1. Loucura
Eu corri atrás dela no longo corredor. Seu grito fino doeu em meu ouvido.
Meus passos eram mais largos que o dela e estiquei meu braço quase a tocando, mas tropecei em algo no corredor e quase caí no chão.
— Eu vou pegar você — falei alto começando a ficar irritado.
Ela não iria escapar de mim. Não podia deixar isso acontecer. E quando eu a pegasse ela iria ver.
O corredor estava silencioso e as portas abertas, qual que ela havia entrado?
Meu coração batia acelerado em meu peito e parei tentando descobrir onde ela estava se escondendo.
— Vamos querida, me fale onde você está? — minha voz soou mais suave e escutei um barulho, mas não consegui distinguir da onde vinha.
Respirei fundo encarando a hora no meu relógio de pulso.
Merda. Estava atrasado.
— Sai logo da onde está escondida — mandei, mesmo sabendo que não me obedeceria.
Tentei apurar minha audição tentando ouvir algum barulho, mas nada. O apartamento estava tão silencioso que por um momento pareceu assustador.
Ela estava ficando cada dia melhor nisso e eu cada dia pior.
— Anda Mia, vamos logo — tentei de novo impaciente entrando na porta do meu quarto.
— Bu! — gritou aparecendo na minha frente, me pegando realmente desprevenido. Eu soltei um grito fino e assustado.
Porta que partiu! Que meleca! Coloquei a mão em meu peito, meu coração quase tinha parado.
Desde quando Mia nasceu eu tinha criado o hábito de parar os xingamentos, então sempre tentava substituir os palavrões por palavras mais gentis. Tudo que eu não queria era ser um péssimo exemplo de pai para minha filha. E tinha que praticar isso nos meus pensamentos também.
— Caral…ramba Mia, não faz isso! — Coloquei a mão em meu coração que batia acelerado.
Ela riu.
— Papai, não me pegou, papai não me pegou — cantarolou feliz e simples assim o atraso valeria a pena.
Tudo valia a pena para ver aquele sorriso no rosto da minha filha.
— Te peguei agora! — gritei a agarrando e fazendo cócegas nela.
Ela começou a gargalhar com força.
— Para, papai para! — pediu entre risadas.
— Quem é o melhor papai do mundo?
— O senhor, o senhor — gritou rindo. — Eu vou fazer xixi na roupa.
Imediatamente eu parei porque isso já havia acontecido uma vez e não tinha sido nada legal.
— Ops! Tudo bem, corra — soltei e ela correu para o meu banheiro.
Eu balancei a cabeça, mas sorri.
Não tinha nada melhor do que ter aqueles momentos com minha filha, onde tudo valia a pena.
Ela tinha cinco anos e era o meu bem mais precioso, eu era capaz de tudo por aquela menina que tinha meu coração todinho. Era a única alegria em minha vida.
Escolhi a criar sozinho e não teve nenhum só segundo que me arrependi dessa decisão. Mesmo com todo medo que senti no começo.
Mia saiu do banheiro e arrumei seu uniforme.
— Você tá pronta? Vamos?
— Sim, papai. Vamos.
Eu a peguei no colo e descemos as escadas.
Minha menina estava crescendo tão rápido, eu sentia tanta falta de quando ela era um bebê e não ficava correndo e se escondendo de mim. Teve uma vez que passou dez minutos escondida do armário da cozinha e eu desesperado revirando a casa atrás dela.
Estava prestes a chamar a polícia, quando finalmente percebi a porta do armário debaixo da cozinha entreaberta. Com certeza envelheci uns dez anos naquele dia.
— Tchau, tia Maria — gritou para nossa funcionária.
— Tchau, querida! — Maria apareceu acenando.
Ela era como uma mãe, cuidava da minha casa e ajudava com Mia, desde quando meus pais decidiram voltar para a cidade do interior e moravam em Forks, onde tinham nascido.
Eu peguei sua mochila roxa de estrelas e fomos em direção ao elevador.
Morava em uma cobertura que ficava em um bairro nobre. Muitas vezes já tinha pensado em mudar para uma casa, mas gostava de morar ali por ser perto da escola da Mia e na metade do caminho do meu trabalho.
O apartamento era grande e espaçoso, por isso nunca senti a necessidade de me mudar para uma casa. Eram só eu e minha filha.
