_ Você precisa ir, antes que minha cabeça pense em coisas irreais.

_ Tipo? - Distanciei dele.

_ Não deixar você ir. - Sorri e chamei a Debby.

_ Mestra. - Sorriu contente. _ Já está na hora de ir?

_ Sim, antes que o little lord me prenda nesta casa. - Peguei minha varinha e logo em seguida sua mão.

_ Seus cabelos estão grandes o suficiente para se tornar a Rapunzel.

_ Seria estranho, não acha? - Ficou confuso. _ O príncipe me prendeu na torre, ao invés da bruxa. - Desapareci antes que falasse algo.

Cambaleei um pouco para frente e olhei para a Dorea que estava assustada com a minha aparição repentina. Ajeitei minhas roupas e sorri para todos no vagão.

_ Obrigada, Debby.

_ Até mais tarde. - Sumiu e me sentei ao lado da menina que tentava acalmar seu coração.

_ Você está atrasada. - Disseram os quatro e fiquei confusa.

_ Não, não estou. Afinal, estou no trem e se estivesse atrasada não pegaria o trem. - Pontuei e reviraram os olhos. _ O que aconteceu?

_ Nada, bom, Dumbledore estava te procurando e falei que você me deixou ir à frente e que você já estava vindo. Até pensei que ele iria procurar em todos os vagões por você, felizmente não fez isso.

_ Mais o quê? - Olhei para a minha mala.

_ A sua coruja já tinha ido embora, então apenas diminui a sua gaiola e a coloquei na sua mala. - Concordei. _ E os gatinhos estão andando por aí, depois eles voltam.

_ Entendo. - Olhei para seus braços e fiquei curiosa.

Entendia como a marca funcionava em teoria, mas, na prática, não. Deveria ter testado no little lord para não causar dor nessas pessoas, já fiz tantas coisas para acabar com a confiança em mim, que é um milagre eles estarem aqui.

Tento sentir todas as marcas que estavam nesse trem e um fio que estava saindo de mim, se partiu, me mostrando cada marca existente no trem.

Toquei a linha que estava ligando a marca da Safira e tudo que ela fez, até aquele momento, apareceu na minha cabeça como um filme. Era impressionante.

Desfaço a conexão e sorri para eles.

_ Você parece feliz. - Safira comentou. _ Isso é bom, ontem você estava fora de si. - Mas não fiz nada, apenas puni...

_ Isso acontece de vez em quando, nada demais. - Dei de ombros e voltei a olhar para a janela. _ A bruxa já veio? - Com toda a certeza.

_ Já, e já entreguei o dinheiro a ela, você está me devendo. - Concordei.

_ Ao invés de dinheiro, vou te dar a sua lua de mel. Apenas me diga o lugar e irei pagar.

_ Boazinha demais, ganhou uma aposta e não estamos sabendo? - Ector perguntou.

_ Apenas acordei de bom humor, vocês não gostaram? Posso mudar.

_ Não, essa sua personalidade é excelente, fique com ela por mais vezes. - Sorriu.

Olhei para o Charis e Safira, e eles me olharam, como se soubessem o que estava perguntando. Mas, na verdade, não estava perguntando nada.

Apenas quis olhar para eles, sentiria saudades dos dois, mas ainda tenho essas duas pestes ao meu lado e elas valiam por cinco.

_ Charis vai cuidar da família, já que tem idade suficiente para tomar os negócios. - Comentei. _ Mas ainda não sei sobre você, Safira.

_ Mandei uma carta para o Profeta Diário, só estou esperando me responderem. - Sorriu tímida.

_ O Profeta, no futuro, ele estava competindo audiência com o jornal dos loucos. - Não lembrava mais o nome do jornal. _ Lembro que uma jornalista tentou me proteger na frente daqueles idiotas e sabe de uma coisa? - Apenas ficou esperando. _ Por conta de suas palavras e de tentar me proteger, ela foi arrastada para fora da sala de audiência.

_ Ainda não entendo o motivo de você ser presa, o que você fez? - Charis perguntou.

_ Neguei entregar os documentos que eles queriam, neguei a perder minha magia e neguei a cooperar com eles.

_ Você não voltaria ao seu passado e mudaria isso? - Neguei. _ Por quê?

