6. Acidental
Eu não conseguia acreditar ainda que Bella estava vindo dormir na minha casa.
Sim. Isso mesmo.
Mia tinha me implorado na noite anterior para que eu ligasse para Bella, eu fiz isso desconfiado e quando vi minha filha a convidando para uma noite de pijama, meus olhos se arregalaram.
Pior que isso, foi Bella ter aceitado.
Ela passou o dia de sábado arrumando tudo com Maria para a chegada da sua convidada.
Tinha se passado alguns dias da visita de Alice e desde então Mia e Bella não tinham se visto, mas às vezes conversavam pelo meu celular. Mia sempre mandava áudios para Bella que respondia sempre e mandava fotos de Olaf para minha filha ver.
— Ela chegou, ela chegou — Mia deu um grito animada quando escutou a campainha tocar e correu para abrir a porta.
— Quantas vezes eu já falei para não abrir a porta sem minha autorização?
— Desculpa papai, mas é a Bella. Estava com saudades dela.
— Eu também estava com saudades de você pequena —Bella sorriu para minha filha.
Ela estava bem diferente de suas roupas formais que geralmente usava no trabalho. Estava usando um short preto, deixando sua perna mecânica à mostra, junto com uma blusa mais curta e apertada de um tom azul celeste, seus cabelos estavam soltos. Estava linda, por mais que odiasse admitir.
— Vocês se viram semana passada — comentei cumprimentando Bella com um aceno de cabeça.
— Muito tempo, papai.
— Sim, também acho — as duas riram abraçadas.
Será que sempre perderia quando as duas estivessem juntas?
— Você trouxe o Olaf?
— Ah, querida! Achei que seu pai não fosse gostar.
— Que caquinha! Estava esperando ele também — fez biquinho.
— Mia! — fiz cara feia para ela, sem acreditar no que tinha dito.
— O que papai? O senhor sempre diz isso!
— Mas não é para você repetir.
Bella riu. Eu nem queria pensar no que seria se ainda xingasse como antigamente. Com certeza a primeira palavra dele teria sido um palavrão e não "aiai".
— Caquinha?
— Eu tento não xingar na frente dela e acabo falando outras palavras mais sutis — dei de ombros, Bella continuou rindo.
Eu engoli em seco ao observar com mais atenção as covinhas que se formavam em sua bochecha.
— Quer que eu pegue? — apontei para a mochila que percebi que segurava em um lado do corpo.
— Obrigada — agradeceu quando puxei sua bolsa.
— Vamos assistir Frozen e depois Moana. A tia Maria fez pipoca e papai deixou até eu comer chocolate.
— Só um pedacinho — ressaltei quase encostando meu polegar e indicador.
— Só um pedacinho — repetiu meu gesto.
Bella riu observando nós dois.
— Então, vamos! Parece que vamos ter um monte de diversão.
— Sim, sim — Mia concordou animada.
— Você não vem? — Bella perguntou quando viu eu indo para o outro lado.
— Eca, não! Meninos são proibidos! — Mia falou fazendo nós dois rimos.
— Bem, acho que isso responde sua pergunta. Vou deixar sua mochila no quarto de Mia, qualquer coisa é só me gritar.
— Tudo bem, vamos pequena.
Bella e Mia foram em direção a sala de televisão. Eu suspirei observando as duas saindo de mãos dadas.
…
Eu revirei na cama pela milésima vez e encarei a escuridão do quarto.
Bella e Mia assistiram Frozen, nós jantamos pizza e Mia quis assistir Moana, mas achei que estava ficando tarde e elas foram para o quarto de Mia.
Escutei o barulho delas conversando e brincando, mas de novo fui proibido de participar, me recolhi no meu quarto e tentei dormir, mas não estava conseguindo.
Elas com certeza já deveriam estar dormindo.
Decidi ir trabalhar um pouco, já que estava sem sono. Saí do quarto em silêncio, franzi meu cenho ao notar que a luz da varanda estava acesa.
Deslizei a porta tentando não fazer barulho.
— Bella, o que está fazendo aqui?
Ela estava de costas, um lençol fino cobria seus ombros. Estava próxima a sacada, havia grade de proteção que mandei instalar, com medo de que Mia pudesse parar ali sem supervisão.
— Está frio aqui.
— Eu não estava conseguindo dormir e quis ver um pouco a cidade. A vista aqui é linda.
