A frase de Sasuke ainda pulsava em sua cabeça, como uma agulha girando dentro do peito.
"Francamente... Você foi franca demais."
O tom dele. O olhar indiferente. A forma como descartara suas palavras, como se ela não tivesse o direito de expor o que sentia ou pensava.
Ela fechou os punhos. Não era só frustração — era um tipo diferente de raiva. Não dele, exatamente. Mas dela mesma. Por ainda se importar tanto.
Virou-se, encarando Sasuke. Ele parecia prestes a se afastar, como sempre fazia, como se não tivesse sequer notado o estrago deixado para trás pelas próprias palavras.
— Sasuke — chamou ela, firme.
Ele parou. Olhou por cima do ombro, a expressão inalterada.
— Quero lutar com você — disse Sakura, direto. — Agora.
Naruto arregalou os olhos.
— Sakura? Tá falando sério?
Mas ela não desviou o olhar nem um segundo. Os olhos verdes dela queimavam, mais frios que o normal. Havia um desafio ali, mas também algo mais: uma afirmação.
Sasuke a encarou por um momento, avaliando. Então se virou por completo, como se finalmente tivesse prestado atenção de verdade.
— Por quê? — perguntou ele, o tom ainda calmo.
— Porque eu quero saber o quanto ainda estou atrás — respondeu ela. — E porque você não tem o direito de me julgar sem conhecer de verdade do que sou capaz.
O silêncio caiu por um segundo. Então Sasuke deu um leve suspiro, quase imperceptível.
— Tudo bem.
Naruto se afastou de um pulo, animado e tenso ao mesmo tempo.
— Vocês vão mesmo? Aqui?
Sakura já se movia para o centro da rua. Tirou os senbons da bolsa com fluidez, sentindo o peso metálico nas mãos como uma extensão de si mesma.
Sasuke tirou as mãos dos bolsos. O Sharingan ainda não estava ativado — ele não achava que precisava.
— Não vou pegar leve — avisou ele.
Sakura respondeu com um meio sorriso.
— Nem eu.
A rua onde o Time da Areia havia passado minutos antes agora servia de arena improvisada. Algumas poucas pessoas pararam para observar à distância — era raro ver membros do Time 7 se enfrentando entre si, e o nome "Uchiha" ainda carregava um certo peso nas conversas sussurradas de Konoha.
Sakura se posicionou com os pés firmes no chão, os ombros soltos e a respiração controlada. O chakra fluía pelas veias, concentrado sob a pele, enquanto ela ativava oKanchi no Jutsu. A energia de Sasuke era clara para ela, como uma chama compacta, agressiva. Cada mínima oscilação no fluxo poderia ser sentida — e ela aguardava por isso.
Sasuke a encarava com os olhos ainda normais, braços cruzados, como se esperasse que ela desistisse.
Ela não desistiu.
Partiu em zigue-zague, o campo sensorial cravado sobre ele. Quando sentiu o chakra dele se acumulando nos pés, entendeu: ele se moveria. Abaixou-se por instinto, desviando de um chute que teria atingido sua têmpora.
— Hmpf — murmurou ele, e seus olhos vermelhos acenderam. OSharinganestava ativo.
A partir daí, tudo mudou.
Os três tomoes giravam, analisando, prevendo. Mesmo sentindo o chakra de Sasuke antes de cada passo, Sakura percebeu que o tempo de reação dele era brutal. Enquanto ela lia as intenções dele pelo chakra, ele lia os movimentos dela diretamente pelo corpo.
Ainda assim, ela forçou uma aproximação. Jogou dois senbons em ângulos divergentes: um alto, outro baixo. O corpo de Sasuke inclinou-se como um junco no vento, desviando com leveza quase casual. Mas ela esperava isso — o terceiro senbon, oculto entre os dedos, saiu direto para o ombro. Ele bloqueou com a manga, mas o metal rasgou o tecido e riscou a pele.
— Se fosse veneno real — murmurou ele, encarando o ferimento leve — eu teria ficado mais lento por três segundos. Bom.
Ela não respondeu. Correu para o lado, escondendo o selo de mão com o braço. Durante a movimentação inicial, deixara uma tora atrás de um barril abandonado — não fora por acaso. O selo doKawarimi no Jutsufoi completado discretamente enquanto se movia, preparado.
