4. Briga
— Sr. Cullen, já está acordado? — Maria apareceu e eu levei um susto. — Ainda não fiz o café.
Fechei a porta da geladeira que bisbilhotava.
— Ah eu sei, eu que não consegui dormir e acordei cedo.
— Está cedo mesmo, está ansioso com algo?
— Mas com o que estaria ansioso?
— Não sei, mas sempre que acorda cedo é que tá ansioso com algo.
— Não, não tem nada para eu estar ansioso, eu vou aproveitar e sair para correr um pouco.
Ela riu.
— Você só sai para correr quando está ansioso.
— Ah, para — eu revirei os olhos escutando sua risada.
Eu não tinha nada para estar ansioso.
Era um dia normal como qualquer outro.
Não iria acontecer nada demais.
Nada.
Tudo estava normal.
Em casa, fora de casa, no trabalho.
Seria um bom dia, boa semana, tudo seria normal.
Seria só o primeiro dia de trabalho de Bella como minha assistente, tudo daria certo.
Corri no parque, sentindo meu corpo relaxar com o ar fresco. Porém, não satisfeito decidi ir para a academia e malhar um pouco.
Eu com certeza não fiquei pensando em uma morena de sorriso iluminado e sardinhas.
Se Charlie soubesse ele me mataria. Acho que estava chegando no limite.
Já havia três anos que não me relacionava com ninguém.
O último relacionamento sério que tive foi quando Mia tinha quase dois anos. Eu deixei aquela mulher entrar na minha vida pensando que ela realmente me amava e a minha filha. Confiei nela, apenas para ter meu coração despedaçado da pior forma. O pior foi ver minha filha sofrendo por minhas escolhas.
Por isso prometi nunca me relacionar com alguém de novo, nunca mais colocaria Mia em uma situação assim. Por mais que eu quisesse, precisava acalmar os desejos de minha carne.
Depois de tudo que aconteceu no meu último relacionamento nunca mais senti confiança de estar com outra mulher, porém pelo jeito precisava mudar isso, quem sabe assim pararia de pensar em quem não deveria pensar.
Corri mais do que geralmente corria e cheguei suado no prédio. Tirei minha blusa suada no elevador colocando em cima do ombro e desliguei a música em meus fones de ouvido guardando no bolso do short.
Abri a porta do apartamento e franzi o cenho ao escutar risadas vindo da cozinha.
O que Mia estava aprontando dessa vez e logo pela manhã cedo assim?
— O que… — fui em direção a cozinha e parei de falar quando vi Bella sentada ao lado de minha filha.
— Olha papai, Bella fez uma carinha na minha panqueca.
— Ah é… o que está fazendo aqui?
Ela estava bem diferente de quando a vi no sábado. Usava uma calça folgada social bege e uma blusa branca, sem mangas.
— Me desculpa, chefe. Mas sou sua assistente, achei que poderia ajudar com algo, por isso vim cedo, meu pai disse que era para eu estar grudada em você como chiclete e…
— Mas só precisa na empresa.
— Ah papai, mas é tão legal ter Bella aqui. Ela disse que vai ajudar a arrumar meu cabelo depois que eu terminar de comer.
— Mia, Bella não tem que fazer isso.
— Eu arrumo sim, mas só se você comer tudinho — Bella sorriu para Mia, que bebeu seu copo de leite.
Eu respirei fundo, coçando minha cabeça. Os olhos castanhos vieram em minha direção, parecendo arderem. Lembrei então que estava sem blusa e que Bella estava tendo uma visão privilegiada.
Graças a ter sido um nadador durante minha fase jovem adulta, tinha um corpo atlético e forte. Meus ombros eram largos e meus músculos bem definidos.
Ela não demorou muito me observando, parecendo nem ligar para aquele detalhe e voltou sua atenção para minha filha.
Eu caminhei pela cozinha, pegando um copo de água gelada e bebendo.
— Pronto terminei, vem Bella — Mia terminou de colocar a última panqueca em sua boca e falou ainda mastigando.
— Não fale de boca cheia — reclamei, mas ela nem ligou puxando Bella para a escada.
— Edward, desculpa ela chegou dizendo que era sua assistente e Mia a viu e abraçou toda feliz, achei então que ela podia entrar. — Maria se explicou.
— Está tudo bem, ela vai ser minha assistente agora, pode deixar.
Maria sorriu.
— Ela é muito bonita e nunca vi Mia tão animada quando a viu aqui essa manhã.
— É… eu vou tomar um banho.
Subi as escadas passando pelo quarto de Mia e vendo elas conversando. Mia mostrando sua coleção de diademas e presilhas de cabelo.
