Há muitos séculos, foram criadas joias mágicas com poderes espantosos, os Miraculous. Através da história, os heróis usaram estas joias para o bem da humanidade. Dois destes miraculous são mais poderosos que os outros, os brincos da joaninha, que concedem o poder da criação, e o anel do gato preto, que concede o poder da destruição. Segundo a lenda, quem controlar essas duas joias ao mesmo tempo alcançará o poder absoluto.
Quando a voz cessou a explicação, a pequena criatura fitou o seu portador, que acariciava a sua joia - um miraculous.- Eu quero esse poder absoluto, Nooroo. - Sob a luz branca filtrada pelas janelas, o homem que fechava o broche, tapando também a visão da fotografia que ele guardava dentro, falou ao Kwami lilás. - Tenho de conseguir esses miraculous.
- Mas ninguém sabe onde estão esses miraculous. - Nooroo, apreensivo, falou. Atrás de si, bem como em baixo e por todo o covil, borboletas brancas voavam, iluminadas pela luz.
- Mas eu encontrei-te, meu pequeno Nooroo. - Disse ele, mantendo um singelo, mas interesseiro, sorriso. - Este miraculous a que estás ligado, relembra-me... Qual é o seu poder? - O homem pediu pela informação, acariciando novamente o broche.
- Permite-te conceder superpoderes a alguém e transformar essa pessoa no teu seguidor. - Nooroo respondeu, sem delongas.
- E quanto a atrair super-heróis? O que poderia ser melhor do que criar super-vilões? - O homem verbalizou os seus pensamentos, enchendo Nooroo de ansiedade.
- Mas, mestre, os miraculous não devem ser usados para praticar o mal. - Nooroo defendeu a ideia, olhando nos olhos obscurecidos do homem, que estava contra a luz.
Apesar da tentativa, o homem apenas bateu o pé com raiva no chão, perturbando as borboletas, que tentaram afastar-se em momentos.
- Eu hei de ter esse poder absoluto! O teu miraculous está sob meu controle! Agora eu sou o teu mestre! - Ele apontou para o Kwami assustado. - E tu tens de obedecer-me!
Rendido, Nooroo abaixou a cabeça: "Sim, mestre. Às tuas ordens." - Disse ele, a contragosto.
Decisão formada e tomada, o homem colocou, por fim, o broche no local da gravata recém tirada. Foi então que, pela primeira vez, as seguintes palavras passaram pelos seus lábios: "Nooroo, que se abram as asas negras!"
Ao somdessas palavras, as borboletas por todo o covil cobriram o corpo do homem por inteiro, sendo elas iluminadas pelo poder que emanava do portador do miraculous. Sem mais demandas, Nooroo foi puxado para dentro da joia, terminando de conceder os poderes ao homem maligno.
- Serei conhecido como Falcão-Traça. - Soltando uma risada, as borboletas brancas voltaram a espalhar-se pelo covil. Olhando em frente, de onde a luz entrava, o símbolo de uma borboleta decorava a enorme janela redonda.
Após esta provação, num canto da cidade de Paris, outra criatura, semelhante a Nooroo, acordou agitado e voou em direção a um idoso, que trabalhava no momento.
- Mestre, mestre! - Parando de voar apressado até ao velho, com um olhar dele, o senhorzinho teve que improvisar um teatro, pois um segredo deveria manter-se.
Após o kwami verde se esconder atrás das costas do senhor, o homem chamado de "mestre" começou a agitar as mãos sobre as costas do cliente, que o olhava em confusão.
- Mestre! Mestre! Cânticos. Faz parte do tratamento. - O velho juntou as mãos, enquanto se explicava ao cliente. - Mestre! Mestre! - Ele continuou, antes de levantar o homem e empurrá-lo porta fora. - Obrigado por ter vindo.
- Sim, mas... - O cliente tentou dizer.
- Até para a semana! - O velho despediu-se, fechando a porta e respirando fundo. Sem perder mais tempo, o Kwami falou.
- Mestre, o miraculous da borboleta, senti a sua aura. - Disse o kwami, alarmado.
- Pensei que estava perdido para sempre. - O mestre falou, pondo a mão sobre o queixo.
- Mestre, é uma aura negativa. Temo que esteja nas mãos de um poder negro. - O Kwami acrescentou.
- Temos que encontrar o Nooroo. Se o seu miraculous caiu em mãos erradas, não sabemos que mal se pode abater sobre o mundo. - O mestre afastou-se da porta, andando em frente, terminando o percurso quando voltou a olhar o Kwami. Levantando o pulso, o homem começou por falar. - Está na hora de intervir! Wayzz! Ah... ah...ah... - Por três vezes, o senhor queixou-se das costas, antes de se ajoelhar sobre o colchão disposto no chão.
Wayzz, o kwami, voou para mais perto do homem.
- Por favor, mestre, seja razoável, o mestre...
- Ainda sou jovem, só tenho 186 anos. - O homem interrompeu Wayzz, ainda de joelhos. - Mas tu tens razão, Wayzz, não posso continuar a agir sozinho - Vamos precisar de ajuda. - Falou ele, dirigindo-se ao fonógrafo que observava ao falar.
Pressionando os olhos dos dois dragões na decoração do artigo, botões revelaram-se e o mestre carregou em alguns, num código. Isso resolveu-se em mostrar um compartimento secreto no interior do fonógrafo, fazendo uma caixa antiga desaparecer.
Mudando de cenário, permanecendo em Paris...
- Marinette~~~ O teu alarme está a tocar durante quinze minutos. Vais atrasar-te para o 1º dia de escola! - uma calma voz feminina avisou de lá de baixo.
O referido alarme, no telemóvel da dorminhoca, foi desligado pela rapariga, que apareceu pouco tempo depois a descer as escadas de pijama.
- Já ouvi, mãe, estou a ir~~ - Sem ânimo, a azulada falou. E, dando um beijo de bom dia à mãe, Marinette sentou-se à mesa e começou a preparar o pequeno-almoço com os alimentos que estavam em cima da mesa. - Aposto que a Chloé vai estar na minha turma. - Ela disse, sem ânimo, até tristeza refletindo no seu olhar.
- Quatro anos seguidos? - A sua mãe voltou-se para ela. - Isso é possível? - Perguntou a mulher, também de cabelos azulados, responsável pela genética da adolescente. Tendo escutado diversas vezes as queixas da filha contra a colega de turma, Sabine Dupain-Cheng sabia, parcialmente, o terror que assolava os dias de escola da sua filha única.
- Claro que sim, mamã. Que pouca sorte a minha. - Falou a menina, colocando chocolate em pó dentro da tigela com leite.
- Não digas isso, é o início de um novo ano. Tenho a certeza que vai correr tudo bem. - Tranquilizou Sabine, sorrindo para a filha.
