Acordei com uma sensação diferente no peito — algo que eu nunca tinha experimentado antes. O som do vento entre as árvores e o farfalhar das folhas em volta da vila pareciam mais suaves, quase harmoniosos. Eu não sabia se era o cansaço depois do exame ou se era outra coisa — talvez a felicidade, enfim tomando conta de mim, fazendo cada som parecer mais bonito, mais nítido.

Quando abri os olhos, um sorriso escapou antes mesmo que eu entendesse por quê. Como se o meu corpo já soubesse, antes da minha mente, o que havia acontecido. Era alívio, sim, mas também uma onda quente de gratidão. Eu tinha conseguido. Eu era uma Genin.

Sentei na cama devagar, sentindo o chão frio sob os pés. A gravidade parecia mais leve, e o mundo... maior. Meu coração batia firme — forte, mas calmo. O que me esperava agora? Eu sabia que aquela era só a primeira etapa. Mas, naquele instante, o futuro brilhava de um jeito novo. Eu sentia como se pudesse alcançá-lo com as mãos. Eu queria gritar de alegria.

Levantei-me com calma, deixando a cama para trás no ritmo acelerado do meu coração. Fui até a janela. A Vila da Folha despertava com o dia, e pela primeira vez, parecia que eu também estava despertando — de verdade. Uma paz silenciosa morava dentro de mim, mesmo com o corpo vibrando de energia. Algo tinha se alinhado. Algo em mim.

Por um instante, fechei os olhos e lembrei. O suor escorrendo, a tensão nos ombros, a voz da Ino me puxando de volta quando eu quase desisti. Aquilo tinha sido real. Tudo. E agora... isso também era. A conquista. O mérito. O merecimento. Era só o começo, mas sentir que eu havia vencido algo — e vencido sendo eu mesma — era indescritível.

Afastei-me da janela ainda com o sorriso no rosto e comecei a me vestir. Minhas mãos pareciam mais leves, meus passos mais certos. Cada movimento tinha um propósito, como se eu já estivesse respondendo a um chamado. O que viria a seguir, eu não sabia. Mas sentia, no fundo, que tudo até aqui havia me preparado para esse momento.

Desci as escadas tentando domar a ansiedade. O dia mal começara e já parecia diferente. Cada passo em direção à cozinha soava como um passo em direção ao meu futuro.

— Parabéns, Sakura — disse minha mãe, surgindo na porta com aquele sorriso que sempre misturava orgulho e aviso. — Mas lembra: agora começa de verdade, hein?

Assenti com a cabeça, ainda sorrindo. Eu sabia disso.

— Obrigada, mãe — respondi com um sorriso largo, mas mal terminei a frase e já senti a pergunta surgindo na minha mente, pesada demais para ignorar. — Eu... posso ser chamada para uma missão logo?

Ela me olhou com aquela expressão serena que só as mães têm, como se já soubesse o que eu estava sentindo antes mesmo que eu dissesse.
— Não se preocupe com isso agora, Sakura. Aproveite esse momento. O futuro vai chegar no tempo certo — disse ela, inclinando-se para me dar um beijo na testa.

Aquele gesto, simples e caloroso, me envolveu num acolhimento que só o toque dela conseguia trazer. Ela estava certa — eu sabia. Eu não podia me apressar. O que estava por vir, viria. E eu precisaria estar pronta, sempre.

Minha mente voltou, inevitavelmente, ao exame. O instante em que fui chamada, os nomes anunciados, a sensação crua de conquista. Era algo que palavras não conseguiam tocar. Mas, como uma onda quebrando em pedras, a realidade logo começou a se impor. Agora era diferente. Eu estava em outro patamar. Não se tratava mais apenas de notas ou desafios entre colegas — agora era o mundo real, e com ele, vinham responsabilidades que doíam, exigiam, pesavam.

O que aconteceria a partir de agora? Eu teria que me juntar a uma equipe. Me reportar a um líder — provavelmente um Jōnin. Eu não fazia ideia de quem seria, mas já sentia a tensão se formando nos ombros. Teria que aprender a confiar, a cooperar, a fazer parte de algo que ia além de mim. Me lembrei dos rostos que cruzaram meu caminho no exame — Naruto, Sasuke, Ino. E pensei: eu não podia deixar que a distância ou a pressão nos afastassem. Mais do que nunca, eu precisava deles. Precisávamos uns dos outros.

