Capítulo 11: Batalha no Inferno


Depois dos estragos provocados por Lúcifer, os anjos contabilizam os prejuízos. Há milênios Tenkai não era manchada por conflitos. Após o surto de Mikael, Uziel achou melhor olhar os estragos. Elemiah seguia com ele.

Sobrevoavam um dos campos, quando encontram muitos corpos espalhados. Os dois pousaram no local.

- Quantos humanos! - bradou Uziel ao ver os corpos. - Lúcifer não teve pudor em usá-los!

- Como ele entrou aqui senhor Uziel? - indagou. - que eu me lembre Gabrian tinha selado o portal.

- Não faço ideia, primário, e isso é muito grave. Lúcifer continua com acesso a Tenkai.

- E ele tem a Aurien?

Uziel parou de andar, fitando o anjo.

- Espero sinceramente que não.

- E o que os senhores irão fazer? Iremos a Devakai?

- Não nos resta alternativa. Não podemos deixar Abisko na mão daquele traidor. Vou olhar outras áreas, - abriu as asas. - peça aos sentinelas que tirem esses imundos daqui.

- Sim senhor.

Uziel partiu. Elemiah voltou o olhar para os corpos espalhados. Podia-se ver no meio deles as armas que os seres da luz e os caídos usavam. Como a natureza dos anjos é desaparecer quando mortos, não tinha noção de quantos seres tinham morrido.

- A matança só começou… - murmurou.

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Depois de visitar Aioria, Raziel retornou para Tenkai indo direto para onde Mahasiah estava. Sitael e Dianeirah estavam no recinto.

- Onde estava? - indagou o anjo mais novo.

- Precisava espairecer. - respondeu seco. - como ele está? - fitou a jovem.

- Na mesma.

- Se continuar desse jeito ele… - cerrou o punho.

- Talvez… - Sitael lembrou-se de algo.

- Talvez o que?

- Lembro de ter ouvido de um dos meus mentores que o arcanjo da Terra sempre os orientava, a receberem raios solares pois ajudava na recuperação. Eu não sei se é verdade, mas…

- Gabrian sempre fez isso. - disse Diah lembrando de fatos passados. - Era muito comum ver ele e seus seguidores ao sol.

Raziel não disse nada, pegando o amigo com cuidado no colo.

- Raziel…?

- Não custa tentar.

O trio rumou para o quarto do anjo da Luz. Sitael puxou a cama para perto da varanda e o ex cavaleiro depositou o anjo.

- E os três arcanjos? - perguntou Diah.

- Eu me responsabilizo. - disse Raziel. - não se preocupem.

Os três fitaram Mahasiah. O ferimento ainda continuava, porém a coloração da pele tinha melhorado um pouco.

- Acho que isso é o máximo que podemos fazer. - Sitael ficou com pena.

- Também não existe conhecimento em Tenkai. - disse Diah.

Raziel pensou na Terra. Atena com seu poder não apenas curava as feridas de guerra, como também trouxe os ex companheiros da morte.

- " Tem que existir um meio."

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Mikael estava na sala da pintura. Sentado no chão, olhava fixamente para a gravura de Lúcifer. Por culpa dele, seus planos estavam ameaçados.

- Maldito… - murmurou. - eu vou destruir você, não importa o que eu tenha que fazer.

- Mikael…?

- Quero ficar sozinho.

Raphaelle não se importou com a frase, entrando no recinto.

- Ficar remoendo-se não nos ajudará. Precisamos agir.

- Onde está Uziel?

- Foi verificar nossas baixas.

- E Mahasiah?

- O ferimento não fechou. Levará um bom tempo para ele se recuperar. Apesar dele está incapacitado, Lucy tem um general a menos. Vamos invadir Devakai e destruir tudo.

- Vá até o lago e procure por An Clár. Talvez ela ainda esteja aqui. Quando Uziel voltar traçaremos um plano para varremos Devakai do mapa.

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Sitael deixou os dois anjos, iniciando uma ronda por toda Tenkai. Era certo que Lucy não voltaria mas todo cuidado era pouco.

Raziel puxou uma cadeira, sentando-se ao lado da cama do irmão.

- Acha que Lúcifer voltará? - Dianeirah aproximou parando ao lado dele.

- Ele que não se atreva.

- Todos vão pagar pelo que fizeram a Maha. Não tenha dúvida. - tocou no ombro dele.

- Obrigado. - segurou a mão dela. - sente-se aqui. - apontou para o colo.

A anjo estranhou, mas acatou. Raziel acariciou o rosto dela e no instante seguinte a beijou. Dianeirah ficou ainda mais surpresa, porém deixou-se levar. A cada contato de Raziel, sentia que algo dentro de si mudava.

- Obrigado por está sempre comigo.

- Sempre estarei. - sorriu.

Aiolos foi para beijá-la novamente, quando a imagem de Hilda apareceu na sua mente.

- Você precisa descansar. - a levantou de forma delicada. - e eu vou fazer uma ronda. Sitael ainda é uma criança.

- Está bem… - não entendeu o rompante dele.

- Descanse. - foi para dar um beijo na testa, mas parou. - até mais.

Abriu as asas e partiu.

- "O que está havendo com ele?"

Raziel foi em direção aos limites de Abos. Havia tido muitas batalhas naquele local. Sobrevoava um planalto quando viu diversas rachaduras no solo. Perto de uma delas, viu algo brilhante. O anjo da Luz pousou perto recolhendo o objeto.

- Isso se parece muito com… oricalco? - era um pedaço de uns trinta centímetros com várias trincas, o que levava a crer que desprendeu de algo maior. Seu elgin elevou-se por alguns segundos. - essa sensação… - fechou os olhos por instantes. - eles estiveram aqui?! Mas como?

Algum tempo depois, os generais e arcanjos estavam reunidos.

- Comece Uziel.

- Tivemos muitas baixas de anjos soldados. Ao contrário dele, pois utilizou muitos humanos. Hapse e Abos não foram muito atingidas.

- O lago realmente foi destruído. - disse Rapha. - felizmente não havia ninguém lá, nem mesmo nos arredores.

Os três arcanjos trocaram olhares.

- Como está Mahasiah? - Mikael olhou para Raziel.

- A ferida continua aberta.

- Não pensei que Yekun pudesse ferir de tal forma um general meu.

Jeliel abafou o sorriso.

- Jeliel, como estão suas feridas?

- Em poucas horas estarei bem senhor Mikael.

- Espero que seja capaz de servir a dois arcanjos. - a fala dele deixou todos surpresos. - até Mahasiah melhorar quero que ajude Raziel. Está de acordo Uziel?

- Por mim.

O anjo da Honra queria gargalhar. Faltava pouco para seu objetivo concretizar. Quando Mikael tivesse Abisko novamente ele já seria o novo general do arcanjo do Fogo.