_ Não posso mudar o meu passado, mas posso mudar o de vocês. - E mesmo se pudesse, não mudaria nada.

Nada na minha vida é certo e ela é como uma montanha-russa, mas que ninguém está controlando. Não sei quantas voltas, subidas e descidas que irei dar.

A única coisa que posso ter certeza, que nesse carrinho que estou, não estou sozinha.

Encostei a cabeça na parede do vagão e fiquei pensando em coisas que até agora não fazia sentindo. Como, por exemplo, deveria ir atrás dos meus gatinhos?

Não estava com paciência para isso e nem com energia. Posso ter dormido e tomado poções, mas parece que fui atropelada milhares de vezes.

_ Acho que vou pedir a Debby para levar os meus gatinhos para a mansão.

_ Pensei que você iria para a sua casa trouxa. - A olhei. _ Mas seria melhor mesmo, assim você não fica com tanta bagagem.

_ Mas o mais interessante disso tudo, é que o nome do seu gato é Tommy e ele tem olhos vermelhos como o seu namorado. - Ector zombou e concordei.

_ O nome também. - Olhei para a luz da cabine. _ Os dois chamam Tom, só que acabei me acostumando a chamá-lo de Tommy. - Ficaram me olhando. _ O quê?

_ Nada. - Sorriram.

_ E como ele está? - Safira perguntou. _ Ele parece ser uma pessoa distante, mas você deve saber como contornar a barreira que ele ergue.

_ Bem, apenas irritado com algumas coisas, mas nada demais. - Para mim não é nada de mais, mas para ele deve ser um absurdo.

Dorea pegou a minha mão e ficou olhando o meu anel, o que deu nela? Ela está com mania de mãos agora? Ou talvez seja para ver qual modelo de anel ficaria melhor em seu dedo.

Essas coisas de casamento parecem ser complicadas, um dos motivos que não vou me casar com tantas regalias.

Apenas terá um cerimonialista, eu e meu noivo... Bom, e o Ector.

Um casamento escondido da população bruxa, apenas um casamento que tenha quatro pessoas...

_ Podemos ver os Testrálios. - Fiquei sem entender e pedi que ela continuasse. _ Menos o Charis, já que ele ajudou tirar os alunos da sala.

Certo, os três viram os corpos mortos daqueles dois e agora podem ver aqueles cavalos de osso, isso não era tão ruim.

_ Quando você se for, a guerra estará nas mãos do seu little lord. - Ector comentou e concordei. _ Os alunos mais velhos devem ficar sabendo disso. - Concordei.

_ Podemos fazer aquela reunião que todos propuseram. - Observei os quatro. _ Ector, é sua vez para me provar seu valor, quero que lidere a reunião.

_ Isso! - O que ele planejava com essa reunião? _ Irei mandar uma carta para todos e avisar que será uma das mansões Rowle. - Fiquei o olhando. _ Se quiser aparecer para ensinar aquilo ou novos feitiços, fique à vontade, irei te mandar o endereço.

_ Tudo bem, mas não prometo. - Olhei para as meninas. _ Vocês devem me visitar para pegar suas roupas, iria trazer, mas não sabia qual pegar.

_ Ok. - Sorriram.

_ Voltando um pouco do assunto do começo, Charis será o chefe da família e meu estrategista, irá trabalhar muito com o little lord, espero que vocês se deem bem.

_ Espero não morrer. - Arrumou os óculos. _ Safira estará com toda a certeza no jornal, ela poderá fazer a cabeça das pessoas e o jornal em poucos anos será seu.

_ Isso seria maravilhoso. - Umas das coisas que pensei iria se concretizar.

_ Sou sua administradora e sempre estarei ao seu lado, menos em Hogwarts. - Dorea comentou. _ Só tenho mais um ano.

_ Não se preocupe, isso já é o suficiente, e você poderá me ajudar com os Irmãos da Safira e com a sua família. - Até 1943.

_ Farei o meu melhor. - Ector ficou pensativo.

_ O que foi?

_ Percebi agora que terei que voltar para casa se quiser tomar posse dos meus direitos. - Suspirou. _ Não posso ficar fugindo, ainda mais quando estou noivo.

_ Ector... - Dorea segurou sua mão. _ Estarei com você, seus pais não devem ser os mesmos de antes, você não é...

