ELECTRA ADHARA BLACK
Depois da decisão de irmos atrás do Anel em duas semanas, a minha ansiedade chegou a níveis jamais vistos. Regulus estava ajudando Aric com os movimentos de varinha, enquanto Anabelle revisava a teoria do contra-feitiço para que tudo saísse como o esperado. Remus tinha deixado os jornais de lado por um momento para afundar em magia marcial.
Eu, por outro lado, estava preocupada em como Aric e eu iríamos resolver a questão da mãe dele. Principalmente porque estaríamos tão perto da casa dele que seria difícil fazê-lo resistir ao impulso de ir atrás dela.
James e Alvo se tornaram absolutamente taciturnos o restante do dia, indo dormir logo depois do jantar. Anabelle foi para o próprio quarto, seguida de Sirius e Evan, enquanto eu fiz minha caminhada solitária e silenciosa até o meu.
James jamais me perdoaria por não contar a ele que a mãe de Aric estava sendo mantida contra a própria vontade em uma casa com um homem extremamente violento - e que eu, talvez, acompanhasse Nott até o lugar para resgatá-la.
Tudo isso sem a ajuda dele.
E ainda teríamos que despistar os outros dois.
Eu nem me dei ao trabalho de trocar de roupa antes de me jogar na cama e apagar.
O Natal chegou sem grandes notícias exceto pela nevasca intensa que se iniciou na madrugada e se estendeu durante todo o resto do dia. Euphemia tinha feito questão de ir me acordar - graças a Merlin, James havia saído logo antes - acompanhada de Lily e Anabelle.
As duas muito sonolentas, sim, mas seguindo a Sra. Potter sem maiores questionamentos.
- Bom dia! - Euphemia sorria enquanto eu coçava os olhos, sentando na cama depois de uma noite um tanto mal dormida. - E feliz natal!
- Feliz natal. - eu pisquei com força e olhei o trio de mulheres, ajeitando a camiseta que eu tinha roubado de James e agora usava de pijama.
Era péssimo que tivesse um Potter imenso nas costas, mas eu iria ignorar todo e qualquer comentário a respeito.
- Trouxe os presentes de vocês três. - Euphemia sorriu, entregando uma caixa para cada uma de nós. - É para se vestirem para o dia de hoje. O café-da-manhã já está pronto e esperando vocês. Achei que gostariam de se arrumarem juntas.
- AH. - eu olhei a idosa, que sorriu. - Obrigada. - eu sorri de volta, ainda sonolenta. - Muito obrigada, mesmo, Sra. Potter.
- Se vistam! - ela bateu as mãos, ansiosa. - E eu as espero na sala de jantar hoje. É um dia especial. - Euphemia pareceu alegre e saiu do meu quarto, fechando a porta atrás de si, com um clique. Lily olhou para mim:
- Essa camiseta não é grande demais para ser sua? - ela questionou. Eu sacudi os ombros, jogando as cobertas para o lado e fiquei de pé, ignorando a risadinha de Anabelle quando viu o sobrenome nas minhas costas. - Ah, entendo.
- Não há nada para ser discutido. - eu cortei o assunto antes que começasse. As duas riram:
- Claro, Els. - Lily disse, com carinho. - Vamos ver. - ela abriu a caixa que Euphemia entregara a ela e assoviou. - É lindo. - Lily tocou o tecido marfim do vestido delicado.
- É alta costura. - eu voei sobre a minha caixa, rindo quando encontrei o vestido azul escuro. Anabelle deu um gritinho feliz quando viu o vestido rosa claro, que a deixaria mais angelical do que qualquer coisa que ela tinha vestido aqui. - Vamos nos arrumar. Tenho alguns saltos, Lily. Você vai precisar.
Todas nós tínhamos sido presenteadas com vestidos que iam até pouco abaixo do joelho, cada uma de uma cor e com um estilo da sua preferência. O de Anabelle era a coisa mais delicada que eu tinha colocado os olhos recentemente, com cintura marcada, e todo de renda e manguinhas. Lily tinha sido presenteada com um vestido marfim, simples, mas muito elegante e que a deixava muito bonita, com um decote reto. E eu, por fim, usava um vestido azul meia-noite, com mangas que caíam dos ombros, bem ajustado e com um leve decote.
Muito semelhante ao que eu usava de fato.