Coloquei Mia no chão e segurei sua mãozinha.
O elevador chegou e saímos pelo estacionamento subterrâneo.
— Bom dia, senhor Carlos — minha filha comprimentou o porteiro que estava ali. Ela era sempre tão educada.
— Bom dia, senhorita Mia — ela riu feliz.
Abri meu carro cinza, um SUV da BMW , coloquei-a em sua cadeirinha e fui para o banco do motorista.
— Papai, podemos ir ao parque? — perguntou quando liguei o carro.
— Hoje não querida, você tem aula e eu tenho que trabalhar.
— E amanhã?
— Também não.
— E depois de amanhã?
— Também tem aula.
— E depois de depois de amanhã?
Eu sorri olhando para ela pelo retrovisor.
— Vamos ver depois, querida.
Ela assentiu suspirando e encarando a janela.
Eu não sei a quem eu queria enganar, porque eu iria para onde ela quisesse.
Chegamos a sua escola e eu saí do carro abrindo a porta para ela. Soltei o cinto e a tirei da cadeirinha, coloquei-a no chão e dei sua mochila puxando a alça da rodinha.
— Tchau, meu amor. Boa aula hoje.
— Tchau, papai. Te amo mais que chocolate.
Eu ri, ela sempre me amava mais do que algo que gostava.
— Eu também, meu amor — a abracei e beijei seu rostinho.
Fiquei a observando entrar na escola, falando com a monitora que acenou.
Apesar da vida ser corrida eu fazia questão de estar presente em todos os momentos na vida de Mia. Era o mínimo que eu podia fazer.
Entrei no carro de novo e fui em direção a empresa. Felizmente o trânsito contribuiu aquele dia e cheguei em frente ao edifício imponente com tempo de sobra.
Há cerca de um ano tinha me tornado CEO da empresa que meu pai fundou com seu amigo, Charlie Swan.
Papai tinha decidido se aposentar e voltar para a cidade atual que nasceu com mamãe, minha irmã Alice também morava lá com seu marido Jasper e o filho deles Brandon.
Os funcionários ao me verem se mexeram fingindo que trabalhavam.
Eu revirei meus olhos, mas segui andando sem parar.
Eu costumava manter uma pose de chefe durão no trabalho, sabia que era jovem e só assim conseguiria ser respeitado por eles.
— Chefinho, bom dia — meu secretário me cumprimentou se levantando e estendendo o copo de café.
O nome dele era Emmett. Era alto e moreno, trabalhava para mim desde quando eu era apenas um diretor.
As primeiras e únicas secretárias que tive, me assediaram, por isso a solução foi encontrar um homem para trabalhar para mim e hétero. Felizmente encontrei Emmett e ele era alguém que quase podia chamar de amigo.
— O que foi? Não me diga que já temos problemas assim cedo — bufei.
Sempre que ele trazia café é porque seria um dia difícil.
— Não exatamente, mas o senhor tem uma visita.
Peguei o café indo em direção a minha sala. Parei encarando a parede de vidro, a persiana estava fechada e não conseguia saber quem estava ali. Abri a porta do meu escritório. Era uma sala bem espaçosa, tinha uma mesa de mogno escura com um design moderno. Havia uma prateleira com vários livros ao lado e no outro um espaço com dois sofás e poltronas.
— E quem é que se atreve a entrar na minha sala?
Charlie Swan, estava sentado despreocupado na minha cadeira, com os pés apoiados na mesa.
Eu revirei os olhos.
— O que está fazendo aqui?
— É assim, que você fala com seu padrinho?
Eu bufei.
— Charlie não comece com os joguinhos — estreitei meus olhos. — Você disse que não ia pisar aqui tão cedo.
Charlie e Carlisle fundaram a SC Energia há mais de vinte anos. A empresa se consolidou no ramo de construção de geradores de energia. Tínhamos vários clientes importantes e até filiais em outros países.
— Bem, surgiu algo importante — se remexeu na minha nova cadeira giratória.
Charlie decidiu tirar um período de férias prolongadas e há quase um ano eu me tornei o chefe de tudo.
Eu era muito grato por ter Charlie na minha vida, ele era o melhor amigo do meu pai, era meu padrinho e um segundo pai para mim.
— Dá para tirar os pés daí e sair da minha cadeira?