- Senhor Mikael, - Aiolos ia contestar as ordens de seu senhor, mas deixaria ele vê-lo que Jeliel era muito inferior a Mahasiah. - encontrei vestígios de elgins dos humanos de Atena.

- Como? - berraram dos arcanjos.

- Tem certeza disso, Raziel? - Elemiah o fitou impressionado.

- Sim. E perto dali encontrei isso. - mostrou um pedaço de metal. - é oricalco, material muito usado pelos lemurianos.

- O que isso estaria fazendo lá? - Raphaelle olhou para os irmãos.

- Eles acharam o portal que ligava Lemuria a aqui. - disse Uziel de forma fria.

- Como eles podem ter achado? - bradou Mikael. - nós acabamos com aqueles traidores!

- Encontramos lemurianos no meio deles. - o arcanjo da Água respondeu calmamente. - podem muito bem ter informações sobre a antiga terra.

- Malditos… - Mikael cerrou o punho. - não bastasse nos atrapalharem no passado, aqueles ratos ainda levantam a mão contra nós… deveria ter caçado todos!

- Eles vieram atrás da humana. - disse Raphaelle. - não imaginei que teriam coragem.

- Eles terem acesso a Lemuria é o menor dos nossos problemas Mikael, - disse Uziel. - o problema é como Lúcifer entrou aqui. Gabrian fechou o portal.

O arcanjo do Fogo ficou com mais raiva.

- Eu vou exterminá-lo. Descansem, em poucas horas invadiremos Devakai.

Os generais retiraram-se.

- Será que alguém dará conta do recado? - brincou Elemiah. - servir dois arcanjos…

- Não será nada. - rebateu Jeliel. - vou provar que sou muito mais forte e competente que Mahasiah.

Diah teve que segurar Raziel.

- Você nunca será como ele.

- Não serei mesmo. Não fui eu que fui abatido.

- Seu…

- Senhores… - Elemiah entrou no meio. - o campo de batalha nos mostrará. Por enquanto… - fitou Raziel. - se os humanos vieram até aqui porque não vimos?

- De certo devem ter chegado no momento da invasão de Lúcifer. - disse Diah.

- Mas e depois? - indagou Sitael. - não teria como eles saberem que Lúcifer levou a humana. Certamente nos atacaria achando que ela estaria aqui.

- Se Raziel encontrou vestígios perto das batalhas podem ter sentido o elgin de Astaroth. - falou Jeliel. - eles não sentem isso?

- Ele tem razão. - Elemiah concordou. - mas mesmo eles sentido o elgin de Astaroth, não teriam como saber que Atena foi levada por eles.

- Eles se uniram? - jogou Sitael.

Os quatro generais o fitaram surpresos.

- Acredito que não. - Raziel tomou a palavra. - não seria o perfil de Shion. Tudo deve ter sido uma grande coincidência. Shion os lideraria a resgatar Atena enquanto Lucy buscaria Abisko. Eles só estavam no lugar errado, na hora errada. Como não viram Atena ser levada, podem ter recuado por causa da nossa batalha. Eles são destemidos mas não a ponto de enfrentar quatro arcanjos. Com certeza eles voltarão.

- Vamos massacrá-los. - disse Jeliel.

- Tenho outra dúvida. - Sitael levantou a mão. - você sabia enquanto humano, onde ficava Lemuria? Eles têm livre acesso?

- Shion nunca comentou comigo. - Raziel coçou o queixo. - e se me lembro bem, as terras ficam longe do santuário… pode ser que era um assunto restrito e não deu tempo de Shion repassar a mim. Nem Saga sabia.

Os cinco conversavam sem perceberem que Uziel escutava a conversa deles. Todos os pontos levantados eram pertinentes e Mikael e Raphaelle nas suas impulsividades deixavam passar.

- "Será mesmo uma grande coincidência?"

O.o.O.o.O

Kanon encontrou com Shion na sala do mesmo. Mu também estava lá.

- Mandou me chamar? - indagou seco.

- Sim. Que tom é esse?

- Nada. - virou o rosto.

- Mu te levará até Poseidon. - resolveu ignorar. - temos que deixá-lo a par do que está acontecendo, mas não mencione Gabrian e An Clár. Dê todos detalhes, inclusive dos nossos planos de invadir Devakai.

- Sim senhor.

Os dois partiram imediatamente. Mal relaxou na cadeira o telefone tocou.

- Senhorita Hil-da?! - até engasgou. - estou bem… ah a Atena?... Ela teve que viajar para o Japão por causa da empresa. Pedi Aioria, Aiolos e Giovanni que a acompanhasse. - disse depressa antes que ela perguntasse pelos cavaleiros. - o celular deles? - ficou vermelho. - devem está com algum problema… se bem que quando eles estão em missão não gostam de usar, mas pedirei que entrem em contato com vocês. - trocaram mais algumas palavras, até que ela desligou. - está aí o motivo de relacionamentos serem proibidos.

O.o.O.o.O

Astaroth entrou em seu quarto ressabiado. Sabia que seu senhor não era nada convencional, mas a ponto de beijar Atena?

- "O que tenho com isso." - pensou.

Não deu dois minutos recebeu uma convocação por parte de Azazel. O anjo da Morte os chamou no salão principal.

- O que devemos a honra? - brincou Nara.

- Devido a nossa luta em Tenkai perdemos uma boa quantidade de humanos corrompidos.

- No fim se mostraram uns imprestáveis. - comentou Gadrel.

- Mas evitou que os nossos soldados fossem mortos. - rebateu Azazel. - nosso exército está no entorno de Endor e destaquei alguns no entorno dois dois portais.

- Nos dois? - indagou Bel. - Mikael e sua corja virão pelo portal que liga a Tenkai. Qual a necessidade de guardar o de Ninkai?

- Os homens de Atena. - respondeu. - se tiveram a coragem de ir até Tenkai, irão descobrir uma forma de vir até nós.

- Vamos dizimá-los. - Gadrel pegou sua espada.

- Eles podem ser um problema, caso cheguem junto com os da luz e precisamos nos precaver caso eles façam um acordo com eles.

- Isso seria possível? - Narahim olhou para Shaka.

- Shion não é homem desse tipo de acordo. Eles jamais faria uma aliança conosco ou com os de cima, mas Azazel está certo. Será questão de tempo eles virem aqui. Se conseguiram um portal que liga Lemuria a Tenkai, podem descobrir um que ligue Ninkai até aqui.

- Por isso as duas frentes. - reiniciou Azazel. - Atena será guardada pelo senhor Lucy, Gadrel ficará responsável pelo portal de Tenkai. Kesabel o de Ninkai. Nara…

- Posso sugerir algo? - Shaka o interrompeu. - dois planos para a mesma situação.

- Fale.

