NOTA:
Pessoal, pedimos desculpas pela demora desse capítulo! Nós duas tivemos uma semana bem difícil, ficamos doentes e quase que acabamos ganhando uma internação no hospital. Fiquem tranquilos, essa semana postaremos este capítulo e mais um no final de semana. Obrigada!
ELECTRA ADHARA BLACK
Remus segurava uma pilha de papéis nas mãos, parecendo ansioso.
- Você sabe? - eu perguntei, chocada. - Achei que ainda não tivesse nada concluído ainda.
- Eu não tenho certeza, mas acho que é um bom palpite. - Remus mancou até uma poltrona. Eu andei com pressa, me empoleirando no braço da poltrona escolhida por ele. - Ele esteve fora por muito tempo, acredito que na Albânia, segundo esses jornais que o Sr. Potter conseguiu pegar. - Remus explicou. - Mas perto da data que temos certeza que ele retornou, houve um ataque a um orfanato em Londres.
- Qual o nome? - James questionou, prontamente.
- Wool's Orphanage. - Remus olhou para James, sério. James fez careta:
- É onde ele morava, quando criança. Mas não sei se ele esconderia algo lá, de fato. Sabe - James colocou as mãos nos bolsos, pensativo. - ele fez muita gente acreditar que era sangue-puro.
- Mas se ele for inteligente de fato, esconderia no orfanato. - Alvo replicou. - Porque ele sabe que Dumbledore e nem os outros pensariam nessa possibilidade.
- Foi um ataque pessoal. Eu olhei os jornais trouxas, também. - Remus ergueu um jornal trouxa e antigo. - A antiga diretora, Sra. Cole, foi encontrada morta com diversos cortes pelo corpo, aparente tortura, mas ninguém nunca foi preso. Isso foi logo depois do ataque ao Orfanato.
- Bem, então temos duas novas tarefas. - Caradoc colocou as mãos sobre os joelhos. - Ir até esses dois locais, disfarçados, sem interagir com ninguém, só procurar pela Horcrux. Sentir se está lá. De preferência, James e Electra devem ir separadamente…
- Não. - a voz de James foi firme. - Electra e eu iremos juntos. Precisamos de uma equipe pequena para essas pesquisas. Electra e eu iremos a um desses lugares, Evan e Alyssa irão a outro.
- Mas… - Alvo começou, mas James ergueu a mão:
- Sua tarefa será ficar de prontidão. Se alguma coisa der errado, você precisará agir. - ele olhou o irmão mais novo, que ainda parecia desgostoso. - Duas equipes de socorro devem ficar a postos. Uma equipe de primeiros socorros. Nada será retirado de lugar nenhum, apenas iremos visitar e localizar a Horcrux. - James olhou para mim.
- Precisamos retirar as duas últimas Horcruxes juntas. - Caradoc disse, pacientemente. - Aquele-que-não-deve-ser-nomeado sentirá, em breve. E se souber que uma das Horcruxes está faltando, irá começar a caçada às demais.
- Acho que o mais sensato é buscar essas Horcruxes, localizá-las e pegá-las simultaneamente. Iremos destruí-las em um terreno sob nosso controle. - Gideon cruzou os braços. - Precisamos de duas equipes de busca.
- Primeiro encontramos uma. Depois encontramos outra. Precisamos de um plano muito detalhado para o medalhão. - Anabelle lembrou. - É o mais arriscado de todos.
- Alyssa, Evan, James e eu iremos procurar pela Taça. É só procurar o endereço onde tudo aconteceu e saberemos. Enquanto isso, precisamos saber sobre a praia onde o medalhão está. - eu olhei Remus, que acenou com a cabeça:
- Concordo. - ele disse, sério. - Entrem no Orfanato. Descubram algo sobre a viagem.
- Inviável. A viagem aconteceu há muitos anos, Riddle era uma criança. - James ponderou.
- Mas ele guardava troféus. - Anabelle disse, séria. - Se ele fez alguma coisa maligna, ficou um traço de magia negra.
- Podemos tentar. - Evan concordou. - Mas vamos planejar isso com calma. Estaremos em pequeno número, em campo aberto, no meio da capital do país. É pedir para ser atacado.
- Ele tem razão. - Reggie concordou. - Então, e o medalhão? Eu sei que vou.
- E eu irei. - eu olhei para meu tio-avô, ignorando a careta de James. - Mas precisamos localizar a praia primeiro, depois iremos até lá. O medalhão e a taça precisam ser recuperados juntos. E ainda temos a Mansão Nott.
- Que, neste momento, é mais segura que a Mansão Potter. - Caradoc lembrou.
- Perdão? - James encarou Caradoc, incrédulo. - Nós lidamos com uma Mortalha-Viva.
- E a Mansão foi atacada massivamente a noite toda. Não podemos continuar aqui. A única coisa que nos manteve vivos foi o Fidelius. - Lily disse, por fim. - Já corrigimos os danos, mas eles retomarão o ataque em breve.
- Isso não é bom. - Cygnus sacudiu a cabeça. - Estamos sendo atacados em nossa base.
- Vamos planejar essas excursões. - Pontas ergueu as mãos, quando todo mundo começou a discutir. - Vamos planejar com calma e atenção a todos os detalhes. Vocês sete, que estavam na Mansão Nott, devem manter seu foco lá.
- Precisamos nos mudar urgente. - Aric soou ansioso. - A limpeza vai ter que ser mais rápida do que o que fizemos ontem.
- Até o final desta semana precisamos nos mudar. - Pontas olhou Aric, que assentiu. - Vocês que foram, continuem com o projeto. Nós fazemos o planejamento das excursões em terreno hostil.
- Talvez seja melhor a gente ir para a praia e não para o Orfanato ou a casa da Sra. Cole. - eu olhei James, que suspirou, assentindo:
- Deixem as equipes em aberto. - ele sugeriu, com concordância geral. - Remus, o quão saudável você está?
- Setenta por cento bem. - o Lupin garantiu. - Trinta por cento miserável, mas estamos chegando na Lua Cheia.
- Certo. Está tomando a Poção?
- Sim. - Remus assentiu, sério.
- Então, este mês temos ainda a transformação de Remus, o aniversário de Lily, o jantar de Alvo e uma mudança. - James passou a mão pelo rosto. - Um passo de cada vez.
- Jantar hoje. Mudança daqui quatro dias. Lua cheia na semana que vem. Aniversário de Lily na próxima sexta. - Pontas contou nos dedos. - Muitos eventos.
- Vamos preparar as excursões para depois da Lua cheia. - Sirius propôs. - Teremos uma pessoa a mais para nos ajudar.
- Feito. - eu concordei. - Então, a Mansão Potter foi atacada. A Mansão Nott está impregnada de magia negra. E criaturas bem hostis.
- E nem entramos nos cômodos familiares. - Aric passou a mão pelo rosto. - Alguma notícia do Ministério sobre a Mortalha-Viva?
- Não vão ajudar. Consideraram um trote, já que não houve nenhuma vítima e este não é o habitat natural da coisa. - Caradoc pareceu azedo.
- Ótimo. Ainda temos uma Mortalha-Viva para caçar. - Cygnus reclamou. - Coloque na lista, Remus. - ele olhou o Lupin, que riu. - Esquadrão de Caçada à Mortalha-Viva.
- Pode ser o mesmo grupo que está na Mansão Nott. - Sirius lembrou. - Eu posso ir junto. - ele soou ansioso. - Sempre quis ver uma Mortalha-Viva.
- Só pode ser brincadeira. - eu resmunguei, arrancando uma risada divertida de James. - Que seja. Se quiser se juntar, não vai fazer mal. Você deve saber bastante de magia negra, considerando que cresceu em Grimmauld Place.
- Eu sei exatamente o que procurar. - Sirius prometeu, alegre. - Finalmente sair de casa. Não consigo acreditar.
- Eu queria ir também. - Pontas fez um muxoxo. - Mas vamos discutir as equipes de excursão. Serão três, e eu vou fazer parte de uma delas.
- Pode ser. Procurem detalhes sobre, descubram o que puderem. - James cedeu. - Nenhum de nós dormiu bem. Podemos descansar até o almoço e vamos nos juntar a vocês depois.