Distraindo-se ao devolver o sorriso à mãe, Marinette atrapalhou-se ao pousar a caixa de chocolate em pó perto das frutas, e fez uma laranja rolar por toda a mesa, derrubando a caixa do leite, o iogurte e por pouco não derrubando também o chocolate em pó, que foi segurada por Marinette.
Acariciando a bochecha de Marinette, Sabine conseguiu trazer a alegria novamente ao rosto da filha. Após de aprontada e pronta para as aulas, Marinette foi até à parte da padaria e encontrou-se com o seu pai, que cantarolava feliz.
- Tantarãrãtãtãra~~~ - O pai de Marinette cantarolava, fazendo suspense ao revelar os macarons que fez para a filha.
- Oh, pai, estão linndoss! - Marinette maravilhou-se, colocando as mãos no rosto sorridente enquanto observava os macarons amarelos.
- Ainda bem que gostas. - Tom, pai dela, disse aliviado.
- Obrigada, pai. A minha turma vai adorar. És o maior. - Aos pulinhos, Marinette agradeceu, pegando na caixa dos doces das mãos do pai.
- Nós somos os maiores. - Corrigindo-a, Tom acariciou o topo da cabeça da filha, antes de usar essa mão para apontar para o desenho feito num caderno. - Graças aos teus desenhos espantosos. - Ele apontou para o desenho, o mesmo que estava estampado em todos os macarons da caixa.
Impulsivamente, Marinette abraçou o pai, deixando, por descuido, a caixa dos macarons cair, mas esta foi salva por Tom, que a apanhou com o pé e, laçando-a para cima e apanhando-a, entregou de volta à filha. No outro lado de Marinette, Sabine entregava à filha a sua mochila rosa, que a pegou e pôs-se a caminho da porta da padaria, depois de dar um beijo de despedida nos dois.
- Até logo! - Ela falou, mas antes...
- Marinette!
Marinette ouviu o seu pai chamá-la. Voltando a abrir a porta da padaria e colocando a cabeça para dentro, ela olhou confusa para a mãe, pois o pai vasculhava o frigorifico em busca de algo.
- Será que te importas em fazer-me um pequeno favor, filha? - Trazendo algo nas suas mãos, Tom perguntou, esperançoso.
- Hã...? Claro que não. O que é, pai? - Marinette perguntou, entrando por completo na padaria. Explicada a tarefa, antes de ir para as aulas, Marinette parou em outro lugar. Mas, quando terminado o afazer, ela correu em direção à escola.
- É melhor fechar isto antes que o cheiro do queijo impregne nas minhas roupas. Tomara que o meu perfume possa disfarçar o cheiro dele. - Torcendo o nariz, Marinette seguiu o seu rumo, mas, se ela não fosse ela mesma, não teria esbarrado num velho senhor no meu da estrada. Puxando o senhor para fora da passadeira, Marinette tropeçou e caiu. Junto dela, a caixa dos macarons também.
- Estamos no meio da cidade, o que faz um carro a conduzir naquela velocidade? - Marinette resmungou para si, antes de olhar para o senhor que salvou. - O senhor está bem? Não se magoou? - inclinada, ela perguntou, oferecendo um singelo sorriso.
- Tudo bem, minha jovem. Muito obrigado. - Ele sorriu-lhe, agradecido. - Oh, não... Lamento muito pelo desastre. - Foi então que ele notou a caixa de macarons espalhada no chão.
- Oh, tudo bem. Está sempre a acontecer-me, acredite. - Disse ela, pronta para pegar na caixa, mas antes, um homem a pegou por ela.
- Ah, sinto muito, menina. - Um homem pegou na caixa com os restantes macarons. O seu rosto mostrava-se culpado e, olhando para os pés do homem, Marinette adivinhou que talvez tenha sido pelo homem ter pisado na ponta da caixa e destruído um dos macarons.
- Obrigada! - Marinette exclamou ao homem, que havia ido embora com pressa, mas que lhe sorriu ao ouvir a menina ao longe. Voltando o olhar para o senhor idoso que ajudou, ela ofereceu-lhe uma prova, inclinando a caixa em direção ao homem. - Aqui, sobraram alguns.
O mestre aceitou o doce, agradecendo à jovem.
- Humm, delicioso. - O mestre elogiou.
Querendo sorrir, Marinette foi impedida quando ouviu a campainha da escola tocar.
- Oh, não! Estou atrasada! Tenha um bom dia! - Marinette correu pela passadeira em direção à escola, deixando o homem para trás.
- Hum, muito obrigado, minha jovem. - O mestre sorriu, observando Marinette desaparecer de vista. No entanto, o seu sorriso desapareceu quando percebeu algo errado no seu bolso. - Onde está? - Os seus olhos arregalaram em alarme, enquanto a sua mão continua a remexer o bolso. - A caixa?! - Ele sussurrou num grito.
De boca aberta, o olhar do mestre voltou por onde a adolescente tinha corrido.
- Plagg, para onde foste? - ele soltou a pergunta no ar, um olhar chocado no seu rosto ao assimilar o que, potencialmente, podia ter acontecido.
A entrar na escola estava Marinette, que corria a sete pés em direção à sala de aula. Quando entrou, estava a professora a sugerir ao Nino que o rapaz fosse sentar-se num dos lugares da frente, o que este fez.
Sentando-se, Marinette esperou o início das aulas. Ou era o que ela pretendia, se uma mão não tivesse colidido com a madeira da mesa com força e o seu olhar não avistasse a pessoa mais tenebrosa daquela turma, e talvez da escola toda.
- Marinette Dupain-Cheng~~! - A loira sorria para Marinette.
- Já começa. - Marinette suspirou. Pela sua expressão, a rapariga que estava a perturbá-la seria Chloé Bourgeois, filha do presidente da câmara.
- Esse é o meu lugar. - O sorriso da loira desvaneceu-se em questão de um segundo. Pelo barulho que a loira fazia todos os anos, alguns olhares da turma observavam a interação das duas, discretamente.
- Mas este foi sempre o meu lugar. - Marinette lembrou-a, esquecendo-se que factos não resultam com Chloé se não for para o benefício da mesma.
A explicação veio em instantes, após colocada a dúvida de Marinette quanto à identidade do amigo da loira. Adrien Agreste, um modelo famoso, viria estudar naquela turma com elas e ele iria sentar-se na mesa abaixo, perto de Nino. Portanto, como era "óbvio", Chloé deveria ficar com o lugar acima do modelo, para ficar por perto.
- Sai daí! - Chloé mandou, apontando para Marinette se ir sentar noutro assento.
