-Os seres de pedra estão espalhados por Paris e por agora não mostram qualquer sinal de movimento. A polícia isolou todas as áreas à volta deles.- A jornalista ruiva comunicou pelo jornal de notícias.

- Procuramos uma forma de devolver estas pessoas ao seu estado normal. Mas, por agora, não há desenvolvimento.- O presidente declarou, mostrando desapontamento perante a câmera dos repórteres.

- Paris confia nos seus novos anjos da guarda, LadyNoir e MisterBug para nos salvarem a todos. As nossas vidas dependem deles.- A jornalista falava, enquanto imagens dos seus heróis apareciam ao seu lado na tela.

A assistir ao jornal, Marinette mostrava-se assustada, fazendo o seu pai, que lavava algo no lava loiça, viesse tranquilizá-la.

Pondo uma mão no ombro da filha, Tom falou: "Pois é, eu sei como isto pode ser assustador, mas não te preocupes, filha, temos dois super-heróis que cuidam de Paris. E a melhor forma de ajudá-los é mostrar-lhes que não temos medo porque confiamos neles." - Ele gesticulou, fechando o punho e colocando uma mão na cintura, numa pose.

- Mas e se eles falharem? - Marinette pôs-se cabisbaixa, baixando também a tigela metálica que segurava.

- Então vou eu salvar-te. - Tom fez uma pose heroica, usando uma baguete como arma. - Super-Pasteleiro em ação!

- Obrigada, super-pai. - Agradecida pelo seu pai a ter feito sorrir, Marinette abraçou-o antes de subir ao seu quarto.

Pegando na sua pequena malinha, que trazia sempre consigo, Marinette procurou o ser que devia estar no seu quarto.

- Trouxeste o meu queijo? - Plagg apareceu de algum lado na frente do rosto da azulada, ansioso pela refeição.

- Desculpa, Plagg, o queijo acabou cá em casa. Mas podemos arranjar alguma outra coisa esta manhã. - Marinette gesticulou para descer, mas claro, Plagg teria de ir para dentro da sua bolsinha.

- Nãoooo! - O Kwami fez birra. - Queijo é vida, ahhh, eu sinto-me fraco. - Deixando-se cair, ele fingiu fraqueza. Mas o seu plano de fazer Marinette sentir pena dele foi por ralo abaixo quando ele e sentiu ser apanhado pela mão da menina e colocado dentro da bolsa. - Hmph! Oxalá esta padaria comece a vender que-ijos! - ele ressaltou a última palavra, fazendo apenas Marinette revirar de leve os olhos, mas mantendo um semblante risonho no rosto.

Entrando na padaria, Marinette começou a observar a vitrine do lado dos vendedores, que seria o lado em que os seus pais ficavam durante o dia a trabalhar. Eles não estavam naquele momento ali, mas a padaria abriu há uns minutos atrás.

- Humm, que tal um croissant de chocolate, Plagg? Estes parecem bons. - A menina apontou para a vitrine. - Oh! Ou um mil-folhas, o meu pai nem sempre o faz, mas hoje está aqui. - Ela sugeriu, apontando e olhando para o Kwami ainda escondido.

Plagg, por outro lado, olhava para tudo com tédio no olhar. Os seus braços cruzados faziam a paciência de Marinette ser colocada à prova, pois a última coisa que ela queria era ir comprar queijo àquela hora da manhã. Se é que as lojas e mercearias estavam abertas.

- Eu compro o teu queijo mais tarde, Plagg. - Por fim, ela falou, fazendo o Kwami olhá-la, ainda cético. Arqueano a sobrancelha, ela continuou. - É uma promessa. - Disse ela, quase entre dentes.

- Ótimo! Quero aqueles macarons. - Plagg festejou e apontou para o doce, voando pela bolsa fora, mas sendo imediatamente empurrado de volta quando a azulada escutou o sininho da porta sendo aberta.

- Bom dia. - a voz o cliente desejou.

- Ah, b-bom dia! - Fechando a bolsa apressadamente, o olhar de Marinette vagava entre o cliente e a bolsa, que teimava em não querer fechar.

Quando olhos verdes a encaram, Marinette finalmente fechou a bolsa com sucesso, oferecendo um sorriso ao recém-chegado.

- Precisas de alguma coisa da padaria? Os meus pais não estão aqui no momento, mas eles são os donos da padaria. Eu posso ajudar-te, se for o caso. - A sua voz saiu apressada mas, pelo semblante tranquilo do rapaz na sua frente, ela manteve-se firme.

- Obrigada, menina...

- Marinette! Marinette Dupain-Cheng! Prazer, ah...?

- Adrien. Adrien Agreste. É um prazer, Marinette.

- O mesmo.

Compartilhando um sorriso, o momento teve de acabar. Os olhos de Marinette esbugalharam ao escutar a campainha da escola dali.

- Ah, a campainha! - Ela exclamou, colocando a mão sobre a boca, antes de voltar à compostura e voltar-se para o rapaz. - Podes pedir, vais pedir?

Vendo a pressa da menina, que pegou numa caixinha e numa pinça de cozinha, o rapaz apressou-se também.

- Gostarias de cinco macarons e de um croissant de chocolate, por favor, Marinette. - Ele apontou para os doces através da vitrine.

Numa rapidez de maestra, mas também num desastre de mestra, Marinette começou a atender o pedido. Enquanto isso, Adrien fez conversa.

