Disclaimer: Saint Seiya não me pertence e, sim, a Masami Kurumada, Toei e cia.
Texto em itálico se refere a flashbacks, quando houver.
Texto normal se refere ao presente.
Música tema para o capítulo: Beggin' (Violin), Running up that Hill (Violin), ambas na versão de Dramatic Violin e Through Time and Space de Mattia Turzo.
Capítulo 36
Dohko e Jules chegaram a Libra com o chinês bastante monossilábico enquanto a brasileira tentava conversar empolgada com a ideia de conhecer os demais Deuses do Olimpo. Hian, no entanto, com sua vasta experiência estava preocupado.
Primeiro, o cosmo de Aiolos e Aldebaran com poder desproporcional ao tanto que o elevaram. Depois, a convocação de Zeus ao Olimpo sendo adiantada. Só de pensar que poderiam enfrentar mais uma guerra com Jules ali, o fazia temer. As batalhas contra Hell e seus subordinados foram extremamente difíceis e ver a mulher por quem se apaixonou e que o fizera ver a vida com outros olhos, ferida e quase morrer o traumatizou.
Não queria Jules correndo risco novamente.
– Juliane.
– Hian…? - estranhou o tom sério.
– Escute… Você deve ficar e voltar ao Brasil. Os Deuses são imprevisíveis. Zeus está zangado, uma guerra contra o Rei dos Deuses, envolveria também os outros Olimpianos. Athena já teve aliados no Olimpo, mas a Deusa está há muito tempo longe. Se Zeus declarar uma guerra contra Athena, será muito pior do que a guerra contra Hell.
– Hian, Athena disse que todas nós devemos ir. Se Zeus convocou todas, eu irei. Não vou fugir.
– Juliane, não sabemos o que Zeus fará. Você deve ficar. - a voz do Mestre Ancião soou.
– Mestre Ancião, com toda a sua sabedoria, você deveria saber que onde você for, eu vou junto.
Dohko correu as mãos pelo rosto, nervoso.
– Jules… - suspirou. - Ok. O que você vai escolher como amuleto?
– Então… pensei em usar como amuleto isto.
Jules se encaminhou até uma cômoda, pegando uma camiseta de Dohko.
– Não é a mesma que eu usei daquela vez, mas é sua.
– Ah, Jules… - Dohko riu e a brasileira sorriu.
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Em Gêmeos, Saga e Kanon também estavam apreensivos. Cristiane e Suellen pareciam não ter noção das consequências que poderiam vir dessa convocação.
Os gêmeos conheciam bem os Deuses, tendo cada um servido a um Deus diferente e Poseidon e Athena já tinham tido suas rixas. Sabiam que se uma guerra entre os Olimpianos fosse declarada novamente as chances de qualquer um deles, incluindo as garotas, seriam praticamente nulas.
– Elas estão empolgadas demais com essa ida ao Olimpo. - Kanon falou seriamente, balançando negativamente a cabeça ao observar as duas conversando.
– Elas não tem noção do quanto isso é perigoso, Kanon… - Saga lamentou e em seguida, Ares se pronunciou. - Deveríamos trancar essas mulheres em casa. Elas acham que é farra irem ao Olimpo.
Kanon balançou a cabeça concordando com Ares, para sua surpresa.
– Suellen, trate de escolher um amuleto bem forte.
– Calma, Kanon. Eu já sei o que vou usar.
Suellen pegou a carteira e de dentro dela, sacou uma folha de caderno com alguns escritos e uma assinatura em uma caligrafia rebuscada. Kanon ergueu uma sobrancelha.
– O que é isso? - pegou o papel que ela estendeu. - Quem é Gilberto Baroli?
– É o seu dublador e do Saga no Brasil. Eu encontrei ele e pedi esse autógrafo. Guardo com muito carinho até hoje.
Cris, ouvindo a amiga, olhou para a concha que Julia a emprestou. Era uma concha muito bonita e ficou grata a amiga por ela, mas… Não sentia nada especial por ela.
