Isabella
Havia algo no verão de Forks que me fazia desacelerar. Talvez fossem os dias mais longos, ou o fato de que, pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia... em paz. Há um ano, tudo estava tão diferente.
E, ao mesmo tempo, eu estava inquieta.
Chloe dormia profundamente em seu quarto depois de uma manhã agitada no quintal, e Edward havia saído — ele mencionou algo sobre compras em Port Angeles, mas o jeito enigmático como disse isso me fez desconfiar que havia mais por trás.
Com a casa silenciosa, aproveitei para ligar para Alice. Ela atendeu quase antes mesmo de o primeiro toque terminar, como se estivesse esperando por isso.
— Finalmente! Achei que tinha sido sequestrada pela maternidade.
— Ou por uma criança de dois anos com mais energia que o sol — respondi, rindo — Inclua Rosalie na chamada.
— Um minuto — ela clicou na tela e, em poucos segundos, Rosalie apareceu com Henry no colo, o cabelo preso numa tentativa de coque que caía por vários lados e olheiras visíveis sob os olhos.
— Não façam filhos — ela disse, séria — Estou falando muito sério.
— Tarde demais — retruquei com um sorriso — O seu está lindo, aliás.
Ela suspirou, ajeitando o bebê risonho nos braços.
— Ele é um anjo. Um anjo faminto e que não dorme.
Alice riu.
— Ela disse isso ontem e depois chorou ouvindo ele espirrar. Não acredite em tudo que sai da boca da Rosalie Hale.
Rosalie revirou os olhos.
— Puerpério.
Ficamos um tempo conversando sobre banalidades, trocando histórias do dia a dia, até que a conversa deslizou naturalmente para onde minha mente mais vagava ultimamente.
— Eu andei pensando... — comecei, mexendo distraidamente na manga da blusa — Sobre ter outro filho.
Alice arregalou os olhos imediatamente, e Rosalie levantou uma sobrancelha.
— Uau — Rosalie disse — Achei que vocês fossem esperar uns bons anos antes de considerar isso.
—Eu também — confessei — Mas… não sei. Desde que voltamos de Londres, algo mudou.
Expliquei tudo — desde a primeira conversa, as perguntas inocentes de Chloe sobre bebês, até a última conversa com Edward ontem, o cuidado dele, a ausência de pressão.
— Eu tenho medo — admiti — Mas não é o mesmo medo de antes. Não vem de um lugar de dor… vem da dúvida.
— Isso já é uma enorme diferença — disse Rosalie, a voz mais suave agora — Ter medo é natural, Bella. Ainda mais depois do que você passou.
Alice assentiu com a cabeça.
— E você não está mais sozinha. Isso muda tudo.
Rosalie olhou para Henry, que agora dormia em seu colo, e um sorriso diferente surgiu em seu rosto — cansado, mas cheio de algo muito mais profundo.
— Eu achava que seria mais simples. Que bastaria amar esse bebê. Mas a maternidade… ela bagunça tudo. O tempo, o corpo, a cabeça. E ao mesmo tempo, te reconstrói.
— Você mudou — comentei, sorrindo para ela.
— Eu precisei. Ele precisa de mim inteira. E isso me fez perceber que eu sou mais forte do que achei que seria.
Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo aquelas palavras. Eu sabia que cada uma delas era verdadeira, porque foi exatamente assim que me senti anos antes, com Chloe.
Alice inclinou o rosto em direção à câmera.
— E você, Bella? O que você quer?
Engoli em seco. Pela primeira vez em dias, eu me permiti ouvir a resposta dentro de mim, sem culpa, sem comparação com o passado.
— Eu quero isso.
Rosalie sorriu.
— Então tente. No tempo certo. Do seu jeito.
Assenti, sentindo o coração bater mais rápido — não por medo agora, mas por antecipação.
No final do dia, Edward entrou em casa com Esme à tiracolo, e me chamou para irmos ao jardim.
— Eu quero ir, papai! — claro que ela queria.
— Mais tarde, sole. Agora, o papai precisa mostrar algo para a mamãe. Você fica aqui com a titi.
Chloe abriu a boca para protestar, mas logo se distraiu com o prato que Esme colocou na frente dela e nós saímos. Lancei um olhar de dúvida para Edward.
— Você vai entender — ele disse, sorrindo.
O céu estava límpido, uma coisa rara em Forks, e o ar morno deixava tudo ainda mais sereno. As luzes do jardim estavam acesas, um varal de lâmpadas amarelas iluminava todo o espaço e pequenas lanternas espalhadas pelo caminho formavam um traçado discreto.
