Santuário – Casa de Peixes
Atenas – Grécia
09:51 PM
Afrodite atravessou os corredores de sua Casa com passos longos, a respiração pesada. Toda a bebida que consumiu ainda entorpecia seu corpo, mas não era isso que o fazia ferver por dentro.
Não. Era ele.
O desgraçado, o estúpido, o incapaz de enxergar além do próprio ego.
Máscara de Morte.
Ele tentava ignorar a raiva, mas o sangue ainda latejava em sua têmpora, a voz de Câncer ecoando na sua cabeça:
—Eu nunca te vi se importar tanto assim com o que alguém sente.
As palavras foram ditas no calor da discussão, jogadas como uma faca sem mira... mas haviam acertado em cheio.
Ele empurrou a porta de seus aposentos com força demais, o som ecoando pela Casa vazia. Precisava de silêncio. Precisava de ar. Precisava esquecer aquele imbecil.
Mas não teve tempo.
Porque Máscara já estava lá.
Encostado contra uma das colunas, os braços cruzados sobre o peito, o olhar afiado cravado nele.
"Achou mesmo que eu ia deixar isso passar, Peixes?"
Afrodite parou no mesmo instante. Seu coração bateu forte.
Lá estava ele. Despreocupado. Ousado. Com aquele maldito meio sorriso irritante nos lábios. Mas os olhos... os olhos diziam outra coisa. Se estreitavam como se estudassem cada detalhe de Afrodite naquele instante.
"Não tenho paciência para você hoje, Máscara." Peixes tentou se afastar, talvez o outro o liberasse de ter que mais uma vez engolir tudo que sentia pra deixar tudo como sempre foi.
"Hoje?" Ele riu curto, descrente. "Acho que nunca teve."
Afrodite apertou os lábios. "Não deturpe o que eu disse."
"Ah, mas você tem um jeito lindo de se importar comigo." Máscara deu um passo à frente, os olhos agora perigosamente atentos. "Eu não entendo, Peixes. Não entendo como você consegue ser assim, esse estandarte de perfeição... desce daí, cara! Não vê o que tá bem na tua cara, cazzo!"
Afrodite congelou.
O tom de Máscara carregava algo que ele nunca tinha ouvido antes. Algo mordaz, mas também...
Magoado.
O silêncio se prolongou entre eles.
Afrodite inspirou fundo. "Se você veio até aqui pra mais uma provocação, volte pelo mesmo caminho."
Máscara deu mais um passo. "Ah, é mesmo? Você quer que eu vá embora?"
Afrodite não respondeu.
E então, sem aviso, Máscara avançou.
Pegou Afrodite pela cintura, puxando-o de forma abrupta. Os corpos se chocaram, e antes que Peixes pudesse reagir, os lábios de Câncer tomaram os dele num gesto bruto, sem controle.
A raiva e a tensão explodiram entre os dois.
Afrodite empurrou-o de leve, mas não foi o suficiente para afastá-lo completamente. Ele já nem sabia se queria. O desejo e a frustração que sempre existiram entre eles atingiram um ponto de ebulição.
Quando Peixes puxou Máscara de volta pelo colarinho, foi com fúria contida.
Eles se beijaram de novo, agora sem nenhum juízo.
As mãos de Máscara deslizaram pelos cabelos de Afrodite, os dedos entrelaçando-se nos fios sedosos. Peixes soltou um suspiro contra os lábios dele, os dedos apertando a pele quente do pescoço de Câncer.
Ele esperou tanto tempo. Esperou tanto tempo por isso.
Mas então, algo quebrou o momento.
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Tokio - Japão
O vidro frio do terraço pressionava as costas dela.
O calor do corpo dele queimava sua pele.
Scully arfava, a respiração escapando de seus lábios entreabertos enquanto Kanon a prendia contra a estrutura transparente do terraço, a cidade abaixo se tornando um borrão de luzes. O contraste entre o frio da superfície e o calor que emanava de dentro dela era insuportável.
Mas nada era mais insuportável do que ele.
Os olhos de Kanon eram tempestades contidas, ondas furiosas que ardiam em azul intenso. Ele não a tocava além do necessário. Mas o espaço entre os dois vibrava como um campo elétrico.
"Você está tão quente..." A voz dele soou baixa, rouca.
Scully não conseguiu responder. Não conseguia formar palavras.
Era ele.
Era ela.
Era algo muito maior.
E então, ele fez.
Os lábios dele tomaram os dela em um embate de posse e desejo, um duelo sem vencedor. Ela o puxou para si com brutalidade, um gemido escapando quando os corpos finalmente se chocaram. Suas pernas instintivamente se prenderam na cintura dele, e Kanon gemeu contra sua boca, o contato fazendo com que suas próprias pernas vacilassem momentaneamente.
Carregou a ruiva sem dificuldades para a enorme cama que, até aquele momento, estava intacta.
