Sinopse: Klaus guarda um profundo amor platônico em seu coração pela Capitã das rosas azuis, a qual se mostra extremamente frígida com os homens, desprezando a todos, inclusive os sentimentos do nobre por si. Porém, um mero encontro na biblioteca poderia mudar completamente o conceito que Charlotte tem do nobre veteranos do Alvorecer Dourado, somado a um acontecimento de três anos atrás…

- Sem medo de amar -

Era final de tarde. O alaranjado pôr-do-sol tingiu o céu, e poucos minutos depois, as primeiras estrelas já começavam a brilhar na imensidão do firmamento. Em um dos quartos do Alvorecer Dourado, o som da água que caía do chuveiro era ouvido. Com a face voltada para o teto, sentia a água quente relaxar cada músculo de seu corpo atlético após um exaustivo dia de treinamento.

Enquanto aproveitava aquele agradável e merecido momento de descanso, a mente de Klaus retornava ao dia em que conheceu aquela pessoa… uma ninfa de beleza angelical. Ela era única, perfeita, como se fosse um anjo a pisar sobre a terra, o ser mais belo e sublime que seus penetrantes orbes magenta tiveram o prazer de contemplar. Balançando a cabeça em negativa, afasta essa lembrança, que para si era sinônimo de dor, e rapidamente coloca suas impecáveis roupas de nobre, seca os cabelos e ajusta os óculos em seu perfeito rosto. Mirando sua imagem no espelho do closet, dá um suspiro entristecido, saindo em seguida para o seu local favorito: a biblioteca.

A atividade preferida de Klaus era a leitura, principalmente gastar seu tempo livre se entretendo com livros de temática arquitetônica e magia de aço em geral. A base do Alvorecer Dourado era a que contava com a maior e mais completa biblioteca de todas. Não era raro o rapaz amanhecer em meio aos incontáveis livros ali dispostos, após ser vencido pelo cansaço sobre suas páginas. Ele era privilegiado por ter recebido uma permissão especial do Capitão Willian para fazer uso do acervo, não importando o dia ou a hora, e claro, o mago tirava um ótimo proveito disso.

Sentado em uma escada apoiada em uma enorme estante, que chegava até o teto do local, Klaus lia maravilhado sobre a arquitetura do Reino Spade. Vez ou outra, materializava pequenas maquetes do que via nos livros com sua magia de criação de aço, divertindo-se com as suas criações. Não percebeu quanto tempo havia se passado, e o relógio na parede marcava quase onze e meia da noite.

Ainda mergulhado naquele incomparável mar de conhecimento, leva um grande susto ao ouvir um estrondo bem perto de onde estava, dando um salto preciso, sendo ainda mais surpreendido ao dar de cara com uma imensa pilha de livros caídos de uma das estantes. Seu semblante se torna atônito ao ver que daquele monte de livros saiu Charlotte, que atordoada, batia as mãos pelo corpo, tentando remover qualquer poeira sobre si.

Sentada de qualquer jeito no chão, a loira sente seu coração quase sair pela boca, tamanho o susto que levou ao dar de cara com o azulado, que com sua expressão ainda interrogativa, piscava seguidas vezes tentando entender o que a bela mulher estaria fazendo nas dependências de seu esquadrão.

Sua natureza gentil imediatamente se fez presente, erguendo o corpo da Capitã como um exímio cavalheiro fazia com sua dama, ofertando a ela o seu mais encantador sorriso. Apesar de um insistente rubor invadir sua face, ela não sabia definir ao certo se era encantamento, raiva ou as duas coisas. Só o que pensou naquele instante é que sentiu saudade… daquele sorriso.

- Não me toque, estúpido! Não permito que nenhum homem coloque as mãos em mim! - rebate friamente, afastando as mãos dele com um tapa.

- Desculpe perguntar, mas o que faz na biblioteca do Alvorecer Dourado a essa hora, Charlotte? - indaga diretamente, ignorando a forma grosseira com a qual acabara de ser tratado. Klaus já conhecia muito bem a aversão que ela e as outras membros das Rosas Azuis tinham pelo sexo oposto, mas nunca permitiu que esse detalhe ofuscasse o que sentia pela sempre aparente frígida Capitã.