– Saga… eu preciso ter um apego emocional ao objeto que escolher como amuleto?
– Não é estritamente necessário, mas quando o objeto tem um valor sentimental para a pessoa, o amuleto tem um vínculo maior para proteção.
– Entendi. - A brasileira ficou pensativa e foi para o quarto.
Depositou a concha com cuidado sobre um móvel e buscou na sua bolsa as chaves de casa. Olhou bem para o chaveiro e o removeu do molho, guardando as chaves e voltou para a sala.
– Então, vou usar isto. - deu a Saga o seu amuleto.
Saga a olhou e depois voltou a atenção ao chaveiro. Tinha o nome dela inscrito em português e em japonês.
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Em Escorpião, Marcela, Helu, Milo, Giovanni e Paula estavam reunidos. As três conversavam sobre quais Deuses deviam ser mais bonitos e a ida ao Olimpo na sala de estar, enquanto dois Cavaleiros muito ranzinzas só escutavam a conversa na cozinha.
– Ma non posso credere a queste tre donne! - Mask enchia o copo de whisky pela segunda vez, virando tudo com raiva.
– Giovanni, se você ficar bêbado antes de ir ao Olimpo, eu não vou te carregar.
– Vaffanculo, Milo! - deu o braço ao escorpiano, no gesto típico dos italianos.
– Só estou te avisando. Não é hora de ficar bebendo. - Milo apontou o dedo para Mask e se encaminhou para a sala. - Marcela, já escolheu seu amuleto? Me dá aqui que vou reforçar ele.
– Mas Milo, a Athena já vai colocar o cosmo dela para me proteger…
– Não quero saber. Eu vou reforçar e colocar meu cosmo para garantir que nada vai te acontecer.
– Meu Deus, quanta paranóia… - Marcela levantou do sofá e foi pegar seu amuleto.
– E você, Heluane? - Giovanni vinha da cozinha, com cara de poucos amigos.
– Eu já tenho meu amuleto. E vai ser essa pulseira. É um presente que ganhei de uma amiga quando éramos crianças.
– A Thami?
– Sim.
– Eu vou usar um bustiê que eu fiz para uma apresentação de dança do ventre e que foi um dos que mais gostei.
– Pronto, Milo. Tá satisfeito agora? - Marcela enfiou um objeto na mão do escorpiano e sentou bufando.
Milo abriu a mão.
– Um batom, Marcela?
– É meu batom vermelho favorito!
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Aldebaran, ao adentrar seus aposentos, foi buscar a caixinha que havia guardado no outro dia. Mabel tinha recusado seu pedido, mas era um presente de coração e estava impregnado com seu amor e sua devoção. Queria muito que ela usasse como amuleto.
– Bel? - a chamou ao quarto, já que ela estava na cozinha.
– Oi, Alde.
– Eu não sei se você já escolheu seu amuleto, mas eu gostaria muito que você usasse esse anel.
– Eu tinha pensado na mesma coisa. - Mabel sorriu.
Ricardo sorriu e com delicadeza, tirou o anel com três pedrinhas brilhantes da caixinha e, segurando a mão dela com a sua mão direita, colocou-o no dedo de Mabel. Depois, cobriu a mão dela com a sua, fechou os olhos e envolveu a jóia com seu cosmo.
Mabel não podia ver, mas raios de luz dourada fluíam das mãos do taurino e a rodeavam, voltando para as mãos dele e adentrando no metal.
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Mú e Esther escolheram almoçar em Áries primeiro. Prepararam a comida conversando amenidades, embora o semblante e o tom do lemuriano fossem sérios.
Após o almoço, ele recolheu e lavou a louça em silêncio. Esther, acostumada com a voz dele em sua mente e sua linguagem corporal mais relaxada, o observava.
Os ombros pareciam tensos e toda sua postura estava mais enrijecida, movendo-se de maneira mais dura que o normal. Suspirou. Era claro que o namorado estava preocupado e ela entendia o porquê.