— É mesmo, foi um dos principais motivos de ter comprado esse prédio — admirei a vista com ela ali, ficava ainda mais bonita.
— Você não quer dizer apartamento?
Eu arqueei a sobrancelha para ela.
— Por que não estava conseguindo dormir? A cama não estava confortável? Mia chutou você? Ela tem essa mania às vezes.
Eu bem sabia como ela se mexia à noite.
— Não, não é isso. Ela tava bem quietinha. Mas… às vezes dói minha perna quando fico o dia todo com a prótese e é desconfortável dormir assim.
— E por que não a tira?
— Eu não trouxe a muleta, mas tá tudo bem.
— Droga Bella, por que não disse antes? Eu podia ter ajudado.
— Tá tudo bem, Edward!
— Não se você está com dor. Você quer que eu ajude a tirar? — fui me abaixar, mas me segurou.
— Não! Sério está tudo bem — sua voz saiu um pouco mais alarmada.
— Mas eu posso ajudar e…
— Não, por favor… na verdade... não gosto que me vejam sem a prótese — dessa vez seu tom foi mais baixo.
Tampou a perna com o lençol, como se tivesse medo que eu fosse arrancá-la.
Eu a encarei.
— Você não precisa se envergonhar sabe disso, não é?
— Eu sei que não, mas eu só… — deu de ombros e suspirou forte.
Eu senti que havia algo ali, mas decidi não insistir.
— Tudo bem, mas vamos nos sentar.
Nós nos sentamos nas poltronas confortáveis que estavam uma do lado da outra. Encarei o céu noturno, apesar das luzes da cidade, conseguimos ver algumas estrelas e a lua crescente.
— E você, por que está acordado?
Não consigo dormir, porque eu não consigo parar de pensar em você.
— Estava revendo umas coisas do trabalho e escutei um barulho, vim verificar.
— Desculpe, achei que estava sendo silenciosa.
Eu sorri.
— Tudo bem. Obrigado pelo que tá fazendo com Mia, Bella.
— Sua filha é muito especial, eu me diverti muito com ela. Ela é tão inteligente e carinhosa.
— Ela é mesmo, Mia é tudo na minha vida.
— Dá para ver como você a ama. Eu posso fazer uma pergunta?
— É claro.
— Onde está a mãe dela?
Eu dei um sorriso pequeno, sempre imaginei se ela teria coragem de perguntar isso. A maioria das pessoas não tinham coragem, mas eu sempre percebia a curiosidade em seus olhos. Não era muito comum ver um pai solo.
— Desculpe, eu não quero ser intrometida, mas…
— Não, está tudo bem. Eu e a mãe dela não tínhamos um relacionamento sério, foi mais como um caso de uma noite. A camisinha rasgou e ela acabou engravidando. A princípio achei que estava tentando me dar um golpe, mas ela não queria ficar com a criança e disse que ia abortar. Eu pedi que fizesse um exame de DNA, que se o bebê fosse meu, eu esperava que ela pudesse ter que eu iria arcar com todos os custos e responsabilidade por ela. Ela concordou. Depois que Mia nasceu, nós não entramos mais em contato em nenhum momento. Eu não sei onde ela está e ela nunca procurou saber de Mia.
— Nossa, isso é tão triste. Mas fico feliz que ela tenha aceitado tê-la, agora que a conheci não sei como ficar longe daquela menininha.
Eu sorri.
— Sim, eu também fico. Foi difícil criar Mia sozinho, felizmente eu tinha minha mãe para ajudar. Depois que ela se mudou ficou ainda mais puxado, mas eu nunca me arrependi dessa escolha.
— Eu imagino, se precisar de ajuda é só me falar. Eu vou amar ficar com ela.
— Não precisa, mas obrigado, Bella. Ela gosta muito de você.
— É bom mesmo, ela me prometeu ser minha melhor amiga para sempre.
— Não me diga que ela pediu para comprar uma pulseira? — segurei o riso.
— Como você sabe?
Arqueou sua sobrancelha, seus olhos castanhos ficando por um momento maiores.
— Porque ela já fez isso com Esme e Alice e perdeu ambas as pulseiras.
A boca de Bella se abriu e eu ri de sua cara.
— E eu pensando que era realmente especial para ela.
