Capítulo 6 — O começo da jornada
O tempo passou como a maré que silenciosamente molda as pedras da costa.
Dois anos.
Dois longos anos desde a despedida de Sanji e Jeff.
Na enseada escondida da ilha, agora remodelada e mais eficiente, armadilhas de pesca intricadas funcionavam como uma engrenagem viva, cuidadas e aprimoradas por alguém que não parava nunca: Naruto.
Agora com 17 anos, ele não era mais o garoto impulsivo de antes — seu corpo carregava músculos bem definidos, mas moldados pela necessidade, não pela vaidade. Sua pele era marcada por sol, mar e treino. Seu olhar? Calmo como uma brisa... e feroz como um tufão, quando precisava.
Carregava em suas costas não mais um reservatório de água improvisado, mas sim um grande tanque com mais de 10 mil litros de agua Cada passo era silencioso, eficiente. Seus movimentos? Sem desperdício. Como se a própria natureza o tivesse adotado como parte do ambiente.
Naruto agora falava pouco, mas quando falava, todos escutavam.
Teuchi
O velho cozinheiro havia mudado também. Não no corpo, mas no espírito.
Sua coluna agora mais curvada, seus dedos um pouco mais lentos ao cortar, mas seus olhos? Mais brilhantes do que nunca.
Vivia dizendo:
— "Naruto, seu moleque cresceu tanto que parece que vai sair voando com o próximo vento."
Mas por trás das piadas, havia orgulho — e um certo medo escondido. Sabia que o dia da partida se aproximava. E mesmo que Naruto tivesse treinado por si mesmo nos últimos anos mais com a colher do que com o punho, ele sentia: o garoto estava pronto para enfrentar o mundo.
Ayame
Ayame, agora com 22 anos, abandonara a leveza despreocupada dos flertes para assumir com firmeza o restaurante que antes era só extensão de seu pai. Ela liderava a cozinha com uma autoridade calorosa, mas inabalável. Seu cabelo agora preso em um coque simples, os olhos atentos a tudo.
Ela também mudou com Naruto.
Cresceram juntos, de certo modo.
Conversas noturnas sob o luar.
Discussões acaloradas sobre o que significa "seguir um sonho".
Silêncios confortáveis.
E um sentimento de irmãos juntos nunca parou de crençe.
"Monstros surgem das profundezas... mas sorrir diante deles é coisa de um Rei."
O mar estava calmo naquela manhã. Calmo demais.
Naruto mergulhou na enseada como fazia há anos — os movimentos precisos e graciosos, como se tivesse nascido sob as ondas. Vestia sua roupa normal de mergulho uma simples bermuda sem camisa , e nos braços levava o novo conjunto de armadilhas que desenvolveu após tantos testes: um sistema de correntes ocultas, estacas retráteis e iscas com cheiro forte — tudo planejado para atrair e capturar os maiores peixes da região.
Mas naquele dia, os peixes tinham desaparecido.
Silêncio absoluto.
Naruto, mesmo debaixo d'água, sentiu o clima ao seu redor se tornar denso.
Foi então que ele o viu — olhos dourados surgindo da escuridão, refletindo como faróis. Primeiro um par, depois outro... depois mais dois.
Cinco pares de olhos.
Naruto arregalou um pouco os seus, e então sorriu.
O rei havia voltado. E trouxe sua família.
À frente, o mesmo Rei do Mar que ele enfrentou anos antes. Só que agora, com mais de 35 metros, com escamas negras e azuis e dentes como espadas. Atrás dele, outros quatro reis, cada um quase do mesmo tamanho — possivelmente fêmeas e filhotes crescidos, unidos por laços de sangue... e sede de vingança.
Naruto não recuou.
Ele avançou.
Fez um gesto com os braços, puxando as manoplas presas à cintura, feitas com as presas do primeiro rei que ele matou.
Girou o corpo na água, soltando um redemoinho ao redor de si.
Seus olhos brilhavam com adrenalina pura.
E então ele gritou — mesmo debaixo d'água — como se sua alma falasse direto ao fundo do oceano:
"VEM COM TUDO, MONSTRÕES!"
O primeiro rei avançou, com a boca aberta como uma caverna viva.
Naruto girou, desviando por centímetros, e cravou sua lâmina de caça em um dos olhos da criatura, sendo arremessado com a força do impacto. Ele bateu contra uma pedra submersa, rachando-a, mas seu sorriso permaneceu no rosto. Quase gargalhava.
— "ISSO! É ISSO QUE EU TAVA ESPERANDO!"
Se reposicionou.
A batalha havia começado.
Acima da superfície, Pescadores próximos olharam com espanto quando viram o mar se agitar como se estivesse fervendo — ondas subindo, sangue surgindo aos poucos na espuma.
Algo gigante se movia lá embaixo. Algo muito perigoso.
E mesmo sem ver claramente, todos sabiam.
Naruto estava lá. Lutando.
"Sangue na água, sorriso no rosto."
A lâmina de Naruto se partiu.
Ele a fincara tão fundo no crânio lateral do primeiro Rei do Mar que a força do impacto — somada à resistência óssea — quebrou o metal como se fosse vidro. Mas o monstro sentiu. O urro gutural ecoou sob as águas, fazendo cardumes inteiros fugirem em pânico.
Naruto não se abalou.
Em vez disso, girou o corpo no impulso do contra-ataque da criatura e usou o próprio peso dela para se lançar até a lateral do pescoço.
Com uma agilidade monstruosa, ele tirou um dos arpões de titânio presos às costas e cravou com as duas mãos entre as brânquias abertas do animal.
Sangue jorrou em jatos, manchando a água de escarlate.
Mas o Rei do Mar reagiu com fúria. Seu corpo gigante girou, e sua cauda descomunal acertou Naruto em cheio. Ele foi lançado como um míssil contra uma parede rochosa submersa, rachando a pedra com o impacto brutal.
Mesmo assim, ele saiu da poeira sorrindo — com o olho esquerdo sangrando, o ombro deslocado, e ainda rindo como se estivesse brincando com amigos no quintal de casa.
— "ISSO É VIDA!" — gritou com bolhas de sangue escapando da boca.
Foi quando os outros quatro Reis se moveram.
Eles não esperaram.
Atacaram juntos.
Dois vieram pela lateral, tentando abocanhar Naruto em sincronia. Um terceiro surgiu de cima, em queda, como se quisesse esmagá-lo com o próprio peso. O último permaneceu atrás, com olhos fixos e frios, observando com inteligência anormal — talvez o mais velho da família, talvez a mãe.
Naruto agiu com instinto. E com sede de vitória.
Desviou no último segundo entre os dois primeiros, girando no meio da mordida dupla. Se arrastou no corpo de um deles, como um inseto furioso, e então usou o arpão como alavanca para quebrar as brânquias abertas com o próprio braço.
A criatura urrou, tentou morder novamente — mas Naruto já tinha pulado para o próximo, o que caía do alto. Com uma cambalhota, aterrissou nas costas do Rei do Mar em queda, e usou seu peso e impulso para desferir uma saraivada de socos nas escamas do dorso, rachando algumas.
Lá de cima, teve uma visão total do campo de batalha submarino — e sorriu mais ainda.
— "Cinco contra um… Isso sim é um treino de respeito!"
O Rei do Mar observador se moveu.
E Naruto soube que o verdadeiro problema só estava começando.
Na superfície, um grupo de pescadores, incluindo Ayame e Teuchi, se aglomeravam na ponta da enseada.
— "O que tá acontecendo lá embaixo?" — perguntou um dos homens, já com a pele pálida.
Teuchi manteve os olhos fixos, sério como raramente ficava.
— "Naruto... está se despedindo."
Ayame apertou os punhos no peito, tentando não chorar.
Mesmo sem ver claramente, ela sabia que lá embaixo, algo inacreditável estava acontecendo. Algo que nenhuma alma esquecida por aquele mar jamais esqueceria.
"Punhos que afundam monstros."
O Rei do Mar que observava tudo com calma — o maior, o mais experiente, o que parecia liderar os demais — finalmente investiu contra Naruto.
Seus olhos tinham a frieza de quem já sobreviveu a guerras no fundo do oceano. Sua mandíbula era larga, repleta de presas com mais de um metro, e seu corpo se movia com uma rapidez anormal para algo tão colossal.
Mas Naruto não recuou.
Pelo contrário… Ele avançou.
Com os braços abertos, o sorriso ainda escancarado, os olhos brilhando com aquele brilho selvagem que Teuchi dizia ser "coisa de doido que nasceu pra desafiar o mundo".
— "VEM ENTÃO, SEU ATUM DE 35 METROS!"
O impacto entre os dois foi brutal.
Naruto cravou os pés no fundo do mar, criando um pequeno deslizamento de areia e pedras. Seus músculos se tensionaram como cordas prestes a arrebentar. E, no momento exato em que a besta abriu a boca para mordê-lo…
Naruto pulou.
Um salto tão poderoso que gerou um vórtice, desviando parte da água em um movimento espiralado. Ele girou no ar, usando seu próprio corpo como um turbilhão, e desferiu um chute giratório com o calcanhar concentrando todo o peso do seu corpo.
— "Impacto do Trovão!"
O golpe acertou em cheio a mandíbula da criatura, deslocando-a com um estalo seco que ecoou até a superfície.
O Rei do Mar desabou lateralmente, abrindo espaço para o segundo monstro — o mesmo que havia sido ferido antes — tentar abocanhar Naruto de lado.
Mas o loiro já esperava.
Ele se virou em pleno movimento e ativou uma de suas técnicas favoritas, desenvolvida após anos carregando peso extremo nas costas:
— "Correnteza Invertida!"
Naruto deu dois passos sobre a água — literalmente correndo em pleno mar, usando o impulso para girar sobre si mesmo e acertar um gancho ascendente no queixo da criatura, arremessando a cabeça dela para cima com tanta força que o corpo perdeu o equilíbrio e colidiu com o terceiro Rei do Mar.
Dois monstros se chocando, ossos rachando, guelras se rompendo.
Sangue explodindo como jatos vermelhos ao redor de Naruto.
Ele caiu de pé, mantendo o folego em baixo da agua ainda firme, com o peito inflado e o olhar agora mais sério.
Seus punhos estavam ensanguentados com o sangue dos rei do mar que se dissovia com agua salgada da enseada. Seu ombro ainda doía do golpe anterior. Mas nada disso importava.
Ele estava se divertindo.
— "Mais dois sobraram… Vamos acabar logo com isso antes do jantar."
Então, pela primeira vez, Naruto assumiu sua nova postura de batalha.
Suas pernas se afastaram, os joelhos se dobraram num ângulo firme, e os braços subiram na altura do peito com os punhos cerrados. Seus olhos se estreitaram, e sua aura mudou completamente.
Seriedade total. Instinto puro.
Um estilo que Teuchi chamava de "Estilo Caçador do Abismo", criado por Naruto depois de centenas de mergulhos solitários em caçadas subaquáticas.
E foi assim que ele se lançou contra os dois últimos Reis do Mar…
Como uma flecha viva.
Como um predador sorridente.
Como alguém que já tinha decidido vencer.
"Caçada Dupla: Técnica do Redemoinho Cortante!"
A pressão no fundo do mar era absurda. Qualquer outro humano já teria os pulmões implodidos, a visão turva, os ossos esmagados pelo peso da água e pela simples presença de cinco monstros que juntos pareciam um exército das profundezas.
Mas Naruto...
Naruto sorria.
A dois metros de distância, os dois últimos Reis do Mar se aproximavam por lados opostos. Um vinha pelas costas, tentando pegá-lo com um golpe furtivo de sua cauda revestida de espinhos ósseos. O outro, de frente, abria as mandíbulas enormes para dilacerá-lo.
Era uma emboscada perfeita. Uma armadilha de predadores marinhos.
Mas Naruto não recuou.
Ele mergulhou mais fundo.
No momento exato em que os dois monstros dispararam contra ele, Naruto virou o corpo em espiral com uma velocidade tão violenta que criou um redemoinho ao seu redor — a água girava em alta rotação como uma broca líquida — e então ele se concentrou em seu núcleo, centralizando toda a força nos punhos e pernas.
— "Técnica do Redemoinho Cortante!" — gritou mentalmente, puxando a força de todo seu treinamento, de cada mergulho, de cada armadilha que havia armado nos últimos cinco anos.
O corpo de Naruto girotriplicou a velocidade, e seus punhos e calcanhares foram envoltos por lâminas espiraladas de água comprimida, afiadas como navalhas — criadas pela fricção do giro e pela precisão absurda de seu controle corporal.
Impacto.
O primeiro Rei do Mar, o que vinha pela frente, teve metade da mandíbula arrancada com o soco giratório de Naruto, seguido por um chute que estourou sua lateral como uma bomba de ar comprimido.