- Feito. - Fabian juntou as mãos. - Remus, está na hora dos curativos restantes e da Mata-Cão. Vamos.
- Eu vou dormir. - eu alonguei os braços. - Não foi nada divertido ser ameaçada por um Poltergeist.
- Pensei que Poltergeists fossem brincalhões. - Lily franziu a testa.
- Eu também. - eu respondi, andando até a escadaria, com James logo atrás. - Mas esse era misógino e sanguinário. Aparentemente, ele queria arrancar meus intestinos como fez com tia Filomena.
- Perdão? - Sirius pareceu chocado.
- Pergunte a Aric. - foi a minha única resposta antes de ir em direção ao meu quarto para tomar um banho e dormir.
- Nós vamos discutir o almoço de ontem ou vamos fingir que nada aconteceu? - James questionou, enquanto eu soltava os cabelos da trança firme, massageando o meu couro cabeludo em seguida.
Eu corei, mas ignorei a vergonha:
- Vamos discutir o almoço de ontem, mas não agora. - eu suspirei. - Foi um lapso.
- Um lapso demorado. - James sorriu, parando atrás de mim, me ajudando a soltar os cachos que pareciam quase colados na minha pele depois de terem sido mantidos presos com tanta firmeza.
- James. - eu alertei.
- Electra. - ele provocou, sorrindo torto. - Tudo bem. Quando você quiser falar sobre isso, falaremos. Mas é bom saber que não sou o único sob efeito hormonal. Nós somos adolescentes.
- E estamos em guerra e namoramos há pouquíssimo tempo. - eu lembrei. - Calma.
- Eu estou calmo. - ele pareceu tranquilo. - Você é que parece escandalizada.
- Dormir no mesmo quarto que você já é um escândalo suficiente para a minha família. - eu expliquei e James pousou as mãos sobre meus ombros, numa tentativa de me tranquilizar:
- Electra. - ele disse meu nome lentamente, como se o som da palavra o agradasse. - Isso é uma parte perfeitamente normal da vida. Uma resposta natural do seu corpo e nada demais. Não precisamos falar ou fazer nada só porque o tema surgiu. Posso passar o resto da vida dormindo ao seu lado sem fazer nada se for isso que quiser. Vai ser uma vida longa, um pouco sofrida, mas se isso a fizer feliz, então estou de acordo. Não estou aqui porque você é bonita e faz meu cérebro entrar em curto circuito só porque sentou no meu colo, estou aqui para o resto da vida e para além disso, se houver algo após a morte.
Merlin.
Eu não o merecia.
- É só… Me deixe me acostumar com a ideia, primeiro. Então conversamos. - eu pedi. James beijou o alto da minha cabeça:
- Como quiser. - ele disse, com carinho. - Mas há alguém que eu deva saber?
- Não. - eu arregalei os olhos. - Deus, não. Quer dizer, Davies até tentou, mas eu o empurrei com tanta força que ele teve uma concussão.
- Ele não teve uma concussão ano passado? - James perguntou, franzindo a testa. Eu acenei que sim. - Você ainda era menor de idade. E depois não quis namorar ninguém por um bom tempo.
- Eu fiquei um pouco abalada. - eu suspirei. - Não esperava isso. Ele me pegou de surpresa. Não foi nada como você.
- Eu devo lidar com ele quando voltarmos? - James perguntou, com tanta calma que fez meu estômago dar cambalhotas.
Um James ameaçador não devia ter esse tipo de efeito sobre mim.
- Não sei. Nunca pensei muito a respeito e disse a ele que se ele sequer mencionasse algo do tipo, se eu ouvisse qualquer tipo de fofoca, ele lidaria não apenas comigo, mas com meus irmãos e você e Alvo. - eu suspirei. - Estava disposta a contar caso algo vazasse.
- Você usou os sonserinos como ameaça? - James ergueu as sobrancelhas, surpreso.
- E você. Ninguém em sã consciência se coloca contra você e seu irmão quando estão juntos. - eu ponderei. - E Cyg e Bells não são misericordiosos quando o assunto é família.
- Hm. - James ponderou, suspirando. - Bem. Então, se você quiser que eu faça algo a respeito, só precisa me dizer. Sempre a postos para espantar homens para longe da minha mulher.
Eu revirei os olhos, mas me sentia aliviada. James podia ser um pouco protetor demais quando a situação pedia intervenção dele, mas no geral ele sabia que eu podia me virar sozinha. E se eu não tinha visto ameaça suficiente em Davies para que ele fosse avisado sobre o que quase aconteceu ano passado, então não havia motivo para ele intervir.
- Há alguém que eu deva saber? - eu perguntei, olhando para James pelo espelho. Ele desviou os olhos, parecendo culpado. - Tudo bem. Quem?
- Tem que prometer que não vai ficar brava.
- Você não ficou bravo.
- Você não consumou o ato e, além do mais, ele tentou se aproveitar de você sem perguntar se você queria. Então, eu jamais ficaria bravo com você por causa de Davies. - James se explicou. - Eu consumei o ato e você não gosta nada dela.
- Foi a Parkinson, não foi? - eu perguntei, tentando controlar a raiva não justificada.
- Foi. - James admitiu, a ansiedade pulsando na runa.
- Está tudo bem. - eu fechei os olhos, respirando fundo. - Nós não estávamos juntos, você não me traiu. Está tudo bem.
- Você pode ficar brava.
- Não posso. Não é justo. Então, está tudo bem. - eu abri os olhos e olhei para James sobre o ombro. - Está tudo bem.
- Está mesmo?
- Está. Já foi. - eu fiquei de pé e dei um beijinho na bochecha dele. - Quando foi?
- Pouco antes das férias do ano passado. - James ainda estava ansioso. Eu acenei com a cabeça:
- Está tudo bem. - eu repeti, passando por ele. - Vou tomar um banho.
- Mais um?
- Mais uma dúzia. - eu murmurei, pisando firme até o banheiro para um banho quente e relaxante para tentar não arrancar a cabeça de James de cima do pescoço.
Não era justo e ele não era nada meu na época. Só amigo. Mas Parkinson sabia porque ela fazia questão de me provocar toda vez que me encontrava sozinha no banheiro ou em qualquer canto da escola, questionando quando eu me declararia para James.
Agora fazia sentido ela parecer tão cheia de si quando nos encontramos no caminho para o trem naquele final de semestre.
Deus.
Eu a mataria.
Não.
Não mataria.
Porque eu era a Lady Black e também parte da última linhagem viva de Rosier e Yaxley. Então, não. Eu não a mataria porque tinha classe e educação e bom senso. A minha parte Sirius Black dizia para não descer ao nível dela. A minha parte Evan Rosier gritava para deixá-la careca permanentemente.
Eu comecei a encher a banheira com água quente e despejei o maior número de produtos calmantes que consegui colocar as mãos.
- Você passou uma hora aí dentro. - James me esperava, pacientemente, sentado na beira da cama, com uma expressão preocupada. - Achei que ia ter que entrar.
- Estou bem. - eu respondi, ignorando as sobrancelhas erguidas e a expressão descrente de James. - Está tudo bem.
- Não está nada bem. - James respondeu, enquanto eu pendurava o robe do meu lado da cama e me enfiava debaixo dos cobertores. Apesar de tudo, eu tinha me enfiado na camiseta dele e usava calças longas demais que também eram dele.
Eu me sentia um cachorro marcando território.
Isso era ridículo.
- Você está brava. - ele disse, enquanto eu afofava o travesseiro com mais violência do que o necessário. - Ela disse alguma coisa a você e você sabia e está brava porque não contei antes?
- Ela nunca me disse nada. Não a respeito disso. - eu me ajeitei, encarando o teto. - Mas agora eu entendo o olhar dela para mim quando nós a encontramos indo para o trem para as férias.
- É, bem. Foi na véspera. - James balbuciou. Eu fechei os olhos, respirando fundo.
- Por que ela?
- Não sei. Não planejei. Só… Ela estava lá e eu queria ficar com alguém e a coisa só tomou proporções nunca atingidas antes. - James soou sincero.
- Há alguma chance de que eu seja madrasta em algum futuro próximo?
- Não. - James foi firme. - Não se preocupe com isso.