- Hãaa... Estudas naquela escola ali? São os primeiros dias, verdade? - Adrien perguntou, timidamente, apontando com o polegar para a escola, que podia ser vista através das janelas da padaria.

- Sim, sim, a escola começou ontem, mas como sempre, foi só o dia da apresentação, nada demais. - Pousando, satisfeita, o pedido do jovem sobre o balcão, Marinette deu o talão e Adrien pagou.

- Obrigado. - Adrien recolheu os doces.

- Obrigada eu. - Marinette falou, sorrindo para o rapaz. Nesse momento, a sua mãe apareceu e dispensou a menina, agradecendo-lhe pela ajuda na padaria.

- Até logo, mãe! - Acenando, a azulada saiu porta fora, pegando um croissant também para si, presente da sua mãe.

Ao som do sininho da porta a fechar, Marinette preparou-se para correr e, do seu lado, o rapaz que atendeu a acompanhava. Pelo menos, até ao interior da escola.

- Não vens? - Parando no meio das escadas, Marinette olhou para Adrien com confusão no olhar.

- Acontece que é o meu primeiro dia nesta escola. Não sei bem para onde devo ir. - Tímido, Adrien confessou.

Mesmo estando distante de Adrien, Marinette perguntou: "Para que sala tens de ir?" - Ela perguntou, segurando a barra das escadas.

Sorrindo após a surpresa que se alastrou pelo seu rosto, Adrien resolveu aliar-se à azulada, que o ajudou.

- Estás na minha turma, vamos ser colegas. Que estupidez a minha, como é que eu não associei os pontos. - Marinette bateu no rosto, confundindo o rapaz, que corria com ela.

- Desculpa? - Adrien arqueou as sobrancelhas, o seu olhar mostrando agora o quão confuso está.

- Tem uma colega na turma, a Chloé, deves conhecê-la, ela falou para todos da turma que o grande modelo Adrien Agreste viria para a nossa turma. - Explicando, finalmente tirando a dúvida ao rapaz, eles finalmente chegaram à porta da sala. Abrindo-a, pelo menos Marinette já podia adivinhar as palavras que a sua professora diria.

- Está atrasada, menina Marinette. Como sempre. Começa bem o ano. - professora Mendeleiev, a professora mais sem graça aos olhos dos seus alunos (na sua maioria, pelo menos).

- Desculpe, professora. - A azulada desculpou-se, sentando-se ao lado de Alya.

Por outro lado, o loiro ficou parado na porta, o seu corpo tenso.

- E quem temos aqui? - A professora questionou Adrien.

- Adrienix! - Pulando do seu assento, Chloé puxou o loiro para um abraço apertado, desequilibrando o coitado.

- Modos, menina Chloé. - A professora falou, mas foi ignorada pela Bourgeois, aparentemente, pois a loira ainda apertava Adrien.

- Também estou feliz em ver-te, Chloé. - Afastando a rapariga, Adrien ganhou coragem para olhar para a professora. Largando um pouco a timidez, ele assumiu o modo de confiança de modelo. - Desculpe a interrupção na aula, eu sou o Adrien Agreste, e hoje é o meu primeiro dia de aulas nesta turma.

- Adrien Agreste, diz o menino? - Falando para si, a professora vasculhou a lista dos alunos daquela turma. - Adrien Agreste, sim, está aqui a sua ficha. - Com essas palavras, Adrien suspirou aliviado. - Podes sentar-te, tens um lugar livre logo aí. - ela apontou para o lugar perto de Nino, o que Chloé teve todo o prazer em guiá-lo até lá, a loira sentando-se atrás dele logo de seguida, observando-o intensamente.

Enquanto Adrien se sentava, Alya apresentava a Marinette o seu mais novo blogue criado.

- O LadyBlog! Onde podes encontrar todas as mais recentes notícias sobre os nossos heróis de Paris, LadyNoir e MisterBug! - Ela sussurrava, mexendo no telemóvel por debaixo da mesa, de um ângulo que a azulada pudesse ver.

- Não é cedo demais para os vangloriar? E se foi apenas ontem que nos ajudaram? Eles podem ter desaparecido logo depois. - Do seu lado, Marinette expressava a sua falta de confiança nos heróis, apreensiva.

- Não te preocupes, Marinette, não tenhas medo. - Alya colocou a sua mão no ombro da azulada, fazendo-a erguer o olhar. - Eu vi aqueles dois com os meus olhos, miúda, eles dão conta do recado. São verdadeiros super-heróis, digo-te eu!

As palavras de Alya acenderam a chama em Marinette, que dissolveu o semblante preocupado e sorriu, com os olhos a cintilar.

No meio da aula, Ivan saiu, alegando ir à casa de banho. No entanto, pelo semblante do rapaz e pelo sorriso que Chloé tinha no rosto, algo de ruim estava prestes a acontecer. Vendo o olhar preocupado em Mylène, Marinette levantou a sua mão após um minuto da saída do Ivan.

- Professora, posso ir à casa de banho? É uma emergência.

Sem perguntas, apenas com um olhar, a professora assentiu.

- Não se demore. - Mendeleiev avisou, olhando-a de canto de olho, enquanto lia algumas folhas de papel.

- Obrigada! - A azulada agradeceu, antes de fechar a porta, enquanto os seus colegas permaneciam a resolver exercícios da matéria.