O futuro estava à minha porta, chamando por mim. E eu sentia que teria que me entregar por completo — não apenas por mim, mas por todos ao meu redor. Ser um ninja... não era só aprender jutsus ou dominar técnicas. Era entender o peso do que se defendia. Ser parte de algo maior. Carregar um propósito além do próprio nome.

Quando saí de casa, o ar da manhã me envolveu com seu frescor. O sol começava a surgir atrás dos telhados de Konoha, tingindo o céu com cores suaves de dourado e laranja. A vila ainda estava silenciosa, como se respeitasse o instante que se desenhava — como se o mundo segurasse o fôlego junto comigo.

Caminhei pelas ruas com o coração disparado. Cada passo parecia ressoar com um novo significado. Eu era, enfim, uma Genin. Mas mais do que isso: eu era uma versão de mim mesma que ainda estava se formando. Tudo parecia um sonho — real demais para ser ignorado.

Antes que eu saísse de vez, meus pais me encontraram na porta. Minha mãe me envolveu num abraço apertado, os olhos cheios de emoção. Meu pai pousou a mão no meu ombro com firmeza — um gesto silencioso que dizia: "você cresceu".

— Boa sorte hoje, Sakura. Seja forte. Confie em si mesma — disse ele.

Assenti, com o coração quente, e prometi que daria o meu melhor. Me despedi dos dois com carinho e segui em frente, sentindo que algo dentro de mim — algo profundo — havia mudado para sempre.

À medida que me aproximava da Academia, fui reconhecendo rostos familiares no horizonte. Naruto apareceu correndo, ofegante como sempre, com a energia de quem não se cansa de repetir seu sonho de se tornar o Hokage, gritando em alto e bom som sobre como seria o melhor de todos. Sasuke, como sempre, estava encostado na sombra de uma árvore, os braços cruzados e aquele olhar gélido que escondia uma determinação tão sólida quanto pedra. Ino surgiu logo atrás, ajeitando o cabelo nervosamente, lançando olhares rápidos e incertos para todos ao redor. Shikamaru estava lá também, bocejando e com as mãos nos bolsos, como se nada nesse mundo fosse digno de sua atenção. Chōji mastigava um salgadinho, o semblante tranquilo, imune a qualquer coisa que pudesse perturbar sua paz. Até Hinata apareceu, tímida como sempre, evitando o olhar de Naruto, mas não conseguindo esconder o brilho de empolgação que brilhava em seus olhos.

Entrei na sala de aula, e a tensão era palpável. O ar estava denso de expectativa, como se todos nós estivéssemos aguardando a revelação de algo que mudaria nossas vidas para sempre. Era ali que nos formaríamos, oficialmente, em times. Era ali que a realidade, que até então parecia distante e abstrata, tomaria forma.

Eu me sentei próxima à janela, tentando observar cada um dos meus colegas. Minha mente não conseguia parar de divagar. Como seriam os times? Eu ficaria com Naruto? Ou com Sasuke? Será que conseguiria provar que era tão boa quanto eles? Será que, finalmente, eu conseguiria fazer meu nome ser reconhecido?

O murmúrio das conversas sussurradas na sala ecoava em meus ouvidos, as risadas nervosas misturadas com olhares ansiosos. Então, a porta se abriu, e Iruka-sensei entrou, segurando uma prancheta nas mãos. Seu sorriso contido transmitia um orgulho silencioso, mas era claro que ele sabia a magnitude do momento. Ele olhou para todos nós e falou com firmeza, mas com um toque de carinho:

— Parabéns a todos por terem passado. Hoje é um dia especial. A partir de agora, não são mais apenas estudantes da Academia. A partir de agora, vocês são ninjas de verdade, Genins de Konoha.

A sala explodiu em murmúrios, sorrisos e suspiros. Eu sentia meu coração disparar, mas o ritmo da minha respiração parecia completamente fora de controle, ecoando no vazio entre o que tinha sido e o que estava prestes a acontecer. Iruka-sensei continuou:

— Agora, vocês serão divididos em equipes de três. Cada equipe terá um Jōnin como sensei. Juntos, vocês irão trabalhar, treinar e crescer. Confiem uns nos outros.

Eu estava completamente tomada pela ansiedade. O tempo parecia desacelerar, e meu corpo se sentia cada vez mais tenso. Como se cada segundo fosse puxado por fios invisíveis, me suspendendo entre o passado e o futuro. Eu estava prestes a descobrir com quem passaria meus dias, com quem dividiria minhas vitórias e fracassos. Com quem enfrentaria as missões mais difíceis da minha vida. Meu peito se apertava a cada nome anunciado, como se cada respiração fosse mais curta que a anterior.