Foi divertido quando chegamos à sala de jantar e encontramos os garotos também com roupas formais. Eu olhei Sirius, que parecia confortável:
- Estamos todos vestidos para um evento formal? - eu ajeitei meu cabelo preso em um coque composto por tranças. Anabelle tinha deixado o cabelo solto, mas com cachos bem definidos. Lily, por fim, optou por cabelo meio preso apenas.
- É Natal. - Sirius respondeu, virando a página do jornal e olhou para nós três. - Bonitas, todas vocês.
- Obrigada. - Lily sorriu e sentou ao lado de Pontas que gaguejou um elogio. - A Sra. Potter nos presenteou esta manhã. Electra e Anabelle me ajudaram a me arrumar. Não costumamos fazer essas coisas em casa.
- Não se preocupe, querida. - Euphemia sorriu e Fleamont sentou ao lado dela, ambos também bem-vestidos. - Bem, por que não nos contam como passam o Natal em seu tempo? - ela olhou para Al, que sorriu:
- Ninguém abre presente algum antes do café. - ele começou, enquanto Anabelle sentava ao lado dele e eu me sentava entre James e Aric, que fez questão de puxar a cadeira para mim, murmurando um milady bem polido. - Nós tomamos café da manhã juntos e depois vamos para a sala, onde está a árvore e os presentes. Passamos o dia todo juntos, em família. No começo eram só nós e a parte Weasley. Depois os Black vieram. - Alvo sorriu para a minha irmã. - E, por fim, os Malfoy, já que Scorpius, nosso amigo, está namorando minha prima Rose Weasley.
- Cada dia com vocês e uma nova informação bombástica é liberada. - Regulus sacudiu a cabeça, sorrindo. - Weasley e Malfoy se odeiam.
- Claramente não Rosie e Scorp. - eu ri. - Cansei de vê-los juntos. Chegou a um ponto que ameacei contar a tio Rony porque eu não aguentava mais. Quase implorei a James por um Obliviate.
James fez careta:
- Eles são péssimos. - ele concordou. - Mas se estão felizes, então tudo bem. Meu pai e Draco se odiavam na escola, passaram a ser cordiais e agora são bons amigos. Mas dizem que é assombroso ver Potter e Malfoy tomando café juntos no Quartel.
- Malfoy está no Quartel dos Aurores? - Nott pareceu incrédulo.
- Ele trabalha no Departamento de Execução de Leis da Magia, seguiu Direito Bruxo. - Alvo explicou. - Às vezes aparece pelo Quartel. Não é incomum vê-lo tomando café com meu pai e Teddy Lupin, discutindo algum caso.
- Em defesa de Draco, a mãe dele é bem tranquila. Dizem que ela melhorou muito depois que Lucius foi preso. E ela adora Rose. - Anabelle disse, distraída.
- Quem é a mãe dele? - Aric perguntou, curioso.
- Narcisa Black. - eu respondi, antes de morder uma torrada. - Ela é divertida. Mas ainda gosto mais de Andrômeda. Ela sabe se divertir.
Sirius me encarou:
- Você tem contato com elas? - ele perguntou, a voz receosa. Eu fiz um aceno de descaso:
- Não se preocupe. Elas dizem que eu sou muito pior do que você e causaria um infarto a Orion e deixaria Walburga careca. - eu respondi, fazendo Sirius rir alto. - É uma pena que ela não tenha sobrevivido o suficiente para me ver nascer. Eu adoraria conhecê-la formalmente como a primogênita Black.
- Você a faria se arrepender de ter filhos. - Evan concordou. - De certa forma é divertido que você seja filha de uma Rosier com um Black. Quando a Walburga esteve grávida foram discutidos casamentos entre nossas famílias para manter o sangue-puro, porém ela só teve garotos e eu fui o único Rosier a nascer.
- Ela amaria saber que o neto se casou com uma Rosier, mas ficaria horrorizada porque minha avó é trouxa. - eu concordei. - Bem Sirius da sua parte. - eu elogiei meu outro avô, que riu sem graça. - De qualquer forma, aquela é a tradição dos Weasley e Potter. Black e Rosier fazem um pouco diferente. Nós, em geral, trocamos os presentes no jantar e não no café-da-manhã. Pelo menos, entre nós. Com eles, trocamos no café mesmo.
- O jantar de Natal é especial e apenas entre nós cinco. - Cygnus concordou, ajeitando a gravata, impaciente. - Costumamos relembrar os costumes das famílias e manter alguns vivos. É claro que, no próximo, os Potter serão convidados, já que quase todos os filhos se tornaram agregados via namoro.