- Tudo bem, então. - eu abri os olhos, finalmente. James tinha o rosto perto do meu, os olhos castanhos cheios de preocupação. - Não estou brava. Não com você. É só que… Justo ela? De todas as garotas.
James não me respondeu, ainda parecendo ansioso.
- Ela é… - eu respirei fundo. - De todas as pessoas que eu conheço, Parkinson é a única que consegue acertar em cheio o que mais me deixa insegura. Primeiro, era Transfiguração. Depois, Quadribol. Por último, você. Ela teve você antes mesmo que eu conseguisse admitir para mim mesma o que sentia. Então, ela sempre consegue. Ela sempre consegue acertar aquilo que mais é importante para mim, aquilo que mais é próximo do meu coração. Não estou brava com você. Estou brava por deixar que ela me atinja tanto. E por ela saber que me atinge tanto assim e usar isso contra mim.
- Você sabe que, mesmo que ela tenha sido a primeira e tenha sua importância por isso, ainda não chega perto do que sinto por você. - James disse, devagar. - Nem um pouco perto. São coisas diferentes. Com você, quando e se você quiser, será por amor.
Eu assenti, subitamente mais calma.
- Não se compare a outras. Parkinson pode ter seus talentos com bruxa, - James me deu um selinho demorado. - mas você ainda é minha favorita.
- Ainda?
- Nós podemos ter uma filha, então as coisas ficam complicadas. - James ponderou, os olhos agora um pouco mais tranquilos e brilhantes. Eu ri:
- Você está indo longe com essa coisa de runa de casamento. - eu revirei os olhos.
- Talvez sim, talvez não. - James comentou, se jogando no colchão, agora ao meu lado, e puxou os cobertores sobre si mesmo, parecendo mais tranquilo. - Mas, como eu disse, não há um futuro no qual você não seja parte integral nele. Então, pode se acostumar. - ele me puxou para perto.
Eu não demorei para dormir depois daquilo.
James me acordou na hora do almoço. Ele visivelmente não tinha dormido, mas dispensou qualquer preocupação minha, dizendo que só tinha ficado perdido em pensamentos e não tinha se dado conta do tempo que tinha passado. Alvo, Cyg e Anabelle nos encontraram na escadaria, os três tagarelando sobre formas de capturar uma Mortalha-Viva e como eles presenteariam a coisa ao Ministério por puro despeito.
- Vocês não deveriam queimar a imagem da Ordem da Fênix. - eu alertei.
- Quem disse que iremos nos identificar como a Ordem da Fênix? - Cygnus rebateu, descontraído. - Estamos pensando em um nome. Teoricamente, a Ordem joga limpo. Seu Potter joga limpo. Eu não. E você, ultimamente, também não.
- Nós somos dissidentes. - Alvo pontuou, com Anabelle concordando. - Uma Ordem da Fênix subversiva.
- E nem você concordava com tudo o que Dumbledore dizia e planejava. Nem adianta me olhar assim. - Anabelle disse, antes que eu pudesse argumentar.
- Vocês são terríveis. - Alyssa sorriu para os três. - Então. Jantar hoje. Alvo, por favor, anote os seus pratos favoritos.
- Ele vai colocar pudim de rins nessa merda. - Cygnus jogou a cabeça para trás. Eu fiz careta:
- Alvo, eu pago o quanto você quiser se colocar alguma coisa comestível nessa lista.
- Anabelle pediu ostras. - Al respondeu, anotando ostras e, logo em seguida, pudim de rins.
- Outra coisa intragável. - eu reclamei, arrancando uma risada divertida de James e uma expressão ofendida de Anabelle. - Peça Blanquette de Veau.
- Que porra é essa? - Alvo me encarou como se eu tivesse falado alguma língua extraterrestre.
- Confie em mim. - eu encarei meu cunhado. - Por favor, confie em mim.
Al olhou Cyg que assentiu:
- É ridículo de tão bom. - meu irmão admitiu.
- Onde diabos eu vou arranjar todos esses ingredientes até a noite? - eu ouvi Evan se estressar lá do fogão. - Trufas. Trufas. Eu vou ter que assaltar a cozinha da minha mãe.
- A gente acha. - Caradoc prometeu.
- Três pratos principais. Agora escolha duas sobremesas. Eu e Evan iremos escolher os vinhos adequados e também as entradas. - Alyssa deu tapinhas no ombro de Alvo e olhou Anabelle. - Gosta de ostras?
- Apenas mamãe e eu gostamos. Cyg e papai são amantes de carne bovina e Electra come qualquer coisa que não considere nojenta. - Anabelle respondeu, tomando o lugar ao lado de Alvo.
- E isso inclui ostras, aparentemente. - Regulus comentou. - Nós acabamos fazendo algumas mudanças nos planos de vocês sobre as Horcruxes.
- Uau. - Aric se jogou na cadeira ao lado do amigo. - Muito sutil.
- Sim, bem sutil. - Reggie respondeu, seco. - Vocês e Sirius estarão ocupados na Mansão Nott, então estarão indisponíveis para procurar pelas Horcruxes em Londres. Pontas e Lily vão ao Orfanato e eu e Caradoc iremos à antiga casa da Sra. Cole.
- E a praia? - eu perguntei, já decidindo que não ia comprar essa briga agora.
- Deixamos para você e James. - Regulus serviu suco de abóbora para si mesmo e voltou a me encarar, enquanto Evan tomava um lugar à mesa, junto de Alyssa. - Vocês é que sabem os detalhes daquele lugar macabro e eu que não vou dizer a ele para não ir com você.
- Está com medo de James? - Gideon perguntou, sorrindo.
- Qualquer pessoa com bom-senso tem medo de James quando o assunto é Electra. - Alvo fez careta. - Bem, então iremos resolver isso com calma. Precisamos saber onde fica essa praia.
- Tem areia escura. É uma praia fria, meu pai disse. Rochosa. - James franziu a testa. - Era verão quando meu pai foi até lá e disse que ventava muito e que a água que espirrava das ondas era gelada. Não é nada como o Chalé das Conchas. - ele olhou para mim. - Conhece algum lugar assim?
- Há alguns. - eu ponderei. - A maioria fica em outros países, mas existem algumas na Grã-Bretanha. Considerando que você disse ser um mar gelado mesmo no verão, eu chutaria Escócia.
- Praias com areia preta na Escócia. Isso diminui muito nosso campo de pesquisa. - Caradoc elogiou. - Mas ainda é só um chute.
- Ele viajou com as outras crianças do Orfanato. Poderíamos encontrar uma delas. - Cygnus propôs.
- Eu posso fazer isso. Levo mais alguém comigo. - Remus se voluntariou. - Tem algum nome, registro?
- Podemos tentar pegar alguma coisa no Orfanato. - Lily assentiu, séria. - Vamos ter que invadir os registros deles, Jamie.
Jamie.
Eu decidi não comentar.
- Então Lily e Jamie vão ao Orfanato, procurem por sinais de magia negra e peguem qualquer dado de crianças que ficaram por lá naquela época. - Sirius jamais perderia a oportunidade de provocar o melhor amigo. - Enquanto isso, nós nos viramos com uma Mortalha-Viva e coisas malignas em uma Mansão velha.
- Parece divertido. - Fabian sorriu de leve. - Equipes decididas. Agora, o que mais falta resolver?
- O aniversário de Lily. - Pontas lembrou. - Ela não quer nada muito caótico.
- Prefiro um almoço tranquilo. - Lily encolheu os ombros. - E jogos trouxas.
- O que você quiser. É o seu dia. - Anabelle disse, delicadamente. - Tiraremos esse dia de folga para comemorar. É bom ter algum alívio no meio de tanta coisa acontecendo.
- E eu quero muito ver o Evan se lascando uma vez na vida em algum jogo. - os olhos de Cygnus brilharam com expectativa.
- Então, planos para o aniversário de Lily e próximas Horcruxes finalizados. Pelo menos parcialmente. - eu cortei o filé de frango com calma, sem fome.
A ideia de lidar com Inferi fazia meu estômago se revirar e qualquer fome sumia.
- Tem mais uma coisa. - Evan pigarreeou, olhando Alyssa, que pareceu subitamente ansiosa. - Alyssa e eu andamos conversando sobre o motivo pelo qual ela estava na Mansão Nott naquela noite.
