1 de julho de 1937:
Alisei a cama e olhei para os lados, mas ele não estava em lugar algum e isso me deixou um pouco preocupada.
Mas sabia que ele não tinha desaparecido, não sei o motivo disso, mas podia senti-lo no andar de baixo.
Não sabia o que ele estava fazendo, mas isso era o de menos, pelo menos ele não desapareceu como nos livros de romance que sempre leio.
Retiro meus cabelos do meu dos meus seios e saio da cama, procurando pelo chão os frascos de poções que tive que tomar ao longo da madrugada.
Tinha de dor, um dos motivos que conseguia mexer meu corpo sem gritar ou me enrolar em uma bola por cólica.
Chuto uma das poções e vejo que era uma poção anticoncepcional e estava vazia, provavelmente o little lord me deu quando não conseguia abrir os olhos.
Vou até a mesa de cabeceira do little lord, vendo que tinha um porta-retrato de nós dois, era aquele dia que tirei uma foto dele, mas acabou que ele tirou algumas fotos nossas.
A foto mexia e mostrava com perfeição o meu sorriso e como ele me observava, como se eu fosse tudo para si.
Não tinha visto essa foto ontem, porque estava ocupada demais para algo assim, mas era fofo ver isso agora.
Abro sua gaveta e vejo o saco de balas, mas ao lado tinha um álbum de fotos na cor vinho... Viciado nessa cor e no líquido, impressionante.
Pego uma bala e a desembrulho, colocando na boca para ter um pouco de energia para ir ao banheiro, ou ver o estrago que fizemos na cama. Que deveria estar totalmente suja, mas não está.
Os lençóis e fronhas estavam limpas, até mesmo os cobertores que havíamos jogado no chão tinham sido trocados...
Estou impressionada por não acordar e ver essa mudança que ele fez, porque duvido muito que ele tenha deixado um elfo entrar aqui.
Caminho até o banheiro e alguns flashes de memória apareceram em minha mente, lembro que ele me deu banho e era um dos motivos que não me sentia suja, ou tinha sêmen escorrendo pelas minhas pernas.
Olhei o espelho e vejo que as minhas cobras não estavam comigo, ou até mesmo os coelhinhos que tinham me deixado vários arranhões, mas no meu corpo tinham marcas arroxeadas que aquele idiota fez.
Prendo meus cabelos com a mão e fiquei os segurando, enquanto olhava o meu corpo.
Meus seios tinham marcas de mordidas profundas e marcas de chupões roxas, que já estavam ficando esverdeadas. Minha cintura tinha com perfeição as mãos do little lord gravadas em tons de roxo e azul. Meus ombros e pescoço não estavam ruins.
Mas os braços tinham mordidas e arranhões, porém, minha bunda estava com as digitais do little lord, deveria ter ficado quieta... Como se isso fosse possível.
Minha nuca tinha uma mordida e não sabia o momento que aquele idiota me mordeu, e parece que até mesmo sangrou, mas como ele me deu banho, isso não era mais aparente.
Soltei os meus cabelos e cheirei algumas mechas, sentindo um cheiro bom do condicionador do little lord. Devo ter morrido por algumas horas para não acordar quando ele me deu banho ou quando lavou meus cabelos.
Mordo a bala, enquanto pegava escova e pasta, e começo a escovar os dentes, pensando se deveria colocar roupa ou apenas pegar aquele roupão preto de seda, que me encarava no banheiro.
Lavo a boca e pego o roupão no gancho, sentindo a textura macia, mas gelada na pele.
Saio do banheiro enquanto fazia um laço no cinto do roupão, abrindo a porta do quarto para comer alguma coisa, já que estava ficando com fome.
Dou alguns passos no corredor e escuto alguns elfos cochichando sobre algo, viro no corredor e me encosto na parede. Queria saber se estavam falando sobre ontem...
_ Ela existe! - Essa voz era do Troy. _ Pensei que todos estavam loucos em dizer que o nosso senhor tinha uma Lady.
_ Você foi o primeiro a vê-la, não se esqueça. - Disse pomposo. _ E fale mais baixo, esse corredor é próximo do quarto principal.