- Seu maldito! Quem você acha que é, cavaleiro mágico de quinta categoria?! - esbraveja possessa - Me chame de Capitã! E eu não devo explicação alguma a um homem que está abaixo de mim!

Por um momento, o coração de Klaus gelou. Era notável o quanto as palavras dela feriam sua alma, e refletindo sobre isso, virou-se de costas para ela, engolindo mais aquele insulto, e retornando ao lugar de antes. Pegou outro livro, e com seus olhos magenta compenetrados nas letras, as enxergava embaralhadas, pois seus orbes marejaram por conta da tristeza que invadiu-lhe a alma.

A loira, embora irritada pela atitude evasiva do azulado, pôs-se a procurar pela razão da sua presença ali: um livro mágico sobre roseiras, pois recebera permissão para acessar o acervo, mas não queria fazê-lo na frente de outros membros do esquadrão, optando por "invadir" o lugar na calada da noite, porém, jamais pensou que justamente ele estaria ali.

Ao mesmo tempo, Klaus limpava o canto dos olhos, ajustando os óculos, sem acreditar que aquela a quem dedicou seus mais profundos e intensos sentimentos pudesse lhe tratar tão mal apenas por ele ser um homem, e deduzindo que a maga estava ali obviamente à procura de um livro, decidiu ir até ela e dar-lhe o que necessitava, para que pudesse ir o quanto antes.

- Posso ajudá-la a encontrar o que procura, afinal, conheço esta biblioteca melhor do que qualquer um por aqui.

- Eu não preciso da sua ajuda! Ponha-se no seu lugar, mago de quinta! Me deixe sozinha! - mais uma vez insulta o veterano, cujos orbes entristecidos a miravam com espanto, sem perder sua habitual gentileza.

- Não mais permitirei que me insulte, honorável Capitã. - ironiza as últimas palavras, colocando-se na frente de Charlotte em um rápido movimento, prensando a linda mulher contra a parede ao lado desta - Por que me despreza tanto? Só porque supostamente "odeia" os homens ou me acha inferior? Você é uma nobre? Eu também sou, e há muito tempo aprendi que isso não é motivo para subestimar ou menosprezar outra pessoa, ou será que… - aproxima seu rosto perigosamente da face atônita dela, que paralisada, ouvia em silêncio - Toda essa sua raiva é por eu conhecer a sua verdadeira face… e ter me apaixonado por ela?

- Seu… maldito! Como ousa falar assim? - ativa seu grimório, retirando dele uma espécie de espada - Magia de criação de roseiral: caçador de corpos!

~ Flashback de três anos atrás ~

Era 19 de junho. Naquele exato dia, faziam dois meses desde que Klaus completara seus 15 anos, recebendo seu grimório e sendo aceito como um Cavaleiro Mágico do Alvorecer Dourado. Ele ainda não conhecia todos os esquadrões, menos ainda seus Capitães, pois fora aceito por sua linhagem nobre e por suas aptidões mágicas.

Certa tarde, ao explorar outros lugares do reino, se vê perdido em meio a um bosque, se perguntando mentalmente o que aquele conjunto de arvoredos fazia ali. O que mais lhe chamou a atenção, era que aquelas árvores possuíam uma peculiaridade em comum: eram todas roseiras de diferentes tipos, sendo cada uma delas responsável por um tipo distinto de flor, dando ao local uma infinidade de cores e beleza extremamente raro.

As pétalas que cobriam o chão detinham as mais diversas cores que se podia imaginar, e quando esvoaçavam ao vento, dava a impressão de que estava imerso em um paraíso. Klaus observava tanta beleza com o semblante abismado, até que algo bastante incomum o surpreendeu: galhos semelhantes aos de roseiras se moviam livremente, e seus espinhos causavam danos consideráveis em algumas rochas ali dispostas.