Iruka-sensei prosseguiu, cada palavra dele parecia mais solene que a anterior, preenchendo a sala como uma melodia pesada e inevitável. Ele parecia prolongar a tensão de forma deliberada, como se quisesse que todos sentissem o peso do momento.

— Time 1... — Ele falava com calma, como se tentasse dar tempo para que a ansiedade se alastrasse, para que cada nome fosse uma batida a mais de um tambor. — Time 2... — E nada. — Time 3... — Ainda não era o meu.

Meus olhos percorriam a sala, observando as reações dos outros. Alguns estavam sorrindo, outros com o cenho franzido. Naruto, não surpreendentemente, já estava começando a reclamar em voz alta, sem se importar com o que estava acontecendo ao redor. Sasuke, sempre impassível, parecia mais distante do que nunca.

Então, a voz de Iruka-sensei soou novamente, e dessa vez, o som parecia vibrar nas paredes, reverberando dentro de mim.

— Time 7... — Ele pausou, e eu senti minha respiração falhar. Meu corpo todo se enrijeceu, como se o tempo tivesse parado ali, exatamente naquele segundo. — Uzumaki Naruto...

A explosão de — YEAH! — de Naruto soou como uma afirmação de sua própria confiança, como se ele já soubesse que esse era o seu destino.

— Uchiha Sasuke... — A sala inteira pareceu prender o fôlego. E, por um momento, o mundo inteiro desapareceu.

— ...e Haruno Sakura.

Foi como se o chão fosse arrancado sob meus pés. Meu coração disparou, e uma onda de emoções tomou conta de mim. Eu não sabia se estava feliz, nervosa, ou assustada. Mas ali estava eu, naquele exato momento, ligada ao destino de Naruto e Sasuke. E, mais do que nunca, sabia que o que viria a seguir seria mais do que eu poderia imaginar.

Meu coração parou por um segundo. Foi como se o tempo tivesse travado — e então, explodiu. Eu? Com Sasuke e Naruto? Ao mesmo tempo que o nervosismo aumentava, uma onda de calor subiu no meu peito. Eu não sabia exatamente o que sentir. Naruto me irritava quase o tempo todo, mas... Sasuke. Eu estaria no mesmo time que o Sasuke.

Naruto soltou um grito de protesto tão alto que até o quadro negro pareceu tremer.

— O QUÊ?! Eu com esse cara?! Isso é algum tipo de piada?!

Sasuke apenas lançou um olhar de desprezo e virou o rosto. Eu fiquei ali, tentando controlar meu rosto para não sorrir demais. Uma parte de mim estava aliviada, outra empolgada — e, no fundo, um pouco preocupada. Não seria fácil equilibrar dois garotos tão diferentes... e ainda provar meu valor como ninja.

Iruka-sensei continuou a leitura dos outros times, mas eu mal escutava. Meu corpo estava presente, mas minha mente já estava imaginando o futuro. Como seria nosso sensei? Que tipo de missões faríamos? Será que conseguiríamos trabalhar em equipe? Eu sabia que, a partir daquele momento, minha vida nunca mais seria a mesma.

Depois do anúncio de todos os times, Iruka nos informou que deveríamos aguardar nossos respectivos senseis chegarem. Então, nos espalhamos pela sala. Naruto continuava reclamando, andando de um lado para o outro, enquanto Sasuke parecia não se importar. Eu me sentei em silêncio, observando os dois. Uma parte de mim sentia que esse time — por mais estranho que fosse — poderia se tornar algo incrível.

Eu estava oficialmente no Time 7. E isso... era só o começo.

O tempo passava devagar demais.
Depois que Iruka-sensei saiu da sala, a excitação inicial foi se esvaindo como fumaça ao vento. Todos os times já haviam sido formados, e agora, o que restava era esperar pelos nossos respectivos senseis. A atmosfera, antes carregada de tensão e expectativa, foi se tornando... estranhamente comum. A normalidade se instalou, mesmo naquele momento tão importante.

O tempo parecia que estava congelado. A sala estava tomada por um silêncio ansioso. Nenhum de nós estava realmente conversando. Todos os pensamentos estavam na porta, onde o nosso sensei ainda não havia chegado. Mas, enquanto o resto da turma aguardava, com os nervos à flor da pele, o coração batendo mais forte a cada minuto, Naruto estava, evidentemente, no modo "travessura".