Little lord deve ter pedido que ninguém me perturbasse, por isso que não acordei com ele ou com movimentação da casa.
_ Eu vi uma menina e já estava julgando o nosso senhor, mas como poderia saber que a menina é uma mulher? - Ele deve ter ficado chocado naquele dia. _ Sabe quantas vezes me belisquei? Muitas.
_ Você é doente. - Saio do meu esconderijo e caminhei até a ponta da escadaria, vendo os dois sumirem no corredor da direita.
Desço os degraus pensando no motivo do pequeno elfo se beliscar por saber que eu existia, little lord deve ter essa reposta e o motivo do elfo ir ao nosso quarto.
Talvez alguém tivesse morrido ou voltado a vida, mas talvez seja bem pior que a morte.
Os quadros me olharam quando desci o último degrau, e já esperava as gracinhas de todos, mas tudo que recebi foram dedos apontados para o lado oposto do escritório. O que era interessante, já que o little lord não saía daquele lugar.
_ Está na cozinha. - Olhei para Deytilan. _ Foi isso que escutei um dos elfos comentando.
_ Obrigada. - Sorri e caminhei para a cozinha.
Mas o que o little lord está fazendo na cozinha? Ele nunca foi lá, bom, não que eu saiba, na verdade, nem eu fui à cozinha.
Talvez meu corpo sempre tenha percebido que sou um desastre e sempre me impediu de visitar aquele lugar. Mas o little lord é diferente, o que ele faria na cozinha se tudo que ele pedir terá em mãos?
Virei o corredor e vejo vários elfos parados na entrada da cozinha, falando coisas que não dava para entender de longe, me fazendo aproximar devagar para escutar.
Acho que estou ficando boa nisso de se esconder ou esconder minha presença, talvez eu abra uma empresa de investigação para saber da vida dos outros...
_ O mestre é bom cozinhando, não sabia que ele podia ser bom nisso. - Little lord sabe cozinhar? Isso era novo.
Encostei-me na parede e fiquei pensando se ele já tinha me falado que cozinhava ou dado algum sinal disso, mas tudo que minha cabeça me fez lembrar foi que ontem fui comida de todos os jeitos...
Abanei meu rosto para tentar esquecer essas cenas.
_ Fiquei sabendo que ele está preparando o café da manhã para a nossa Lady. - Não deveria ter escutado isso. _ Mesmo sendo a hora do almoço. - Dormi tanto assim?
_ Isso não é ainda mais romântico? - Não é apenas comida?
Certo, sou a pessoa nada romântica que nunca iria acordar cedo para preparar comida para a outra...
Na verdade, posso ser um pouquinho, já que fiz biscoitos para ele e isso conta, não é? Até mesmo fiz aquele bolo em seu aniversário.
_ Vamos, vamos deixar o mestre terminar de fazer as coisas e depois voltamos para a cozinha. - Viraram-se e fiz um sinal de silêncio.
Concordaram sorrindo e foram embora. Dei alguns passos e vejo o little lord mexendo em uma frigideira e o cheiro de ovos e bacon fez meu estômago roncar.
Mas pelo menos ele não ouviu e pude continuar observando o que estava fazendo.
Olhei suas costas, procurando minhas cobras, mas elas também não estavam ali. Apenas tinham mordidas, tanto minhas e das cobras, arranhões e queimaduras...
Caminhei até ele, alisando meus dedos nas queimaduras e sabia que tinha mais em sua barriga e peito, isso me deixava chateada e para extravasar minha frustração, mordo seu braço.
Fazendo-o olhar para mim, enquanto beijava minha testa.
_ Ao invés de um coelho, tenho um gato? Sabe, dois já são o suficiente. - Revirei os olhos e o abracei. _ Você está bem? - Parecia preocupado.
_ Estou, as poções fizeram efeito e não sinto nada.
_ Só te dei poções para dor e um anticoncepcional, mas você precisa tomar outras e devo ver se continua inchado. - Tão meticuloso.