Mesmo tendo corrido, Marinette não avistou Ivan pelo caminho. A escola era grande, mas as casas de banho e os vestiários ficavam nos cantos, dentro da escola. Era o local que muitos alunos iam para conversar ou, durante as aulas, alguns iam tirar uma "folga" dos que o rodeiam para ficarem sozinhos. Sendo improvável que Ivan tenha entrado no vestiário das raparigas, Marinette, olhando para os corredores antes de abrir a porta, entrou no vestiário dos meninos, mas não antes de espreitar se era seguro lá dentro.

- Ivan? - Marinette passava o olhar por dentro do vestiário, não encontrando o rapaz. Decidida, ela entrou no vestuário e fechou a porta atrás de si. Aquela sala não era enorme, se o Ivan não estava à vista, então ele estaria atrás dos cacifos. E lá estava ele, encolhido a ouvir música com os seus fones.

Ajoelhando-se perto do Ivan, entretido pela música, Marinette tocou-o no braço para o chamar à atenção. Ivan, cedendo à companhia da menina, retirou os fones e esperou que ela dissesse o que queria.

- Sabes, devias contar à Mylène o que sentes por ela. - Marinette gesticulou.

- Eu não sei do que estás a falar. - Ele teimou, olhando para outro lugar que não nos olhos da colega de turma.

- Vá lá, eu vi como tu olhas para ela. - Marinette sorria-lhe, o seu comentário surpreendendo Ivan. Mas o semblante do rapaz contorceu-se numa carranca e ele baixou a cabeça. - Não, nada emoções negativas. Tens de ser positivo! Tenho a certeza que a Mylène também gosta de ti. Vai falar com ela. - Ela sussurrou-lhe.

- Tsc. Eu não sou bom com palavras. - Disse ele, a testa pesando sobre as sobrancelhas.

- Ah... Faz qualquer coisa. Podes desenhar alguma coisa para ela, mandar-lhe flores... - Marinette sugeria ideias, parecendo ter despertado algo em Ivan, que se sobressaltou com um brilho no olhar.

- Podia escrever uma canção para ela. - Finalmente, Ivan olhou a azulada, com uma esperança renovada.

- É uma ideia excelente! Uma canção de amor escrita pessoalmente para ela. - Ela romantizou. - Vai em frente, Ivan! E confiança. - Quando ela terminou de falar, num impulso, Ivan levantou-se e correu para fora do vestiário.

Enquanto que Ivan se alegrava, o Falcão-Traça, que pretendia akumatizá-lo já, frustrou-se.

- As emoções negativos estão a desaparecer! - O vilão reclamou, pisando duro no chão.

Voltando à sala de aula, nenhum dos dois escapou a um olhar estreito da professora e ambos foram diretos para os seus respetivos lugares. Ivan, já sentado, pegou numa folha de papel e numa caneta. Olhando para Mylène de canto de olho, ele começou a escrever.

A aula estendeu-se por mais quarenta minutos, e todos se dispersaram pela escola ao som da campainha.

No pátio, dois loiros caminhavam agarrados, enquanto que uma ruiva, Sabrina, permanecia uns passos atrás deles, a mesma não falando muito com o rapaz pela proibição de Chloé.

- Olha só a Chloé, aquela rapariga não tira as mãos dele. Pobre rapaz, vê-se logo que ele está desconfortável. - Alya comentou, observando como Adrien tentava tirar os braços de Chloé em volta do seu pescoço e tentava conversar com a loira e até com Sabrina. - Por falar nele, Marinette... - Ela chamou a amiga à atenção, a azulada estando de olhos vidrados no loiro. - A flecha do cupido acertou-te em cheio hoje, hein? - Tendo percebido a falta de atenção da azulada, Alya decidiu provocá-la, o que resultou.

- O quê?! Não, nada disso. - Ela sobressaltou-se. - É só que... eu es estava a pensar no Adrien, sim. Mas não dessa forma que estás a pensar! - Ela apressou-se, vendo o sorriso infiltrar-se no rosto de Alya. - Ele pareceu-me um rapaz bem educado e normal, mas sendo ele um amigo da Chloé. - Ela ressaltou o nome da loira com desgosto. - Será que, na verdade, ele é igual a ele.

- Se ele é simpático ou não, não é aqui, escondidas, que vamos descobrir. Vai falar com ele. - Dando um pequeno empurrão nas costas de Marinette, Alya piscou-lhe o olho.

- Ah, não, tu vens comigo, Alya! - Marinette pegou na mão da menina. - Quantos mais amigos, melhor! Afinal de conta, seremos colegas de turma por um longo tempo.

- Até da Chloé? - Alya provocou.

- Bleh. - O rosto da Azulada contorceu-se. - Tirando a Chloé, essa daí só está feliz a maltratar todos à sua volta. - Ela falou, quase chegando até ao rapaz.

No meio do caminho, elas cruzaram-se com Nino, que estava sentado debaixo de uma árvore, escutando música de fones. Acenando às meninas, ele voltou a sua atenção para a sua música.

- Ei, Adrien. - Alya foi a primeira a falar, oferecendo um sorriso ao loiro, que retribuiu. Mas antes que o Agreste pudesse abrir a boca, Bourgeois colocou-se na sua frente.

- O que é que vocês querem, suas fedelhas?! - Chloé berrou, esticando os braços para os lados, como que para proteção do seu querido amigo.

- Não é contigo que queremos falar, é com ele, Chloé. - Marinette apontou para o rapaz, que acompanhava a cena com o olhar.