- Na verdade, devemos nos preparar para três situações. Tenkai invadindo primeiro é o mais desafiador, pois teremos três arcanjos. Lucy ficará na proteção de Atena, mas acredito que você, Narahim, devem permanecer com o nosso senhor. Kesabel irá espalhar encantamentos por todo o castelo e nós três, - referiu-se a Gadrel. - iremos segurar os generais.

- Teremos Elemiah e Dianeirah. - disse Nara. - são primários.

- Você irá segurá-los. Mahasiah está ferido, Jeliel será facilmente derrotado e Raziel estará sobre o efeito dos encantamentos de Kesabel, ele ainda carrega o fardo humano.

Os generais olharam para Azazel. A última palavra seria dele.

- Diga o segundo plano.

- Uma invasão simultânea dos cavaleiros mais arcanjos. A configuração no entorno do nosso senhor seria a mesma, mas usaríamos os cavaleiros a nosso favor. Contra Sitael, Jeliel e Raziel eles lutariam. E nós iriamos segurar os dois primários da luz.

- A terceira opção?

- Uma invasão por parte dos humanos. Gadrel e Kesabel dariam conta de boa parte deles. Nara e eu terminamos com o resto. Dos três cenários, o mais favorável.

- Os dois primeiros seriam muito mais divertidos, - iniciou Naha. - mas gosto do que tem o mínimo esforço. O que acha Aza?

- Os três são passíveis de acontecer… verei com o senhor Lucy.

E por falar no arcanjo do Raio, ele estava fechado na sua sala. Depois do ocorrido com Atena, percebeu que precisava colocar seus planos em prática. Ele aproximou Abisko da espada para ver se algo acontecia, todavia não houve nada.

- Abisko só pode ser aberto em Aurien… Asher bloqueou boa parte dos portais e se Mikael demorou esse tempo é porque está procurando um portal para usar... e ao que parece nem An Clár sabe onde ele está…

A deusa olhava desolada para o campo aberto. O que poderia fazer para impedi-los? Escutou a porta ser aberta.

- Atena.

- Quem é você?

- Sou Azazel, o anjo da Morte.

- E o que deseja?

Ele não respondeu a princípio. De perto ela era ainda mais parecida com Asher. Atena também o analisava. Apesar do olhar frio, ele aparentava ser uma pessoa firme e que seguia à risca seus princípios. Deveria ser um anjo extremamente fiel a Lúcifer e forte, muito forte..

- Nada. Apenas pensei que meu senhor estaria aqui. - inventou, mas diante do olhar sério, Atena nem suspeitou. - com licença.

- Teremos problemas. - pensou.

O.o.O.o.O

Aioria tentava de toda forma transparecer que estava bem para Lifia e Hilda. Estava a mais dez minutos no telefone e não sabia mais inventar desculpas pela ausência de Aiolos, até Giovanni tomar o celular e começar a soprar.

- O que está fazendo?

Giovanni continuou a soprar, até que desligou o aparelho.

- Pronto, o aparelho sofreu interferência. - entregou o celular para o grego. - se ela ligar no templo, fala para o Shion dizer que está tendo interferência. Lá em Asgard o sinal é péssimo mesmo, elas vão engolir.

Aldebaran começou a rir.

- Ainda bem que é por uma boa causa, pois se ela descobre… - o brasileiro tocou no ombro do amigo.

- A fúria da Lifia eu consigo resolver, - Aioria guardou o aparelho. - o que nos espera é que será um problema. Já enfrentamos os anjos, mas não sabemos nada sobre os demônios.

Dite pensou em Kesabel.

- Eles não devem ser menos fortes que os demais. - disse Shura. - nosso problema atende-se pelo nome "homem mais próximo de Deus." Ele sabe tudo sobre nós.

- Shaka sempre teve um enorme poder. - Saga fitou os amigos. - e agora potencializado.

- Vocês o despacharam para Hades. - a voz de Mask mostrava total frieza. - podem fazer de novo.

- Shaka queria morrer Mask. - disse Kamus. - e isso facilitou muito.

- Não será fácil levantar a mão contra ele, - Dohko tomou a palavra. - mas é o que temos que fazer, infelizmente. Nossa missão é resgatar Atena e Abisko e devemos nos concentrar nisso. Entraremos num terreno desconhecido e o menor erro pode ser fatal, por isso quero todos atentos. - olhou para os companheiros. - se encontrarmos Shaka, pensem nele como inimigo, um vacilo e perdemos.

- Não precisa repetir isso ancião, faremos o que tiver que fazer. - Giovanni coçou a cabeça. - será como nos velhos tempos.

- Como assim? - indagou Miro.

- Cavaleiros de ouro discordando um do outro… o muro foi mesmo um milagre.*

Kanon retornou de Shounion trazendo os votos de boa sorte por parte de Poseidon.

Tinha chegado a hora de partir em direção a Devakai. Sentado no trono de Atena, Shion daria as últimas informações da investida. Gabrian também auxiliava.

- Levem isso. - Gabrian deu uma de suas penas a Dohko. - ela vai ativar o portal, quando passarem a destruam. Não pode haver indícios da minha existência. Para voltar, o portal abrirá normalmente. A passagem dará num imenso vale, ao fundo verão uma cadeia de montanhas e atrás delas possivelmente a cidadela de Lucy. É bem provável que o local onde Atena esteja seja semelhante às construções de Tenkai, um castelo.

- Esse vale é guardado por caídos? - indagou Kamus.

- Lucy irá fortalecer suas defesas, ainda mais sobre a ameaça de invasão por parte de Mikael. Vocês correm o risco de encontrá-lo lá. - Gabrian olhava para todos. - tomem muito cuidado com Narahim e Azazel, são anjos poderosíssimos.

- Afrodite irá espalhar seu veneno pelo castelo, - iniciou Shion. - Mu, estará encarregado de resgatar Atena e Abisko. Quando conseguir, volte imediatamente para o portal. Os demais abrirão caminho para você.

- Não enfrente Astaroth. - pediu o arcanjo. - ele vai usar Lemuria contra você. Desculpe cavaleiros, mas seu ex companheiro é muito ardiloso. E não se esqueçam: não deixem que a espada dele o toquem.

- Ao término do combate nos encontraremos no portal.

- Você não Shion. - disse Dohko. - ficará aqui junto com Gabrian.

- Eu irei sim.

- Precisaremos de alguém, caso algo dê errado. Poderá chamar Seiya e os demais.

- E quanto menos lemurianos melhor. - completou o arcanjo.

- Lembrem que não conseguimos sentir o cosmo deles, - iniciou Saga. - mas vamos nos basear pelo cosmo de Shaka e de Atena.

- Boa sorte homens de Atena. - disse Gabrian.

Os que ainda não estavam com a armadura, preparavam-se. Kanon aproveitou para visitar alguém.

- Está se sentindo melhor?

- O incômodo passou. - ela fitou a Escama dourada. - essa sua vestimenta é resistente, mas não o suficiente para parar um ataque das armas angelicais. Não deixem-os tocar em você.