Beijei suas costas e me lembrei de suas palavras de ontem, ele tinha que me contar certas coisas, ainda mais sobre onde estavam as minhas cobras.
_ Tom, o que aconteceu ontem? - Suspirou e deixou o fogo baixo, para que nada queimasse.
Virou para mim e vi que seu torso estava muito pior que suas costas, queria pedir desculpas por queimá-lo, mas sei que ele não iria aceitar minhas palavras, já que parecia que seu corpo virou um troféu para si.
Ele estava feliz por todas essas marcas que iriam desaparecer, já que elas não eram graves. E se ele está gostando, não posso falar muito.
Suas mãos seguraram meu rosto, me fazendo parar de olhar seu corpo e prestar atenção em seus olhos encantadores e apaixonantes.
_ Você deve entender mais que eu nesse assunto de suas cobras, mas se me lembro bem, elas ficam ligadas no corpo. - Resmunguei. _ Mas as suas cobras e os coelhinhos gostam de sangue excitado, por ele ser mais quente que o normal.
Segurei suas mãos para ver se assim consigo estar na mesma sintonia de suas palavras, mas tudo que sinto é que as suas mãos são realmente boas... Devo parar de pensar nessas coisas.
_ Estamos ligados. - Pisquei algumas vezes e apenas concordei. _ Só vai concordar? - Estava surpreso.
_ É, já passei da fase que iria gritar e espernear por estar ligada a você, mas estamos ligados por quanto tempo? - Riu, simplesmente riu e me abraçou. _ Sabe, pensei que você não quisesse transar comigo por causa daquela mulher, ou que estava com medo de me engravidar...
_ Não, poderíamos apenas enfiar uma poção na sua goela abaixo e resolveria esse assunto. - Bem prático.
_ Também pensei que você gozava rápido, mas percebi naquele dia da mansão que não seria por esse assunto. Pensei que seu pau fosse minúsculo e que fosse broxar...
_ Coelhinha... - Não o deixei falar.
_ Até pensei que você não sabia transar, mas você tem esses braços e uma pegada que me deixa fora de órbita, um beijo que me faz abrir as pernas no mesmo segundo, então pensei que o problema fosse eu.
Calou minha boca e fiquei assustada por receber um beijo tão gelado logo cedo, mas o gosto de suco de uva me deixou anestesiada pelas minhas palavras de antes e tudo fez sentido.
Medo, ele estava com medo de fazer sexo comigo e ver minha reação logo de manhã, não suportando nossa nova ligação, a ligação de senti-lo, sentir sua magia.
_ Você às vezes fala demais. - Era um dom. _ Estamos ligados por uma semana devido ao nosso juramento. - Concordei, era bem melhor que pensei. _ Iremos sentir tudo um do outro, magia, emoções e essas coisas.
_ E são todas às vezes? - Ficou pensativo.
_ Não, se for algo rápido, não. - Isso até era interessante.
_ E as cobras? - Os coelhinhos estavam ali, dormindo, mas nada das minhas cobras.
Voltou a prestar atenção no fogão e me deixou o observando o que ele estava fazendo, mas acabou mudando de assunto, me fazendo pensar que tinha acontecido algo sério com elas.
_ Você deveria estar dormindo, por que acordou? Sei que nossa ligação de magia já se desfez há meses.
_ Acordei por acordar, não teve motivo, por quê? - Olhei para ele.
_ Queria levar o café para você, mas você estragou a minha surpresa. - Riu anasalado. _ Na próxima acho que pode funcionar.
_ Desculpa por estragar tudo. - Beijei seu braço. _ Na próxima fico na cama ao invés de procurá-lo. - O soltei e me sentei no balcão. _ Tom. - Resmungou. _ Conte-me.
_ Você é teimosa. - Era um elogio? _ As cobras saíram do seu corpo e foram para o meu, como os meus coelhinhos foram para o seu. - Concordei. _ As cobras podem sair do seu corpo quando você perde o controle, quando pede para elas saírem ou quando transamos.
_ Já tinha entendido isso, me conte onde elas estão. - Revirou os olhos.
