Capítulo 9: Batalha no céu
Depois da pesquisa realizada, Lucy convocou seus generais, era chegada a hora. Apenas esperou Kesabel retornar o que não demorou. Ela deu uma desculpa, mas Astaroth a fitou desconfiado, conhecia aquele cheiro.
Lucy estralou os dedos, fazendo seu tabuleiro de xadrez aparecer. As peças marrons estavam desfalcadas e quietas, enquanto as douradas se moviam lentamente.
- Quero um golpe certeiro e mortal. – disse fitando os seus generais. – Yekun.
- Sim.
- Você vai liderar o nosso exército em Bahamuto. Ele será a distração. Quero que ataque as cidades e a Abos. Use o método que desejar desde que seja eficiente.
- Sim meu senhor.
- Gadrel, Kesabel e Narahim manterão os generais ocupados. Astaroth você pegará Atena. É provável que um general esteja na proteção dela, faça o que for preciso.
- Sim.
- Azazel irá atrás de Abisko e eu manterei meus irmãos ocupados. – levantou do seu trono. – quero frisar que nossa prioridade é Abisko e a humana. Eu a quero viva.
- Mas se a matar tudo acabará. – disse Gadrel.
- Não, eu preciso dela viva. Entendeu Astaroth, - o fitou. – quero Atena viva. - frisou.
- Sim.
- Onde estará Abisko? – indagou Azazel.
- No último lugar que alguém iria procurar. – Lucy sorriu. – Mikael é bastante narcisista e adora um espelho. Ele vai colocar Abisko dentro do espelho que fica na ala destinada a ele. É uma pequena sala que serve de biblioteca.
Os generais o fitaram um pouco incrédulos.
- Eu o conheço. Mikael é bem previsível em certas coisas. Ninguém sabe que atrás desse espelho tem uma passagem. O único que sabia morreu há milênios. – sorriu. Gabrian era o único que sabia que Mikael usava aquele lugar como refúgio, um dia, ainda crianças, viu os dois conversando perto do espelho, descobrindo o segredo. - Se houver necessidade de liquidar a essência de alguns anjos faça. – voltou a falar. - Nós não chegamos até aqui para hesitar agora. – estralou os dedos, um mapa de Tenkai apareceu. – Tenkai hoje está assim. – mostrou. – Atena está presa no palácio dos arcanjos. – apontou para uma construção principal. – enquanto Yekun age, certamente Mikael enviará algum general. Eu chegarei nesse momento para distraí-los. Kyn ficará desprotegido e vocês três agem nessa hora. – olhou para Gadrel, Kesabel e Nara. Asta e Azazel entraram logo após. Quando vocês dois tiverem feito o serviço retornem imediatamente para cá. Estamos entendidos?
- Sim senhor. – responderam os seis.
- Vamos voltar ao nosso lar depois de tantos anos. – sorriu. – mal posso esperar.
Os seis generais foram para uma das torres do castelo. Lucy pediu que eles fossem na frente pois ele tinha que pegar algo.
O arcanjo do Raio entrou em seu aposento e caminhou até uma grande porta em madeira escura. Atrás da porta havia uma sala especial, onde guardava itens que julgava importante. Ninguém tinha acesso, nem mesmo Azazel seu braço direito.
Abriu a porta, tendo logo a visão de um pequeno pedestal. Sobre a pedra tinha um dos seus grandes tesouros.
- Por isso Mikael não esperava. - Lucy pegou uma espada de porte imponente. Sua lâmina era grossa e estava incrustada com vários desenhos. O cabo era de prata com detalhes em dourado. - esse é o nosso passaporte para Tenkai.
O.o.O.o.O
O jatinho da fundação decolou do aeroporto de Athenas com destino a Sevilha, na Espanha. De lá pegariam um helicóptero até a cidade de Cádiz. Como Shion havia ordenado, Shura e Aioria ficaram no santuário.
- Estou há milênios afastado de Tenkai, mas suponho que as coisas estejam da mesma forma, - disse Gabrian. – o portal que liga os dois lugares fica nos arredores de Abos, a cidade dos anjos. Asher era a única humana que poderia passar por ele e com a decadência dos lemurianos ele foi fechado.
- Ele pode está destruído? – indagou Saga.
- Acredito que não. Mikael e os demais devem ter se esquecido dele. Só Asher o usava. Com certeza Atena está na cidade dos arcanjos. – fez um desenho mostrando as disposições das cidades. – ela estará no palácio que fica ao centro.
- Será um confronto direto?
- Infelizmente Mu. Mikael está guardando Abisko num compartimento secreto na ala destinada a ele.
- Teremos que ter cuidado pois Aiolos poderá detectar nossos cosmos. – disse Shion.
- Isso será de alerta para os demais. – completou Gabrian.
- Só teremos uma chance... – murmurou Deba.
- Sim.
- Mikael irá descobrir que passamos através do portal de Lemuria?
- É provável, mas não será um grande problema. Como há lemurianos sobreviventes, ele irá pensar que vocês sabiam sobre o portal. Eu ficarei na praia aguardando vocês. Enquanto Atena não for levada para Aurien, não posso aparecer.
- Senhor Gabrian... – chamou Kamus. – pela localização, Lemuria não está tão profunda, como os cientistas ainda não a descobriram?
- As terras de Lemuria só se mostravam para seus habitantes ou pessoas ligadas a eles. Mesmo debaixo d'água não perdeu essa propriedade. Quando Mu e Shion se aproximarem, nós a veremos e quando voltarmos ela voltará a ficar oculta para os olhos dos humanos. Quanto tempo até chegarmos?
- Três horas até desembarcamos em Cádiz, mais quinze minutos até o mar.
- Vou explicar como chegarão a Atena.
Os cavaleiros olharam para o desenho de Gabrian.
O.o.O.o.O
Lúcifer abriu um grande sorriso ao mirar sua terra natal. Tenkai estava exatamente como havia deixado milênios atrás. Não apenas o arcanjo do Raio, mas também os outros sentiram saudosismo. A exceção era Kesabel.
- Não pensava que essa luz fosse me incomodar. – disse Gadrel. – aqui brilha demais.
- Esse ar me enjoa. – disse Yekun.
- Já sabem o que fazer, meus caros. Yekun pode começar. – Lucy abriu um portal.
O anjo da destruição voou para encontrar com a leva de anjos caídos e humanos corrompidos que passavam pelo portal.
Em Kyn, Raziel dirigia-se para os aposentos de Atena quando escutou o som de uma trombeta.
- Não pode ser...
Os generais que estavam espalhados voaram imediatamente para a sala do trono, assim como os arcanjos.
- Impossível! – bradou Mikael. – ele não se atreveria!
- Um grande exército apareceu nas cercanias de Abos. – disse um anjo de patente menor.
- Que audácia! – exclamou Raphaelle.
- Está na hora de acabar com esse problema. – a voz de Mikael saiu fria. – a existência dele é uma afronta.
Os dizeres, deixou Uziel que estava perto, surpreso.
- Jeliel detenha aquele exército.
- Sim.
- Raziel proteja Atena. Lucy poderá usá-la para alguma coisa. Sitael, Mahasiah e Elemiah para Abos agora. Dianeirah você fica.