- O Adrien não quer ter pessoas tão pobres e irritantes como vocês por perto, não é, Adrienix? - Mais uma vez, ela agarrou-se no rapaz que, mais uma vez, foi interrompido antes mesmo de poder falar. - Então vão embora e deixei-nos a sós! Estão a interromper um momento especial.

- Calma lá, Chloé. - Dando um espaço entre ele e Chloé, Adrien livrou-se da aderência de Chloé e começou a falar, finalmente. - Eu não vejo mal em fazer alguns amigos. - Ele sorriu para as duas meninas. - O que acham de irmos juntos ao bar da escola, eu nunca fui a um, mas parecia ótimo. - Ele sugeriu, passando o olhar pelas quatro meninas. O seu olhar cintilava com um brilho guloso que as meninas sentiam que estavam a olhar para uma criança.

- Sou nova nesta escola também, ainda não fui ao bar daqui. Parece-me boa ideia. Marinette? - Com uma mão na cintura, Alya voltou o seu olhar para a azulada.

- Sim, o bar, vamos lá. - Marinette assentia, sorridente, quase pulando do lugar após notar ter perdido a conversa enquanto olhava para Adrien a falar.

- Que ridículo! - Chloé batia o pé de raiva. - Aquela comida de rato não atende aos nossos requintados requisitos, querido Adrien. Mais logo, vem ao hotel do meu pai, lá sim, tem comida do nosso nível. - Mais uma vez, ela agarrou-se ao braço do rapaz.

- O meu pai seria contra essa ideia, infelizmente, Chloé. - A infelicidade tomou o lugar da alegria no olhar verde de Adrien. - Mas podemos ir todos juntos ao bar aqui da escola.

- Ahhhggr! - Afastando-se de Adrien, Chloé grunhiu. - Chama-me quando te fartares dessas plebeias, Adrienix! - Pisando duro no chão, ela foi embora, Sabrina correndo atrás dela. A voz da loira ainda podia ser ouvida pelos três adolescentes que sobraram reunidos. - Ir ao bar da escola? É ridículo! Totalmente ridículo!

Sorrindo para as duas meninas que restaram, ambas se mostraram dispostas a ir com o plano. Apenas dando alguns passos, Nino foi de encontro com eles.

- Importam-se que eu vá com vocês? Acho que posso comer alguma coisa antes da próxima aula. - O rapaz disse, antes de fixar o seu olhar em Adrien. - Eu sou o Nino, prazer em conhecer-te, irmão.

Arregalando os olhos, Adrien olhou Nino como se fosse o seu super-herói de infância na sua frente. Recebendo uma cotovelada leve de Marinette, Adrien voltou à realidade.

- Prazer, eu sou o Adrien. - Adrien apresentou-se formalmente e, ao observar o punho que Nino estendeu a ele, ele sorriu antes de bater o punho no do rapaz.

Voltando ao seu rumo, os quatro foram ao bar da escola. Enquanto isso, o mal ameaçava Paris mais uma vez. Não apenas pelo vilão Falcão-Traça, mas também pelas pessoas comuns que, amarguradas, maldispostas, ruins... ajudavam e facilitavam o trabalho do portador do miraculous da borboleta.

Uma Chloé irritada, colidindo com um Ivan já enervado, resultou em caos. Trancado no vestiário, mais uma vez, uma borboleta negra voava em direção à escola de Ivan.

No covil do Falcão-Traça...

- Sim, era por isto que eu esperava. Já conheces o caminho, meu terrível akuma. Apanha a tua presa, voa e tinge de negro o seu coração. - O vilão falava, sentindo a borboleta cada vez mais próxima do alvo.

Demorou apenas uns minutos até a borboleta chegar à escola e possuir a folha de papel amassada no punho de Ivan.

- Stoneheart, é a tua segunda oportunidade e desta vez vais ter ajuda. Ninguém vai impedir-te que conquistes o amor da tua vida. Lembra-te apenas que quero uma coisa em troca, os miraculous do MisterBug e da LadyNoir.

Sem palavras, Ivan entregou-se ao poder do vilão e acetou que a sua ira tomasse as suas decisões. Agora, ao invés de um humano, Ivan voltou a tornar-se num monstro de pedra. Por toda a Paris, monstros semelhantes ganhavam vida e começavam a mostrar-se hostis.

Na sala de aula...

- Adrien Agreste. - A professora Bustier chamou, uma prancheta estava nas suas mãos.

Vendo o amigo desorientado, Nino sussurrou-lhe. - "Dizes "presente."

- Presente! - Levantando-se do lugar, Adrien gritou, levantando a mão. Com as leves risadas divertidas dos seus colegas, Adrien coçou a nuca, sorrindo timidamente. Sentando-se, Nino chocou o punho dele novamente com o do loiro, em celebração da vitória do amigo.

A chamada continuou até um certo nome ser chamado.

- Ivan Bruel. - Bustier chamou.

- Presente! - derrubando a porta e partindo alguns dos vidros que a cercavam, Stoneheart apareceu, bem a tempo da sua vez.

Os gritos e a correria começaram mal ele deu o segundo passo. A sala esvaziou em tempo recorde.

- Põe-me no chão, Ivan. - Mylène disse, as suas mãos perto do peito enquanto ela era mantida presa no punho do monstro.

- Já não sou o Ivan, sou o Stoneheart. - O outro informou-a.

- Por que é que estás a fazer isto? - amedrontada, mas curiosa, Mylène questionou-o.

