você não tem noção do que a aguarda na Casa Ancestral de Aly.
- Impossível ser pior do que aqui. - eu retorqui. - Seu pai tinha uma Mortalha-Viva de estimação.
- E quem disse que os Yaxley não tem algo igualmente ruim? - Aric sacudiu a cabeça. - Não seja ingênua, Electra. Muito menos imprudente. A Mansão Rosier é perigosa, Grimmauld Place é bem pior, mas nada se iguala aos Yaxley.
- Agora eu quero muito ir à Mansão Yaxley. - Lilu disse, com sinceridade. - Imagine o que deve ter lá. - os olhos dela brilharam com expectativa. Cyg sacudiu a cabeça:
- Quando voltarmos para casa e a Mansão Yaxley estiver sob poder da nossa família, poderemos ir para lá. Agora não é nem uma opção. Mesmo porque está sendo reformada.
- Ah, certo. Feitiços de proteção e maldições voando a torto e direito. - eu passei as mãos pelo rosto. - Vou ter que me contentar com a sua biblioteca, Aric.
- Fique à vontade. - Aric voltou a ler.
- Seu pai não tem uns livros escondidos não? Eu sei que meu pai tem. - eu encarei o Nott, que sacudiu a cabeça:
- Claro que tem. E estou lendo um por um antes de dormir. Se achar alguma coisa útil, eu entrego a você.
- Você está fazendo livros de refém! - eu reclamei e Aric riu:
- Ah, não. Nem tente. Eles não tem nada de runas antigas e magia do tempo, Electra. Só magia negra.
Eu bufei:
- Quando terminar, me empreste. Eu gosto de ler antes de dormir. - eu suspirei.
- Magia Negra é reconfortante? - Aric perguntou, ácido.
- Me lembra dos gritos de Walburga em Grimmauld Place. - eu respondi com doçura.
Aric não segurou uma risada:
- Você é péssima. - ele sacudiu a cabeça.
- Ainda sou sua favorita. - eu cantarolei, abrindo meu próprio tomo para continuar a pesquisa sobre Fogo Maldito.
Aric Nott não negou.
- Vamos fazer uma reunião geral após o almoço. - foi a primeira coisa que James me disse, quando veio até a mesa que eu dividia com a irmã dele, os gêmeos e Aric.
- Ah, nossa. Por que? - eu franzi a testa.
- Fabian e Caradoc vão sair esta noite, para a missão de Olho-Tonto, temos um plano concreto para a caçada das Horcruxes e precisamos nos atualizar sobre a sua runa. - ele explicou, passando os dedos pelos cabelos da irmã caçula. - Como você está, Lilu?
- Estou bem. Sua esposa é genial. - Lilu ergueu os olhos de um dos pergaminhos. - Isso é digno de uma tese da Academia Britânica de Alquimia.
- Ah, que ela é genial, eu sei. - James sorriu. - Conseguiu encontrar outra possibilidade dentro das anotações dela?
- Por enquanto não vi nada defeituoso. - Lily voltou a olhar para mim. - Você tem que submeter isso para a Academia quando voltarmos para casa. Isso é genial, Electra. Genial, aterrorizante e provavelmente a coisa mais impressionante que eu vi você fazer e eu lembro que você aparatou por acidente quando tinha onze anos.
- Perdão? - Aric arregalou os olhos.
- Ela realmente não contou metade das coisas que fez. Não se preocupe, eu conto tudo. - Lilu deu tapinhas no ombro dele. - Sabia que ela simplesmente converteu um Selwyn? Ela saiu com ele, fez ele se apaixonar e em duas semanas ele estava defendendo nascidos-trouxas. Foi inspirador.
Cygnus riu alto, junto de Anabelle, enquanto Aric parecia impressionado. James respirou fundo:
- Isso é recente demais, Lily. Eu ainda não esqueci a vez em que peguei os dois atrás de uma tapeçaria. - ele resmungou. Lilu riu:
- Ah, mas foi fantástico. - ela disse, alegre. - Ele estava saindo com uma prima nossa, a Lucy, quando vim para cá. Parece que foi deserdado, ia passar a páscoa lá na Toca.
- Você converteu um Selwyn? - Aric se recuperou. - Merlin, eu preciso contar isso a Evan. - ele se levantou de supetão e saiu com pressa. - Um Selwyn, Merlin!
- Você tinha mesmo que mencionar Adrian? - eu revirei os olhos.
- Sente falta dele? - Lilu fez bico e eu sacudi a cabeça:
- Seu irmão beija muito melhor do que Adrian. - eu cortei, seca. Lilu fez uma cara de horror, mas eu continuei. - Como é que eu vou explicar para Sirius que eu namorei um Selwyn?
- Eu quero ver você se explicar para Evan. - os olhos de Anabelle brilharam. Eu sacudi a cabeça, cansada:
- Vocês são terríveis.
- Espere até Al voltar a sentar com a gente. Só vai melhorar. - Lilu cantarolou. James respirou fundo:
- Almoço, pessoal. Depois temos reunião. - ele lembrou. - E, por favor, pare de mencionar Selwyn. Eu fico lembrando daquela maldita tapeçaria e isso me dá arrepios.