- Ei! Quem é que te nomeou Rainha dos Lugares? - De braços cruzados, a aluna nova na turma, aquela que Chloé desdenhou momentos antes, foi defender Marinette, confrontando Chloé. Ao redor, muitos alunos assistiam à discussão que se desenrolava debaixo dos seus narizes, enquanto que a professora da turma não estava a prestar atenção no momento.
- Ah, olha, Sabrina, este ano temos uma justiceira na turma. - Chloé debochou. - O que é que vais fazer, super-novata, disparar lasers pelos teus óculos hediondos? - Ela provocou, aproximando o rosto da nova aluna.
- Nem queiras saber. - A novata respondeu, inclinando-se para a frente, antes de empurrar a loira para longe e pegar na mão de Marinette, que pegou na caixa de doces apressadamente. - Anda. - Puxando Marinette para longe, a azulada tropeçou e deixou cair a caixa de macarons no chão, despedaçando os poucos que sobravam.
- Desculpem, desculpem. - Marinette pediu rapidamente, antes de se sentar no lugar da frente junto à sua salvadora.
Nesse momento, a professora pronunciou-se.
- Tudo bem, todos encontraram um lugar? - Ela perguntou.
- Tem calma, está tudo bem. - A nova aluna tranquilizou Marinette, com um sorriso no rosto.
- Quem me dera lidar com a Chloé tão bem quanto tu. - A azulada confessou, olhando para a menina.
- Como a Majestia, queres tu dizer. - a menina apontou para a tele do seu telemóvel. - Ela diz que para o mal triunfar, só é preciso que as pessoas boas não façam nada. Aquela rapariga ali é o mal, e nós somos as pessoas boas. - Ela apontou para a loira, antes de apontar para si e abraçar os ombros de Marinette.
- Isso é mais fácil de dizer do que fazer. - A negatividade de Marinette reinou sobre a positividade. - Ela está sempre a implicar comigo. - Marinette confessou-lhe, aproximando-se do ouvido da nova amiga.
- Porque tu deixas. - A menina de óculos retrucou logo. - Só precisas ter mais confiança em ti... Ahh...? - Essas palavras abriram um pequeno sorriso na azulada, que começou a partir o último macaron ao meio.
- Marinette. - De frente para a menina, ela ofereceu-lhe uma metade do doce.
- Alya. - A outra apresentou-se, aceitando a parte do macaron.
Enquanto saboreavam o macaron deliciosamente, elas escutavam a professora falar.
- Para aqueles que não me conhecem, eu sou a professora Bustier. - Ela sublinhou o nome escrito no quadro. - E vou ser a vossa diretora de turma.
-Ele já devia ter chegado. - Como muitos na sala, Chloé não prestava atenção ao que a professora falava, mas mostrava-se descontente com a ausência do seu autoproclamado "melhor amigo", Adrien.
Quem dera a ela saber que esse rapaz estava a correr em direção à escola e quase a chegar às escadas.
Quando escutou o carro veloz a ir em sua direção, ele apressou-se e tentou entrar na escola o mais rápido possível. No entanto, ela não conseguiu ignorar quem o chamava.
- Adrien, por favor, não! - Uma mulher com uma madeixa vermelha no cabelo pediu, fechando a porta do carro e andando em direção ao rapaz. - Sabes muito bem que o teu pai não quer. - Ela aproximou-se do loiro, junto de um homem alto e corpulento.
- Mas é isto que eu quero fazer! - O rapaz de olhos verdes falou, colocando a mão sobre o peito por instantes. Antes de continuar a subir as escadas, a tosse de alguém chamou a sua atenção. O idoso caído no chão era ignorado pelas pessoas que passavam rente a ele, como se ele fosse um fantasma. Vendo a cena, Adrien correu em direção do senhor e pegou na bengala que o homem tentava pegar de volta.
- Obrigado, meu jovem. - O senhor falou, era o mesmo homem que esbarrou em Marinette.
Com um sorriso crescente no rosto, Adrien voltou-se para trás e encarou os dois carrancudos perto das escadas, o seu sorriso desvanecendo-se em instantes. Sem dizer mais uma palavra ao idoso, Adrien andou até aos dois.
- Só quero ir para a escola como todos os outros. Qual é o problema? - Ele deu de ombros, em questionamento. Recebendo apenas um olhar duro e expressão rígida da mulher, o rapaz suspirou e abaixou a cabeça. - Por favor, não contes ao meu pai. - Pediu ele, sendo encaminhado pelo homem corpulento até ao carro.
Observando a cena, o idoso sorriu para a partida do carro.
- Lá vai ter de ser. Se não é com um, será com o outro. - O mestre falou para si e, colocando a bengala sobre o ombro, ele partiu na direção oposta.
Após um tempo, ao toque da campainha, na sala de aula de Marinette, a turma era dispensada.
- Kim! - Um rugido de um adolescente corpulento escutou-se fortemente, este preparando-se para socar um colega de turma, que se ria da sua cara.
- Ivan, o que é que se passa? - Bustier questionou.
- É o Kim. - Ivan apontou, antes de fechar novamente o punho. - Eu vou dar cabo dele!
- Ivan, ao gabinete do diretor. - Sem ameaças ou promessas, a professora mandou o aluno direto para a sala do diretor pelo seu comportamento inadequado.
Grunhindo de raiva, Ivan amassou a folha de papel que tinha em mãos e foi, raivoso, para a sala do diretor. Dizem que as pessoas ignoram as que estão com raiva, mas uma pessoa daria sempre a sua atenção a essas pessoas tristes e deprimidas. Agora, em Paris, essa pessoa dava a sua atenção a Ivan.
No covil do Falcão-Traça...
- Tantas emoções negativas, perfeito. Mesmo o que eu precisava. Tristeza, cólera... Abre um buraco no seu coração, meu terrível akuma. - Envolvendo a borboleta com as mãos enluvadas, a branquidão da bela borboleta foi alterada para um conjunto de negridão roxa. - Voa, akuma. E tinge de negro o seu coração! - Ele observou a borboleta passar pela abertura no centro da enorme janela, a alegria da sua primeira akumatização eletrizando o seu corpo.
Na escola, Ivan chegava ao escritório do diretor. Entrando, as primeiras palavras do diretor para si foram de educação.
- Então, não se bate à porta antes de entrar? Sai e faz como deve ser. - O diretor mandou, fazendo a raiva que Ivan já sentia aumentar pela falta de paciência do rapaz no momento frágil dele.
Saindo do escritório, Ivan demorou para fazer o que lhe foi dito. A voz do diretor a questioná-lo ouvia-se do outro lado, mas o adolescente não o escutava. Ao invés disso, uma outra voz penetrou na sua mente.