Sasuke sumiu num estalo — o chakra dele subiu de repente, e mesmo com o sensoriamento, ela mal teve tempo de erguer os braços.
O punho dele acertou seu esterno como um martelo. O gosto de metal encheu sua boca — um dente cortara a língua ao bater os maxilares. O impacto a lançou para trás, rolando pela rua de terra. Poeira subiu ao redor, e os senbons espalhados vibravam no chão.
Enquanto rolava, as mãos dela já formavam o selo — e no segundo seguinte, a tora previamente posicionada tomou seu lugar.
— Não tão fraca quanto antes — murmurou Sasuke, observando a substituição.
Sakura reapareceu agachada, ofegante. Os braços tremiam levemente, mas o olhar continuava fixo.Não vou cair tão fácil.
Formou novos selos com velocidade surpreendente e criou três cópias —Bunshin no Jutsu. As imagens correram em direções diferentes, e ela trocou de posição com uma delas no meio do deslocamento, abafando seu chakra com cuidado. Com oKanchi no Jutsuainda ativo, ela sentia o chakra de Sasuke se fixando, buscando identificar qual era a verdadeira. Ela forçou variações mínimas de chakra nas cópias para confundir ainda mais.
Por um segundo, ele hesitou. O Sharingan via todas as imagens — mas o campo de chakra estava borrado.
Ela aproveitou. O movimento seguinte foi quase invisível: um salto sutil, quase um deslizamento, seguido do lançamento de dois senbons. Um mirava a testa, o outro, em arco baixo, a costela esquerda — o ponto onde já havia acertado antes. Sasuke defendeu o alto, mas o segundo senbon cortou sua lateral, abrindo um pequeno rasgo e fazendo-o recuar um passo.
— De novo? — disse ele, agora franzindo o cenho. — Repetição de padrão, Sakura?
Ela sorriu.
— Distração.
Saltou para trás, aterrissando num joelho, e puxou oito senbons, uma entre cada dedo. O chakra se concentrou nas pontas dos dedos, alinhando precisão, respiração, controle.
A anatomia estava clara em sua mente — osoito pontos vitaisque havia memorizado com obsessão:
Coluna. Pulmões. Jugular. Coração. Cérebro. Fígado. Rins. Traqueia.
Ela os lançou como um disparo circular, cada senbon voando com trajetória específica, formando um padrão quase artístico no ar.
O Sharingan reagiu com fúria. Sasuke se moveu como água sendo cortada — girou, rolou, curvou-se, desviando de sete projéteis. O oitavo, mirando a garganta, foi aparado no último segundo com uma kunai que ele puxou do porta-armas, fazendo faísca no contato.
A arma caiu da mão dele, o metal tremendo no chão.
O silêncio tomou o beco.
Sasuke ergueu os olhos lentamente, e por um instante, parecia... surpreso. A manga rasgada, o corte na costela, a kunai caída.
Sakura continuava de pé, suada, ofegante, com um filete de sangue no canto da boca. O braço tremia levemente. Não era exaustão — era adrenalina, pura e crua.
— Então? — perguntou ela, com um sorrisinho ofegante. — Ainda sou franca?
Sasuke avançou.
Sem palavras, sem provocação — apenas um som abafado do salto rasgando o ar. O sangue escorria lento da costela, mas seus olhos seguiam famintos, impiedosos. OSharinganparecia mais intenso agora, como se a troca o tivesse despertado de verdade.
Sakura mal teve tempo de recuperar a postura antes que ele reaparecesse à sua frente. A kunai dela subiu num reflexo, mas o golpe não veio pela frente — veio de baixo.
Chakra nos pés.
Ela sentiu o acúmulo no solo antes que ele sequer se movesse. Reagiu — girou o corpo para o lado, e o chute que mirava o joelho passou raspando, erguendo poeira e fazendo sua perna formigar com o impacto do ar.
Ela caiu com o rolamento, usou o giro para escapar de um segundo ataque, e lançou mais dois senbons à queima-roupa, mirando o ombro e o bíceps de Sasuke. Ele bloqueou um com o antebraço, o outro passou de raspão.
— Tá mesmo tentando me deixar sem braço? — ele murmurou, agora com um sorriso enviesado. Não parecia raiva — era algo como respeito mascarado de arrogância.
— Se você não quer perder o braço, desvie melhor — respondeu ela, seca, enquanto limpava o sangue da boca com o dorso da mão.