As mãos de Scully encontraram o caminho para os cabelos dele, puxando com força, exigindo mais. E Kanon cedeu.
Cedeu ao toque, cedeu ao desejo, cedeu ao chamado.
E então, ele veio.
Poseidon.
O corpo de Kanon estremeceu, um gemido baixo e rouco ecoando em sua garganta. Scully sentiu a mudança imediatamente. O toque dele ficou mais intenso. Mais voraz. Mais autoritário.
Ela sentiu.
O calor. A eletricidade. A energia crua que se espalhou do corpo dele para o dela, como uma onda avassaladora.
E em vez de recuar... ela acolheu.
"Tome-me."
As palavras escaparam, um sopro entre seus lábios.
E então, Poseidon rugiu. —"Minha!"
Ele a tomou.
O primeiro clímax veio como uma explosão, um cataclismo de energia que sacudiu o cosmo.
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Santuário – Casa de Peixes
Atenas – Grécia
09:59 PM
Um choque de energia atravessou Máscara como um raio. Afrodite sentiu antes mesmo de ver. O cosmo de Câncer se expandia e queimava como uma onda de choque.
A pressão foi instantânea, empurrando Peixes para trás. Os olhos de Máscara arregalaram-se, seu corpo inteiro enrijecendo como se tivesse sido tomado por algo maior do que ele próprio. O cosmo de Câncer EXPLODIU.
Afrodite cambaleou, os olhos arregalados. "Máscara?!"
Mas ele não respondia.
Porque não era Máscara que estava ali agora.
Era outra coisa.
E então, o Santuário tremeu.
Uma voz feminina.
—"NÃO!"
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Tokio - Japão
Poseidon rugiu dentro dele, mas Kanon não cedeu.
O corpo de Scully ainda estava em brasas, tremores esporádicos percorrendo sua pele enquanto ela tentava recuperar o fôlego. Os lábios estavam entreabertos, os olhos ainda vidrados na explosão de prazer que a atravessou como uma tormenta.
Mas ela ainda queimava.
E Poseidon sentiu isso. Ele queria mais. Ele exigia mais.
Mas então, Scully o olhou direto nos olhos.
E foi Kanon que ela viu. Foi ele que ela desejou. Foi ele quem ela puxou de volta para si. A boca dela tomou a dele desta vez, com uma ferocidade que desarmou até mesmo o Deus dentro dele.
Poseidon rosnou, furioso.
Kanon tomou controle. E se ele iria tomá-la... seria apenas como ele mesmo.
Ele entrou nela outra vez, provocando nela um gemido profundo, quase sem ar. Os corpos se moviam como se levados por uma maré forte, um puxando o outro sem espaço para hesitação ou incerteza. Com uma força inesperada, ela montou sobre ele, dominando, movendo-se com uma fluidez que era primitiva, urgente e absoluta.
Os gemidos de Scully ecoavam no ambiente cercado de vidros, a cidade abaixo uma testemunha muda do pecado inevitável.
O segundo clímax veio como uma maré de destruição.
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Santuário – Casa de Peixes
Atenas – Grécia
10:10 PM
A segunda explosão de cosmo arrastou tudo ao redor.
Máscara de Morte caiu de joelhos, os olhos vidrando-se no vazio enquanto ondas e mais ondas de energia atravessavam seu corpo como descargas elétricas impossíveis.
Afrodite se ajoelhou ao lado dele, tentando segurá-lo.
"Máscara, reage!"
Mas não era Máscara quem estava ali.
O ar vibrou. A temperatura caiu drasticamente.
E então, a voz veio outra vez.
—"NÃO! NÃO! NÃO!"
A Criatura rugiu dentro de Câncer, clamava por socorro mas ele, paralisado, não conseguia compreender.
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Saga caiu ao lado da cama. Saori correu até ele, os olhos arregalados.
"Saga! O que está acontecendo?!"
Mas ele não conseguia responder.
Ele sentia, algo se partiu. Algo mudou.
"O que é isso..." Tentou se levantar com dificuldade.
Saori ao seu lado ajudava como podia, mas sendo muito menor não pôde mais do que ampará-lo de volta à cama.
"Não, isso vem do templo de Peixes, tenho que ir..."
Saori o olhou, aflita.
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Tokio - Japão
Scully ainda queimava.
Mesmo depois do êxtase absoluto, mesmo depois de ter sido tomada por dois, seu corpo exigia mais.
Kanon arfava ao lado dela, os músculos contraídos, a pele brilhando de suor, os cabelos desgrenhados colados à testa. Ele passou a língua pelos lábios, tentando recuperar o fôlego. A presença de Poseidon ainda latejava dentro dele, como uma fera domada... mas não destruída.
—Ele venceu. Mas não conseguiu. E ele não sabia por quê. —
Scully se moveu lentamente, deslizando pelo lençol amarrotado, os olhos pesados e carregados de algo que ele não podia nomear. Seu corpo estava exausto, mas sua alma pulsava com algo ainda maior do que desejo.