- Stoneheart, sou o Falcão-Traça. Dou-te o poder de te vingares daqueles que te magoaram.- A voz do vilão ecoou pela mente do rapaz, cuja ira aumentava no seu coração e a carranca no seu rosto foi substituída por um belo e alegre sorriso. Um sorriso que prometia diversão (para ele).
- Sim, Falcão-Traça. - Frente à porta do diretor, Ivan consentiu a akumatização e o seu coração mergulhou nas sensações prazerosas que lhe prometiam fazer-se esquecer e superar a humilhação que sentiu no momento em que leu o bilhete de Kim. O seu corpo foi coberto pela negridão arroxeada do poder do vilão, enquanto isso, do outro lado da porta, o diretor perdia a paciência.
- Então? Bate à porta! - O diretor gritou, pondo as mãos sobre a mesa do seu escritório. Quando o diretor falou, a porta saiu das dobradiças e, com o susto que levou, o homem caiu para trás.
- Kimmmmm! - A voz do monstro de pedra reverberou pela escola, bem como o peso dos seus passos, que fazia a escola tremer.
O tremor obrigava os alunos a esconder-se para proteção, no entanto, não eram todos que se assustavam.
- Anda! - Pegando na mão de uma Marinette encolhia sobre uma mesa da biblioteca, Alya puxou-a até à televisão que tinha no local. Nela, imagens do exterior da escola estavam a ser mostradas, preocupando os alunos que assistiam. Mas, quando viram que o monstro de pedra estava a afastar-se da escola, os gritos e a correria dos alunos acalmaram.
- O que é que se passa? Ele tinha a voz do Ivan?! - Marinette constatou, preocupada com as imagens que via.
- É como se se tivesse transformado em um super-vilão! - Ao contrário de Marinette, Alya mostrava-se incontestavelmente empolgada. - GPS, está! Bateria, está! Adeus, já cá não estou! - Após conferir o seu telemóvel, Alya correu para fora da biblioteca.
- Ei, onde é que vais?! - Marinette perguntou, antes que Alya desaparecesse.
- Onde há um super-vilão, há sempre um super-herói! - Alya gesticulou, antes de correr porta fora.
Por decreto dos superiores, quem não tinha mais aulas oficiais teria que sair da escola mais cedo, e nesse quadro encaixava-se Marinette. Por outro lado, em outro lugar na cidade de Paris, um adolescente da idade da azulada continuava a estudar, o seu rosto emanando tédio e infelicidade.
- Excelente, Adrien. - Nathalie parabenizou a resposta correta do rapaz à sua pergunta de história de França. Mas o rapaz não se importava com o elogio, a sua cabeça mantinha-se apoiada pela mão e os seus olhos só não se fechavam porque ele pensava no seu desejo não cumprido: frequentar uma escola normal.
- Deixe-nos a sós, sim, Nathalie? - Um homem de cabelos brancos, quase chegando a um loiro, pediu, perto da porta da sala de jantar.
- Sim, senhor. - Nathalie afastou-se de Adrien, mas permaneceu por perto.
Quando o silêncio se estabeleceu, o homem falou.
- Já te disse que está fora de questão frequentares uma escola. - Escutando essas palavras do homem, o olhar de Adrien percorreu a sala até Nathalie, que desviou o olhar.
- Oh, pai... - Adrien tentou.
- Tens nesta casa tudo o que precisas! Não permito que saias para aquele mundo perigoso!
- Não é perigoso, pai, estou sempre aqui sozinho. Por que é que não posso sair e ter amigos como os outros todos? - O rapaz de olhos verdes tentou novamente, mas o seu pai parecia inflexível.
- Porque tu não és como toda a gente, tu és o meu filho. - Ele ressaltou. - Continuem. - O pai do rapaz retirou-se, após deixar Adrien cabisbaixo.
- Podemos terminar por aqui, se quiseres. - Nathalie deu-lhe a opção, a que Adrien retirou-se imediatamente da sala, correndo.
Deixando a sua mochila espalhada no chão, com a qual pretendia frequentar a escola, Adrien deixou-se ficar deitado na cama de barriga para baixo, o seu rosto afundado na almofada. Isso durou até ao momento em que o chão tremer e ouviu algum tremor do lado de fora, fazendo-o sair pela porta de casa e ver com os seus próprios olhos o que estava a acontecer.
Na frente do seu portão, carros policiais barravam a passagem de um monstro de pedra, armas eram apontadas para ele.
- Preparados? Fogo! - Um polícia ruivo comandou, e os outros polícias atacaram coordenadamente.
Mas o efeito surtido foi nefasto, o monstro cresceu e, consequentemente, ganhou uma aparência mais poderosa, corpulenta. Um grito alto saiu da boca do monstro.
- Kimmmmm! - Com a ira a aumentar, o monstro pegou na carrinha da polícia e lançou-a em direção ao polícia ruivo, que corria dele.
Terminando de ver a cena, Adrien correu para dentro e, quando chegou ao seu quarto, atirou-se ao sofá branco e acendeu a televisão em busca de informação. No canal de notícias, o presidente da Câmara era quem orientava os cidadãos de Paris.
- Quero pedir a todos os parisienses para ficarem em casa até a situação estar controlada.- Dizia Bourgeois.
- Foi confirmado que Paris está mesmo a ser atacada por um super-vilão. -Uma jornalista ruiva, de cabelos curtos, informava no jornal, após a declaração do presidente.- A polícia esforça-se para manter a situação sob controle. -Ela dizia, imagens passando no ecrã conforme as suas palavras.
- Tenham confiança, o braço forte da lei vai esmagar... Ugh, ui... o meu braço.- Queixou-se o polícia ruivo, que sentiu dor ao levantar o braço engessado.
Na sua casa, no seu quarto, a assistir às notícias no seu computador, Marinette reclamava, medrosa. "Detesto o primeiro dia de aulas."
Ao mesmo tempo, tanto a azulada Dupain-Cheng, como o loiro Agreste, notaram uma caixinha antiga sobre as suas respetivas mesas. A caixinha de Marinette pareceu ter escapado de dentro da sua mochila.
- Que está isto aqui a fazer? - Ambos perguntaram, observando a caixinha.
Abrindo a caixinha, um brilho verde e outro brilho vermelho irradiaram, formando uma esfera. Cada um dos brilhos se levantou das caixas e permaneceram na frente de cada um dos adolescentes.
O brilho ia cessando, e quando esse momento chegou, Marinette gritou.
- Ahhhhhhhh! - O que Marinette não esperava, é que aquela coisa a espelhasse.
- Ahhhhhhhhh!
- Ahhhhhhhhhhhhh! - gritando mais uma vez, fortemente, Marinette afastou-se pelo susto que tomou com o berro do outro, quase batendo contra o poste de madeira no seu quarto. Observando a criatura, Marinette surtou.