Ele está começando a me levar a sério.
E isso era perigoso.
Sasuke jogou a kunai que ainda tinha — um movimento tão direto que parecia simples demais para alguém como ele. Mas ela percebeu, no mesmo instante: era distração.
O chakra dele brilhou atrás dela.
— Kawarimi — sussurrou, virando o corpo e lançando uma senbon para trás às cegas.
Ouviu o som do metal riscando outra lâmina — ele havia usado o próprio kunai como escudo.
— Isso foi bom — a voz dele soou baixa, muito próxima. — Mas ainda não é o suficiente.
O punho acertou o estômago dela num arco ascendente. Ela sentiu o ar ser arrancado dos pulmões — o mundo girou e, no segundo seguinte, o chão a recebeu com força. Poeira subiu num baque seco, e seu corpo gritou em protesto.
O Sharingan leu tudo.
Mas ela não ficou no chão. O selo estava feito.
Kawarimi no Jutsu.
A tora estourou em seu lugar antes que Sasuke completasse o próximo golpe, e ela surgiu novamente a dez metros de distância, mancando de leve, mas viva.
— Eu sou melhor do que antes — disse, cuspindo ao lado. — E você sabe disso.
Sasuke respirava com mais força agora. O ombro dele sangrava. O movimento do braço esquerdo estava mais restrito — ela havia acertado algum nervo periférico com o senbon anterior.
Mas seus olhos... estavam calmos. Frios. Avaliando.
— Você aprendeu com o Zabuza, não é? — a pergunta veio seca.
Sakura ergueu o queixo.
— E vou aprender mais.
— Ele te ensinou a matar — disse Sasuke, com o tom de quem constata uma equação. — Não a vencer.
— Não é a mesma coisa?
— Não — ele respondeu, e num piscar, sumiu.
Ela não sentiu chakra nos pés.
Não teve aviso.
O chakra dele subiu pela lateral — estava nos telhados.
Droga!
Sasuke veio de cima. Uma kunai em cada mão, girando no ar, os olhos vermelhos fixos nos dela.
Ela sentiu os músculos travarem por um instante — não de medo, mas de cálculo. Ele ia testar seus limites.
Sakura rolou para o lado, mas mesmo assim uma das lâminas passou pela lateral de sua perna, cortando o tecido da calça e arranhando a pele. O ardor veio imediato. Ela caiu, rolou, e se ergueu com dois senbons já entre os dedos.
Ela lançou — um alto, outro baixo, dois falsos. E então correu em direção a ele.
Sasuke aparou o primeiro, desviou do segundo — mas os dois falsos mudaram de direção. Fios de aço os conectavam aos dedos dela, puxando-os de volta como lâminas fantasmas.
O som de rasgo ecoou quando um dos fios cortou a bochecha dele.
— Você tá se segurando? — ela gritou. — Eu não tô.
Ele tocou o próprio rosto, encarou o sangue nos dedos... e sorriu. Um sorriso fino.
— Então vamos parar de fingir.
Sasuke saltou com brutalidade, e o ar explodiu sob seus pés — ele usava chakra agora, sem contenção. Cada movimento seu era uma ameaça real.
Ela sentia.
Com oKanchi no Jutsu, o chakra dele era como uma chama expandindo, afiada, moldada em intenção.
Ele está entrando em modo de combate total.
Sakura parou de recuar.
Ela puxou o último conjunto de senbons — menores, mais finos, envenenados com uma toxina que só causava dormência por trinta segundos, mas era o bastante. Ela não ia matá-lo — só precisava mostrar que podia, se quisesse.
— Última chance, Sasuke — ela disse, a respiração entrecortada. — Não me subestime.
Os olhos dele brilharam.
O próximo choque seria definitivo.
O ar vibrou quando os senbons de Sakura cruzaram o campo. O primeiro ricocheteou no chão, o segundo passou raspando pela orelha de Sasuke, e o terceiro ele desviou com a kunai — o metal tinindo contra metal num estalo agudo. Mas foi o quarto, o que vinha em curva por trás, que quase o pegou. Só o som cortante o alertou a tempo. Ele torceu o corpo no último instante, fazendo a lâmina atravessar sua camisa e arranhar a pele da costela.
Sasuke parou, o peito arfando.