- Gabrian nos disse isso inúmeras vezes.

- É sério Kanon. - a voz saiu mais firme. - se Gabrian não estivesse aqui, o irmão de Raziel teria morrido. Não subestime também Narahim. Ele pode parecer fraco, mas é dono de um poder extraordinário.

- Pode deixar. - sorriu. - voltarei inteiro.

- Boa sorte.

- Obrigado.

O grego tocou gentilmente as bochechas de An Clár. A jovem ficou surpresa, todavia não se afastou. O toque dele era quente e suave. Os olhos verdes, foram das íris prateadas para a boca levemente rosada. Kanon não pensou duas vezes, tomando-os. O ato assustou a jovem que recuou um pouco, mas o marina a segurou, trazendo-a mais para próximo de si. An Clár, não relutou mais porque as sensações que aquele ato trazia, eram completamente diferentes das ações de Mikael e Lúcifer. O cheiro do mar invadia suas narinas.

- Ka-non…

Ele parou na hora, recuando.

- Me desculpe… - ficou sem graça. - eu preciso ir. Cuide-se.

O anjo da Revelação, olhou a porta ser fechada. O que tinha sido aquilo? E que sensação prazerosa era aquela?

Os cavaleiros reuniram-se na porta principal do templo. Da janela de seu quarto, An Clár observava o movimentar. Viu Kanon. "Volte bem." - pensou.

- Cavaleiro de Libra, boa sorte. - disse Gabrian. - espero vê-los em breve e inteiros. - olhou a todos.

Num piscar de olhos, o grupo tinha sumido e reaparecido ao pé da trilha que levava ao vulcão Vesúvio que elevava-se a mais de mil metros de altura. De onde estavam, viam o vulcão à frente e uma cadeia de montanhas à direita.

- Bem vindos ao meu país. - disse Mask. - pena não ter ninguém para nos prestigiar.

- E o sol está se pondo. - Dite olhou para trás. - o portal deve abrir a qualquer momento.

- Então vamos. - Dohko tomou a frente.

Pegaram a trilha e rapidamente chegaram à boca do vulcão.

- Teremos que entrar aí? - indagou Miro.

- Não temos escolha.

Eles desceram a cratera com cuidado, alguns até taparam o nariz por causa do vapor quente que minava das profundezas, um claro indício que aquela obra da natureza estava a espreita. Dohko seguia na frente, pois carregava a pena de Gabrian nas mãos. Desceram até a visão começar a escurecer. Aioria abriu a palma da mão formando uma pequena bola de cosmo para iluminar o local.

- Devemos estar quase na base, o cheiro está forte. - Dite dirigiu-se aos companheiros.

- E o calor insuportável. - reclamou Kamus.

- Primeiro andamos de helicóptero - enumerou Miro. - depois mergulhamos e agora estamos dentro de um vulcão. O que falta acontecer? Naves espaciais? Daqui a pouco um de nós é ET. - gargalhou.

Desceram mais um pouco e um brilho incandescente começava a despontar. Tomaram cuidado numa parte íngreme que depois transformava em vários estalagmites. O calor estava forte até mesmo para os padrões dos que estavam acostumados.

- Não tem nada aqui. - Kanon queixou. - às vezes esse portal nem aparece com o pôr do sol, a luz nem chega aqui! - reclamou.

- Paciência Kanon. - pediu Saga.

Uma pequena discussão se iniciou.

Dohko também tinha suas dúvidas, porém não tinha outra alternativa a não ser prosseguir. Olhava para as paredes rochosas do vulcão quando sentiu a pena sacudir na sua mão. Logo em seguida ela começou a brilhar num tom esverdeado.

- Silêncio garotos.

A pena flutuou das mãos do libriano e a luz verde expandiu criando um rastro luminoso. Ela seguia alguns metros à frente e depois sumia atrás de uma parede rochosa.

- Vamos.

Eles escalaram a inclinação e o que surgiu para eles os deixou tão perplexos quanto nas ruínas de Lemuria. A base do vulcão estendia-se por quilômetros entre fendas e elevações, contudo o que os impressionava era que ao final desse terreno havia um vale cortado por um rio de larva e próximo ao rio uma construção em pedra de metros de altura em formato de portão. A luz esverdeada cortava as elevações, seguia serpenteando o vale e entrava no portal, formando uma barreira de luz.

- Que porra é essa?! - exclamou Miro.

- Kamus destrua. - Dohko entregou-lhe a pena.

O aquariano congelou a pena e depois a despedaçou. O grupo passou pelas inclinações e correu pelo vale parando nos degraus que conduziam ao portal.

- Nossa prioridade é abrir caminho para o Mu, - Dohko tomou a palavra. - Shura você ficará na base do portal. Qualquer sinal dos arcanjos ou de algum perigo nos avise imediatamente.

- Está certo.

- Confiança cavaleiros! Por Atena!

- Por Atena! - gritou o grupo.

Kanon e Saga foram os primeiros a atravessarem, quando o último passou, o rastro de luz apagou-se completamente.

Os cavaleiros sentiram-se como se estivessem em Hades. O cenário era um campo desolador sem qualquer traço de vida. Uma vasta planície estendia-se até uma cadeia de montanhas a quilômetros dali. O céu estava encoberto por grossas nuvens cinzas e o vento soprava gelado.

- Consegue ser pior que o submundo. - comentou Miro.

Olharam para trás quando a luz esverdeada do portal desapareceu.

- Não percamos tempo. - informou Dohko. - assim que chegar a Atena venha para cá imediatamente. - olhou para Mu.

Usando a velocidade da luz, atravessaram o vale e um rio de águas negras e lamacentas até alcançarem o pé da montanha. Não tiveram dificuldades, mas sentiram nitidamente a mudança de atmosfera ao adentrarem na densa vegetação de árvores altas com copas densas e folhas tão escuras quanto a noite. O ar exalava desolação. Por sorte não toparam com nenhum caído o que comprovava a tese de Gabrian que Lucy esperava um ataque vindo do céu e não deles.

Passaram pelo topo e quando estavam chegando aos pés da montanha, o ar ficou ainda mais pesado.

- Vamos sufocar antes mesmo de chegar ao castelo. - Afrodite tapava o nariz.

- Poderia ser pior peixe. - Mask o fitou.

- Só sei que não gosto daqui. - Aioria entrou na conversa.

- É um inferno queria o que? - rebateu o canceriano.

Miro também entrou na conversa, assim como Kanon. Kamus, Saga e Dohko seguiam na frente.

- Daqui a pouco Shaka vai notar nossa presença. - Kamus estudava o terreno.

- Lucy não nos encara como uma ameaça e Shaka voltou a ser o que era, então, ele pensa em nós como...

- … macacos na mão de Buda. - completou Saga lembrando-se da batalha nas doze casas em Hades.

