A névoa espessa envolvia o time 7 como um manto sufocante, tornando cada passo mais pesado, mais temeroso. O som do rio, bramido e impetuoso abaixo deles, misturava-se com o rangido das tábuas da ponte, como se a própria estrutura estivesse prestes a ceder. O ar era denso, úmido, e a tensão se acumulava a cada respiração, fazendo a pele de Sakura arrepiar. A ponte parecia viva, antecipando o que estava por vir, um presságio de algo inevitável. O mundo inteiro parecia estar esperando algo acontecer, uma tensão crescente que parecia abraçar cada um deles.
Sakura caminhava em silêncio, mas seu corpo tremia ligeiramente a cada passo, o coração martelando como um tambor acelerado em seu peito. Ao seu redor, Naruto e Sasuke pareciam distantes, como se estivessem em outra realidade, alheios à intensidade do perigo que se aproximava. Mas para ela, o peso da missão era insuportável, a pressão das expectativas esmagadora. Ela sabia que não poderia ceder ao medo, mas ele estava crescendo dentro de si, como uma sombra, pronto para engoli-la a qualquer momento.
Naruto estava à frente, seus passos rápidos e firmes, mas a tensão nos seus ombros era visível. Ele estava nervoso, isso era claro, mas a impetuosidade que sempre o caracterizara parecia ainda mais forte naquele momento. Sasuke estava calado, seu olhar atento e frio, sempre avaliando a situação à frente. Ele era o pilar de resistência silenciosa do time, e Sakura não pôde deixar de admirar sua compostura, mesmo em meio à tensão que os envolvia.
Kakashi, como sempre, liderava o grupo com sua postura calma e controlada. Mas havia algo diferente naquele momento. Sakura podia sentir uma aura de alerta ao seu redor, algo que indicava que Kakashi sabia que estavam próximos de algo perigoso. Ele não dizia nada, mas sua presença parecia mais imponente do que o normal. Havia uma quietude em sua postura, mas seus olhos, ainda atrás da máscara, estavam atentos, sempre prontos para reagir.
De repente, uma voz cortou o ar como uma lâmina afiada. Era baixa, mas cheia de ameaça. Sakura congelou no mesmo instante.
— Então este é o famoso Kakashi Hatake, o portador do Sharingan. — A voz, calma mas carregada de malícia, parecia vir de todos os lados. Uma presença que se espalhava pela névoa, como se o próprio ar estivesse falando.
Sakura olhou freneticamente para os lados, tentando localizar a origem da voz. Mas tudo o que podia ver era o nevoeiro espesso, uma névoa densa que engolia tudo ao seu redor. Os contornos de seus amigos eram difusos, e a sensação de estar sendo observada crescia a cada segundo. Era como se algo estivesse se aproximando lentamente, esperando o momento certo para atacar.
Kakashi, como sempre, emanava uma calma quase sobrenatural, mas algo nos seus olhos — uma sutileza em seu olhar — denunciava que ele estava mais alerta do que nunca. Sua voz, serena, mas carregada de um peso profundo, cortou o ar com uma firmeza que fez a névoa ao redor parecer mais densa. Ele não hesitou, mas Sakura pôde sentir a tensão vibrando em seu corpo, uma tensão que dizia que algo muito mais sombrio estava por vir.
— Zabuza Momochi. — O tom de sua voz era sereno, mas Sakura podia perceber que havia algo diferente ali. Não era medo, mas uma atenção absoluta, uma consciência do que estava prestes a acontecer. O Sharingan se ativou sob a bandana que ocultava seu olho esquerdo, e Sakura não pôde deixar de sentir uma pressão crescente no ar. Era como se o próprio ambiente estivesse esperando pelo confronto.
Aquele nome não era estranho para ela. Zabuza Momochi. Um dos Sete Espadachins da Névoa, um dos mais poderosos, e um assassino implacável. Sakura sentiu o sangue gelar nas veias. Sabia que se não tomassem cuidado, aquela seria uma luta que eles não poderiam vencer. O terror parecia se espalhar pela ponte, mas ela tentou ignorá-lo. Não podia ceder ao medo agora.
— Fiquem atrás de mim. — A ordem de Kakashi foi curta, mas carregada de autoridade, e o tom não deixava espaço para dúvidas. Era um comando claro e direto.