James e eu tossimos, sem graça, o que arrancou um sorriso de Cygnus:
- Algo a contar, querida irmã?
- Nada, não. - eu tomei um grande gole de chá, ignorando o olhar interessadíssimo do meu irmão:
- Não pense que ninguém sabe que vocês andam se agarrando em segredo.
- Não estamos nos agarrando em segredo. - eu cortei.
- Mesmo porque ninguém saberia se fosse um segredo. - meu irmão se recostou na cadeira e encarou James. - Você me alertou sobre meu comportamento relacionado à sua irmã. Alvo e eu já conversamos, mas você e eu ainda não. Depois do café.
- Não precisa… - eu comecei, mas Cyg ergueu a mão, pedindo silêncio.
Aquilo me deixou tão chocada que eu, de fato, fiquei quieta.
- Eu sou seu irmão e o único com bom-senso aqui. Anabelle vive em um mundo de conto de fadas com Alvo e eles realmente são um casal ideal. Você e James são o completo oposto e sem bom-senso e auto-controle. James e eu conversaremos. - Cygnus foi firme.
- Você soa como papai. - eu reclamei. Cyg abriu um sorriso predatório para mim:
- Então você e James realmente estão em um relacionamento. - ele pontuou. Eu segurei os talheres com força, sem saber como responder, mas James tomou a frente:
- O que Electra e eu temos não tem nome. Não existe nome para isso. - ele respondeu Cygnus, sério. - Há apenas Electra e eu e nada mais importa.
- Depois do café. - meu irmão repetiu.
- Depois do café. - James cedeu, sem desviar os olhos de Cygnus.
- Então vocês estão oficialmente juntos? - Lily me encarou, sorridente. Eu encolhi os ombros, acenando que sim.
- Bem, agora é minha vez. - Evan olhou James, que suspirou, passando a mão pelo cabelo:
- Pelas cuecas imundas e fedorentas de Merlin, é Electra. - ele bradou. - Eu jamais a magoaria de propósito. E como a maioria de vocês sabe, eu a amo há muito tempo e não arriscaria a única chance que tive por bobeira. - ele pareceu exasperado.
- Ainda assim, é meu dever como avô. - Evan olhou James e eu olhei James, encolhendo os ombros:
- É parte do problema de namorar bruxas da minha família. - eu murmurei. Ele fez carinho na minha bochecha:
- É frustrante.
- Eu sei. Mas é quase protocolo. - eu franzi o nariz. James suspirou e olhou Evan:
- Junte com Cygnus. Aproveite e leve Sirius, Regulus e o próprio diabo se quiser. - ele resmungou, enfiando o garfo no ovo frito com raiva. Al riu:
- Bem-vindo ao clube. - ele disse, erguendo um chapéu imaginário.
- Eles nem foram tão ruins assim com você. - Anabelle revirou os olhos para o namorado e Alvo deu uma piscadela para ela.
- Electra tem zero auto-controle. - Cyg olhou a irmã gêmea. - O auto-controle de James é negativo. É muito pior do que vocês dois. Pode se preparar quando papai souber. Você está fodido. - Cygnus olhou James, que olhou meu irmão, sério:
- Sua irmã mexe com Magia Ancestral. Eu tenho mais medo dela do que de todos vocês juntos. - ele rebateu, seco.
- Bom. - Reggie pareceu alegre. - Que manhã de Natal agradável. Mais algum casal a ser anunciado? - ele olhou para Lily e Pontas, que o ignoraram veementemente. - Não? Que pena. - Regulus lamentou, arrancando uma risada alta de Sirius. - Então, vamos abrir os presentes depois do café. E à noite faremos o seu jantar, Electra. Como manda sua tradição.
- Obrigada. - eu respondi, suspirando e olhei James. Ele apertou meu joelho, sem dizer nada e nós voltamos a tomar café, agora mudando de assunto para a poção Mata-Cão e a alegria de Alvo em poder ajudar Remus.
James sentou no braço da poltrona que eu escolhi para assistir enquanto todos os demais abriam os próprios presentes. Agora que não havia mais segredos sobre nós, eu podia segurar a mão de James:
- Está me dizendo que confundiu isso - eu apontei as abotoaduras obviamente mágicas. - com joias comuns?
- Depois você me ensina como diferenciar essas coisas. - James riu, beijando a minha cabeça. Eu sacudi a cabeça:
- Não pode sentir a magia exalando dessa coisa?