— O que é isso? — perguntei, um pouco confusa.
Ele me estendeu a mão.
— Confie em mim.
Caminhamos em silêncio até o meio do jardim, onde ele havia montado uma pequena mesa com velas e duas taças. Parecia o quarto do nosso hotel em Seattle, tantos meses antes.
— Se você preparou um jantar inteiro, quero saber como conseguiu esconder isso bem debaixo dos meus olhos.
— Ainda sou bom em guardar alguns segredos — disse, tentando parecer casual. Mas eu sentia a tensão sutil em cada gesto dele.
Ele me guiou até o centro do jardim e então parou. Respirou fundo.
— Bella…
Meu coração acelerou de forma quase dolorosa.
— Eu pensei muito sobre como fazer isso. Pensei em algo grandioso, ou algo completamente simples. Mas no fim… só queria que fosse real.
Ele se ajoelhou. E o mundo parou. Meu coração disparou ainda mais, ao mesmo tempo em que tudo ao meu redor se silenciou.
— Eu não quero que esse momento repare o passado. Eu quero que ele celebre o que somos agora. A família que criamos. A vida que escolhemos. O amor que resistiu.
Ele abriu a pequena caixa. O anel não era exatamente simples. Era um aro prateado delicado, mas coroado por um diamante enorme — exatamente o que eu esperava de Edward. Ele não sabia ser pouco.
— Isabella Swan, você me daria a honra de ser minha esposa?
As lágrimas vieram antes das palavras. Eu me abaixei também, ajoelhando diante dele.
— Sim!
Edward sorriu com os olhos marejados e deslizou o anel no meu dedo. Quando me puxou para um beijo, o mundo se alinhou novamente. Quando nos separamos, quase como se tivesse sido cronometrado, o restante das luzes da casa foi aceso e eu pude ver a sombra de Esme dançando pela sala com Chloe no colo. Elas sabiam.
— Eu nunca deixei de ser sua — o puxei novamente para mim — E serei para sempre.
As palavras saíram antes mesmo de eu pensar nelas. Porque eram verdadeiras demais para serem contidas. Edward sorriu, e foi aquele sorriso — o verdadeiro, o que só aparecia quando ele estava absolutamente vulnerável — que me fez perder o fôlego.
Quando me puxou para mais perto, nossas testas se encostaram, e por um momento, apenas respiramos o mesmo ar.
— Então é mesmo um sim? — ele sussurrou, com a voz trêmula, e eu ri, com as lágrimas ainda rolando.
— É um sim!
Ele riu também, aliviado e leve, como se tivesse esperado por isso mais tempo do que gostaria de admitir.
Nos deitamos sobre um cobertor na grama, ainda de mãos dadas, e ficamos olhando para o céu, onde algumas estrelas começavam a surgir.
— Você lembra da primeira vez que me trouxe flores? — perguntei, virando o rosto para ele.
— Lembro. Eu estava nervoso demais para perceber que a floricultura não tirou os espinhos.
Eu ri, lembrando da sensação quando peguei o buquê.
— Meus dedos sangraram e doeu tanto que eu quase corri para dentro.
— Mas você disse "obrigada" com um sorriso, mesmo assim.
— Eu já gostava de você, não queria te decepcionar.
Edward me olhou com aquele brilho nos olhos que sempre me desmontava.
— E eu me apaixonei por você antes mesmo de entender o que estava acontecendo.
Ficamos em silêncio por alguns segundos. O tipo de silêncio bom, cheio de memórias compartilhadas.
— Às vezes eu penso em tudo o que passamos… e não sei como ainda conseguimos ser nós.
— Não somos os mesmos de antes — ele disse, passando os dedos pela minha aliança recém-colocada — Mas somos mais verdadeiros agora.
Suspirei, sentindo um novo bolo se formar na garganta. Não era ruim, dessa vez. Ele apertou minha mão.
— Não precisa ser uma cerimônia enorme. Nem com lista de convidados infinita. Só precisa ser nosso. Pode ser aqui, se você quiser.
— Teremos Chloe entrando com flores? — pedi, sabendo que ele jamais negaria.
— Com certeza. E talvez Emmett chorando de forma constrangedora.
— E Alice controlando tudo como se fosse uma peça da Broadway — ela entraria em surto quando eu contasse.
— E Rosalie tentando fingir que não se importa… mas vestindo Henry de mini smoking.
Nós rimos juntos, imaginando aquela cena — caótica, cheia de amor, absurdamente imperfeita. Exatamente como nós dois. Depois, ficamos em silêncio mais uma vez.
