Posso gostar de morar no passado, mas certas coisas são horríveis. Vender a própria filha para benefício próprio era algo que nunca vou entender.

Acho que fiz bem em matar a garota, ela não iria aguentar viver assim ou ia, ela nasceu nessa época e eu não.

Poderia simplesmente fugir, mas minha bolsa estava na mala, poderia matá-los, mas a Granger não iria nascer. Poderia tudo, mas não posso fazer nada.

Eles me olharam e suspirei.

Aguente as consequências, Leesa. Você que escolheu a família Granger, então aguente tudo que você não deduziu.

Caminhei até eles e vi minha mala sendo colocada no porta-malas.

Seus pais me falaram muito sobre você, senhorita Granger. - Por que ele está suando? Ele fez algum exercício até aqui?

Espero que seja apenas coisas boas. - Afogue com seu próprio suor, seu arrombado de merda!

Sim, ainda mais por não ter um companheiro ainda. - Sorriu me analisando, enquanto secava seu suor com o lenço.

Não posso matá-lo, sou uma boa pessoa.
Não posso matá-lo, sou uma boa pessoa.
Não posso matá-lo, sou uma boa pessoa.
Não posso matá-lo, sou uma boa pessoa.
Posso matá-lo e não sou uma boa pessoa...

Leesa, entre no carro. - A mulher falou e apenas dei a volta e entrei no carro. _ Onde estão os seus gatinhos?

Devem estar em casa. - O porco entrou, se sentando ao meu lado.

Alisei meu anel e fiquei olhando para o lado de fora. Merlim, me dê paciência.

O que acha de mim, senhorita? - Um porco falante.

Minha mãe disse que o senhor é um general renomado, acho que faz jus a posição. - Vou quebrar os seus ossos e dá-lo de comer para os outros porcos.

A senhora Granger sabe das coisas. - Vejo sua mão passando pelo lado da mulher, nojento.

O senhor é muito gentil. - Sorriu e não parecia desconfortável.

Ela está acostumada ao assédio? Por que ela não fala? Tem medo de que seu marido não vire nada mais que um tenente-general?

Mas é a sua integridade, a sua honra e dignidade. Esse tempo era nojento para essas coisas, na verdade, os trouxas são nojentos e o bruxos também.

Ninguém se salva, nenhuma raça.

Senhorita Granger, você pretende ter muitos filhos?

Não. - Tossiu.

Leesa! - A mulher me repreendeu. _ Desculpe, senhor, ela ainda é nova e não entende das coisas.

Entendo o suficiente para saber que não quero ter filhos. - Não nesse tempo.

Será que eles terão os mesmos olhos que os filhos do little lord? Ou serão trigêmeos? Espero que não, odeio sentir dor.

Seu marido terá muitas amantes, se continuar com esse pensamento. - Olhei para ele.

Se ele tiver, posso divorciar e seguir a minha vida. - Riram.

Será que nessa época ainda não existia divórcio? Coitada das mulheres, se esse pensamento realmente estiver correto, que horror seria conviver com esse tipo de gente por toda a vida.

Nenhum homem vai querer perder o seu brinquedinho. - Vi sua mão tentando me alcançar.

Ainda bem que meu futuro marido não me vê como um brinquedo e sim, como a coisa mais rara de sua vida. - Bati em sua mão. _ E não me toque.

Sua filha precisa de disciplina. - E você merece apodrecer na cadeia.

Vamos fazer isso quando chegarmos em casa. - Bastian falou pela primeira vez.

As pessoas enganam e se enganam tanto, que machucam as pessoas em sua volta.

Será que Bastian gostava da sua esposa e odiava ver o seu superior fazendo isso com ela? Ou ele gostava de outra pessoa e acabou se casando por conta dos seus pais?

Uma mulher precisa de modos e saber respeitar o seu futuro marido.

Não, não precisamos. - Olhou-me. _ O que precisamos é de respeito e você não tem, ainda mais por estar alisando a minha mãe. - O carro freou.

Leesa! - Disseram.

Se vocês gostam de ter uma vida assim, o problema não é meu, mas não me coloquem nesse meio nojento de vocês. - Saio do carro, abrindo o porta-malas com magia e tirando minha mala daquele lugar.

Antes que pudesse fechar o porta-malas, meu braço é puxado e olhei para o porco.

Você precisa de disciplina e sei muito bem como fazer isso. - Rangi os dentes e puxei meu braço de seu aperto.