Simultaneamente, o segundo monstro que atacava pelas costas teve a cauda cortada pela lâmina de água que girava ao redor de Naruto, antes de receber dois golpes consecutivos no olho e na garganta — acertados em pleno giro, sem hesitação.
Os dois monstros colapsaram ao mesmo tempo.
Um grito abafado de dor ecoou no oceano profundo, e o sangue dos dois se espalhou como tinta vermelha no azul esverdeado da enseada.
Naruto flutuava no centro do caos, o corpo ferido, o ombro esquerdo pingando sangue por um espinho que havia raspado sua carne — mas ele não parou.
Seu sorriso ainda estava ali.
Aberto. Confiante. Selvagem.
— "Faltam dois... Agora vai começar a parte divertida."
Lá em cima, na superfície, pescadores, moradores da ilha e até mesmo Teuchi e Ayame observavam o mar borbulhar em vermelho, cada vez mais surpresos com o espetáculo de brutalidade e controle vindo de um jovem de 17 anos…
Um garoto que mais parecia um deus da guerra subaquático.
O mar ficou em silêncio.
Mesmo com o sangue ainda tingindo as águas, mesmo com as correntes oscilando de maneira caótica após a morte de dois colossos… havia um momento de pausa.
Uma presença se aproximava.
Lenta.
Terrível.
Antiga.
Das profundezas mais escuras da enseada, surgiu a sombra colossal do maior dos Reis do Mar — com mais de quarenta metros de comprimento, escamas negras como petróleo e olhos rubros como rubis forjados no inferno.
Seus dentes pareciam mastigar os próprios ossos de raiva.
Seus movimentos faziam a terra sob o mar tremer.
O Rei do Mar Líder.
Pai. Protetor.
Último sobrevivente daquela que um dia foi a mais temida família dos abismos daquela região.
Ele havia visto.
Ele sentia.
Cada morte. Cada golpe. Cada grito abafado.
E no centro de tudo isso...
Um adolecente humano.
Naruto.
Mas o jovem não tremeu.
Não se escondeu.
Ele encarou.
Com os olhos semicerrados, cheios de adrenalina e alegria pura, Naruto levou a mão até o maxilar, estalou o pescoço para os dois lados e, mesmo com cortes pelo corpo profundos pelo corpo que liberava seu sangue na agua salgado que se curava rapidamente, sangue escorrendo pelo rosto, soltou uma gargalhada abafada pela água.
"Heh... finalmente você veio."
O Rei rugiu.
A água vibrou como se o próprio mar tivesse gritado.
Então ele avançou.
Um impulso colossal, rápido como um canhão.
A boca aberta, dentes maiores que lanças.
A pressão do deslocamento de água atingia Naruto antes mesmo do corpo gigante chegar.
Mas Naruto mergulhou para o fundo com um rastro de bolhas, desviando por milímetros e girando no próprio eixo. A velocidade do rei era desumana. Mas Naruto também não era mais apenas humano.
A perseguição começou.
O monstro girava em círculos, tentando esmagá-lo contra as pedras, mastigá-lo, despedaçá-lo. E Naruto dançava entre os ataques com uma calma quase insolente, como se aquele combate de vida ou morte fosse um jogo.
— "Tá bravo, né?" — pensou ele, dando uma pirueta no fundo para escapar da mordida. — "Mas se queria me assustar... devia ter vindo quando eu ainda tinha medo."
Então, como um foguete, Naruto impulsionou-se contra o pescoço do monstro com um chute giratório que ecoou pelo corpo imenso, fazendo o Rei do Mar rugir de dor — pela primeira vez em anos.
A criatura recuou.
Naruto caiu na água de novo, já com outro golpe preparado.
O embate final estava próximo.
Do fundo até a superfície, todos na ilha olhavam agora para o mar como se assistissem algo que não deveria existir:
Um garoto de 17 anos lutando sozinho contra uma lenda viva.
E sorrindo como se tivesse encontrado o paraíso.
"Entre Céu e Mar: O Sorriso de Um Monstro"
A água explodiu.
O mar foi rasgado por um rugido ensurdecedor enquanto a gigantesca criatura, o Rei do Mar Líder, emergia da enseada como um demônio ancestral. Seu corpo imenso, coberto por escamas negras e cicatrizes antigas, subiu dezenas de metros acima da superfície, empurrando ondas violentas contra as margens da ilha.
E acima dele…
Naruto.
Saltando de um ponto a outro do corpo do monstro, desafiando o caos, seus pés tocavam e ricocheteavam sobre as saliências da pele do Rei com precisão sobre-humana.
Os olhos de Naruto brilhavam com adrenalina pura.
"É assim que você me agradece por matar tua família, é? Então vem! Vem com tudo!"
A multidão da vila, espalhada ao longo do porto e das colinas próximas, olhava incrédula. Pescadores largaram suas redes. Crianças apontavam com os olhos arregalados. Ayame, com o avental ainda preso à cintura, saiu correndo da loja de lámen com a boca entreaberta.
Do meio das ondas, Naruto girou no ar e desceu como um raio —
"TÉCNICA DO MACHADO ASCENDENTE!"
Um chute giratório duplo, descendente, acertou a nuca do Rei com um impacto seco. O som do golpe foi como um trovão, seguido do estrondo da fera afundando por um instante — mas logo emergindo, ainda mais furiosa.
O mar borbulhava.
Naruto sorriu, mesmo com o sangue escorrendo pelo canto da boca.
— "Você é o maior, né? Então me mostre o que um Rei do Mar de verdade pode fazer!"
O monstro rugiu.
Naruto respondeu com um grito de guerra.
— "VAMOS BRINCAR MAIS UM POUCO!"
Pulando de uma barbatana para outra, Naruto desviava das investidas e dos jatos d'água lançados pela boca da criatura. Suas pernas cortavam o ar como lâminas, e seus punhos esmagavam as escamas duras como aço.
BOOM!
CRAACK!
WHOOSH!
Com um último impulso, Naruto ganhou altura suficiente para ficar acima da cabeça do Rei, e então desceu em queda livre com ambos os pés unidos, mirando o topo do crânio da besta.
"TÉCNICA DO RAIO DIVINO!"
O golpe acertou com força titânica. A água ao redor se ergueu como uma muralha, e o Rei do Mar soltou um grito de dor que ecoou por toda a costa. Seu corpo se sacudiu, desequilibrado, afundando por um segundo... e voltando à tona com um rugido carregado de ódio e desespero.
Naruto pousou sobre o mar, os pés deslizando brevemente sobre a superfície antes de usar uma onda para se lançar de novo.
Ele sorria.
Um sorriso largo, selvagem, genuíno.
Como se aquilo não fosse uma luta pela vida.
Mas sim o momento mais divertido de toda a sua existência.
— "É ISSO QUE EU AMO! ISSO É VIVER!"
Na ilha, todos assistiam em silêncio reverente.
Era como ver o nascimento de uma lenda.
O Rei do Mar Líder agora estava completamente fora de si. Sua enorme boca se abriu, liberando uma onda imensa de água com a força de um tsunami, mas Naruto não estava disposto a ceder. Ele saltou, movendo-se em uma velocidade tão alta que seus pés mal tocavam o mar. Cada movimento era preciso, como um dançarino no auge de sua performance, mas a batalha se intensificava a cada segundo.
"Você é forte... mas eu não vou parar até você cair!" gritou Naruto, seu sorriso inabalável.
Com um rugido de fúria, o Rei do Mar submergiu novamente, preparando-se para um ataque final. Mas Naruto não estava em pânico. Ele sabia que aquele seria o momento decisivo. O líder dos reis marinhos estava usando toda a sua força e fúria, com o objetivo de destruir a única ameaça que restava em seu caminho: Naruto D. Uzumaki.
Ele rapidamente recuou para uma plataforma improvisada de pedras submersas. Ele já sabia o que precisava fazer. Seus olhos brilharam, e ele se preparou para um movimento que só um verdadeiro mestre poderia executar.
"É agora..." murmurou Naruto para si mesmo.
De repente, o Rei do Mar Líder surgiu com um movimento tão rápido que o mar pareceu se dividir em dois. Ele atacou de frente, tentando esmagar Naruto com sua enorme mandíbula, enquanto as ondas ao redor aumentavam e criavam um muro de água.
Mas Naruto estava pronto.
Com um movimento ágil, ele saltou para o alto, girando no ar e aterrissando sobre a mandíbula do monstro, seus punhos em posição para o golpe final. Quando o monstro avançou, Naruto desferiu um soco direto no céu aberto, "TÉCNICA DO IMPULSO DIVINO!"
O impacto foi como um trovão, e a superfície do mar tremeu com a força do golpe. O Rei do Mar Líder se estremeceu, sua mandíbula fechando repentinamente no vazio enquanto a onda gerada pela técnica de Naruto os envolvia.
O grande monstro sacudiu sua cabeça para se recompor, mas já não estava mais em pé. Naruto havia atingido o ponto fraco do monstro, quebrando sua defesa e danificando seu cérebro. O Rei do Mar Líder agora estava quase imóvel, sua enorme figura balançando como uma folha ao vento.
Naruto, mantendo-se firme sobre ele, gritou, "EU VOU FAZER A DIFERENÇA! VOCÊ NÃO PASSA DE UMA FERA MORRENDO, EU SOU O REI DOS PIRATAS!"
E com isso, ele deu o golpe final.
"TÉCNICA DO RAIO MORTAL!"
Naruto desceu de cima do Rei com um golpe definitivo, seu soco atravessando a cabeça da criatura. O mar ao redor explodiu, criando uma onda gigantesca, mas a luta finalmente chegou ao fim. O Rei do Mar Líder afundou para as profundezas do oceano, sem vida.
Com um sorriso ainda estampado no rosto, Naruto caiu para seus joelhos, exausto, mas vitorioso.
Ao longe, os habitantes da ilha começaram a celebrar em êxtase. Naruto D. Uzumaki tinha derrotado o Rei do Mar Líder e sua família em uma luta épica, mais uma vez provando que sua força não tinha limites.
Ayame, observando da costa, não conseguia esconder o orgulho nos olhos. Ele estava pronto.
Naruto olhou para o horizonte, o mar calmo agora se estendendo diante dele, refletindo a luz dourada do sol que começava a se pôr.
— "Eu vou ser o Rei dos Piratas... e nada vai me impedir!"
Com o sol se pondo lentamente no horizonte, Naruto ficou em pé, observando o mar. O céu agora refletia as cores douradas e vermelhas do entardecer, enquanto o vento suave acariciava seu rosto suado. A luta havia terminado, mas ele sabia que aquele seria um marco decisivo em sua vida. Ele havia demonstrado para todos e, principalmente, para si mesmo, que a sua força estava em constante crescimento.
"Eu venci... Mas não é só isso. Eu tenho um caminho a seguir, e esse é só o começo." pensou Naruto, apertando os punhos com determinação.
De volta à ilha, os habitantes estavam em êxtase. Teuchi e Ayame estavam no centro da vila, observando a cena, sorrindo orgulhosos. Eles sabiam que Naruto não seria mais o menino de antigamente. Ele estava se transformando no homem que sempre desejou ser, aquele que enfrentaria qualquer obstáculo em seu caminho. E agora, mais do que nunca, ele estava pronto para o mar.
Ayame se aproximou de Naruto, tocando suavemente seu ombro. "Você fez bem, Naruto. Todos nós estamos orgulhosos de você. Agora, o que você vai fazer?"
Naruto olhou para ela, ainda com aquele sorriso alegre, mas seus olhos agora refletiam uma sabedoria e confiança recém-descobertas.
"Eu vou... seguir meu próprio caminho. Eu já venci minha batalha aqui. E agora, o que vem pela frente é o mar. Eu vou ser o Rei dos Piratas!" respondeu Naruto com firmeza.
Teuchi, que estava mais afastado, observou a conversa com um sorriso tranquilo. Ele sempre soubera que Naruto tinha um espírito indomável, e ele sentia que aquele momento chegaria. Mas ele também sabia que era hora de deixar o jovem seguir seu destino.
"Naruto..." disse Teuchi, chamando-o para mais perto. "Você se lembra do que falei sobre força? Você já não é mais o menino que precisava aprender sobre isso. Agora você é forte por si mesmo. Vá, siga seu caminho. Não precisa de permissão de ninguém."
Naruto assentiu, sentindo um calor no peito. Ele sempre teve o apoio incondicional de Teuchi e Ayame, e sabia que isso o tornaria mais forte, independentemente dos desafios que enfrentasse no futuro.
O pai e a irmã adotivos de Naruto estavam agora prontos para deixá-lo seguir. Ayame, com lágrimas nos olhos, abraçou Naruto uma última vez, dizendo com a voz emocionada:
"Lembre-se de nós, Naruto. E... por favor, venha nos visitar quando for um grande pirata, ok?"