- Você, mocinha. - Sirius veio na minha direção como um lobo faminto. James, pela primeira vez na minha vida, não tomou uma posição minimamente protetora.
Não, não.
Ele me largou nas mãos de um Sirius Black indignado, seguido de perto por um Evan Rosier aparentemente furioso.
- UM SELWYN? - Sirius urrou. Pontas jogou um pedaço de bacon frito direto na boca:
- Ah, isso vai ser divertido.
- Era uma aposta e ele se converteu. Está namorando Lucy Weasley, segundo Lilu e foi deserdado. - eu disse, cuidadosamente. - E ele era ridiculamente bonito, me desculpe se eu fui motivada por aparências.
- Ele é neto de um Comensal da Morte! Um dos mais leais! - Evan bradou.
- E, até onde era sabido, eu também era. - eu encolhi os ombros. A pálpebra de Evan tremeu. - Escute, era mesmo uma aposta…
- Então por que você estava se agarrando com ele atrás de uma tapeçaria? - Alvo gritou, do outro lado da cozinha. Alyssa sufocou uma risadinha. Eu olhei James, que sacudiu a cabeça:
- Eu ainda tenho pesadelos com essa cena. - ciúme e ódio queimavam no peito, efeito da runa de James em mim.
- Espere. James pegou Electra se agarrando com um Selwyn? - Remus sorriu como se tivesse recebido a melhor notícia do ano.
- Não só pegou como colocou os dois de detenção separadamente, tirou pontos da Sonserina e da Grifinória e reportou a Longbottom o que ele viu. - Lilu pescou um pedaço de bacon, parecendo alegre. - Foi divertido.
- Nós terminamos pouco depois porque Selwyn disse que claramente eu tinha uma relação complicada com James e ele não ia ficar no meio dessa bagunça. - eu revirei os olhos. - Satisfeito?
- De forma alguma. - Sirius passou as mãos pelos cabelos. - Isso é um pesadelo. Eu achei que ela fosse como eu, mas não, ela estava se enroscando pelos corredores com um Selwyn!
- Atrás de uma tapeçaria. - eu corrigi. - James que foi atrás de mim.
- Obrigado por tirá-la dessa bagunça. - Evan olhou James, respirando fundo. - Um maldito Selwyn. Quer saber? Quando vocês nascerem, eu vou fazer questão de garantir que comecem a namorar logo cedo.
- Eu digo quarto ano. - Sirius se jogou na cadeira. - Eu vou precisar de um Obliviate, Alyssa. Por favor, apague essa memória.
- Aproveite e apague a minha. - James emendou, arrancando uma risada alta dos outros.
- Você o derrubou da vassoura em um jogo de quadribol. Com uma Goles! - eu guinchei.
- E não me arrependo. - James quase mostrou os dentes para mim, ainda azedo com a lembrança.
- Como se você não tivesse se engalfinhado com a Parkinson! - eu joguei os braços para cima.
- Ah, agora vamos começar a divulgar tudo? - Alvo perguntou, alegre. Eu lancei um olhar mal-humorado para o Potter. - Continuem, isso está parecendo uma novela mexicana e eu estou sedento pelo próximo capítulo.
- Eu ainda não me esqueci. - eu apontei uma unha afiada para James e encarei Pontas. - Não vai dizer nada?!
- Potter são charmosos. - ele deu de ombros. - Mas ainda acho que namorar uma Parkinson é um pouco demais.
- E eu só fiz isso depois do Selwyn. - James pontuou.
- As duas vezes? - eu coloquei as mãos nos quadris. - Porque Selwyn e eu namoramos brevemente no quinto ano, mas você e Parkinson eram pegos com certa frequência.
- A primeira foi porque ela era bonita. A segunda foi por causa de Selwyn. - James se justificou, erguendo o queixo.
- Eu vou matá-lo. - eu sibilei, meu rosto cada vez mais quente. Alvo riu, alegre. - E pare de rir, Alvo. Eu vi você com Avery.
- AVERY?! - Anabelle guinchou, indignada. - AQUELA RATAZANA NOJENTA?
- Ah, isso está ficando cada vez melhor. - Reggie comentou com Remus, que riu em concordância.
- Aconteceu uma vez e nunca mais. - Al ergueu as mãos, em gesto de rendição. Ele fechou a cara em seguida. - E não é como se eu não tivesse visto você com Travers.
- Vocês têm alguma coisa com Comensais da Morte ou eu estou vendo coisas? - Evan bradou, indignado. - Isso é coisa sua! - ele acusou, apontando para Sirius.
- Eu nunca namorei filhotes de Comensais da Morte. - Sirius sacudiu a cabeça. - Essas duas é que são problemáticas.
- Ah, é por que você não sabe sobre Cygnus! - eu guinchei. - Metade da Sonserina, incluindo herdeiras de Comensais da Morte, corvinais, grifinórias, lufanas… Ele não tem preferência. Se usa saias, ele está se enroscando pelos corredores!
Lilu olhou para Cyg, que manteve os olhos em mim, levemente pálido.