- Para que tu e eu fiquemos juntos. Para sempre. - Sem hesitar, Stoneheart respondeu, antes de escutar uma voz desprezível.

- Papá?! O-O monstro! Voltou! - Ao telemóvel, estava Chloé, agachada sobre a mesa, escondida do dito monstro. Os seus gritos ficaram mais altos quando Stoneheart arrancou a mesa pregada ao chão em que a loira se escondia.

- Tuuuu! - Grunhiu Stoneheart, prendendo também Chloé nas suas garras, antes de quebrar a parede para o exterior e pular do prédio. Os gritos de Chloé sendo escutados por Alya, que nunca parou de filmar o ocorrido.

- Demais! Não é, miúda? - Empolgada ao assistir o vilão a andar pela rua, Alya questionou Marinette, mas esta não se encontrava no seu campo de visão. - Marinette? - Ela passou o seu olhar pela sala, encontrando-a praticamente vazia, apenas tempo um punha de alunos encolhidos no canto.

Nos balneários, feminino e masculino, duas pessoas estavam prestes a desaparecer.

No masculino...

- Primeiro dia na escola, e nem passo da segunda aula. - Adrien falou, deixando Tikki sair de dentro da sua camisa.

- Mas ganhámos uma nova tarefa esta manhã! E poderemos finalmente trazer o Ivan de volta. - Tikki celebrou, motivando também Adrien.

- Sei o que tenho a fazer, está na palma da minha mão. Tikki, transforma-me!

Igualando o sorriso do portador, Tikki sorria enquanto era sugada para os brincos que Adrien usava, meio escondidos por algumas madeixas de cabelo, tornando a sua cor cinza e forma achatada em brincos arredondados e vermelhos, com cinco pintinhas pretas dispersadas em cada um dos brincos.

Já no balneário feminino...

- Uma folga! A isto eu chamo de dia produtivo. - Libertando-se da bolsinha de Marinette, Plagg voou até à pilha de livros que tinha no cacife da azulada e deitou-se, confortavelmente, sobre eles.

- Nada disso, Plagg, temos trabalho a fazer! - Marinette cerrou o punho que continha o anel, o seu sorriso surpreendendo Plagg.

- Oh, as dúvidas acabaram, minha deusa do queijo? - Plagg perguntou, antes de entender o significado as palavras da menina, que sorria mais ainda. - Oh, nãooo! Eu quero tirar uma soneca! - Ele queixou-se, fingino desmaio, o que não impediu os próximos movimentos da sua companheira.

- Plagg...

- Ah, não...

- Mostrar garras! - Ela terminou.

Com Stoneheart...

- Não sabes com quem estás a lidar! - Chloé atazanava a vida do seu raptor. - O meu pai é o presidente da câmara e vai chamar a polícia, o exército, a cavalaria inteira!

- E não te esqueças dos super-heróis~~ - Atrás dos três, MisterBug planava em direção deles. Manobrando novamente o seu yoyo, a mão em que Mylène estava foi puxada para trás e Stoneheart foi obrigado a contorcer-se e lutar para manter ambas as alunas sob as suas garras.

- Bom dia, joaninha~~ - A voz da sua parceira escutou-se a aproximar-se.

Vendo-a em ação, MisterBug observou como a sua colega esticou o seu bastão, prensando-o no chão, no lado direito do monstro, impedindo-o que se voltasse a endireitar, pois o bastão pressionava o seu ombro para trás.

Deslizando pelo bastão, LadyNoir parou ao lado do seu parceiro.

- Voltamos a encontrar-nos,My Lady. - Ele sorria, enquanto que LadyNoir fazia o próximo movimento, com a outra parte do bastão, em direção a Chloé.

- Estás a ronronar, rapaz joaninha? - LadyNoir provocar, arqueando a sobrancelha. - Sabes que é feio roubas as falas alheias.

- Miau! Estou apenas tão feliz de te ver logo pela manhã. - Ele sorria, enquanto o mesmo andava ao redor do monstro, da esquerda para a direita, antes de começar a enrolar também o yoyo no braço em que a loira se encontrava a berrar.

- Ei, salvem-me, não é hora de flertar um com o outro! - A Bourgeois berrou, as suas mãos em punhos balançando no ar.

- Não estamos a flertar! - Gritaram os dois heróis, voltando os seus olhares para ela, enquanto que o monstro grunhia de raiva à execução do plano dos heróis. Plano, plano, não era, mas era uma sincronia de se admirar.

Sendo obrigado a uma escolha, Stoneheart soltou Chloé e então virou-se, desenvencilhando-se do bastão que obrigava a inclinar-se para trás. Com um grito de guerra, Stoneheart bateu-se a si mesmo, aumentando de tamanho e, consequentemente, fazendo a corda do yoyo não ser o suficiente para o restringir.

- Cá vamos nós! - Berrou MisterBug, lutando para manter o monstro de pedra preso, mas sendo arrastado miseravelmente pelo chão pela força do pedregulho.

- Não acredito no que vi, ele bateu-se a si mesmo?! - LadyNoir falou, ajudando MisterBug a manter o yoyo enrolado no monstro sob os pedidos de socorro de Mylène.

- Que ridículos. Dizem-se vocês serem heróis? Poupem-me! - Uma voz desdenhou da cena, enquanto ajeitava o seu penteado.

- O que estás a fazer aqui ainda? Foge! - MisterBug berrou à loira, mais amedrontado pela segurança de Chloé do que a própria que, por algum motivo, ficou a assistir a cena de perto.