Naruto a abraçou de volta, sentindo uma mistura de saudade e excitação por tudo que estava por vir.
"Eu vou ser o Rei dos Piratas, Ayame. E quando eu voltar, será para fazer uma festa para todos vocês." Naruto sorriu, com aquele brilho nos olhos que todos conheciam bem.
Teuchi também se aproximou, colocando a mão no ombro de Naruto com um sorriso sereno.
"Lembre-se, Naruto, você é forte porque nunca teve medo de lutar. Não importa onde o mar te leve, nunca perca quem você é."
Naruto sorriu, determinado. "Não vou, Teuchi. Eu sou Naruto, o futuro Rei dos Piratas!"
O sol se despedia lentamente no horizonte, tingindo o céu de tons dourados e vermelhos. O vento suave soprava da direção do mar, trazendo consigo o cheiro salgado das ondas e o cheiro da terra distante. Naruto estava ali, na enseada, observando o oceano, seus olhos refletindo a emoção de sua jornada que estava prestes a começar. Ele já havia mostrado a todos sua força, sua determinação, e agora estava pronto para dar o próximo passo.
"Vou atrás do meu sonho." Naruto murmurou para si mesmo, com um sorriso firme e olhos cheios de confiança.
Teuchi e Ayame estavam próximos, observando o jovem rapaz que se tornara forte com o passar dos anos. Eles sabiam que aquele momento chegaria, e embora houvesse tristeza em seus corações, estavam também orgulhosos do homem que Naruto se tornara.
"Naruto, o que você fará agora?" Ayame perguntou, com um sorriso suave e uma pitada de apreensão na voz.
Naruto olhou para ela, um brilho de determinação em seus olhos. Ele sabia exatamente o que fazer a seguir.
"Eu vou atrás de Sanji." Ele respondeu com confiança. "Vou recrutá-lo para a minha tripulação como cozinheiro. Ele é o melhor, e eu preciso de alguém assim ao meu lado para conquistar o mundo. E o Baratie é o lugar onde ele está, então... essa é a minha próxima parada!"
Teuchi, que estava observando com um sorriso tranquilo, não pôde deixar de rir, ainda se lembrando da primeira vez que Naruto falou sobre suas aspirações. Agora, estava tão certo de si mesmo, tão focado em seu objetivo. Para Teuchi, era uma prova do quanto Naruto havia amadurecido.
"Você vai atrás do Sanji, hein?" Teuchi comentou, olhando com um sorriso afetuoso. "Eu sabia que não demoraria muito para você pensar em formar sua própria tripulação. Você sempre foi determinado, Naruto."
"Sim!" Naruto respondeu, batendo o punho contra a palma da outra mão. "Mas antes de seguir para o Baratie, eu ainda tenho algo a fazer. Vou usar o barco que minha mãe me deixou para atravessar. Ele está lá, no velho cais, esperando por mim. E quando eu encontrar o Sanji, nossa jornada realmente vai começar!"
Ayame sorriu ao ouvir isso, sentindo um aperto no coração ao pensar em Naruto partindo, mas ao mesmo tempo orgulhosa do quanto ele havia crescido. "Você sempre foi nosso orgulho, Naruto. Vai ser incrível, eu tenho certeza. E você já tem o nosso apoio."
"Com certeza." Teuchi completou, com um sorriso afetuoso. "Não importa onde você vá, você sempre terá um lar aqui, Naruto."
Naruto sorriu amplamente, a energia vibrante de sua juventude brilhando em seus olhos.
"Eu volto. Prometo que vou voltar quando eu for o Rei dos Piratas!"
Com isso, ele deu um último olhar para a ilha, para Teuchi e Ayame. Eles haviam sido a família que ele sempre procurou, o apoio que ele sempre precisou. Mas agora era hora de seguir em frente. O destino o chamava para o mar, onde suas verdadeiras aventuras começariam.
A Partida
Naruto se dirigiu até o velho barco que sua mãe havia deixado para ele. Era um pequeno barco simples, mas era tudo o que ele tinha, e isso tornava a despedida ainda mais significativa. O barco estava no pequeno cais de madeira, coberto pela vegetação rasteira, mas ainda intacto, esperando o momento certo para ser usado.
Ele subiu a bordo com facilidade, os ventos do mar agora como seus aliados, soplando em seu rosto com a promessa de novas aventuras. Seu coração batia acelerado, mas não de medo, e sim de excitação. Ele estava pronto para conquistar o mar.
"Vai ser uma viagem difícil, mas eu vou conseguir." Naruto pensou, ajustando as velas e lançando o barco ao mar aberto.
Enquanto ele partia, Teuchi e Ayame observavam, de pé na beira da costa. Ayame olhou para Teuchi, com os olhos um pouco marejados, mas com um sorriso no rosto.
"Ele vai ser um grande homem, Teuchi. Eu tenho certeza disso."
Teuchi assentiu, com uma expressão de orgulho e tristeza misturados.
"Sim... Eu também acredito nisso. Ele vai fazer o que for preciso para alcançar seus sonhos. E, quando ele voltar, vai ser alguém diferente... um verdadeiro Rei dos Piratas."
"Adeus, ilha... Eu vou voltar quando for o Rei dos Piratas!" ele pensou para si mesmo enquanto subia a bordo do navio.
Com essas palavras, Naruto começou sua jornada, cortando as ondas com seu pequeno barco, em direção ao Baratie. Ele sabia que o caminho seria longo e cheio de desafios, mas com sua força recém-descoberta e um objetivo claro, não havia mais nada que pudesse impedi-lo. Seu destino o aguardava.
E com um último olhar para a ilha, Naruto se afastou da costa, rumo à vastidão do oceano e ao encontro de novos companheiros de tripulação, começando a sua caminhada rumo ao sonho de se tornar o Rei dos Piratas.
O sol brilhava alto sobre o céu limpo do East Blue, refletindo sobre as águas calmas que balançavam suavemente o pequeno barco de Naruto. Ele estava sozinho no convés, cercado por caixas, redes, suprimentos e uma pilha desorganizada de jornais velhos que ele havia guardado ao longo dos anos.
Com a brisa do mar soprando em seu rosto e a leve cantoria de gaivotas ao fundo, Naruto remexia nos papéis amarelados com atenção. Estava na hora de dar início à próxima fase de sua jornada — formar sua tripulação. E para isso, ele precisava encontrar pessoas capazes. Companheiros de confiança. Amizades que durariam até o fim do mundo.
Mas até agora, nada.
"Pirata que destruiu uma vila e foi preso em seguida… nah, idiota."
"ladra de navios de carga… parece esperta, mas nada demais."
" Homem peixe com 6 braços? Parece interessante, mas... não."
" Caçador de piratas Roronoa Zoro, por que eu iria querer um caçador de piratas, eu sou um pirata?!" Diz Naruto
Naruto suspirava. Nenhum daqueles nomes chamava sua atenção. Nenhum deles parecia digno de ser parte da tripulação do futuro Rei dos Piratas.
Foi então que, em meio a uma pilha de recortes dobrados e desbotados, um título mais recente atraiu seus olhos:
"O Fantasma do Mar: Pirata foge por mais de um ano de Smoker, capitão da Marinha."
Naruto imediatamente se endireitou, puxando o jornal para mais perto, os olhos arregalando-se com interesse.
A matéria relatava sobre um pirata que estava fugindo da Marinha há mais de um ano inteiro, e não de qualquer marinheiro — ele estava escapando de Smoker, o caçador de piratas mais temido do East Blue. Um homem famoso por nunca deixar sua presa escapar.
Mas esse pirata... ele fugia. E não apenas corria: ele desaparecia, enganava, burlava a perseguição com maestria. Ilhas sumiram de seus rastros, barcos mudavam de curso, rastros eram apagados. Era como se ele conhecesse o oceano melhor que qualquer um.
Naruto se apoiou na amurada do barco, o jornal na mão, e falou em voz alta consigo mesmo:
"Se esse cara conseguiu fugir da Marinha por tanto tempo... então ele deve ser um navegador fora do comum."
Ele ficou em silêncio por um instante, o vento bagunçando seus cabelos loiros enquanto ele olhava o horizonte com um novo brilho nos olhos.
"É isso. Eu preciso de um navegador. E se ele conhece o East Blue tão bem assim... então é ele."
Sua mente já trabalhava a mil por hora. Com o pouco que ele tinha, já traçava um plano. O artigo mencionava que, após tanto tempo de fuga, o pirata havia sido localizado e estava preso temporariamente em uma ilha isolada no oeste do East Blue, sob vigilância até o transporte oficial da Marinha chegar.
"Se ele está preso... isso significa que ainda posso chegar antes da transferência." — Naruto sorriu — "E se eu conseguir falar com ele… talvez consiga convencer esse cara a entrar pra minha tripulação."
Naruto ainda segurava o jornal aberto, os olhos fixos na matéria enquanto o barco avançava lentamente pelas águas calmas.
Abaixo do título chamativo, as palavras estavam levemente borradas pela maresia, mas ainda legíveis:
"O Fantasma do Mar: Pirata foge por mais de um ano de Smoker, capitão da Marinha."
Nome: Jack Sparrow
Recompensa: 22.000.000 de berries
Crimes: Roubo de embarcações da Marinha, falsificação de mapas navais, contrabando de rum e objetos históricos, perturbação da ordem pública e fuga da prisão em 6 ocasiões distintas.
Apesar de não ser conhecido por sua força bruta, Sparrow se destaca por sua inteligência tática, carisma e — acima de tudo — seu domínio inigualável sobre navegação. Fontes dentro da Marinha afirmam que ele é capaz de prever rotas marítimas com precisão assustadora, escapar de cercos armados e desaparecer mesmo sob vigilância total.
Sua captura se deu por uma cilada organizada em segredo, envolvendo um ataque simultâneo a todos os possíveis esconderijos registrados por ele. Jack foi preso em uma enseada rochosa da Ilha Sundown, onde agora aguarda transferência para a prisão marítima de Loguetown.
"Mesmo preso, ele ri. É como se ainda tivesse um plano," relatou um dos fuzileiros anônimos. "Esse cara é impossível de entender."
A Marinha reforça que a prisão é temporária e que a transferência será realizada em no máximo 15 dias. Qualquer tentativa de aproximação não autorizada será considerada ato de pirataria.
Naruto leu tudo atentamente, e no final, murmurou:
"Jack... Sparrow, hein?"
Ele virou a página do jornal, onde havia uma imagem borrada de um homem de aparência estranha: chapéu com penas, colares, roupas remendadas e um sorriso debochado no rosto, como se estivesse eternamente embriagado — ou planejando algo absurdo.
"Ele não parece confiável..." Naruto riu. "Mas parece ser exatamente o tipo de maluco que eu preciso."
Seu dedo bateu sobre a foto de Jack Sparrow, enquanto ele finaliza a leitura
Organização de seu barco. Mapa traçado. Rumos definidos. Próximo destino: Ilha Sundown, mais primeiro restaurante baratie
O vento soprava mais forte agora, quase como se o mar soubesse que algo grande estava para acontecer.
O pequeno barco de madeira cortava as ondas como se conhecesse o caminho por si só. Naruto, agora com dezessete anos, se aproximava da grandiosa silhueta do Baratie, o famoso navio-restaurante flutuante. Era uma construção elegante, com detalhes dourados e a forma de um gigantesco peixe decorativo, sempre chamando atenção de quem navegava por aquelas águas.
— "Finalmente…" — murmurou Naruto, abrindo um sorriso largo. — "Hora de recrutar meu cozinheiro à força... ou com jeitinho."
Ele atracou sem cerimônia, como alguém que já conhecia a casa. E de fato, já conhecia.
Ao entrar no restaurante, viu o ambiente cheio de clientes famintos, o barulho dos talheres, risadas, copos batendo. Mas o que mais chamou sua atenção foi a figura esguia e loira caminhando entre as mesas com elegância impecável e um cigarro no canto da boca.
Sanji.
O cozinheiro de terno preto parou por um segundo ao notar aquele cabelo bagunçado e aquele sorriso irritantemente familiar.
— "Ora, ora… olha só quem voltou da caverna." — disse Sanji, com um tom sarcástico, mas um leve sorriso no canto dos lábios.
Naruto já foi direto ao ponto:
— "Sanji! Já decidi. Você vai ser o cozinheiro do navio do futuro Rei dos Piratas. Eu vim te buscar."
Sanji suspirou, largando um prato cheio na mesa de um cliente e tirando o cigarro da boca:
— "Você ainda tá com essa ideia idiota?"
— "É sério! Eu já tenho o barco. Já tenho o plano. e a localização do nosso possível próximo membro da tripulação agora Só falta um cozinheiro com classe, pernas poderosas e um gosto questionável pra cigarro para começamos." — Naruto se aproximou, batendo levemente no ombro de Sanji. — "Você mesmo."