Kanon não queria admitir, mas ficou levemente intimidado com o olhar que ela lançou. Não havia mais vestígio de hesitação. Não havia submissão.
Ela não estava satisfeita.
Poseidon se reergueu dentro dele como um rugido abafado. —"Ela é nossa."
Mas não era.
Porque no segundo seguinte, Scully subiu nele, prendendo-o entre as coxas, os olhos cravados nos dele. O azul profundo de suas írises queimava como labaredas líquidas.
"Eu ainda não terminei."
A voz dela estava rouca, gasta, e ainda assim carregada de comando.
Os olhos de Kanon se arregalaram por um segundo antes de ele sorrir, um sorriso torto, predatório. —Desafie-me mais, mulher.
Mas antes que ele pudesse virar o jogo...
Scully segurou seus pulsos e o empurrou de volta contra o colchão. Kanon não teve escolha.
A vitória agora era dela.
Ele tentou reagir, tentou tomar de volta o controle como sempre fazia, mas ela se inclinou, os lábios pairando perigosamente sobre os dele, sem tocá-los. Sua respiração quente escorria contra sua boca, e Kanon sentiu a própria resistência ruir.
O sorriso dela foi lento, afiado, um reflexo do próprio jogo que ele costumava jogar.
"Quero você."
Kanon rendeu-se.
E foi ali que Poseidon se perdeu completamente.
A ruiva o tomou com uma fome incontrolável, os quadris se movendo contra ele com um ritmo que não lhe deixava escolha. Ele cravou os dedos na carne dela, um gemido grave escapando de sua garganta.
Agora era ela quem comandava a tempestade. O corpo de Kanon arqueou contra o dela, os olhos fechando por um instante, e quando ele os abriu, ele viu.
Poseidon desaparecia.
A conexão se desfazia.
O Deus não era mais uma ameaça.
Era Kanon. Apenas Kanon.
Ele prendeu o quadril dela, invertendo o jogo, dominando e tomando-a pela última vez, como ele mesmo.
O último clímax veio como uma onda inescapável, mas não foi Poseidon que a arrastou para o abismo. Foi Kanon.
Ele venceu completamente.
A Criatura sentiu.
E no instante final, no último suspiro de prazer e destruição, Poseidon silenciou.
xXx
Santuário – Casa de Peixes
Atenas – Grécia
10:27 PM
Afrodite ainda estava ajoelhado ao lado de Máscara de Morte, os olhos arregalados, o coração disparado. O cosmo de Câncer ainda reverberava no ar, instável, oscilante, como se algo dentro dele estivesse tentando se libertar.
E então, o Templo inteiro tremeu outra vez.
A explosão de energia foi tão intensa que rachaduras finas percorreram o chão de mármore. A Criatura rugiu mais forte, num grito de desespero e fúria.
—"BASTA!"
O grito ecoou como uma força invisível, lançando Afrodite para trás. Máscara arfou, o corpo arqueado, os olhos brilhando com uma luz que não era dele.
Foi nesse momento que a primeira leva de cavaleiros chegou.
Aldebaran foi o primeiro a cruzar as portas da Casa de Peixes, seguido de Milo, Shura e Aiolia. Todos pararam ao mesmo tempo, a cena diante deles tão surreal quanto apavorante.
"O que diabos está acontecendo aqui?!" Aiolia rugiu, os olhos já brilhando com cosmo.
"O cosmo de Máscara explodiu como se ele estivesse sendo rasgado de dentro para fora!" Milo resmungou, sem tirar os olhos do cavaleiro caído.
Shura se aproximou de Afrodite, ajudando-o a se levantar. "Você tá bem? O que foi isso?"
Afrodite sacudiu a cabeça, os olhos ainda arregalados. "Ele... não estava aqui. Eu senti algo—alguém—gritando através dele."
Máscara de Morte arfou novamente. O brilho em seus olhos oscilou, a energia ao seu redor tremulando como um fogo prestes a se extinguir.
Camus foi o último a chegar, as sobrancelhas franzidas em preocupação. O ar ao redor de sua presença parecia mais frio do que o normal.
"Isso não foi só uma crise de cosmo," ele murmurou, avaliando Máscara. "Isso foi um sinal."
"Um sinal do quê?" Aldebaran perguntou, já em posição de defesa, pronto para reagir.
Camus trocou um olhar rápido com Aiolia. Ambos sabiam. Ambos sentiram. E ambos sabiam que já não podiam mais esconder.
Antes que pudessem responder, Saga chegou.
Ele estava pálido, os cabelos desgrenhados, a respiração pesada. Sequer deveria estar fora da cama, mas lá estava ele.
Os cavaleiros se entreolharam. Se até Saga sentiu isso...
E então, como se estivesse esperando todos chegarem ali, Máscara de Morte finalmente caiu inconsciente.
TO BE CONTINUED...