Saíram para cumprirem as ordens.
- Onde está Abisko? – perguntou Uziel.
- Lucy não irá encontrá-lo, não se preocupe.
Os arredores de Abos haviam se transformado num campo de guerra. Anjos e caídos lutavam ferozmente. Do alto de uma torre Yekun acompanhava os combates.
- É sempre bom tingir essa terra de vermelho. – sorriu.
- E é um desprazer revê-lo.
O anjo da destruição fitou o dono da voz.
- Olhe se não é Jeliel o perdedor. Recuperou-se da derrota para Mahasiah?
O anjo da honra não respondeu.
- Quero um pouco de ação. – Yekun pegou sua espada.
- Vou varrer sua essência da Terra.
Distante dali, Astaroth sentiu a movimentação de Jeliel e dos generais.
- Raziel e Dianeirah permanecem em Kyn.
- Ótimo. – olhou para Gadrel e os demais. – vão. Vocês venham comigo.
Em Kyn...
Raziel abriu de uma vez a porta do quarto de Atena.
- Aiolos?
- Venha. – ele a pegou pelo braço com força arrastando-a.
- Para onde está me levando? Que som foi aquele?
- Invasão. Lucy e sua corja.
Não rendeu muito, pois precisava prestar atenção. Com certeza viriam atrás de Atena. De forma brusca ele abriu a porta para a sala das pinturas praticamente jogando a deusa. Por pouco ela não foi ao chão.
- Ai-olos... – ela ergueu o rosto e segurou para não gritar. Bem diante dela havia uma grande pintura e ao centro viu a imagem de Gabrian. – " tudo então..."
- Fique perto de mim. – a puxou. – Mikael ordenou que sua vida seja preservada. Se não fosse por isso...
- Estaria disposto a me matar?
- No mesmo segundo que isso fosse ordenado.
Ouvir aquilo doeu na deusa. Aiolos que tantas vezes provou sua lealdade, agora era um ser frio.
No andar de abaixo...
- Um blindar de nossas espadas e acabamos com eles. – disse Raphaelle. – serão punidos por voltarem aqui.
- Voltar ao nosso lar?
Raphaelle, Mikael e Uziel olharam para a entrada da sala.
- Olá irmãos.
- O que faz aqui? – Uziel pegou sua espada.
- Apenas uma visita de cortesia. Faz tanto tempo que não piso aqui... – andou pela sala. – continua do mesmo jeito.
- Lúcifer... – Mikael levantou sua espada. – eu vou acabar com você.
- Terá coragem de me matar? – fez cara de chocado. – matar um arcanjo?
- Se for preciso para extirpar o mal da Terra.
- Controle-se Mikael. – Uziel o segurou. – não vá manchar sua imagem.
- Uziel está certo. – ele sentou no trono que pertencia a Mikael. – esse trono não era de Gabrian?
- Não tem o direito de dizer o nome dele! – berrou Rapha. – por sua culpa ele está morto!
- Minha culpa? – o fitou com escárnio. – eu não fui o único a querer Abisko.
Mikael desvencilhou de Uziel e lançou um ataque contra Lucy. Ele o segurou sem maiores problemas.
- Conheço seus truques irmão. – sorriu. – se não quiserem ter o mesmo fim que Gabrian fiquem quietos.
- Como?
Uziel foi dar um passo, mas parou. Algo prendia seu corpo.
- O que?
- Um novo truque. Por enquanto fiquem bem quietos.
Mikael e Rapha também tentaram se mexer, mas não conseguiram. Lucy paralisava-os, mas por serem três não conseguiria manter por muito tempo. Azazel e Astaroth teriam que agir rapidamente.
No lago, a jovem An Clár sentia Tenkai se agitar. Conhecia aquela sensação.
- "Não é possível que Lúcifer..."
A luta seguia feroz entre Yekun e Jeliel. Como os dois tinham o mesmo nível de poder a batalha seguia empatada.
- Nada mal para um fraco como você.
- Acha que eu vou perder para um caído? – Jeliel devolveu a provocação. – é um ser patético.
- Ora seu...
As chamas de Yekun incendiavam tudo que estava nas proximidades. Anjos e alguns caídos também eram acertados. Quando Jeliel usava seu ataque, o vapor de água espalhava. A luta continuou.
Em Abos, Gadrel, Kesabel e Narahim encontraram com os três generais: Sitael, Mahasiah e Elemiah.
- Eu não esperava vê-lo tão cedo. – brincou Elemiah.
- Como nos velhos tempos. – Nara sorriu.
- Não nos atrapalhe. – o anjo da Restauração pegou sua espada.
Os dois caídos e os dois da luz afastaram-se. Aquela luta seria entre dois primários e ficar nos arredores poderia custar suas vidas.
Por onde passava, Astaroth derrubava seus oponentes. Guiado pelo cosmo de Atena, ele e Azazel logo chegaram ao andar.
- Prossiga Astaroth. – disse Azazel.
O anjo das trevas voltou o olhar para onde Azazel apontava. Dianeirah estava no meio do corredor. Ela sabia que não tinha chance de lutar contra dois anjos, torcia para que Raziel parasse um dos dois. Sem se intimidar com a presença dela, Astaroth seguiu seu caminho.
- Não acredito que tiveram a audácia de voltar aqui. – ela pegou sua espada.
- Para cumprir nossos objetivos era necessário. – Azazel fez o mesmo.
Dianeirah não perdeu tempo, partiu para o ataque.
As explosões de energia provinda das batalhas de Elemiah e Nara e Azazel e Dianeirah eram sentidas por toda Tenkai. Atena acompanhava tudo estarrecida.
- Que cosmos... – murmurou.
De repente ela voltou o olhar para a porta. Conhecia aquele.
- Sha-ka...
A porta foi arrebentada. De posse de sua espada, Astaroth entrou.
- Era de se esperar. – Raziel empunhou a sua. – Lucy mandaria seu melhor soldado.
- Assim como Mikael.
Atena olhava aterrorizada. Shaka e Aiolos lutariam um contra o outro?
- Parem. – entrou no meio. – não podem fazer isso.
- Se não quiser morrer, se afaste Atena. – a voz de Aiolos saiu fria.
- Não vou deixar que encoste nela. – Shaka abriu os olhos. – tenho que levá-la viva.
- Venha pegar. – deu um sorriso desdenhoso.
- Não! – gritou Atena.
O.o.O.o.O
O helicóptero pousou numa estrada próxima. Rapidamente os dourados foram conduzidos para um porto improvisado onde pegariam um barco até o submarino. Eles estranharam ver poucas pessoas nos arredores e Saga informou que a fundação Kido cuidou para que a operação fosse vista como algo militar. De posse de suas urnas embarcaram no barco.
- Boa sorte santos de Atena. – disse Gabrian. – estarei esperando o retorno de vocês e de Alédia.
- A qualquer sinal de problema retorne imediatamente para Cádiz. – falou Shion. – nossos homens já foram instruídos.
- Certo.
O barco zarpou. Felizmente o mar estava calmo e a viagem até o submarino estava sendo feita sem problemas.
- Enfrentamos deuses e agora vamos passear de submarino. – brincou Deba. – precisamos de um submarino para salvar Atena.