_ Elas gostam de sangue de luxúria, excitado. Principalmente o meu sangue, já que sou a outra parte do seu juramento. - Cruzei as pernas. _ Elas viraram uma cobra de verdade e estão ao lado de fora, brincando com a Nagini, satisfeita?
Achei que ele iria me explicar como o corpo reage pela falta das cobras ou o poder que existem sem elas, mas pelo menos não demorou muito e já sei que elas irão voltar para mim, elas vão, não é?
_ Sim, elas irão voltar depois de duas semanas. - Piscou. _ Você está sentindo dor, não é? - Discordei, mas se ele já sabia era idiotice mentir.
_ Cólica, não estava doendo quando saí do nosso quarto, mas agora dói. - Queria mais uma poção, mas ele não iria me dar. _ Mas isso é interessante, consigo realmente sentir sua magia.
_ Podemos ter feito o juramento, mas ele não nos abandonou apenas por ter feito, nosso sangue está conectado, nosso corpo se uniu ontem como um só e nossa magia já foi unida por minha culpa.
_ Mas é mais forte que antes, parece que você está colocando uma tonelada de magia em meu corpo, é frio.
_ Se é desconfortável, posso colocar uma barreira no meu núcleo para você não sentir. Minha magia é algo anormal para certas pessoas...
_ Me faz feliz. - Ficou surpreso. _ A minha é calma e serena...
_ Quente, a sua magia é quente. - Desligou o fogão e colocou os ovos e o bacon no pão. _ E como ela sai de você, você se torna quente.
Colocou o prato ao meu lado e foi até a geladeira para pegar uma jarra de suco de uva.
_ Por isso que você sempre falou que sou quente, até mesmo a Nagini. - Colocou o suco no copo.
_ Não sou como seu pai que pode sentir a alma da pessoa, mas sou sensitivo a magia. Não de um jeito que gostaria. - Sentou-se ao meu lado e começou a comer o seu pão.
_ Você sente frio ou calor? - Comecei a comer o meu.
_ Não, posso sentir tudo a minha volta, por pelo menos uns 20 quilômetros, seja a Nagini caçando no bosque com as suas cobras, ou os elfos limpando os quartos. Isso me traz dor de cabeça, mas quando você está por perto, perto o suficiente para que eu posso te tocar...
_ Tudo some? - Concordou. _ São como vozes ou são como sentir chamas ao nosso redor?
_ Seria estranho dizer que posso sentir as vozes? - Sentir vozes...
_ Você escuta a magia! - Falei empolgada e riu. _ Você escuta a magia, mas, ao mesmo tempo, você a sente. - Era interessante. _ Deve ser horrível.
_ Já estou acostumado, mas isso me deixa irritado e com dor de cabeça, vinho acalma. - Lembrei de todas as vezes que ele bebeu vinho.
Na mansão Rosier quando nós nos conhecemos, estávamos em um bairro meio a meio, deveria ter muita magia em nossa volta.
Quando estávamos na mansão Black e ele não parava de beber taças de vinho.
Merlim, o quanto ele vai sofrer em Hogwarts não está escrito... Espera um momento, tem um lugar que pode ter vinho a vontade. Meu salão.
E o motivo dele ter um bar era para o little lord e não para os alunos se embebedarem, era para o little lord se acalmar.
_ Acho que você terá que vir muitas vezes ao meu salão. - Bebi um pouco de suco.
_ Por conta do bar? - Concordei. _ Nunca pensei em sair dele, dormirei com você, todas as noites.
_ Seria difícil se não existissem minhas passagens, mas não existe uma passagem para o meu quarto ou meu salão. - Não se importou.
_ Mas existe uma que vai até a sala precisa e posso usar a porta que leva até o seu salão. - Era complicado, mas era melhor que nada.
Fiquei pensando se ele ficou ainda mais irritado com os pesadelos que sofreu, se ele escondeu isso de mim quando veio me visitar pela primeira vez, com certeza ele fez isso. Pensando que não iria entender ou algo parecido.