Meus olhos estavam fixos no relógio, contando os segundos. Eu tentei ignorar Naruto, mas a ansiedade que ele irradiava era impossível de não perceber. Ele se mexia constantemente na cadeira, os olhos brilhando com uma ideia claramente travessa. Quando ele levantou de novo, não pude deixar de sentir um arrepio de medo.

— Ah, não... — murmurei, já sabendo onde isso iria dar.

Naruto caminhou até o quadro-negro com um sorriso travesso, pegou o apagador e, com um movimento rápido, se dirigiu até a porta da sala. Ele subiu na ponta dos pés, com a precisão de um ninja que, embora desajeitado, possuía alguma destreza. Colocou o apagador exatamente em cima da porta. O objeto estava posicionado de tal maneira que, ao ser aberto, ele cairia diretamente sobre a cabeça de quem estivesse do outro lado. Um truque simples, mas típico de Naruto.

— Pronto! — ele exclamou baixinho, voltando para seu lugar, todo orgulhoso.

Eu olhei para ele, suspirei profundamente e passei uma mão na testa.

— Você realmente vai fazer isso, né? — falei com um misto de cansaço e resignação.

Ele me olhou com um sorriso imenso, os olhos brilhando de excitação.

— Vai ser hilário, Sakura-chan! O sensei vai ficar todo branco de giz! — disse ele, praticamente se contorcendo de tanta alegria.

Por um momento, observei Sasuke. Ele estava tão imerso no seu próprio mundo que nem se deu ao trabalho de se mover ou até mesmo lançar um olhar em direção a Naruto. Seu rosto estava impassível, como sempre. Para ele, aquele tipo de comportamento era apenas mais um detalhe insignificante, algo que não merecia atenção.

A espera continuava, e o silêncio na sala era absoluto. A tensão estava quase visível no ar. Não era nem o calor do ambiente que causava esse desconforto, mas a expectativa de quem entraria pela porta em seguida.

Eu não sabia se ria ou ficava com raiva de Naruto. Por um lado, sabia que ele não conseguiria evitar fazer esse tipo de coisa, mas por outro, eu já podia até imaginar o que aconteceria se o nosso sensei, quem quer que fosse, entrasse e acabasse levando o apagador na cabeça. O que aconteceria com ele depois?

Finalmente, o som da porta se abriu, cortando o silêncio como uma lâmina afiada. Todos os nossos olhos se voltaram para ela.

Com a porta se movendo, uma sombra apareceu do outro lado. Estava chegando o momento.

Naruto, como uma criança que finalmente encontra seu presente de Natal, se endireitou na cadeira, um sorriso malicioso estampado em seu rosto. Ele se preparava para ver a reação do sensei quando o giz começasse a cair em sua cabeça.

Mas então, a porta se abriu completamente.

E, para surpresa de todos, a figura que entrou na sala não era apenas qualquer ninja. Era alguém diferente, alguém que tinha uma aura descontraída, misteriosa, e que, sem qualquer esforço, fez todo o clima na sala mudar instantaneamente. O homem entrou calmamente, como se já soubesse exatamente o que estava acontecendo.

Ele usava uma máscara que cobria a parte inferior de seu rosto, e seus cabelos prateados estavam bagunçados, como se ele tivesse acabado de sair de uma longa missão. O olhar por trás de seus olhos semicerrados era preguiçoso, mas afiado o suficiente para que ninguém ousasse desafiá-lo. E então ele fez o que Naruto esperava que acontecesse.

O apagador começou a cair no momento exato em que a porta se abriu. Uma nuvem de pó branco se ergueu no ar, mas, antes que tocasse a cabeça do recém-chegado, ele ergueu uma mão com calma impressionante e o pegou no ar, como se já esperasse por aquilo.

O silêncio que se seguiu foi quase absoluto.

Naruto, que mal conseguia conter a empolgação, soltou uma risada alta — até perceber o que havia acabado de acontecer. Sua expressão mudou de triunfo para surpresa em questão de segundos.

O homem parou, observou o apagador em sua mão por um instante e depois ergueu os olhos semicerrados para encarar a sala. Apesar da máscara que cobria metade de seu rosto, era fácil perceber que estava sorrindo. Um sorriso preguiçoso, mas cheio de intenção.

— Hm... — murmurou, com a voz arrastada, porém firme. — Um começo explosivo. Interessante, Uzumaki.