- É totalmente ilógico eu sei. – disse Miro. – você poderia ir nadando. – apontou para Kanon.
- São águas profundas.
- É estranho pensar que nem Poseidon saiba da existência dessas ruínas. – comentou Dite.
- Se for como o senhor Gabrian disse, somente os lemurianos têm acesso. – Kamus fitava o mar. – ele está ali.
Os homens de Atena voltaram o olhar para o objeto negro que erguia a alguns metros do nível do mar. Com a ajuda de alguns tripulantes, subordinados a fundação Kido, embarcaram.
- Apertado aqui. – comentou Giovanni cruzando os braços para abrir espaço.
- Não poderia ser algo grande. – disse Saga. – não podemos chamar atenção.
- Quantas pessoas caberiam aqui? – indagou Dohko.
- Capacidade para doze, mas somos em quinze. Nós e mais cinco tripulantes.
- Saga, – Shion o chamou. – explique sobre a missão, eu não entendo nada dessas coisas.
- Pelas coordenadas que Gabrian passou levaremos quinze minutos até chegar aos primeiros sinais de Lemuria. Eles usarão um sonar e a partir de vinte metros de profundidade acharão algo que não foi feito pelo oceano. Se for como o arcanjo disse, - fitou Shion e Mu. – algo vai acontecer quando eles se aproximarem.
- Vamos mergulhar? – perguntou o ariano mais novo. – eu não sei fazer isso.
Os dourados começaram a discutir. Shion soltou um longo suspiro. Se não tivesse visto os anjos, acharia aquilo tudo uma grande loucura.
- Eu não sei mexer nisso! – disse Miro.
- Eu sou um cavaleiro e não um mergulhador! – exclamou Giovanni. – quem tem que ir é ele! – apontou para Kanon.
- Frouxos! – Kanon rebateu. – Seiya e os demais foram até as terras de Poseidon e nem reclamaram. E nadaram no gelo! Sem submarino, sem equipamentos! Francamente...
Ficaram em silêncio.
- Eles vão tentar nos deixar o mais próximo possível. – Saga retomou a palavra.
O som de uma sirene cortou a explicação.
- Chegamos. – disse um dos tripulantes.
Pela janela e auxiliados pelas luzes do submarino, viram entulhados dezenas de pilastras encobertas por corais. A medida que o submarino avançava, apareciam mais pilastras e rochas.
- Será que... – murmurou Shion. Subitamente começou a sentir um formigamento nas pintas. – o que é... – levou a mão a testa.
- Algum problema Shion? – indagou Dohko.
- Sinto um formigamento e...
- Em mim também. – Mu tocou a testa.
- Pode ser o sinal. – disse Kamus.
Saga concordou e pediu para que fossem mais adiante. O objeto navegou mais alguns metros. Tudo seguiria tranqüilo, quando ouviram um tremor.
- Maremoto? –Dite olhou para os companheiros.
Shion e Mu soltaram um gemido de dor.
- Minha cabeça... – o grande mestre segurava-a entre as mãos. – vai explodir.
Mu reclamava da mesma dor e para piorar imagens desconexas eram jogadas em sua mente.
- Vocês estão bem? – Mask acudiu os dois.
- Não é efeito deles estarem aqui? – perguntou Miro.
- É. – afirmou Saga. – Lemuria está reconhecendo seus moradores.
O tremor aumentou. O submarino teve que recuar para não ser tragado pelo leito do oceano. Quando o perigo passou, ele avançou.
- Nunca vimos isso. – disse o capitão. – outras excursões já vieram aqui e nunca tivemos esse tipo de problema. Minutos atrás nossos radares não captaram movimentação do leito.
- Foi um simples tremor?
- Não. Há duzentos metros o leito cedeu abrindo uma fenda que desce mais dez metros.
- Vamos continuar.
Apesar das dores, Shion não quis recuar. O submarino desceu os dez metros, chegando a trinta metros de profundidade. Quando os faróis da embarcação foram mirados para frente, todos arregalaram os olhos.
- Por Atena... – murmurou Shion.
O.o.O.o.O
A respiração de Yekun estava pesada. Seu braço esquerdo estava sangrando e parcialmente paralisado. As gotas do sangue fluorescente transformavam em pontos de luz ao contato com ar. Apesar de terem poderes equivalentes, Jeliel era mais habilidoso. O general de Uziel também estava ferido, mas nada grave.
- Está sendo mais divertido lutar com você do que contra os humanos. – Yekun sorriu.
- Digo o mesmo.
- Eu não tenho muito tempo, então vamos colocar um ponto final nisso.
- Um golpe único?
- Sim.
Os dois generais elevaram seus elgins. Era tudo ou nada.
Em Abos, as lutas seguiam equilibradas entre Elemiah e Narahim, Gadrel e Sitael e Kesabel e Mahasiah. Esse último combate havia rendido ferimentos para os dois.
Atena olhava aterrorizada. O que mais temia estava prestes a acontecer.
- Não façam isso... por favor...
- Sempre tive curiosidade em saber o nível do salvador de Atena. – disse Shaka. – desde a minha chegada ao santuário ouvia muito ao seu respeito.
- Posso dizer o mesmo. – Aiolos sorriu. – não pude testemunhar na nossa batalha em Asgard.
- Uma batalha de mil dias?
- É o que dizem. – gargalhou.
Aiolos avançou empunhando sua espada. Prontamente defendido por Shaka. Os dois atacavam e defendiam mostrando suas habilidades.
- Parem... – a deusa estava com os olhos rasos.
As espadas continuaram tendo como resultado cortes e penas arrancadas.
- Nada mal. – Aiolos limpava um corte no rosto. Olhou para a deusa. – crie uma barreira, serei punido se você se machucar.
- Aiolos...
O sagitariano elevou seu cosmo, contra Shaka teria que dispor de muita energia.
- Trovão Atômico!
O ataque partiu em direção ao virginiano.
- Kahn!
A energia de Aiolos chocou-se contra a barreira do indiano. Atena, atrás de uma barreira, mal conseguia abrir os olhos, tamanho o deslocamento do ar. As paredes da sala começaram a sofrer rachaduras. O sagitariano despejou mais poder, o que fez aparecer trincos no mármore branco.
- Parem! Vão destruir tudo!
Aiolos cessou, não por um pedido da deusa e sim porque as paredes não suportariam.
- Eu gostaria de lutar com você num lugar sem interferências. – Aiolos tomou a postura defensiva.
- Seu poder supera os capachos dela. – Shaka fitou Atena.
- Parem vocês dois. – Atena parou no meio deles. – podem ser generais, mas ainda são meus cavaleiros.
- Afaste-se Atena. – Shaka empunhou a espada na direção dela.
Ela o olhou fixamente. Tanto ele quanto Aiolos tentaram se mexer, mas estavam paralisados.
- O que...
- Sua desprezível... – Aiolos forçava. – o que fez?
- Sou uma deusa, esqueceu? – a voz saiu fria. – seus poderes perto do meu são efêmeros.
- Atena... – Shaka tentava se libertar a todo custo.
Com um leve levantar de cosmo, ela os jogou longe.
- Podem começar a contar o que sabem sobre o quinto arcanjo.