- Nós falaremos sobre isso depois. - ela sibilou. Cyg fez uma carranca:
- Eu a vi com Zabini. Se você vai se engalfinhar com Comensais da Morte, eu também vou.
- Esse é o melhor dia da minha vida. - Aric disse, alegre. Eu sacudi a cabeça, azeda:
- Esqueçam Selwyn. Por favor.
- Eu estou tentando, mas não consigo! - James bradou. - Três anos tentando e toda vez que eu escuto aquele filho da puta conversando com alguém eu lembro das suas risadinhas atrás daquela merda de tapeçaria!
Eu apertei a ponte do nariz, exasperada:
- Nós vamos discutir isso depois. - eu sibilei. - Ainda não esqueci de Parkinson, James. Foi muito pior do que Selwyn e eu.
James travou a mandíbula e olhou para Caradoc e Fabian, que pareciam alegres com o desenrolar da situação:
- Vamos almoçar e discutir a guerra. Depois vamos falar de Selwyn e Parkinson, Electra. Sozinhos. - ele foi firme. Eu virei a cara, ainda furiosa, e não respondi.
Algumas coisas foram definidas naquela reunião: primeiramente, a runa não seria a minha prioridade até que as duas últimas Horcruxes fossem encontradas - Lilu tomaria meu lugar, procurando por falhas e formas de melhorar o que eu tinha criado, enquanto eu caçava o medalhão com James. Claro que todo e qualquer teste seria feito por mim, já que eu era a única com acesso a Magia Ancestral, mas Lilu tomaria conta disso com os gêmeos e Aric. Em segundo lugar, Caradoc e Fabian iriam sair hoje a noite e não sabiam dizer quando voltariam - então, a partir de agora James e Pontas tinham a liderança da nossa frente de guerra com as Horcruxes. James e eu iríamos para as praias em quatro dias, enquanto Lily e Pontas iriam para Londres ao mesmo tempo, investigar o Orfanato de Voldemort, a casa da Sra. Cole e tentar encontrar alguma coisa.
Todos os outros ficariam na Mansão, preparando poções de cura, treinando duelos e feitiços complexos - era a reta final, agora. E destruir as Horcruxes era nossa maior prioridade. Enquanto James e Pontas estivessem ausentes, Sirius e Evan seriam a cabeça da casa, o que tinha sido aceito tranquilamente pelos outros.
A reunião durou horas até termos um consenso - tempo suficiente para Caradoc e Fabian terem que se despedir de nós antes de irem encontrar Moody, o que fez meu estômago se retorcer: e se aquela fosse a última vez em que eu os veria?
Eu sacudi a cabeça, afastando esses pensamentos. Sem mais mortes. Já era quase hora do jantar e, depois da ida dos dois homens mais velhos, eu não tinha vontade nenhuma de descer.
- Evan vai vir aqui nos buscar se não descermos para jantar. - James disse, secando o cabelo com a toalha de uma forma tão desleixada que os cabelos dele ficaram ainda mais bagunçados.
- Pode ir, se quiser. - eu respondi, ainda encarando o dossel verde escuro. - Eu estou sem fome.
- Por causa de Parkinson e Selwyn?
- Não. - eu cortei, seca. - Embora lembrar o que você fez com ela me deixe absolutamente irritada, não é isso. - eu respondi. - Só… Estamos perto de acabar com essa guerra, mas ainda não temos um meio certo de voltar para casa. E Caradoc e Fabian foram em uma missão super secreta que eu não tenho ideia do que diabos seja e tenho medo de que eles não voltem.
James se jogou na cama, do meu lado:
- Me irrita lembrar da mão dele na sua coxa, mas tento focar no fato de que no final das contas sou eu que durmo ao seu lado todo dia. - ele ponderou. - É o que me acalma, talvez ajude você.
- Ajuda você porque a sua mão já foi parar embaixo do meu vestido e você me viu de sutiã mais vezes do que seria considerado adequado na nossa atual situação. - eu revirei olhos, ignorando o sorriso presunçoso de James. - Diferente de mim e Parkinson, porque ela foi sua primeira e sempre será sua primeira, independente do rumo que nossas vidas tomem.
- Você ainda está magoada pelo o que houve com ela.
- Estou magoada porque, como já disse, de todas as pessoas no planeta, Parkinson era a pior opção para você perder a virgindade. - eu voltei a olhar o dossel. - Estou preocupada com Fabian e Caradoc.
- Eu também. - James arriscou entrelaçar os dedos nos meus. - E do que isso pode significar. Nós estamos sozinhos, agora. Sem adultos experientes com esses dois fora, Fleamont, Euphemia e Giden mortos, Dumbledore morto e Minerva ocupada com a escola.
- Agora é só a gente. - eu murmurei. - E se tudo der errado?
- Não vai dar. Se Sirius deu as caras em Grimmauld Place, então está tudo sob controle.
- Ele está vivo pelas escolhas feitas até agora. Se tomarmos uma decisão impensada, tudo pode acabar e a gente desaparecer de vez. - eu murmurei.