- De Lucifer você quer dizer. - Os outros dois riram.

- Justamente e é por isso… - o libriano parou de falar arregalando os olhos.

Saga e Kamus notaram o olhar, volvendo o rosto para a mesma direção. O bando que seguia atrás não tinha percebido a parada dos três e Aioria, Miro e Mask acabaram trombando no trio.

- Avise quando for parar! - o leonino reclamou com Dohko. - por que parou?

- Aquilo responde a sua pergunta? - Mu apontou.

Os que ainda não tinham visto ficaram espantados diante da visão que despontava para eles.

O solo de onde estavam, até onde começava a construção, estava cortado por fendas que brotavam lava. Um passo em falso, seria tragado pelo líquido incandescente. Uma muralha feita de pedras serpenteava as construções. No meio dele, o que parecia a entrada principal, uma escadaria larga e com dezenas de degraus, conduzia o visitante até um portão menor, que também continha escadas atrás. Atrás da muralha podiam-se ver grandes edificações com torres pontiagudas e quadradas, numa típica fortificação medieval. O céu sobre o local estava tomado por nuvens negras e no meio delas clarões, proveniente de raios.

Os dourados avançaram, tomando o devido cuidado e pararam no último degrau da escadaria.

- Arrebento a porta ou devo bater? - brincou Mask.

- Simplesmente abra. - disse Dite.

Mask não poupou, dando um chute no portão feito de ferro.

Enquanto isso, no castelo principal, Shaka estava na janela com os olhos voltados para a entrada principal.

- Vieram mesmo. - sorriu.

- Os humanos estão aqui?! - indagou Gadrel.

- Sim. Irei avisar a Azazel. Kesabel faça as honras.

No seu quarto, Atena sentiu os cosmos de seus cavaleiros. Ficou feliz pela presença deles ao mesmo tempo preocupada, pois temia a retaliação dirigida por Lucy.

Dohko e os demais, subiam as escadas, estranhando não encontrarem com ninguém. Ao final, depararam-se com uma parte baixa do terreno, onde situava-se um imponente castelo em estilo gótico. Com máxima atenção, desceram as escadas chegando ao portão principal do castelo.

- As vezes esqueço que humanos podem ser obstinados.

A voz feminina os fez parar. Afrodite reconheceu na hora.

- Mostre-se.

Kesabel saltou do alto de uma torre parando rente ao pisciano que se assustou.

- Olá, cavaleiros da humana.

- Vocês, sigam em frente. - pediu Dite, não tirando o olhar de Bel. - eu seguro ela.

- Podem ir. - disse a própria. - não vão chegar a Atena mesmo.

- Ora sua… - Aioria cerrou o punho.

- Vão logo! - gritou Dite.

- Não demore. - disse Dohko. - vamos rapazes.

O grupo passou.

Kesabel trazia um fino sorriso. Gustavv estava simplesmente maravilhoso com aquela roupa. Dite também tentava se concentrar na batalha que começaria, mas não conseguia. A vontade de beijá-la o consumia.

- Tenebris… - ela sussurrou.

Do chão brotou raios negros que a certa altura cruzavam-se, formando um bloco fechado.

- O que… - Dite olhava para os lados.

- Não se preocupe, estamos apenas isolados do mundo exterior… - diminuiu o espaço entre eles. - ninguém vai nos atrapalhar.

O cavaleiro não esperava por isso, mas também não foi contra. Kesabel o beijou e Dite correspondeu. O ato apenas terminou pela volta da prudência por parte do cavaleiro.

- Fique longe de mim! - gritou Dite. Estava aos beijos com a inimiga.

- Assim fico triste.

- Que tipo de feitiço jogou em mim?

- Nenhum. - pegou a cauda começando a rodopia-la. - nós dois sabemos que existe uma grande atração entre nós.

- Cla-ro que não. - gaguejou. - se não sair da frente, vou machucá-la. - tomou posição.

- Não imagina o quanto fica lindo com essa expressão séria, mas já que quer brincar…

Bel estralou os dedos e o bloco se desfez. O sueco continuou com a guarda alta, contudo não esperava por um ataque daquele. O cosmo dela elevou-se rapidamente e ela disparou uma rajada de energia, fazendo-o bater no portão e cair no meio das escadas.

- Caralho… - tirava as pedras sobre si. - ela é forte.

xxxxxxx

Azazel aguardava a saída do seu senhor, para anunciar os intrusos. Eles não eram preocupantes, mas precisava informá-lo tudo que se passava em Devakai.

- Quer alguma coisa? - indagou Lucy assim que o viu.

- Os humanos de Atena estão aqui. Acabaram de passar pelo portão principal.

- Deixe-os. - deitou num divã. - não conseguirão fazer nada mesmo. Quero atenção no portal que liga a Tenkai. Eles sim são um problema. Leve todo nosso exército para lá.

- Atena permanece no quarto dela?

- Sim. - disse despreocupadamente. - eles são inúteis, mas conseguiram chegar até aqui. Não são de tudo burros. Se quiser brincar com eles, para aquecer pode brincar. Agora vá.

O anjo fez uma reverência e saiu.

Lucy fez seus tabuleiros aparecerem. As peças douradas estavam quietas, enquanto as marrons se moviam em direção às pretas.

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Os cavaleiros de Atena corriam pelos corredores sombrios da fortaleza de Lúcifer. Sentiam o cosmo de Shaka rondando-os, mas sem a iminência de um ataque. O corredor terminava num salão, iluminado por tochas. Era amplo e as paredes tinham alguns metros de altura feita por rochas. Ao centro havia uma estátua de três metros de um anjo com as asas envergadas. Ele segurava uma espada na mão direita e a lâmina estava apontava para quem surgisse pelo corredor.

- Esse lugar é estranho… - murmurou Miro.

- Parece até um mausoléu.

- Não seria nada mal para escórias como vocês são.

O grupo parou ao ouvir a voz. Sobre a lâmina da espada, estava um general de Lúcifer.

- Quem é você? - indagou Dohko.

- Sou Gadrel. - o caído deu um salto parando a certa distância deles. - o anjo da Tormenta. - os olhos arroxeados os fitavam com ironia.

- Sigam adiante. - disse Aioria tomando a frente. - eu cuido dele.

- Acha que pode me deter? - Gadrel gargalhou.

- Podemos sim. - Miro parou ao lado do leonino. - mestre continue. - fitou Dohko. - não temos muito tempo.

Dohko iria impedi-lo, mas Saga o segurou.

- Nos alcance depois. - o geminiano falou.

- Podem ir. - Gadrel cruzou os braços. - nunca chegarão a Atena.

Não levaram a provocação a diante. A situação não permitia exaltações a toa. Sem serem interrompidos, os dourados seguiram.

- Agora só restou nós três. - Miro apontou o indicador.