- Como? – o grego sentia as costas doerem por conta do impacto.
- Por que é proibido a menção do nome dele?
Shaka e Aiolos olharam-se.
Dianeirah e Azazel se encaravam. Ambos sabiam das habilidades um do outro e aquele confronto poderia se arrastar por muito tempo. Sentiram um pequeno tremor.
- Raziel ficou muito forte. – Azazel ergueu o olhar.
- O mesmo de Astaroth. Poderiam ser primários como nós... E pensar que fomos companheiros. – disse Diah. – no que se transformou...
- Apenas meu nome mudou de anjo da vida para anjo da morte. E sabe melhor do que ninguém que as ordens de um arcanjo são absolutas.
- Então sabe que desde ponto não passará.
- Tenho ciência.
A general elevou seu elgin, fazendo aparecer duas Dianeirah. As três partiram para o ataque e Azazel defendia-se como podia. Num dado momento bateu contra a parede do palácio.
- Desapareça Azazel.
As três acumularam uma grande quantidade de energia e dispararam contra ele. O general de Lucy criou uma barreira para se proteger.
- "Se continuar assim vou perder..." Sentimentum...
Um fino raio negro partiu em direção às três Dianeirah atingindo-as na testa. Na hora, os clones desapareceram. A general foi de joelhos ao chão.
- O que você fez... – sentia muita dor na cabeça.
- Uma coisa que aprendi, vivendo em Devakai é que todos carregam sentimentos negativos. – caminhava até ela. – fraco ou fortes, mas todo mundo tem e não é diferente com os generais dos arcanjos. – parou. – e o seu negativismo, é pela perda de uma pessoa querida.
Dianeirah arregalou os olhos quando a imagem de sua amiga foi projetada em sua mente. Ela era uma das seguidoras de Gabrian e morrera na batalha de Aurien. Tinha raiva dos caídos, pois eles causaram a morte dela.
- Poderia controlá-la, mas quero que fique apenas quieta. – voltou a caminhar.
- Espere Azazel. – tentou se mexer, mas não conseguiu.
- Nem adianta tentar. – parou. – só sairá do controle se eu permitir ou se conseguir se livrar desse sentimento. E nenhum nem outro conseguirá.
Azazel sumiu no corredor.
Mikael, Rapha e Uziel tentavam de todas as formas se mexerem.
- Parem de tentar. – disse Lucy. – só estão gastando seus elgins a toa.
- Quando eu me libertar acabarei com você! – gritou Rapha.
- Estou morrendo de medo.
- Seu plano irá falhar Lucy. – Uziel o fitava friamente. – não venceu daquela vez e não será agora que irá.
O arcanjo do Raio sorriu. Lhe custava muita energia manter os irmãos paralisados e o ato que queria cometer reduziria ainda mais o tempo, mas valia a pena o risco. Lentamente aproximou de Raphaelle.
- Isso é pelas asas negras. – deu um soco no arcanjo fazendo o cuspir sangue.
- Desgraçado! – berrou Uziel.
- Você também ganhará. – deu um nele. – isso foi pelo chifre e cauda.
Uziel foi de joelhos ao chão. Mikael olhava-o com ódio. Lucy pagaria por tudo.
- Mikael... – parou na frente. – o grande arcanjo do Fogo.
- Eu vou destruir você.
- Não tem condições para isso. – colocou mais força no soco. Mikael curvou-se tamanha a força. – é um fraco.
- Des...graça-do... – murmurou.
Lucy o segurou pelo pescoço, queria surrá-lo, mas teria que deixar para outra ocasião.
Por causa da dor e do ódio que sentia, Mikael não percebeu quando o colar que usava foi retirado.
- Agora fiquem quietos. – afastou. – daqui a pouco liberto vocês.
O.o.O.o.O
- Que porra é essa? – Mask deixou escapar.
Colunas tombadas, construções destruídas e alguns prédios ainda de pé, espalhavam-se por metros enquanto peixes nadavam tranquilamente por elas. Literalmente era uma cidade.
- Lemuria?
- A área é enorme. – disse o capitão. – estamos recebendo dados que há construções no entorno de trezentos quilômetros quadrados. Como ninguém achou isso? - indagou perplexo.
- Ela só iria se mostrar quando lemurianos... – murmurou Saga. – Gabrian estava certo. – consegue navegar?
- Sim.
O submarino seguia por uma passagem que parecia ser uma rua nos seus tempos de glória. Os dourados estavam tão perplexos que não falavam nada. Shion e Mu estavam igualmente silenciosos.
A excursão avançou cidade adentro, até chegar a um ponto em que um prédio estava ligeiramente tombado.
- Se a humanidade pudesse ver, seria um achado. – comentou Dohko. – é a prova concreta que Lemuria existiu.
- E agora?
Os olhares foram para Shion que parecia vidrado nas imagens. Pensava em Sage, Hakurei e nos demais lemurianos. Eles ficariam emocionados.
- Gabrian falou que o portal está no templo principal, ao centro da cidade.
- Aquele é o ponto central da cidade, mas pode existir variações já que a cidade pode ter se espalhado por uma área maior. Teremos que arriscar mestre.
Enquanto isso, Mu sentia a cabeça pesada. Apoiou-se numa peça para não ir ao chão.
- Mu. – Kanon o segurou. – você está bem?
- Não...
- É melhor se sentar. – o marina o ajudou.
- Obrigado...
Mal acabou de falar perdeu os sentidos.
- Mu!
Quando despertou, estava deitado numa cama. Estranhou o lugar, mas achou que ele e seus companheiros haviam voltado para a praia. Levantou, ainda sentindo o corpo pesado e caminhou até a janela. O sol brilhava forte.
- Por Atena!
Exclamou. Não estava na cidade espanhola e sim numa cidade que tinha arquitetura grega. O santuário estava fora de cogitação, pois a cidade espalhava-se por quilômetros. Viu dezenas de prédios e outras construções.
- Que bom que acordou.
Mu olhou para trás, vendo um senhor. Ele vestia uma túnica branca e tinha longos cabelos grisalhos, porém sua maior característica era as pintas lemurianas.
- Que lugar é esse?
- Ora... é Lemuria. Meu neto o encontrou na rua. Acho que bateu a cabeça. Qual o seu nome?
- É Mu.
- Um dos nossos primeiros nomes. Eu sou Raijin.
O ariano foi levado para o andar de baixo da construção. Lá conheceu a esposa de Raijin e seus dois netos. Os meninos encheram-no de perguntas, mas Mu não sabia o que responder. Achou tudo muito estranho ao mesmo tempo fascinante, pois ouvia histórias sobre a cidade. No meio do dia, Raijin o levou para passear e o cavaleiro estava impressionado pela aglomeração. Era por volta das três da tarde quando eles voltaram.
- Senhor Raijin, conhece Asher?
- Mas é claro! – exclamou satisfeito. – ela é a guardiã do Abisko. Foi escolhida pelo senhor Gabrian para protegê-lo. Foi uma grande honra para nós lemurianos.
- E onde ela está?
- Quando fica em Lemuria é naquele prédio. – apontou para o monte mais alto. – é o templo que faz ligação com Tenkai.
- Entendi.
