Isabella
Na véspera do casamento, passei a tarde com Chloe no quarto, vendo-a experimentar pela milésima vez o vestido que usaria na cerimônia.
— Mamãe, eu vou jogar as flores no chão?
— Vai.
— E depois eu como bolo?
— Primeiro eu caso com seu pai. Depois podemos comer bolo.
Ela riu e girou no quarto como uma bailarina, com o vestido branco rodando ao seu redor.
— Eu vou ser uma irmã quando você casar?
A pergunta veio com a naturalidade de quem fala sobre desenhos animados.
— Talvez, sole. Um dia.
Na manhã seguinte, o céu de Forks estava limpo — um presente raro, quase simbólico. Nós optamos por uma celebração rápida, seguida de um almoço para nossa pequena lista de convidados.
Rosalie me ajudou a fechar a fileira de botões do vestido, enquanto Alice arrumava meu cabelo em um penteado semi preso, depois de terminar os retoques da maquiagem.
— Você está linda — disse Alice, parecendo genuinamente emocionada — Eu esperei tanto por isso!
Ela me posicionou em frente ao espelho enorme do antigo quarto de Edward e eu gostei do que vi: meus olhos estavam levemente destacados com uma maquiagem suave, minhas bochechas tinham um tom rosado e meus lábios estavam delineados com um batom em um tom nude, deixando tudo com o jeito natural que eu sabia que Edward gostava.
— Estou tentando não desmaiar — respondi, tentando controlar minhas mãos que não paravam de tremer.
— Se concentre em não pisar no vestido — comentou Rosalie — E não olhe para trás.
— Por quê?
— Porque a sua vida está ali na frente.
Respirei fundo, absorvendo aquilo e ela me entregou meu buquê.
Eu peguei o braço de Charlie e comecei a caminhar pela sala e descer os degraus que levavam até o jardim. Chloe, à minha frente, lançava pétalas com um misto de concentração e pura alegria, como se estivesse em uma missão muito séria — embora algumas pétalas fossem lançadas para trás, outras para o alto e uma ou duas direto na saia do vestido dela.
As pessoas estavam em pé, sorrindo, e tudo parecia envolto em uma aura de paz. Eu não olhava diretamente para ninguém — não ainda. Meu foco estava no caminho, no som do vestido arrastando suavemente pelo chão, no toque firme do braço de Charlie segurando o meu como se ele ainda quisesse me proteger do mundo, mesmo sabendo que já não precisava.
Edward me esperava sob um pequeno arco coberto por flores. Carlisle e Esme estavam ao seu lado e seus olhos estavam fixos em mim, como se cada passo que eu dava fosse o centro do universo. Ele estava lindo. De terno claro, a gravata apertada o suficiente para manter o estilo despreocupado que era só dele. Mas nada disso importava. O que me fez perder o ar foi o olhar dele.
Porque ele me olhava como se estivesse vendo o sol pela primeira vez.
Charlie me entregou a Edward com um aperto de mão meio trêmulo e um beijo rápido na minha têmpora. Sussurrou um "te amo" antes de se afastar. E então éramos só nós dois.
O celebrante começou a cerimônia com palavras simples. Falou sobre amor, sobre tempo, sobre as escolhas que fazemos todos os dias quando decidimos permanecer. Eu ouvia tudo, mas era como se meu corpo inteiro estivesse sintonizado em Edward. Nossos votos foram escritos à mão, guardados em pedaços de papel dobrados com cuidado.
Edward foi o primeiro.
— Quando você entrou na minha vida, foi como um furacão que eu não estava pronto para enfrentar. E, quando saí, eu achava que sabia o quanto perderia, mas estava totalmente errado. Hoje, eu entendo que o amor não é sobre estar sempre certo, ou fazer tudo perfeito… É sobre voltar. É sobre escolher. E eu escolho você, Bella. Todos os dias. Em todas as versões da nossa história. E em todas as que ainda vamos escrever.
Segurei o choro, apertando os dedos dele com força.
— Eu sempre achei que precisava me proteger do amor — comecei, com a voz levemente embargada — Mas você… você foi gentil. Você me ensinou o que realmente era o amor. Me fez sentir segura. Eu passei muito tempo com medo. Medo de sentir tudo sozinha, de viver tudo sozinha. Mas, com você, o mundo ficou menos pesado. A vida ficou mais simples. E mesmo quando tudo desmoronou, eu ainda tinha um pedaço desse amor comigo. Eu nunca deixei de saber, no fundo, que você era o lugar onde eu encontraria meu lar.
Ali, no meio do campo, cercada por quem nos amava, com o sol de fim de verão banhando nossos rostos, eu disse "sim". Não porque era um conto de fadas. Mas porque era real. E era nosso.
A cerimônia foi curta, mas cheia de tudo o que importava. As palavras trocadas, os olhares, o silêncio entre as frases — tudo era real, e intenso e nosso. Quando ele colocou a aliança no meu dedo, e eu no dele, ouvi Chloe dizer em voz alta:
— Agora o beijo!