E você precisa morrer. - Passei por ele e entrei em casa. _ Velho asqueroso, tomara que infarte. Não, tomara que uma bomba caia em sua cabeça.

Subo para o segundo andar, tentando sentir alguém em casa, mas ela estava vazia.

Por que ele não chegou ainda? Ele disse que sabia o horário do trem e mandei os gatinhos como aviso, ele deveria já ter aparecido, não é?

Não, talvez ele esteja organizando algo, ele não é um desocupado...

Coloquei a mala na cama e a abro, vendo a gaiola e minha bolsa, colocando a gaiola em seu devido lugar.

Leesa! - Peguei minha bolsa e a olhei. _ Como você pôde falar aquilo?

Fui até ela, estava cansada de aguentar tudo isso calada e como o little lord vai fazer aquele clone, posso falar umas boas verdades a essa mulher.

Você gosta? - Deu um passo para trás. _ Você gosta daquelas mãos em seu corpo, enquanto o seu marido está ao seu l... - Tentou me bater, mas segurei sua mão no ar. _ Patético.

Meu rosto deve ser muito atrativo para receber tapas, felizmente fui mais rápida que essas mãos que só servem para servir e cuidar.

Você não é a Leesa. - Ah, descobriu. _ Minha menina não falaria assim, ela sabe se comportar...

Tombei a cabeça e a olhei tentando juntar as peças, mas nenhuma memória da menina dizia que ela foi abusada e não podia fazer uma confirmação, já que simplesmente apaguei as memórias dos dois.

Quem é você? - Sorri. _ É um demônio? Uma aberração? - Começou a gritar.

Isso é cansativo. - Arrumei a bolsa. _ Você é irritante, ajoelhe-se. - Minha magia a fez se ajoelhar.

Ela tremeu quando a toquei e essa sensação era maravilhosa. A sensação de ser temida.

Fiz uma pergunta, Lisandra.

Seus olhos eram lindos quando os vi pela primeira vez, mas agora eles eram nojentos. Devo arrancá-los?

Fiz isso por minha família, Bastian nunca teria a posição que tem hoje apenas por força de vontade. - Olhei para a porta e gargalhei.

Escutou isso, papai? - A mulher olhou para trás e rastejou até ao homem. _ Ela disse que você nunca foi capaz.

Esse dia está cada vez mais cansativo, quero dormir e esquecer que esse dia aconteceu.

Não posso matar ninguém, mas se eu matasse essas pessoas, a sangue-ruim não iria existir e um dos meus problemas estaria resolvido.

Não, isso seria algo misericordioso demais e eles não tiveram misericórdia comigo.

Quem é você? - Parei de pensar e olhei para ele.

Sou a Leesa. - Mas não a sua filha. _ Pessoas mudam, vocês também não mudaram?

Ela não é a nossa pequena, meu amor. - Ele a empurrou. _ Bastian! - Falou chorosa.

O meu brinquedinho está estragado, devo consertá-lo mais tarde.

Mulheres eram apenas brinquedos e não pessoas pensantes, mas não ligo para essa mulher. Não ligo para muitas coisas nessa vida...

Isso não vai acontecer. - Peguei a minha varinha e apontei para ele. _ Devo começar a ser dócil com vocês, mas isso é algo que falta em mim. - Cordas mágicas enrolaram em seu corpo e o vejo cair de joelhos no chão.

A mulher se juntou a ele e ficaram me olhando. Esse olhar, o olhar de medo de que tanto gosto de ter em cima de mim, como se o poder de suas vidas estivesse em meus dedos.

Mas antes que eu pudesse perguntar onde estava o porco, escutei pessoas no corredor e isso era péssimo. Tudo bem, dou conta de pessoas, não sou uma inútil.

Fiz um feitiço de silêncio nos dois e fiquei atenta para a chegada das pessoas.

Ordeno que me solte! - A voz era do porco e a confirmação veio quando ele caiu no chão, como um pedaço de merda.

Terei que jogar essas luvas fora, se eu quiser tocar na minha coelhinha. - Little lord. _ Meu amor. - Sorriu e acho que poderia ter um infarto por ver aquele sorriso.

Tom. - Revirou os olhos. _ Obrigada por pegar o porco. - Caminhou, pisando no homem que gemeu de dor.

Sempre as suas ordens. - Tirou a luva e se ajoelhou no chão, enquanto beijava a minha mão.