Sakura olhou rapidamente para Naruto e Sasuke. Ambos estavam apreensivos, mas seguiram a instrução de Kakashi sem hesitar. Eles eram jovens, mas sabiam o que precisavam fazer. Mesmo Naruto, que nunca ficava quieto, parecia perceber a gravidade da situação e ficou quieto, mantendo-se em posição. Sakura, sentindo a pressão da missão em seus ombros, se posicionou ao lado de Sasuke, tentando não mostrar o nervosismo que se espalhava por todo o seu corpo.
E então, Zabuza não era mais uma sombra, uma presença intangível na névoa. Agora, ele surgia diante deles com uma imponência brutal, a espada colossal nas costas, como uma promessa de morte. Seu olhar atravessava a névoa, penetrante e implacável, como se fosse capaz de ler cada movimento deles antes mesmo de ser feito. O ar ao redor parecia se comprimir com sua presença, e Sakura sentiu um calafrio que percorreu sua espinha, um presságio do que estava por vir. Sua presença era esmagadora, e o ambiente ao redor parecia se comprimir. O som de sua voz ecoou novamente, mais próximo agora.
— Hoje será o seu fim. — Ele sorriu, um sorriso cruel, e sacou a espada. O movimento foi rápido, mas a ameaça por trás dele era ainda mais veloz. A lâmina reluziu com o reflexo da névoa, e o chakra que irradiava de Zabuza parecia envolver a ponte, tornando o ar mais denso e insuportável.
Sakura sentiu o medo apertar seu peito. A pressão que a cercava parecia impossibilitar sua respiração. O tempo parecia desacelerar, e ela se forçou a respirar fundo, tentando se concentrar. O que poderia fazer para ajudar? Ela olhou para Kakashi, que agora estava se preparando para enfrentar o inimigo, o Sharingan completamente ativado. Não havia mais volta. A luta estava prestes a começar.
— Você é bom, mas isso não será o suficiente. — Zabuza disse, avançando sem pressa, sua espada brilhando ameaçadoramente. Sua postura era firme, calculada, como se soubesse que o resultado da batalha já estava decidido.
Sakura tentou não olhar diretamente para Kakashi. Ela podia sentir a pressão do chakra do Sharingan ativo ao redor dele, a energia que parecia girar em torno de seu corpo com uma intensidade quase palpável. Kakashi estava se preparando para antecipar os movimentos de Zabuza, mas ela sabia que esse homem não era um inimigo comum. Zabuza era um mestre, um combatente que estava em um nível completamente diferente.
Zabuza foi rápido, mais rápido do que Sakura poderia imaginar. Kakashi bloqueou o primeiro golpe com uma kunai, mas a força do impacto foi tamanha que fez o som das tábuas da ponte rangeu com a violência do golpe. Sakura sentiu o chão tremer sob seus pés, e o medo tomou conta novamente. Zabuza era imenso, e sua força parecia intransponível.
Mal Sakura teve tempo de processar o que estava acontecendo, Zabuza desapareceu na névoa, reaparecendo quase instantaneamente ao lado de Kakashi com sua espada em um corte horizontal. O som do metal cortando o ar foi ensurdecedor, e Sakura estremeceu, temendo o pior. Kakashi se esquivou com um movimento fluido, mas o esforço estava visível. Mesmo com o Sharingan, parecia que Zabuza estava levando a melhor.
O combate estava se intensificando. Cada movimento era tão rápido que Sakura mal conseguia acompanhar. A ponte tremia sob os impactos dos golpes, e a pressão no peito de Sakura só aumentava. Era como se o ar estivesse se tornando mais denso, mais difícil de respirar. O tempo parecia desacelerar ainda mais, e Sakura sentiu que o medo estava a ponto de dominá-la.
Naruto, como sempre, tentou avançar, mas Kakashi gritou para ele:
— Cuidado!
A espada de Zabuza cortou o ar com uma velocidade impressionante, forçando Naruto a recuar imediatamente. O poder de Zabuza era inegável, e até Kakashi, com sua experiência, estava sendo levado ao limite. Sakura sentiu seu corpo paralisado, seu medo se tornando um peso insuportável. Mas ela sabia que não podia continuar assistindo, não podia ficar parada enquanto seus amigos lutavam por suas vidas.
Foi então que Zabuza desferiu um golpe tão rápido e forte que Kakashi, apesar de sua agilidade, não conseguiu bloquear completamente. O impacto empurrou Kakashi para trás, mas ele ainda conseguiu evitar um golpe fatal. A espada de Zabuza cortou o ar, e o sorriso cruel no rosto do espadachim só se alargou, como se a vitória já fosse certa para ele.