Nós rimos juntos e senti uma sensação que a muito tempo não sentia. De querer mais. Mais com Bella. Mais momentos como aquele, onde eu podia ter alguém para conversar, alguém para rir e desabafar.
Mas eu não podia querer isso.
Um vento soprou mais forte e o cabelo de Bella se agitou, involuntariamente ergui minha mão e segurei os fios colocando atrás de sua orelha, meus dedos roçando seu rosto e lóbulo. Sua pele era quente e macia.
Bella me encarou, seus grandes olhos cor de chocolates. Engoli em seco, sua língua umedeceu seus lábios e me inclinei um pouco querendo prová-los.
Que merda era essa? O que estava pensando?
Eu não podia fazer isso. Charlie me mataria.
— É melhor irmos dormir.
— Eu vou dormir.
Dissemos juntos e nos levantamos.
Tudo pareceu acontecer em câmera lenta.
Nossos movimentos foram bruscos, o lençol que a envolvia caiu no chão e ela se desequilibrou. Eu a segurei pela cintura a impedindo de cair no chão, puxando-a para mim, seu corpo quente se colou ao meu, mas ela tropeçou. Eu fui para trás segurando-a e escorreguei também, nós dois caindo no chão.
O movimento fez ela vim em minha direção com força e seu rosto se chocou no meu. Ou melhor, seus lábios roçaram nos meus, de novo.
Nossos olhares se arregalaram e nos encaramos.
Tínhamos caído no chão de novo e de novo trocamos um selinho sem querer.
Cacilda!
— Eu… eu… boa noite — Bella gaguejou e ajudei a se levantar segurando-a e a firmando no chão.
Ela se virou e saiu dali, mais rápido que achei ser possível.
Eu respirei fundo, ainda sentindo uma suave fragrância.
Toquei meus lábios, sentindo o toque dos lábios dela.
Eu não podia deixar aqueles desejos dominarem meu corpo, principalmente meu coração.
BELLA
Fechei a porta do quarto e me encostei nela. Meu coração batia forte no peito.
Levei minhas mãos aos meus lábios e os toquei.
Um sorriso nasceu em meu rosto.
Eu não conseguia acreditar. Nós tínhamos nos beijado.
Ok, que não tinha sido exatamente um beijo, mas nossos lábios se tocaram.
E era a segunda vez que isso acontecia. Será que era o destino me ajudando de novo e perdi a oportunidade?
Droga.
Edward. Edward.
O que iria fazer com ele?
Apesar da conversa de Alice ter me enchido de esperança, os dias se passaram e não tive coragem de tomar uma atitude. Mas depois desse beijo de novo.
Já era a segunda vez que isso acontecia e eu não ia perder aquela oportunidade pela terceira vez.
Iria mostrar para ele o que eu queria e seja o que Deus quisesse.
Encarei Mia dormindo na cama e voltei a deitar ao lado dela. Passei a mão em minha perna, seria dificil e dolorido dormir com ela e nem podia, mas não queria correr o risco de me verem sem.
Mia se virou na cama e se aconchegou em mim, eu a abracei. Eu amava seu cheirinho infantil e inocente, misturado com seu perfume da Frozen.
Sorri, ela amava a Frozen mesmo, sabia quase todas as falas do filme, tínhamos cantado as músicas juntas.
Pensei o que levaria uma mãe a abandonar uma filha. Mas quem eu era para julgar?
Tantos homens faziam isso e não eram julgados pela sociedade. E a mulher que se virava sozinha para criar uma criança.
Pelo menos, a genitora dela tinha decidido pela vida e deu oportunidade para essa menininha viver e ter o melhor pai do mundo.
Quem sabe eu pudesse ser uma mãe para ela também. Eu não iria me importar nenhum pouco. Só restava convencer o pai dela disso.
Nota da Autora:
Juro que vou parar com as cenas de beijos acidentais de dorama kkkkkkk na próxima vai ser para valer! hehe
espero que tenham gostado do capítulo amores
Descobrimos sobre a genitora de Mia, esperamos que ela não volte para dar trabalho hehe
O acharam do capítulo?
Me conte nos comentários, a Bella e a Mia duas lindinhas né. Confesso que estou ansiosa para escrever os três como uma família
Estou postando a fic no fanfiction . net para quem quiser ler lá, fique a vontade só não esqueça de comentar
Logo tem mais amores, beeijos
