Nota da autora: Perdão de novo pela demora. Parece que não consigo mesmo postar quando estou viajando a trabalho Sem contar que o site parecia estar com problema e não mostrava o capítulo de forma alguma...

Para compensar pela demora, estou enviando para quem comentou um outtake sobre a Rin conversando com a Setsuna enquanto esperam o retorno da Towa com o Sesshoumaru. Vou mandar por PM por aqui pelo site e também por e-mail! ❤️

Obrigada a quem comentou: Yuki, DR, Valgv9, Isa Raissa, 05csomoragnes11 e DindaT! ❤️😊

Espero que gostem! Digam nos comentários sobre o que acharam! 😘


De todo coração

Capítulo 24: Passado

Parte XII

Um mês depois

O que deveria ser uma semana, virou facilmente um mês de viagem para Sesshoumaru. Ele ligava dia sim e dia não, contando sobre as novidades do dia de Rin e evitando falar sobre o dele, sempre falando que não gostava da posição que se encontrava.

No restaurante vazio, Rin terminava de limpar a última mesa quando sentiu a aproximação do chefe Mushin, virando-se.

— Dia de pagamento. – ele estendeu o cheque com as duas mãos – Obrigada pelos serviços de novo.

Rin prontamente aceitou e olhou o valor. Tinha até a mais do que esperava. Com Sesshoumaru longe, ela pegava também os finais de semana como hora extra, o que dava um diferencial bom no salário.

— Obrigada, Mushin-sama. – ela curvou-se em agradecimento – Pode me chamar para outras horas extras este mês.

Rin não notou, mas os olhos dele estreitaram tão leve e tão rápido por conta da informação.

— Ah, bom saber disso... – ele coçou novamente a barriga para disfarçar – Pode terminar essa mesa e ir. Hoje é meu dia de fechar o caixa e o restaurante.

— Okay! – ela estava feliz com o pagamento. As horas extras estavam realmente compensando e, se ela continuasse naquele ritmo, não precisaria de outro emprego e nem se preocupar com algumas dívidas.

Em minutos, ela terminou de limpar a mesa e guardar as últimas coisas antes de tirar o avental de atendente e pegar a bolsa e a marmita. Desta vez, ela não precisaria correr para pegar o trem.

o-o-o-o-o

Já em casa, de banho tomado e de camisola de algodão, Rin terminava de arrumar o material das aulas quando escutou o telefone tocar em cima do futon já estendido no chão.

E só tinha uma pessoa que ligava para ela naquele horário.

Largando tudo, ela praticamente se jogou no futon e atendeu:

— Oiii!

Rin. – Sesshoumaru começou – Já está em casa?

— Sim. – ela deitou-se de costas e ficou observando o teto – Recebi meu pagamento deste mês e fui liberada mais cedo.

Ah, é? – ele falou num tom que para outros soaria desinteressado, mas ela sabia que era apenas o jeito dele – Muitas horas extras de novo?

— O bastante para não ficar preocupada com as contas. – ela confirmou enquanto pensava na pequena poupança que estava fazendo para cursar a faculdade – E como você está?

Houve um momento de silêncio na linha por alguns segundos, depois o barulho de teclas de interfone sendo acionadas com insistência.

— Sesshoumaru? – ela tentou.

Mudaram o código do portão? – ele perguntou.

— "Código"? – ela franziu a testa.

Depois, ela arregalou os olhos e levantou-se depressa do futon, correndo até a janela do pequeno apartamento, de onde viu Sesshoumaru segurando uma bolsa de viagem na frente do portão. Ele olhou para cima e franziu a testa.

— Eu vou abrir pra você! – ela correu até o interfone e liberou o portão.

Depois correu até o armário, deslizou a porta para o lado e tirou um vestido curto sem mangas para recebê-lo, desfazendo o coque para deixar os cabelos negros soltos às costas.

Segundos depois de arrumar o cabelo, ela ouviu uma batida suave na porta e correu para atender o recém-chegado.