- As abotoaduras vibram, sim, mas achei que fosse por um feitiço e não por serem inerentemente mágicas. - ele ponderou e eu ri:
- Teremos um curso intensivo sobre joias mágicas e como identificá-las. - eu revirei os olhos.
- O que você quiser, Els. - James cedeu, a voz suave, enquanto assistia o irmão ganhar um livro manuscrito por Fleamont com algumas informações não tão famosas a respeito de algumas poções, assim como algumas técnicas ensinadas apenas àqueles que seguiam o caminho acadêmico.
Anabelle estava radiante com um colar dado pelos Potter e Cygnus girava pincéis entre os dedos - esse havia sido um presente meu e de Anabelle. Cygnus era um bruxo muito poderoso, sim, mas era um artista excepcional.
Eu nunca tinha visto pinturas que se assemelhassem ao que meu irmão fazia.
- Sua vez. - James me fez levantar e ir até a pilha modesta de presentes que me aguardavam.
Eu tinha ganhado diversos livros e algumas joias - todas elas roubadas dos cofres Rosier e Black, o que tinha me causado risadas sinceras. Anabelle também havia sido presenteada com algumas joias, mas Sirius disse delicadamente:
- Você ganhará mais quando tiver dezoito anos. As suas estão guardadas.
- Não me importo. - Bells respondeu, com sinceridade. - Gosto do que ganhei. - ela passou os dedos sobre um colar de diamantes. - Quero vocês comigo, para sempre. As joias e o dinheiro não importam.
Depois daquilo, foi a vez de James, que pareceu mais feliz do que nunca quando ganhou vestes de batalha, assim como coturnos resistentes, livros de magia marcial e um conjunto completo de quadribol, que dividiria com Alvo.
- Vou fazer um quadro da mansão. - Cygnus disse, olhando as tintas com carinho. - Não gosto de desenhar rostos, mas desta vez irei. - ele olhou para todos nós, sorrindo em seguida. - Olhe Alvo. - Cyg riu e eu obedeci.
Aí ele estava, perto de Anabelle, pegando o pomo-de-ouro e o soltando um pouco antes de pegá-lo novamente, fazendo questão de passar a mão pelo cabelo em seguida, arrancando risadinhas da minha irmã.
- Isso é genético. - Sirius soou incrédulo, enquanto Remus caía na gargalhada. Lily e Pontas conversavam em um canto, ambos com livros no colo, ignorando toda e qualquer outra pessoa. Fleamont e Euphemia haviam pedido licença e saído para andar pelo terreno sozinhos, enquanto nós ficávamos na sala da família. - Não tem explicação.
- Não mesmo. - James riu, o braço em torno da minha cintura, com a goles sobre as pernas. Os balaços tinham sido mantidos presos firmemente na caixa e os bastões estavam jogados no chão depois de Cygnus e eu termos jogado um pouco com uma goles enfeitiçada para ser menos violenta.
- Mas é fofo. - eu admiti, depois que Al se jogou ao lado da minha irmã e jogou um braço sobre os ombros dela. Ele murmurou alguma coisa que fez Anabelle rir alto, jogando a cabeça para trás.
- Até quando Potter vai enrolar Evans? - Evan reclamou, observando a ruiva e o garoto que agora riam juntos, cochichando.
- Ele pelo menos beijou ela? - Aric perguntou. Sirius sacudiu a cabeça:
- Não quer que ela se sinta obrigada a nada. - ele explicou, jogando um punhado de doces dentro da boca.
- Não seja por isso. - Aric pegou a varinha disfarçadamente, apontado para cima da cabeça dos dois.
Um visco apareceu aleatoriamente.
Eu fingi surpresa, enquanto Aric guardava a varinha:
- Ah, um visco! - eu apontei para os dois. Alvo e Anabelle finalmente prestaram atenção em algo que não fosse o outro. Lily e Pontas coraram, olhando para cima.
- Vocês sabem que quem não beija sob o visco é azarado! - Remus gritou, rindo em seguida. - Não seja covarde, Pontas!
- Vocês são grifinórios ou que?! - Aric provocou. - Um beijinho!
Pontas corou, incapaz de olhar para Lily. Ela encarou o Potter, respirou fundo, e beijou Pontas.
O garoto arregalou os olhos e, logo em seguida, Lily se afastou. Pontas ajeitou os óculos tortos, gaguejando algo que eu não pude ouvir. Lily riu, dando um beijinho na bochecha dele e ficou de pé, declarando que iria à biblioteca.