Sanji cruzou os braços.
— "E por que diabos eu deixaria esse paraíso flutuante pra virar cozinheiro de um pirralho com sonhos gigantes?"
— "Porque... você me prometeu." — Naruto sorriu com aquele brilho no olhar. — "Disse que quando eu estivesse pronto, você pensaria no caso."
Sanji pareceu surpreso por um momento. Realmente... ele havia dito isso.
— "E você acha que tá pronto agora, é?"
Naruto ficou em silêncio por um instante... e então esticou o braço, jogando sobre a mesa um enorme dente de Rei do Mar — tão grande quanto uma mão.
— "Cinco deles. Sozinho. Um mês atrás."
Sanji ergueu uma sobrancelha.
— "Você continua exagerando nas brigas, moleque."
— "E você continua enrolando."
O clima ficou mais tenso. Mas em vez de uma briga, os dois explodiram em um novo duelo de xingamentos e provocações cômicas, rindo e zombando um do outro no meio do salão. Clientes e garçons apenas se desviavam enquanto os dois batiam boca como velhos irmãos.
— "É sempre assim com esses dois... Mas é só questão de tempo." diz Jeff chegando depois de ouvir todo o barrulho vindo da confurção vindo desses dois e ter reconhecido a presença de Naruto
"Já fazia um dia inteiro que Naruto estava no Baratie, e ele havia declarado que não sairia de lá até que Sanji aceitasse ser seu cozinheiro. Sanji, por sua vez, respondeu que isso não aconteceria nem em sonhos, nem em mil anos. Desde então, Naruto permaneceu firme no restaurante."
Um navio da Marinha cortava as águas calmas do East Blue com imponência, aproximando-se lentamente da estrutura flutuante do restaurante Baratie. As velas brancas tremulavam com o símbolo da Justiça pintado em azul, chamando atenção dos cozinheiros e clientes do restaurante sobre o mar.
Do convés, um oficial de porte elegante observava o restaurante com desdém.
— "Até que enfim!" — exclamou, impaciente. — "Minha acompanhante e eu já estávamos fartos de esperar. Prepare o bote agora!"
— "Sim, senhor Tenente Fullbody!" — respondeu um marinheiro, apressando-se a baixar o pequeno barco de transporte.
Sentado com as pernas cruzadas e óculos escuros reluzentes, o tenente Fullbody, um oficial da Marinha conhecido por sua arrogância, embarcou com uma bela dama ao seu lado — uma mulher de cabelos loiros, pele pálida e vestido vermelho vibrante, que parecia mais interessada em ostentar sua companhia do que em qualquer refeição.
Pouco depois, o bote atracou no Baratie, e as portas do restaurante se abriram com um rangido leve. Fullbody foi o primeiro a entrar, os sapatos bem polidos ecoando contra o chão de madeira.
Ele varreu o salão com o olhar, notando os clientes animados e o cheiro delicioso da comida. Mas seu sorriso logo se curvou em um sorriso debochado — o tipo de sorriso que queria dizer: "Vocês não são bons o bastante para estarem no mesmo ambiente que eu."
Com um gesto exagerado, fez uma reverência para sua acompanhante, estendendo o braço com cortesia fingida.
— "Minha querida, entre. Vamos jantar com classe... mesmo num lugar como este."
Sanji foi o responsável por atendê-los. Com seu terno escuro impecável e cigarro nos lábios, aproximou-se com uma garrafa de vinho tinto já decantado e duas taças, mantendo a compostura mesmo diante da presença arrogante do tenente.
— "O melhor vinho da casa," — disse Sanji, com voz suave, servindo o líquido com precisão. "Tinto, envelhecido em barril de carvalho por dez anos. Harmoniza com o prato do dia."
Enquanto Sanji servia, outras mesas ao redor murmuravam em admiração.
— "Olha só o jeito que ele serve..."
— "Esse cozinheiro é realmente diferente. Que classe..."
Fullbody sorriu com arrogância, balançando a taça antes de levar o vinho à boca. Após degustar, ele estalou a língua e comentou, satisfeito:
— "Hmm... sabor frutado, acidez equilibrada... Aposto que é um Grand Cru do ano 1515, colhido na região de South Blue."
Sanji não respondeu de imediato. Apenas se aproximou, pegou delicadamente a mão de Fullbody, que ainda estava erguida, e colocou uma colher de sopa nela.
— "Na verdade, senhor, sua sopa está esfriando." — disse com um leve sorriso sarcástico. — "Ela fica melhor quente."
Sanji virou-se para sair, mas parou ao lado da mesa apenas para lançar a frase final:
— "Ah, e só pra constar... Eu não sou garçom. Sou um dos chefs principais deste restaurante. Os ganchos se demitiram ontem."
O salão caiu num silêncio breve… até que foi quebrado por risos contidos que surgiam aqui e ali entre os clientes. A acompanhante de Fullbody tentou esconder a risada atrás do leque, mas falhou miseravelmente, rindo com gosto. Até alguns marinheiros no bote do lado de fora olharam desconfortáveis.
Fullbody ficou vermelho de vergonha e raiva, mas engoliu a situação a seco, cerrando os punhos debaixo da mesa.
Sanji, por sua vez, apenas voltou para a cozinha assobiando, como se nada tivesse acontecido.
A vergonha ainda pairava no rosto do Tenente Fullbody, que mantinha a cabeça abaixada, os punhos cerrados, tentando digerir a humilhação pública que acabara de sofrer pelas mãos de Sanji. Seus olhos, semicerrados, fitavam o chão em busca de qualquer brecha para virar o jogo.
Foi então que avistou algo — um pequeno inseto rastejando lentamente entre as tábuas do Baratie. Sem levantar suspeitas, Fullbody deslizou o pé por baixo da mesa e esmagou o inseto com um movimento sutil e cruel.
Um segundo depois, ele se levantou abruptamente e gritou com força, atraindo a atenção de todos:
— "GARÇOM!"
Sanji, que caminhava pelo salão com seu habitual ar despretensioso, virou a cabeça ao ouvir o grito. Com o cigarro nos lábios, aproximou-se tranquilamente da mesa do tenente.
— "Eu já te disse que não sou garçom, senhor..." — murmurou Sanji com uma calma cortante. — "Mas admito que você tem bom gosto pra companhia." — disse, olhando diretamente para a loira de vestido vermelho ao lado de Fullbody. Com um sorriso sedutor, ele estendeu a mão e pousou levemente sobre a dela. — "O que me diz, senhorita? Que tal dispensar esse brutamontes e vir tomar um vinho comigo?"
Antes que ela pudesse responder, Fullbody bateu a mão na mesa com força e vociferou:
— "Mas que tipo de restaurante serve sopa com inseto dentro do prato?!"
Ele apontava dramaticamente para o prato diante de si, onde o corpo esmagado do inseto agora boiava na sopa.
Sanji nem sequer franziu a testa. Olhou o prato, ergueu uma sobrancelha e disse com leve ironia:
— "Poderia me dizer que tipo de inseto é esse?"
"Agora eu acabo com a reputação desse restaurantezinho de segunda..." pensou Fullbody, inflando o peito.
Sanji deu um leve suspiro e comentou casualmente:
— "Lamento muito, senhor... mas minha resposta talvez não seja satisfatória. Afinal de contas..." — Sanji sorriu, virando-se para os clientes ao redor — "...eu não sou especialista em insetos, entende?"
Os risos começaram contidos, mas logo tomaram conta do restaurante. A acompanhante do tenente também cobriu o rosto, tentando não rir... em vão.
A humilhação foi demais.
Com um rugido de raiva, Fullbody se ergueu, erguendo o punho coberto por uma luva de ferro. Em um só golpe, partiu a mesa ao meio, fazendo pratos e talheres voarem.
O barulho silenciou o restaurante por um momento.
Sanji, agora sério, ajoelhou-se lentamente diante da sopa derramada. Com expressão sóbria, mergulhou a mão no caldo quente sobre o chão.
— "Sabe... bastava tirar o inseto da sopa que ela ainda seria comestível." — murmurou. — "Você faz ideia de quanto tempo eu levei pra preparar isso? Três dias... e três noites."
O pé de Fullbody esmagou a mão de Sanji contra o chão, forçando com todo o peso.
— "E quem você pensa que é pra me falar com essa arrogância, hein?" — cuspiu o tenente com desprezo. — "Eu sou o cliente aqui. Eu paguei por essa porcaria!"
Naruto observava a cena desde o início, sentado em silêncio no canto do Baratie, com os braços cruzados e os olhos semicerrados. Desde a entrada espalhafatosa de Fullbody até os comentários arrogantes e a grosseria com os atendentes, Naruto já sentia o sangue ferver. Mas agora… agora era diferente. Aquilo passou de um incômodo para uma afronta imperdoável.
Ele se levantou devagar da mesa, empurrando a cadeira para trás com um rangido baixo. Os punhos cerrados e o olhar fixo no marinheiro, pronto para atravessar o salão e quebrar cada osso daquele homem com as próprias mãos.
Mas no instante seguinte, ele parou no lugar.
A voz de Sanji o impediu.
Naruto arregalou levemente os olhos ao ouvir o que o cozinheiro começou a dizer, sua raiva contida por uma mistura de surpresa e respeito. Havia algo na firmeza da voz de Sanji, algo que dizia: "Esse é o meu campo de batalha." E Naruto, mesmo ardendo por dentro, sabia reconhecer quando alguém queria lutar sua própria guerra.
Sanji manteve os olhos baixos, mas sua mandíbula cerrada indicava que ele estava no limite.
— "Pare com isso, Fullbody! Já chega!" — implorou sua acompanhante, tentando intervir.
Mas o tenente a empurrou com força para o chão, derrubando-a sem o menor remorso.
— "Fique fora disso! Você também!"
Ela olhou para ele com lágrimas nos olhos, magoada.
— "Mas... por que está fazendo isso comigo?"
Sanji se levantou lentamente. Seu olhar estava sombrio, carregado de desprezo.
— "Me diga uma coisa... Dinheiro enche sua barriga?"
— "Como é que é?!"
Sanji puxou o cigarro da boca, deixando a fumaça escapar enquanto repetia:
— "Eu perguntei se dinheiro enche sua barriga."
Antes que Fullbody respondesse, Sanji girou sobre o calcanhar e desferiu um chute devastador, acertando em cheio o rosto do tenente. Sangue espirrou, um dente voou, e o oficial caiu de costas, atordoado.
Em um movimento fluido, Sanji o agarrou pela gola com uma única mão e o ergueu no ar, a fumaça do cigarro subindo entre seus dedos.
— "Não desperdice a nossa comida." — disse com a voz fria e firme. — "Entendeu, seu desgraçado? Sabe o que significa se meter com um cozinheiro do mar? É o mesmo que pedir pra morrer." — Sanji puxou o tenente ainda mais perto, encarando-o nos olhos. — "Lembre-se disso... da próxima vez."
Fullbody não conseguiu nem gritar. Seus olhos reviraram e ele desmaiou, gemendo fraco, pendurado pelas mãos de Sanji.
O salão inteiro estava em silêncio.
Patty, outro dos cozinheiros do Baratie, acabava de sair do banheiro quando se deparou com a cena: Sanji segurando Fullbody pelo pescoço.
— "De novo, Sanji?! Desgraçado! O que você pensa que tá fazendo com o nosso cliente? E pra piorar... ele é um tenente da Marinha!"
Sanji lançou um olhar impaciente para Patty.
— "O que foi, cozinheiro de meia tigela? Nem vem me dar sermão."
Patty se aproximou, indignado:
— "Um lixo de cozinheiro como você não tem o direito de abrir a boca pra ofender cliente nenhum! Num restaurante, é Deus no céu e o cliente na Terra! Você ficou maluco de agredir um dos nossos preciosos fregueses?!"
— "Não tô nem aí se ele é freguês," — respondeu Sanji friamente, soltando Fullbody, que caiu no chão com um baque surdo — "Esse verme plantou um inseto na sopa, desrespeitou a comida, o chefe... e ainda teve a audácia de humilhar a garota ao lado dele. Por isso eu decidi ensinar uma lição."
O salão mergulhou num silêncio tenso. Todos os olhos estavam voltados para o conflito.
Com um sorriso de escárnio nos lábios, Fullbody tirou um crachá prateado de dentro da camisa, brilhando com o símbolo da Marinha.
— "Tenente Fullbody da Marinha. Agora vocês estão ferrados."
Sanji arregalou os olhos por um instante, mas logo voltou ao seu semblante calmo e endurecido. Ele tragou o cigarro e o jogou no chão.
— "Então você é da Marinha... e mesmo assim planta insetos na comida pra não pagar? Isso é mais sujo do que eu imaginava. Baixo demais, até pra vocês."
Fullbody apontou diretamente para Zeff, que observava tudo do fundo da cozinha.