- Ah. - eu abaixei os talheres, olhando minha avó, preocupada. - Eu nunca perguntei. Me desculpe.
- Vocês tinham muitas coisas com o que se preocupar. - ela disse, baixinho. - E era muita informação para jogar em cima de vocês.
- Atualmente sou o Rosier chefe da família. - Evan aumentou a voz quando todo mundo pareceu se entreolhar e cochichar. Nós ficamos quietos imediatamente. - Tudo o que pertence aos Rosier pertence a mim agora, já que meu pai morreu e minha mãe não tem tantos direitos quanto gostaria já que eu não me dou bem com ela. O pai de Aric disse que queria um novo herdeiro porque não estava satisfeito com o que tinha. - ele segurou a mão de Alyssa sobre a mesa, com carinho. - E Alyssa é uma Yaxley e é jovem. Ele tinha intenção de se casar com ela. - a voz dele era controlada, mas a fúria nos olhos dele não enganava ninguém. - Ela não queria e tentou convencer o pai, que não cedeu. Ele ainda tem poder sobre ela, de certa forma, e ela pode ser sequestrada para se casar com alguém.
- Ah, Deus. - Lily pareceu enjoada. - E o que faremos?
- Vocês não fazem nada. Eu me caso com ela. - Evan disse, com simplicidade. Eu soltei os talheres sobre o prato, com os olhos arregalados. - Algo contra?
- Não. - eu sacudi a cabeça. - Só surpresa. Isso foi do nada, mas entendo a lógica.
- Não foi do nada. Evan e eu deveríamos ter nos casado logo após ele ser Marcado. - Alyssa disse, delicadamente. - Só estamos retomando os planos originais. Não na mesma extensão e com a mesma pompa, mas era o plano original. Evan e eu nos casaremos e enviaremos a certidão ao Ministério para registro oficial.
- Certo. - eu acenei com a cabeça. - Por favor, não adiantem a chegada de mamãe.
Aquilo fez os dois caírem na gargalhada, mas eu não os acompanhei.
- É sério. - eu disse, quando Evan olhou para mim, subitamente preocupado. - Isso pode matar a gente. - eu apontei a mim mesma e os gêmeos. - Então, se casem. Por favor, se casem e sejam felizes e eu prometo ser uma neta exemplar quando puder, mas por favor não adiantem a chegada da mamãe. Isso seria desastroso.
- Não se preocupe com isso. - foi Alyssa quem me acalmou, depois de alguns segundos de silêncio tenso. - Não tenho intenção alguma de trazer uma criança ao mundo no meio desta guerra e, muito menos, acabar com a chance de tê-los todos no futuro.
- Tudo bem. - eu engoli em seco e estendi uma mão trêmula até a taça de suco que James tinha enchido para mim.
Eu enfiaria poções anticoncepcionais goela abaixo de todas as garotas nessa casa. Independente do que elas achassem disso.
James apertou meu joelho com carinho:
- Vamos preparar uma festa bonita para vocês. Mas vai ter que ser na Mansão Nott.
- Pelo menos a gente tem uma capela lá. - Aric disse, tentando soar alegre.
Ninguém conseguiu comer muito depois.
A ideia de duas pessoas que se amavam terem que correr para se casar para evitar uma coisa terrível não era algo feliz. Não era agradável. Merlin, era horrível que eles tivessem que correr tanto para evitar que Alyssa ficasse presa a um grande filho da puta que a queria simplesmente porque ela poderia dar filhos a ele em algum futuro próximo. E, ainda pior, o que ele poderia fazer a ela se soubesse que ela era alinhada aos pensamentos de Evan e aos nossos. O que ele faria se, como a mãe de Aric, ela carregasse uma menina.
Santo Deus.
Meu almoço se revirou no estômago e, Anabelle como a santa que era, engatou uma conversa sobre vestidos de casamento com Alyssa.
Pelo menos aquilo fez o clima aliviar um pouco.
JAMES SIRIUS POTTER
- Eu preciso de um segundo. - Electra andou com as pernas bambas até a penteadeira no quarto. Eu a segui de perto, colocando uma mão sobre as costas dela, enquanto Els apoiava o peso sobre a penteadeira, respirando de forma controlada.
Ela estava tendo um ataque de pânico.
- Amor. - eu disse, baixinho. - Venha aqui. Vamos sentar.
Els deixou que eu a ajudasse a sentar na banqueta, onde ela se sentou e eu me ajoelhei de frente com ela. Os olhos de Els estavam cheios de lágrimas e havia tanto medo que meu coração se apertou. A angústia, o medo e a preocupação que emanavam da Runa tornavam a coisa ainda mais óbvia.
Não mais óbvia do que a sensação iminente de morte que se estendia por todo o meu peito como uma peça radioativa.
- Nós vamos morrer. - ela disse, a voz baixa e cheia de certeza.
- Não, não vamos. - eu segurei o rosto dela com ambas as mãos.
- Eles vão adiantar o casamento. Isso não deveria acontecer até 1979. - ela murmurou, terror pingando de cada palavra.
- E as Horcruxes só deveriam ser destruídas na década de 90. - eu disse, suavemente. - Respire comigo.
- Eu não consigo. - ela sacudiu a cabeça, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto. - Não consigo. Está tudo fora de controle. Nós iremos nos separar. Nós não podemos nos separar. Nós vamos morrer.
- São missões pequenas com riscos mínimos. Todos sob o Feitiço da Desilusão, com equipes de resgate a postos. - eu disse, devagar. Els ainda respirava como se tivesse corrido uma maratona e angústia e medo invadiam os meus sentimentos de uma forma tão agressiva que era como se as nossas magias reconhecessem o perigo e estivessem se preparando para entrar em uma batalha na qual apenas um lado iria sobreviver. - Vai ficar tudo bem. Estamos trabalhando para que nossas famílias vivam, para que tenhamos um futuro tranquilo, sem tantas perdas. Nós vamos ficar bem.
- E se não ficarmos?
- Ficaremos. - eu prometi. - Nós ficaremos bem.
Els apoiou a testa na minha, ainda respirando com dificuldade.
- Eu estou aqui. Cygnus, Anabelle, Alvo, Sirius, Evan… Todos estamos aqui. - eu murmurei. - Estamos aqui e vivos e lutando e continuaremos lutando até o fim. E, quando pudermos, vamos voltar para casa. E eu vou te levar naquele café trouxa que você ama e depois vamos tomar sorvete no Fortescue. Nós vamos passear pelos parques, vamos viver como pessoas normais, não como o filho do Menino Que Sobreviveu e a neta de Sirius Black. - eu continuei. - Só nós, sem aquela ratazana da Skeeter atrás da gente, sem fotógrafos. Só nós, sendo nós, sem nenhuma preocupação no mundo porque não teremos preocupações além dos nossos NIEMs e do horário que eu devo deixar você em casa para que seu pai não me mate.
Els deu uma risada tremida, mas eu ainda sentia o medo ecoando na runa.
- Eu estou aqui e não vou a lugar nenhum sem você. - eu lembrei. - Viemos juntos e iremos embora juntos. Sempre foi esse o plano e sempre será esse o plano.
- Posso ficar aqui hoje?
- Claro que pode. Você pode o que quiser. - eu peguei a garota no colo. Els deixou que eu a deitasse na cama e tirasse os sapatos dela. - O que quer que eu faça para você?
- Precisa me dar aquela poção do Alvo. A de dormir. - ela disse, a voz ainda baixa demais. - Não consigo me acalmar sozinha.
- Vou pedir para alguém trazer. - eu fiz carinho na bochecha dela. - Não vou sair daqui. Não agora.
Els aceitou quando eu sentei na beirada da cama dela e permitiu que eu enviasse um patrono para Anabelle.
Electra dormiu boa parte da tarde. Eu tinha desviado de perguntas e mais perguntas - as únicas pessoas que sabiam o que tinha, de fato, acontecido, eram os gêmeos e Alvo.
Os três que, agora, me faziam companhia no quarto que eu dividia com Electra.
- Eles deviam ter escolhido outro momento para contar aquilo. - Alvo comentou comigo. Anabelle cochilava com a irmã e Cygnus observava as duas enquanto.