— Se fosse veneno real... você teria me retardado por três segundos — disse, os olhos semicerrados, a voz mais baixa — Bom.
Sakura apertou os punhos. Ainda sentia o chakra dele — Kanchi no Jutsu pulsava em sua mente, como um segundo sentido. Sentia os fluxos se acumularem nos pés dele antes de cada avanço, quase como ondas antes de um maremoto. Mas mesmo com essa vantagem, o Sharingan lia seus movimentos antes que ela os concluísse. E isso a deixava furiosa.
Mas foi então que uma figura loira interrompeu a tensão.
— Já chega! — gritou Naruto, entrando no campo de treinamento como uma explosão.
Sasuke virou-se num estalo.
— Saia daqui, idiota!
E antes que qualquer um pudesse reagir, Sasuke avançou. Um chute rápido atingiu Naruto no peito, jogando-o para trás contra uma árvore.
— Tsc. Fraco como sempre.
— SASUKE! — rugiu Sakura, a raiva queimando tão viva quanto o chakra em seu peito.
Ela sumiu.
Sasuke virou a cabeça tarde demais — e o impacto do soco da garota o lançou três metros para o lado. Ele rolou no chão, surpresa e dor estampadas no rosto. Mas Sakura não parou por aí. Naruto estava se levantando, limpando a boca ensanguentada com as costas da mão.
— E você! — gritou ela, os olhos brilhando de raiva — Quem você pensa que é pra achar que precisa me proteger?!
— Eu só não queria que ele te machucasse, Sakura-chan!
Ela o acertou também — uma rasteira baixa que o desequilibrou, seguida de uma joelhada no estômago que o deixou sem ar. Naruto caiu de joelhos, gemendo.
Agora os três estavam no campo. Cercados de poeira e folhas soltas. As marcas das lutas cobriam o chão. Roupas rasgadas, suor escorrendo. O ar parecia eletrificado.
Sasuke levantou, rindo baixo.
— Parece que você ainda tem muito pra mostrar, Sakura.
— E vocês dois ainda não entenderam nada — respondeu ela, os olhos focados, frios — Não sou a mesma menina que vocês ignoravam na academia.
Naruto cuspiu no chão, se posicionando.
— Então me mostra, Sakura-chan!
Sasuke avançou primeiro. Sakura sentiu. O chakra dele se acumulava nos braços — um ataque direto. Mas no momento em que ele saltou, ela já havia formado os selos e desaparecido —Kawarimi no Jutsu— o Sasuke acertou apenas uma pedra, enquanto a verdadeira Sakura surgia à esquerda, os dedos já lançando um novo trio de senbons, desta vez mirando nas articulações.
Naruto apareceu entre eles —Kage Bunshin no Jutsu— três cópias giraram ao redor dela, tentando distraí-la. Mas ela usou oKanchi no Jutsude novo, sentindo quais chakras eram reais — girou o corpo e desferiu uma cotovelada certeira no Naruto original, interrompendo o jutsu.
— Vocês confiam demais em seus olhos. Eu sinto vocês.
Sasuke já estava atrás dela. O som cortante de sua kunai passou rente ao pescoço de Sakura — mas ela se abaixou e, girando, chutou a perna de apoio dele. Ele caiu, mas se recuperou num rolamento, os olhos brilhando em vermelho vivo.
— Impressionante... — disse ele, ofegante.
Naruto pulou de volta para a briga. Agora os três estavam em movimento ao mesmo tempo — como um triângulo instável de chakra e tensão. Senbons cruzavam o ar. Kunais tilintavam. Naruto criou mais dois clones para forçar Sasuke a recuar. Sakura usava o campo a seu favor, saltando sobre troncos, usando a altura para lançar ataques de cima, lendo o chakra dos dois como quem lê mapas em chamas.
— Não pensem que vou me segurar porque somos do mesmo time! — gritou ela.
Um senbon passou rente ao rosto de Naruto. Outro se cravou no ombro de um clone, desfazendo-o em fumaça. Sasuke tentou flanquear os dois, mas Sakura girou no ar, arremessando uma sequência de oito senbons — cada um seguindo um padrão diferente, como se dançassem. O Sharingan conseguiu prever sete. O oitavo, ele bloqueou com a lâmina — um golpe limpo, mas suado.
Ela quase o acertou de verdade.
Naruto pulou no meio do caos, tentando separar os dois.