— Você não pode me vencer, Kakashi. — Zabuza riu, zombando, enquanto, com um movimento, ele intensificava ainda mais a névoa ao redor deles, tornando a atmosfera ainda mais opressiva. Ele estava criando uma prisão de água, envolvendo a ponte em uma armadilha líquida. A água parecia tomar conta da estrutura da ponte, e as tábuas começaram a ceder, a pressão era cada vez maior.
Sakura, com a respiração ainda acelerada, olhou para seus companheiros. Eles estavam lutando, mas o poder de Zabuza parecia estar além de tudo o que haviam enfrentado até então. Eles não eram rivais para aquele homem. Ele era um monstro de força e habilidade, e ele sabia disso. Sakura olhou para o rosto de Kakashi, que agora estava determinado a reagir, mas a pressão que ele estava enfrentando parecia quase insuportável.
A voz de Zabuza ecoou, cortando a névoa e o coração de Sakura.
— Agora, você está completamente preso.
Mas Sakura, mesmo com o medo dominando seu corpo, se recusou a ceder. Ela não podia, não agora. Ela olhou para seus amigos, para Kakashi, e sentiu uma chama de determinação crescer dentro de si. Eles não iam perder. Não enquanto ela ainda tivesse forças para lutar.
E foi quando a pressão se tornou insuportável que algo dentro dela se partiu. Não, ela não poderia ficar ali, congelada pelo medo, assistindo. Sakura olhou para Naruto e Sasuke, ambos ainda focados, mas com uma tensão visível nos rostos. Sasuke, sempre observador, ainda estava tentando entender o padrão de Zabuza, enquanto Naruto, com seu espírito indomável, parecia pronto para agir a qualquer momento.
Ela se lembrou do que havia treinado, do que havia aprendido. Não importava que fosse difícil. Ela tinha que fazer algo. Qualquer coisa.
Foi quando a névoa ao redor deles se tornou ainda mais densa. Zabuza, com um movimento fluido e implacável, aumentava a pressão, criando uma prisão líquida ao redor da ponte. Ele estava rindo, zombando deles, e isso só fazia o coração de Sakura bater mais rápido. Ela sentia que o momento estava chegando. Eles precisavam de uma vantagem. Eles precisavam reagir, e rapidamente.
Sakura fechou os olhos por um momento, respirando fundo, tentando acalmar o turbilhão dentro de si. Ela sabia que não podia se permitir ser consumida pelo medo. Não agora. Eles precisavam de tempo. Precisavam de uma brecha.
— Kakashi-sensei... — ela sussurrou para si mesma, quase sem acreditar nas palavras que saíam de sua boca. A imagem dele, com o Sharingan ativado, tentando antecipar cada movimento de Zabuza, vinha à mente. Ele estava dando tudo de si, mas Zabuza não era um oponente comum. Ele era uma ameaça direta e implacável. Mas, no fundo, Sakura sabia que ele não lutaria sozinho. Não se ele pudesse evitar.
Os olhos de Sakura se abriram, e um pensamento impulsivo e audacioso atravessou sua mente. Uma ideia louca, talvez, mas talvez fosse exatamente o que eles precisavam.
— Naruto! — gritou Sakura, sua voz cortando o ar com mais firmeza do que ela pensava ser possível. — Sasuke! Eu vou tentar uma coisa!
Naruto, com os olhos arregalados, olhou para ela, surpreso.
— O que você vai fazer, Sakura? — ele perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
Sasuke também a olhou, seu olhar atento e analisador.
— Eu... eu vou tentar distrair Zabuza, para dar a vocês uma chance. — Sakura sabia que era arriscado. Mas naquele momento, qualquer coisa parecia melhor do que continuar assistindo a luta sem tomar nenhuma atitude.
Ela pegou algumas kunais de sua bolsa e as segurou com firmeza. Não sabia se o que faria funcionaria, mas tinha que tentar. A ideia era simples: enquanto Zabuza estava concentrado em Kakashi, ela tentaria criar uma distração que o forçasse a desviar a atenção. Ela sabia que Zabuza provavelmente perceberia a ameaça, mas talvez o tempo fosse o suficiente para dar a Kakashi a abertura que ele precisava.
Com um movimento rápido, Sakura correu para um lado da ponte, lançando as kunais em direção à névoa. O som do metal cortando o ar foi abafado pela espessura da névoa, mas ela sabia que Zabuza perceberia. Ela não tinha a intenção de atingir diretamente. Era apenas para criar um ruído, uma movimentação que causasse confusão. Ela precisava que Zabuza se distraísse, nem que fosse por um segundo.