- Ou pelo menos conversado com Els a respeito do que isso poderia causar. Electra sabe mais sobre magia do tempo do que a maioria de nós, então ela poderia avisá-los sobre as possíveis consequências. - eu suspirei, ainda observando a minha namorada.
- Eu não sabia que ela estava tão assustada. - Alvo disse mais baixinho ainda. Eu olhei meu irmão que, pela primeira vez, parecia genuinamente preocupado. - Electra nunca fica assustada. Não desse jeito.
- Tem muita coisa em jogo, Alvo. E quanto mais ficamos aqui, mais coisas mudamos, maior a chance de tudo o que conhecemos deixar de existir ou então existir de uma forma bem diferente. Precisamos ter muito controle de tudo, principalmente dos nossos ancestrais, porque isso determina o que nós viveremos daqui quarenta anos.
- E se viveremos. - Al assentiu, sério. - E ela teve uma crise de pânico.
- Sim. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, cada vez correndo mais riscos, cada vez mudando mais coisas. - eu passei a mão pelo rosto. - Então, ela teve uma crise. Vou ficar de olho nela. Mais do que nunca.
- E temos o jantar ainda hoje. - Al estalou o pescoço e olhou Anabelle, que agora esfregava os olhos logo após acordar. Meu irmão sorriu, com carinho, mas voltou a olhar para mim. - Alyssa disse que tudo começará às oito. Já são cinco. Eu sugiro acordar a Electra para que ela se arrume.
- É, boa ideia. - eu fiquei de pé e Cygnus ergueu as sobrancelhas:
- Hora de começar a se arrumar?
- Sim. - Alvo ajudou Bells a levantar e eu empurrei alguns cachos para longe do rosto de Els. - Se ela ainda não estiver bem, fiquem aqui em cima. Eu não fico chateado. Até trago uma marmita para vocês.
O sorriso de Al não falhou, mas eu o conhecia o suficiente para saber que ele seria mais do que compreensivo, mas ficaria triste por não estarmos presentes em um jantar em homenagem a ele.
- Farei o meu melhor. - eu prometi. Els não perderia o jantar, eu sabia, mas talvez precisássemos nos ausentar um pouco antes do final caso ela se sentisse mal. - Vão, vão. Eu vou ajudar Els. Encontro vocês às sete.
- Às sete. - Cyg deu tapinhas no meu ombro e os três saíram e eu sacudi o ombro de Els com cuidado. Ela piscou com força, parecendo bem sonolenta.
- Está tudo bem? - ela se sentou com a minha ajuda.
- Está, sim. Mas já são cinco da tarde e…
- Ah, Merlin, o jantar. - os olhos cinzas dela ficaram imensos.
- Sim, o jantar. Mas só se você se sentir bem o suficiente. Al disse que entende se não puder ir. - eu fiz carinho na bochecha dela. Els sacudiu a cabeça:
- Jamais perderia isso. - ela empurrou o cobertor para o lado e ficou de pé. - Vou tomar um banho e começar a me arrumar.
- Tudo bem. - eu alonguei os braços, ainda observando a garota que caminhava sem muita pressa até o banheiro.
Els estava melhor, mas ainda nada bem. Ainda assim, era melhor eu começar a me arrumar.
Eu tinha obedecido Electra quando ela apontou para um conjunto de vestes bruxas elegantes e completamente pretas - presente de Fleamont, que reclamava sobre a falta de vestes sociais no meu guarda-roupa - e, para a minha surpresa, a minha roupa complementava o vestido que ela escolhera para o evento organizado pela avó: um vestido longo de veludo preto, com mangas caídas dos ombros. Sem brilhos, sem nada além do corte do tecido que se moldava perfeitamente ao corpo dela. Els não deixou que eu tentasse arrumar os cabelos, argumentando que ela gostava assim, então eu, de novo, obedeci sem argumentar, enquanto ela fazia o coque composto por tranças, o favorito dela.
As joias escolhidas por ela - Pontas trouxe uma infinidade de peças da família, dizendo a Els que escolhesse o que quisesse: no caso, um conjunto composto por uma gargantilha de diamantes e brincos em formato de gota e uma pulseira também de diamantes.
Então, exatamente às sete, Electra e eu descemos a escadaria em direção ao salão de bailes, onde Alyssa havia ordenado para que nos encontrássemos.
- Uau. - Anabelle sorriu para a irmã mais velha e Electra revirou os olhos:
- Diz a garota que parece uma princesa. - Electra apontou o vestido escolhido pela irmã caçula: um vestido marfim, acinturado e com uma saia elegante e não muito cheia, sem mangas, acompanhado por luvas da mesma cor. As joias que ela usava eram mais simples: um colar com pendente em formato de gota, também em diamante e brincos pequenos. Era claro que, apesar de uma escolha mais discreta, Anabelle tinha sido inteligente - eram joias de aspecto elegante, bonitas e que apenas acentuavam a beleza de Anabelle. Bells riu:
- Eu faço o meu melhor. - ela sorriu e Alvo olhou para mim, enquanto eu puxava uma cadeira para Electra:
- Elas fazem o melhor para acabar com a gente. - ele corrigiu, ignorando a mímica de vômito feita por Cygnus.
Cyg, por sua vez, levou um tapa no ombro da avó:
- Tenha modos à mesa! - ela ralhou, arrancando um sorriso alegre de Evan.
- Ai! Desculpe, mãe. - Cygnus massageou o ombro e em seguida arregalou os olhos, enquanto Alyssa colocava a mão sobre a boca, um tanto surpresa. - Desculpe, Alyssa. É só… Minha mãe faz exatamente isso e a sua voz é tão parecida com a dela… Eu… Desculpe. - ele pigarreou e abaixou a cabeça, o clima na sala subitamente pesado.
Alyssa abaixou a mão e deu um beijinho na bochecha de Cyg:
- Está tudo bem. - ela disse, delicadamente. - É uma honra ser confundida com uma pessoa tão incrível. Vocês falam tão bem de sua mãe que é impossível não ficar feliz em ser confundida com ela.
- Acontece. Significa que você se sente confortável conosco. - Evan apertou o ombro do neto, que pareceu aliviado. - Só não chame Sirius de pai. Isso seria estranho.
- Ah não. Electra é mais parecida com Sirius que nosso pai. - Cygnus riu, sacudindo a cabeça. - Nosso pai é casca grossa. Ele tem seus momentos, mas Electra é quem herdou a natureza de Sirius.
- Acho que é porque ele cresceu em Durmstrang. - Electra encolheu os ombros. - Eu também seria casca grossa se meu diretor fosse o Karkaroff.
- Karkaroff é diretor de Durmstrang?! - Sirius soou ultrajado. - E ensinou o meu filho?!
- Ah. - Els olhou o avô. - Eu esqueci desse detalhe. Da onde você acha que Cygnus e Anabelle tiraram tanta criatividade? Mamãe que é sensata e tranquila, não papai. Sim, Karkaroff o ensinou enquanto Dumbledore ensinou nossa mãe. Mas, se serve de consolo, papai nunca gostou de Karkaroff.
- Claro que não gostaria, o cara é um nojento. - Sirius bufou, passando a mão pelos cabelos, estressado.
- Agora, vamos começar. - Alyssa juntou as mãos, sorrindo para todos nós, com expectativa. Ela parecia tanto com Aella que eu sentia o coração de Electra se partindo pela Runa.
- Alvo, em nome de todos os membros da minha família e isso inclui, infelizmente, Sirius, eu lhe dou os parabéns. - Evan ergueu a taça de vinho, ignorando a expressão ofendida de Sirius. - Não é comum e nem fácil atingir os feitos que você já atingiu aos dezessete anos. Então, parabéns e para um futuro com muitas conquistas. - ele ergueu a taça, sendo imitado por todos nós.
Alvo curvou a cabeça, em agradecimento, as bochechas um tanto coradas.
- E, em nome da nossa família, - Pontas se levantou, também erguendo a taça. - nós somos muito gratos por ter você em nossa família e muito, muito orgulhosos pelo homem que você está tornando. Como Evan disse, para um futuro com muitas conquistas. - ele encerrou tomando um gole de vinho em seguida.
- Vamos começar o jantar. - Alyssa sorriu, acenando com a varinha e os pratos começaram a flutuar, vindo da cozinha.
Eu tentei imitar Electra da melhor forma possível.