- Mas agora ela está em Aurien. Mu, – tocou no ombro dele. – eu já estou velho, tenho mais de duzentos e cinqüenta anos, mas você é jovem e verá nossa sociedade prosperar ainda mais. Continue honrando nossa missão.
-Eu honrarei. – pensou em Atena. – farei de tudo para que isso aconteça.
- Muito bem. – sorriu. – vamos entrar.
Não tinha uma hora que os dois haviam voltado. E os moradores conversavam sobre a vida e aguardavam a chegada dos pais dos dois garotos.
Mu ouvia tudo em silêncio. Estava pensando em que ponto da história estava vivendo, mas sentia-se feliz. Estava tendo a oportunidade de conhecer outros de sua raça.
Tudo estava normal quando escutaram o som de uma trombeta. Achando estranho, correram para as janelas para ver o que era. Ao fitar o céu de Lemuria viram uma densa nuvem convertendo-se num furacão.
- Que estranho... – disse o senhor Raijin. – não houve o anúncio de tornado.
Mu quando ouviu aquilo arregalou os olhos.
- Vocês precisam sair daqui agora!
- Não se preocupe. – falou a senhora. – se as autoridades não avisaram não vai acontecer nada.
- Vai sim! Vai...
O som ensurdecedor dos ventos abafou a voz de Mu. No instante seguinte todos os vidros da janela quebraram-se.
- Estão bem? – o ariano auxiliava a senhora.
- Vô olha aquilo! – o garoto, que não tinha se ferido apontou para a janela.
Raijin desfez a parede telecinetica que o protegeu do ataque e fitou a paisagem: telhados voavam por todos os lados e tudo que era leve era levado pelo vento.
Escutaram o som de uma segunda trombeta.
- Precisamos sair daqui agora. Depois eu explico.
Mu praticamente os puxou para fora. Quando abriu a porta da frente, deparou-se com um cenário de horror. Muitas pessoas corriam pela rua assustadas. Crianças, jovens, adultos e velhos todos apavorados. Mu e as demais pessoas volveram os olhos para o céu. Viram algo bastante brilhante e com enormes asas. Segundos depois o barulho foi ensurdecedor o que fez todos irem ao chão, tamanho o deslocamento do ar. Quando olharam novamente para o céu viram apenas uma bola de fogo vindo em suas direções...
- Corram!
Dezenas de bolas de fogo caíam do céu como chuva. A cidade estava inteiramente em chamas. O cavaleiro trazia a senhora nas costas enquanto Raijin e os netos corriam ao lado.
- "Eu preciso fazer alguma coisa!"
Por todos os lados as pessoas gritavam por ajuda ou já caiam sem vida por serem acertadas pelas chamas. Ora ou outra Mu olhava para trás, uma enorme nuvem de fumaça vinha em direção a eles. As pessoas gritavam desesperadas.
Ouviram o som de uma terceira trombeta. A terra sacudiu violentamente jogando os que ainda estavam de pé no chão. Com o tremor as construções que ainda resistiam foram abaixo.
- Não! – Raijin gritou ao ver os netos serem engolidos pelos escombros.
- Meus netos! – a senhora se soltou de Mu voltando.
Com seus poderes telecineticos os dois começaram a tirar as pedras. Mu também ajudava. Houve um novo tremor. Quando Mu ergueu o olhar não acreditou no que viu. Um paredão de água surgiu no horizonte.
- Não... temos que sair daqui agora!
Ele tentou puxar os dois anciãos, mas eles relutavam em deixar o local. As águas arrastavam tudo que estava na frente e não demoraria chegar nos três lemurianos. Atrás da primeira onda veio uma ainda mais alta que simplesmente tragava os edifícios mais altos.
- Por Atena...
Mu ainda tentou puxá-los mas a torrente de água os alcançou varrendo tudo que estava a frente. Do alto, os três arcanjos de Tenkai acompanhavam o sepultamento de Lemuria...
- Raijin! – gritou Mu despertando.
- Por Atena você acordou. – disse Aldebaran aliviado.
- Você está bem? – Shion estava muito preocupado. O discípulo ficou desacordado por vários minutos.
O ariano jovem olhava para os lados, a respiração estava rápida.
- Mu. – Kamus o chamou.
Ele o olhou para depois olhar para Shion. As lágrimas vieram.
- Não... – tapou o rosto com as mãos chorando muito. – não... Raijin...
- Mu. – Deba sentou ao lado dele. – o que foi...?
- Mataram todos... mataram todos... mataram as crianças... – não parava de chorar. – mataram todos... eram inocentes...
- Mu! – o tom de Shion foi mais forte. – quem matou? Do que está falando?
- Lemuria... – tentava controlar o choro. – o sonho daquele dia foi apenas um fragmento... eu... eu revivi as últimas horas... eles me acolheram... – as lágrimas desciam. – os arcanjos... eles mataram todos... todos... – não conseguia parar de chorar.
Aldebaran o abraçou.
- Está tudo bem agora.
Os dourados fitaram o ariano com pena.
- Não imaginava que está aqui desencadeasse essas memórias. – disse Kanon. – é as tais memórias que você disse. – olhou para Dite.
Ele concordou. Shion aproximou do discípulo.
- Mu. Acalme-se, já passou.
- Mestre... era uma cidade linda...
- Posso imaginar. – tocou na cabeça dele. – nosso povo sofreu muito, mas agora precisamos continuar. Se não chegarmos a Atena, outros terão o mesmo fim triste. Consegue prosseguir?
- Sim. – limpava o rosto.
- Vamos.
- Mestre, aquele templo é o principal da cidade. – apontou. – eu o vi nas minhas imagens.
- Tem certeza?
- Sim. Era o local onde Asher ficava.
O submarino chegou o mais próximo possível da suposta entrada do templo. Os tripulantes explicaram rapidamente o funcionamento do material de mergulho. Kanon dispensou, já que conseguia nadar por longas distâncias sem auxílio de aparelhos.
O grupo vestiu suas armaduras saindo logo em seguida. Guiados pelas orientações de Gabrian entraram no prédio submerso. As lanternas iluminavam o trajeto vez ou outra tendo a companhia de peixes de vários tamanhos. Encontram alguns caminhos totalmente liberados e outros com passagem estreita. Os cavaleiros com dificuldade nos instrumentos eram auxiliados por Kanon que parecia não se importar por está debaixo d'água.
As orientações terminavam no que deveria ser uma porta.
- "Fim da linha." – disse Kanon por cosmo.
- "Gabrian disse que haveria um salão por aqui."
Miro nadou até o objeto. A porta estava coberta por algumas pilastras e vários corais.
- "Vamos tentar tirar isso." – olhou para Deba.
- "Sim."
- "Espere, Aldebaran." – Dohko o segurou. – "a construção pode desabar."
- "Teleportar." – sugeriu Mu.
- "Já tentei." – disse Shion. – "não está funcionando."
- "Só nos resta tentar."
Deba posicionou perto das pilastras. Usando força conseguiu mover uma pilastra sem problema, contudo na segunda escutaram estrondos.
- "Vou reforçar a estrutura."