Sakura não sabia o que fazer, mas sua mente estava a mil. A resposta estava diante dela. Zabuza estava ganhando terreno, mas Kakashi, com sua inteligência, era um mestre em reverter situações. Ela só precisava confiar. E se houvesse mais do que apenas força física para acabar com aquele confronto?
Por um breve momento, tudo pareceu desacelerar. Os sons da batalha e o rugir do rio pareceram se afastar, e Sakura sentiu algo mais forte dentro dela. A palavra "confiança" ecoava em sua mente. Ela sabia que era hora de confiar em Kakashi, mas também sabia que ele não poderia fazer tudo sozinho. Eles precisavam agir juntos, mesmo que fosse à custa de suas próprias inseguranças e limitações.
Sakura puxou o pergaminho pequeno que havia guardado no bolso interno da túnica e desenrolou com mãos trêmulas, mas decididas. Seus dedos começaram a preparar um selo explosivo improvisado. Não era muito, mas poderia ser o suficiente para desestabilizar Zabuza por alguns segundos — segundos que poderiam decidir tudo.
Naruto olhou para ela, intrigado.
— O que você tá fazendo?
— Vou preparar uma armadilha. Mas preciso que vocês atraiam a atenção dele, rápido.
Sasuke já analisava a estrutura da ponte, os pilares laterais e a direção do vento. Ele entendia o que precisava fazer.
— Naruto, vamos atacar por ângulos opostos. Ele não pode largar a técnica, então está preso àquela posição.
Naruto assentiu, e sem hesitar, começou a correr em arco pela lateral direita da ponte, suas sandálias fazendo o madeirado ranger. Sasuke foi pelo lado esquerdo, mantendo-se mais baixo, quase rastejando, esperando o momento exato.
Zabuza apenas observava, o corpo imóvel, mas os olhos atentos. Um músculo em seu maxilar se contraiu levemente.
— Crianças tolas — rosnou.
Sakura, de joelhos sobre a ponte, pressionava com força o papel contra a madeira úmida, canalizando o chakra com precisão. O selo se formou com firmeza, o papel estalando levemente sob seus dedos. Ela estava suando, mas não parou.
Naruto gritou, chamando a atenção de Zabuza.
— Ei, cara da espada enorme! Aposto que você nem consegue correr sem essa água te puxando!
Zabuza lançou um olhar rápido para Naruto, e nesse instante Sasuke se ergueu de onde estava, arremessando duas shurikens com precisão mortal, mirando os ombros do espadachim. Zabuza girou levemente o corpo, desviando com a espada uma das lâminas, enquanto a outra raspou seu braço.
— Tsc. Vocês são mais persistentes do que parecem.
Mas elenão podia se moveralém de um raio mínimo. Isso fazia parte do custo do jutsu — e agora isso jogava contra ele.
Sakura se ergueu com o selo explosivo nas mã .
— Naruto! Joga isso perto da perna dele!
Naruto, ainda correndo, segurou o papel que Sakura lançou para ele. Com um giro rápido, saltou e o atirou com força. O selo grudou na borda da ponte, próximo ao ponto onde Zabuza mantinha contato com a esfera d'água.
— KAI! — Sakura gritou, ativando o selo com um estalo de chakra.
A explosão reverberou pela ponte com um estrondo surdo. Um jato de água se ergueu, e a estrutura de madeira estremeceu.
Zabuza foi forçado a dar um passo para trás —o suficiente para perder contato com a prisão de água.
O corpo de Kakashi caiu com força, mas ele rolou no chão molhado da ponte, tossindo e recuperando o fôlego. Em segundos, ele se ergueu.O Sharingan ainda brilhava em seu olho esquerdo.
Zabuza arregalou os olhos.
— Malditos...
Kakashi passou a mão pelo rosto molhado, encarando o espadachim.
— Agora é minha vez.
Sakura sentiu o peito se abrir em alívio, mas logo o medo retornou. A luta estava longe de acabar — mas agoraeles tinham uma chance real.
Kakashi avançou, rápido como um raio.
O verdadeiro confronto estava apenas começando.
A névoa cerrada continuava a envolver a ponte, úmida e opressora, como uma cortina que escondia a morte. Os passos de Zabuza quase não faziam som, mas o instinto de Kakashi o mantinha alerta. Dentro daquela névoa, cada respiração era um risco. O menor movimento podia ser fatal.
Mas agora, Kakashi estava livre. A Prisão de Água havia se desfeito, e ele se colocava novamente entre seu time e o inimigo. O Sharingan em seu olho esquerdo brilhava sob a máscara, girando lentamente enquanto lia e antecipava cada gesto de Zabuza.