Quando as probabilidades pareciam a favor dos heróis, Stoneheart infligiu-se a si próprio mais uma vez, aumentando o seu tamanho. Como a sua força, a sua ira também aumentou, e isso foi uma parte responsável pelo monstro ter batido e lançado, com a sua mão, em LadyNoir e MisterBug para longe.

- Ahgr! Que incompetentes! - O grito irritado de Chloé veio quando ela foi apanhada de novo pelo monstro.

- Querias a cavalaria, não querias? - Stoneheart olhou para a loira. - Pois aqui vem ela! - Ele olhou em frente. O chão tremia enquanto dezenas de monstros de pedra vinham em direção de Stoneheart, parando todos em volta dos heróis, rodeando-os. - Apanhem-no! - Ele ordenou num rugido.

Stoneheart foi embora enquanto os demais monstros de pedra enfrentavam os heróis.

- Alya, atenção!

Escutando o seu nome, a menina que estava escondida procurou o perigo. Um carro voava em direção a ela, fazendo-a ofegar.

MisterBug tratou do assunto, com o seu yoyo, ele envolveu o carro e, com esperança, ele começou a puxar a corda e a mudar a direção do carro. Por outro lado, estando com a atenção dividida, LadyNoir pegou no parceiro e afastou-o das garras dos monstros que se aproximavam e tentavam capturar os dois.

- Agradecido,My Lady. - O herói loiro piscou-lhe o olho, sendo de imediato solto pela LadyNoir.

- Não tens de quê. Precisamos ir de encontro com a origem do caos. - LadyNoir falou, ao mesmo tempo que pegava no seu bastão e se punha em posição de decolagem. Mas não antes de deixar um aviso. - Tu aí! - Ela virou-se para Alya.

- Sou a Alya Césaire. - Informou.

- Alya, não te metas em perigo e vai esconder-te. Nós tratamos de tudo aqui. - Dito isto, LadyNoir e MisterBug partiram pelos telhados dos prédios, perdendo de vista também os monstros de pedra menores.

Com visão para a Torre Eiffel, os heróis avistaram Stoneheart.

- O que ele pretende ali em cima? - MisterBug perguntou, observando os helicópteros cercarem o akumatizado.

- Exijo a devolução a minha filha! - Perto da Torre Eiffel, o presidente falava pelo megafone.

- Papá! - Chloé choramingava.

- Sabem uma coisa... - Stoneheart olhava Chloé. - Com todo o prazer. - As palavras mais sinceras saíram da sua boca.

Chloé foi então lançada a alturas vertiginosas em direção ao chão, onde nenhum polícia estava por perto para pensar sequer em ajudar. O terror assolou tanto o rosto da Loira quanto o do seu pai, cujo rosto empalideceu como o de um fantasma. Na verdade, ele parecia mais preocupado que a filha.

- Prometo que a partir de agora eu vou ser boa para toda a gente! - De mãos dadas e dedos entrelaçados, Chloé falou, de olhos fechados. Mas tudo foi em vão quando ela sentiu-se ser apanhada por braços finos. - Mas não jurei. - Ela completou, olhando para a sua salvadora, LadyNoir, que a olhava em confusão.

- O quê? - A heroína questionou-se, ainda pegando na loira.

Correndo para os braços do pai, ambos partilharam um abraço saudoso.

- Já podemos atacar! - em cima de uma carrinha da polícia, Roger, o polícia com o braço quebrado, comandou os outros oficiais.

- Esperem! - MisterBug pediu, gesticulando para que parassem o ataque. - Não ataquem! Só vai piorar tudo!

- Não precisamos de super-heróis! Saiam da frente e deixem trabalhar os profissionais. Já fizeram que chegue e falharam! - Ele acusou, apontando-lhes o dedo.

- Está enganado, este é um assunto para nós: eu e a minha incrível parceira, LadyNoir! - Ele sorria, girando para ver a sua parceira, deparando-se com uma gatinha cabisbaixa. -My Lady?

- Sabes, ele tem razão. Nós falhamos uma tarefa importante e hoje as coisas não estão a correr melhor. Talvez fosse melhor que nós saíssemos do caso. - Ela dizia, tentando olhar nos olhos de MisterBug.

- Nada disso, LadyNoir, nós estamos a aprender. Temos esse direito, se assim nós desejarmos. Sem ti, ela já não estaria aqui. E, sem nós, Paris não se livrará daqueles monstros de pedra. Confia em mim,My Lady.Confias? - Ele perguntou, as suas mãos sobre os ombros da desanimada LadyNoir.

- Confio! - A confiança voltou ao seu olhar.

Uma tosse terrível interrompeu o momento dos heróis, Stoneheart havia acabado de cuspir borboletas. Borboletas negras. Paralisado, ele caiu para trás, ainda com Mylène preso na sua mão. Por outro lado, das borboletas, um rosto se formava a partir delas.

- Parisienses, escutem com atenção. Eu sou o Falcão-Traça. - Ele apresentou-se, antes de mais.

- Falcão-Traça? - os heróis questionaram-se.

Ele também tem um miraculous, não é? - Ambos questionaram, em pensamentos.

- MisterBug, LadyNoir, entreguem-me os vossos miraculous. Os brincos da joaninha e o anel do gato preto. Estas pessoas inocentes já sofreram demais por vossa causa.

O belo discurso do Falcão-Traça mereceu aplausos, LadyNoir fez questão de ser a primeira. Um sorriso esticando-se pelos lábios do seu parceiro.

