3. Passeio

— Papai, papai acorda! Acorda, papai. Ô papai! — fui despertando de um sono sem sonhos escutando a voz da minha querida filha e seu dedo espetando minha bochecha.

Eu bocejei abrindo os olhos e encarando seu rostinho, a abajur ao lado estava ligada.

— Mia, o que está fazendo acordada?

— Hoje é sábado, papai, dia de ir passear — gritou animada.

Eu bufei e estiquei meu braço pegando o celular e encarando as horas.

Catapimbas!

— Querida, ainda não é nem cinco horas da manhã — gemi cansado.

— Mas papai, eu não consegui dormir, quero sair logo.

Eu suspirei e a puxei para cama.

— Ainda está cedo, vamos dormir mais um pouco.

— Da última vez o senhor prometeu que iria, mas te ligaram e teve que sair para trabalhar, se a gente for agora acho que ninguém vai te ligar papai — sua explicação apertou meu coração.

Eu era a merda de um pai.

— Isso não vai acontecer querida, prometo para você.

Ela suspirou.

— Promete de dedinho?

— Prometo — cruzamos nossos midinhos.

Mia fechou seus olhos e se arrumou na cama, eu puxei a coberta cobrindo-a. Desliguei a abajur.

Não importa o que acontecesse iria sair com minha filha, assim que eu dormisse mais.

Fechei os olhos só um pouquinho…

E acordei assustado duas horas depois. Sorri ao ver que ela ocupava mais da metade da cama, era uma pequena espaçosa e sempre me deixava quase caindo.

Tomei um banho antes de acordar Mia e tomarmos café.

Ela estava animada para passear no parque.

— Papai, deixa eu ir com a roupa da Cinderela?

— O que você quiser meu amor.

Ela sorriu e colocou um vestido azul, que tinha a princesa estampada, mas era curto. Coloquei um shortinho por baixo, pois sabia que ela iria correr.

Fomos para o Green Lake Park. Já estava um pouco movimentado com várias pessoas fazendo exercícios, correndo ou andando de bicicleta. Ainda bem que o sol não estava muito forte.

Estávamos andando em direção ao parquinho. Mia soltou minha mão e foi mais para a beira do lago que tinha ali.

— Mia não fica muito perto— segui-a sem tirar os olhos dela, com o celular na mão e fazendo fotos para mandar para meus pais.

Mia amava tirar fotos e sempre fazia várias poses.

Alguns pássaros pousaram na grama e ela saiu correndo, espantando eles.

— Mia Cullen! Eu já falei para não correr assim — segurei sua mão quando a alcancei.

— Mas papai, queria pegar um passarinho — se virou para mim suspirando. — O senhor tem que comer mais brócolis para ficar rapidona que nem eu.

Eu ri com isso.

— Sim está certa, papai promete que vai comer mais legumes.

Às vezes eu achava que eu era o filho da minha filha. Ainda bem que ela amava comer verduras e eu odiava. Eca!

O céu estava bem azul, apesar de ser manhã cedo, mas o clima não era quente.

De repente, ouvi um latido forte e vi um cachorro correndo em nossa direção, sua guia arrastando no chão. Era pequeno e tinha manchas pretas em seu pelo branco.

— Papai, um cachorro! — gritou animada e soltou minha mão correndo em direção ao pequeno monstrinho.

— Mia, não! — corri atrás dela.

— Segura ele — escutei alguém gritar.

Por incrível que pareça, o cachorro parou de correr e Mia se agachou no chão, ele apoiou as patas dianteiras na perna dela, seu rabo balançava com o carinho que minha filha fez em seu rosto e lambeu a mão dela.

— Mia não pode fazer isso, ele pode morder — afastei ela do cachorro.

— Mas ele é tão lindinho papai — acariciou sua cabeça sem medo.

Eu lembrava muito bem de quantas vezes ela já havia pedido um cachorro de presente. Era a única coisa que nunca tive coragem de dar.

— Ah meu Deus, obrigada — uma mulher de boné chegou e se agachou pegando a guia do cachorro.

— Cuidado ao deixar seu cachorro assim, tem crianças aqui e ele pode morder alguém — reclamei um pouco.

— Olaf nunca mordeu ninguém — a mulher se levantou se apoiando de um jeito diferente e então percebi quem era.

— Bella!

— Edward!

Ela sorriu fazendo suas covinhas aparecer em sua bochecha.

Nossa!

— O que faz aqui?

— Vim trazer Olaf para brincar.

O cachorro latiu como se entesse que era dele que estava falando.

Ela estava ainda mais linda e parecia bem jovem ali no parque ao luz do dia.

Usava um short preto esportista, folgado e curto, tênis e uma blusa simples de manga com um nó na cintura. Sua perna mecânica era diferente de ontem, com flores desenhadas.

— Me desculpa, Olaf ainda está se acostumando com a vida aqui nos Estados Unidos.

— Olaf é o nome dele? — Mia perguntou e pela primeira vez Bella se virou a encarando.

— Sim.

— É igual o boneco de neve da Frozen.

Bella riu.

— Exatamente, é um dos meus filmes preferidos.

— O meu também — Mia respondeu animada. — Você conhece o meu papai?

— É claro que sim.

— Mia querida, essa é Bella a filha de Charlie. Essa é minha filha — apresentei-as.

— Ah, eu queria tanto te conhecer. Por que sua perna é assim?

— Mia, não pode falar isso.

Bella riu e se agachou ficando do tamanho dela.