Mas ele já fez tanto por mim, e continua fazendo, por que sempre deixo isso acontecer? Ele estava sofrendo bem na minha frente e nem mesmo percebi.
_ Não pense em coisas depreciativas, se você ficar assim não irei contar o restante. - Beliscou minha bochecha. _ Mato a magia ao meu redor para não as escutar, mas... - Pegou minha mão livre. _ Quando a toco, a sua magia bloqueia essas sensações, essas vozes.
_ Sou sua droga e você sempre esteve viciado na minha magia. - Concordou prontamente.
_ Sempre estive viciado em você, tanto magia, corpo ou caráter, sou totalmente dependente de você. - Beijou o conto do meu olho. _ Quando você não está, uso o vinho e quando estou concentrado...
_ Você não percebe ninguém em sua volta. - Concordou e voltamos a comer. _ Já tinha reparado nisso.
Deve ser por isso que ele e a L1 morreram na primeira vez, little lord estava muito concentrado na batalha e não viu a espada sendo direcionada para si.
Depois de anos algumas coisas fazem mais sentido do que faziam sentido na época.
_ São essas coisas que você deveria me contar e não contou? - Bebi um pouco do suco.
_ Não e sim. - Não reclamei, já que tinha uma pergunta para fazer em relação a ontem.
_ O que o Troy queria ontem? - Ficou emburrado e percebi que deveria ser nada grave.
_ Apenas que Greengrass mandou uma carta perguntando o motivo de ter trocado os nomes, bom, ele não irá para a família Avery, então temos tempo para resolver o problema da família Malfoy primeiro.
Ele estava certo, não precisamos nos importar com a família Greengrass agora, ainda mais quando tínhamos a Malfoy para ganhar a confiança.
Mesmo meu bisavô gostando de mim, isso não quer dizer quase nada, já que conversar por trinta minutos não era considerado íntimo o suficiente para me dar sua família.
Bebi mais um pouco de suco, vendo quatro cobras entrando pela porta dos fundos... Pensei que elas estariam unidas, mas estavam separadas e pareciam realmente cobras negras e não, uma tatuagem que sempre se mexia.
_ Mestres... - Pareciam felizes.
Elas deslizaram pelo chão até ficarem em uma posição privilegiada da minha visão, já que elas sabiam que queria perguntar uma coisa a elas.
_ Quando tomei aquela poção para mudar, vocês ficaram bastante agitadas, por quê? - Olharam-se e terminei de comer.
_ Queríamos nos adaptar ao seu corpo pequeno, mestraaa. - Talvez essa fosse a cobra que ficava na minha cintura, não sabia diferenciá-las.
As outras duas cobras me olharam e me deram linguinha, parece que elas não gostavam de mim, ou não gostavam de certas ações minhas. Porém, Nagini estava me olhando vislumbrada e parecia que iria gritar para todos o que achava de mim, espero que sejam coisas boas.
_ Salvamos ela quase sempre, mestreee. Tivemos que limpar o sangue dela todas as vezes que ela se injetava Veritaserum, quase morremos. - Dramática.
_ Merecemos mais sangue para ficar fora do corpo dessa suicida, não é, mestree? - Ela me chamou de quê?
Prefiro a que fica na minha cintura e não essas esnobes e idiotas, elas poderiam sumir... Assim acabaria morrendo por veneno ou algo tipo, mesmo não morrendo de fato.
_ Claro, só se a coelhinha quiser. - Se esse homem não fosse comprometido, teria pedido ele em namoro...
Ri um pouquinho desse pensamento idiota, esse homem já era meu namorado e só precisava pedi-lo em casamento.
_ Vocês me insultaram, então não vou liberar o sangue do meu namorado para vocês, saiam daqui. - Ficaram chocadas, de sua forma estranha de se expressar.
Tom ficou me olhando, enquanto as cobras diziam tudo que tiveram que passar comigo, todas as tentativas que tentei acabar com a minha vida e até mesmo contaram quem tentou algo comigo.
Mas logo saíram da cozinha para algum lugar quente da casa, queria ter conversado com a Nagini, já que ela não se lembrava de mim a diminuindo como um bichinho de bolso... Acho que seja melhor assim.