Pontas encarou a porta pela qual Lily passou por alguns segundos e James olhou o avô:
- Se você não for atrás dela... - ele deixou a ameaça no ar. Pontas pulou de pé, sem responder, e saiu em disparada atrás da ruiva.
- Eu não acredito que eu vivi para ver isso. - Sirius pareceu encantando e caiu na gargalhada. - Ele é todo cheio de lábia com garotas e não é capaz de olhar Lily nos olhos depois de um beijinho miserável!
- Da onde veio aquele visco? - Anabelle perguntou, curiosa. Aric abriu um sorriso angelical:
- Magia do Natal.
Eu não segurei a gargalhada.
Lily e Pontas não nos deram nenhum tipo de detalhe ou informações além do necessário: ele eram um novo casal, sim, mas nada além disso era da nossa conta.
Certo.
Eu não podia exigir deles algo que James e eu também recusamos ceder.
Então, sem informações além daquela, o que era péssimo porque toda a minha vida eu tinha sonhado com o relacionamento de James e Lily e como eles tinham passado de inimigos (bem, ela tinha passado de inimigos) para namorados ainda na escola. Como haviam lutado durante a guerra até a gravidez dela, como foi que se esconderam, como a vida curta e cheia de eventos deles havia sido.
E eles me recusaram uma migalha que era saber detalhes do pedido de namoro.
- Acha que meu pai vai acabar ganhando um irmão ou irmã? - James perguntou, depois do jantar elegante que Euphemia e eu planejamos e do chá em torno da lareira, contando as histórias mais absurdas que conseguíamos nos lembrar.
Era bom não pensar no que eu faria amanhã.
Eu olhei para James, divertida:
- Está preocupado? - eu perguntei. Ele tinha tomado posse de metade da minha cama, tirando apenas os sapatos e a gravata antes de se jogar sobre o cobertor. Eu o tinha imitado depois de deixar meus saltos dentro do armário e seguido com calma para a minha cama, onde ele me ajudou a desfazer o penteado, e deitei ao lado dele.
- Só se isso atrapalhar o meu nascimento. - ele disse, distraído. - Meu pai merecia uns irmãos. Faria bem a ele.
- Bem, meus pais também e espero ter primos no futuro. - eu comentei. - Mas não deveríamos nos preocupar com isso. É problema deles, não nosso.
- Verdade. - ele concordou. - Vai mesmo mexer com a Magia Ancestral amanhã?
Eu suspirei:
- Sim. Acho que sim. Podemos preparar as coisas primeiro. E eu faço uma última revisão antes de realmente fazer algo a respeito. - eu disse, por fim. James me olhou, as sobrancelhas erguidas:
- Você está assustada. - ele foi enfático.
- Sim, estou. Mas confio em você.
- Eu estou apavorado, Electra. - James girou o corpo para ficar de frente comigo. Eu o imitei, ansiosa. - Me dê alguns dias para dominar esse processo todo. Por favor.
- James…
- Nós já temos uma programação importante para daqui duas semanas. - ele argumentou.
- Preciso fazer isso antes dessa Horcrux. Estou travada na Runa com isso. - eu lembrei. James passou a mão pelo rosto:
- Tudo bem. Antes da Horcrux. Mas depois que eu me sentir seguro em fazer aquela Runa e ajudar você com a Mandala.
- Que seja, James. Amanhã, então, vai me acompanhar até a biblioteca. - eu cedi. - Estude isso enquanto eu e Remus organizamos a ida a Little Hangleton.
- Eu realmente não posso ir junto?
- Não. Somos quatro pessoas, perto de um possível quartel general. Pelo menos um de nós deve ficar aqui caso tudo vá para a merda e precisarmos de ajuda. E se eu vou, você precisa ficar.
- Alvo está alucinado.
- Alvo ou você?
- Nós dois. - James fez um carinho na minha bochecha. - Nós falamos sobre isso ontem. Ele está absolutamente desconfortável em deixar Anabelle ir sem ele.
- Mas ela estará comigo. Não se preocupe.
- Bem, eu me preocupo com você. - James insistiu. - Prometa que irá pedir ajuda ao menor sinal de tudo dar errado.
Eu suspirei:
- Prometo pedir ajuda assim que qualquer coisa sair dos trilhos. - eu disse, retribuindo o carinho na bochecha dele.
Sem os óculos, os olhos de James eram tão mais bonitos: de um tom castanho escuro, mas com pequenos pontinhos dourados e um pequeno halo esverdeado em torno da pupila.
Definitivamente minha parte favorita dele.