Kamus disparou seu ataque no teto e nas paredes. Deba tirou a outra pilastra e com ajuda de Giovanni tentou abrir a porta. Foi tudo muito rápido. Uma corrente de água os tragou para dentro.
- "Cacete..." – reclamou Miro. – "desse jeito a gente morre antes de chegar em Tenkai."
Um a um foram despertando.
- "Pessoal..." – murmurou Afrodite. – "onde estamos?"
- Um dos truques dos lemurianos. – falou Kanon usando a voz. – não tem água aqui.
Tiraram os equipamentos. Estavam respirando normalmente.
- Como é possível?
- Pode começar a se perguntar que lugar é esse. – disse Mask.
O salão não era muito grande. As paredes eram decoradas por desenhos que pareciam parados no tempo, pois não sofriam a ação dos anos e nem da água. Teto e chão eram de mármores, mas o que mais chamava a atenção era uma estrutura circular que ficava no meio da sala.
- Os desenhos são como no tapete. – Dohko examinava-os.
- Essa é a sala de Asher? – Saga olhava ao redor.
- Por estar a trinta metros debaixo d'água e completamente seca só pode ser um local místico.
Shion ignorou os desenhos da parede, tendo a atenção inteiramente para a estrutura circular no centro. Quando ele pisou no degrau que levava a ela seu cosmo reagiu, seguido o de Mu.
- O que...
A estrutura emitiu um brilho dourado, em seguida dentro dela surgiu uma luz azulada que tremulava como água.
- Só pode ser isso. Como num portal.
- Vamos.
Shion aproximou e tocou a luz azulada. Não sentiu nada.
- É seguro.
Afrodite e Saga juntaram os equipamentos num canto, sendo os últimos a entrarem. Quando passaram a luz azulada sumiu.
Devido a claridade o sueco fechou os olhos.
- Estou tomando as drogas de Saga.
Escutando o comentário feito por Shura, abriu os olhos.
- Onde estamos?! – berrou assustado.
Mahasiah e Kesabel respiravam ofegantes. Tudo levaria ao empate, mas ambos estavam dispostos a vencer aquele combate.
- Apesar de ser uma caída e ter sangue humano, devo admitir que tem um grande poder.
- Agradeço o elogio, anjo da temperança.
- Mesmo com todo o seu poder, não poderá vencer um anjo legítimo. – ergueu sua espada. – esse será o último ataque.
- Pode usar todo o seu poder. – não se intimidou.
- Fogo azul!
Em todo o local surgiram pequenas chamas azuis, circundando inclusive Mahasiah e Kesabel. As chamas partiram em direção a jovem encobrindo o corpo dela.
- Reversão!
A espada de Kesabel emitiu uma luz negra. Seu elgin aumentou bruscamente.
- O que...
Todo o poder que Mahasiah havia empregado em seu ataque, uniu-se a energia de Kesabel e no segundo posterior retornou para ele. O general de Mikael tentou parar o ataque, mas foi atingido em cheio, indo ao chão trazendo vários ferimentos.
Kesabel permaneceu de pé, porém tinha um sério ferimento no braço direito, além de cortes e algumas penas chamuscadas. Tinha cumprido sua missão. Se ele não tinha morrido, pelo menos levaria algum tempo para se recuperar. Saiu do recinto.
Seguindo as orientações repassadas por seu senhor, Azazel chegou a sala. Destruindo o espelho pegou Abisko.
- Missão cumprida.
Abriu a janela e voou para o local de encontro.
Na outra sala...
- Falem. É uma ordem.
- Gabrian foi o primeiro anjo a ser criado, - começou Shaka. – na rebelião do meu senhor, ele que nos condenou a Devakai. Era detentor de Abisko mas transferiu para Asher. Acabou morrendo na batalha em Aurien.
- Mikael e os demais não gostam de comentar pois Gabrian era querido por eles. – completou Aiolos. – toda a ala de seus anjos morreram naquele dia. – fitou Shaka com ódio. – por culpa deles.
- Gabrian colocou-se no caminho e...
- Já chega. – a voz dela saiu autoritária. Atena volveu o olhar para a pintura. Precisava ouvir a versão do arcanjo caído, mas tinha que parecer que Lucy havia conseguido seqüestra-la. Soltou os dois.
O indiano aproveitou essa brecha, soltando o Rendição Divina em Aiolos. O grego rapidamente se defendeu, segurando o ataque. Atena piscou sutilmente o que fez com Aiolos sentisse o corpo pesado e perdesse a concentração, ela ainda abrandou o ataque de Shaka para que o grego não recebesse totalmente a carga de energia.
- Aiolos!
- Será inteligente da sua parte vir comigo Atena. – disse Shaka. – vai perceber que Mikael e sua corja não são confiáveis.
- E vocês são? Defendeu a Terra tantas vezes e agora quer destruí-la.
Shaka sabia que mesmo Raziel no chão, não poderia contra Atena. Só tinha um recurso. Era contra seus métodos, mas o único que daria certo.
- Aquela híbrida tem o seu valor. – o indiano pegou um pequeno frasco nas vestes e jogou-o no chão. Uma fumaça vermelha exalou.
- O que... – Atena sentiu o corpo mole assim que inalou.
- É uma deusa, mas seu corpo é humano. Kesabel é mestre em fazer venenos e poções. Isso só vai paralisar seus membros.
Antes que ela fosse ao chão o indiano a segurou.
- Está terminado.
Partiu.
O tempo estava no fim, quando Lucy foi informado que a missão tinha sido um sucesso. Só restava cumprir uma última coisa antes que os arcanjos recobrassem os movimentos.
- Irmãos, preciso ir.
- Cretino... pagará por tudo.
- Poupe dos seus xingamentos. – disse entediado. – foi bom o nosso tempo juntos. Adeus.
Lucy sumiu do recinto.
- Aquele desgraçado...
- Por que ainda não consigo me mexer? – Rapha tentava pegar sua espada.
- A energia dele ainda está presente. – falou Uziel.
- Eu juro que mato aquele desgraçado. – Mikael bufava de ódio. – eu mato!
Mahasiah sentia o corpo doer. Não imaginava que Kesabel teria tanto poder. Foi por muito pouco que não morreu na hora. Usando sua espada como apoio levantou. Ela não estava mais ali. Lembrou-se que nos arredores de Abos, o exército de Lúcifer ainda continuava a lutar. Tinha que pará-lo. Ao sobrevoar o local, desceu para matar alguns caídos, ajudando a esquadra de anjos. Ficou sabendo de um deles, que Jeliel enfrentava um general do arcanjo caído. Mesmo ferido dirigiu-se para lá.
Jeliel e Yekun estavam apoiados em suas espadas. O último ataque tinha minado suas forças. O combate seria decidido por quem ainda poderia utilizar sua espada.
- Terei o apreço do meu senhor se liquidar um general de Tenkai. – mesmo cambaleando Yekun levantou. – vou esquartejar você.
Deu um passo, mas parou ao ser cercado por chamas azuis.
- Jeliel. – Mahasiah parou ao lado dele. – você está bem?
- O que faz aqui?
- Derrotar esse insolente.
- Dois contra um. – Yekun sorriu. – será uma tarefa fácil, já que o general de Mikael está muito ferido. Quem te surrou?