E lá estava ele, com o cabelo prateado ainda comprido, camisa de manga comprida, calça social e segurando uma bolsa de viagem apenas pela alça jogada por cima do ombro. Ele tinha um braço apoiado no batente e, para ela, parecia até um pouco maior que da última vez que se viram.

— Você voltou... – ela parecia emocionada e mal conseguia conter o sorriso.

Depois de alguns segundos parados na porta, ele perguntou suavemente:

— Posso entrar?

Rin deu passagem imediatamente. Ela ficou ali parada olhando para ele que nem percebeu que ele continuava do lado de fora à espera do convite para entrar.

Depois de tirar o calçado, ele largou a bolsa de viagem no chão do pequeno corredor para ficar com as mãos livres para segurá-la pela cintura, com ela ficando na ponta dos pés para beijá-lo depois de semanas longe.

— Chegou agora, foi? – ela notou a roupa amassada.

— Vim direto do aeroporto para cá. – ele falou – Posso passar a noite aqui de novo?

— Claro. – ela abriu o sorriso – Toma um banho primeiro. Mas vamos ter que dividir o jantar. Se tivesse me avisado que já estava voltando, eu teria trazido mais coisas do restaurante.

A resposta dele foi um outro beijo, desta vez mais demorado que o primeiro.

Que dia bom..., ela pensou quando afastou o rosto e o viu pegar a bolsa para entrar no banheiro. Dia de pagamento, namorado de volta... Rin queria que fosse assim para sempre.

o-o-o-o-o

Durante a madrugada, Sesshoumaru ainda estava acordado. O braço estava jogado na testa e olhava fixamente para o teto. Do lado dele no futon, Rin, adormecida, se mexeu e murmurou alguma coisa, fazendo-o virar o rosto para o lado para observar as feições dela.

Não tinham passado muito tempo separados, mas ele conseguia notar umas diferenças desde a última vez que haviam se visto... Ela parecia mais magra e perguntou-se se era porque o patrão beberrão a fazia trabalhar mais que os outros funcionários... A própria Rin havia dito que ele confiava mais nela para fechar o caixa e o restaurante no final do dia.

Por que ela precisa de tanto dinheiro?, ele se perguntou.

Rin remexeu-se de novo e deu um suspiro meio cansado, meio angustiado.

Levantando a mão para aproximar do rosto dela, ele deslizou um dedo pela maçã do rosto, pela testa franzida, pelos lábios...

A ponta do dedo tocou o pequeno nariz e ela fez uma careta durante o sono. Ela sentia cócegas ali.

Foi o suficiente para a testa franzida se desmanchar e ela voltar a ficar com uma expressão mais tranquila durante o sono. O que quer que estivesse angustiando os sonhos dela já tinha ido embora.

Levantou-se para tomar um gole de água. O corpo ainda estava acostumado com um fuso horário diferente. Ia demorar pelo menos dois dias para voltar ao normal.

Ao passar pela mesinha de centro, onde ela estudava e fazia as refeições, ele viu algo que chamou a atenção.

Abaixou-se e pegou um livro.

Guia Hong Kong passo a passo, leu na capa.

Arregalou de leve os olhos. Rin queria viajar para lá?

Mas por quê?

— Sesshoumaru...? – ele a ouviu murmurar com voz sonolenta, virando-se para vê-la ainda deitada e esfregando um olho – O que está fazendo?

Deixando o livro novamente na mesa, ele voltou para o futon.

— Estou sem sono ainda. – ele explicou suavemente, voltando a deitá-la.

— Você sempre fica assim quando volta de lá... – ela murmurou com voz sonolenta e olhos semicerrados – Por isso eu não gosto quando você viaja...

Os olhos dele arregalaram de leve de novo, notando que, no outro segundo, ela voltava a adormecer profundamente.

Rin está preocupada com as viagens, ele finalmente percebeu. Talvez por isso esteja trabalhando muito.