— "Esse lugar é um antro de piratas! Já ouvi rumores de que vocês abrigam criminosos — e agora vejo que é verdade! Esse pirralho aí —" (ele aponta para Naruto) "— é um civil armado e perigoso. E você, cozinheiro de merda, acabou de agredir um oficial da Marinha!"
Ele se voltou para os clientes, erguendo a voz:
— "Em nome da Justiça, este restaurante está oficialmente fechado! A partir de agora, estará interditado até nova ordem da base naval!"
Um burburinho inquieto percorreu o salão. Alguns clientes se levantaram apressados, outros se afastaram da confusão com medo. Naruto apenas observava, olhos semicerrados, como se medisse o homem diante dele. Mas quem se moveu primeiro foi Sanji.
Seu sorriso desapareceu. Ele se curvou levemente, a sombra cobrindo o rosto.
— "Então... é melhor eu não deixar você sair daqui vivo, seu desgraçado."
Num instante, Sanji avançou como um raio. Seu chute giratório veio com força suficiente pra rachar o chão — mas antes que acertasse o alvo, quatro chefs do Baratie o agarraram pelos braços e pela cintura.
— "Sanji! CALMA!" — gritou um dos cozinheiros.
Sanji se debatia como um touro enjaulado, os olhos flamejando de fúria.
— "Soltem-me! Ele tentou destruir o nosso lar! Esse nojento tentou acabar com tudo o que temos! EU JURO QUE MATO ELE!"
Foi então que a voz grave de Zeff ecoou da cozinha.
— "Sanji... pare."
O salão silenciou. Todos congelaram. Até mesmo Sanji parou de se debater.
Zeff caminhou até o salão, enxugando as mãos no avental. Seus olhos, duros como pedra, fitaram diretamente Fullbody.
— "Você pode ser da Marinha, mas eu conheço o cheiro de rato de longe. Vá embora agora e esqueça que esteve aqui... ou vai sair daqui cuspindo os dentes."
Fullbody riu com desdém, ajustando o paletó amarrotado.
— "Ameaçando um oficial da Marinha? Vai se arrepender disso, velho. A Marinha vai afundar esse navio decrépito."
Antes que pudesse terminar a frase, foi atingido em cheio por um chute da perna de pau de Zeff. Fullbody caiu de costas no chão, cuspindo sangue e um dente.
Sanji parou de se debater. Ainda sendo segurado, murmurou por entre os dentes:
— "Naruto... lembra quando eu disse que nunca seria seu cozinheiro?"
Naruto, que até então observava em silêncio, arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.
— "Tô começando a achar que você já é."
Fullbody se arrastou para fora do restaurante, ferido, humilhado e silencioso.
Enquanto Fullbody se arrastava pelo chão, humilhado e cuspindo sangue, um de seus subordinados apareceu cambaleando na entrada do salão. Estava ferido, com sangue escorrendo pela testa e o uniforme da Marinha rasgado.
— "Tenente... Tenente Fullbody!" — arfava, quase desabando — "Um dos prisioneiros dos Piratas de Don Krieg... escapou!"
Fullbody arregalou os olhos, ainda com a bochecha inchada pela pancada.
— "Impossível! Três dias atrás, aquele desgraçado tava morrendo de fome quando o capturamos! Eu quero saber quem foi o idiota que deu comida pra ele!"
A notícia se espalhou rapidamente pelo salão como fogo em pólvora. Murmúrios se intensificaram entre os clientes, e Naruto, atento, ouvia cada palavra.
— "Espere... ele tá falando do Gin, o Demônio da Patrulha?"
— "Não era ele o imediato do Don Krieg?"
— "Aquele cara é uma lenda! Ouvi dizer que ele já destruiu navios inteiros sozinho..."
— "E o Don Krieg é o pirata mais forte do East Blue, não é?"
Naruto cruzou os braços, o olhar focado. Estava claramente interessado naquele nome: Don Krieg.
Mas antes que Fullbody pudesse ordenar qualquer coisa, um tiro seco ecoou no ar. O subordinado da Marinha tombou para frente com os olhos vidrados — morto com um disparo limpo no peito.
Todos congelaram. O silêncio era ensurdecedor.
Na porta do Baratie, um homem franzino e sujo surgiu. Suas roupas estavam esfarrapadas, o rosto coberto de suor, e em suas mãos, uma pistola ainda fumegante. A outra arma estava enfiada no cós da calça.
Ele caminhou lentamente pelo salão como se o caos não fosse com ele.
— "Mais um precioso cliente acabou de entrar..." — comentou Patty com sarcasmo.
Zeff observou da cozinha, olhos semicerrados.
— "Espero que esse aí não traga mais problemas pro meu restaurante..."
Sanji permaneceu encostado na parede, indiferente, apenas tragando seu cigarro.
O homem — o pirata fugitivo — se aproximou de uma mesa, os passos pesados. Olhou em volta, e antes mesmo de pedir qualquer coisa, caiu de joelhos, depois deitado, com os braços abertos, arfando como se tivesse cruzado um deserto.
— "Comida..." — murmurou com a voz rouca, encarando Patty — "Qualquer coisa..."
Patty o olhou com desprezo.
— "Mais um pirata mendigando. Se quiser comida, que pague como todo mundo, canalha."
Mas Sanji não disse uma palavra.
Virou as costas e seguiu discretamente para a cozinha, os passos calmos e firmes.
Sem olhar pra trás, murmurou:
— "Alguém que quase morreu de fome... merece, no mínimo, um prato quente."
Patty, percebendo o estado de fraqueza de Gin, não hesitou. Com um soco certeiro, nocauteou o pirata, fazendo-o desabar de vez. O cozinheiro então se voltou para os clientes, erguendo as mãos em sinal de calma.
— "Tudo sob controle, pessoal! O lixo já foi retirado."
Alguns clientes riram, nervosos. Outros apenas assentiram, aliviados por verem a "ameaça" neutralizada. Patty, aproveitando o embalo, arrastou o corpo de Gin até uma varanda lateral desocupada e o largou ali como um saco de batatas.
Naruto observava tudo em silêncio. Seu olhar era sério, sem julgar — apenas analisando.
Poucos minutos depois, Sanji apareceu, vindo da cozinha com um prato fumegante nas mãos. Arroz, carne bem temperada, legumes no ponto certo... e o cheiro invadiu o ar como um convite irresistível.
Naruto, curioso, seguiu o loiro sem dizer nada.
Na varanda, Gin ainda gemia baixinho, a fome retorcendo seu estômago. Seus olhos se abriram ao ouvir o rangido da porta. Sanji apareceu primeiro, com o prato nas mãos. Naruto surgiu logo atrás, encostando-se à mureta para observar.
Sem dizer nada, Sanji agachou-se ao lado de Gin e colocou o prato na frente dele. Depois, se sentou calmamente, cruzando as pernas, como se estivesse em um piquenique qualquer.
Gin franziu o cenho. Tentou se erguer, afastando o prato com dificuldade.
— "Não... eu não quero esmola."
Sanji apenas tragou o cigarro com tranquilidade e soltou a fumaça para o lado.
— "Isso não é esmola. É comida. E todo mundo que tem fome é meu cliente."
Gin fechou os punhos. Seus lábios tremiam, não pela raiva... mas pela vergonha.
Sanji continuou, com a voz calma e profunda:
— "A vida no mar é cruel. Dura. Tem dia que não tem água, tem dia que não tem comida. Eu sei o que é passar fome. Já senti isso na pele... e acredite, não tem nada de nobre em morrer de barriga vazia."
Gin o encarou, os olhos marejando. Mas ainda resistia.
— "Prefiro morrer com dignidade... do que implorar por um prato."
Sanji sorriu de canto, sem arrogância.
— "Morrer com fome não te deixa digno. Só te deixa morto. Mas se comer... vai poder lutar de novo amanhã. Vai poder tentar ser alguém melhor."
O silêncio pairou por alguns segundos, até que Gin, vencido pelo cheiro, pelo orgulho ferido e pelo coração mexido, pegou o prato com as mãos trêmulas.
E comeu.
Primeiro devagar. Depois, como um animal faminto. As lágrimas começaram a escorrer. Ele tentava segurar, mas não conseguia. Cada garfada era uma lembrança do inferno que passou até ali.
Naruto, ainda na mureta, não pôde conter um sorriso.
Gin soluçava, mas falava entre bocados:
— "Está... está deliciosa..."
Sanji riu, batendo levemente nas costas do pirata.
— "Claro que tá. Fui eu quem fiz."
Naruto começou a rir também. Aquela cena, tão inesperada, parecia absurda — mas era humana. Simples. Real.
E por um instante, naquele canto esquecido do mar, a fome, o orgulho e a dor foram superados por um prato de comida quente e uma pequena dose de compaixão.
Gin terminava o prato como se fosse a última refeição da vida dele — ou talvez a primeira decente em muito tempo. Quando finalmente repousou os talheres sobre o prato vazio, seu corpo caiu para trás, encostando na parede da varanda. Ele respirava com dificuldade, mas agora era mais alívio do que dor.
Sanji apenas observava, tranquilo, com os braços cruzados e um cigarro novo entre os lábios.
— "Tá vendo? Não foi tão difícil engolir o orgulho quanto engolir essa comida."
Gin passou o braço pelos olhos, limpando as lágrimas secas com raiva de si mesmo.
— "Você não sabe o que eu passei... onde eu estive. O que tive que fazer pra sobreviver."
Sanji soltou a fumaça devagar.
— "Talvez eu saiba mais do que imagina."
Naruto, que escutava tudo em silêncio, falou pela primeira vez, sem sarcasmo, apenas curioso:
— "Você fazia parte da tripulação de Don Krieg, não fazia?"
Gin não respondeu de imediato. Seu olhar ficou perdido por um momento. Então assentiu, devagar.
— "Sim... Eu sou o imediato dele."
Naruto apertou os olhos, tentando entender o peso daquela afirmação.
Gin continuou, agora com a voz mais baixa:
— "Don Krieg e nossa frota foram destruídos na Grand Line. O que sobrou... somos nós. Famintos, sem direção, só cascos flutuando no mar. A fome virou nossa capitã. E a morte... nosso leme."
Sanji não demonstrou surpresa. Ele já imaginava.
— "E mesmo assim... você ainda vai voltar para ele?"
Gin ergueu os olhos, firme.
— "Eu jurei leadade quando eu não era ninguém. Me deu uma chance quando o mundo me chutou. Eu devo isso a ele."
O silêncio pairou pesado por alguns segundos.
De dentro do restaurante, o som dos clientes começava a subir — alguém gritava, outros murmuravam com tensão.
Naruto se levantou e olhou em direção à porta com atenção.
Sanji também se ergueu.
Foi quando Patty apareceu na varanda, ofegante:
— "Tem um navio... não, tem uma armada inteira se aproximando! É um navio de guerra gigantesco..."
Gin arregalou os olhos. Ele sabia o que estava vindo.
— "É Don Krieg."
O vento pareceu soprar mais forte naquele instante. Lá fora, no horizonte, velas negras começaram a surgir uma a uma, como uma nuvem de gafanhotos avançando.
Naruto apertou os punhos.
Sanji jogou o cigarro fora, pisando nele.
— "Tsc... Sabia que o dia ia azedar."
Gin olhou para os dois, com a respiração acelerada.
— "Vocês precisam fugir. Vocês não fazem ideia do que ele é capaz."
Sanji o encarou com um olhar frio, mas determinado.
— "Aqui é meu lar. E ninguém vai tocar nele."
Naruto sorriu, se esticando como quem se aquecia para a briga.
— "Se ele tá vindo atrás de comida... vai ter que lutar por ela."
A tensão se instalava no ar como uma tempestade prestes a desabar.
O Baratie estava prestes a se tornar um campo de batalha.
E Don Krieg ainda não fazia ideia que, naquele dia, enfrentaria muito mais do que simples cozinheiros.
Algum tempo depois…
A superfície do mar estava agitada. Um pequeno bote de madeira avançava com esforço, remado por um homem , mas determinado. Era Gin, que se dirigia ao imponente navio de guerra parcialmente destruído à distância — o que restava da outrora poderosa frota de Don Krieg.
Quando chegou ao casco, subiu com dificuldade pela corda pendurada até o convés. O que viu ao alcançar o topo fez seu coração pesar: dezenas de homens caídos, muitos inconscientes, outros com os olhos fundos, corpos esquálidos, pele queimada de sol. Todos morrendo aos poucos... de fome.
No trono improvisado sobre uma pilha de caixas, Don Krieg permanecia sentado. Mesmo fraco, sua postura era arrogante como sempre, seus olhos ainda cheios de orgulho e dominação.
— "Você demorou, Gin... pensei que estivesse morto." — disse Krieg, com a voz rouca.
Gin se ajoelhou diante dele.