- Tens queijo aqui? - a criatura tentava sentir o cheiro do queijo que sentiu tempos atrás.
- Tu falas?! O que é isto?! Um inseto gigante?! Um inseto rato! - pegando nos objetos mais próximos de si, Marinette começou a lançá-los para o ser.
. Hum, deve ser bom. - comentou a pequena criatura negra, enquanto tentava morder o espelho de Marinette.
- Haaaa... - Marinette não tinha palavras, portanto decidiu manter o olhar arregalado sobre a criatura e dirigir-se até à saída do seu quarto cuidadosamente.
- Calma aí!
- Ahhh! - Marinette berrou mais uma vez, caindo no chão e arrastando-se para trás, para longe. A criatura negra havia-se posto na frente da azulada subitamente. - Paiiiii... Mãeee... - Ela chamava, tentando manter uma migalha de calma.
- Tem calma, eu sou do bem. - A criatura garantiu, tentando oferecer um sorriso à menina. - Eu sou o Plagg, o Kwami da destruição. E tu és... a Marinette! - exclamou ele, como se se tivesse acabado de lembrar.
Olhando ao redor, Marinette encontrou um copo e, a primeira coisa que lhe passou pela cabeça, foi o que ela fez. A azulada prendeu o Kwami dentro do copo e, só então, ganhou coragem para perguntar, encarando o bicho.
- O que és tu? E como sabes o meu nome? - A azulada interrogou-o.
Lembrando dos conselhos da sua amiga Kwami, Plagg rendeu-se e foi responder às perguntas da rapariga.
- Sou um Kwami e concedo-te poderes da destruição. Marinette, a partir de hoje serás a minha portadora. Agora, o que tem para comer, estou esfomeado. - Saindo das garras da azulada, Plagg foi procurar novamente comida, encontrando apenas um teclado para experimentar o gosto.
Antes que Marinette continuasse a chamar os seus pais, pela primeira vez, Plagg mostrou-se sério e apareceu na frente da menina. Desta vez, Marinette não se afastou tanto, mas manteve-se apreensiva.
- Os teus pais não podem saber que eu existo. Nem ele, nem ninguém, já agora. - Plagg falou, cruzando os pequenos braços.
Enquanto isso, no quarto de Adrien...
- Uau, és uma criatura mágica? - O loiro olhava maravilhado para o ser voador. - E voas! - Ele exclamou.
Adrien mostrava fascínio, mas a Kwami apenas o olhava de boca aberta.
- Adrien Agreste? - A voz da Kwami perguntou, incerta e em choque.
- Eu próprio! - Respondeu com entusiasmo, mas o entusiasmo logo foi morrendo reconhecendo a expressão da criatura. Mesmo sendo um ser diferente do ser humano, a expressão ainda podia ser facilmente lida. - Isso é... desapontamento? No teu olhar? - Ele coçou a nuca, escondendo o quão forte aquilo lhe bateu. - Tudo bem...
- Não! Quer dizer, é... É confusão. - A Kwami corrigiu-se vez após outra, até chegar a uma conclusão.
- Confusão? - Adrien arqueou a sobrancelha, agora confusão pintando o seu rosto. - Com o quê? Bateste na porta errada? - O rapaz perguntou, de brincadeira.
- Sim! Mas... - Rapidamente, ela continuou. - Não temos tempo para pensar nisso agora. - O ser balançou a cabeça, tentando organizar os pensamentos e focar no assunto principal. - Adrien Agreste, eu sou o Kwami da Criação e eu conceder-te-ei poderes e tornar-te-ei um super-herói. Agora, és o único que pode impedir o Stoneheart de aterrorizar Paris! - Com o bracinho, Tikki apontou para a televisão, que ainda mostrava os seres de pedra. Naquele momento, dezenas de seres de pedra se moviam por Paris, as suas frustrações sendo jogadas a cada ataque ou retaliação que passava pelos seus caminhos.
Com o dito mestre...
- Acha que eles estão à altura, mestre? - Wayzz perguntou, enquanto o mestre guardava a caixa novamente. - A confusão com os miraculous pode ocasionar situações de perigo, mesmo entre os dois portadores. - Ele alertou.
- Só me enganei uma vez... E, infelizmente, voltei a cometer um erro. - o velho fechou a caixa e deixou-a ser escondida no fonógrafo.
- Eles ainda são os escolhidos, nada maligno deve surgir deles, pelo menos. - Wayzz tentou apaziguar a situação e ver o lado positivo.
Soltando um suspiro, o mestre colocou as mãos atrás das costas e andou até à mesinha, onde uma xicara de chá estava pronta a ser servida.
- Assim esperemos. - o mestre falou, antes de olhar o seu reflexo na bebida que deitava na xícara.
Voltando ao quarto da Marinette...
- Isto tem de ser algum engano. O único superpoder que eu posso ter é o da super-trapalhice. - Marinette rebaixou-se, sentada sobre a escotilha do seu quarto. - Já sei! A Alya! Vai ajudar-me, é minha amiga. Pelo menos, acho que vai ajudar. Ela adora super-heróis, é a pessoa certa para isto. Vai falar com ela. - Ela falava sem parar, mas Plagg interrompeu-a.
- A escolhida és tu, e não há outra pessoa em Paris, senão tu, apta para esta missão. Pelo menos, foi o que eu ouvi. - Plagg falava enquanto procurava com o olhar alguma coisa.
- Quem disse o quê? - Marinette piscava para Plagg, em curiosidade. Foi então que o Kwami percebeu o que ele disse.
- As vozes maiorais da minha mente brilhante, pois claro! - Plagg falou, antes de correr até ao ecrã do computador da azulada. - Olha, aquele é um vilão que precisas deter, junto do teu parceiro. - Ele apontou para a tela, mesmo desconcentrado enquanto fazia burburinhos incoerentes. - Ele agora deve chamar-se algo como MisterBug, ou isso.
No quarto de Adrien, a mesma complicação se desenrolava, mas a situação tomava forma.
- Mas eu estou preso aqui, nem sequer me deixam ir à escola. Para que serve um super-herói que é prisioneiro na sua própria casa?! - Adrien fez drama, estufando o peito e fechando os olhos de cabeça erguida, mesmo que seja um sentimento justificado.
- Se quiseres que isso mude, tens de querer. Tens de fazer a tua escolha, Adrien. - Com a sua expressão mais doce, Tikki livrou-se de toda a confusão na sua mente e começava a aconselhar o seu novo companheiro. Voltando o seu olhar para o par de brincos prateados, Adrien encarava o desafio.
Voltando para a Marinette...