- Boa tentativa, Falcão-Traça, mas não invertas os papéis. Nós sabemos quem é o vilão. Foste tu que transformaste estes inocentes em monstros de pedra. - Ela parou de andar. - Falcão-Traça, demore o que demorar, nós vamos encontrar-te e tu vais entregar-nos o teu miraculous! - Ela apontou, o seu sorriso não mais no seu rosto.

- Às tuas ordens,My Princess. - MisterBug sussurrou, andando em direção a LadyNoir, mas foi-se transformando em uma corrida em direção às borboletas negras. - Tchau, tchau, pequeno poço de mal! - MisterBug falou, antes de lançar o seu yoyo aberto em direção às borboletas. Uma vez após outra, ele lançava o yoyo e capturava as borboletas, até tudo o que restar for o eco do grito frustrado do vilão.

Enquanto que ele se voltava para a população de Paris, LadyNoir corria apressadamente em direção a Stoneheart, ainda paralisado.

- Vou fazer-vos uma promessa! - Ele começou. - Seja quem for que queira fazer-vos mal, o MisterBug e a LadyNoir farão o impossível para ajudar! - Ele garantiu, tocando no seu yoyo, abrindo-o.

Num pequeno e cintilante clarão de luz de dentro do yoyo, MisterBug apontou a abertura para o alto. Centenas e centenas de borboletas sendo libertadas para o céu, espalhando-se por ele. A celebração veio aos parisienses e os sorrisos voltaram a eles. Uma ala de "viva" preencheu Paris, apesar dessas palavras não chegarem completamente aos heróis.

- MisterBug! - A voz da sua companheira chamou-o à atenção.

Ao olhar para a parceira, viu-a apontar para cima.

- Uma borboleta negra... - O seu olhar arregalou-se. Sem questionar de onde vinha ou como tinha escapado dele, MisterBug apanhou-a. - Adeusinho. - Ele acenou à borboleta renovada. - Andando até à parceira, ele notou. - Ah, então foi daí que veio.

Na mão de LadyNoir, um papel estava amassado, e do seu lado, Mylène via a condição de Ivan.

- Este bastão é realmente uma maravilha, eu quase não consegui mexer o punho dele com as minhas mãos apenas. - LadyNoir sorria. - Bom trabalho, ali em cima.

- Bom trabalho aqui atrás. - Ele igualou, sorrindo. Mas esse sorriso desvaneceu-se ao observar o caos que se instalou lá em baixo e, provavelmente, em vários pontos de Paris.

- Vai lá, faz. Estamos a aprender, não é verdade? - LadyNoir motivou o parceiro, que voltou a ter um sorriso mínimo no rosto.

- Exatamente,My Lady. - Lançando o yoyo ao alto, ela entonou as palavras. - Lucky Charm!

Joaninhas rodeavam o yoyo, quando ele regressou, um objeto veio junto.

- Um relógio? - MisterBug espantou-se, olhando incerto para LadyNoir, que deu de ombros, ainda sorridente. - Que ironia. - Ele comentou, Divertido. Cá vamos nós. Miraculous MisterBug! - Lançando o objeto para em alto, a visão espantou tanto os heróis, quanto Ivan e Mylène, junto de todos os parisienses.

Centenas de milhares de joaninhas cintilantes voavam em conjunto pela cidade, concertando todos os danos e maravilhando quem olhasse para elas.

- Uau, estás a ver o mesmo que eu? - MisterBug perguntou, espantado.

- Sim... - Atónica, a outra respondeu. - É lindo. E espantoso, é... Miraculoso! - O sorriso de LadyNoir era enorme, os seus olhos brilhando ao ser rodeada pelas joaninhas.

Apenas uma pessoa, decerto, estava infeliz com aquelas joaninhas - Falcão-Traça.

- Isto é apenas o começo, MisterBug. Tu e a LadyNoir podem ganho a batalha, mas eu vou ganhar a guerra! Vou apanhar os vossos miraculous, vou conseguir o poder absoluto e o meu sonho tornar-se-á realidade!

De volta à Torre Eiffel...

Os polícias desmontavam as barricadas que criaram e dispersavam-se, enquanto isso, os heróis de Paris conversavam com Ivan e Mylène.

- Acho que vocês precisam de conversar. - Pondo as mãos nos ombros de ambos, LadyNoir falou-lhes, piscando o olho para Ivan, que se pôs tímido.

- Talvez lendo-lhe isto. - MisterBug sugeriu, entregando uma folha de papel esticada a Mylène e saindo de cena, junto a LadyNoir, ambos com sorrisos matreiros nos rostos.

- Uau, é mesmo bonita. - Mylène elogiou a letra escrita por Ivan. - É uma pena que não se perceba quando gritas, ah... Quando cantas. - Corrigiu-se.

- Meti-te medo, não foi? - Ivan desviou o olhar para o lado. - E foste-te embora. - Virando-se para ela, Ivan fez uma promessa. - Eu vou tentar... cantar melhor. - Sendo de seguida, surpreendido por um abraço pela pequena rapariga, as suas bochechas ganhando uma cor escarlate.

- Ow, foram feitos um para o outro. - LadyNoir falou, sentida pelo romance a que assistia.

- Tal como nós,My Lady. - MisterBug curvou-se, pedindo a mão da parceira sobre a sua.