Cauteloso, tratou de acalmar sua mana, sentindo que havia mais alguém ali. Desviando de algumas árvores, eis que o azulado avista a responsável por aquela magia: Charlotte. No exato instante em que seus orbes avistaram a figura feminina, o coração de Klaus saltou em seu peito. Foi uma emoção que nunca pensou que pudesse sentir em sua vida, afinal, seu único foco era servir o reino e lutar com toda a sua força e empenho como um membro do esquadrão mais poderoso de Clover: o Alvorecer Dourado. Para ele não havia honra maior. Muito embora ele ainda tivesse quinze anos, o sentimento que surgiu naquela hora era sólido e intenso, como se tivesse visto por completo a alma da Capitã, principalmente quando ele a via interagindo com alguns animais, fazendo carinho, sorrindo, e às vezes os colocando em seu colo, o que apenas aumentava o fascínio do mago por ela.

Dois anos se passaram, e Klaus permaneceu observando sua amada em cada dia de treinamento. Com o passar dos meses, ele foi tomando ciência de toda a rotina da loira, e em silêncio a acompanhava sem ser notado. Até que há aproximadamente um ano atrás…

Era um dia de chuva, mas nem isso impediu a esforçada Charlotte de cumprir a fio sua rotina de treinamento. Contudo, ela acabara de retornar de uma missão, e sua mana se encontrava enfraquecida, mas isso não a impediu de continuar se esforçando em seus treinos, pois ela era severa e rigorosa até consigo mesma.

A chuva se intensificava cada vez mais, e até para Klaus estava ficando difícil se proteger dos fortes ventos e da água, mesmo se ocultando com um feitiço de magia de aço.

Enquanto Charlotte aperfeiçoava uma de suas técnicas, acabou escorregando ao saltar sobre uma pedra, que molhada, a fez cair por um segundo de descuido. Um grito estridente de dor é ouvido quando seu tornozelo bate com toda a força sobre a pedra, pois ela costumava treinar sem a armadura que vestia em público, calçando apenas uma simples sandália. Tamanha foi a sua surpresa quando seu calçado foi ao chão, e seu tornozelo envolto pelas mãos gentis do belo homem.

Charlotte arregala os orbes azuis, pois enorme era a sua surpresa, não pela presença do mago ali, mas sim pela "audácia" do mesmo em surgir diante de si. Sim… ela percebera há tempos que havia uma segunda pessoa "assistindo" seus treinos, mesmo assim, nunca se atreveu a querer saber de quem se tratava, para ela… bastava sentir aquela mana gentil e tranquila… que sem que notasse, era capaz de acalmar seu coração quando se sentia chateada ou triste.

Sem hesitação, Klaus rasga um pedaço da capa azul de seu uniforme, e com todo o cuidado do mundo, enfaixa o ferimento da Capitã, cujo corpo delgado estremece e esquenta ao mesmo tempo ao sentir o calor vindo das mãos do azulado sobre sua pele, embora jamais se atrevesse a admitir tal coisa nem mesmo para a sua sombra.

O que um Cavaleiro do Alvorecer dourado faz aqui? Estava me espionando, seu insolente?! - mesmo recebendo ajuda, seu tom é ríspido, mas Klaus não se intimida e continua a enfaixar o tornozelo da linda mulher com perfeição.

- Infelizmente não sou um usuário de magia de cura, mas isso deve bastar por enquanto. - sorri para ela, dando um nó no tecido, mergulhando seus olhos magenta nos azuis dos dela, e seu coração não evita acelerar pelo simples fato de estar tão perto da dona absoluta de seus pensamentos.

- Você é mesmo muito insolente, rapaz. - retruca em voz baixa, e seu tom demonstrava um cansaço extremo - Não permito que homem algum toque em mim.

- Sei o que pensa sobre os homens, mas, não deveria se esforçar falando por agora. Sua mana está baixa e é melhor que descanse. - disserta o mais calmamente possível, tomando a linda maga em seus braços, sem se importar com a chuva que caía.

- Mas o que pensa que está fazendo? Me ponha no chão nesse instante, ou farei uma queixa pessoal ao Capitão Vangeance. - tenta se desvencilhar dele, mas se encontrava deveras fraca, sendo carregada por ele em direção à base das Rosas Azuis.