As risadas quebraram o ar, leves como o vento. E Edward me puxou com um sorriso largo, o tipo de sorriso de quem vive aquele momento uma vez na vida. O beijo foi calmo, sem pressa. Um selo de um recomeço.
Quando nos viramos para os convidados, de mãos dadas, fui tomada por aquela certeza silenciosa e absoluta: tudo que importava estava ali. Comigo. Ao meu lado. E no colo de Esme, Chloe batia palminhas com um punhado de pétalas ainda nos dedos. Era o começo da nossa nova história.
Nós tiramos uma infinidade de fotos. Eu posei sozinha, com Edward, com Chloe, com meu pai, com meus irmãos, com Carlisle e Esme, com as minhas amigas, com Rosalie, Emmett e Henry.
Quando eu comecei a ficar entediada, Alice, com um vestido verde-esmeralda e um sorriso orgulhoso, deu o sinal e a música começou a tocar — suave, instrumental, com um arranjo de piano que parecia ter sido feito só para aquela tarde.
Edward estendeu a mão para mim.
— Me concede essa dança, senhora Cullen?
Arqueei uma sobrancelha.
— Estou oficialmente casada com você há vinte minutos. Vai me chamar assim agora?
— Só hoje.
Ele me puxou com delicadeza, e dançamos ali, na pista de dança improvisada, sob o céu do meio dia. Chloe nos rodeava, girando em círculos desajeitados com as flores ainda presas nos cabelos.
— Chloe dançando também! — ela anunciou, os bracinhos erguidos para o céu.
Edward a trouxe para o colo, e nós rodamos juntos, na nossa pequena bolha de felicidade.
— Você prometeu que não ia chorar hoje — Rosalie comentou, sentada ao lado de Emmett com Henry no colo.
— Eu disse que tentaria.
— Ele chorou quando a música começou — Alice comentou, passando com uma taça de champanhe na mão.
— Chorei por causa da música, sim. E também porque Chloe quase me deu uma rasteira com as flores.
Todos riram, e eu olhei ao redor, tentando absorver cada detalhe.
Charlie estava encostado perto da varanda, conversando com Carlisle. Pela primeira vez em muito tempo, ele parecia completamente à vontade. Esme se aproximou e entregou uma taça para cada um, antes de voltar para onde estávamos.
— Eu esperei muito tempo por esse momento — ela disse, com os olhos brilhando — E valeu cada segundo.
— Obrigada por nunca desistir de mim — respondi, segurando sua mão com força.
O almoço foi com comida de verdade, feita com carinho, o tipo de refeição que não impressiona revistas, mas acolhe corações. O cheiro de pão caseiro, risoto de cogumelos e saladas frescas se misturava ao som das risadas de Emmett, da conversa animada entre Alice e Sue, e do choro eventual de Henry, que Rosalie embalava com a mesma precisão de alguém que, secretamente, tinha nascido pra isso.
Chloe comeu três colheres de comida antes de pedir bolo.
— Mais tarde, sole — disse Edward, tentando conter a risada.
— Mas eu casei também! — ela protestou, muito indignada com a injustiça do cronograma do dia.
— Você foi a daminha, amor. Você joga flores, não come bolo antes da hora.
Ela cruzou os braços e bufou. Rosalie ofereceu uma colherada do próprio prato como forma de trégua. Chloe aceitou.
A tarde passou como um suspiro. Leve, breve, bonita. Esme caminhava entre os convidados com sua taça de vinho na mão, observando tudo como quem finalmente podia respirar fundo. Alice, claro, chorou de novo quando viu Chloe tentando soprar bolhas de sabão com Seth no meio da pista de dança.
E então, quando o sol começou a se inclinar no céu, tingindo o jardim com tons dourados, Edward me puxou pela mão para um canto mais afastado.
— Vem comigo — ele disse, baixinho.
— Vai me sequestrar agora que é legalmente autorizado?
Andamos até a lateral da casa, onde as lanternas penduradas nas árvores começavam a se acender com a chegada da noite. O som da festa ainda nos alcançava, mas ali, parecia que o tempo desacelerava só pra nós dois. Ele virou de frente pra mim, passou o braço pela minha cintura, e ficamos ali, balançando levemente ao som da música, a testa dele encostada na minha.
— E então… casados.
— Finalmente.
— E se eu te disser que o melhor ainda está por vir?
— Eu diria que você está sendo otimista.
— Estou, mesmo.
Nos beijamos sob o céu azul, com o som da música e do riso da nossa filha preenchendo tudo ao redor. E, por um instante perfeito, o tempo parou. Eu poderia ficar ali para sempre.
Depois de um dia inteiro de vozes, música, passos e risos, o silêncio parecia quase alto demais. Nossa casa estava silenciosa. Chloe tinha ido dormir com Esme naquela noite — um gesto que foi ideia dela, aliás, porque "noites de festa precisam terminar com pijama e história de avó", segundo suas próprias palavras. E por mais que eu achasse que sentiria falta de ouvir seus passinhos desajeitados pelo corredor, o silêncio que restou foi quase sagrado.