Diferente de algumas amigas, que ficaram empolgadas em conhecer o Olimpo e os Deuses de perto e pareciam até ter se esquecido que poderiam viver uma guerra de novo, Esther podia sentir a tensão nos Cavaleiros por sempre estar mais atenta àquilo que a linguagem corporal dos outros dizia para compensar o que ela não ouvia.
Abraçou-o por trás, enquanto Mú lavava a louça.
– Não se preocupe, vai ficar tudo bem.
– Não sei como você tem tanta confiança nisso, depois de tudo que aconteceu na guerra contra Hell.
– Você me protegeu e me salvou, não foi? Então, sei que fará de novo.
Virou-se para ela e tomou suas mãos nas suas.
– Não quero que se fira.
– Não vou. E meu amuleto vai me proteger.
– O que você escolheu?
– Meu velho tablet.
– Porquê?
– Apego emocional. - Deu de ombros, sorrindo.
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Saori andava de um lado a outro, em seu quarto. Estava ao telefone, despachando ordens. Era uma Deusa, uma olimpiana, mas sua vida mortal poderia estar em risco na morada dos Deuses. Por isso, preparava secretamente todos os planos da Fundação Mitsui para caso algo lhe ocorresse.
A linha de sucessão transmitia a Kiki plenos poderes para comandar a empresa e os negócios. Mas se mais uma vez, precisasse que seus Cavaleiros lutassem, ele também estaria na linha de frente. Havia uma segunda pessoa, uma civil de fora do Santuário, que poderia assumir e era ela quem preparava.
– São apenas medidas preventivas, Yuka.
Rodrigo entrou nos aposentos, Saori fez um gesto para que sentasse e aguardasse. O baiano sentou, de cenho franzido, escutando a Deusa repassar passo a passo com sua diretora de confiança.
Alguns minutos depois, ela desligou o celular e o jogou em cima da cama, soltando um pesado suspiro e sentou-se no colo do brasileiro, envolvendo seu pescoço com os braços e lhe dando um selinho. Estava segurando a tensão até aquele momento.
– O que foi esse telefonema? - Rodrigo a inquiriu.
– Medidas preventivas para garantir que a empresa continue operando sem tanto impacto, caso ocorra alguma coisa a mim e a Kiki.
– Como assim? - ficou ressabiado.
– Sou uma Deusa em um corpo mortal e a presidente da Fundação Mitsui, Rodrigo. - suspirou, levantando-se e servindo-se de chá na mesa em um canto do cômodo. - Seja na guerra ou nos negócios, precisamos sempre estar preparados para o pior.
Tomou um longo gole, sentindo um alívio ao receber a bebida quente em sua garganta.
– Não sabemos o que nos espera no Olimpo. Zeus está zangado e eu não sei o porquê. Estou há muito tempo longe do Olimpo, sei disso. Como também sei que por isso, posso ter poucos ou nenhum aliado entre meus irmãos. Estou em desvantagem e preciso garantir que nada… - virou-se para repousar a xícara sobre a mesa. - Nada aconteça aos meus entes queridos ou aos meus funcionários. Agora…
Saori caminhou até ele, tirou os sapatos e ficou de pé entre as pernas dele com os braços ao redor de seu pescoço.
– Me diga que escolheu o relógio que te dei como amuleto… - Deu um sorriso enigmático.
– Claro que sim.
– Muito bem, assim que eu gosto… Obediente. - Roçou os lábios sobre os dele, sorrindo.
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À luz da hora dourada, Athena estava sob os pés da estátua, inteiramente paramentada com sua armadura, o cetro e o escudo. Estava acompanhada de Shion, com as vestes e elmo de Grande Mestre, Rodrigo e Paula.
Servas, soldados e algumas pessoas de Rodório estavam por ali, espiando a estranha movimentação do Santuário. As armaduras douradas cintilavam conforme os Cavaleiros de Ouro chegavam ao pátio acompanhados das brasileiras.