- Certo, Capitã, aceito de bom grado que faça uma queixa de mim, mas não creio que o Capitão Vangeance me repreenda por ajudar uma companheira de armas.

A loira permaneceu em silêncio, pois já não havia mais nenhum argumento que pudesse usar para convencer o nobre a deixá-la. A exaustão fez com que seus olhos se fechassem, entregando-se ao cansaço nos braços do amável Klaus.

Seu corpo tremia devido ao frio causado pela chuva, e mesmo seus olhos estando fechados, Charlotte estava consciente até demais, e mesmo seu orgulho gritando com todas as forças em seu subconsciente, naquele instante, se encontrava inerte, completamente entregue àquele acaso do destino que não podia evitar.

Não havia uma só pessoa em todo o Reino Clover que não conhecesse a "aversão" que a Capitã tinha sobre os homens, e não se incomodava que todos pensassem que ela literalmente odiasse o sexo oposto, até porque, ela jamais permitiu que nenhum homem se aproximasse de si, muitas vezes se mostrando extremamente orgulhosa, negando ajuda masculina de qualquer natureza. Contudo, qualquer pessoa possuía o seu lado mais frágil e vulnerável, e seu atual esgotamento a deixou completamente exposta diante do jovem.

Mal sabia Klaus que durante aquele trajeto ele seria capaz de mexer com todos os sentidos de Charlotte de uma forma inesquecível. Ele a cobriu com sua capa, tentando protegê-la enquanto podia, ao mesmo tempo, o calor de seu corpo parecia se fundir ao dela. Roselei captava o calor do corpo do mago como se fosse um imã a atraí-la. Suas narinas captavam não apenas o suave perfume dele, como também o aroma de sua pele, e a proximidade entre eles a permitia sentir o bater do coração de Klaus quase palpável. Absorta naquele devaneio, se achou uma tremenda imbecil por se deixar levar pelo momento, mas teria que aceitar ajuda, mesmo que não quisesse, deixando que o cansaço vencesse o seu inabalável orgulho, desejando nunca mais deixar de sentir… o calor daqueles braços…

~ Flashback off ~

- Magia de criação de aço: Parede Blindada do Castelo de Aço!

- Bloqueou minha magia de ataque? Como raios fez isso, Cavaleiro de quinta?! - exclama indignada ao ver como Klaus bloqueou o seu ataque, e só o que conseguiu com aquilo foi derrubar vários livros de seus locais originais.

- Sou um Cavaleiro Mágico de terceira classe, corrigindo a sua depreciação. - se aproxima dela novamente, encurralando-a contra a parede - Não deveria usar tanta agressividade neste lugar. A biblioteca é um local calmo. Provavelmente alguns livros foram danificados, mas mudando de assunto, eu nunca esqueci… daquela tarde de chuva… - fala calmamente bem perto da face atordoada da mulher, cujas pernas estremecem por inteiro quando o hálito quente dele se choca contra o seu rosto, fazendo-a corar.

- Fique longe… não se aproxime de mim… - queria ter dito aquilo friamente e num tom de revolta, beirando a fúria. Queria gritar, se fosse assim possível, mas o ar faltou completamente. Estava perdendo a guerra contra si mesma, pois a única verdade, é que desde aquele dia, Klaus mexia com seus instintos, com sua razão, e estar tão próxima era como uma tentação torturante, mas para o seu desespero, o veterano do Alvorecer Dourado não estava disposto a ceder diante de sua recusa.

O corpo de Charlotte tremia ante ao nervoso. Se odiava por dentro ao ruborizar, falhando miseravelmente em ocultar seus sentimentos. Com um toque suave, as pontas dos dedos de Klaus deslizam pela moldura da belíssima face feminina, parando no queixo da Capitã, em seguida, passam estes pelos lábios carnudos e rosados da loira. Eles eram perfeitos, bem desenhados, e claro, bastante convidativos. O azulado não pensava em mais nada a não ser no sabor divinal que eles deveriam ter.