Depois das sobremesas - Alvo tinha feito questão de pedir sorvete - nós nos movemos para outro lado do salão, onde a música tocava baixo, e nos separamos em grupos menores. Els tinha se juntado com Alyssa e ambas conversavam sobre o casamento - Electra parecia genuinamente feliz, embora Alyssa estivesse visivelmente ansiosa.
Anabelle e Alvo estavam a um canto, ela com uma taça de champagne e ele com um copo de whisky de fogo - eles conversavam com Caradoc e os Prewett, que riam das piadas péssimas feitas pelo garoto.
- Ela parece melhor. - Evan me entregou um copo de whisky de fogo. Eu aceitei de bom grado, ainda olhando as duas mulheres sentadas no pequeno sofá, ambas com a postura perfeita e mãos descansando no colo com uma delicadeza calculada.
Alyssa e Electra tinham as mesmas sobrancelhas.
E o mesmo sorriso que começava levemente puxado para a esquerda antes de se abrir por completo.
- Ela está mais calma depois da poção do Alvo. - eu suspirei e olhei o Rosier, que tinha a testa franzida olhando ambas as mulheres. - Els… Ela se sente muito responsável por nós e se sentiu mal por ter tornado a situação menos alegre para vocês.
- Não é tão alegre quanto eu gostaria que fosse. - Evan admitiu. - Não queríamos que fosse assim, mas no momento temos pressa. Não posso arriscar que Yaxley a sequestre e a entregue a Nott. Não posso perdê-la de novo.
- Eu sei. - eu dei tapinhas nas costas dele. - Eu sei. Electra se preocupou com… Os riscos. Vocês só se casariam em 1979, então ela pensou em mil e um cenários.
- Eu entendo. E depois Alyssa me disse que deveríamos ter falado com vocês primeiro, os cinco. - ele admitiu. - Foi um erro que não cometerei novamente. Não pensei direito e não pensei que isso causaria tanto sofrimento a Electra.
- Acho que nem ela pensou nisso. - eu tomei um gole de whisky. - Electra está sobrecarregada e emocionalmente desgastada. Todos estamos. Mas…
- Ela está com a parte de levar vocês para casa. E se sente responsável em garantir a segurança de todos. - Evan ponderou. - Foi um erro, James. Não cometerei novamente.
- Está tudo bem. - eu prometi. Ele riu, sem graça:
- Não está, mas obrigado por tentar. - Evan sacudiu a cabeça. - E como anda a Runa?
- Electra diz que está sendo um fiasco. Eu digo que estamos andando lentamente, mas com firmeza no caminho certo. - eu encolhi os ombros.
- Sempre otimista. - Evan comentou. - Ela precisa de alguém que a ajude a ver a situação de forma mais positiva. E é uma boa característica para um auror.
- Estou dando o meu melhor. - eu admiti, voltando a olhar para Els que ria com a avó.
- Elas parecem se dar muito bem. - Evan comentou.
- Electra e a mãe dela se dão muito bem. - eu expliquei. - E Alyssa é muito parecida com Aella. Electra está confortável e feliz de tê-la aqui.
- E eu fico feliz em tê-los todos aqui. - Evan admitiu. - Nunca tive uma família assim. Me deixa feliz saber que, no futuro, irei ter uma família grande, com crianças incríveis. Idiotas, talvez, e muito impulsivos, mas incríveis. O que sabe sobre a infância de Aella?
- Não muito. - eu disse, vagamente. - Ela é muito reservada e se contou algo a Els, ela nunca me disse nada. Aella é uma mulher gentil e discreta, muito elegante. É um bom contraste com Atlas.
- Atlas é um bruto? - Sirius se aproximou, curioso. Eu sacudi os ombros:
- Não um bruto. Só… Rígido. Difícil de dobrar. Muito leal, muito corajoso, muito impulsivo. Mas rígido. Isso deve ter sido culpa de Karkaroff. - eu ponderei. - Apesar de tudo, ele é um cara legal. É o culpado por Electra ser do jeito que é. Ele sempre a incentiva, mesmo que esteja andando no limite da legalidade.
- Ah. É daí que isso vem. - Sirius acenou com a cabeça. - Mas é uma boa união. Eles se equilibram.
- Até onde sei - Anabelle surgiu de supetão ao meu lado. Eu quase derrubei o whisky e ignorei a risada divertida de Alvo. - Mamãe se apaixonou por papai assim que o viu. Ele tinha acabado de voltar de uma missão, era a primeira dele como auror formado, e ela estava no St. Mungus e ele chegou… Bem, estraçalhado. Mamãe cuidou dele e, no dia seguinte, papai levou um buquê de rosas e a levou para almoçar no refeitório do hospital.
- E ela caiu nessa? - Evan pareceu ofendido.
- Como um patinho. - Bells riu, enganchando o braço no de Al, enquanto Cygnus ria:
- Nem o papai acredita. Ele diz que podia ter feito muito melhor, mas estava se recuperando e a ideia era, pelo menos, ter o endereço dela. Acabou conseguindo um almoço e, no final de semana, ele realmente a levou para um encontro propriamente dito, em um restaurante caro no Beco Diagonal e tudo. Ele realmente a cortejou conforme o esperado para alguém puro-sangue como minha mãe. - ele contou. - É uma história divertida. Els sempre ama ouvir os detalhes, mas isso é porque eles tiveram que adiantar o casamento por causa dela.
- Electra foi concebida antes do casamento? - Evan passou a mão pelo cabelo, exasperado.
- Foi e faz questão de lembrar a Cyg e eu que nós só existimos por causa dela. - Anabelle revirou os olhos.
- Mas ela está com uma aparência melhor. - Cyg comentou, olhando a irmã, que agora vinha na nossa direção com Alyssa enganchada no próprio braço, ambas sorridentes. - Boa noite, senhoritas.
Electra revirou os olhos e Alyssa se juntou a Evan, enquanto Els enrolava o braço no meu.
- Foi um jantar excelente. - Els ignorou o irmão, olhando para Evan. - Você podia ensinar a minha mãe a cozinhar. Ela é péssima.
- E quem faz a comida na sua casa? - Evan perguntou. - Atlas?
- Papai também é péssimo. - Els sacudiu a cabeça. - Nós encontramos uma elfo-doméstica. Mamãe queria pagá-la, mas a única coisa que ela aceitou foram lençóis sempre limpos e um quarto digno para dormir.
- Pagar um elfo? - Evan ergueu as sobrancelhas.
- Mamãe acha um absurdo que os elfos sejam tratados assim e eu concordo. Millie é adorável. - Electra defendeu, com os irmãos concordando. - Então, Millie cozinha e limpa. Só não mexe com as roupas porque se recusa a arriscar tocá-las, embora ela tenha recebido permissão explícita de todos nós.
- É gentil. Nem todos pensam como a sua mãe. - Sirius ponderou. - E certamente nem todos os elfos são gentis como Millie. Monstro, por exemplo, é horrível.
- Não o conheci. - Electra admitiu. - Mas ele é um assunto neutro na família. Ninguém gosta, mas ninguém desgosta dele.
- Ele cometeu erros e depois fez o melhor que pôde dentro das suas possibilidades. - Anabelle defendeu. Cygnus e Els se entreolharam, suspirando. - E eu entendo que vocês não liguem muito para ele, mas acho que se a Walburga não tivesse sido a responsável por ele, ele jamais teria se tornado… Aquilo.
- Dobby era dos Malfoy e era adorável. Gentil, corajoso, leal. - Cygnus lembrou. - Monstro era o que era e só se tornou pior por causa da Walburga. Mas ele não era um santo. Nunca foi.
- Se ele tivesse sido tratado com gentileza e carinho… - Anabelle começou e Els sacudiu a cabeça:
- Dobby jamais foi tratado assim. - ela disse, pacientemente. - Monstro tinha sua própria natureza e isso só foi acentuado pela convivência com aquela asquerosa.