- É por isso que anda acordando apavorada de madrugada? - James perguntou, gentilmente. Eu assenti. - Eu sei que você não quer sobrecarregar ninguém, Els, mas eu estou bem aqui. Eu sou seu namorado, inferno, se você não fosse tão cabeça dura eu seria seu marido. - ele disse, exasperado. - Você pode me contar as coisas, sabe? Você está se sobrecarregando ao se fechar completamente para todos nós. Eu sinto falta de ter você alucinada com estudos, fazendo pesquisas, brincando sempre que dada a chance. Eu sinto o seu desespero e medo o tempo todo e você não quer conversar.
- Eu não posso conversar porque se começar a falar eu vou desmoronar. - eu sussurrei, fechando os olhos. - Eu estou com tanto medo.
- Eu sei. - James me puxou para perto. - E estou bem aqui e não vou a lugar nenhum. - ele beijou a minha cabeça, ficando em silêncio depois.
Nós não descemos para jantar.
Na manhã seguinte, James e eu retomamos os preparativos para a nossa viagem atrás do medalhão: ele e Remus foram revisar o mapa e o que procurar e eu fui conversar com Aric para saber se ele tinha uma barraca para emprestar.
- Ah, Black, você está de brincadeira. Pensa mesmo que eu não teria uma barraca? - Aric pareceu ofendido e foi até o cômodo vizinho ao quarto dele, um pequeno depósito, e voltou com um saco de lona que jogou para mim. - É o modelo mais recente, mas não é o maior, meu pai dizia que não precisava de tanta opulência assim.
Eu olhei o pacote pesado que ele tinha arremessado para mim:
- Barracas mágicas não são pesadas assim, sabe. Não quando não são tão grandes. - eu disse, cuidadosamente.
- São dois quartos, uma cozinha acoplada a uma sala de jantar, dois banheiros sendo um deles com banheira. - Aric bocejou. - Ah, e há também uma sala de estar com sofás e um divã. Perfeito para reuniões em eventos esportivos. Meu pai sempre fazia alguma coisa durante as copas de quadribol.
- Achei que você ficasse em um hotel. Sabe, essa coisa de acampar é meio abaixo do que famílias de sangue-puro aceitam, exceto pela linhagem de Sirius Black. Mamãe gosta simplesmente porque, palavras dela, é um ato de rebeldia. - eu ri, acompanhada por Aric.
- Ah, não. Não dormíamos ali mais do que uma noite. Minha mãe jamais pisou dentro daquilo, é algo impensável para uma Lady como ela. - Aric disse, com carinho. - Provavelmente era a mesma coisa para a sua mãe e seu pai a corrompeu.
Eu encolhi os ombros:
- Mamãe diz que papai era conhecido como Casanova antes de começar a namorar com ela. - eu admiti, arrancando uma gargalhada de Aric. - Então, ele provavelmente a corrompeu mesmo.
- Ah, isso é maravilhoso. Eu tenho tanto material. - ele colocou a mão sobre o coração, fingindo emoção. - Por favor, me diga que você tem mais alguma informação sobre eles. Qualquer coisa. Eu tenho tanto de vocês, mas não tenho nada da geração de seus pais.
Eu suspirei, sacudindo a cabeça:
- Uma vez mamãe estava conversando com tia Gina, a mãe de James. - eu contei, corando. - Aparentemente tem alguma história envolvendo meus pais e uma mesa de escritório do Quartel dos Aurores no aniversário do meu pai. - eu estremeci.
Aric caiu na gargalhada:
- Então isso vem do seu pai. - os olhos dele brilhavam tanto que ele parecia à beira das lágrimas. - Ele realmente é de Sirius. Você sabia que há alguns meses rolou um boato na escola sobre Sirius e uma corvinal na Torre de Astronomia?
- Merlin, não e não quero saber. - eu sacudi a cabeça. Aric abriu um sorriso quase lupino:
- Eu tenho material. Esses próximos anos prometem, até a chegada de vocês. Então as coisas vão ficar divertidas. - ele comentou. - O que seu pai diria sobre você e James dormirem no mesmo quarto?
- Nada, porque ele jamais deixaria isso acontecer debaixo do nariz dele. Ele nunca saberia e se descobrisse, - eu fiz careta. - ele iria jurar me enviar para um convento.
- É o carma. Sabe, com essa coisa toda de Casanova do Quartel de Aurores. - Aric sorriu. - Você é a Casanova da família, com esse histórico respeitável com Selwyn reformado e um Potter.
- Esqueça Selwyn.
- O que você viu nele? O pai dele é intragável. - Aric reclamou.
- Adrian é gentil e muito inteligente. E ele sabia da aposta, tenho certeza, mas ainda assim namorou comigo. Ele até conheceu meus pais. - eu revirei os olhos. - Mas mamãe sempre torceu para que James tomasse alguma atitude. Ela vai ter um troço quando descobrir sobre tudo que James e eu vivemos e essa runa.
- Eu mal posso esperar por isso. - Aric disse, satisfeito. - Quando vocês vão viajar? - ele mudou de assunto.
- Na próxima sexta. - eu contei. - É uma pena que vamos a uma praia com temperaturas tão baixas. Eu pagaria uma pequena fortuna por um fim de semana na Riviera Francesa.