_ Tudo que faço é errado para eles, mesmo a mamãe ajudando minha sogra sobre o nosso casamento, aposto que ela quer é o dote.

_ Sua família é realmente horrível, não quer matá-la de uma vez? - Perguntei.

_ Mesmo eles sendo horríveis, são a minha família. - Certo, eu que sou insensível.

Tudo que é peso morto jogo para escanteio.

_ Vou com você, você não vai aguentar aquelas pessoas te menosprezando, sou sua noiva e irei estar ao seu lado. - Isso era incrivelmente fofo, mas por que parece que essa frase pode ser entendida de um jeito diferente?

_ Obrigado. - Era confuso a vida dessas pessoas.

Mas pelo menos sei que eles não estão apenas do meu lado para me servir como suporte, que eles têm problemas e que precisam de ajuda como sempre preciso.

Eles têm vida.

_ Qualquer coisa me envie uma carta, posso ajudar se for o caso. - Concordaram. _ E vocês dois, não se desgastem tanto com sua nova vida, não quero ir em funeral de ninguém.

_ Faremos tudo que pudermos para que você não tenha que ir ao nosso funeral. - Charis zombou. _ Fique tranquila. - Concordei e fiquei olhando para a janela e pensando em coisas sem sentido mais uma vez.

Dessa vez foram pensamentos que não queria, algo que me trazia lembranças dolorosas, mas na época... Na época foram lembranças maravilhosas.

"Segunda mãe!"

Era um dos dias que mais amava naquele lugar, o dia que o meu bebê me visitava e corria para me abraçar.

Aqueles olhos grandes e cinzentos, fazendo contraste perfeito com os seus cabelos loiros. Ele era a coisa mais fofa que já tinha visto em toda a minha vida e era meu, meu bebê, meu afilhado e primo de algum grau.

Mas logo em seguida dessa voz fofa e do abraço apertado, pude escutar a voz potente do homem me chamando de mamãe. Ainda não tinha certeza se era alucinação ou apenas...

Apenas que ele encontrou uma forma de se conectar comigo, de falar que está tudo bem e que nada era a minha culpa, que não o fiz perder os pais por não pensar demais.

Queria pedir desculpas para ele e dizer que tudo vai dar certo, ele vai nascer e terá seu papa novamente, meu bebê terá uma linda família e eu... Vou pedir perdão a eles, perdão por não os escolher no final de tudo.

Porque sempre será o little lord, apenas ele.

Vejo a porta se abrindo e dois pestinhas entraram voando na cabine, fazendo que parecesse dois anjinhos.

_ Vocês aprontaram alguma coisa? - Miaram. _ Tem certeza? - Os fitei e pularam em mim. _ Também senti saudades de vocês essa noite.

_ Você falando assim com eles, até parece que eles te entendem. - Ector pegou sua mala.

_ Mesmo que eles tenham feito algo, não brigue com eles, eles são crianças ainda. - Eles são mimados demais.

_ Safira, não os mime. - Apenas riu se levantando. _ Vou chamar a Debby e vocês irão para a mansão, escutaram? - Tombaram as cabeças para o lado. _ O jardim é amplo e dá para se divertir, mas os escritórios e a biblioteca estão proibidos.

_ "Miau".

_ Sim, vocês irão ver a Nagini. - E mais três cobras. _ Agora, não quero saber que vocês querem dominar o mundo. - Ficaram ofendidos. _ Pensaram que eu não sabia?

_ Eles são iguais à dona, loucos. - Ector riu e dei o dedo do meio para ele.

_ Ursinho, ela é tão má comigo, bate nela. - Chamei a Debby.

_ Você quer que a sua noiva morra? Ontem foi uma coisa, mas você não vale a minha vida jovial. - Posso rir?

_ Amor-próprio é hilário, não acha, Ector? - Sorri e ele me mostrou o dedo do meio. _ Quer morrer? - Fingi sacar a varinha.

_ Chamou, mestra? - Ector suspirou aliviado.

_ Sim, Debby. Você poderia levar os gatinhos? - Mostrei os dois diabinhos para ela. _ Acho que a Milita já deve ter chegado, ela é uma coruja tão esperta. - Diferente de mim, que sempre a esquece.

_ Sim, ela chegou alguns minutos atrás e o mestre ficou brincando com ela, enquanto trabalhava.