Edward virou-se um pouco mais para mim.
— Esse anel... não é só uma promessa. É uma escolha. De todos os dias.
— Eu escolho você — respondi, sem hesitar.
Ele tocou meu rosto, e havia algo nos olhos dele que me fez perceber que ele estava prestes a dizer algo mais. Mas ele apenas sorriu e quando me beijou de novo, senti que algo dentro de mim havia se firmado de vez. Como se, enfim, estivéssemos prontos para o próximo capítulo.
*o*o*o*o*o*o*o*o*o*o*o*
A luz da manhã passava pelas cortinas, banhando o quarto com um tom dourado silencioso que sempre me dava a sensação de que o tempo podia parar um pouquinho. Senti primeiro o calor da mão na minha cintura, depois os dedos deslizando devagar na minha pele, como se desenhassem alguma coisa só dele.
— Bom dia, noiva — Edward murmurou contra meu pescoço, a voz ainda rouca, arranhada pelo sono.
Sorri antes mesmo de abrir os olhos.
— Achei que fosse um sonho — murmurei de volta, virando o rosto até meu nariz encostar no dele — Mas você ainda está aqui.
Abri os olhos devagar e encontrei os dele me esperando. Um olhar que me fazia lembrar de cada motivo pelo qual eu ainda o amava tanto.
— Eu não vou a lugar nenhum — ele disse, com uma certeza que me fez esquecer o resto do mundo por um instante.
O beijo veio calmo, terno, como se estivesse reafirmando todas as promessas que fizemos na noite anterior. Meus dedos seguiram o contorno dos seus ombros, sentindo a firmeza familiar dos músculos ali. Ele se aproximou mais, encaixando o corpo no meu com uma intimidade que só poderia ser nossa. Suspirei quando senti os lábios dele descendo pelo meu pescoço, cada beijo deixando um arrepio quente por onde passava.
— Chloe… já vai acordar… — tentei dizer, mas as palavras saíram baixas até para mim.
— Ainda temos alguns minutos — ele murmurou, brincando com a alça da minha camisola.
Meu corpo reagia ao dele com naturalidade. Era como se sempre estivéssemos reconhecendo um ao outro — com cuidado e com urgência também, mas sem pressa.
E foi ali, entre lençois bagunçados e promessas sussurradas, que a voz fina se fez presente, do outro lado da porta, procurando por nós. Soltei uma risada abafada, me cobrindo.
— E lá se vão nossos minutos.
Edward bufou e levantou com um sorriso que deixava claro que ele estava completamente rendido — a mim, à nossa filha, à vida toda nova que estávamos construindo. A porta se abriu devagar, revelando Chloe com o cabelo todo bagunçado e o pônei apertado contra o peito.
— Mamãe! — ela correu até a beirada da cama, os olhinhos brilhando de sono.
— Oi, amor... você teve um sonho ruim?
— Não... só acordei — ela respondeu, enquanto tentava escalar a cama, quase caindo.
Edward a pegou com um braço e uma facilidade invejável e ela estava em cima do lençol em um segundo.
— Bom dia, princesa — ele disse, com a paciência de quem não tinha sido atrapalhado em sua… diversão momentos antes.
Chloe olhou pra ele com desconfiança — como se estivesse calculando se tinha permissão para estar ali. Depois de alguns segundos de silêncio, ela se enfiou entre nós dois, se encaixando no espaço com a autoridade de quem sabe que o mundo gira ao seu redor.
— Eu vou dormir com a mamãe — ela declarou, puxando o cobertor e se virando para o meu peito.
Eu e Edward rimos ao mesmo tempo. E ali estávamos nós. Os três. Juntos. De novo.
Chloe se aconchegou, soltando um suspiro satisfeito. Seus olhinhos ainda pesavam de sono, e eu já conhecia aquele ritmo — ela acordava cedo, invadia a cama como um furacão, e dormia de novo em cinco minutos, desde que estivesse entre nós dois.
Edward ajeitou o cobertor ao redor dela e, com cuidado, encostou o queixo no topo da cabeça da nossa filha. Eu estiquei o braço por cima dos dois e entrelacei meus dedos aos dele.
— Eu podia ficar assim para sempre — murmurei, com a voz baixa.
— Quem disse que não pode?
Sorri, mas não respondi. Não com palavras. Só fechei os olhos e deixei meu corpo afundar naquele instante — naquela pequena bolha de paz onde éramos só nós três, respirando juntos, como se o tempo finalmente tivesse aprendido a ser gentil. Adormeci com o som da respiração tranquila de Chloe, entrelaçada à de Edward.