— Parem! Isso é ridículo!
— Se você atrapalhar de novo — rosnou Sasuke — vou te tirar do caminho.
— Tenta — rebateu Naruto, com um sorriso feroz.
— Venham então! — gritou Sakura, olhos fixos, o chakra fervendo sob a pele — Mostrem o quanto ainda têm que crescer!
E assim, o campo virou um vórtice.
Três ninjas. Um embate. Nenhuma piedade.
Os três estavam em plena guerra, seus corpos ágeis e explosivos se movendo entre o som das kunais cortando o ar e o cheiro de terra e suor. O campo de treinamento, que antes era um local calmo e silencioso, agora parecia um campo de batalha caótico. Sakura, Sasuke e Naruto estavam completamente imersos na luta, e qualquer hesitação poderia ser fatal.
Naruto atacou novamente, utilizando uma técnica que ele sabia que poderia atrapalhar Sasuke:Kage Bunshin no Jutsu. Ele se multiplicou em uma explosão de clones, criando pelo menos cinco cópias que cercaram Sakura. As sombras de Naruto se moviam rapidamente, e o som de suas vozes se sobrepunha, tentando confundir a visão e o foco de Sakura.
Mas Sakura não se intimidou. Ela sentia o chakra de cada um deles claramente. A assinatura energética de Naruto era inconfundível, e sua energia se espalhava desordenadamente pelas cópias. Ela os ignorou e se concentrou. Os clones de Naruto não a afetariam — ela sabia distinguir o verdadeiro de todos os outros. Quando o clone se aproximou, ela o desfez com um golpe preciso de senbon, o ferro perfurando o chakra dele e o dissipando em fumaça.
Sasuke aproveitou a brecha, lançando-se à sua frente com um movimento tão rápido que quase a pegou de surpresa. O Sharingan brilhou intensamente, e ela sentiu a pressão aumentar. Mas não era suficiente para enganá-la. Seu corpo se contorceu para trás num movimento acrobático, conseguindo escapar por um triz. Ela preparou outra senbon, mirando diretamente nos pontos vitais dele — o pescoço, os pulmões, o coração.
Mas Sasuke antecipou o movimento e, num reflexo quase instantâneo, ele girou no ar, bloqueando a lâmina com sua kunai. O metal se chocou com força, e o som estridente ecoou. Sakura sentiu a dor na palma da mão pela força do impacto, mas não teve tempo para se distrair. Ela logo saltou para trás, aterrissando de forma impecável.
Sasuke não perdeu tempo. Ele avançou novamente, utilizandoKaton: Goukakyuu no Jutsu— uma poderosa bola de fogo que disparou direto em direção a ela. O calor era imenso, e o ar parecia distorcer à medida que as chamas aumentavam. Mas Sakura, sentindo a intensidade do chakra se formar nos pés de Sasuke antes mesmo de ele liberar o jutsu, já havia preparado sua defesa. Ela formou os selos rapidamente e usou oKawarimi no Jutsunovamente, trocando de posição com um tronco próximo, escapando do ataque de fogo em um segundo.
Naruto, vendo a chance, saltou para a frente, uma kunai em cada mão. Ele não estava mais usando clones. Ele estava concentrado. Seus olhos estavam focados, e ele correu em direção a Sasuke, atacando com uma velocidade surpreendente. Sasuke o viu chegando, e com um movimento ágil, ele se virou e parou o golpe com um simples movimento de sua kunai. Porém, Naruto não desistiu. Ele girou, contra-atacando com um chute que pegou Sasuke no estômago e o empurrou para trás.
Mas Sasuke já estava se recompondo. Ele se levantou com rapidez, seu olhar fixo e calculador. O Sharingan não deixava margem para erros.
— Idiota — disse Sasuke, antes de lançar um golpe rápido com a kunai, tentando atingir Naruto no peito. Mas ele subestimou a habilidade de Sakura.
— Isso não vai acontecer, Sasuke! — gritou Sakura, saltando na frente de Naruto, desferindo um soco direto no peito de Sasuke, com umChakra no Tsuruque a fez acertar o golpe com precisão letal. O impacto foi forte o suficiente para fazer Sasuke cambalear, mas ele se recompôs rapidamente, seus olhos agora completamente cerrados.
— Você realmente não sabe quando parar, né, Sakura? — Sasuke sibilou, sua voz gelada.