Coloquei a mão em sua testa e estava quente, quente demais. O que aconteceu com ele? Por que ele estava queimando de febre?

Little lord, o que houve? - Falei preocupada demais para ver aquelas pessoas.

Fiz o clone como a minha coelhinha pediu. - Colocou a minha mão em sua bochecha. _ Mas isso traz efeitos colaterais ao meu corpo.

Seu idiota! Por que você fez isso? Você deveria ter me falado que ficaria doente! - Fiquei nervosa.

Você não deixaria que eu fizesse e apenas estou doente, não estou morrendo. - Mas era como se fosse.

Você não tomou nenhuma poção?

Não resolve, poções são magia branca e a magia que fiz não é pura. - Descansou sua cabeça no meu ombro. _ Isso dura um dia, ficarei bem.

Bem uma ova, olha o seu estado. - Estava péssimo. _ Você parece um cachorro sentindo falta do dono.

Mas senti. - Seus olhos estavam semicerrados e seus lábios vermelhos demais.

Queria beijá-lo, mas deveria acabar com isso logo e levá-lo para casa, ele estava suando demais.

O clone... - Abraçou-me forte e sua respiração estava desregulada.

No andar de baixo, sentada vendo televisão. Ela tem sua personalidade, pensa como você, tem seus jeitos e trejeitos. Fiz com perfeição.

Obrigada. - Alisei seu rosto e pensei em dar o meu sangue para ele. Meu sangue não era magia pura...

Ele continha magia, mas era uma maldição. Porém, não vou dar meu sangue para ele aqui.

Faço que a minha magia o levitasse e olhei para as três pessoas que olhavam tudo aquilo temerosos (?)

Suspirei e apontei a minha varinha para a mulher, deveria fazê-la sofrer por conta de suas palavras e ações. Mas tenho algo mais importante do que punir uma simples trouxa.

Tenho que cuidar da minha família.

Obliviate. - Falei e reorganizei as suas memórias.

A tirei das amarras e saiu do quarto, como se estivesse sendo controlada com Imperius. Fiz isso mais duas vezes e dei um suspiro de alívio.

Agora era com o clone.

Olhei para trás e fui até ao little lord, que me olhou sorrindo. Ah! Esses sorrisos iriam me matar em alguma hora.

Vamos para casa, little lord. - Peguei a sua mão e desaparecemos daquele lugar.

Não precisava constatar se realmente existia um clone naquela casa, porque confiava nesse homem.

Acho que não aguento mais. - Simplesmente desmaiou e apenas suspirei.

Acabei virando enfermeira, algo que ele disse que queria.

Minha magia continuou levitando o seu corpo e subimos a escadaria principal.

Minha Lady. - Disseram os elfos que passaram por nós.

Não irei jantar, mas faça algo que não pese no estômago. - Falei para o Troy e Dixy, que estavam descendo para o primeiro andar.

Sim, minha dama.

Alguns me chamavam de Lady, outros de mestra, mas eles eram os únicos que me chamavam de minha dama.

Não sabia o motivo, mas não desgostava desses "apelidos".

Entrei no quarto e o corpo do little lord flutuou até a nossa cama, me fazendo respirar fundo e tirar seus sapatos.

Tirei seu paletó e colete com a minha magia, e desabotoei alguns botões de sua camisa. Retirei seu cinto e o joguei no chão, como as outras peças de roupas.

Antes que pudesse cortar meu dedo e pingar o sangue em sua boca, deveria voltar a ser uma pessoa adulta.

Tirei minha bolsa, a varinha e os deixei no chão, corri para o banheiro e tirei minhas roupas, sem prestar atenção na pequena dor ou na evolução do meu corpo.

Apenas peguei um roupão e o coloquei, voltando para o quarto.

Ver o little lord assim, me faz voltar para aquele dia e mesmo não sabendo na época, foi um dos melhores dias da minha vida... Eu acho.

Sentei-me na cama e alisei seu rosto suado, aquilo doeu em mim, ele estava tão feliz mais cedo que o ver dessa forma era horrível.

Mordi meu dedo e o sangue carmesim mudou para negro, olhei para o sangue que escorria pelo meu dedo e falei:

É para curar e não matar, ouviu? Nem mesmo tente queimá-lo como aconteceu ontem.