Naruto congelou.

Sasuke nem se moveu, continuava impassível, como se tudo aquilo fosse um espetáculo irrelevante. Eu observava cada gesto daquele homem com atenção crescente. Não havia raiva em sua voz. Nem reprovação. Só... uma estranha leveza.

Ele deu mais alguns passos na sala e se apresentou, com a mesma calma de antes.

— Bem... eu sou Kakashi Hatake. E serei o sensei de vocês.

Naruto se inclinou para frente na cadeira, arregalando os olhos.

— Você... é o nosso sensei?

— Você realmente acha que isso vai me impressionar, Naruto? — Sua voz era calma, quase entediada, mas havia uma sutileza no tom que fez todos na sala ficarem em silêncio.

Naruto, ainda com aquele sorriso travesso, ficou sem reação, como se estivesse tentando processar a resposta. Em vez da bronca que ele esperava, Kakashi simplesmente o observou com um olhar divertido, quase como se soubesse exatamente o que ele faria antes mesmo de acontecer.

De repente, Kakashi fez um movimento fluido, quase imperceptível para nós. Sem usar nenhuma técnica especial, ele simplesmente saltou até o telhado, subindo com uma destreza absurda. Seus pés mal tocaram o telhado, e, antes que pudéssemos reagir, ele já estava lá em cima, olhando para nós com uma calma impressionante.

— Bem, vamos ver se vocês conseguem me alcançar. — Ele disse, com um tom descontraído, como se fosse o teste mais simples do mundo.

Naruto imediatamente se levantou, seus olhos brilhando com excitação. Ele estava, sem dúvida, pronto para o desafio. Não demorou para que ele se virasse para Sasuke e para mim.

— Ei! Vamos lá! Vamos alcançar ele! — exclamou Naruto, a empolgação transbordando de seu rosto.

Sasuke, como sempre, parecia impassível. Ele não disse uma palavra, mas havia algo em seu olhar — uma expressão de pura determinação. Era claro que ele também estava pronto para a ação, mesmo sem dar um único sinal de entusiasmo.

Eu olhei para os dois, hesitante. Nenhum de nós parecia ter a habilidade de saltar até o telhado como Kakashi fez. Mas uma coisa era certa: Kakashi estava nos desafiando. Era um teste. E eu não poderia simplesmente deixar isso passar.

Com um suspiro, me levantei e comecei a correr, meus passos se acelerando à medida que me aproximava da parede que levava ao telhado. Não tínhamos tempo a perder, e a ideia de estar correndo atrás de um ninja como Kakashi me deixava nervosa, mas também fascinada. Não era apenas uma corrida qualquer; era como se estivéssemos participando de um teste real, ainda que não soubéssemos como terminaríamos.

Chegando ao topo, finalmente encontrei Kakashi lá em pé, com um sorriso tranquilo — como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes. Ele nos observou com a mesma expressão descontraída, e, por um momento, imaginei que ele iria nos provocar mais.

Então Kakashi fechou o livro com um estalo. — Sete minutos e vinte e três segundos. Poderiam ser piores. — Seu olho único percorreu cada um de nós. — Agora, digam-me: quem vocês são. Gostos, desgostos... sonhos para o futuro.

Naruto, ainda se debatendo contra a corda, foi o primeiro: — Eu amo lamen do Ichiraku! Odeio os três minutos de espera até ficar pronto! E vou me tornar o Hokage mais fodão que Konoha já teve! Dattebayo!

O olhar de Kakashi voltou-se para Sasuke. O Uchiha manteve-se em silêncio por longos segundos antes de murmurar: — ...Matar um certo homem.

Quando chegou minha vez, senti as palavras empacarem na garganta. Meus olhos pousaram involuntariamente em Sasuke antes que eu pudesse controlá-los. — Eu... gosto de ler e estudar. Odeio pessoas que não levam os estudos a sério. E meu sonho é... — Engoli seco. — Tornar-me forte o suficiente para proteger quem importa.

Kakashi observou-nos em silêncio, seu olho parecendo pesar cada palavra. Por fim, levantou-se num movimento fluido.

— Amanhã, cinco horas no Campo de Treinamento Três. — Ele já estava virando as costas quando acrescentou: — Ah, e... não comam café da manhã.

Num redemoinho de folhas, desapareceu, deixando-nos com nossos pensamentos — e Naruto ainda pendurado de cabeça para baixo, protestando veementemente.