A ideia de ela viajar com ele era boa, mas sabia que tinha um problema...

Sesshoumaru esticou o lençol para cobri-la até o pescoço.

... O pai era um problema.

o-o-o-o-o

No dia seguinte, Sesshoumaru acompanhou Rin na estação para ela pegar o transporte para a escola técnica, depois voltou de trem para a casa da mãe, onde no momento (ainda) morava.

Ao entrar na sala, ele a viu em pé no meio da sala segurando uma carteira luxuosa, abrindo-a para mexer nos cartões e contar o dinheiro. Estava com um elegante vestido lilás e casaco de pele, pronta para sair.

Ao vê-lo, ela arqueou as sobrancelhas.

— Ora, ora... Voltou agora de viagem? – ela perguntou com curiosidade, fechando a carteira e prendendo-a no braço na altura do cotovelo. Nada de comentários sobre estar com saudades do filho, sobre como havia sido em Hong Kong, sobre ele ter feito uma boa viagem. Parecia que tinham se visto no dia anterior e que ele nem tinha passado semanas fora.

Sesshoumaru não respondeu e passou direto para as escadas, subindo os degraus segurando com uma única mão a bolsa de viagem.

— Passou a noite na casa de alguém? – ela perguntou num tom divertido, observando a forma como ele a ignorava.

Sem resposta. Ele continuou subindo as escadas.

Dando um sorriso esperto, ela deu as costas e falou num tom alto suficiente para ele ouvir:

— Melhor continuar tomando cuidado para seu pai não descobrir a respeito dela.

Nisso, ele parou e olhou por cima do ombro, mas viu apenas um vulto fechar a porta e deixar um rastro de perfume com notas de sândalo no ambiente.

Estreitou os olhos para a porta como se pudesse ver através dela a figura da mãe indo fazer compras, como sempre, e perguntou-se qual seria a intenção dela ao dizer aquilo.

o-o-o-o-o

No mesmo dia, mais tarde, Rin chegou ao trabalho minutos antes do início do horário do expediente, abrindo a porta no exato momento em que uma família estava de saída – pai, mãe com um bebê no colo e duas meninas gêmeas de mãos dadas. Rin fez uma pequena reverência e entrou depois que todos foram embora.

Perto do caixa, o chefe já estava à espera dela.

— Ah, Rin... – ele olhou para a porta e depois para ela, franzindo a testa – Boa tarde.

— Boa tarde, senhor Mushin. – ela curvou-se em uma rápida reverência – Vou me arrumar rápido e começar o serviço.

— Antes disso... – ele pegou de uma das gavetas do caixa um pequeno caderno onde podia-se ler o nome dela – Pode fazer hora extra no domingo de novo?

Domingo era um bom dia para conseguir um dinheiro extra e ela realmente precisava.

— Sem problemas. Mas, Mushin-sama... Eu poderia ficar livre no sábado? – ela perguntou timidamente.

Mushin franziu o cenho. Ela havia dito no dia anterior que poderia chamá-la para horas extras naquele mês, então...

— Ohhh... – ele murmurou com um pequeno sorriso, fechando o caderno – Alguém voltou de Hong Kong ou vai visitar sua família?

— Alguém voltou de Hong Kong – ela respondeu com um enorme sorriso – Marquei um compromisso com ele no sábado, mas domingo estarei livre.

— Certo, certo... – ele abriu novamente o caderno – Domingo à tarde, então?

— Sim, sem problemas. – ela começou a afastar-se na direção da cozinha, onde estava o uniforme dela – Vou me arrumar e já começo, ok?

Minutos depois, ele a viu de volta já trajando um avental branco com a logomarca do restaurante por cima da roupa, já arrumando uma mesa grande que aparentemente havia sido usada por uma família.

Enquanto ela limpava, ele a observada com os olhos levemente estreitados, preocupado.


Nota: já estão preparados para as próximas partes do passado? 👀