- Ah, é um lugar maravilhoso. Quem sabe depois disso tudo a gente não possa tirar um final de semana, todos nós, para uma viagem relaxante? - ele sugeriu.
- Soa maravilhoso. - eu fiquei de pé e baguncei o cabelo do Nott, que reclamou. - Vou terminar de organizar as coisas. Obrigada, Aric.
- Sempre que precisar, Els. - Aric deu uma piscadela. - Casanova.
- Ah, pelo amor de deus! - eu ri e saí do quarto dele, sacudindo a cabeça.
- Por que Aric está chamando você de Casanova? - James entrou no quarto enquanto eu empacotava um punhado de roupas em uma bolsinha de mão magicamente aumentada.
- Porque meu pai era conhecido como Casanova no Quartel e, aparentemente, eu herdei esse traço ao namorar um Selwyn e um Potter. - eu respondi, revirando os olhos. James riu:
- Ah, sério? - ele perguntou, sentando no chão ao meu lado, puxando outra bolsa e guardando a barraca emprestada por Aric, poções de cura, assim como antídotos, materiais de curativo e lágrimas de fênix.
- Sério. - eu revirei os olhos. - Eu não sou Casanova. Entre nós dois, você é o que tem lábia.
- Você tem lábia sim. - James retrucou. - Todos aqueles sorrisinhos, olhares e tudo mais. Você sorria para Selwyn e eu quase entrava em combustão espontânea.
- Ah, eca. - Lilu parou na porta do quarto, com uma cara de novo. Cygnus riu, atrás dela:
- Bem-vinda ao inferno. - ele cruzou os braços, se inclinando ligeiramente para murmurar alguma outra coisa no ouvido dela e Lilu deu risadinhas, corando tanto que as sardas quase sumiram.
- Quer saber? Seu irmão é o Casanova. - James disse, seco. - Eu não quero ver essa sem-vergonhice.
- Vocês são bem piores. - Cyg retrucou. - Como andam os preparativos?
- Sob controle. - eu enrolei mais um casaco de James e o enfiei na bolsinha sem muita cerimônia.
- A mamãe mataria você se visse o que está fazendo com essas roupas. - Cyg pontuou.
- Mamãe não está vendo, então estou segura. - eu rebati, revirando os olhos. - Precisam de ajuda com alguma coisa?
- Não. Só queríamos saber se precisam de ajuda. - Lilu sentou do meu lado e começou a dobrar uma calça de moletom de James e depois uma minha. - É chato ficar presa aqui enquanto vocês vão viajar e caçar Horcruxes.
- Você está estudando runas, Lily. - eu disse, pacientemente. - Está cuidando das coisas enquanto eu estou fora.
- E não consegui encontrar nada errado ali. - ela se queixou. - Seu trabalho é perfeito. Caótico e confuso, mas perfeito. Eu ainda acho que você deveria submeter esse trabalho à Academia. E se candidatar ao posto de Inominável, sabe? Eles tem uma sala dedicada só ao estudo da Magia do Tempo.
- Como você sabe disso? - James questionou, enrolando os frascos de antídoto em um lençol e colocando um feitiço de proteção para garantir que nada se quebraria dentro da bolsa.
- Eu ouvi papai e tio Rony conversando sobre isso. - ela deu de ombro. - Imagina? Você sendo Auror, James, e casado com uma uma Inominável que faz pesquisas de Magia do Tempo e Magia Ancestral? Power couple. - ela comentou, arrancando uma risada alegre de Cyg.
Ele andava cheio de risadinhas desde o aparecimento de Lily.
Aquilo me dava arrepios. Cygnus não era de risadinhas e sorrisos sonhadores, mas ultimamente eu só o via agindo assim, o que era absolutamente tenebroso.
- Nós estaremos a postos, caso precisem de ajuda. - Cyg prendeu uma mecha do cabelo de Lily atrás da orelha dela. - Só precisam nos dar um aviso e o local e estaremos lá.
- Vocês têm poções de recuperação? - Lilu perguntou. - De reposição sanguínea, calmantes, anticoncepcionais? - a voz dela era inocente, mas a expressão era completamente maliciosa.
- Lily! - eu guinchei, corando horrores. James tossiu, engasgado com a própria saliva.
- Estamos sendo realistas. - ela ergueu as mãos, séria, enquanto Cyg ria de novo. - Vocês vivem trancados aqui.
- Eu vou colocar vocês dois para fora desse quarto. - eu ameacei.
- Para ter mais tempo sozinha com meu irmão? - ela perguntou, inocentemente. Cygnus riu mais alto ainda. Eu passei a mão pelo rosto, exasperada:
- Vocês são péssimos solteiros e ainda pior juntos. Isso é um pesadelo. Esqueça Alvo e Anabelle, vocês dois são piores. - eu me queixei.
- Mas está levando poções? - Lilu se inclinou na minha direção, curiosa. Cygnus, dessa vez, não ria enquanto olhava James com atenção.