Um a um, os casais formaram uma fila diante da Deusa. Athena colocou o escudo nas costas e caminhou até os casais. Com um movimento fluido cortou a palma da mão na lâmina do cetro. O corte profundo verteu sangue.
Depois, pediu a cada uma das brasileiras para darem um passo à frente. Deixou pingar um pouco de seu sangue nos objetos, um a um, ao mesmo tempo que os banhava em seu cosmo.
Os objetos começaram a brilhar em seguida, ganhando intensidade e começaram a flutuar a frente delas, conforme Athena recitava um feitiço antigo, há muitos e muitos séculos não utilizado por ela.
– Do meu sangue, faço um escudo. Da minha alma imortal, te dou a proteção. - murmurava de olhos fechados, enquanto deixava seu cosmo fluir envolvendo os amuletos.
– É grego antigo! - sussurrou Isabel.
– Do meu sangue, faço um escudo. Do meu cosmo, concedo a passagem.
Aos poucos, Athena abriu os olhos. Os objetos começaram a voltar ao normal para as mãos das garotas.
– Está feito. Haja o que houver, mantenham o amuleto com vocês. Está na hora de partir.
Atrás da estátua de Athena, havia um caminho que guiava até o local onde antes havia a base da montanha de Star Hill. Percorreram todo o caminho até chegarem a um templo de arquitetura grega clássica e atrás dele, uma torre em formato hexagonal se erguia a pelo menos doze metros de altura.
Atravessaram o templo vazio e adentraram a torre subindo até o seu topo, que não possuía telhado. No piso de mármore, as constelações estavam marcadas em bronze. Ao centro da roda zodiacal, um sol com seus raios em volta do símbolo de Athena. Em cada ponta do hexágono, havia um símbolo indicando as direções como em uma rosa dos ventos.
Athena se posicionou bem a frente do desenho feito em metal sobre o mármore. Bateu com o cetro no chão uma vez, com força, e mais uma vez, seu cosmo se elevou. O desenho, que na verdade era uma estrutura em metal, começou a se erguer do piso a certa altura até que parou. Então, o mesmo começou a virar sobre seu eixo de modo que o símbolo de norte estivesse no alto e o do sul, embaixo, próximo ao chão.
Athena elevou seu cosmo mais um pouco e encostou seu cetro sobre o seu símbolo, agora, a um ou dois metros acima de si. Houve um som de algo destravando e Saori se afastou. Em seguida a estrutura começou a girar rapidamente, até que um portal se abriu.
Do outro lado, não se via nada a não ser uma imagem nítida do Universo e das galáxias. Aqueles que nunca tinham estado ali, observavam impressionados.
– A passagem está aberta. Vamos!
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Olimpo, aqui vamos nós! Hahahahahaha
Algumas notas rápidas antes das reviews: fiz uma alusão à Guerra de Tróia no começo do capítulo. Na Ilíada, os Deuses se dividiram entre os que apoiaram os aqueus e os que apoiaram os troianos. As falas do Mask em italiano são "Não posso acreditar nessas 3 mulheres!" e "Vai tomar no cu, Milo!". A torre onde ficava Star Hill me baseei na Torre dos Ventos em Athena.
Cris - Suspeito que você deve ter acertado, mas… aguardemos cenas dos próximos capítulos! Hahahaa
Isa - Mana, o Camus é o seu príncipe encantado, hahahahah! Como qualquer outro objeto poderia substituir o cisne, não é? Acho que eu também ficaria ansiosa e curiosa… Aaah, algumas escolhas foram baseadas na vida real!
Sheila - Hahahahaha, Zeus ouvindo sermão da Sheila, hein?! Claro, tomei uma liberdade poética de você ter ficado e guardado a faixa do Aiolos. Não mostrei no ritual, mas considere que depois, a Sheila amarrou no pulso, sim. Ouça os gêmeos, Sheila… ouça os gêmeos, hahahahahaha.