- E quais são os meus poderes? - perguntou Marinette, enquanto colocava o anel, que se alterou de negro para um anel de ouro rosa, que tinha uma joia vermelha incrustrada no topo.
- Está no nome, tens o poder da destruição nas tuas garras. - Plagg informou, enquanto vagueava pelo quarto.
- E como o uso? É só balançar a mão que ela lança raios destrutivos? - Olhando para o espelho de corpo inteiro, Marinette olhava a sua figura.
- O teu poder chama-seCataclismo, e só o podes usar uma vez. Depois destransformas-te ao teu estado civil.
- Destransformar-me?! Como é isso?! E se eu estiver no meio da batalha? Não posso sair a meio, posso? - A voz de Marinette subiu de tom, o alarme na sua voz mostrando a sua preocupação.
- Claro que podes, mas daí tu voltas. - Plagg tranquilizou-a, mas nem tanto.
- Explica isso melhor, por favor. - ela pediu.
Suspirando, Plagg cedeu e foi para perto de Marinette, esta percebendo que Plagg não aparecia no espelho, maravilhando-a, ao invés de assustá-la.
- Após te transformares, tens um único poder, que só pode ser utilizado uma vez. - Ele ressaltou, aproximando-se do rosto da azulada. - Depois terás apenas cinco minutos para concluir a tarefa, antes que te destransformes obrigatoriamente.
- Só cinco? - Ela pensou alto.
- Sim, mas nada te impede de te transformares logo de seguida. Mas atenção! - Plagg berrou, o seu rosto imperturbavelmente sério. - Tens que me alimentar depois de todas as vezes que te transformares. Eu gosto de queijo, para informação adiantada.
- Tu comes? Certeza que isso não é tanga? - Marinette brincou, desacreditada com aquele dever.
- Claro que é sério! Se eu não comer, não terei forças, e se eu não tiver forças, terei de retirar essa força da tua energia vital, o que causará uma possível doença ou morte para ti. - Ele apontou para a azulada. Desta vez, Marinette realmente se assustou, e assentiu em concordância com o dever da alimentação. - Agora vamos para a parte mais divertida! - o Kwami festejou.
- A transformação?
- És perspicaz, Marinette. - Plagg elogiou. - Diz: "Plagg, mostrar as garras!"
Incerta e franzindo o cenho, Marinette duvidou, mas fez o que lhe foi dito.
- Muito bem. Plagg... Mostrar as garras!
- É! - ele festejou novamente, antes de ser sugado para dentro do anel.
De olhos fechados, Marinette ainda não tinha visto o seu traje, a sua figura atual. Mas, aos poucos, ela foi abrindo os olhos e começando a olhar para as suas mãos.
- Garras. - Ela repetiu o que Plagg havia dito anteriormente, percebendo agora o que ele dizia. Ela tinha garras, unhas afiadas que pareciam perigosas. Perdendo o medo da realidade e deixando a curiosidade assumir o controlo, Marinette observou-se ao espelho e deu voltas para ver a sua figura.
Longos cabelos trançados batiam no chão, olhos verdes, nenhuma parte era branca, apenas verdes, enquanto que as fendas dividiam as suas íris. Detalhes verdes enfeitavam o seu traje negro e, nas suas costas... uma arma?
- Onde é que esta coisa está pendurada? - Marinette questionava-se, observando o que ela descobriu ser um bastão. - Orelhas?! - Largando o bastão com um baque, ambas as mãos dela foram até às orelhas no topo da sua cabeça. Brincando com as orelhas de gato, ela continuou a observar-se, a consciência batendo forte nela. - Heroína de Paris. - Ela falou, na esperança que esse nome lhe dissesse algo. - Plagg? - Perguntando pelo Kwami, ela não o avistava no quarto.
No computador, a notícia sobre o vilão voltou a passar, captando a atenção da adolescente.
- Alya. - Preocupada, Marinette observava a amiga dirigir a sua bicicleta em direção ao monstro.
- Marinette, já chegaste em casa? - Uma voz lá em baixo falou com ela.
- Oh, é a mãe! Só me faltava isto. - Sem ter ideia do que fazer, Marinette correu escadas acima e foi para o telhado, que estava belamente decorado e com aparência confortável, onde o sol batia.
Escutando a sua mãe falar com o seu pai sobre telefonar para a escola, Marinette tentou concentrar-se na sua tarefa. Abaixando-se na varanda, temerosa por ser vista ali naqueles trajes.
- Ok, tenho poderes especiais. E... aparentemente, esta coisa é um super bastão. Humm... então... - Passando o olhar pelo bastão, ela decidiu clicar na pata verde nele. E, em questão de instantes, aquele pequeno bastão parecia mais comprido que a Torre Eiffel.
Além dos gritos de Marinette, um grito parecia vir ao seu encontro.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhh! Cuidadoooooooo! - Marinette escutou, antes que algo colidisse contra ela, que ainda estava sobre o bastão apoiado num prédio longínquo da sua casa.
Ambos, vítima e outra vítima, caíram a alturas vertiginosas, aos berros. No fim, para a felicidade de ambos, a corda do yoyo prendeu-se ao bastão, que ficara prensado entre dois prédios. Balançando juntos, presos na corda do yoyo, o herói às pintinhas falou primeiro.
- Bom dia, parece que eu caí do céu direto para um anjo sem auréola. - Adrien falou, esticando um sorriso nos seus lábios para a outra heroína.
- Nestas ocasiões, um pedido de desculpas se segue ao desastre. - Marinette retrucou.
Saindo da prisão da corda, Adrien, na sua forma heroica, observou a outra tentar reaver o seu bastão.
- Deves ser a parceira que o meu Kwami me falou. Sou o... MisterBug. Sim! MisterBug! - Ele experimentava o nome, gostando dele. - E tu? - Ao perguntar, MisterBug puxou o seu yoyo para baixo, fazendo-o bater na cabeça da outra super-heroína. - S-Sinto muito! Por isso e... por ter caído em ti
Ao fim das suas palavras, o bastão da outra caiu sobre a sua cabeleira loira, fazendo-o fechar os olhos com a colisão.
- Touché. - Comentou MisterBug, entregando o bastão à parceira.
- Sem problemas... Eu sou a... - Ela pegou no seu bastão, agora no seu tamanho pequeno. - LadyNoir! É, deve bastar. - Ela comentou.
- É um prazer conhecer-te, LadyNoir.
- O mesmo, MisterBug.
Ouvindo um estrondo, MisterBug comentou: "Está na nossa hora!" - Foi o momento que ele decidiu pegar no yoyo e dirigir-se até ao centro dos tremores de terra.
- Ei, onde é que tu vais?! - LadyNoir gritou para o herói apressado.
- Vou salvar Paris! - Foi a resposta de MisterBug, antes dele desaparecer de vista.