Ele riu e se levantou.
— Eu só estava matando a saudade.
— Já quer voltar é? — ergui minha sobrancelha.
— Não não… tô curtindo muito minha vida de aposentado… mas preciso de um favor seu.
— Que favor?
— Minha filha está voltando da Inglaterra.
— O que? Sério? Fico feliz por você, sei o quanto sente falta dela — sentei em minha cadeira e ele na cadeira do outro lado da mesa.
— Sim, eu ainda custo a acreditar, quase enfartei quando ela me disse isso ao telefone.
Eu ri imaginando sua cara. Eu sabia o quanto ele sentia falta da filha. Mesmo morando do outro lado do oceano Charlie era um pai presente, viajando sempre para visitá-la em Londres, várias vezes ele me chamava, mas nunca deu certo acompanhá-lo.
— Quando ela chega?
— Na semana que vem.
— E o que vai fazer?
— Bem, você sabe que Bella acabou de se formar em Administração e Gestão de Negócios e eu sugeri que ela trabalhasse como gerente em um departamento daqui.
— Charlie…
— Ei, eu sei que ela é jovem e acabou de se formar, mas Bella é muito competente, ela trabalhou por dois anos no setor administrativo da Indústria NEWVIE e eles queriam contratá-la como chefe de um setor lá, assim que se formou.
— E ela não aceitou?
— Não, disse que estava cansada e queria voltar para cá.
— E vai colocá-la em qual departamento? Todos estão preenchidos.
— Ela não aceitou o emprego.
— Ah — fiquei surpreso, bebi meu café.
— Pois é, disse que não queria se aproveitar por ser filha de um dos donos. Prefere começar a trabalhar em um setor com uma função menor, conhecer mais o funcionamento da sede e da fábrica.
Surpreendi-me, havia dito as mesmas palavras para meu pai, quando comecei a trabalhar na empresa.
— E o que ela vai fazer?
— Bem, não há nenhum emprego melhor do que ela ser assistente pessoal do CEO.
— O que? — minha voz subiu um pouco e me engasguei com o café. Tossi.
Ele sorriu, esticando seu bigode.
— É a oportunidade perfeita para ela adquirir mais conhecimento e experiência com gerência e sobre o funcionamento da empresa, vocês podem trabalhar juntos e…
— Eu já tenho um secretário — balancei a cabeça o lembrando.
— Ela não vai ser sua secretária, vai ser sua assistente pessoal. Vai tá colada em você igual chiclete, fazendo o que você mandar. Ela adorou a ideia e até falou que não precisa pegar levar só porque é minha filha.
— Charlie, você sabe que não gosto de mulheres me acompanhando.
Odiei aquela ideia.
— Ei, Bella é minha filha, quase uma irmã para você. Ela não vai te assediar como as outras funcionárias e vocês se conhecem desde sempre. Minha filha só está viva por sua causa.
Eu forcei um sorriso, nunca havia esquecido aquele dia.
Nós estávamos indo para a casa que meu pai tinha no interior, passar o feriado. Ele seguia na frente e atrás estava Charlie com sua filha. Ouvimos um barulho alto e meu pai freou o carro xingando.
Saímos para fora e vimos o carro de Charlie começando a afundar na água. Eu sabia que não deveria, mas não pensei duas vezes antes de pular na água, mesmo ignorando o grito alarmante da minha mãe e irmã.
Nadei na água fria, ficando desesperado ao ver que o carro sumiu. Charlie submergiu desesperado respirando com dificuldade.
— Salva ela, salva ela, por favor. Ela machucou a perna — suplicou desesperado.
Eu tomei fôlego e afundei na água. Eu não era muito crente, mas gostava de pensar que foi Deus que me fez enxergá-la na água turva e consegui salvá-la.
Nunca fiquei tão feliz por ter sido um nadador e conseguir prender o fôlego por muito tempo debaixo da água. Consegui tirá-la do carro com cuidado e submergi. Nadei com ela para a margem do lago, meus pais estavam ali e Charlie.
Tudo foi desesperador.
Ouvi o grito de minha irmã e só então notei o machucado horrível na perna de Bella, mas não tive tempo para pensar naquilo e comecei a realizar massagem cardíaca nela, meu pai amarrou um pano em sua perna tentando parar o sangramento, Charlie suplicava pela vida da filha, enquanto o barulho da ambulância se aproximava.