Tão inerte quando estava naquela tarde chuvosa, Charlotte apreciava aquela carícia, mesmo que lutasse contra sua mente para afirmar o contrário. Seus orbes azuis claríssimos não desviavam da figura masculina. Bem como naquele dia, ela admirava cada traço, cada expressão, e não podia negar como aquele maldito era lindo. Seus olhos eram belos, e o tom róseo destes transmitia tranquilidade e determinação. Seu rosto másculo possuía uma beleza singular, mesmo que isso a enchesse de raiva.

- Por que você é assim? - a Capitã indaga, quebrando o silêncio - Porque reage aos meus ataques com gentileza… e esse sorriso...? Isso só me deixa mais irritada.

- A explicação é simples: conheço sua verdadeira natureza. - não deixa de acariciar o lindo rosto de Charlotte, cuja vontade era sair correndo dali, antes que fosse traída por seus pensamentos e vontades - Você é… um anjo. E não falo da sua notável beleza, e sim da sua alma e seus sentimentos nobres. Eu te amo... com todo o meu coração.

O coração da bela maga palpita ante a revelação, não que estivesse surpresa, ela, de fato, não estava, o que mais lhe surpreendeu foi a "ousadia" do rapaz, que não se deteve, mesmo recebendo uma ordem de alguém que lhe era hierarquicamente superior. O que mais lhe dava raiva era a sua incapacidade de se esvair dali, mas não sem antes marcar aquele rostinho másculo e lindo com uma bela bofetada. E por que não fez o que seu lado racional se propôs imediatamente? Honestamente... não sabia.

Seu conflito interno, bem como suas divagações sem sentido, caíram por terra no exato instante em que sentiu suas respirações se misturarem, e seus lábios serem docemente capturados em um ósculo tranquilo e repleto de sentimento. As mãos de Klaus seguraram Charlotte firmemente pela cintura, e senti-las naquele gesto instigou seus mais íntimos instintos, fazendo seu perfeito corpo arrepiar e esquentar ao mesmo tempo.

Inicialmente hesitante, a Capitã tentava resistir, queria afastá-lo de si de alguma maneira, mas o calor dos lábios dele contra os seus a desarmou sobremaneira, e fechando os olhos, abriu a boca, dando passagem para que a língua do veterano do Alvorecer Dourado explorasse seu interior, logo provando o sabor um do outro.

Aquele beijo pareceu tocar o mais profundo de suas almas. O bailar lento das línguas dentro de suas bocas trouxe uma leveza ímpar aos seus corpos. Era como se estivessem pisando em nuvens, ou mesmo flutuando. Algo novo e distinto a tudo que Charlotte sentiu em sua vida. Não poderia negar, mesmo se quisesse, que estava amando aquela sensação. Era tudo muito novo para ela, e o prazer que sentia era indescritível, somado aos seus verdadeiros sentimentos, tornando aquele momento especial e único em sua vida. Sim… amava Klaus desde aquela tarde de chuva. Pôde sentir palpável em sua alma como ele sempre estava por perto a lhe fazer companhia, ainda que nunca tivesse coragem o bastante para se revelar, mas não mediria esforços para ajudá-la, mesmo que ela recusasse ou o rejeitasse. Nada o impediria de lhe mostrar a honestidade de seu amor.

Seus lábios se separam lentamente, e suas respirações ofegantes demonstravam o quanto o ósculo por eles trocado fora intenso e cheio de amor, até que Klaus é surpreendido ao sentir sua face arder ao receber uma bofetada de Charlotte, que por um momento esqueceu de todos os agradáveis pensamentos e sensações que acabara de ter, voltando à sua postura de praxe.

Em resposta, o mago a mira seriamente, e sem dizer uma única palavra, desata um por um os botões de suas impecáveis vestes, retira a faixa, bem como a camisa social que ficava por baixo, jogando todas as peças no chão sem nenhuma preocupação, exibindo seu tronco nu perante a Capitã, que perde o fôlego de pronto, ao mesmo tempo em que pergunta mentalmente porque diabos o azulado teve uma reação totalmente oposta, afinal, ela havia acabado de lhe dar um tapa, mas para a sua surpresa, nada parecia abalar a fortaleza de aço que era Klaus Lunettes.