- Correção, nós dois. O exército de Lúcifer está entediado. Vá brincar com eles.

Gadrel estralou os dedos e Miro sumiu.

- Miro! - gritou Aioria.

- Não se preocupe, ele irá se divertir muito.

Quando Miro abriu os olhos, viu um enorme descampado a sua frente. Não tinha ideia de onde estava. Sentiu um vento gélido nas costas e no movimento para descobrir de onde provinha a brisa, acabou desequilibrando, caindo num buraco circular no chão.

Se não tivesse preparo físico, tinha morrido com a queda, pois a superfície estava a muitos metros acima dele.

- Que droga… - levou a mão às costas.

- Um humano…

O cavaleiro estreitou o olhar, pois começou a sentir inúmeras presenças ao redor de si.

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Com o grupo menor, os cavaleiros continuaram a correr pelos corredores do castelo de Lucy. Sentiram o cosmo de Miro desaparecer completamente, porém não poderiam voltar. Estavam prestes a alcançar outro salão, quando começaram a sentir o cosmo de Shaka. No instante seguinte uma luz muito intensa os cegou.

O primeiro a abrir os olhos foi Kanon. Estranhamente não estava mais no corredor e sim numa ala do castelo. O teto estava a dezenas de metros acima. O chão era cortado por caminhos e por entre eles serpenteavam riachos de larva. Não havia paredes internas, então podiam ver os vários níveis daquele lugar.

- Que lugar é esse…?

- Shaka nos separou.

Virou-se para trás deparando com o irmão.

- Shaka separou todos nós. - Saga examinava o local.

- Bem típico dele. Vamos continuar.

Saga reteu o braço do irmão.

- Não estamos sozinhos… - procurava onde sentia uma presença.

- Não sabia que a essência dos humanos poderiam ser divididas.

- Quem está aí? - perguntou Kanon.

Do meio das sombras, descendo um jogo de escadas, surgiu um anjo de asas negras.

- Sou Narahim, o anjo da Aniquilação.

Não muito distante dali…

Kamus e Dohko olhavam o local onde estavam.

Era um salão, ricamente decorado. Da porta onde estavam, estendia um tapete vermelho até um trono. Paredes em formato de arcos aumentava ainda mais a sensação de espaço do local.

- O cavaleiro de virgem quer brincar conosco. - disse o libriano fitando o trono.

- Vamos.

- Temos um problema antes. - Dohko não sentia o cosmo, mas aquela presença lhe era familiar.

- Não pensei que teriam a audácia de virem até aqui.

- Iriamos onde fosse para resgatar nossa líder.

- É admirável. - o braço direito de Lúcifer parou a certa distância.

- Azazel… o anjo da Morte. - Dohko tomou posição.

Aldebaran, Mask e Mu caíram separados. Ao contrário dos outros não encontraram nenhum anjo pelo caminho. Apenas Mu tinha a sensação de ser observado.

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Afrodite ficou de pé. O que Kesabel tinha de beleza, tinha de força. Se não tomasse cuidado ele poderia sair bem machucado.

Calmamente, a anjo caminhou em direção a ele, parando no alto da escada.

- Não quer resolver isso de outra forma? - sorriu.

Ele não respondeu, fazendo aparecer uma rosa vermelha. Rapidamente jogou contra Bel, que a apanhou no ar.

- Que gentil.

- Não quero lutar contra você. Em breve sentirá seu corpo paralisado, mas quando formos embora, o efeito passará.

Bel o olhou com espanto para depois rir.

- Ele realmente se preocupa comigo. - sorriu. - mas sinto te informar que o veneno das suas rosas, não surte efeito em mim. Nos meus milênios pela Terra aprendi muita coisa, inclusive imunidade a venenos. - andou até ele. - seríamos uma dupla perfeita.

- Rosas Piranhas.

Lançou o seu ataque, Bel ainda tentou segurar, mas foi atingida sem muita gravidade porque Dite não queria machucá-la. Era sua inimiga, mas não teria coragem de tentar algo.

- Kesabel, não levante.

- Eu não sou uma donzela. - levantou, olhando os cortes nos braços e na roupa. - se for para pegar leve, terminamos agora. - a anjo das Sombras elevou seu cosmo. - Tenebrium. - lançou uma bola de energia.

O cavaleiro percebeu que não seria um golpe comum, criando em torno de si uma barreira de roseiras. O ataque chocou-se violentamente, fazendo a barreira balançar. Bel aproveitou o momento e sacou sua espada, partindo em direção a ele. Não o acertaria, apenas queria assustá-lo. A lâmina chocou-se contra os ramos que rapidamente eram cortados. Dite contra atacou, fazendo os ramos entrelaçarem Kesabel.

- Não vai me segurar com isso. - ela tentou se soltar, mas os espinhos penetraram na pele dela.

O sueco ficou surpreso ao ver a coloração vermelho fluorescente sair dos cortes.

Não se dando por vencida e mesmo com os ferimentos, Kesabel girou a mão apontando a lâmina da espada para o peito do cavaleiro. Ele recuou pois sabia dos riscos de ser ferido pela arma.

Ambos se olhavam intensamente e a tensão que havia ali, não era apenas pela batalha. Realmente existia algo entre os dois. Dite desfez os ramos e ela deu um chute nele jogando-o no chão.

- Tenebris.

Novamente o bloco negro, os separou do mundo exterior. Kesabel ficou por cima de Afrodite e o cavaleiro esperou que o golpe viesse, entretanto foi surpreendido por um beijo. O cavaleiro aprofundou o contato e rapidamente girou, passando a ficar sobre ela. As respirações estavam entrecortadas.

- Gustavv…

A resposta dele, foi beijá-la novamente.

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Gadrel trazia a espada apontada para Aioria e o cavaleiro tinha ciência que se fosse atingido por ela, desta vez, não sairia vivo.

- Raziel é um fraco. Nem conseguiu te matar.

- Não fale assim do meu irmão.

O anjo gargalhou.

- Ainda se considera irmão daquele idiota? Humanos são patéticos. Não sei como Astaroth suportou todos esses anos vivendo ao lado de vocês.

- Você veio para lutar ou falar?

- Idiota… - sorriu.

Os cabelos prateados de Gadrel começaram a levitar, a medida que ele liberava seu cosmo.

- Vou destruir você.

Por milésimos de segundos, Aioria não foi acertado pela espada de Gadrel. Ela tinha passado rente ao peito dele. O cavaleiro saltou para trás para ganhar espaço, mas o anjo investiu novamente. Ele defendia-se como podia, já que não estava acostumado a uma luta com armas.

- Prove que nossa luta não será entediante. - Gadrel abriu a palma da mão esquerda formando pequenas chamas arroxeadas.

- Não será. Relâmpago de Plasma!

O ataque do leonino atingiu Gadrel que foi arrastado para longe, mas não surtiu muito efeito no anjo.