- Alguém mais forte que você. – não deixaria barato. – Kesabel.
- Hum... a híbrida. Ela tem bons truques ainda mais se forem usados contra grandes anjos. Na certa ela fez seu ataque voltar contra você.
Maha não respondeu. Não foi simplesmente ser atingido por seu próprio ataque. Sentiu que ele voltara duas vezes mais forte.
- Não se intrometa Mahasiah. – Jeliel levantou. – posso derrotá-lo sozinho.
- Pode vir os dois, já disse que não me importo.
- Ora seu...- Jeliel foi de joelhos ao chão.
- Eu termino essa luta. – Maha deu um passo a frente.
- Boa sorte. – disse. – se bem que Yekun só é forte por causa da sua espada. – o fitou. – sem ela não é nada.
- Posso vencê-lo sem ela. – atirou a espada longe. – apenas com um único golpe.
Yekun e Maha elevaram seus elgins. Jeliel assistia a tudo com um fino sorriso.
- Chamas infernais!
- Chamas azuis!
Os dois golpes colidiram no meio. Por ser mais forte, o de Mahasiah atingiria Yekun, contudo envolvidos com a batalha não perceberam que Jeliel pegara a espada Yekun e que por trás atingiu Mahasiah. O general de Mikael sentiu uma forte dor e por conta disso foi atingido pelo ataque de Yekun.
O general de Lucy, que não tinha visto a ação de Jeliel, pensou que Maha havia perdido a concentração. Comemorou sem perceber que o ataque do anjo ainda estava ativo, acabando por ser acertado. Caiu gravemente ferido.
Mahasiah sentia o sangue saindo da ferida. Se não recebesse socorro, morreria. Os olhos opacos não viram Jeliel se aproximar. O general de Uziel pegou a espada de Yekun provocando um ferimento no próprio braço, depois a jogou perto de Mahasiah.
Com um sorriso caminhou até o anjo da Destruição que agonizava.
- Você foi bem útil Yekun. – arrancou algumas penas negras. – obrigado por me ajudar.
Sem piedade cravou sua espada no coração do anjo caído. Viu o corpo dele ser consumido pela luz dourada e sumindo no ar. Deitou-se no chão, jogando algumas penas negras sobre si e ao redor. Era só aguardar ser resgatado.
Raziel acordou. Nem adiantaria procurar, pois os cosmos de Atena e Astaroth estavam longe. Tinha falhado na sua missão. Levantou lentamente. Agora precisava avaliar a destruição. No meio do caminho até Abos, encontrou Elemiah e Sitael.
- A humana foi levada?! – exclamou Sitael.
- Sim... onde estão os demais?
- Soube que Mahasiah e Jeliel estavam lutando nas cercanias. – disse Elemiah.
Os três partiram e quando se aproximaram do local da batalha Sitael foi o primeiro a dar o alarme.
- Mahasiah! – exclamou Raziel ao ver o irmão no chão.
- Isso não é bom. – Elemiah ajoelhou ao lado dele. – ele está muito ferido. Temos que levá-lo.
- Quem fez isso? – Raziel estava temeroso pelo amigo, sentia seu Elgin muito fraco.
- Essa espada é do Yekun. – Sitael a pegou. – mas cadê... – viu Jeliel pouco a frente. – Jeliel?
Correu até ele, que só respondeu no terceiro chamado. Até pouco tempo ele estava desperto, mas devido a perda de muita energia acabou adormecendo.
- Sitael...
- Você está bem? – o ajudou a sentar. – o que aconteceu? Cadê Yekun?
- E Mahasiah? – cortou-o. – ele está vivo?
- Ainda sim. – Elemiah trazia o amigo nos braços já que Raziel não teria condições de levá-lo. – você também precisa de cuidados.
- O que aconteceu Jeliel?! – praticamente Raziel o segurou pelo colarinho.
- Foi Yekun. Ele..
- Agora não é o momento Raziel. – Elemiah o interrompeu. – Maha precisa de cuidados.
A missão estava quase completa. Lucy rumou para as terras longínquas de Tenkai, até chegar a um lago. De posse do colar que pertenceu a Gabrian abriu passagem pelas águas turvas.
A jovem anjo levantou assustada.
- Quem está aí?
- Há quanto tempo An Clár.
- Lúcifer?! – arregalou os olhos. – como chegou aqui?
- Vim te salvar. Não acha que ficou tempo demais presa nesse lugar? – caminhou até ela. – apesar de tudo que Gabrian fez, é injusto seu último anjo permanecer encarcerado.
- E os demais?
- Preocupados demais para sentirem falta de você. – sorriu. – afinal tenho Abisko.
- Como?
- Em breve estará livre dos seus algozes. Espero que num futuro próximo possamos ser aliados. Ambos os lados têm a ganhar.
An Clár estava aterrorizada. Abisko nas mãos de Lucy era tão perigoso quanto nas mãos de Mikael.
- E a humana?
- Está comigo também. – parou bem próximo a ela. – eu tenho o controle de tudo querida. Vamos.
O arcanjo do Raio pegou o braço da jovem e levantou vôo. Devido ao tempo recluso no lago, os olhos dela arderam ao contato da luz.
- Vai gostar de Devakai. É bem escuro, como aqui.
Apesar da dor ela tentava pensar. Tinha que escapar e avisar aos humanos de Atena que ela corria risco nas mãos de Lúcifer. Mas como? Segurando nas vestes do caído viu o colar que pertencia ao seu líder Gabrian. Era com ele que Mikael tinha acesso ao lago. Sem medir as conseqüências de seu ato, An Clár arrancou – o do pescoço de Lucy.
- O que está fazendo?
- Luz.
Um brilho intenso cobriu os dois. Por conta da claridade Lúcifer soltou a mulher.
- Meus olhos!
An Clár sentiu o empuxo. Devido aos muitos anos sem voar, as asas estavam paralisadas. Ela ainda tentou mexe-las mas não conseguiu. Caia em queda livre. No alto, Lucy ainda sofria pelo efeito da luz nos olhos.
- Vadia... – a procurava, mesmo sentido ardência. – ainda roubou a pedra de Gabrian. – gargalhou. – não importa para onde tenha ido será questão de tê-la.
Ele deu meia volta seguindo para onde estava seus subordinados, no caminho sentiu a essência de Yekun desaparecer.
- "Pelo menos morreu cumprindo sua missão."
Enquanto isso...
Os dourados olhavam a paisagem digna do Olimpo que se abriu para eles, contudo quebrando a beleza do lugar ouviram o som de explosões.
- Estamos em Tenkai?
- Sim. – Shion tomou a frente. – sinto o cosmo de Aiolos e Shaka.
- O que Shaka faz aqui? – indagou Deba.
- Não tenho a menor ideia, por isso precisamos achar Atena o quanto antes.
Houve um tremor e um forte estrondo.
- Que diabos está acontecendo? – Miro tentava se manter de pé.
Escutaram um zumbido vindo do portal, a estrutura circular começou a trincar.
- O que acontece se isso quebrar?
- Mas que droga... – murmurou Shion. Aquele lugar era grande demais e apesar de sentir o cosmo dos três havia outros generais e se Shaka estava ali certamente Lucy também estava. Daria a ordem quando sentiram dois cosmos conhecidos se aproximarem em alta velocidade.