- O que pretende com isso? Por que você simplesmente não vai embora e me deixa em paz? Sua atitude contraditória me deixa perturbada… por que…?

Sua frase é interrompida com o inusitado gesto de Klaus, que retira os óculos de seu rosto de modo sexy e elegante, jogando o objeto para junto de suas roupas, imediatamente levando suas mãos de encontro ao rosto ruborizado de Charlotte ao sorrir ternamente. Ela se impressiona com a atitude dele, pois em seu íntimo, achou aquele gesto deveras excitante. Como poderia achar tal coisa excitante daquela maneira a ponto de sentir sua parte mais íntima se contrair e escorrer sem que pudesse evitar? Aquele conjunto de sensações a deixava perturbada, mas ao mesmo tempo era algo prazeroso e agradável. O conflito em sua mente era grande, pois odiava se sentir tão vulnerável diante de um homem, mais ainda porque Klaus a provocava de uma maneira única. Talvez fosse o forte poder de sedução do nobre, característica marcante do signo de áries, ou sua beleza e honestidade. Não saberia dizer, até que as palavras do mago a tiraram de sua ensimesmação.

- Sabe porquê eu não faço nada do que acabou de citar? Como disse antes, conheço bem sua natureza. Você age dessa forma como uma tática de autodefesa, um meio de ocultar seus verdadeiros sentimentos. Vamos, Charlotte… - fala rente ao ouvido dela, que ofega sem que possa evitar - Abandone esse orgulho infundado que consome o seu interior, para que dessa forma… perca o seu medo de amar, pois estou convencido de que você também me ama e me deseja tanto quanto eu a você…

A nobre fica sem palavras. Como aquele homem irritante poderia estar tão certo em seus dizeres? Como alguém podia conhecê-la tão bem a ponto de saber com exatidão tudo o que se passava em seu coração? Sim, ele sabia, e para sua tristeza ou não, ela era plenamente correspondida. A verdade enfim foi dita: seu medo de amar era genuíno. Temia que algum homem ferisse seus sentimentos, mas Klaus era tão honesto em seus gestos e palavras, que era impossível ser indiferente a ele.

Fecha os olhos relaxada, assim que sente seus lábios selados aos dele mais uma vez. Como Klaus bem disse, de que lhe servia o orgulho, se este apenas atuava como uma amarra que a impedia de ser feliz, de viver o amor em sua plenitude, e de ser amada de igual maneira.

O ósculo seguia doce, porém muito intenso. Klaus trazia seu corpo para junto do dela procurando sentir o calor de suas peles em sintonia, e a única coisa que o impedia de fazê-lo era a armadura e a roupa que a loira vestia. Embora estivesse apreciando ao máximo aquela deliciosa troca de fluidos, a Capitã ainda não se permitia se soltar, entregar-se de cabeça àquele sentimento, já que era tudo muito novo e inusitado para ela. Seus braços permaneciam inertes. Ainda que estivesse entorpecida e maravilhada, precisava se libertar de seu próprio conflito interno, e este nada mais era o seu temor pela felicidade. Pensando nisso, rompe o contato entre eles com extrema calma, e Klaus apenas se limita a observar a figura feminina. A loira dá um sorriso quase imperceptível, enquanto uma a uma as peças da armadura que usava iam de encontro ao chão com sua própria magia. O azulado se surpreende ao ver que não apenas os ornamentos de metal, mas também as roupas que lhe cobriam o corpo já não estavam mais ali. Sim, Charlotte estava bem na sua frente, trajando nada mais do que uma calcinha e um sutiã de cor branca. Klaus mirava encantado. Sua vista chegava a doer perante tanta beleza. A cor daquele conjunto de lingerie o fazia estremecer, pois era tão alva quanto a pureza de sua alma.

Sem pensar duas vezes, a pega pelos quadris, sentando-a em uma enorme mesa ao lado deles. Aproxima-se, e sem demora, beija o canto dos lábios rosados, seguindo para seu rosto, onde trilha um provocante caminho pela pele aveludada da Capitã rumo ao pescoço, dando selinhos e breves chupões neste.