— Nunca a vi tão feliz quanto hoje — comentei, quando entramos em casa.
— Eu também não — ele me olhou por um segundo — Quando ela comeu o segundo pedaço de bolo escondida atrás de Emmett, foi como se tivesse encontrado o céu.
Rimos baixo, e eu encostei a cabeça em seu ombro por um instante. Estávamos os dois cansados, não apenas fisicamente, mas o dia tinha sido bem vivido, em todos os detalhes.
Seguimos até o nosso quarto, e por um momento, fiquei só parada ali, observando tudo. As luzes estavam baixas. As flores que Alice insistiu em deixar "para criar um clima" estavam sobre a cômoda, e uma garrafa de champanhe esperava na mesinha lateral, junto com duas taças que claramente ninguém lembraria de usar. Ele levantou o rosto assim que me viu e parou por um segundo
— Ainda não acredito que você é minha.
— Acho que sempre fui — murmurei, com um sorriso pequeno.
Ele estendeu a mão. Eu fui até ele. Quando nossas mãos se tocaram, algo dentro de mim se assentou. Um tipo de paz que não era feita de ausência de dor, mas da certeza de que tudo o que precisava estar curado, estava.
— Me deixe ajudar — ele disse, levando as mãos até os botões do vestido.
Ele desabotoou devagar, como se o tempo tivesse desacelerado para que não perdêssemos nada daquilo. Senti a pele das minhas costas arrepiar com o toque leve dos dedos dele.
Quando o último botão foi solto, ele deslizou o tecido pelo meu corpo com cuidado, como quem lida com algo precioso demais para ser apressado. O vestido caiu no chão com um som suave. Eu fiquei ali, de pé, com o olhar dele sobre mim.
— Você sempre é linda, mas hoje… — ele disse, com a voz baixa e firme, como se estivesse fazendo uma confissão.
Ele se levantou e me envolveu com os braços, os lábios encostando nos meus com uma delicadeza que me fez fechar os olhos. O beijo começou como todos os nossos melhores momentos: simples. Um toque de reconhecimento. Um lembrete de que não precisávamos provar nada. Que já éramos.
Mas então ele aprofundou o beijo, e a calma deu lugar ao desejo. Não o desejo impulsivo de dois corpos que se procuram, mas o tipo de desejo que nasce de saber que ali há abrigo. Que ali, pode-se descansar. Tudo aconteceu devagar, como se o tempo não importasse mais. Como se o mundo tivesse parado para nos dar essa noite.
As mãos dele percorriam meu corpo com familiaridade e reverência, como se estivesse reencontrando algo que sempre foi seu — mas que agora, finalmente, ele podia tocar sem medo de perder. Sussurrei o nome dele mais de uma vez. Ele respondeu com o meu.
Não houve urgência. Não houve pressa. Foi amor.
Estávamos deitados, a respiração ainda descompassada, os corpos entrelaçados sob os lençóis bagunçados. Minha cabeça repousava no peito de Edward, e seus dedos traçavam círculos preguiçosos na minha pele, como se ele quisesse me memorizar de novo. Ou talvez, só reafirmar que agora podia.
Eu fechei os olhos por um instante, sentindo o coração desacelerar aos poucos. O silêncio entre nós não era desconfortável. Era o tipo de silêncio que só existe entre duas pessoas que se conhecem profundamente — e que agora, mais do que nunca, pertenciam um ao outro.
— Como você se sente? — ele perguntou, num sussurro.
Demorei alguns segundos para responder, só porque queria encontrar a palavra certa.
— Completa.
Ele beijou o topo da minha cabeça, e eu senti o peito dele subir e descer, devagar, embaixo do meu rosto.
— Eu ainda me pego pensando na nossa vida quase como se estivesse esperando ser acordado a qualquer momento — ele disse — E não quero. Nunca mais.
Ergui o rosto para encará-lo. Os olhos dele estavam calmos, mas havia algo neles… uma emoção contida, quase reverente. Como se aquela noite fosse sagrada.
— Não vai acordar — passei os dedos pela lateral do seu rosto, até o queixo — Isso aqui é real.
Ele me puxou mais pra perto, e nossos lábios se encontraram de novo — mais suaves dessa vez, como um agradecimento. A mão dele percorreu minhas costas lentamente, e eu senti o corpo dele relaxar por completo. Estávamos exaustos, mas não queríamos dormir ainda. Era como se o fim daquele dia tivesse um sentimento que precisávamos saborear até o último segundo.
Nos ajeitamos na cama, os corpos encaixados como uma peça que finalmente encontrou seu lugar. E foi ali, deitados no escuro, ouvindo só a respiração um do outro, que deixei o sono me levar.
Fechei os olhos, sentindo o coração desacelerar até se alinhar ao dele. Ali, naquela noite, não havia mais medo. Não havia mais dúvida. Só nós dois. E o começo de tudo que ainda viria. Naquela noite, dormi com uma certeza serena no peito: eu nunca mais estaria sozinha.
Finalmente, casados :)
Comentem se gostaram!
Até o próximo.