— Tá tudo bem, Edward. Eu sofri um acidente e perdi parte da minha perna, agora tenho que usar essa de ferro para andar.

— Eu posso tocar?

— É claro — Bella se levantou e apoiou a perna direita no chão, ergueu a perna mecânica e Mia tocou o ferro metálico.

— Legal, você é como uma mulher super poderosa, deve ser mais forte que a Mulher Maravilha.

Bella riu se ajeitando, depois tocou o nariz da minha filha.

— Eu também acho isso. Você quer jogar a bolinha para ele?

— Eu posso?

— Sim, ele vai adorar brincar com você.

Bella deu uma bolinha verde fluorescente para Mia, soltou a guia do seu cachorro.

— Se comporta, por favor — pediu o soltando.

Minha filha jogou a bola que não foi muito longe, mas o cachorro correu levantando grama.

Mia riu feliz. Ele voltou e deu a bolinha para Mia.

— Posso jogar de novo?

Bella assentiu sorrindo.

Mia jogou a bolinha, mas dessa vez correu com ele.

— Ela é sua cara, sabia?

— Você acha mesmo?

— É claro, o nariz, os lábios, o formato dos olhos é todinho seu.

Eu sorri.

— Você é uma das poucas que percebe isso. A maioria acha que Mia é adotada.

— E isso te chateia?

— É claro, Mia é minha filha, meu sangue corre nas veias dela.

— Mas se ela fosse adotada ela também não seria sua filha?

— É claro que seria.

— Então por que ficar irritado com isso?

Encarei Bella, pensando em sua lógica.

Suas palavras simples tinham me desarmado completamente.

Eu ri.

Mia voltou com o cachorro.

— Pega papai, joga bem bem longe.

Eu peguei a bolinha e joguei longe, mas não tanto.

Mia correu com Olaf que latiu.

— Acho que você tem razão.

— Você vai aprender que eu sempre tenho — piscou, a luz do sol refletiu em seu rosto iluminando ainda mais seu sorriso.

Percebi pela primeira vez que Bella não era mais aquela menininha inocente de treze anos.

Ela tinha se tornado uma mulher. Um mulherão na verdade.

O homem que se casasse com ela, teria muita sorte. Mas Charlie com certeza daria trabalho para seu futuro genro e por que eu estava pensando nisso?

Mia e Olaf correram muito, eu e Bella nos sentamos em um banco observando os dois brincarem. Mia com certeza estava alegre com o cachorro. Quando pareceram cansar, nós fomos em um quiosque que tinha ali, comemos algumas frutas e tomamos água de coco. Bella e Mia conversavam como se conhecessem a vida toda e se despediram com abraços, beijos e promessas que se veriam depois.

Eu não sabia como isso aconteceria. Não podia deixar elas duas se apegarem muito. Principalmente Mia.

— Eu gostei tanto da Bella papai, ela é tão tão legal — disse animada, enquanto voltávamos para casa, sua mão segurando a minha.

— Sim ela é…

— Podemos chamar ela para ir lá para casa, papai? Eu quero mostrar o Olaf de pelúcia para ela e a gente pode assistir ao filme juntas.

— Mia, Bella tem a própria vida dela, ok? E vai apenas trabalhar para mim, vocês vão se ver pouco.

— Ah papai… — ficou cabisbaixa e fez um bico em seus lábios.

— Podemos ir visitar a Tia Alice e a vovó depois, o que acha? — falei sabendo que isso a animaria.

— Ebaaaa — respondeu animada de novo e sorri.

Precisava mesmo visitar minha família.

BELLA

— Você foi um bom garoto hoje, merece muitos muitos biscoitos — fiz carinho em Olaf animada, enquanto dava um biscoitinho de carne para ele.

Por causa da fuga dele, tinha encontrado Edward e Mia no parque. Ela era uma menina incrível e estava totalmente apaixonada por ela. Era uma menininha tão inteligente e esperta.

Eu morria de vontade de saber o que tinha acontecido com sua mãe.

Lembrava que tinha decidido voltar com 18 anos e fazer faculdade no meu país de origem, mas foi bem na época que descobri que Edward seria pai.

Eu desisti de voltar sabendo que tinha perdido minha chance com ele, sempre ficava esperando ver alguma foto dele com alguém, ou meu pai comentar sobre seu casamento, porém isso não aconteceu.

Até que perguntei para meu pai e ele apenas disse que Edward a criava sozinho. Até pensei em voltar, mas já tinha começado a faculdade.

Sabia também que ele havia namorado alguém depois de Mia, mas não sabia mais que isso.

Queria saber tudo dele, mas queria que ele confiasse em mim e me contasse tudo.

Queria ser seu porto seguro. Algo em mim dizia que ele precisava disso.

Não só ele, como Mia também.

Peguei meu celular, havia tirado uma foto dele e de Mia, sem perceberem. Edward sorria para filha e percebi que foi a primeira vez que o vi sorrindo de verdade para alguém. Com certeza ele a amava muito.

Suspirei, sentindo um aperto no coração. O que será que havia acontecido com eles?

Olaf latiu e lambeu minha orelha. Percebi que seus biscoitos tinham acabado e dei mais.

O que tiver que ser, será. Se fosse para Edward ser meu, ele seria e se não fosse, só me restava torce para ele e Mia serem felizes.


Nota da Autora:

Oii amores, como estão? Espero que tenham gostado

A Mia e a Bella juntinhas hein esse é só o começo dessa amizade, vamos ver como vai ser as duas juntas.

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Em breve tem mais fic, não esqueçam de me dizer o que estão achando e comentem!

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Beijos