Eram tantas emoções em seu interior… Charlotte se via absorta em um misto de sentimentos e sensações jamais experimentadas. Era maravilhoso o calor que emergia de dentro de seu ser, e que consumia seu corpo em um agradável êxtase. Mesmo achando tudo aquilo uma loucura, decidiu se aventurar nesse caminho novo e inegavelmente excitante.

Por sua vez, Klaus nunca havia se sentido tão eufórico. Embora já tivesse tido algumas experiências, nada se comparava a ter a mulher amada em seus braços, e mesmo implicitamente, sabia que ela confiava em si, e nada poderia deixá-lo mais feliz.

A loira lutava internamente para conter as sensações que se apoderavam de seu corpo e alma, mas tão logo desistiu desse conflito sem sentido quando novamente sentiu o calor dos braços masculinos a envolver seu esbelto e sinuoso corpo. Eram tantas emoções dentro de si, e ao mesmo tempo tantas sensações que transbordavam perante a incontrolável libido que as mãos e os lábios de Klaus provocavam em seu ser.

As mãos deslizavam suavemente pelas costas nuas, sentindo em seu tato a pele macia de Charlotte arrepiar e esquentar ao mesmo tempo. A intensidade de mais um ósculo é quebrada quando ele abandona os lábios carnudos da loira, dedicando seus beijos abrasadores pela clavícula, chegando ao vale dos seios, sendo surpreendido quando a Capitã enlaça suas pernas em volta da cintura de Klaus, ao mesmo tempo em que sua intimidade escorre tamanha a excitação do momento, e a bela mulher não pensava em mais nada que não fosse desfrutar daquele prazer sem se preocupar com o que pudesse vir.

Levando a mão direita ao fecho do sutiã, o veterano desata a lingerie sem pressa, enquanto os lábios macios rapidamente chegavam ao seio esquerdo, ao que Charlotte vibra de prazer ao gemer enlouquecida ante o gesto ousado do homem, e um discreto sorriso de satisfação surge em seus lábios quando ele afasta sua calcinha lentamente. Por um segundo pensou estar enlouquecendo. Jamais em sua vida imaginou sorrir ao ser tocada de modo tão íntimo por um homem, os quais tinham o pior conceito para si, mas agora estava ali, absorta e entregue ao veterano do alvorecer dourado.

Com todo o cuidado, leva seus dedos à intimidade incandescente da loira, mas logo se detém ao notar algo que o chocou.

- Charlotte… você é…? - indaga possesso, enquanto ela ruboriza levemente.

- Sim… eu… nunca estive com um homem, então…

- Não precisa dizer mais nada… - leva sua mão ao rosto macio de sua amada, esboçando um sorriso sincero e compreensivo - Eu não fazia ideia… não quero roubar de ti este momento tão especial, por isso, quando você estiver pronta…

- Klaus… você é maravilhoso! - o abraça com euforia, depositando alguns beijos no peitoral forte do rapaz, que por um breve momento, não entende.

- Vamos para a base do meu esquadrão. Esta noite, quero você na minha cama.

Dois meses depois…

Os corações acelerados e as respirações entrecortadas denunciavam o primoroso prazer adquirido pelo orgasmo magnífico que o casal acabara de atingir, e conectados um ao outro, contemplavam o brilho da lua cheia que adentrava o quarto de Charlotte, que por cima de seu homem, cavalgava o membro ereto com maestria, e exausta de tesão, deita-se sobre ele, capturando-lhe os lábios em um ósculo fervoroso, sem dar descanso a Klaus, que por um momento se pegou refletindo em como a frígida mulher de outrora se mostrou uma incansável amante em seus braços, nada do que ele tenha a reclamar, é claro, mas nunca o deixou de surpreender positivamente. Aquela foi apenas mais uma das muitas outras noites compartilhadas por ambos, seguido do desejo latente de estarem juntos, por toda a vida…

- FIM -

Bem, foi isso. Espero que tenham gostado do conto e do casal inusitado :)