Tiveram que amputar sua perna e Bella foi morar com a mãe em Londres, depois nunca mais a vi.
Essa era uma memória forte que tive sempre guardado dentro de mim. Lembrava pouco dela brincando com Alice, quando crianças e dela acompanhar minha família, quando eu tinha algum campeonato de natação. Ela sempre fazia cartazes coloridos com minha irmã para torcer por mim.
— Então, aceita? — Charlie chamou minha atenção, trazendo-me de volta para o mundo presente.
Respirei fundo.
— Não sei…
— Edward, me ajude. Sabe o quanto sonhei que Bella voltasse para casa, vocês se davam bem se lembra? Ela vivia dizendo que era sua torcedora número 1 e não perdia um campeonato de natação seu. Você é como um filho para mim, vai ser uma boa oportunidade para se aproximarem, você será um excelente exemplo de um irmão mais velho.
Eu tentei me lembrar mais da garota. Ela era engraçada e havia acompanhado seu pai quando ganhei o campeonato nacional de natação, porém sofri uma lesão séria no ligamento do ombro, tive que fazer uma cirurgia e abandonar meu grande sonho de ser um nadador profissional.
No ano seguinte comecei um curso de gestão e negócios e me afastei um pouco das reuniões da família onde mais a via. Aquela do feriado que aconteceu o acidente, era a primeira que voltei para participar depois de um longo tempo.
Tinha dez anos que não via Bella, com certeza ela deveria ter mudado e não seria mais a pentelha que era.
— Aceite, por favor. Não estou te pedindo isso como um ex-ceo ou seu sócio aqui. Estou te pedindo como seu melhor amigo e padrinho.
Eu respirei fundo, ele sempre ficava todo sentimental quando queria algo, pois sabia que eu não negava.
— Tudo bem, vou deixar ela de experiência um mês, se isso não funcionar nós podemos ver alguma posição melhor para ela.
— Maravilha, sabia que não iria me decepcionar. Você e Bella vão se dar muito bem, vai ser como ter sua irmãzinha trabalhando com você.
Eu suspirei, não gostava muito da ideia, mas nós éramos amigos e a amizade era isso.
Esperava que Bella não fosse aquelas patricinhas mimadas e não me desse trabalho.
…
O carro estava parado no estacionamento e saí dele assim que o horário no meu relógio mudou.
O portão da escola se abriu e muitos pais começaram a entrar, eu entrei ignorando os olhares em minha direção.
A escola era a melhor da cidade, super conceituada e investia bem o valor da mensalidade que cobravam.
Andei pelo corredor vendo várias crianças correndo e outras saindo com seus pais.
Olhei pela janela a sala de Mia, tinha apenas dez crianças ali, quatro meninas e seis meninos, eles conversavam e brincavam, não pude deixar de notar que Mia era a única sentada sozinha em sua cadeira. Ela estava de cabeça baixa e pintava algo em uma folha.
Escutei um pigarro e virei encarando a mulher na porta. Era alta e ruiva, bem diferente da professora que já conhecia.
— Senhor, precisa de ajuda com algo? — bateu seu cílios e contive o rolar de olhos.
Seus olhos claros me encaravam como se fosse me comer vivo.
Modéstia a parte eu sabia que era um homem bonito, com meus olhos verdes e cabelo loiro, sempre atraía olhares demais e eu odiava isso. Ainda mais mulheres que só me viam como um pedaço de carne, aprendi a reconhecer elas de longe e aquela era uma delas.
— Cadê a professora Angela?
— Infelizmente, ela caiu e quebrou o pé, vai ficar cinco semanas de atestado, eu sou Victoria a professora substituta.
Merda. Não gostei nada disso. Eu sabia como Mia gostava de Angela e eu também, pois sempre tratou bem minha princesa.
— Eu vim buscar minha filha — avisei.
— Quem é sua filha? Britney ou Adele?
Ela apontou para duas menininhas que brincavam juntas. Uma era loira parecida comigo e a outra tinha a pele branca também, mas o cabelo mais escuro. Só então percebi que Mia era a única criança negra ali.
— Por que acharia que é alguma delas? — estalei meus dedos, tentando não ficar irritado.
— Ah, não é? — fez uma cara confusa.