Mais tarde, estávamos brincando com um quebra-cabeças no tapete da sala quando decidimos contar sobre o casamento. Eu e Edward tentamos simplificar, relacionando a novidade a coisas positivas, a mudanças que seriam boas para nossa família, mas não foi o suficiente. Chloe ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo tudo com a expressão muito séria que ela tinha quando tentava entender o mundo. Então a boca dela tremeu em um bico.
— Vocês vão esquecer de mim? — ela perguntou com a voz embargada, os olhinhos cheios de água.
Ela desceu do colo de Edward, se afastando com as mãozinhas fechadas em punhos, o rostinho confuso. Meu coração apertou.
— Sole mio… — me abaixei na altura dela — O casamento é para celebrar a nossa família. Você é a parte mais importante. Nunca, nunca, nunca vamos esquecer de você.
— Mas vocês vão dançar sozinhos — ela fungou — E ter uma casa sozinhos, e dormir sem mim.
Edward veio até nós e a pegou no colo com cuidado, abraçando-a firmemente.
— Claro que não. Nós vamos dançar com você, morar com você — ele disse — Tudo com você.
Ela me olhou por cima do ombro dele, ainda choramingando.
— Mamãe vai ter um vestido?
— Vai. E você vai usar um também. Igual ao dela. E vai levar as flores na frente da mamãe.
Os olhos dela brilharam por um segundo. Depois ela fez um beicinho teimoso.
— Mas eu quero casar com a mamãe também.
Soltei uma risada alta.
— Você não pode casar comigo, mas nós já somos uma família há muito tempo. Agora a mamãe vai casar com o papai e vamos todos ficar juntinhos.
Ela demorou mais alguns segundos para processar. Então assentiu, lentamente, e se agarrou no pescoço do pai. Era nessas horas que eu via que ainda tinha um bebê.
Por mais que Chloe fosse esperta, sempre falando por aí e fazendo perguntas, ela ainda tinha só dois anos. Sua cabecinha ainda não era capaz de compreender muitas coisas, e isso também fazia parte da beleza de acompanhar seu crescimento.
*o*o*o*o*o*o*o*o*
Algumas semanas se passaram desde aquela noite no jardim.
O diamante no meu anel brilhava no meu dedo, mas mais do que isso, o que brilhava era a paz que eu carregava no peito. Claro, logo eu e o anel viramos a atração da cidade, mas agora… tudo era diferente.
Não havia pressa, não havia caos. Havia apenas o desejo — meu e de Edward — de celebrar. De fazer aquilo do nosso jeito. Decidimos por uma cerimônia pequena, só com quem realmente fazia parte da nossa história. Seria ainda no verão, no jardim da casa de Esme, com o som das árvores ao fundo e Chloe levando as flores no caminho até mim.
Alice, obviamente, tentou transformar tudo em um evento que sairia na Vogue Noiva.
— Pequeno não significa simples, Bella — ela dizia, ajustando tecidos e rabiscando ideias de decoração em um caderno.
— Significa exatamente isso. Simples.
— Você está arruinando minha carreira como organizadora de casamentos.
— Você não é organizadora de casamentos, é administradora de empresas.
— Ainda.
Rosalie, por outro lado, era um pouco mais prática.
— Desde que não me façam usar um vestido rosa fluorescente que não me deixará amamentar, estou feliz.
Charlie, no entanto, precisou de alguns dias para absorver a ideia.
— Então… vocês vão casar. De verdade.
— De verdade.
Ele coçou a nuca, desviando o olhar.
— Bom… já estão vivendo como se fossem casados há um bom tempo. Só espero que ele saiba a sorte que tem.
— Ele sabe, pai.
— E que não ouse te fazer sofrer.
— Ele já fez de tudo para consertar o passado.
Charlie assentiu, emocionado demais para dizer qualquer outra coisa, e eu percebi que, no fundo, ele sempre soube que isso aconteceria.
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No sábado anterior à data da cerimônia, fomos até a casa de Esme para os últimos detalhes. Chloe corria de um lado para o outro com um vestido amarelo cheio de margaridas, enquanto Edward a seguia com um laço na mão, tentando convencê-la a ensaiar sua entrada.
— Eu quero jogar flor assim! — ela dizia, jogando punhados para cima, espalhando folhas e grama como se fossem pétalas.
— E se você só… andar e sorrir? — sugeriu Edward, com a paciência de um santo.
— Não. Tem que ter flor voando.