- Tenho confiança em mim, tenho confiança em mim. - LadyNoir repetiu o mantra, antes de voltar a usar o bastão para se locomover. - Ahhhhh! - Ela gritava com o voo pelo céu.
Num grande estádio de futebol, alunos tinham aulas de educação física no local. E, mesmo no fim da aula, uma surpresa veio até eles.
- Kimmmm! - um monstro de pedra, um Ivan akumatizado, gritou enquanto se dirigia a Kim, que caiu no chão.
Apenas um segundo depois, MisterBug apareceu entre Kim e Stoneheart.
- Ei, não é bonito chatear pessoas mais pequenas que nós. - girando o seu yoyo, MisterBug falou com o akumatizado. Enquanto isso, Kim corria, assustado, para longe.
- Deves estar a falar de ti, não? - Stoneheart retrucou, começando a atacar o herói, que se esquivava.
Ao contrário do akumatizado e do MisterBug, o Falcão-Traça permanecia no conforto do seu covil, apenas observando a cena através do seu akumatizado.
- Tudo a correr como o planeado, os Miraculous da joaninha e do gato preto foram ativados. Vieram em socorro da população e agora o meu super-vilão vai destruí-los. - Sorrindo de confiança, ele fechou o punho numa vitória antecipada.
De volta à batalha...
MisterBug bateu o seu yoyo contra o akumatizado, mas o efeito não foi dos melhores. Assim como ocorreu contra os polícias, o vilão aumentou de tamanho.
- Onde estás, parceira? - Questionou-se MisterBug, continuando a esquivar-se e a combater o vilão sozinho.
A dita cuja estava no topo do estádio, a observar a cena.
- Não consigo, não sou capaz! - LadyNoir tapava os olhos, mas descobria-os logo depois, indecisa do que queria ver ou não.
Em meio ao combate de Stoneheart e MisterBug, uma baliza foi arrancada da terra e ia de encontro com Alya, pondo a sua vida em perigo. Preocupando-se com o bem estar da rapariga, MisterBug lançou o seu yoyo em direção à baliza, entrelaçando ambos, para depois lançar a baliza para bem longe. O seu ato foi heroico, mas custou-lhe a liberdade. MisterBug estava agora preso nas mãos de pedra do akumatizado, os seus movimentos impedidos.
Foi nesse momento que Alya gritou a LadyNoir: "Estás a fazer o quê, super criatura negra?! O mundo está a ver-te!" - As suas palavras não eram tranquilizadoras, e não eram para ser. Elas fizeram o coração de LadyNoir bater forte no seu peito, quase pulando para fora.
Ganhando coragem, apertando o bastão, ele dividiu-se em duas partes. O que ela estava a fazer? Era uma boa pergunta, mesmo para ela. Mas a LadyNoir apenas saltou do topo do estádio e lançou uma das partes do bastão em direção aonde o pé direito do monstro estava, fixando-o na terra, o que desequilibrou minimamente o monstro. Sem um plano melhor, LadyNoir decidiu atacar o mesmo lado direito do monstro, que já estava inclinado para trás, e fez com que o seu bastão o acertasse no ombro, fazendo-o cair. No processo, MisterBug foi libertado.
- Não se maltrata pequenas joaninhas! - LadyNoir gritou, terminando de balançar o bastão e recolhendo-o.
- Boa! - Alya festejou, animada.
- Desculpa ter demorado tanto, MisterBug. - Chegando perto de MisterBug, que rolou até à baliza, LadyNoir mostrou-se arrependida.
- Não faz mal, gatinha maravilha. Agora vamos dar cabo daquele pedregulho! - Ajeitando-se e espreguiçando, MisterBug preparou-se para correr em direção ao desafio, mas a sua parceira segurou-o pela cintura, trazendo-o de volta para traz com uma facilidade extrema. Foi nesse momento que ela teve a ideia de que aquele miraculous lhe aumentou os atributos físicos.
- Espera, não reparaste? - Perguntou ela, incrédula. - Ele fica maior e mais forte com cada ataque. Temos de usar outra tática. - Disse ela, com as mãos na cintura.
- Explica lá. - MisterBug rendeu-se.
- Não sei. - Ela confessou, colocando a mão sobre o queixo, pensativa.
- Então vamos usar os nossos poderes. - MisterBug sorriu. - Lucky Charm! - Lançando o seu yoyo para cima, joaninhas envolveram-no.
- Hã? - Ambos olhavam confusos para a vestimenta.
- Isto devia ajudar-nos? - MisterBug questionou, arqueando a sobrancelha.
- Não me perguntes a mim. - LadyNoir deu de ombros.
- O meu Kwami disse-me que tenho de partir o objeto em que o Akuma está escondido. E também disse que o meu Lucky Charm seria ideal para eu utilizar... - Sussurrou ele a última parte, olhando para o fato vermelho às pintinhas nas suas mãos.
- Um akuma? - LadyNoir questionou.
- Um akuma, o meu Kwami disse-me que é uma borboleta que entra num objeto especial para o akumatizado ou então... apenas um objeto que a pessoa segura durante a akumatização. - MisterBug explicou, dando uma ideia a LadyNoir.
- Repara no punho dele. - LadyNoir apontou para o punho fechado do monstro de pedra que se aproximava numa lentidão de dar inveja aos caracóis. - Nunca abre! É como as bonecas russas, o objeto não está nele, está escondido no punho dele.
Com a constatação de LadyNoir, MisterBug começou a olhar ao redor, o seu olhar arregalando-se quando notou objetos e pessoas tomarem uma decoração vermelha às pintinhas.
- Isso é um plano, a formar-se na tua cabecinha? - LadyNoir provocou, surpreendendo-se a ela mesma, pois ela colocou as suas mãos a tapar a boca logo a seguir. Mas MisterBug não notou nada, apenas continuou a observar e pensar no seu plano.
- Podes crer que sim,My Lady. - MisterBug mostrou-lhe o seu sorriso, antes de pegar na mangueira e arranjar uma maneira de prendê-la ao fato do Lucky Charm. Após a fase 1, MisterBug atou os pés da parceira com o seu yoyo. Piscando-lhe o olho, divertido, ele falou. - Não lhe resistas, princesa negra. - Nesse momento, ele começou a girá-la e lançou-a, por fim, em direção ao monstro.
- O miúdo é louco! - LadyNoir gritou, antes de ser apanhada pela mão do monstro.
- Não me apanhas, Pedrinhas~~~~! - MisterBug gabou-se dele, vitorioso, mesmo tendo-se lançado em direção ao monstro e sido capturado em instantes.
MisterBug estava sorridente, enquanto LadyNoir parecia querer esmagar um certo inseto vermelho.