- Estou levando tudo que é necessário. - eu cortei. - Vão procurar outra coisa para fazer, James e eu estamos organizando as malas.
Cygnus se levantou e puxou Lilu junto:
- Vou fechar a porta, mas coloquem um Abaffiato só para garantir. - ele saiu correndo com uma Lily às gargalhadas antes que James ou eu pudéssemos azará-los.
- Eles definitivamente são perfeitos juntos. - eu olhei James, cansada. Ele assentiu:
- E são o meu pior pesadelo.
Eu não segurei uma risada alta.
A sexta-feira chegou sem muitos eventos: Fabian e Caradoc tinham avisado que passariam um mês fora, em uma missão que não podiam nos contar qual era. Lilu estava completamente absorta na pesquisa de magia do tempo, sendo paparicada incessantemente por Cygnus - que foi puxado de canto por James, responsável por ter A Conversa com ele, o que deixou os dois absolutamente constrangidos e incapazes de encarar o outro por muito tempo. Eu também levei Lilu para Alyssa, cansada de tanto flerte barato e nada inocente. Depois do completo descuido de Anabelle e Alvo, eu estava completamente traumatizada e não queria ter que passar por aquilo de novo - então, poções foram administradas à garota e conversas foram tidas.
Lilu não me encarou por dois dias.
Na manhã de sexta, então, antes do dia clarear, James e eu nos levantamos, tomamos banho e checamos as bolsas uma última vez: barraca, comida, suprimentos médicos, poções e tudo o que nós conseguimos imaginar estavam perfeitamente guardados. James e eu tomamos café-da-manhã sozinhos: ainda era cedo demais para os outros e eles iriam nos encontrar assim que o sol nascesse e tomariam café depois da nossa partida.
- Você parece ansiosa. - James comentou, quando estávamos na cozinha, comendo ovos mexidos, torradas, café e chá. Ele tinha se sentado ao meu lado e mantinha uma mão no meu joelho enquanto ouvia com atenção o rádio que repassava as notícias da noite.
- Estou preocupada. Nunca fomos atrás de uma Horcrux em dupla, parece um grupo pequeno demais. - eu admiti. - Ou talvez eu só tenha me acostumado com uma multidão.
- Quer ir amanhã e ter mais duas pessoas com a gente?
- Merlin, não. É arriscado demais e não quero arriscar mais ninguém. Levar você já está me deixando desesperada, não preciso me preocupar com mais ninguém. - eu sacudi a cabeça. James beijou a minha bochecha:
- Nós somos recém-casados em uma viagem de lua-de-mel. - ele disse, delicadamente. - Gostamos de fazer trilhas. Não há nada de errado nisso.
- Exceto pela parte em que vamos caçar um pedaço da alma do Lorde das Trevas.
- É só um detalhe. - James beijou a minha bochecha e Cyg e Lilu entraram na cozinha. - Bom dia. Levantaram cedo.
- O cheiro de comida está delicioso e eu jantei muito cedo ontem. - Cyg admitiu. - Lilybug e eu ficamos revendo suas anotações boa parte da madrugada. - ele comentou, olhando para mim.
- Que bom que vocês estão estudando ao invés de se agarrar. - James bebericou o café, segurando a minha coxa com um pouco de força demais.
- Diz o homem que vai viajar sozinho com a minha irmã. - Cygnus retrucou, seco. - Estão bem? Precisam de mais alguma coisa?
- Estamos bem. - eu prometi. - Vou pedir socorro se precisar.
Cyg assentiu e tomou um gole de café, observando enquanto Lilu colocava ovos mexidos sobre uma torrada amanteigada.
- Lily e Pontas vão esta tarde. - Cygnus disse, depois de alguns minutos cujo o único barulho era de talheres e xícaras sendo colocadas na mesa. - Eles não vão dormir fora, o que nos dá um pouco mais de tranquilidade, mas ainda é assustador. Quer dizer, eles estão indo para o coração da guerra.
- Não sei o que é pior. - Lilu ponderou. - Ir para o coração de Londres ou procurar por uma caverna cheia de Inferi.
- Os dois são ruins e têm tipos de perigo diferentes. Lily e Pontas estarão expostos, mas Els e eu vamos lidar com Magia Negra de alto calibre. Digo que é o mesmo nível de perigo. - James ponderou, a mão ainda pousada sobre a minha perna. - Eu estou satisfeito. Diga quando quer ir. - ele se recostou na cadeira, encarando o fogão pensativo.
James estava, muito provavelmente, revisando cada passo que daríamos até nosso retorno - se nada tivesse que ser modificado.
- Idealmente passaremos uma noite fora, mas pode ser que isso dure mais um pouco. Iremos avisá-los. - James disse, por fim, quando eu pousei meus talheres pela última vez e tomei o último gole de chá.
- Acha que consegue vasculhar tudo em um dia? - Cygnus soou cético.