- Vamos dormir. - James murmurou, me dando um beijinho casto antes de se levantar. - Amanhã cedo iremos tomar café e vou estudar essa porcaria que você arranjou para minha cabeça.
- Você gosta de magia avançada. - eu revirei os olhos, erguendo o tronco apenas, apoiada nos meus antebraços.
- Magia avançada, não Magia Impossível. - ele retrucou, mas sorria. - Durma, Els.
- Me lembre de pegar as anotações no escritório antes de ir.
- Pode apostar que eu vou levar você amanhã para o escritório. - James jurou, pegando os sapatos e a gravata. Ele riu quando eu joguei um travesseiro nele. - Até amanhã, Els.
- Até amanhã, James.
JAMES SIRIUS POTTER
Electra foi bem firme em apenas pegar as anotações no escritório na manhã seguinte.
Por cinco minutos.
- Nós realmente deveríamos ir para a biblioteca. - Electra disse, ajustando o suéter escolhido para o dia. Ao contrário de ontem, ela tinha optado por calças escuras e um suéter largo cinza. Eu ajustei meu próprio moletom:
- Nós vamos. - eu prometi e Els me encarou, séria. Eu ri. - De verdade. Iremos agora. - eu peguei um livro e ela juntou umas anotações antes de me seguir para fora do escritório.
Cygnus esperava, pacientemente, com os braços cruzados, apoiado na parede de frente com o escritório.
- Ah, francamente. - Electra revirou os olhos e Cygnus bufou:
- Por favor, tranquem a porta. Eu vi coisas que não queria ter visto. - ele pediu, desviando os olhos.
- Não teve nada demais. - eu nos defendi, enquanto Electra corava.
- Vocês deixam Rosie e Scorp no chinelo. - ele rebateu. - Não vou dizer nada a ninguém, mas tranquem a maldita porta. - Cygnus resmungou. - Aonde vão?
- Biblioteca. - Electra respondeu, saindo na frente. Cygnus andou ao meu lado, tranquilo:
- Vai ajudar Els a encontrar um caminho seguro para Little Hangleton?
- Não, vou ver umas coisas de Magia Ancestral. - eu sacudi a cabeça. Cyg ergueu as sobrancelhas, surpreso. - Sua irmã me enfiou nessa bagunça com ela. Só estou seguindo ordens. - eu me defendi e Cygnus riu. - Ela vai ver essa questão do vilarejo.
- Entendi. - Cyg respondeu, soando preocupado. - O que você vai fazer em relação a Magia Ancestral?
- Não há nada de novo. Só vou revisar alguns detalhes. - eu respondi. - Sua irmã precisa de uma ajuda com algumas coisas e eu fiquei responsável por isso. E a sua mandala?
- Quase pronta. Estou fazendo alguns últimos ajustes. - Cygnus respondeu, enquanto Electra liderava o caminho até a biblioteca. - Ela está tranquila em lidar com mais uma Horcrux?
- Ela está de saco cheio. - eu suspirei. - Se fosse possível, ela lidaria com Voldemort amanhã e acabava com essa guerra logo. Mas sabe que estamos de mãos atadas até todas as Horcruxes serem destruídas, então usa o ódio para trabalhar na Runa.
- Estamos indo em um bom ritmo. - Cygnus comentou, segurando a porta da biblioteca para que els entrasse. - Alvo e Anabelle estão com o protótipo da tintura pronto. Em breve terão algo mais definitivo e vocês vão poder começar os testes reais.
Electra jogou um livro sobre a mesa que Aric tinha escolhido para aquela manhã. O Nott deu um pulo, mas não disse nada quando Els tomou posse da cadeira ao lado dele:
- Vou mapear. - ela explicou. - James vai ver alguns detalhes da Magia Ancestral.
- Ah. - Aric olhou Cygnus, enquanto nós sentávamos de frente com os dois. - E você?
- Aritmancia. - Cygnus suspirou, passando a mão pelo rosto. - Você precisa que seja um heptágono. - Cyg começou. - Somos em cinco. Você me pediu para traçar linhas interligando tudo e também um círculo dentro do heptágono. Tudo bem, tudo interligado como o tempo funciona, de fato, mas o que fará com as duas casas restantes?
- Nós cinco ficaremos no centro, com a Runa que criarei. As sete casas serão fontes de poder e proteção. A nossa Runa estará na casa central, mas casas periféricas serão nossa fonte de segurança e potencialização de poder.