Anabelle pareceu discordar, mas não prolongou o assunto. Alvo, então, olhou para mim:
- Amanhã vamos à Mansão Nott. Conversei com Aric e vamos liberar o caminho até a biblioteca e a biblioteca. Será nosso principal foco. Podemos dormir lá até liberarmos os quartos, mas acho que precisamos de mais livros e mais informações. Eu preciso de mais informações porque aquela tintura está tirando meu sono e eu sei que Electra está irritada com a Runa, então vamos resolver dois problemas de uma só vez. Temos que nos esconder antes da noite cair, de qualquer forma e só podemos sair depois que o sol nasce. Então, podemos usar o tempo que sobra entre isso e dormir para continuar nossas pesquisas.
- Esperto. - eu concordei, olhando Els de rabo de olho, mas os olhos dela estavam presos na janela que tinha vista para o portão principal. - O que?
- Algo está errado. - a voz de Els era firme, mas eu sentia a nova emoção se espalhando pelo meu peito: receio e certa ansiedade. Talvez medo?
- O que quer dizer com isso? - eu fiz Electra me olhar e ela engoliu em seco:
- Minha magia diz que algo maligno está por perto. E eu não sei o que é. - ela cedeu a informação.
- Abaixe sua oclumência.
- Não.
- Abaixe. Sua. Oclumência. - eu trinquei os dentes. Electra fez uma careta e, a contra-gosto, abaixou o escudo que tinha colocado para minimizar os efeitos das próprias emoções sobre mim, assim como diminuir a sensibilidade da magia dela que estava entrelaçada em mim pela Runa.
Meu estômago revirou.
Terror praticamente comia Electra viva. Havia algo, algo muito maligno e repugnante, nos arredores da casa. O coração dela se acelerou e, em seguida, o domo de proteção erguido por magia brilhou com uma luz branca e a casa estremeceu. A magia de Els gritava, como se pedisse para que ou ela tomasse uma atitude ou se escondesse. Dedos de magia negra começaram a se enrolar pela casa - eu nunca tinha sentido isso, mas Els, pela primeira vez em algum tempo, tinha me dado acesso completo à própria Magia Ancestral.
Então eu não apenas sentia, como via aquelas vinhas negras, com cheiro de podridão e morte, se enrolando pelo domo da casa.
Coisa que, ao fazer uma pequena varredura pela mente dos outros, ninguém mais via ou sentia.
- São dementadores. - Caradoc se aproximou, puxando a varinha de um bolso secreto do casaco. - Meia centena deles.
- Está de brincadeira. - Alyssa empalideceu.
- E um dúzia de lobisomens, também. - Gideon pareceu despreocupado, mas olhou para mim. - Consegue ir lá fora comigo?
- Sim, consigo. - eu soltei Els com cuidado e a empurrei de leve para Alyssa. Electra abriu a boca para discordar, mas antes que pudesse falar, vomitou todo o jantar aos pés de Sirius, que fez careta. - E você fica. Se alguém puder…
- Eu cuido dela. Vá. - Alyssa puxou Els para longe, a Black cambaleando e pálida, mas obediente.
- Vamos. Cinquenta dementadores, James. E um punhado de trouxas. - Gideon apressou. Anabelle encurtou o vestido com um aceno de varinha, ignorando os pedidos de Al e Cygnus, e nós quatro seguimos até a porta, acompanhados por qualquer um capaz de produzir um patrono corpóreo.
Eu era capaz de produzir um patrono corpóreo.
Exceto pelo ataque da Mortalha-Viva.
- Esqueça a última vez, foque no agora. - Gideon pareceu ler meus pensamentos. - Proteja a casa e proteja os que puder proteger. Se pegar um Comensal da Morte, amarre-o e o deixe em um lugar seguro. Nós lidaremos com ele depois.
- Certo. - eu acenei com a cabeça. Era bom ter outra pessoa no controle. Eu podia focar em outras coisas.
- O que deu nela? - eu ouvi Cygnus perguntar, ansioso. - Els jamais vomitaria de medo de Dementadores. Nós já lidamos com um antes…
- É o cheiro. - eu respondi, embora ele não falasse diretamente comigo. - Els pode sentir a presença e o cheiro deles. É um cheiro de podre e de morte e de magia negra.
- E você não? - Pontas perguntou, logo atrás de mim.
- Ela me bloqueou, então, não. Não pude até ela tirar aquela merda de Oclumência do caminho. E se para mim está ruim, para ela é ainda pior. - eu peguei a varinha, olhando para o céu assim que saí da casa. Eram muitos dementadores. Muitos.
- Quem pode produzir patrono corpóreo, vá para a direita. Os que estão prontos para brigar, possivelmente entrar em uma briga física caso varinhas sejam perdidas, para a esquerda. - Gideon ordenou. - James, você vem comigo. Alvo disse que você tem um gancho de direita excelente.
- Eu tenho. - eu balbuciei, subitamente ansioso.
- Então, conjure seu patrono e vamos para fora. Temos uma batalha para lutar. - Gideon não esperou a minha resposta antes de sair bradando ordem para os demais que o seguiram para lidar com os comensais: Evan, Pontas, Sirius, Aric e Caradoc, assim como o próprio irmão gêmeo.
Merda.
Eu estava enfiado em merda.
ELECTRA ADHARA BLACK
- Eu deveria ir para fora. - eu aceitei o copo de água que Alyssa me entregou, com a mão trêmula. - São muitos.
- Você não está em condição nenhuma de sair para lutar. - Regulus foi firme. Além de Alyssa e eu, apenas Remus e Reggie tinham ficado: ambos com a promessa de cuidar de nós duas enquanto eu colocava as tripas para fora.
O cheiro era horrível. Uma mistura de podridão, com magia negra e alguma coisa que eu não sabia apontar exatamente o que era - o que eu sabia era que aquele cheiro era cheiro de morte.
- O que aconteceu? - Remus perguntou, ansioso, depois que eu tomei um gole de água. - Eu nunca vi você assim. Nem no dia do basilisco.
- A Magia Ancestral é sensível e me avisa sobre coisas que, em geral, não saberíamos até que tivessem chegado a nós. - eu respondi, ainda trêmula e forçando a água a ficar no estômago. - Parte das proteções sobre a Mansão foram conjuradas por mim. Minha magia está sendo atacada, Remus, e eu não pude prever os comensais, mas senti os dementadores. É isso que aconteceu.
- Mas eles podem passar pela proteção? - a voz de Reggie era firme, mas eu podia ouvir um fundo de medo na voz dele.
- Não. Nada maligno pode entrar a não ser que seja trazido por um de nós. - eu respondi, ignorando que a minha boca voltava a se encher de saliva. - Podemos trazer uma Horcrux para dentro, mas o dementador não entra sozinho.
- Bom. Isso é bom. - Reggie pareceu aliviado. - E eles foram espantar aquelas coisas.
- Sim. E é onde eu deveria estar. - eu tentei ficar de pé, só para ser empurrada de volta para o sofá por Remus:
- Você vomitou e está trêmula. Vai causar mais problemas do que ajudar. Fique aqui dentro. - ele foi firme e eu aceitei a ordem.
Novamente, dedos de magia negra se espalharam pelo domo de proteção conjurado sobre a Mansão e, para o meu horror, os dementadores voltaram a atacar as proteções. Toda vez que os dementadores tocavam as proteções, eu sentia o gosto de morte na boca.
E lá vamos nós para mais uma rodada de vômito.
A única coisa que consegui dos três foi ficar na janela, observando enquanto meus irmãos e Al, junto de Pontas e Lily, conjuravam patronos atrás de patronos: o cachorro de atacava os dementadores com uma fúria que eu nunca tinha visto um patrono exibir, o cervo e a corça de Pontas e Lily trabalhavam juntos em uma harmonia de dar inveja a qualquer um. A águia da minha irmã voava junto com o patrono de Al, como se mirasse diretamente nos olhos dos dementadores - um movimento inteligente e claramente de Anabelle, se eu fosse bem sincera.
Eles afastaram os dementadores com determinação e, vez ou outra, eu via o patrono em forma de cavalo de Gideon e o leão de James vindo do lado de fora, enquanto feitiços voavam em direção às proteções.
Mas o mais impressionante não era nada disso. O mais impressionante era o basilisco imenso que Cygnus conjurara e que praticamente engolia os dementadores.
- Um basilisco. - Alyssa riu, incrédula. - Nunca vi um desses.
- E eu achando que meu lobo deixava a minha identidade escancarada. - Remus sacudiu a cabeça, tão surpreso quanto nós. - Qual é o seu, Reggie?