— "Capitão... eu encontrei um lugar. Um restaurante no meio do mar. Eles têm comida. Gente forte. E um cozinheiro... um que tem honra."
Krieg ergueu uma sobrancelha.
— "Comida? E você voltou pra me buscar? Hmph... leal até o fim."
— "Eles não vão ajudar sem garantias. Mas... se você jurar que não atacará, talvez consigamos o que precisamos."
Krieg hesitou, mas a fome era uma prisão mais cruel que o orgulho.
— "Muito bem... vamos ao seu restaurante. Mas não pense que abaixar a cabeça me faz fraco."
Pouco depois, o bote retorna ao Baratie, agora com Don Krieg em pé no meio da embarcação, amparado por Gin.
Os clientes e cozinheiros do restaurante assistem em silêncio tenso quando os dois sobem pela varanda, e Krieg pisa no solo do Baratie com sua aparência frangalhos.
Patty estoura primeiro:
— "Esse homem é uma praga! Um criminoso! Não podemos dar nada pra ele, muito menos comida! Como vamos confiar?!"
— "E se for um truque? Eles invadem assim que a barriga estiver cheia!" — gritava outro cozinheiro.
Zeff apareceu à porta da cozinha, com o cachimbo nos lábios, apenas observando.
Gin ergueu as mãos:
— "Por favor... não vamos lutar. Só estamos pedindo comida. Só isso."
Krieg inspirou fundo, resistindo ao orgulho que ainda o consumia... e falou.
— "Eu tenho dinheiro, Don Krieg, juro... que não atacarei este restaurante. Tudo que quero... é comida para mim e meus homens."
O silêncio caiu como uma pedra. Ninguém acreditava nele.
Até que Sanji passou calmamente entre todos, um prato fumegante nas mãos. Um banquete, na verdade — arroz, carne grelhada, legumes refogados, pão recém-assado e uma sopa espessa.
Ele caminhou até Krieg e colocou o prato diante dele.
— "Pode comer."
Krieg o encarou como se esperasse uma armadilha. Mas quando sentiu o cheiro da comida, seus joelhos quase cederam.
Sanji acendeu um cigarro com o isqueiro de prata, sem tirar os olhos do capitão faminto.
— "Você tem fome. Eu sou cozinheiro. Não importa se você é rei ou lixo. Enquanto estiver faminto, aqui... você é só um cliente."
Krieg caiu de joelhos e começou a comer como um animal esfomeado.
Todos ficaram boquiabertos. Patty, revoltado, gritou:
— "Você ficou louco, Sanji?! Sabe quem ele é?!"
Sanji deu de ombros.
— "Sim. E também sei o que é passar fome."
Naruto assistia tudo em seu canto, sorrindo de leve, mas com um olhar atento. Ele sabia que algo ainda estava por vir. A maneira como Gin observava seu capitão, e como Krieg comia... havia algo estranho naquela cena. Algo que não cheirava bem.
E, no fundo, Zeff também sabia.
Minutos após devorar o prato oferecido por Sanji, Don Krieg caiu de joelhos, ofegante, como se cada garfada tivesse reabastecido lentamente seu corpo e sua arrogância. O silêncio do restaurante pairava tenso — ninguém acreditava que aquele pirata manteria sua promessa.
E então…
— CRACK!
Num movimento repentino, Krieg com seu punho e tentou cravá-lo no peito de Sanji.
— "MORRA, SEU IDIOTA!" — rugiu ele.
Mas Sanji girou o corpo com agilidade impressionante, desviando do ataque com um leve salto para trás. O prato caiu e se quebrou no chão.
— "Sabia que tinha algo errado com esse desgraçado." — rosnou Sanji, em postura de combate.
Krieg se ergueu lentamente, o sorriso se alargando no rosto manchado de suor.
— "Este restaurante agora é MEU! O Baratie será a nova base da minha frota! Vocês todos... cozinheiros patéticos... vão preparar comida para os cem homens famintos do meu navio avariado. E se recusarem... morrerão aqui mesmo."
Os clientes começaram a gritar e correr fugindo para o seu navio e indo embora. O caos se espalhava. Naruto franziu o cenho , pronto para agir, mas esperou.
Patty, no entanto, não esperou.
Ele correu até o balcão, apertou um botão escondido sob o tampo de madeira e um compartimento secreto se abriu com um estrondo mecânico.
De dentro, Patty puxou um canhão portátil gigantesco, vermelho e enferrujado, que mais parecia um lança-foguetes.
— "ACHOU QUE A GENTE NÃO ESTAVA PREPARADO PRA LIXO COMO VOCÊ, PIRATA DE TERCEIRA?!" — gritou Patty, já apontando a arma.
Krieg arregalou os olhos por um instante, mas não teve tempo de recuar.
— BOOOOOOOM!
A explosão foi brutal. Fumaça, fogo e estilhaços tomaram a varanda. A estrutura rangeu, ameaçando ceder.
O silêncio reinou por alguns segundos. Todos aguardavam em choque, com a esperança de que tivesse acabado.
Mas então…
Passos pesados ecoaram no meio da fumaça.
E de dentro do clarão, surgiu Don Krieg, ileso, vestindo uma imponente armadura dourada que reluzia sob o sol poente. Espessa, reforçada, monstruosa.
— "VOCÊS ACHAM QUE ISSO ME AFETA?! EU SOU DON KRIEG! O PIRATA MAIS FORTE DO EAST BLUE!" — sua voz ecoou como trovão.
Ele ergue os braços — painéis laterais da armadura se abriram com um estalo hidráulico, revelando metralhadoras embutidas nos ombros e no peito. O brilho metálico das munições fez todos engolirem seco.
— "Esta armadura... é a mais forte de todas. À prova de balas. À prova de fogo. À prova de idiotas como vocês!"
Os cozinheiros recuaram, alguns até desmaiavam de medo. Mas Naruto não sentiu nada em relação a essa ameaça, ele enfrentou rei dos mares antes isso não é a presença de Krieg era nada comparado a isso — mas seus olhos ardiam em expectativa. Ele adorava um desafio.
E então, entre a tensão crescente, Jeff surgiu do interior da cozinha, mancando até a frente da varanda com sua perna de madeira.
Nas costas, um enorme saco de comida, que ele largou com força diante de Krieg.
— "Aqui está. Comida suficiente para seus cem homens. Agora suma daqui."
Krieg o observou com atenção... e então arqueou uma sobrancelha ao reconhecê-lo.
— "Ora, ora... veja só. Se não é o lendário cozinheiro pirata... o 'Perna Vermelha' Jeff."
Seu olhar desceu até a perna de madeira.
Krieg deu um passo para trás, por um segundo surpreso.
— "Então você ainda está vivo... Heh."
Jeff encarou Krieg com frieza.
— "Se quiser continuar vivo, vai aceitar a comida, alimentar seus homens e sair do meu restaurante... andando."
Krieg sorriu... mas havia algo sombrio naquele sorriso.
Naruto, de canto, murmurou para si mesmo:
— "Esse cara não vai sair andando... ele quer sangue."
O silêncio que pairava sobre o restaurante foi cortado apenas pelo som metálico dos passos de Don Krieg, enquanto ele encarava Jeff com olhos semicerrados e um sorriso debochado nos lábios.
— "Heh... então é verdade. Eu achava que era só mais uma história de taverna... mas você realmente está aqui."
Todos os olhos se voltaram para Krieg enquanto ele se aproximava lentamente, os canhões de sua armadura ainda fumegando após a última ativação.
— "Jeff, o 'Perna Vermelha'... um dos piratas mais temidos do East Blue. O homem que cruzou a Grand Line por um ano inteiro... e voltou VIVO."
Os cozinheiros se entreolharam, chocados. Muitos deles jamais ouviram Jeff falar sobre seu passado. Para muitos, ele era apenas o chefe rabugento do Baratie.
Krieg continuou, sua voz carregada de ironia e respeito mal disfarçado:
— "Dizem que você afundou cinco navios sozinho... com apenas uma perna funcional. Que usava essa perna de aço para esmagar crânios e abrir caminho entre marinheiros e monstros marinhos."
Ele bateu os dedos contra o peito da própria armadura com um som oco.
— "Dizem que você ganhou esse nome pelo sangue que marcava a sua perna toda vez que você lutava."
Krieg riu, um som seco, cortante.
— "E agora... olha só. Cozinhando sopinha num restaurante flutuante pros ricos do East Blue. Que fim... poético."
Jeff não respondeu. Apenas o encarava, firme, sem um traço de arrependimento.
Naruto observava tudo com atenção. Os olhos azuis arregalados, como se visse o velho cozinheiro sob uma nova luz.
— "Então o velho Jeff era um pirata famoso...?" — murmurou ele, quase sem acreditar.
Sanji cruzou os braços, um cigarro pendendo da boca.
— "É. Ele era. E ainda é, se quiser."
Krieg virou-se brevemente para os cozinheiros e clientes ao redor.
— "Quantos de vocês sabiam disso, hein? Que seu chefe era um assassino dos mares? Um homem que banhou o mar com sangue e depois decidiu virar chef de cozinha?"
Ele voltou os olhos para Jeff.
— "Sabe, Jeff... se eu não te respeitasse tanto... eu já teria esmagado sua cabeça como fiz com tantos outros. Mas você foi uma lenda. E por isso, vai ter a honra de ver meu novo império nascer... aqui. No seu restaurante."
Ele abriu os braços, como se já estivesse tomando posse.
— "O Baratie será minha fortaleza flutuante. E você, Perna Vermelha, vai cozinhar para minha tripulação... ou morrer tentando resistir."
Jeff deu um passo à frente, encarando Don Krieg sem medo. Seu olhar duro como pedra.
— "Você fala demais."
Krieg sorriu.
— "E você envelheceu."
Jeff então flexionou a perna de madeira... e o som agudo gecoou como um aviso. O velho lobo do mar ainda não estava aposentado.
Sanji sorriu de canto.
— "Acho que isso vai ficar interessante."
Naruto, agora com o corpo inclinado , murmurou para si mesmo:
— "Esse restaurante tem mais segredos do que parece…"
Krieg se aproximou mais uma vez de Jeff, agora com um brilho ganancioso nos olhos dourados por trás do visor da armadura. A voz dele soou com mais ambição do que antes:
— "Eu não quero só o seu restaurante, Perna Vermelha... Eu quero seus diários de bordo."
Jeff arqueou uma sobrancelha, sem responder de imediato.
— "Aqueles cadernos velhos que você guarda trancados a sete chaves… os registros da sua viagem pela Grand Line. As rotas, os perigos, os caminhos secretos, os padrões das correntes e dos ventos…"
Krieg estendeu a mão, os dedos enluvados em metal apontando para Jeff como uma sentença.
— "Com eles em mãos… encontrarei o One Piece. E com o maior tesouro do mundo, eu, Don Krieg, me tornarei o Rei dos Piratas!"
Um silêncio tenso tomou conta do restaurante. Os cozinheiros cerraram os punhos… e Jeff continuava imóvel, com os olhos baixos, sombrio.
Mas então, uma voz jovem e firme se ergueu, clara e desafiadora:
— "Isso jamais vai acontecer."
Todos se viraram para a origem da frase. Naruto estava ali, de braços cruzados, encarando Krieg com um olhar ardente, quase faiscando.
— "Você? Rei dos Piratas? Nem em mil anos."
Krieg estreitou os olhos, confuso.
— "E quem é você, pirralho? Um lavador de pratos?"
Naruto desceu da mureta com um sorriso atrevido nos lábios.
— "Sou Naruto D. Uzumaki. E quem vai encontrar o One Piece e se tornar o Rei dos Piratas… sou eu!"
O restaurante inteiro ficou em choque por alguns segundos, até que Krieg gargalhou com desdém.
— "Hah! Você? Um pirralho sem navio, sem tripulação, sem fama? Vá brincar de marinheiro com seus amiguinhos."
Mas Jeff, enfim, se adiantou, seu tom grave interrompendo a provocação de Krieg:
— "Esses diários de bordo… não foram feitos para um tirano como você."
Krieg virou-se para ele, sério.
— "Então está recusando?"
Jeff assentiu lentamente.
— "Eles pertencem à minha tripulação. Foram escritos com o sangue, suor e lágrimas de todos que cruzaram a Grand Line ao meu lado. Se algum dia forem usados de novo, será por alguém com o coração certo… não por um canalha que só pensa em poder."
Krieg cerrou os punhos, furioso.
— "Então você escolheu morrer como um cozinheiro, ao invés de viver como uma lenda."
— "Eu já fui uma lenda. Agora... sou só um velho com um restaurante. Mas ainda sei cozinhar uma boa surra."
Krieg rugiu de raiva.
— "VOCÊ VAI SE ARREPENDER!"
Naruto estalou os dedos, empolgado.