Ele não descansa nem por um segundo, ele é realmente viciado em trabalho?

_ Certo, diga que já cheguei quando você voltar. - Concordou e pegou os bichanos. _ Vejo vocês em casa. - Dei tchau e eles sumiram.

_ Vamos? - Charis já estava com a mala em mãos.

Apenas concordei e levantei pegando a minha mala. Ector e Dorea foram à frente e logo os segui, mas por que as posições deles são tão estranhas?

Dois na frente, um no meio e dois atrás, até parece que estão protegendo alguém... Não, alguém não, a mim.

_ Senhorita Granger. - Entendo o porquê.

O velho que me observava com os olhos cintilantes, parecia que estava esperando esse momento há muito tempo.

_ Professor Dumbledore. - Sorri amigável. _ Dorea me contou que você queria falar comigo, não quis atrapalhar você em sua cabine, então...

_ Vejo sinceridade em suas palavras, senhorita Granger e isso é raro de se encontrar nesse mundo tão caótico que estamos vivendo. - Essa frase me lembrava do Slughorn.

Mas o que ele queria dizer? Papai... Grindelwald fez algo que não estou sabendo? Mas o little lord iria me contar, não é?

Não, se isso pudesse me deixar irritada, ele não contaria, mas os meus amigos não me contariam?

_ Aconteceu algo mais preocupante que a guerra, professor? - Olhou para os meus amigos. _ Vocês podem ir, mandarei uma carta quando puder...

_ Mas, Leesa...

_ Safira, você deve estar cansada. - A olhei. _ Você não quer descansar mais cedo? - Mordeu os lábios, mas não continuou.

_ Certo, quero descansar, mandarei uma carta a qualquer momento.

_ Ficarei ansiosa. - Despediram-se e se foram. _ Assim está melhor, professor?

Olhou-me e deu espaço para que entrasse em sua cabine. Certo, devo entrar e tentar entender o que ele quer.

Passei por ele e me sentei no assento, o vendo fechar a porta da cabine e se sentar a minha frente.

_ Seus amigos continuam protetores. - Concordei e alisei a mala que estava no meu colo.

_ Desde daquele dia, professor. - Compreendeu. _ O que queria falar?

_ Não precisa ficar tão na defensiva, senhorita, não mordo e nunca mordi. - Mas conspira e faz coisas que me irrita. _ Acho que os meses que não tivemos uma conversa, nossa convivência se deteriorou.

_ Só estou cansada e animada para rever meus pais, não é nada pessoal. - Sorriu e voltou ao assunto principal.

_ Sempre recebo do diretor Dippet um pergaminho contendo nomes de alunos para esse ano.

_ Certo.

Mas o que tenho a ver com isso? Meli já colocou o nome do little lord e não me importo com outras pessoas nessa lista.

_ Deve parecer um pouco estranho para a senhorita essa conversa, mas quero que nossa conexão seja mais ampla.

_ Ampla. - Repeti. _ O senhor quer a minha ajuda? - Sorriu. _ Para visitar essas pessoas?

_ Não, apenas uma.

_ Um nascido trouxa como eu? - Tombei a cabeça.

_ Sim, mas o garoto é muito paranoico e acha que todos estão contra si...

_ Você o visitou? - Discordou. _ Então como sabe disso?

_ Mandei uma carta para a matrona do orfanato e ela me confidenciou isso, mas o que quero da senhorita é uma pequena ajuda. Você é boa com as palavras e deve ser capaz de domar a fera.

_ E se não for como a matrona diz? E se for apenas um menino que foi negligenciado pelos adultos e virou assim?

_ O mundo não é perfeito, mas não podemos colocar todos nessa mesma perspectiva. Coloque você, como exemplo.

_ Sou da Sonserina, mas ajudo todos...

_ Sim. - Mas você está esquecendo de um ponto, velho caquético.

Você não ouviu nada sobre a minha pessoa e apenas pegou pequenas coisas sobre mim, e me colocou como sua prioridade. Seja para eliminar ou colocar ao seu lado, porém, fiz todo o trabalho para moldar o que as pessoas achavam de mim.

Mas foi só você ler uma carta, que você colocou em sua cabeça que o garoto/little lord é uma pessoa problemática e que o garoto é o capeta encarnado.