Zabuza rosnou, frustrado. Não esperava que Kakashi escapasse com tanta facilidade. Ainda menos que aquele olho estranho fosse capaz de algo tão aterrador.
— Então... o que é isso? Você consegue ver o futuro? — perguntou ele, enquanto seus dedos formavam selos em alta velocidade.
Kakashi não respondeu de imediato. Em vez disso, copiou os movimentos do oponente com precisão absoluta. Um selo. Dois. Três. Cada movimento, espelhado com perfeição.
— Não. Eu vejo através de você — disse Kakashi calmamente. — O que você vê como o futuro... eu já copiei no presente.
Zabuza rangeu os dentes, e em uníssono, ambos completaram o último selo.
— Suiton: Suiryūdan no Jutsu! — gritaram os dois, e o rio respondeu.
A água do rio se ergueu com violência, tomando a forma de dois imensos dragões aquáticos. As criaturas líquidas avançaram uma contra a outra com força colossal, rugindo como se o próprio rio estivesse em fúria.
O impacto foi brutal, lançando ondas para os dois lados da ponte. A madeira gemeu sob a pressão, e a névoa começou a se dissipar parcialmente. Kakashi permaneceu firme, os cabelos prateados molhados pela água que respingava por todo lado. Já Zabuza deu um passo para trás, surpreso com a exatidão do jutsu do inimigo.
— Ele copiou... até mesmo meu ninjutsu mais avançado — pensou, incrédulo.
Antes que pudesse reagir, Kakashi moveu-se novamente. As mãos voaram em selos ainda mais rápidos, seu olhar fixo em Zabuza, como se lesse não só seus movimentos, mas sua mente.
— Suiton: Daibakufu no Jutsu! — declarou Kakashi, e dessa vez, a força da técnica era ainda mais devastadora.
Um redemoinho colossal de água surgiu do rio, girando como uma espiral incontrolável. A massa líquida avançou com violência, engolindo a ponte e arrastando tudo em seu caminho. Zabuza tentou resistir, fincando os pés na madeira molhada, mas foi inútil. A força da cachoeira o atingiu em cheio, lançando-o contra uma das colunas da ponte com um estalo seco.
O impacto o derrubou. A Kubikiribōchō escorregou de sua mão e cravou-se no chão com um som oco. A névoa finalmente se dissipou por completo, revelando seu corpo caído, ofegante e coberto de cortes. Sangue escorria por um dos lados da boca.
Kakashi se aproximou lentamente, seu peito subindo e descendo com o esforço. O Sharingan ainda girava, mas seu cansaço era evidente. Usar técnicas tão avançadas, copiadas diretamente do inimigo, exigia mais do que chakra. Exigia foco absoluto.
Zabuza tentou levantar, mas seus braços tremeram e cederam. O corpo dele estava exausto — e sua mente, tomada por incredulidade. Ele, o demônio da Névoa Oculta, havia sido superado com suas próprias técnicas.
— Você... — arfou — me derrotou... com meus próprios jutsus...
— Isso é o que acontece quando você subestima um ninja de Konoha — respondeu Kakashi, com firmeza.
Ele deu mais um passo à frente, levantando a mão. Era o fim. O golpe final estava pronto.
Mas antes que pudesse desferi-lo, algo cortou o ar.
Zash!
Vários senbons voaram pela névoa e se cravaram no pescoço de Zabuza. Seu corpo estremeceu e, em seguida, caiu inerte no chão. Kakashi parou, surpreso.
— O quê...?
Da neblina que restava, surgiu uma figura esguia. Trajava roupas típicas de um ninja da Névoa Oculta e uma máscara branca com detalhes vermelhos — um Caçador Anbu.
— Obrigado — disse o jovem ninja, com a voz abafada pela máscara. — Eu sou um caçador de Kirigakure. Vim recuperar o corpo de Zabuza Momochi, para que segredos do nosso vilarejo não sejam revelados.
Kakashi o observou com atenção. Sua respiração estava pesada. O Sharingan começou a desaparecer, coberto novamente por sua bandana inclinada. Algo naquele garoto era estranho. Mas ele estava no limite. Já não podia continuar a luta.
Naruto e Sasuke correram para ele, aliviados ao ver que estava de pé. Sakura, mais atrás, finalmente soltou o ar que parecia estar segurando desde o início do confronto. Seus joelhos quase cederam.
Zabuza estava derrotado. E, por ora, estavam a salvo.