Balancei a cabeça, me afastando dali.
…
— Papai, papai olha como meu cabelo está bonito!— Mia apareceu correndo enquanto eu tomava meu café.
Eu arfei ao ver seu cabelo preso daquela forma. Eu sabia que ela gostava de se arrumar e eu pelejava para aprender a fazer penteados em seu cabelo.
Bella tinha prendido com várias tranças na frente e linguinhas coloridas, deixado ele atrás solto com seus cachos bem definidos.
— Você está linda, querida.
Ela sorriu feliz.
— Obrigado — virei para Bella.
— Não por isso, acho que já está na hora de irmos se não vamos nos atrasar. Você tem uma reunião no primeiro horário.
— Como sabe?
— Emmett me passou sua agenda.
Ótimo!
— Vamos então.
Fomos no meu carro deixar Mia na escola, me despedir dela como sempre. No caminho para o trabalho Bella relatava meus compromissos do dia.
Chegamos à empresa e Emmett já nos esperava com o cliente. A reunião foi rápida e fechamos os últimos detalhes da renovação do contrato.
Depois de me reunir com Emmett e Bella, os dois passaram meus compromissos durante a semana. Me surpreendi em como Bella organizou tudo por cores, mostrando os compromissos que estavam confirmados, o que precisavam confirmar, cancelados e o que podiam ser adiantados.
Foi no meio da tarde que recebi uma ligação da escola.
Só de ver o número chamando no celular, senti um frio na barriga. Eles nunca ligavam em horário de aula, se não fosse algo sério.
— Sr. Cullen, tivemos um problema com Mia, será que pode vir a escola agora?
— O que aconteceu? Minha filha está bem?
— Sim, ela está bem. Mas tivemos um pequeno problema e gostaríamos que comparecesse à escola.
Porcaria.
— Eu estou indo agora mesmo — me levantei rápido.
— O que aconteceu? Mia está bem? — Bella perguntou da sua mesa se levantando também.
— Não sei, preciso ir à escola agora.
— Vamos então — fechou o notebook e pegou sua bolsa.
— Você não precisa ir.
— Vamos logo — passou na minha frente.
Eu a segui para fora apressado.
— Emmett cancele meus compromissos dessa tarde, preciso sair — falei para ele, sem parar de andar.
— Claro, chefe — assentiu, mas com uma expressão confusa.
…
— Vamos, anda — buzinei para o carro que estava parado na pista.
— Calma, o sinal vai fechar.
— Tenho que chegar logo, merda.
— Se acalma Edward, eles não disseram que ela está bem?
— Mas algo aconteceu, nunca fui chamado assim.
— Mas ela tá bem, o importante é isso.
Sua mão tocou a minha e deu um leve aperto, seu toque me acalmou de alguma forma e me virei para ela.
— Vai ficar tudo bem, você vai ver — disse com confiança.
Eu queria acreditar nisso, mas só conseguiria me acalmar depois de ver minha filha.
Acelerei o carro, quando o sinal abriu.
…
Cheguei correndo na escola indo para a direção.
O diretor estava conversando com uma mulher loira e bem vestida.
— Cadê minha filha? Ela está bem?
— Sim, está na sala da psicóloga, podemos conversar antes Sr. Cullen?
— Eu quero saber o que aconteceu.
— É bem, vamos entrar.
Nós entramos em sua sala, a mulher loira nos acompanhando. Seu cabelo era curto e sua cara estranha, a boca parecia um pouco torta e sua expressão rígida demais. Sua cara parecia de lagarto, com certeza abusava na esteticista.
— Essa é a mãe de Abigail, uma colega da sala de Mia.
— O que aconteceu? — perguntou ela.
— Mia e Abigail brigaram hoje perto do fim do intervalo.
— Cacilda! Tem algo errado Mia nunca faria isso.
— Nem minha filha, ela sabe se comportar muito bem. Tenho certeza que não começou isso — a mulher falou com um ar de arrogância que não gostei nada.
— Tudo começou quando Abigail disse que o cabelo da Mia estava feio e Mia gritou dizendo que era mentira que sua mãe tinha arrumado seu cabelo e que estava lindo.
— O que? — arfei.
— Abigail começou então a falar que Mia não tinha mãe e para ela parar de mentir, Mia então bateu nela e disse que tinha mãe sim.
Eu encarei o diretor sem reação. Com certeza deveria ter escutado errado.
— Ah meu Deus! Minha menina, como pode? Eu exijo a expulsão dessa garota.
— Isso é brincadeira? Mia só estava se defendendo, ela nunca bateria em alguém — encarei a mulher, que pareceu ainda mais feia.