- Interessante. - tinha segurado o ataque com sua espada. - daria um bom servo do senhor Lúcifer já que domina raios.

- Jamais serviria a ele.

- Chamas negras.

Dezenas de bolas em chamas juntaram-se formando um redemoinho e partindo em direção ao grego. Aioria tomou a defensiva, conseguindo segurar o ataque.

- Nada mal para um garoto.- sorriu.

Gadrel jogou sua espada no chão, retribuindo o sorriso.

- Vamos brincar.

Partiram no mano a mano.

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Miro estava cercado por anjos e homens que mais lembravam demônios do que homens. O local também não ajudava, pois sentia um enorme calor vindo daquelas profundezas.

- O jovem usa um material interessante. - disse um anjo olhando a armadura. - é oricalco?

- Nem ousem tocar em mim. - apontou o indicador. - agulha escarlate!

O ataque abateu vários homens e imobilizou alguns anjos, mas eram muitos!

- Droga… - murmurou.

Para complicar a vida do grego, os anjos caídos sacaram suas espadas. Não acostumado a esse tipo de investida, Miro defendia-se como podia. Em homens comuns percebeu que seu ataque os eliminava, mas com os anjos teria que ser mais duro.

Estava tendo sucesso na estratégia porém o número de inimigos não parava de crescer e logo se viu no chão completamente cercado.

- " O que eu faço?"

Viu perto de si, uma espada.

Desde os tempos mitológicos, Atena tinha proibido a luta com armas, mas a situação não estava fácil para ele. Se Gabrian os alertou do ferimento feito por espadas, de certo que o mesmo valia para os seres alados.

- "Se todo mundo usa a Exclamação de Atena, por que não posso usar uma espada?"

Miro girou o corpo, pegando a espada. Usaria seu ataque nos homens comuns e a espada contra os anjos.

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Kanon olhava desconfiado para aquele rapaz que se apresentava diante dele. Ele parecia mais um garoto saído de um conto antigo do que um anjo. Ele não tinha nem asas!

- É falta de educação não se apresentarem. - disse Narahim.

- Saga, - apontou para si. - e Kanon.

- Eu não estou a fim de lutar, mas cumpro ordens. - deu nos ombros. - então podíamos resolver tudo o mais rápido possível.

- Claro que podemos. - Kanon adiantou-se. - você diz onde Atena está e nem precisaremos lutar. Nos pouparia do calor que está aqui.

- Ela está nos aposentos de Lúcifer. Fica oito níveis acima daqui. - respondeu simplesmente.

- Rápido e objetivo. Gostei.

Saga continuava em silêncio. Gabrian havia dito que aquele anjo era tão forte quanto os arcanjos, apesar da sua postura aparentar o contrário.

- Mesmo nos dizendo a localização dela, creio que não nos deixará passar. - disse Saga.

- Infelizmente. Primeiro ele. - apontou para Kanon.

Foi tudo muito rápido. Quando o marina percebeu, seu corpo chocava-se de forma violenta contra a parede. Caiu desacordado.

- Kanon!

- Não se preocupe, ele não está morto.

O geminiano mais velho ficou tenso. Não tinha visto o ataque e com um só golpe nocauteou Kanon. Assumiu a defensiva.

- Espero que você dure um pouco a mais.

Narahim partiu para cima de Saga, que se esquivava como podia, tamanha a destreza do oponente. Num dado momento, o anjo desferiu um soco no estômago do geminiano e depois o chutou. Saga foi ao chão.

- "Ele é muito rápido."

- Astaroth me falou muito de você. Que é um dos mais fortes da humana. Espero que seja verdade.

- Tire suas próprias conclusões.

O grego partiu para cima de Nara, atacando com toda força que tinha. O anjo defendia-se sem problema e sem esforço segurou o punho de Saga.

- Só isso?

Saga abriu a palma da mão disparando uma rajada de cosmo a queima roupa. Nara recuou vários metros, levando a mão à barriga.

- Muito bom. - sorriu. - mas vai precisar de um pouco mais.

O geminiano arregalou os olhos, quando percebeu Narahim bem próximo a ele. O anjo fechou o punho direito e deu um soco no cavaleiro. Saga foi jogado longe indo ao chão.

- "Que velocidade…" - pensou, levantando um pouco cambaleante. - apesar da sua aparência deve ser um dos mais fortes daqui.

- Modéstia parte. - sorriu. - sou um primário.

- Azazel, você e os dois de Tenkai.

- Fomos criados após os arcanjos. Temos lá nossos títulos. Você também não fica atrás. Astaroth disse que estão no topo da hierarquia.

- Assim como vocês.

- Pois muito bem, vou deixá-lo atacar com o seu melhor golpe.

- Normalmente não aceito ordens, mas a situação é delicada.

Saga começou a elevar seu cosmo. Tinha ciência que não o mataria com isso, mas se pudesse ao menos feri-lo já era de grande ajuda.

- Explosão Galáctica!

O ataque do geminiano partiu em direção a Narahim que sequer se mexeu. Houve o impacto e se alguém estivesse assistindo a luta, acharia que o caído tinha sido varrido do local, tamanho o desprendimento de energia, porém…

- Não é possível…

- É possível… - Nara segurou o golpe de Saga com a espada. - minha vez. Nihil.

Nara tocou com as mãos nuas a bola de energia de Saga. Ela se desfez.

- O que…

- Foi algo simples.

Nara partiu para cima de Saga, dando um soco e chute nele, levando-o ao chão.

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Kamus fitava a figura do anjo da Morte. Não conseguia sentir o cosmo dele, mas sabia que se tratava de alguém de enorme poder. As asas estavam recolhidas e a espada dentro da bainha.

- Como andam suas habilidades cavaleiro de Atena? - fitou Dohko.

- Estão ótimas, para um sujeito forte como você.

Azazel sorriu.

- Eu não tenho a intenção de matá-los, desde que voltem para Ninkai. Não há nada que vocês possam fazer para mudar o destino da sua deusa e os seus.

- Não nos subestime.

- Não o faço e até parabenizo a ida a Tenkai, mas não terão a menor chance estando nesse castelo. Será questão de tempo seus companheiros morrerem.

- Dohko. - disse Kamus trocando rapidamente um olhar com ele.

- Entendi.

Kamus e Dohko partiram para cima de Azazel. Reconheciam que o inimigo era forte e apenas a força combinada poderia derrotá-lo. O anjo soltou um suspiro desanimado.

- É inútil.

Apenas com as mãos parou o chute e o soco dos dois cavaleiros.

- São formigas tentando lutar.

Somente com o elevar do cosmo dele, jogou-os longe.

- Vai ser difícil. - brincou o chinês.

- Mas não é impossível. Ele dará uma abertura e aí conseguiremos.

- Assim espero.