Você está se baseando em palavras de uma pessoa que não é capaz nem de descascar uma batata.

Bom, continue assim, quando a espada penetrar o seu coração por seu comportamento incompetente, não me olhe com esses olhos brilhantes e animados, quero que me olhe como se fosse a morte.

_ Bem, é só uma ideia e as aulas puderam me ajudar a entender o nível de seu intelecto, mas não consigo entender como você sabe tanto em tão pouco tempo.

_ Já disse que preciso perguntá-lo. - Sorri.

_ Você acha que estou sendo invasivo? - Acho.

_ Não, o senhor tem seu próprio objetivo nisso tudo, só preciso entender qual é. - Sorri ainda mais. _ Acho que já devo ir. - Levantei e ele também.

_ Mandarei uma carta para a sua residência quando eu for ao orfanato. - Concordei.

_ Mudei de casa, isso não afeta a sua coruja, não é? - Concordou. _ Desculpe, mas poderia me falar o que queria dizer com as suas palavras do começo?

_ Sinto que cada dia que passa as trevas surge de direções que nunca imaginei olhar. - Suspirou. _ Os companheiros de batalha que tive ao longo da guerra, já estão casados e tendo seus filhos.

_ Como o senhor Scamander. - Concordou. _ O senhor quer novas pessoas para te ajudar. - Falei compreensiva. _ Por isso que o senhor está me testando. - Ficou surpreso, mas sei que ele não estava surpreso.

_ Acho que fiz bem em te escolher, senhorita. - Sorriu amoroso.

_ Professor, se o senhor quiser confiar em mim, poderei ser sua espada. Sei que sou nova e apenas tenho doze anos. - Onze. _ Mas sei muita coisa e o senhor viu isso.

Continuou sorrindo e olhei para fora.

_ Meus pais querem me casar, querem tirar a minha magia para que eu seja normal. - Gaguejei um pouco. _ Não quero ser normal, quero ser livre, quero ser uma bruxa que dê orgulho a minha comunidade e país. E se eu puder ajudar o senhor...

_ Seus pensamentos são louváveis, que pena que temos uma guerra interminável pela frente. - Parecia chateado. _ Estou velho e minha barba apenas continua crescendo.

_ Acho a coisa mais adorável do senhor, ainda mais com essas roupas que passou a usar. - Sorri. _ Posso ajudá-lo quando o senhor quiser, apenas me fale com antecedência.

_ Tem certeza? - Olhou-me através de seus óculos meia-lua.

_ Sei que não brincaremos de casinha, sei que existe a guerra e ela parece nunca acabar, mas se quero ser alguém, que o senhor se orgulhe e deposite sua confiança em mim. Farei tudo que desejar, confio no senhor.

_ Palavras apaixonantes para uma menina de sua idade, te darei uma resposta quando nos encontrarmos novamente. Tudo bem?

_ Claro, professor. - Sorri contente. _ Então, até qualquer dia, professor.

_ Até. - Saí da cabine e continuei andando até sair do trem.

Não tinha tantas pessoas e isso facilitava a minha busca por aquelas pessoas, mas só tinha minha "mãe". O que ela está pensando? A gente vai de ônibus?

_ Mamãe! - Corri para abraçá-la e ela me abraçou. _ Senti tanta a sua falta. - Que mentira, nem mesmo me lembrava dela.

_ Como passou as comemorações? - Pegou minha mala.

_ Foi ótimo, conheci uma pessoa e... - Será que minhas bochechas estão vermelhas, espero que sim.

_ Conheceu uma pessoa? - Saímos da estação 9¾ e continuamos caminhando.

_ Sim, ele é um dos descendentes de uma escola famosa e parece que é muito rico. - Sou mais rica.

_ Gostou dele? - Concordei sorrindo, mas ela não estava. _ Deveria ter nos avisado. - Para quê?

_ Aconteceu algo? - Entramos no estacionamento e meu "pai" estava conversando com um homem que parecia um porco...

Parei de andar e olhei para ela, que me olhou com um pouco de raiva, mas não falou nada.

_ Vocês me venderam? - Perguntei.

_ Ele é um dos generais mais promissores de...

_ Não quero saber se ele é coronel ou general, vocês me venderam? - Não falou e apenas continuou andando.