- Nunca produzi um. - Regulus murmurou. - Preciso treinar.
- Eu também. - Alyssa suspirou. - Só um incorpóreo. E você, Els?
- É uma leoa. - eu admiti, corando quando Reggie lançou um olhar de alegria parecido demais com o de Aric:
- Combina com o de James.
- É. - eu respondi, seca. Eles andavam tendo sucesso em afastar os dementadores o suficiente para que não tocassem mais as proteções conjuradas e, assim, eu tinha parado de vomitar depois do quarto jato de água que voou sobre meu tio-avô.
O leão de James abriu a boca em um rugido imenso e correu em direção aos dementadores. Junto dele, o cavalo de Gideon corria, espantando mais dementadores ainda. Remus tinha me explicado que Gideon levara James para fora e, além de lidar com a batalha, estava também ajudando com os dementadores - embora essa segunda parte fosse, em sua maioria, responsabilidade e feito dos que tinham ficado dentro das proteções.
Subitamente, o cavalo sumiu. O basilisco de Cygnus abriu a boca imensa e cheia de dentes, em um grito de fúria, e perseguiu mais dementadores para longe, mas, desta vez, nenhum deles retornou.
Os patronos continuaram patrulhando o escudo e, subitamente, havia silêncio no que antes era uma mistura de gritos, palavrões e explosões mágicas por todo o terreno externo à mansão.
A Runa, agora sem nenhum tipo de escudo envolvido, era tomada por fúria, ódio e, também, tristeza. Eu coloquei a mão sobre a runa, o meu coração acelerando conforme eu entendia as emoções de James: luto. Eu olhei para fora, ansiosa, mas nenhum de nós caiu morto, o que significava que não era nenhum dos ascendentes diretos. Mas, ainda assim, isso fazia com que sobrassem três pessoas: Caradoc, Fabian e Gideon.
- Electra. O que foi? Você está pálida. - Reggie segurou meu ombro com força, mas antes que eu pudesse explicar o que James sentia, o que eu tinha pressuposto de acordo com aquilo, o grito de Fabian ecoou pelo terreno.
Ah, Deus.
De novo não.
Por favor, de novo não.
- Electra. - Reggie repetiu, em um tom grave e exigente, mas ainda assim trêmulo. - Quem?
- Gideon. - eu respondi, exatamente no momento em que James entrava, ensanguentado, carregando a parte de cima do corpo de Gideon, que eu identificava pelas roupas, e Caradoc levando as pernas do homem. Cygnus correu na direção de Fabian, que vinha aos tropeços e aos gritos, atormentado e desesperado pela perda do irmã segurou Fabian pelos ombros, ajudando-o a andar na direção da mansão. - Perdemos Gideon.
Sirius, Evan e Pontas vieram logo em seguida, fechando o portão atrás de si com firmeza, andando com as costas para nós, como se esperassem o retorno dos comensais. Anabelle, depois de receber uma ordem praticamente latida de Sirius, veio correndo para a mansão, seguida de perto por Alvo.
- O que houve? - Alyssa parecia não acreditar na informação que eu cedera, mas eu sabia, no fundo, que aquela era a verdade. Gideon não estava ferido, estava morto. Morto, como Fleamont, Euphemia e a Sra. Nott.
Morto, como nós todos estaríamos em breve, do jeito que as coisas andavam.
- Greyback atacou Gideon pelas costas, como o covarde que é. - Alvo praticamente cuspiu.
- Eu não o vi, mas Sirius… Sirius disse para nos prepararmos. - Bells olhou para mim. - Els… James…
- James está em luto, então, sim. - eu fiquei de pé, ignorando as pernas novamente trêmulas e os olhos marejados.
Agora não era hora de chorar.
Eu choraria depois, com James, no quarto, antes de dormir. Choraria amanhã, enquanto limpava a Mansão Nott. Mas não agora. Não quando os gritos Fabian ficavam mais altos conforme ele se aproximava da casa, não quando Greyback fizera um estrago tão grande que Sirius mandou Anabelle entrar para nos preparar.
Nada me preparou para o que eu vi quando James entrou no salão. Havia sangue por toda a roupa de Gideon e sangue ainda pingava no chão, o cheiro de metal se alastrando por todo o lugar. James e Caradoc colocaram o corpo de Caradoc sobre o sofá claro no qual Alyssa e eu tínhamos nos sentado havia menos de duas horas.
Eu não consegui segurar o vômito quando vi a cabeça de Gideon cair para o lado, praticamente decepada, os ligamentos e ossos aparecendo de uma forma grotesca.
O alvo, desta vez, foi Anabelle. Bells, apesar da expressão horrorizada, acenou com a mão para o vestido que eu praticamente encharquei de vômito, limpando a coisa sem sequer se dar ao trabalho de olhar para mim.
Espere.
Magia sem varinha?
Eu e Alvo nos entreolhamos, incrédulos, mas Anabelle nos ignorou veementemente, caminhando com firmeza até o sofá onde o corpo descansava, com os olhos azuis encarando o vazio.
Contra toda e qualquer expectativa que eu tinha, Anabelle ajustou a cabeça pendurada de Gideon com carinho sobre uma almofada e fechou os olhos dele, antes de olhar para Sirius:
- Foi Greyback?
- Sim. - nosso avô sabia melhor do que evadir a perguntar.
- Bem, primeiro ele ataca Remus quando criança, agora assassina Gideon. - ela disse, com a voz firme. - Isso faz com que ele tenha atacado, e tido sucesso, dois de nossos membros.
- E o que vai fazer? - a voz de Evan era firme, mas baixa. Anabelle encarou nosso avô:
- Quando a hora chegar, Greyback vai descobrir que tenho sangue Rosier, Yaxley e Black. E vai entender, então, o que isso significa para aqueles que nos desagradam. - Anabelle se levantou, ignorando o sangue no vestido e me encarou. - Alguém dê alguma coisa para esses vômitos de Electra. Fabian, venha. Cygnus, por favor.
Fabian foi levado pelos gêmeos para fora da sala, ainda aos prantos. James olhou para mim, engolindo em seco:
- Ele estava ao meu lado. Eu estava entre ele e Fabian. Gideon simplesmente… Caiu. - ele fechou as mãos em punhos. - E, quando vi, Greyback estava com o rosto no pescoço dele e… Eu deveria tê-lo matado, mas quando ele viu que eu o vi, ele apenas… Aparatou. Nos deixou e os outros também foram embora. E os dementadores… Eles só… Foram embora.
- Eu vou… Preparar o funeral. - Caradoc permanecia impassível, mas nada escondia a dor nos olhos por perder o amigo próximo. - Com licença. Preciso… Preciso levá-lo…
- Eu vou com você. - Pontas, finalmente, conseguiu dizer algo. Lily acenou com a cabeça:
- Eu também. Ninguém deve enfrentar a perda de um amigo sozinho. Iremos com você.
Caradoc não discutiu, aceitando a ajuda com um aceno de cabeça. Pontas o ajudou a enrolar um pano em volta do pescoço de Gideon e, junto de Lily, levaram o corpo de Gideon para longe, em silêncio.
- Merda. - Remus olhou para James, que acenou com a cabeça:
- Merda. - ele veio na minha direção. - Preciso que me diga: há mais algum perigo próximo de nós?
- Não. - eu sacudi a cabeça. - Está tudo tranquilo. Sem podridão. - eu passei a mão pelo rosto de James, com sangue seco que tinha escorrido de um corte na sobrancelha. - Quem?
- Não sei. Eram muitos. - James suspirou e olhou Alyssa, Remus e Reggie. - Obrigado por cuidarem dela. Acho… Acho que devemos começar a limpar as coisas e… Nos preparar para amanhã.
- Vou conjurar mais feitiços de proteção. - eu olhei Evan, que acenou com a cabeça:
- Você e Alyssa são muito boas com isso. Vão.
Alyssa e eu seguimos em silêncio até o terreno da mansão, ambas segurando as varinhas com firmeza, enquanto os restantes se juntavam:
- Eu sei que ainda nem digerimos a perda de Gideon, - James começou. - mas temos que nos reorganizar. Desfaçam os planos. Depois do funeral, todos iremos para a Mansão Nott. Este lugar não é mais seguro.