— "Finalmente, alguma diversão."
Sanji soltou um suspiro, acendendo outro cigarro.
— "Tsc… parece que a calmaria acabou."
O caos estava prestes a explodir dentro do Baratie, com Don Krieg ameaçando tudo e todos. Mas então, um som cortante, agudo e seco, atravessou o ar — como uma lâmina rasgando o próprio oceano.
CRAAACK!
Todos se viraram abruptamente para o lado de fora, na direção do mar.
Do lado de fora das janelas panorâmicas do restaurante flutuante, o enorme navio de Don Krieg, com seus mastros robustos, casco blindado e estrutura de guerra, foi partido em três partes, como se fosse feito de papel. Um corte limpo, preciso, quase cirúrgico.
Os pedaços do navio se separaram lentamente, escorregando para o lado até afundarem de forma violenta nas profundezas do East Blue, levando consigo os cem homens famintos que esperavam comida… e salvação.
Naruto, Sanji, Jeff, Patty, todos os cozinheiros e até mesmo o próprio Krieg ficaram completamente imóveis — em estado de puro choque.
— "Q-Que…?" balbuciou Krieg, dando um passo para trás, incrédulo. "O meu navio... meus homens…?!"
Do meio da névoa que ainda pairava sobre os destroços do navio destruído, uma figura sombria começou a surgir, navegando em um pequeno barco em forma de caixão, com várias velas a sua volta, cuja chama brilhava com um tom esverdeado e fantasmagórico, iluminando sua silhueta sinistra.
Jeff, com os olhos arregalados e suor descendo pela têmpora, deu um passo à frente com o punho cerrado.
— "Não… pode ser…"
Sanji, mesmo com toda sua indiferença, engoliu em seco.
— "Você conhece esse cara, chefe?"
Jeff não tirava os olhos da figura que se aproximava lentamente, como a própria personificação da morte sobre o mar.
— "Conheço, sim. Todos os grandes piratas do mundo conhecem. Esse homem…"
A silhueta foi se tornando mais nítida. Uma capa negra ondulava com o vento do mar. O brilho de uma cruz pendurada no pescoço reluzia à medida que ele se aproximava. E em suas costas, uma imensa espada negra em formato de crucifixo repousava tranquilamente.
— "...É Dracule Mihawk. O Olhos de Falcão. O maior espadachim do mundo."
O nome ecoou no restaurante como uma sentença.
— "Aquele que corta navios como se fossem manteiga. Aquele que atravessa oceanos apenas por um duelo. Aquele que nunca foi derrotado."
Krieg estava paralisado. Sua armadura antes reluzente agora parecia de papel diante daquela aura avassaladora.
— "Mas… o que ele tá fazendo aqui…?"
Jeff soltou um suspiro tenso.
— "Se ele está aqui… então a verdadeira tempestade acaba de começar."
E assim, todos os olhos do Baratie estavam voltados para o homem no barco-caixão que se aproximava com calma sobrenatural.
O Olhos de Falcão havia chegado ao East Blue.
O silêncio ainda dominava o Baratie, como se o mar inteiro tivesse prendido a respiração diante da figura que se aproximava em seu barco-caixão iluminado por uma chama verde espectral.
Gin, que até então permanecia ao lado de Don Krieg, arregalou os olhos. Suas pernas começaram a tremer.
— "N-Não pode ser…"
Naruto observou a reação do pirata com atenção. Era raro ver um homem endurecido como Gin demonstrar tanto medo.
— "Ei… você conhece esse cara, não é?" — murmurou o loiro, franzindo o cenho.
Gin não respondeu de imediato. Estava preso em uma lembrança… uma memória que ainda queimava em sua mente como o fogo de um canhão.
Flashback — semanas atrás…
O mar estava violento. Ondas gigantescas se chocavam contra os cascos de dezenas de navios. Uma tempestade assolava os céus, como se o próprio oceano quisesse engolir tudo à sua frente.
Gin, estava na fronta de Don Krieg de cinquenta navios piratas aliados, todos reunidos sob uma bandeira comum. Era um dos maiores ajuntamentos piratas já vistos no East Blue. O objetivo: One Piece.
Mas ninguém esperava o que aconteceu.
Naquele dia, não foi a tempestade que destruiu a frota.
Não foram as ondas. Nem os ventos.
Foi um homem só.
Através da chuva, relâmpagos e gritos, uma sombra dançava sobre as águas. Uma espada cortava mastros, dividia cascos, destruía velas.
Os navios tombavam, um a um, em silêncio mortal, antes de serem engolidos pelo mar.
E no centro da carnificina… um par de olhos dourados, penetrantes como os de um falcão, observava calmamente o caos.
Gin se escondeu. Ele não lutou. Ele sobreviveu — e nunca esqueceu.
De volta ao presente…
Gin deu um passo para trás, ainda trêmulo.
— "É ele… é ele…" — murmurou, mal conseguindo respirar. — "O homem que destruiu os nossos cinquenta navios… sozinho… no meio de uma tempestade…"
Todos o ouviram. E um calafrio percorreu o restaurante inteiro.
Don Krieg arregalou os olhos.
— "Você tá dizendo… que esse maluco sozinho foi quem afundou a minha frota de … CINQUENTA NAVIOS?!"
Jeff cruzou os braços, encarando o caixão-flutuante que se aproximava lentamente do Baratie.
— "Sim. E se tem uma coisa que esse homem odeia… é ser incomodado."
Sanji mordeu o cigarro com mais força. Patty engoliu em seco.
Mas Naruto…
Ele não gritava.
Ele não se movia.
Ele mal respirava.
Seus olhos estavam travados naquele pequeno barco em forma de caixão, que se aproximava lentamente com uma vela solitária iluminada por um brilho esverdeado e fantasmagórico.
A figura sobre ele era serena. Fria. Imponente.
E Naruto… sentiu.
Não viu, não ouviu, sentiu.
Um peso esmagador, sufocante, esmagando sua alma e colapsando cada parte de sua mente.
Era como estar preso no fundo do oceano… com uma montanha repousando sobre seu peito.
Seus joelhos tremiam, seu coração disparava — mas não era medo comum.
Era como olhar para um abismo que olhava de volta.
"Isso... não é normal... Isso... não é humano..."
Foi o que pensou, mas nem conseguia organizar as palavras em sua mente.
Era como se todos os seus instintos dissessem em uníssono:
"CUIDADO. ISSO PODE TE ANIQUILAR SEM ESFORÇO."
A única vez em sua vida que sentira algo parecido foi quando sua mãe, Kushina, liberava tudo de si durante os treinos mais brutais.
Mas nem mesmo ela… nem mesmo ela…
"Esse homem... é ainda mais forte do que a minha mãe..."
Esse pensamento fez sua mente entrar em parafuso.
Se ela, a mulher que sobreviveu sozinha neste mundo, que o criou à base de ferro, sangue e disciplina, que suportou o luto, a fuga e a guerra — se ela não era nada comparada a ele…
— "Que tipo de mundo existe lá fora…?"
Naruto engoliu em seco. As palavras de Mihawk, que viriam depois, ainda nem haviam sido ditas.
Mas seu corpo… já entendia tudo.
Entre todos naquele restaurante…
Naruto foi o único que realmente sentiu o nível real daquele homem.
Não com os olhos.
Não com ouvidos.
Mas com a alma.
Ele murmurou para si mesmo:
— "Esse é… o mundo real… o mundo de onde minha mãe fugiu…"
E pela primeira vez em muito tempo, Naruto não teve uma resposta na ponta da língua.
Ele só olhou em silêncio.
Mas dentro dele, algo crescia — não era medo, nem desesperança…
Era uma vontade absurda de alcançar aquele nível um dia.
Não por arrogância. Mas por promessa. Por destino.
Por tudo que ainda estava por vir.
"Olhos de Falcão, Coração de Guerreiro"
(Visão de Mihawk)
O pequeno barco em forma de caixão cortava as águas com uma calma perturbadora. A vela, mesmo sem vento, queimava com um brilho verde-azulado, como se a própria morte estivesse iluminando seu caminho.
Mihawk, imóvel, observava.
Ele já havia afundado cinquenta navios. Já havia enfrentado tempestades, lendas e monstros.
E agora… estava apenas cumprindo um favor para a Marinha: terminar o que começou com Don Krieg.
Mas ao se aproximar do restaurante Baratie… ele sentiu.
Um sopro.
Uma centelha.
Um instinto primitivo vindo da direção do navio.
Seus olhos dourados brilharam.
— "Hm?"
Assim que pousou suavemente sobre a madeira do Baratie, os olhares vieram.
Medo. Tensão. Insegurança.
Alguns fingiam coragem, outros apenas tremiam em silêncio.
Mas não importava.
Eles não valiam nada.
— "Fracos demais… todos eles..."
Seu olhar percorreu rapidamente os cozinheiros, os clientes, Krieg…
Nem mesmo aquele tal Sanji, de quem ouviu sussurros, lhe chamou atenção.
Mas então… ele parou.
Seu olhar se fixou nele.
O garoto.
Louro, com olhos azuis que estavam arregalados, não de medo… mas de impacto.
Seus músculos estavam tensionados, a respiração pesada, os punhos cerrados.
Mas acima de tudo… Mihawk sentiu a conexão.
Aquele garoto sentiu a sua presença.
Sentiu sua força real.
Não só a superfície… mas o peso por trás da lenda.
E isso o fez sorrir, quase imperceptivelmente.
— "Interessante…"
Dracule Mihawk se aproximou com calma. Seu manto negro balançava ao vento enquanto seu chapéu sombreava seu olhar afiado. Ele ficou de frente para Naruto.
O silêncio no Baratie era quase palpável. Todos estavam estáticos, como se o simples som da respiração pudesse provocar a fúria do espadachim que acabara de chegar.
Dracule Mihawk caminhou alguns passos adiante, sua longa capa ondulando com o vento do mar. Seus olhos dourados vasculharam os rostos à sua frente — até pararem em Don Krieg, que recuou instintivamente.
Naruto, sem conseguir mais conter sua curiosidade, avançou até ficar diante do homem que afundou um navio inteiro sem mover um músculo.
— "Ei, você aí de olhos de falcão… o que quer aqui?" — disse o loiro com um olhar firme. — "Por que veio até o Baratie?"
Mihawk virou o rosto lentamente, focando seus olhos intensos diretamente em Naruto. Aquele simples olhar fez Naruto sentir um leve arrepio na espinha, mas ele se manteve firme.
— "Eu não vim por vocês. Nem por esse restaurante." — respondeu Mihawk com a voz baixa e grave. — "Estou aqui apenas por ele." — Apontou com o queixo para Don Krieg.
— "Por mim?" — Krieg recuou mais um passo, suando frio. — "Mas por quê?!"
Mihawk então levou a mão à alça de sua espada negra nas costas, sem puxá-la. Apenas como um lembrete do que estava por vir.
— "Três semanas atrás, recebi ordens diretas da Marinha. Terminar o que começou naquela noite… na tempestade."
— "Naquela época, destruí quarenta e nove navios da sua frota. Mas deixei você escapar com o quinquagésimo. Um erro que vim corrigir."
Os olhos de Gin se arregalaram ainda mais. Ele havia entendido errado o tempo todo.
— "Espera… você… você sabia que Don Krieg sobreviveu?"
Mihawk ergueu uma sobrancelha, quase entediado.
— "Sabia. Mas não se importava… até agora."
Krieg gritou:
— "Eu sou o futuro rei dos piratas! Eu vou encontrar o One Piece! Você não pode—"
— "Você?" — Mihawk interrompeu, sua voz cortante como aço. — "Um homem que se esconde atrás de cem subordinados famintos e navios de guerra? Você não é nem digno de sonhar com a Grand Line."
Sanji apertou os punhos.
Naruto manteve os olhos em Mihawk. Algo no jeito dele… apesar da crueldade, havia uma honestidade brutal. Ele não era um assassino cego. Era um guerreiro com um propósito.
Jeff cruzou os braços ao lado de Patty.
— "Então você veio apenas para terminar um trabalho pendente…"
Mihawk assentiu levemente.
— "Cumpro promessas. Mesmo que demorem anos."
E então, o silêncio voltou a dominar o restaurante.
Mas agora… era o silêncio antes da tempestade.
Enquanto todos ainda absorviam a presença imponente de Dracule Mihawk, seus olhos de falcão, atentos como os de uma fera caçadora, voltaram-se novamente para Naruto.
Dessa vez, não por curiosidade… mas por interesse genuíno.
Ele o observou por longos segundos. Os cabelos loiros, os olhos azuis intensos, a postura firme e o olhar inabalável. Naruto não parecia estar apenas desafiando o medo — ele já havia convivido com ele por muito tempo.
Todos ao redor se calaram.
Mas não importava. Mihawk só tinha olhos para ele.