Não era apenas com sua luta que Dohko estava preocupado. O cosmo de Miro, Aioria, Kanon e Saga tinham oscilado. Chegar até Atena não seria fácil.

- Pó de diamante!

O aquariano mirou no chão e nas pernas de Azazel para segurá-lo nem que fosse por segundos para que Dohko o acertasse.

- Cólera do dragão!

O ataque do chinês foi de encontro ao anjo, que estava distraído com a formação de gelo ao redor dos pés. A estratégia parecia que daria certo, mas o Primário simplesmente pegou sua espada e cortou o ataque de Dohko. Em seguida saiu facilmente do gelo formado por Kamus.

- Desistam!

Azazel abriu a mão direita fazendo surgir uma bola de energia negra. Ela se dividiu e acertou os dois cavaleiros, pois não conseguiram se defender. Ambos foram ao chão.

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A medida que Mu subia de nível pelo castelo, a decoração mudava. Tornava-se mais requintada, mas não menos sombria. O cavaleiro abriu uma porta de ferro e o que se mostrou a ele foi um corredor amplo, com enormes janelas que davam para o exterior do castelo. Dezenas de velas faziam a iluminação do local. Havia dezenas de pinturas de anjos na parede e ao final do corredor uma espécie de altar.

Olhava a decoração quando começou a sentir um cosmo conhecido. O dono sempre foi detentor de uma grande energia, mas após a descoberta que ele era um anjo sua energia duplicou.

- Mu de Áries.

Shaka surgiu por detrás do altar.

- Shaka…

- Conhecendo-os tão perfeitamente, achei que demoraram a virem até aqui.

- Onde está Atena?

- Protegida. Eu não imaginei que chegariam em Tenkai através do portal de Lemuria. Shion guarda muitos segredos.

- Ainda bem, senão você e Aiolos…

- Foi prudente.

O virginiano desceu os três degraus do altar. Para Mu, era estranho ver o companheiro trajando aquelas roupas.

- Lemuria foi destruída pelos três arcanjos como punição a Asher por ter levado Abisko. Primeiro um tornado, depois fogo e por último sepultamento pelas águas.

O ariano lembrou-se do tapete.

- O valoroso cavaleiro de Sagitário foi o anunciador dessa tragédia. Aiolos tocou a trombeta iniciando o fim.

Lembrou-se imediatamente da sua passagem por Lemuria. Realmente havia escutado o som de uma trombeta antes de cada evento.

- "Aiolos participou da destruição do meu povo…"

- E pensar que Aiolos era o sucessor de Shion… ironia.

Mu pensou em Raijin e sua família. Eles nem tiveram chance de defesa. Aiolos que lutou tanto para proteger a Terra, não se importou com a destruição deles.

- Os arcanjos e Aiolos não tiveram compaixão do seu povo, - Shaka caminhava lentamente até ele. - exterminaram sua raça e se não bastasse querem varrer a existência dos sobreviventes da Terra. Se eles ganharem, Shion e Kiki serão mortos. Sua raça será extinta.

- Aiolos não faria isso…

- Ele quase matou Aioria. - respondeu frio. - mas podemos evitar tudo isso se unirmos nossas forças Mu. Juntos vingaremos dos arcanjos e sua raça ficará livre da ameaça.

Shaka sabia que aquele era o ponto fraco de Mu. Se conseguisse convencê-lo teria um bom aliado. Os conhecimentos e poderes intrínsecos aos lemurianos poderiam ser muito úteis.

- Vingaremos de todos os algozes da sua raça e seus antepassados poderão descansar em paz. Aceite minha proposta. - estendeu-lhe a mão. - vamos lutar juntos como nos velhos tempos.

O ariano estava dividido. Vingança não os traria de volta, contudo os arcanjos não tiveram piedade nem das crianças. Exterminou-os. As vozes que tinha ouvido após a viagem a Lemuria começaram a ecoar em sua mente. Gritavam "vingança", "morte aos arcanjos" e palavras de ódio.

- Aceite Mu. Vingará a todos. - Shaka sorriu.

Mu fitou a mão estendida e estava prestes a aceitar…

- Não me faça ter que nocautear você, carneiro.

Shaka deu um leve sorriso ao escutar a voz.

- Preocupado com alguém, Máscara da Morte de Cancer?

- Não exatamente, só quero estragar seus planos Astaroth. - Giovanni parou há três metros deles. - continua o mesmo manipulador de sempre. Ainda não entendo como foi treinado por Buda.

- O plano do meu senhor foi perfeito, até um ser como ele foi enganado.

- Entendo. Mu, siga em frente. Precisa achar Atena.

- Mas…

- Eu cuido do nosso inimigo. Pode ir.

Mu assentiu.

- Boa sorte. - o ariano voltou o olhar para Shaka. - Shaka…

- Pense na minha proposta. - deu um sorriso fino. - agora vá.

Só quando Mu passou por uma porta lateral é que Giovanni relaxou. Se não tivesse chegado a tempo, o cavaleiro teria sucumbido a proposta de Shaka.

- Sua resistência é surpreendente. - disse o indiano. - recuperou-se bem do nosso último encontro.

- Deveria saber já que nos conhece tão bem.

- Verdade. - abriu os olhos.

- Eu começo ou você?

- Faça as honras.

Enquanto isso o ariano corria. Se não fosse pela chegada de Mask, tinha se aliado a Shaka.

- Sou um tolo…

Atravessou um salão, abrindo uma porta dourada. Ficou surpreso pois era um salão diferente dos demais. Estava todo iluminado e enfeitado por esculturas de anjos.

- O que…

Reparou no chão. Ao centro do local havia um grande tabuleiro de xadrez. De um lado peças douradas, do outro negras e ao centro marrons. Não deu muita atençao, porque sentia o cosmo de Atena ainda mais forte.

Na sala anterior…

- Golpe baixo ao usar os antepassados do carneiro.

- Só relatei a verdade. Eles foram exterminados, nada mais natural que uma vingança. - a expressão de Shaka era serena.

- É uma pena que se transformou numa pessoa tão baixa.

- Acha que os papeis se inverteram? - ironizou.

- Talvez. Mas chega de papo. Estamos aqui para lutar e não conversar.

- De certo que sim. - sorriu.

Mask arregalou os olhos ao perceber Shaka a milímetros dele. Não teve tempo de cruzar os braços sobre a face para protegê-la do soco. O canceriano por pouco não bateu na vidraça caindo do lado de fora do castelo.

- Cacete… - murmurou cuspindo sangue.

- Combate mano a mano nunca foi o meu forte. Não enquanto Shaka, mas na minha forma normal acho até divertido.

Avançou novamente, porém dessa vez, Mask conseguiu segurar o punho dele.

- Sempre quis lutar assim com você. Será um prazer.

Iniciaram um combate físico.


*Menção feita pelo Máscara da Morte no episódio 3 da Saga Soul of Gold