Eu balancei a cabeça e entrei dentro da sala, caminhando até a última cadeira.
— Mia, querida? — minha filha levantou seu rosto e toda raiva que senti da tal Victoria sumiu com o sorriso dela.
— Papai! — se levantou, eu me agachei no chão e ela me abraçou.
Eu beijei seu rosto.
— Como foi a aula hoje, tudo bem?
Ela olhou para atrás de mim.
— Tudo, papai — respondeu apenas.
— Ah, o senhor é o pai de Mia?
— Sim, sou o pai dela, algum problema?
Odiava quando me davam aquele olhar. Um homem branco não podia ser pai de uma criança negra?
Eu era alto, loiro e tinha olhos claros. Mia tinha a pele mais escura e seus cabelos eram cacheados e volumosos. Ela tinha puxado muito a mãe, mas tinha alguns traços meus.
— Não, imagina. Espero que possamos nos dar bem nessas próximas semanas, sr. Cullen — respondeu com um tom sugestivo.
— E eu espero que seja uma boa professora para minha filha e se limite a isso — cortei logo de uma vez. — Vamos, querida.
Peguei sua mochila e segurei em uma mão, agarrando a mãozinha de Mia em outra.
Nós andamos para fora da escola.
— Você gostou da nova professora?
— Parece legal, mas vou sentir falta da tia Angela. — respondeu.
Eu sorri.
— Eu também vou, mas logo ela está de volta, que tal comprar um presente e fazer um desenho desejando um bom repouso? Eu mando entregar para ela.
— Legal, papai.
Sorriu animada, eu sempre faria de tudo para vê-la sorrindo assim.
Bella Swan
— Oi pai, tudo bem? — atendi a chamada animada.
— Tudo sim, querida. Você já arrumou suas coisas?
— Estava fazendo isso — falei encarando as várias roupas que tinha para colocar nas malas.
— Eu conversei com Edward hoje e ele aceitou que trabalhasse para ele. Vai ser sua assistente pessoal.
— Sério? — Encarei minha imagem no espelho.
Eu mal pude conter o sorriso enorme que nasceu no meu rosto, meus olhos castanhos brilhando com a notícia.
— Sim, falei que você vai colar nele igual chiclete e ele aceitou. Quando você chega?
— Essa semana ainda, estou terminando de organizar as coisas.
— Isso é ótimo, vai ser tão bom ter você em casa de volta, filha.
— É também estou ansiosa para isso.
— Tem certeza que não quer morar comigo?
— Sim, pai. Não quero te atrapalhar e já estou acostumada a ter meu próprio cantinho.
— Você nunca me atrapalharia, Bella. Mas tudo bem, vou achar um apartamento para você.
— Eu posso cuidar disso.
— Não, vai ser meu presente para você de boas vindas.
Meu cachorro pareceu latindo no quarto. Era um Jack Russel Terrier, branco com manchas pretas.
— Você vai trazer ele não vai? — riu.
— É claro que sim, nós somos inseparáveis — acaricie a cabeça do meu bebê.
Estava um pouco com medo de como seria a viagem para ele, mas estava confiando na transportadora, que era a melhor e tinha uma ótima reputação.
— Tenho que desligar, pai.
— Tudo bem querida, qualquer coisa me ligue.
Peguei ele colocando no colo, fiz carinho em seu focinho.
— Será que estou cometendo uma loucura?
Ele lambeu meu dedo e latiu. Eu suspirei.
Já dizia Nietzsche: há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
Depois de quase dez anos eu voltaria para casa e encontraria Edward Cullen de novo.
Todo esse tempo eu nunca consegui deixar de pensar nele. Era loucura, com certeza, mas pela primeira vez eu queria saber se poderia ter alguma chance.
Como será que ele estaria?
Passei a mão em minha perna amputada. Será que ele se importaria?
NOTA DA AUTORA
n/a: tive que trazer para cá ideia da AU Distance Love que o Edward xinga assim por causa da filha para cá hahaha espero que gostem O que acharam do primeiro capitulo? Gostaram do Edward e da Mia, essa menina com certeza tem o pai na palma da mão haha e tivemos um pouquinho da Bella no final O Charlie coitado, mal sabe para onde está empurrando a filha kkkkkk Ansiosa para saber o que vão achar, por favor comentem! Beijoss