- Agora... Miúda, abre a torneira! - MisterBug gritou, e Alya correu para fazer o que lhe foi dito. Nesse momento, a realização chegou a LadyNoir.
- Genial. - sussurrou LadyNoir, abismada, percebendo o plano.
- Eu não te disse já? Mesmo os insetos podem ser espantosos,My Lady. - MisterBug gabou-se.
- Não vás por aí, joaninha. - LadyNoir provocou, causando um beicinho no parceiro, mas não teve tempo para mais.
Ao abrir a torneira da mangueira, a água encheu o resistente fato do Lucky Charm, forçando a mão de pedra abrir, soltando MisterBug que, sem perder tempo, correu em direção ao objeto akumatizado, pisando-o e quebrando a pedra. Dele, uma borboleta negra voou, enquanto que LadyNoir era solta das garras do monstro, que se desfazia e voltava a ser humano. Os pedregulhos do objeto quebrado voltaram a ser um papel amassado, ao que MisterBug abriu um sorriso.
Andando em direção ao parceiro, a atenção de LadyNoir foi para a folha de papel, enquanto que a de MisterBug foi para o rapaz desnorteado.
- O que se passa? Que estou a fazer aqui? - Sentado sobre a relva, Ivan perguntou, o seu olhar parando nos super-heróis na sua frente.
- Tudo bem contigo? Estás com dor? - MisterBug questionou o rapaz, que respondeu honestamente.
- Eu estou bem, mas a minha memória... metade deste dia não me lembro o que aconteceu. - Ivan coçou a cabeça, em confusão, após ver o sol bater tão alto no céu. Parecia errado, para as nove horas da manhã que deveriam ser.
- "Nem sequer tens coragem de dizer à Mylène que gostas dela, palerma." - LadyNoir leu o bilhete em voz alta, de costas para os dois. - Ow. - Solidarizou-se ela, indo ter com os rapazes.
- Foi o Kim, ele está sempre a gozar comigo. - Disse Ivan, sem olhar nos olhos dos heróis.
Colocando uma mão sobre o ombro do rapaz, LadyNoir conversou com ele.
- Sabes, não devias ligar a isto, não é vergonha dizeres a uma pessoa que gostamos dela, Ivan. - Ela falou.
- Como é que sabes o meu nome? - Ivan questionou-a com uma sobrancelha arqueada, fazendo a heroína rir de nervoso.
- Brutaaal! - A voz de Alya interrompeu-os. - Espantoso! Espetacular! - Ela exclamava. - Vão proteger Paris de hoje em diante? Como é que arranjaram superpoderes? Foi uma joaninha radioativa que te picou?! Ou um gato que te mordeu?! - Ela perguntou com entusiasmo enquanto gravava os heróis, fazendo LadyNoir sentir-se desconfortável e sem palavras, enquanto que MisterBug apenas sorria singelamente. - Tenho tantas perguntas para vos fazer... ah...hã?
Enquanto LadyNoir se preparava para ir embora, MisterBug seguia o exemplo.
- LadyNoir. Chama-me LadyNoir. - Ela falou, antes de sair disparada com a ajuda do bastão.
A câmera foi voltada para o herói às pintinhas.
- E eu... MisterBug, ao dispor de Paris e além! - Curvando-se numa vénia, MisterBug partiu para fora, saindo do campo de futebol.
- LadyNoir e MisterBug, super brutal! - Alya exclamou.
Na casa de Marinette, ela já havia regressado e estava a assistir às notícias, enquanto que Plagg se deliciava de um queijo que a azulada encontrou no frigorífico.
- É graças a estas imagens amadoras que os parisienses já conhecem a identidade dos seus heróis.- a jornalista falou, uma prancheta nas suas mãos.
- Eu consegui, Plagg! - Marinette festejou, sentada com as pernas dobradas ao assistir as notícias.
- Parabéns, se seguirão muitos e muitos mais casos semelhantes a este, agora que Paris tem um super-vilão. - Plagg falou, deitado na almofada de Marinette enquanto lançava um queijo ao ar e o comia por inteiro.
Um tempo depois, para equilibrar as notícias boas e más do dia, outro jornal se passava na televisão na casa de Marinette, a que seus pais estavam a assistir.
- Ah, que horror. - Marinette, que estava a lavar uma tigela, ouviu a sua mãe comentar.
- Agora que Paris celebra o surgimento de dois super-heróis, a LadyNoir e o MisterBug, uma onda de pânico varre a capital. Centenas de pessoas são transformadas misteriosamente em monstros de pedra. É simplesmente inacreditável.
Ao escutar a notícia, Marinette correu escadas acima, para o seu quarto.
Enquanto isso, Adrien e Tikki viam as notícias juntos no quarto do rapaz.
- Isto é delicioso! - Tikki comia um gelado multicolorido, saboreando cada sabor de cada bola de gelado.
- Que bom que gostas, o meu chefe faz uns doces ótimos. - Adrien sorria, contente.
- De momento, estes seres de pedra estão inativos, como estátuas.- A jornalista falou, atraindo a atenção de Adrien.- O que irá acontecer-lhes? Irão ganhar vida ou ficar parados no tempo para sempre?
- Tikki, o que se passa? - Ele levantou-se. - Nós derrotámo-lo!
Na casa dos dois heróis, a mesma pergunta era feita pelos Kwamis.
Tikki/Plagg: "Mas derrotaram o akuma?" - Eles olhavam os seus portadores.
- E o que isso tem a ver com os outros seres de pedra? - Adrien questionou Tikki.
- Um akuma pode multiplicar-se. É por isso que tem de ser capturado! Se as emoções do Ivan voltarem a ficar negativas, o akuma transforma-o novamente no Stoneheart. - Tikki vagueava de um lado para o outro enquanto explicava. - Ele vai controlar os seres de pedra e fazer deles o seu exército.
- Isso significa... que eu falhei! - Adrien percebeu, as suas mãos indo segurar as laterais da nuca.
Na casa da Marinette...
- Então está tudo nas mãos do MisterBug? Não posso fazer nada? - A azulada arregalou os olhos em descrença.
- Só o MisterBug pode capturar o akuma e reparar os danos causados pelo super-vilão. - Plagg respondeu-lhe, de braços cruzados.
Enquanto os dois heróis conheciam mais as suas habilidades, o vilão de Paris sentia-se vitorioso, mesmo que a borboleta negra de Ivan tenha voltado para dentro da bengala de Falcão-Traça.
- O coração do Ivan é sensível. Muito em breve, voltará a ser o Stoneheart. Veremos quanto tempo irão ficar escondidos, MisterBug e LadyNoir. Quando possuir os vossos miraculous terei o poder absoluto e poderei realizar os meus sonhos mais caros!