"Você sentiu, não foi?" — pensou.
"Você... não precisa de explicações. Seu corpo já sabe que não venceria. E ainda assim... permanece de pé."
Um breve instante passou. Um momento eterno.
Havia algo naquele garoto que incomodava Mihawk. Algo… familiar.
E então, ele falou.
— "Você..." — murmurou Mihawk, mais para si mesmo do que para os outros. — "Essa aparência... esses olhos determinados…"
Sanji e Jeff notaram o olhar de Mihawk se estreitando, sua expressão mais séria do que em qualquer outro momento até então.
— "Você me lembra duas pessoas que conheci há anos, na Grand Line." — continuou ele, lentamente. — "Uma mulher... que tinha o fogo nos olhos, como uma tempestade prestes a explodir. E um homem... de sorriso tranquilo, mas que carregava uma presença tão intensa que silenciava mares inteiros."
Naruto permaneceu calado por um instante, mas o cenho franzido revelava sua surpresa. Ser comparado a pessoas assim por Mihawk, o maior espadachim do mundo, era algo inesperado.
Mihawk deu mais um passo adiante, encarando-o com interesse.
— "Diga-me, garoto... Qual é o seu nome?" — sua voz soou firme, mas curiosa. — "E o nome dos seus pais. Estou curioso."
Naruto hesitou por um momento. Não porque tinha medo, mas porque a lembrança dos nomes trazia dor e orgulho ao mesmo tempo.
Ele então encarou Mihawk de volta, com a mesma firmeza.
— "Meu nome é Naruto, Naruto D. Uzumaki."
Os olhos de Mihawk se estreitaram ainda mais com o sobrenome D... Uzumaki… Aquilo era algo raro… e perigoso.
— "Minha mãe… se chamava Kushina Uzumaki. Meu pai… era Minato. Minato D. Namikaze."
Um silêncio pesado caiu como uma âncora.
Mihawk não respondeu de imediato. Mas era possível ver que aquele nome o impactou. Sua expressão, sempre inalterada, se quebrou por um breve segundo. Ele conhecia esses nomes. Talvez não profundamente… mas o bastante para entender que aquele garoto não era apenas "mais um" no East Blue.
— "...Então é isso." — murmurou ele. — "O sangue deles corre em você."
Mihawk voltou o olhar para o mar, e então para os destroços do navio de Krieg ainda flutuando ao longe. Quando olhou de novo para Naruto, havia uma leve faísca em seus olhos dourados.
— "Agora faz sentido."
E com isso, Mihawk sorriu… um sorriso raro e quase imperceptível, mas carregado de significado.
Mihawk voltou a caminhar lentamente até o centro do deque do Baratie, o som de suas botas ecoando entre os destroços ainda flutuantes no mar. Seu olhar se fixou em Don Krieg, que ainda ostentava sua armadura dourada, visivelmente tensa.
O espadachim então falou, com a mesma frieza cortante de sua lâmina:
— "Don Krieg… você é um verme insolente. Sobreviveu à minha caçada, humilhou-se por comida, e agora ameaça tomar este restaurante."
Don Krieg rangeu os dentes, dando um passo para trás. O suor escorria sob seu elmo.
Mihawk então apontou sua espada negra para ele, a lendária Yoru, cravando-a no chão de madeira do deque como se não pesasse nada.
— "Mas vou lhe conceder uma chance. Um presente da morte antes de sua execução."
Todos ficaram em silêncio. O ar parecia mais denso. Naruto, Jeff, Sanji, Patty e até Gin estavam imóveis.
Mihawk ergueu a cabeça, encarando Krieg diretamente:
— "Lute e vença aquele garoto." — apontou com o queixo na direção de Naruto. — "Derrote-o com honra, e eu te deixarei viver."
Naruto arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços, enquanto Don Krieg arregalava os olhos.
— "Ou…" — a voz de Mihawk desceu como uma lâmina fria. — "Morra aqui e agora pelas minhas mãos."
Don Krieg gaguejou por um segundo:
— "E-E-Espere! Você quer que eu lute contra ele? Esse moleque?!"
Mihawk cruzou os braços, inabalável:
— "Se ele é só um moleque… então não terá problemas. Ou está com medo?"
As provocações atingiram em cheio o ego inflado de Krieg. Seus homens haviam sido afundados. Seu navio, destruído. E agora… era colocado à prova diante de todos.
Naruto, por sua vez, sorriu de canto.
— "Então é isso, huh?" — ele estalou os dedos, animado. — "Se vencer você, Don Krieg… sou livre?" — perguntou, brincando com as palavras de Mihawk.
— "Não, garoto." — respondeu Mihawk, com um leve brilho nos olhos. — "Você já é livre. É ele que precisa lutar por isso."
O clima no Baratie explodiu em tensão. Jeff pegou sua bengala com força. Sanji acendeu um cigarro, estreitando os olhos. Gin olhava para Naruto com admiração silenciosa.
E Don Krieg, com seu orgulho ferido e nenhum lugar para fugir, gritou:
— "QUE SEJA, MALDITO! EU VOU ARRANCAR A CABEÇA DESSE PIRRALHO!"
Naruto apenas respirou fundo… e deu um passo à frente.
— "Então vem, armadura de ouro." — seus olhos brilharam. — "Vamos ver se você aguenta alguém que treina desde os cinco anos pra sobreviver."
O mar ainda ardia em silêncio. Fragmentos do navio de Don Krieg boiavam como esqueletos de madeira e aço, e era ali, sobre os destroços flutuantes e instáveis, que a batalha final entre dois mundos completamente diferentes iria acontecer.
Don Krieg saltou com o peso de sua armadura dourada, fazendo a madeira estalar sob seus pés. Ele rugiu como um animal acuado:
— "VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE TER ME DESAFIADO, MOLEQUE!"
Naruto, parou no topo de uma prancha flutuante, o vento bagunçando seu cabelo loiro. Suas roupas eram movimentadas pelos ventos, cobrindo um corpo escultido por anos de treinamento sob o sol e sob a fúria de sua mãe — ele parecia completamente fora de lugar naquele confronto, e ao mesmo tempo, o mais preparado para ele.
Mihawk observava em silêncio, braços cruzados no convés do Baratie.
Krieg foi o primeiro a atacar — puxou um compartimento em seu ombro e disparou uma rajada de mini granadas direto em Naruto. Explosões engoliram o garoto em fumaça e fogo.
— "HAHAHAHA! VOCÊ NÃO ERA DE NADA, SEU MALDI—"
BANG!
O som seco de um salto.
Naruto saiu da fumaça com uma velocidade brutal, o corpo inteiro já no ar, girando com o pé estendido — um chute direto no rosto da máscara de Krieg, jogando o pirata como um projétil contra os destroços do navio partido.
Madeira se quebrou. Água jorrou.
Naruto caiu de pé, os punhos cerrados.
— "Você se acha forte… porque tem uma armadura brilhante e armas escondidas."
Krieg cuspiu sangue dentro do capacete, se levantando com dificuldade.
Naruto continuou:
— "Eu cresci com fome, frio, e com uma mãe que me jogava na floresta aos cinco anos dizendo 'sobreviva ou morra'."
— "Você… não sabe o que é dor. Você não sabe o que é se levantar ensanguentado e sorrir mesmo assim."
Krieg gritou de novo, ativando duas metralhadoras escondidas nos braços da armadura, disparando rajadas violentas, furiosas. Mas Naruto desviava com precisão, dançando entre os tiros como uma fera — como um guerreiro moldado pela brutalidade.
Ele se aproximou de Krieg em segundos e, com um salto, desferiu um soco tão forte no peito da armadura que trincou o metal.
Krieg cambaleou. Naruto não deu tempo.
— "Você viveu como um fracasso, Krieg."
E então, com a fúria silenciosa de um trovão contido por anos, Naruto concentrou todo seu peso em um último soco.
O punho dele atravessou a armadura. E o corpo. E o coração.
Silêncio absoluto.
Krieg arregalou os olhos, sem ar. A força do golpe o ergueu do chão antes de cair de costas com um baque molhado, morrendo do mesmo jeito que viveu: fracassado.
O mar, enfim, engoliu o som da morte.
Naruto ficou em pé, o braço sujo de sangue, respirando firme.
Mihawk, ainda parado, observava. Silencioso.
Seus olhos de falcão não deixavam Naruto nem por um segundo.
Um pensamento lhe passou pela mente:
"Esse garoto... não pertence ao East Blue. Ele é um animal forjado para o mundo além. Para o Novo Mundo."
Silêncio.
As ondas batiam levemente contra os destroços encharcados de sangue. O corpo de Don Krieg flutuava inerte, com o buraco no peito visível mesmo sob os restos retorcidos da armadura dourada.
Naruto permanecia ali, ofegante, com o braço ainda estendido, coberto do sangue do homem que ousou subestimar tudo o que ele era.
No convés do Baratie, ninguém dizia uma palavra.
Patty, com os olhos arregalados, deixou cair o prato que segurava.
Gin, ajoelhado no chão, tremia. O suor escorria por sua testa.
Mihawk desceu lentamente do convés, com as botas ecoando nos restos de madeira do antigo navio de Krieg. Ele andava como quem já sabia de tudo, como se aquele resultado já estivesse escrito muito antes de o primeiro golpe ser desferido.
Parou a poucos metros de Naruto, que por instinto assumiu postura defensiva.
Mas Mihawk ergueu uma mão.
— "Relaxe."
Naruto permaneceu em silêncio, com os olhos fixos nele.
Mihawk observava de perto agora. O garoto não tremia. Seu olhar era firme, sem arrogância. Sem dúvida. Só convicção. Uma força pura e crua, moldada pelo tempo e pelo sofrimento.
— "Você não é comum…", disse Mihawk, com voz calma.
— "Nem mesmo para os padrões da Grand Line. Há algo em você… algo que me lembra muito os seus pais."
Naruto apenas franziu a testa.
Mihawk sorriu de leve, com os olhos ainda cravados nele.
— "Mas… você ainda é incompleto. Como uma espada que não foi afiada por um verdadeiro ferreiro."
— "Ainda assim, hoje… você demonstrou força. E propósito."
Gin caiu de joelhos, a cabeça baixa.
— "Ele… matou Don Krieg com um só golpe final… E eu achava que aquele homem era invencível…"
Patty engoliu em seco.
— "Não é que ele seja forte. É como se… ele tivesse vindo de outro mundo."
Naruto se virou brevemente para o corpo de Krieg afundando nas sombras do oceano. O fim de um tirano. E, para ele, apenas mais um passo.
Ele ergueu os olhos novamente para Mihawk.
— "Você disse sobre os meus pais . Quem eram eles antes de eu nascer?"
Mihawk respondeu com calma:
— "Se quiser essa resposta, garoto… vai ter que me encontrar na Grand Line."
E então se virou de costas, começando a caminhar de volta até seu pequeno barco em forma de caixão, ainda flutuando próximo ao Baratie, iluminado por uma luz verde fantasmagórica.
Quando terminou de subir no seu barco, Mihawk lançou um último olhar para Naruto.
A aura de Naruto ainda era crua, como aço ainda em brasa. Mas dentro…
Dentro havia um rugido adormecido. Um leão prestes a despertar.
E Mihawk sorriu.
Um sorriso frio, cortante… mas genuinamente respeitoso.
— "Continue vivo. Torne-se forte. Porque um dia… nos veremos do outro lado do mundo."
Então ele virou as costas.
Sem pressa. Sem medo. Sem necessidade de provar mais nada.
Mas em seu coração, uma verdade já havia sido cravada como a lâmina negra que carregava nas costas:
"Entre todos neste mar fraco… só há um que realmente vale a pena observar."
"Naruto D. Uzumaki."
Quando Mihawk subiu a bordo, o silêncio parecia mais denso. Todos observavam, como se uma entidade estivesse partindo — não apenas um homem.
Ele não olhou para trás.
Segurou o leme com uma mão e, com um leve giro, o barco começou a se afastar sozinho, sem remos, sem velas sopradas, como se o próprio mar cedesse passagem para ele.
A água se partia de leve ao redor da embarcação, enquanto a luz esverdeada da vela criava reflexos assombrosos sobre as ondas.
Naruto permaneceu em pé, firme, olhando até o fim.
Antes de desaparecer completamente na neblina, Mihawk ergueu apenas um dedo para o céu — não como provocação, mas como uma promessa muda:
"Nos veremos de novo."
Jeff exalou com um suspiro profundo.
— "Esse homem… Ele é a própria lâmina do mundo. E agora ele viu você, Naruto."
A embarcação foi sumindo no horizonte, como se a noite o tivesse engolido. Nenhuma palavra de despedida. Nenhuma necessidade.
Mihawk havia deixado sua marca ali… e Naruto a sentiu gravada no sangue, na mente e no espírito.
Fim de capítulo.