- Oh, o teu miraculous, tens de ir! Até breve, MisterBug~~ - Despedindo-se, LadyNoir partiu.

Até breve,My Lady. - Ele disse, LadyNoir já estando longe, antes do próprio correr e saltar pelos prédios.

Chegando à escola, no dia seguinte...

- Então fui de bicicleta até à Torre Eiffel mas já tinha acabado. Estou super chateada! - Alya reclamava com Marinette a andar do seu lado.

- Deixa lá, vais conseguir para a próxima. - A azulada disse, começando a subir as escadas.

- Tens razão! Para a próxima: "LadyNoir e MisterBug, uma entrevista exclusiva!" - Alya anunciou.

- Uhh, sempre quero ver.

- Oh, espera! Ainda melhor - descobrir quem está por detrás daquelas máscaras! - Alya falava, avançando os degraus, fazendo Marinette correr para a alcançar.

- Sempre quero ver isso.

Chegando também à escola, o carro de Adrien Agreste estacionava.

- Desobedeceste-me, Adrien! É intolerável! Estás a ver essa escola?- Através do ecrã prensado no assento da frente, Gabriel Agreste falava com um Adrien deprimido.

- Sim, estou a ver, pai. - O rapaz assentiu, prevendo o que estava por vir.

- Nunca mais, repito, nunca mais vais voltar lá...

- Oh, pai, não. - Adrien tentou, infeliz.

-Sem o teu guarda-costas.

O que antes era conformação misturado a tristeza, passou a uma alegria genuína. Adrien sorria de orelha a orelha para o pai.

- Ele vai buscar-te e levar-te todos os dias. A Nathalie ofereceu-se para organizar a tua agenda, vais continuar com as tuas aulas de chinês e esgrima, e claro, as sessões fotográficas.

Gabriel falava e Adrien escutava, mas não olhava ara o pai. A substituí-lo, Adrien olhava para Nathalie, que mantinha uma expressão estoica, até dura, no rosto. O olhar da mulher estava voltado para a cidade do seu lado da janela, ela ignorava o olhar agradecido e carinhoso do rapaz.

- Obrigado, Nathalie, obrigado, pai! - Adrien agradeceu rapidamente, saindo do carro com entusiasmo.

Correndo pelas escadas, Adrien dirigiu-se até à sua sala de aula.

Marinette e Alya entraram na sala e Alya teve o seu caminho barrado. Marinette havia desviado o caminho e subido dois degraus da escada do centro. Parando ao lado de uma mesa, Marinette gesticulou para Alya ir, ao que ela sorriu.

As meninas fizeram a sua escolha, então a paz não durou muito. Logo, Chloé chegou.

- Vocês estão no lugar errado! - A loira berrou, apontando-lhes o dedo. - Vão sentar-se além! - Ela apontou novamente, só que desta vez, para uma outra mesa, aquela que ambas se sentaram no outro dia.

- O que permite que o mal triunfe, é as pessoas boas não fazerem nada. - Marinette respondeu, olhando a loira.

- O que é que isso significa? - Bourgeois começava a sorrir de escárnio.

- Significa que não aturo mais as tuas parvoíces, Chloé! - Marinette bateu as mãos na mesa, de leve, ao se pôr de pé. - Nem eu, nem mais ninguém! Por isso, se não te importas, vai sentar-te além. - Marinette apontou para o mesmo lugar que Chloé apontara anteriormente, a sua ação e palavras fazendo a turma rir.

- Muito bem. - Alya deu uma batidinha de leve no ombro da amiga.

A sala estava quase cheia, mas ainda faltavam alunos, entre esses, Adrien, que acabava de entrar na sala, logo após o fim da cena entre as raparigas.

Avistando-se, Nino e Adrien cumprimentaram-se em silêncio, antes do loiro se sentar.

As aulas passaram numa lentidão tenebrosa, e a chuva assolou a tarde, escurecendo o céu. Marinette analisava a chuva, ela tocava-a, não estava muito forte e além do mais... A sua casa era só andar um pouco e passar a passadeira. Quando notou, a chuva caia em um meio círculo na sua frente. Olhando para trás, ela viu o responsável.

- Eu queria ir à padaria dos teus pais comprar umas guloseimas. Posso dar-te uma pequena boleia até lá. Se quiseres. - Adrien propôs, gesticulando para o seu guarda-chuva.

- Claro. - Marinette acenou. - Obrigada, Adrien. - Ela agradeceu, enquanto Adrien gesticulava ao seu guarda-costas que iria "ali na frente", na padaria.

- Sem problemas, Marinette.

- A esta hora da tarde, os meus pais devem ter feito mais alguns bolos, então devem estar muito saborosos! Fica por minha conta, para te dar as boas-vindas à turma, Adrien. Sabes, se eu pedir ao meu pai, ele faz biscoitos num instante, eles são demais! Ah, mas não te preocupes, teremos muitas oportunidades para os provar, se não puderes agora. - Ela falou, trazendo o semblante feliz de Adrien de volta.

- Estou ansioso por isso, Marinette.

Permanecendo num silêncio confortável sob a chuva, ambos passaram a passadeira.

Além do guarda-costas de Adrien, mais dois pares de olhos observavam o casal de amigos.

- Excelente escolha, mestre. - Wayzz olhou o senhorzinho, que acariciava a barba.

- Aqueles dois foram feitos um para o outro. - Ele assistiu apenas a um pequeno trecho das vidas dos jovens, mas assim ele o diz... Veremos o que acontece.