_ Minha namorada. - Sorri e concordei. _ Quero minha marca, você me prometeu. - Mostrou o braço.
Certo, tinha que fazer sua marca e ele em mim, mas não queria que sua marca fosse algo simples. Entretanto, não consegui nenhum desenho que preste e desisti, pensando que ele iria esquecer que prometi isso.
Mas percebo que não, little lord nunca esquece nada que falo, mesmo que seja algo banal, dito há quatro anos, ele irá se lembrar, mesmo nunca estando comigo quatro anos atrás.
_ Queria que sua marca fosse diferente, uma marca apenas para você. - Segurei minha mão contra o peito.
_ Que tal um coelho matando uma cobra? - Abri e fechei a boca.
_ Como um coelho fofo pode matar uma cobra? - Bufei, tentando não rir de como podíamos ser idênticos.
_ Por que tenho a leve impressão de que você também pensou nisso? - Porque pensei.
_ Nunca pensei em algo assim. - Ri e apenas dei de ombros. _ Era uma boa ideia, tá legal?
_ Nunca falei nada. - Levantou os braços. _ Tem que ser algo significativo para mim e para você.
_ Para você é fácil, cobra, caveira, morte...
_ Você. - Deitou-se no meu ombro.
_ Mas não sei quase nada sobre mim e olha que sou eu.
_ Coelho, Hogwarts, dragão, escorpião, lótus, vira-tempo, gatos, boneco de neve. - Belisquei sua bochecha. _ Tem muitos símbolos, só temos que combinar.
_ Você esqueceu um. - Levantou sua cabeça.
_ Qual? - Parecia realmente confuso.
_ Rosa. - Peguei seu braço e mentalizei uma imagem.
Mas nenhuma faísca saiu dos meus dedos, nem mesmo a imagem que idealizei para esse momento, como se ela não pudesse ser registrada em sua pele.
Seu antebraço continuava limpo e me sentia patética, minha magia poderia estar estranha, mas nunca me deixou na mão como agora.
O olhei, esperando seu olhar de "está tudo bem", mas seu olhar estava seu peito e segui sua visão, me deparando com uma tatuagem de linhas vermelhas se formando em seu peito, bem em cima do seu coração como se fosse protegê-lo.
Era uma rosa matando uma cobra, o caule espinhoso da rosa estava envolta do corpo da cobra, como se com sua força e espinhos pudessem matar a cobra.
Era linda e meus dedos não se contiveram em alisar a tatuagem recém feita.
_ Não pensei em fazer isso. - Senti a cobra mexer um pouco e os coelhos subiram, indo brincar perto daquela nova marca/tatuagem.
_ Não achei ruim. - Isso era bom. _ Apenas você que pode ver, não é?
_ Bom, é uma marca diferente dos outros, então, sim. - Sorriu.
Pegou meu dedo e com ele dedilhou sua tatuagem, como se gostasse que eu o estivesse tocando, se ele gostava era só pedir e faria sem pestanejar.
_ Você só tem três marcas e vou ter nove. - Não contei as marcas nas minhas costas que aquele desgraçado fez, já que não dava para contar.
_ Você queria que eu tivesse mais? - Afrouxou um pouco o meu roupão e deslizou seu dedo indicador até o meu seio.
_ Não acha injusto que eu tenha mais? - Não desceu mais e sinto o cheiro de pera.
_ Talvez.
Ardeu um pouquinho, mas em pouco segundos pude ver uma cobra enrolada em uma rosa, a cobra estava mordendo a rosa com suas presas que pingavam veneno e hostilidade.
_ Linhas vermelhas...
_ Deve ser devido à nossa conexão. - Concordei e levantou meu queixo.
_ O quê?
_ Estou com um pouco de inveja dessa tatuagem. - Alisou. _ Ela sempre estará com você, meio injusto.
_ Devo ficar com ciúmes dos coelhos? - Levantei uma sobrancelha.
_ Você tem um ponto indiscutível. - Sempre.