- Em um mundo ideal, sim. Quanto menos tempo sua irmã passar exposta em um lugar como aquele, melhor. - James se levantou e estendeu a mão para que eu ficasse de pé também. - Voldemort sempre está à espreita, Cygnus, e um lugar como o que iremos procurar é basicamente o quarto dele. Um lugar pessoal, cheio de segredos e com pontos fracos a serem analisados. - James segurou a minha mão com firmeza enquanto subíamos para pegar os casacos e bolsas e também para começar o processo de transfiguração para não sermos identificados imediatamente caso algum Comensal da Morte tivesse sido enviado para os locais a serem investigados.
- É, você tem razão. - Cyg concordou, puxando Lilu pela mão. - Bom dia. - ele sorriu quando encontramos a maioria dos nossos parentes e amigos no corredor, todos indo em direção à cozinha.
- Vão indo para baixo, Els e eu vamos pegar as coisas e já descemos. - James disse, a voz firme, mas a mão dele segurava a minha com tanta força que eu senti meus dedos formigando.
- Vou chamar Bells e Al. - Cyg disse, andando com Lilu. - Eles também ficaram de madrugada revendo Fogo Maldito. Parece quando estávamos estudando para os NOMs.
- Ok. Encontramos vocês lá embaixo. - eu assenti, entrando no meu quarto com James logo atrás. James e eu pegamos as bolsas e as colocamos por dentro dos suéteres escolhidos para o dia e ele ajeitou um cacho meu antes de sairmos do quarto:
- Se você se sentir sufocada pela magia da caverna, me diga imediatamente. Nós vamos embora e depois pensamos no que fazer. - James me deu um selinho delicado. Eu suspirei, ficando nas pontas dos pés e apoiei as mãos nos ombros de James, deixando que ele me puxasse para mais perto e continuasse me beijando.
Eu estava ansiosa e precisava me distrair e que forma melhor do que beijar James?
O grito de Cygnus cortou o ar como uma faca. Eu dei um pulo, empurrando James para longe, enquanto ele praguejava colocando a ponta dos dedos sobre o lábio inferior, também encarando a porta do nosso quarto.
Cygnus não estava aqui. James e eu nos entreolhamos de novo e saímos correndo em direção à comoção: o quarto de Anabelle e Alvo. Lilu estava parada no meio do corredor, com os olhos absolutamente imensos e com a expressão de que tinha visto o próprio bicho-papão.
Eu entrei no quarto com a varinha em mãos, seguida de perto por James.
Alvo estava no chão, com um cobertor, com a mão sobre o nariz. Anabelle estava enrolada em um lençol, vermelha como se fosse um camarão recém-saído do fogo, parada atrás de um Alvo que se levantava com dificuldade.
- QUE PORRA É ESSA?! - Cygnus tentou dar mais um passo na direção de Al, mas eu pulei na frente dele:
- Calma. - eu coloquei a mão sobre o peito de Cyg. - Calma. - eu repeti, quando ele lançou um olhar lancinante na minha direção:
- ELES ESTAVAM…
- Cygnus. - eu interrompi, ainda sem sair da frente. - Vamos lá fora. Deixe-os se arrumar e depois vamos ter essa conversa.
- Ele estava pelado na cama dela! Com ela! - meu irmão parecia enojado e furioso ao mesmo tempo. Sirius entrou correndo no quarto, seguido por Pontas e Remus.
- FORA! - eu gritei, apontando a porta quando os três ficaram boquiabertos na entrada do quarto. - Todos!
Os três marotos deram meia volta e gritaram para todo mundo descer. Evan parou na porta, avaliando a situação por um momento:
- Ah, entendo.
- Você entende?! Você entende?! - Cygnus borbulhava de raiva.
- Fora, todos vocês! - eu gritei, empurrando Cyg de leve. - Evan, leve-o.
- Eu não vou deixar Anabelle nas mãos dele salafrário! - Cygnus gritou, tentando me empurrar. James passou o braço pelo ombro de Cygnus, em direção ao peito do meu irmão, e o arrastou para fora:
- Nós vamos lidar com eles. Espere lá fora. - ele levou Cyg até Evan, que continuou levando Cygnus para o corredor.
- Você é um homem morto. - Cyg apontou para Alvo, que mantinha Bells atrás de si, com a mão ainda sobre o nariz quebrado.
A porta se fechou atrás de Cygnus com um clique e James, eu, Alvo e Anabelle ficamos sozinhos. Eu passei a mão pelo rosto:
- Eu nem sei o que dizer a vocês. - eu sacudi a cabeça. - Sinceramente, esperava mais inteligência, considerando o quão estudiosos são!
- Foi um lapso. - Bells disse, com a voz fininha. James acenou para que Al se aproximasse dele e corrigiu a fratura no nariz com um Episkey silencioso.
- Não podemos ter lapsos aqui. - eu sibilei. - Se vistam e nos encontrem no corredor. - eu dei meia volta, segurei James pelo cotovelo e o arrastei para fora do quarto.
Esqueça Lilu e Cygnus.
Anabelle e Alvo eram meu maior pesadelo.
- Eu voto por castração. - Cygnus ainda fervia de raiva. Eu massageei as têmporas, exausta:
- Cygnus, por favor. - eu disse, cansada. Anabelle e Al estavam sentados no sofá de dois lugares, ambos vestidos e encarando o chão. - Eu preciso saber: vocês tomaram cuidado? Poções? Feitiço? Qualquer coisa?