— Bem, mas todos nós sabemos que o senhor não é casado e que Mia não tem mãe, minha filha não mentiu sobre isso.
— E por acaso isso é motivo para ficarem rindo da minha filha?
— Quem disse que ela não tem mãe? — Bella falou junto comigo.
Todos nos viramos e a encaramos, percebi só naquele momento que ela estava parada atrás de mim.
— Eu sou a mãe de Mia e fiz o penteado dela para vir para escola e estava lindo sim.
Eu a encarei chocado por sua mentira.
— Oh… nós não sabíamos disso… — o diretor falou.
— Não temos que anunciar isso ao mundo temos? — Bella se aproximou parando ao meu lado e continuou falando: — Concordamos que Mia não deveria agir com violência e vamos ter uma conversa séria sobre isso com ela, mas sua filha não pode também ficar menosprezando outra criança assim, isso é bullying e me admira muito a escola concordar com isso, então as duas merecem uma punição.
– Mas é claro que não concordamos com nenhum dos comportamentos. A psicóloga conversou com elas e ambas pediram desculpas uma à outra, como são criança primeira vez que acontece só vamos adverti-las, mas aconselhamos que vocês conversem com que não volte a acontecer.
— É claro que vou fazer isso — concordei. — Agora será que posso ver minha filha?
— Sim, vamos — o diretor caminhou, saiu da sala e o seguimos.
Bella me encarou.
— Eu vou esperar no carro.
Eu só assenti. Era melhor mesmo.
Uma menininha loira saiu correndo de dentro, até a mãe.
Mia veio logo atrás, olhando para o chão.
— Querida? — levantou o rosto e seus olhos escuros cheios de lágrimas quebraram meu coração.
Se aproximou de mim e abraçou minha perna, eu a peguei em meus braços.
— Desculpa papai, desculpa — chorou me abraçando, deitando a cabeça em meu ombro.
— Calma amor, tá tudo bem — falei angustiado acariciando suas costas. — Tá tudo bem. Não precisa chorar.
— O senhor não vai me abandonar?
— É claro que não querida, eu nunca faria isso — a coloquei de novo no chão e beijei seu rostinho limpando suas lágrimas.
Ela fungou.
— Mas papai ficou triste por ter feito o que fez. Você sabe que foi errado, não sabe?
— Eu sei, eu pedi desculpas para ela — sussurrou.
— Eu nunca te bati Mia, porque fez isso com sua amiguinha?
— Eu só fiquei com raiva pelo o que ela disse papai, mas prometo que nunca nunquinha mais vou fazer isso.
Eu suspirei.
—Tudo bem, então. Papai confia em você.
Eu a coloquei no chão e limpei suas lágrimas.
— Aliás, por que disse que foi sua mãe que fez o penteado em seu cabelo, querida? Você sabe que Bella não é sua mãe.
Precisava ter aquela conversa com ela.
— Eu sei papai, mas eu queria tanto ter uma mamãe, mas nenhuma delas me quis de verdade, será que a Bella não pode ser minha mamãe?
Meu coração se quebrou por suas palavras.
— Mia! — a abracei com força de novo. — Bella é só sua amiga, ok? Nem todas as crianças têm mães, já conversamos sobre isso. Lembra do Math que tinha dois papais?
— Eu sei, mas queria tanto uma mamãe — respondeu apenas.
Eu respirei fundo. Acho que seria bom levar ela na psicóloga, tinha tempo que não a levava.
— Promete pro papai que não vai mais bater em ninguém e muito menos mentir — estiquei meu mindinho.
— Prometo, papai se não viro um sapo — cruzou seu mindinho no meu e selamos a promessa encostando os polegares.
Eu sorri.
— Agora vamos para casa — peguei em sua mãozinha e caminhamos para fora. Abigail já tinha sumido com sua mãe.
— Bella, você tá aqui! — Mia soltou minha mão e correu animada quando a viu encostada no carro.
Bella a abraçou com força rindo.
— É claro que eu estou.
— Ebaaa, a Bella pode assistir Frozen comigo?
— Não está de castigo, nada de televisão para você, mocinha.
— Ah, papai — fez biquinho.
Bella sorriu.
— Eu prometo assim que seu pai a liberar do castigo, eu assisto Frozen com você.
— Oba — Mia gritou animada e segurou na mão de Bella.
Eu suspirei.
Coloquei Mia em sua cadeirinha. Elas conversaram no caminho, mas percebi que minha filha estava mais calada que o normal. Eu parei o carro em frente ao prédio de Bella.
