Aos 16 anos, realizei o maior sonho da minha vida: finalmente iria morar no país dos meus sonhos, no lugar que eu sempre fantasiei, e pelo qual era obcecada desde os filmes e séries que costumava assistir.

Foram anos ajudando meu pai no pequeno negócio da família — um mercadinho que se tornou popular em nosso bairro. Com essa renda, meu curso de inglês foi pago desde os meus cinco anos. E, graças a uma bolsa do cursinho, ganhei um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos!

Foram meses de preparação, a escolha de uma host family e, por fim, chegou o grande dia. Fui recebida pela minha nova família na noite do dia 25 de setembro de 2003. Eles estavam cheios de cartazes e fizeram uma grande festa na minha recepção. Havia planos para o dia seguinte — depois de descansar, me levariam para conhecer alguns lugares e experimentar a comida local. Eu estava tão animada!

O dia 26 de setembro parecia que seria normal. Pelo menos, era o que eu achava ao acordar. Minha "nova" família se preparava para cumprir as tarefas do dia; cada um seguiria com suas responsabilidades e, antes do anoitecer, me encontrariam no parque próximo à "nossa" casa.

Mal conseguia comer de tanta ansiedade. Apenas frutas me satisfaziam, enquanto as horas se arrastavam lentamente. Até que, finalmente, me arrumei e fui ao parque como combinado. Mas algo estava estranho: havia mais policiais nas ruas, algumas lojas estavam sendo fechadas, e não havia sinal daqueles que prometeram me encontrar ali. Respirei fundo e me sentei em um dos bancos, verificando o relógio a todo instante — mas ninguém apareceu.

A cada minuto, as ruas ficavam mais desertas, e as poucas pessoas que ainda passavam por ali estavam quase correndo. Havia algo muito errado. Não hesitei em voltar para casa. Liguei a TV imediatamente, mas o sinal oscilava. A rede telefônica estava fora do ar, e o desespero começou a tomar conta. "Que diabos está acontecendo?", perguntei a mim mesma, andando de um lado para o outro pela casa.

De repente, escutei um estrondo vindo da parede ao lado da sala: havia alguém dentro de casa. Engoli seco, peguei um vaso da mesinha de centro e caminhei lentamente em direção ao barulho. Os grunhidos ficavam mais altos à medida que eu me aproximava. Meu coração acelerava, minha boca estava seca e minhas mãos suavam. Até que a porta do cômodo se abriu. Sem pensar duas vezes, acertei o vaso na cabeça daquele... ser?

Me assustei com a aparência de quem me acolhera no dia anterior. Em um grito desesperado, saí correndo pelas ruas junto a outras pessoas, também em pânico. Carros passavam em alta velocidade, a maioria causando sérios acidentes. Helicópteros e aviões sobrevoavam em massa, com luzes ligadas que iluminavam as ruas mergulhadas em quase total escuridão.

Um militar me pegou pelo braço e me examinou dos pés à cabeça — olhos, boca, corpo — e, por fim, me jogou dentro de uma van com outras pessoas tão assustadas quanto eu.

Desde aquele dia, o mundo nunca mais foi o mesmo. O mundo havia acabado. Eu não sabia nada sobre a minha família, e cada novo amanhecer era uma batalha pela sobrevivência. Por anos, me refugiei em grupos, muitas vezes acabando sozinha. Lutei pela minha vida. Aprendi a atirar, a lutar, a me esconder.

Mesmo sem ter mais nada pelo que lutar ou sobreviver, eu continuava. Lutava na esperança de que, um dia, as coisas pudessem voltar ao normal — por menor que fosse essa chance. Vagava pelo mundo apenas para continuar lutando.

Até que fui encontrada. Até que fui levada a Jackson.