Bells assentiu e Al me encarou, corado:
- Eu tenho meus momentos, mas não sou uma porta. - ele reclamou. - É claro que tomamos cuidado, Electra.
- Bom. - eu respirei, aliviada. James ainda estava de pé, parado atrás da minha poltrona, com os braços cruzados:
- Portas podem ser trancadas, sabem? Feitiços também são bem úteis. Vocês nem precisariam sair da cama para colocar um feitiço que trancasse a maldita porta. - ele encarou Al, que corou:
- Novamente, não estávamos sendo muito racionais.
- Eu percebi. - Cyg trincou os dentes.
- Cygnus, eles são maiores de idade. - eu pontuei. - Se ela deu consentimento a Alvo, castração não é uma opção.
- MEU MELHOR AMIGO DORMIU COM A MINHA IRMÃ! - Cygnus urrou, ficando de pé.
- Pare de gritar e sente-se. - James foi firme. Cygnus encarou James por um momento antes de obedecer. - Anabelle, você deu consentimento a Alvo?
- Sim. - Bells disse, baixinho.
- Alvo, você deu seu consentimento a Anabelle? - James encarou o irmão.
- Sim. - Al manteve o queixo erguido.
- Então não há motivos para punição. - James determinou, ignorando o olhar lancinante de Cygnus. - Se houve consentimento de ambas as partes e eles tomaram cuidado, não há nada de errado.
- Diz o homem que dorme com a minha outra irmã! - Cygnus jogou os braços para cima. - É claro que você vai defender o Potter.
- Primeiramente, James e eu somos mais velhos do que você, então não devemos satisfações a você, Cygnus. - eu fui firme, ignorando as bochechas rosadas. - E em segundo lugar, Anabelle é maior de idade. Você só está irritado porque pegou os dois. Se ela tivesse contado a você depois teria a mesma reação?
- Claro que teria!
- Não, não teria. - eu cortei. - Seu problema é ter descoberto isso de uma forma… Não convencional. - eu fiquei de pé. - Alvo e Anabelle não serão punidos. Você já quebrou o nariz de Al, não tem mais motivo algum para outra retaliação.
- Electra… - Cyg começou, indignado, mas eu ergui a mão e ele ficou quieto.
- Maiores de idade e consentimento de ambas as partes, não há crime aqui. - eu lembrei e olhei o restante da população da Mansão Nott, que parecia estar assistindo a um episódio de novela mexicana em sua reta final. - Alyssa, por favor, dê uma poção para Anabelle e Alvo. Crianças não são uma boa ideia agora. Vocês dois - eu apontei o casal infrator, que corou. - tranquem as portas e usem feitiços. Por favor. Se eu precisar ver um de vocês nu novamente, irei arrancar meus olhos.
Sirius sufocou uma risadinha.
- Sem comentários sobre o que aconteceu hoje. - eu olhei o grupo expectador, que assentiu, embora todos parecessem crianças recém-chegadas ao parque de diversão. - E você, Lilu, também vai entrar no esquema de poções contraceptivas.
- O que?! Por que?! - ela gritou, horrorizada. Cyg corou horrores:
- Não é necessário.
- Claramente é, já que o casal mais comportado foi pego em flagrante. - eu cortei. - Sem riscos nesta casa. E sem mais violência, Cygnus, ou eu volto da missão com o feitiço de Mulciber na ponta da língua para azarar você. Estou sendo clara?
- Sim, Electra. - Cyg lançou um olhar furioso para Alvo, que ergueu o queixo:
- Você está com a minha irmã. Eu digo que estamos no mesmo barco. Eu não esmurro você até a inconsciência e você não me esmurra também. - Al propôs. Cyg passou a mão pelos cabelos:
- Certo. Feito. - ele apertou a mão de Al com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Alvo não fez careta.
- Precisamos ir, Els. Está ficando tarde. - James murmurou, atrás de mim.
- Certo. Vejo vocês em alguns dias. - eu acenei para eles. - Alyssa, não esqueça, por favor.
- Ah, não se preocupe. - Aly acenou com a varinha e dois frascos desceram voando elegantemente pela escadaria. - Esse para a sedutora logo ali. - ela jogou um frasco para Anabelle. - Beba tudo, vai evitar um bebê. E este para você. - ela enfiou a coisa na minha mão. Eu corei. - Só para garantir.
Apesar da vergonha, eu obedeci quando ela acenou para que eu guardasse o frasco de poção na bolsinha de James, que pareceu tranquilo, apesar de incapaz de me encarar por mais do que alguns poucos segundos.
- Nós mandamos um patrono quando conseguirmos o medalhão. - James encerrou a reunião e me levou para fora da Mansão, depois de nos despedirmos de todos os outros.
- Isso foi um fiasco. - eu resmunguei, indo com James para o meio da floresta da Mansão Nott, depois de fazermos as devidas mudanças nas nossas aparências.
- Foi, mas se eu for ser bem egoísta - James começou, me puxando para perto. - Antes Alvo do que eu.
James aparatou comigo antes que eu pudesse responder.