Alice, sentada no banco de madeira com um iPad, já rabiscava alternativas para que as pétalas não deixassem o jardim inteiro parecendo um tapete de confete. Rosalie, com Henry no colo, apenas observava. Ela tinha chegado naquela manhã e Emmett viria dois dias depois.
— Boa sorte com ela — murmurou para Edward — Chloe parece pronta para estrelar um musical, não um casamento.
— Uma semana, Rose. Só preciso aguentar isso por mais uma semana e aí ela vai desenvolver uma nova obsessão.
Esme nos chamou até o canto do jardim, onde mostrava onde imaginava colocar o altar — ao lado da roseira, com o sol da tarde passando por entre os galhos.
— Aqui. Foi onde você contou que tinha descoberto sobre Chloe.
Eu olhei para Edward e ele sorriu. E eu senti, com uma clareza quase dolorosa, que aquele era o cenário certo para selar o que começamos a construir juntos.
Mais tarde, de volta à nossa casa, Alice chegou com duas malas de vestidos.
— Isso não é simples, Alice.
— Simples é relativo, Bella. Simples pode significar um modelo fluido, etéreo, com bordados à mão vindos de Florença.
— Alice.
— Ok. Mas posso te mostrar um que talvez te faça chorar?
Acabei experimentando três. E o terceiro… tinha que ser aquele. Um vestido leve, sem alças, com uma fileira de botões em seda nas costas e uma saia de caimento suave. Sem brilhos, sem bordados exagerados. Apenas… delicado. Como eu me sentia agora.
Naquela noite, depois que Chloe dormiu e a casa mergulhou num silêncio calmo, Edward me encontrou na varanda, com um chá na mão. Ficamos ali por alguns minutos em silêncio, ouvindo os sons suaves da noite.
— Sabe o que eu fico pensando? — ele disse, baixinho — Que não importa o vestido, nem a cerimônia, nem os votos. O que importa é você.
Respirei fundo, sentindo o coração apertar — de um jeito bom.
— Eu estive esperando por você por muito tempo, Edward.
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O sol já estava começando a se esconder atrás das árvores quando terminamos de montar uma cabana de lençóis na sala. Chloe correu ao meu redor com a energia que parecia que só existia no fim do dia, segurando uma lanterna na mão.
— Mamãe, olha!— ela girava a lanterna como se fosse uma espada mágica.
— Cuidado com os olhos, pequena Jedi — Edward disse do outro lado da sala, enquanto ajeitava as almofadas dentro da cabana improvisada.
Ela ignorou o aviso com um risinho e entrou no esconderijo de tecido, logo depois o chamou, exigente:
— Papai, vem! Só falta você!
Depois da brincadeira, Chloe exigiu que Edward lesse a história da noite. Ela se sentou no colo dele, dentro da cabana, enrolada em uma manta como se fosse uma capa, enquanto eu aproveitava alguns minutos para organizar a bagunça — ou fingir que organizava, porque na verdade estava só ali, parada na porta, olhando os dois juntos.
Ele lia com uma entonação exagerada, fazendo vozes diferentes para cada personagem. Chloe ria, cobrindo a boca com as mãos, encantada. E eu.. me apaixonei de novo. Um pouco mais. De um jeito novo.
Logo ela fechou os olhos, murmurando alguma coisa sobre bolo e flores no meio de um bocejo. Edward a ajeitou deitada no chão, puxou o cobertor com cuidado, e nós dois ficamos ali por alguns minutos, só olhando para ela em silêncio. Era impressionante como, mesmo dormindo, Chloe parecia ocupar o espaço de um mundo inteiro.
Mais tarde, depois que levamos uma Chloe que dormia profundamente para sua cama, nos sentamos no sofá com duas canecas de chá. A casa estava em silêncio, exceto pelo som da chuva fina começando a cair lá fora.
— Quando você imaginava o futuro... era assim? — perguntei, olhando pra ele por cima da caneca.
Edward pensou por um instante antes de responder.
— Eu não sabia se merecia um futuro. Mas agora... eu não consigo imaginar algo melhor do que isso.
Me aproximei dele, deitando a cabeça em seu ombro.
— Ainda vamos ter dias difíceis. Talvez noites sem dormir. Talvez inseguranças. Mas se for com você... eu vou para qualquer lugar.
Ele me beijou no alto da cabeça.
— Eu também.
Ficamos ali, em silêncio. Só nós dois. Respirando devagar. Como se estivéssemos, finalmente, no lugar certo.
Oi, queridos :)
Não sei vcs, mas a Chloe é minha criança favorita entre as que já escrevi.
Beijo e até o próximo, com o casamento.