Estou ficando louca, era isso que pensei quando abri a boca do little lord e deixei as gotas de sangue caírem em sua língua. Mas parecia pouco e isso estava me causando ansiedade.

Devo rasgar meu pulso? Minha mão? Minha garganta? Não, muito extremo.

Levantei e peguei a minha varinha, conseguia abrir um pequeno corte no meu dedo com os dentes, mas não conseguia fazer isso com a minha mão

Voltei a me sentar e rasguei a minha mão com ajuda da varinha. O sangue saiu com abundância, mas consegui fazer que nada respingasse no travesseiro ou nos cabelos do little lord.

Cabelos que já estavam grandes o suficiente para serem cobaias de penteados.

Seu pomo de Adão fazia movimentos contínuos e felizmente não se engasgou com o sangue, ou reclamou.

Curei minha mão e a limpei no roupão, coloquei a minha varinha na mesa de cabeceira e fiquei observando a respiração do little lord se acalmar.

Eu sabia que minhas pesquisas não seriam em vão, e que mesmo que meu sangue e até mesmo eu, gostasse de punir as pessoas, não seria ruim curar.

Você precisa ficar bem logo. - Peguei a coberta e o cobri. _ Ou irei pegar o Tommy e deixar que ele te arranhe todo.

Você não pode ser maldosa com um enfermo. - Seus olhos estavam semicerrados. _ Estou vendo um anjo? - Fiquei surpresa por alguns segundos e ri.

Sim, você está vendo um anjo. - Tirei algumas mechas de sua testa. _ E esse anjo quer te matar por você ter omitido informações.

Anjos não matam. - Pegou a minha mão e a beijou. _ Meu anjo é quente.

Você não é frio. - Você está mais quente que eu. _ Não omita mais nada, ok?

Tudo bem. - Sorriu. _ Espero que você também não omita nada.

Então eu devo dizer algo. - Prestou atenção. _ Seu cabelo cresceu, você vai deixá-lo crescer mais ou vai cortar? - Alisei as pontas de seu cabelo.

Como você prefere?

Não me importo muito, a única coisa que me importo é que você fique bem. - Beijei sua mão. _ O meu sangue não é milagroso, mas pelo menos você está consciente.

Ah, por isso que sinto gosto de ferro. - Revirei os olhos. _ Obrigado, você é meu pé de coelho da sorte.

E você é o que meu? Minha cobrinha possessiva? - Riu.

Antes que ele falasse algo, alguém bateu à porta e abri com a ajuda da minha magia.

Os elfos da cozinha fizeram um caldo de carne, minha dama. - Dixy entrou no quarto e colocou a tigela na mesa de cabeceira.

Agradeça eles por mim. - Fez uma mesura para nós. _ E agradeço você.

Suas palavras deixam meu coração feliz, minha dama. - Saiu do quarto.

Acho que devo ficar com ciúmes dos meus elfos. - Ajudei o little lord a se sentar. _ Devo ficar?

Não sou uma pessoa que teria um relacionamento com elfos, meu amor. - Apertou meu braço. _ O quê? Está doendo em algum lugar? - Fiquei preocupada.

N-não. - Olhou para o lado. _ Você vai me dar o caldo na boca?

Você não parece ter forças para fazer isso. - Peguei a tigela e peguei um pouco para ele provar. _ Olha o aviãozinho. - Fiz o barulho com a boca.

Vai se foder. - Sua voz estava rouca, me fazendo rir um pouco.

Você já me fode. - Pisquei e engoliu o conteúdo da colher.

Não está ruim.

É com carne, nada com carne é ruim. - Continuei dando a ele. _ Fique bem logo, não gosto de ver você assim.

Vou ficar, ainda mais quando tenho uma enfermeira tão dedicada. - Alisou a lapela do meu roupão. _ Muito dedicada.

Comportar-se, ou irei chamar o Tommy.

Aquele gato dos demônios, odeio ele. - Acho que o amor é recíproco.

Ele também te odeia. - Ficou ofendido. _ Agora come isso logo. - E ele continuou comendo.

Leesa.

Sim?

Você sempre vai me contar as coisas?

Sim. - Não sou você.

Então me fale o que você está me escondendo e sobre tudo que aconteceu agora a pouco.

Bom, Slughorn me contou sobre os bichos-papões. - E passei horas contando aquilo tudo que aconteceu, sejam vozes, casamentos e magia.

Até que ele dormiu, e sua febre baixou como pensei que faria.