- Hm. - foi a única resposta de Cyg. - Já volto. - ele pulou de pé e saiu em direção à seção de Runas da biblioteca.
- Nessas horas que eu vejo que vocês são parecidos para caralho. - eu reclamei, olhando Electra.
A única resposta foi uma risada alta da garota.
Menos de uma hora depois, quando eu estava completamente absorto em Magia Ancestral, Anabelle veio me buscar pessoalmente - Alvo queria uma opinião a respeito da tintura e com Fleamont e Lily ocupados com a poção da caverna, restava a terceira opção: eu.
O que era um tanto ofensivo, mas compreensível - todos os três estavam bem acima do meu nível em Poções e mais do que ocupados no momento. Electra me liberou, dizendo que eu tinha um período ainda para revisar algumas coisas antes que ela fizesse a tal mandala e acessasse a Magia Ancestral.
- E aí? - eu entrei no laboratório de poções. Anabelle tinha ficado na biblioteca com Aric e Electra para planejar a ida a Little Hangleton, então eu estava sozinho.
Sendo assim, a única testemunha do meu grito assustado foi meu irmão mais novo, que fazia jus ao cabelo Potter mais do que nunca nesta manhã: espetado para todos os lados, com mais volume do que eu jamais tinha visto, acompanhado por olhos verdes alucinados.
- QUE CARALHO! - eu berrei, dando uns passos para trás. Alvo piscou, os óculos embaçados pela fumaça do laboratório, e franziu a testa:
- Que caralho digo eu! Por que está gritando no meio do laboratório?! - Alvo soou indignado.
- Por sua causa. Está fazendo Trelawney parecer sã. - eu rebati, seco, me aproximando do meu irmão. - Anabelle disse que queria uma opinião minha. Sou todo ouvidos.
- Era só para tirar ela daqui. Está tudo sob controle. - Alvo diminuiu o fogo sob um dos vários caldeirões no laboratório. - A tintura está no seu primeiro protótipo e estou juntando os detalhes para fazer a Mata-Cão.
- E por que me tirou a biblioteca? Eu estava revisando algumas coisas sobre Magia Ancestral, Electra está prestes a acessar a coisa. - eu reclamei.
- Sim, sim, você já vai voltar para lá. - Al fez um aceno de descaso. - O que quero saber é o que você pensa sobre essa ida a Little Hangleton ser tão apressada. Já falei com Cygnus e ele acha que poderíamos levar mais tempo, mas queria saber a sua opinião. O auror aqui é você, não eu. - ele apoiou o quadril contra uma bancada, cruzando os braços. Eu suspirei:
- Quanto mais tempo levamos para destruir as Horcruxes, mais forte Voldemort fica. - eu lembrei. - Electra está toda agitada com essa demora toda, quer focar na Runa. Já disse isso a Cygnus esta manhã e direi a você: se esse desgraçado não tivesse partido a alma em tantos pedaços, Els o teria caçado e matado a esta altura.
- Ela está tão impaciente assim? - Al perguntou, erguendo as sobrancelhas. Eu me joguei em uma das cadeiras:
- Ela diz que quanto mais tempo ficamos, mais perigoso é. Estamos alterando tudo, Al, e nesse ritmo nós dois podemos acabar tendo mais irmãos do que Lily Luna até onde sei. Els não entrou em detalhes, mas ela sabe muito sobre essa coisa de tempo e está querendo resolver tudo logo para diminuir nossa estadia aqui.
- Ela deve estar o puro bom-humor. - meu irmão fez careta e eu imitei:
- Você não faz ideia. - eu suspirei. Alvo abriu um sorriso torto:
- É por isso que a mantém tanto tempo trancada no escritório?
- Não vou entrar em detalhes, mas sim. - eu revirei os olhos. - Sei que ela tem outras preocupações que não me contou. - eu cedi parte da informação. Ele não tinha que se preocupar com os riscos de acessar Magia Ancestral agora. - Há algo sobre Aric que ela não me contou.
- Els e Aric estão de segredinho agora?
- Não fale assim. Isso me dá nos nervos. Mas ela sabe algo sobre ele, um segredo, que prometeu manter até que ele esteja pronto para sabermos ou então se apresentar algum risco a nós. Els deu a palavra dela, Alvo. Ela não vai ceder tão fácil.
- Entendi. E tentou falar com Aric? - Al perguntou e eu fiz careta:
- Ele está me evitando desde que me viu usar a Legilimência, então, não. Não quis deixá-lo intimidado ou arriscar que ele saia sozinho. É muito perigoso, mas confio na palavra de Els. E se ela diz que não há perigo no momento, então não há perigo no momento.