— Espera aqui, querida, só vou falar com a Bella rapidinho — avisei para ela que assentiu.
Eu saí do carro dando a volta, gesticulando para nos afastarmos um pouquinho, não queria que Mia ouvisse o que eu iria falar.
Abri a boca para falar, mas Bella foi mais rápida:
— Me desculpa pelo que disse, mas não aguentei aquela cara de calango, diminuindo você e Mia daquela forma. Sei que não deveria ter dito que era mãe dela, mas foi mais forte que eu, me desculpe de verdade, Edward — me encarou com aqueles grandes olhos chocolates, como se tivesse prestes a chorar.
Meu coração se apertou. Como poderia ficar com raiva dela quando tu que estava tentando fazer era defender minha filha?
— Eu sei Bella, mas não aja assim de novo, por favor. Não quero que Mia confunda as coisas, entre vocês, ela sofre muito com carência materna e até já fez tratamento psicológico por causa disso. Eu não quero que minha filha sofra achando que a amizade entre você é mais do que isso. Então, vamos evitar que vá a minha casa, só precisa me encontrar no escritório.
— Me desculpa Edward, eu.. eu não sabia. Não imaginei que Mia iria se sentir assim, é só que eu realmente me apaixonei por sua filha.
— Está tudo bem, só não esqueça disso. Mas fiquei agradecido por calar a boca de calango, então obrigado.
Ela sorriu, mas não foi um sorriso totalmente feliz.
— É melhor eu ir, até amanhã no trabalho.
— Até — disse apenas e ficou parada no lugar me vendo sair do carro.
Mia acenou pela janela e Bella acenou de volta.
Mesmo longe ainda a vi parada no mesmo lugar pelo retrovisor. Até que enfim sumiu.
BELLA
O sorriso saiu do meu rosto quando o carro sumiu de vista.
Merda. Meu coração se quebrou.
Eu nunca imaginei que Mia podia se sentir assim.
Eu não queria de forma nenhuma me colocar em um lugar que não era meu. Mas não aguentei saber o que Mia tinha passado, sem fazer nada.
Não era só pelo fato dela ser filha de Edward, mas eu realmente me apaixonei por ela.
Sempre a achei tão lindinha, nas raras fotos que vi dela. Sempre imaginei porque a mãe dela não a quis e partia meu coração saber que ela crescia sem uma mãe.
Eu queria ficar com Edward e se isso precisasse ser a mãe de Mia eu não me importaria.
Nos poucos momentos que estive com ela, me sentia feliz. Mia era uma criança tão alegre e inteligente, qualquer mulher seria sortuda de ter uma filha como ela.
Pelo jeito seria difícil isso acontecer.
Subi para meu apartamento me sentindo triste, Olaf veio para cima de mim quando cheguei. E fiz carinho em sua cabeça, mas nem com isso me animei muito.
Suspirei e me joguei no sofá.
Será que era melhor desistir?
Eu tinha sonhado alto demais.
Edward e eu nunca ficaríamos juntos.
Ele me via como uma irmã, meu pai nos tratava como se fosse irmãos. Eu tinha que parar de sonhar com uma vida que eu nunca teria.
Meu celular apitou e o peguei apressada pensando que podia ser uma mensagem dele avisando que chegou em casa.
Mas não era nada disso.
Senti meu coração bater mais forte e meus olhos se arregalaram.
Alguém tinha me mandado um e-mail.
Alguém muito conhecido por mim.
Abri com meus dedos trêmulas.
Você pode se esconder de mim a vontade, mas eu vou te achar.
Não. Não. Não.
Levantei apressada quase caindo e conferir com as mãos trêmulas se porta estava trancada.
Apoiei nela meu corpo tremendo de medo.
Ele não sabia onde eu estava. Estava a milhares de quilômetros dali.
Eu estava segura.
Me sentei no chão, o Olaf veio para cima de mim. Eu o abracei em meu colo, lágrimas deslizando por minha bochecha. Passei a mão em minha prótese.
Eu estava segura ali, tinha que me lembrar disso.
Nota da autora:
Oii, amores. Ansiosa para saber o que acharam desse capítulo, espero que tenham gostado!
A Bella já agindo como mãe da Mia hehe e esse finalzinho!
Quem será que mandou a mensagem? Logo saberemos mais.
Comentem por favor, quem sabe o capitulo venha antes ;)
Será que co seguimos chegar a 10 comentários?
Por favor quem puder me ajudar baixando O Advogado Que Eu Odeio, lendo e avaliando vou ficar muuito feliz. Ou então indiquem para as amigas e ajude m essa autora aquii, por favor
Beijos amores, logo tem mais