- Esse cosmo...
- Atena?
Volveram o olhar para cima.
Shaka que trazia a deusa nos braços sentiu os cosmos dos ex companheiros.
- Não esperava menos deles. – sorriu.
- Não é possível... – Atena estava aliviada por vê-los.
- Shaka! – gritou Mu.
O virginiano apenas acenou cinicamente continuando a voar.
- Atena! – berrou Saga.
- Por que Shaka está com ela?
O anjo das Trevas continuou seu trajeto e alguns quilômetros a frente encontrou com os demais companheiros e seu líder. Abrindo uma passagem, Lucy e seus generais deixaram Tenkai.
- Para onde ele a levou? – Dite estava com um péssimo pressentimento.
- Lúcifer invadiu aqui. – Kamus deduziu. – chegamos tarde.
O portal emitiu um novo zumbido e a trinca aumentou. A luz azulada começou a piscar e os que estavam mais perto dele, Kamus e Giovanni, sentiram uma força puxando-os.
- Que droga é essa...
Giovanni foi o primeiro a ser puxado para dentro do portal, seguido de Kamus.
- Mask!
Shion tentava raciocinar em meio ao caos.
- Shion. – Dohko o chamou.
Ele fitou os cavaleiros e as construções de Tenkai atrás dele. Infelizmente tinham que recuar.
- Vamos voltar.
- O que?! – berraram.
- Atena não está aqui e não sabemos o que está acontecendo com isso. – apontou para o portal. – o melhor a se fazer é recuar.
A terra tremeu mais forte e o local onde o portal estava começava a afundar.
- Não temos tempo.
Um a um entraram.
Mu foi o último a passar e quando isso aconteceu a luz azulada sumiu. Em Tenkai, devido aos tremores, o portal foi engolido por uma cratera.
- Mas que droga! – Miro deu um soco no chão. – tanto empenho para nada!
- Tenha calma Escorpião. – pediu Shion. – encontramos uma situação completamente inesperada. Um ambiente diverso e com Lúcifer em Tenkai, qualquer movimento poderia ser fatal.
- E agora? – perguntou Dite.
- Iremos contar a Gabrian e achar um modo de ir ao submundo dos anjos.
- Mikael não vai deixar isso barato. – comentou Kanon.
- Ainda temos que lidar com ele.
Mu não prestava atenção na conversa, os sentidos estavam nos desenhos, pouco visíveis, da parede do templo. Tentava imaginar o significado deles. Talvez Raijin saberia.
- Ah! – soltou um grito de dor.
- Mu!? – Deba o acudiu. – o que foi?
O ariano gritava. Em sua mente ouvia vozes berrando por vingança. Não sabia de quem eram, mas o ódio que sentia provindo delas doía até no corpo.
- Mate... mate-os... vingança... – ele sussurrava. – mate-os.
- Mu. – Shion aproximou. – Mu!
- O que está havendo? – Dite o fitava preocupado.
- Ah! – berrou novamente. – me tira daqui... me tira daqui.
Assustados os dourados olharam entre si.
- Vamos sair daqui agora! – gritou Mask. Começou a sentir uma vibração de morte. – Anda!
Apoiando o ariano, Deba e Dohko o levaram. Dentro do submarino o ariano parecia inconsciente e só abriu os olhos, quando voltaram para a superfície.
- O que aconteceu? – indagou Gabrian, vendo o jovem ariano amparado. – cadê Atena?
- Depois explicamos. – Saga arrumou uma cadeira para Mu.- sente-se aqui.
Ele respirava com dificuldade.
- Por que ele está assim?
- Quando voltamos pelo portal, ele começou a gritar e repetir palavras desconexas. – disse Dite.
- Que palavras?
- Morte, vingança, etc.
- Eu... – Mu o fitou. – escutei vozes na minha cabeça. Eram de ódio. Não sei de quem...
Gabrian franziu o cenho.
- Foram dos lemurianos mortos.
- O que?
- Lemuria foi dizimada pelos arcanjos. Eles nem tiveram tempo de escapar. Mesmo com o passar dos anos, o sentimento de ódio, rancor e vingança continua enraizado nas ruínas. Ao entrarem em contato com um descendente, isso deve ter despertado eles. Eles querem vingança contra Tenkai. Se ficasse mais tempo ali, ficaria louco.
- Antes de entrarmos no templo principal, - Mu o fitou. – eu tive uma espécie de sonho. Revivi as últimas horas de Lemuria.
- São memórias enraizadas. – disse Gabrian. – isso aconteceria.
- E por que não me atingiu? – perguntou Shion.
- Você deve ser mentalmente mais resistente. Mas onde está Atena?
- Shaka a levou.
- O que? Lucy estava em Tenkai?
- É o que parece. – Saga respondeu. – não ficamos nem cinco minutos naquele lugar. Ouvimos explosões, com certeza foi um ataque.
- Isso é péssimo...
- Vamos voltar para o santuário. Nossa missão aqui acabou.
Em Tenkai...
An Clár, em queda livre, bateu contra as copas das árvores, a queda seria fatal.
- Senhor Gabrian. – fechou os olhos.
Faltava poucos metros para chocar contra o solo, contudo foi substituído por nuvens. Ela abriu os olhos percebendo onde estava. Ainda caia, mas em meio as nuvens brancas que formavam uma espécie de túnel. Segundos depois as nuvens brancas foram substituídas por negras. Raios cruzavam-nas. A cada metro, a tempestade ficava mais forte e a qualquer momento ela seria acertada por um deles. An Clár viu uma luz brilhante no final do túnel. Se chegasse até lá estaria salva. Ela atravessou o final do túnel, vendo nuvens brancas e a luz do sol atravessando-as. Apesar de escapar dos raios ainda estava em queda livre.
- Eu vou morrer...
Viu abaixo de si o oceano.
Os cavaleiros preparavam-se para retornar. A maioria já tinha embarcado no helicóptero, restando apenas Deba, Gabrian, Afrodite e Kanon.
O arcanjo estava com um pé para dentro quando olhou para trás em direção ao mar.
- Algum problema? – indagou Dite.
- Uma sensação...
Viram algo brilhante no céu chocar-se contra a água. Kanon reagiu imediatamente, pensando em se tratar de algum helicóptero ou de algum pára-quedista. Usando a velocidade da luz, entrou na água. O mar não estava agitado, mas se não chegasse rápido a pessoa, ou pessoas, poderiam morrer afogadas ou serem levadas pela correnteza marítima.
O marina apressava-se, mas parou de nadar ao ver a pessoa.
- "Um anjo?!"
Não pensou muito resgatando-a. Levou-a para a praia.
- Ei.
Deitou-a com cuidado na areia e começou a fazer a respiração boca a boca, quando notou que ela respirava, a virou de lado. A essa altura os demais cavaleiros estavam ao redor perplexos por se tratar de um anjo.
A pessoa expeliu a água, mas perdeu a consciência.
- Temos que levá-la para um hospital. – disse Kanon.
Gabrian que chegara por último pediu passagem. O coração estava oprimido. Quando os olhos negros bateram na vítima empalideceu.
- An Clár?!