- Mas pode haver no futuro. E se ele quiser inventar alguma coisa depois do anel? - Al perguntou.
- Ele não vai tomar nenhuma decisão que arrisque os outros. - eu disse, embora a ideia fizesse meu estômago afundar. - E confio na palavra de Electra. Se ela desconfiar, irá me contar.
- E eu confio em você, então se me diz que está tudo bem, então está tudo bem. - Alvo sorriu para mim. - Vai conseguir ficar aqui com Electra indo caçar uma Horcrux sem você?
- Vou ficar por puro medo dela. Eu iria junto, mas se discordar da garota, é capaz que eu acabe solteiro mais rápido do que me tornei comprometido. Eles dão conta, Alvo. Electra só vai porque Aric não quis contrariá-la quando ela sabe um segredo dele.
- Eu digo que ela tem mais sonserina do que quer admitir. - meu irmão comentou. Eu encolhi os ombros:
- Eu também acho, mas não diga isso a ela. - eu respondi, arrancando uma risada divertida de Al. - E Bells?
A expressão de Alvo fechou na hora:
- Queria que ela ficasse e esperasse que eu fosse junto. O que me conforta é que ela estará acompanhada de Remus, que tem bom-senso, e também daqueles dois descabeçados da Electra e do Aric. - ele suspirou. - Se tudo for para merda, ela estará segura com eles.
- Concordo. - eu respondi, embora a ideia de ver Electra ir sozinha me deixasse agitado demais. Aquilo andava tirando meu sono, sinceramente. - Vamos ajudá-los a planejar. - eu olhei meu irmão. - Acho que vamos ficar seguros se tivermos um plano B.
- E um C e um D. Só para garantir. - Alvo sacudiu a cabeça. - É por isso que mamãe surta quando papai vai a missões. Eu achava exagero, mas agora eu entendo.
- É uma merda. - eu resmunguei e olhei meu irmão. - Já que estamos aqui, vou usar da sua inteligência em Poções.
- E já que vai ficar aqui, vai trabalhar enquanto fala. - Alvo jogou um pacote de acônito. - Pique em pedaços bem pequenos. E use essas luvas. - ele jogou um par de luvas para mim. - Só para não arriscar.
- Está me colocando para trabalhar? - eu perguntei, ofendido.
- Sim. - Alvo respondeu com simplicidade. - O que quer saber?
- Você já tem um punhado de tarefas para fazer, mas se eu pegar as instruções para fazer uma tintura, você me ajuda? Electra que acessar a Magia Ancestral antes de ir atrás do anel. - eu calcei as luvas e peguei a faca de prata, começando a picar o acônito metodicamente. - Só quero a segurança de um Mestre de Poções.
- Eu não sou Mestre de Poções.
- Você é tão Mestre de Poções quanto eu sou Auror. - eu respondi, sem erguer os olhos. - Só quero garantir que não vou matar a minha namorada.
- Sem problemas. - Alvo concordou. - É tão perigoso assim?
Eu suspirei, finalmente erguendo os olhos:
- Els pode, literalmente, se dissolver em poeira. Então, sim. É perigoso. Eu serei a âncora dela e caso algo dê errado, será minha responsabilidade tirá-la viva de dentro da mandala.
Alvo engoliu em seco, desviando o olhar:
- Me dê o livro depois. Vou dedicar umas horas para isso. - a voz dele era sombria. - Els está confiando a vida dela a você.
- Sim.
- E para ser um âncora, você precisa ter uma ligação muito íntima. - Alvo começou, se inclinando na minha direção. Eu encarei meu irmão, sério:
- Primeiramente, nada disso é da sua conta. Em segundo lugar, sim. É exatamente esse o ponto. - eu sacudi a cabeça. - Há coisas que estarão fora do meu controle, então quero garantir a segurança do resto.
- Vou fazer a tintura com você. - Alvo prometeu. - Aquela doida da sua namorada vai ficar bem.
- Ela é sua cunhada.
- Quando ela faz essas coisas é mais sua namorada do que minha cunhada. - Al rebateu. - Só vocês dois para fazer esse tipo de loucura. Eu quero só ver quando Atlas souber que você foi o âncora dela. - meu irmão abriu um sorriso radiante.
Eu quase joguei a faca de prata no meu irmão, mas preferi focar no acônito.
Alvo foi esperto o suficiente para mudar de assunto.