Sakura não hesitou. Ela se lançou para frente com o máximo de força que conseguiu reunir, fazendo um movimento contínuo com as mãos. As senbons estavam preparadas, a precisão que ela havia desenvolvido ao longo de seu treinamento com Yakushi agora sendo posta em prática.
Ela atirou os senbons, um após o outro. Sasuke desviou de três, mas o quarto acertou um de seus ombros, e o quinto acertou sua perna direita. Ele gritou de dor, mas ainda estava de pé.
— Bom... mas não bom o suficiente. — Sasuke estava ofegante, seus olhos rubros intensos, mas ele ainda se movia com uma velocidade assustadora.
Sakura estava exausta, mas sua determinação a mantinha firme. Não podia permitir que ele a superasse, não depois de tudo o que ela havia passado.
Naruto, finalmente se recompondo, partiu para um ataque combinado. Ele saltou para frente e, com um grito, desferiu uma série de socos rápidos e imprecisos contra Sasuke, tentando interromper seu foco. Sasuke, com os olhos atentos, parou o ataque de Naruto com facilidade, mas foi surpreendido por um ataque lateral — Sakura apareceu de novo, com um movimento brusco, saltando com umTsuutenkyaku, o golpe no ar atingindo Sasuke com força.
A força do impacto foi tão grande que Sasuke finalmente perdeu o equilíbrio, caindo no chão.
Mas isso não significava vitória. Nem de perto.
Sasuke rolou para trás, se afastando rapidamente, sua respiração pesada. Os dois estavam juntos agora, Sakura e Naruto, lado a lado, prontos para um novo ataque.
Sakura olhou para Naruto. Seus olhos estavam fixos, e ela sabia o que precisava fazer. A luta não tinha mais volta. Eles estavam na mesma página agora.
— Vamos terminar com isso — disse Sakura, determinada. A confiança que ela sentia em seus movimentos, no controle do chakra, nas estratégias que ela já havia aprendido durante seu treinamento, agora a guiava.
Naruto sorriu, sua energia renovada.
— Está pronto, Sasuke?
Sasuke apenas sorriu de volta, sua expressão mais feroz do que nunca. Ele não daria a vitória facilmente.
Sakura sentia o peso de cada respiração em seus pulmões, a tensão no ar crescendo a cada segundo. A luta havia chegado a um ponto crucial. Ela podia ver a determinação nos olhos de Sasuke, e isso só aumentava sua urgência. Seu corpo estava exausto, as mãos tremendo levemente enquanto ela se preparava para o próximo movimento, mas sua mente estava clara, mais clara do que nunca. Ela tinha que vencer, não só por ela, mas também para provar que não era apenas a "garota" do time. Não seria mais subestimada.
O som de seus próprios batimentos cardíacos parecia ensurdecedor enquanto ela analisava cada movimento de Sasuke. Ele estava ali, parado à sua frente, com o cabelo bagunçado e a expressão desafiadora. OSharinganpiscava, os olhos dele fervilhando de energia, esperando a próxima ação.
Naruto estava ao seu lado, mais uma vez, pronto para atacar. Eles estavam juntos agora, como nunca antes. Ele era imprevisível, como sempre, mas seu espírito era inquebrantável, e essa energia se fundia à sua. Era como se ela sentisse o chakra dele se intensificando, um campo vibrante de energia que a envolvia. Ela sabia que ele confiava nela, assim como ela confiava nele, mas o que realmente importava era o que ela poderia fazer por si mesma neste momento.
"Sasuke," pensou, "você me subestimou demais."
O medo que ela sentira antes, aquele pequeno lampejo de dúvida, parecia tão distante agora. Sakura tinha aprendido tanto, não apenas sobre ninjutsu, mas sobre quem ela realmente era. Ela sentia seu chakra fluindo com uma intensidade que jamais imaginara. O treinamento com Yakushi a havia forçado a explorar seus limites, mas também a fizera descobrir forças que ela não sabia possuir. E agora, ao lado de Naruto, ela sentia que podia enfrentar qualquer coisa.
Sasuke, por sua vez, estava se recuperando rapidamente, seu olhar implacável fixo nela. Ele não estava brincando. Ele nunca brincava, não com algo tão importante quanto essa luta.
Naruto se lançou à frente, sua velocidade impressionante. Ele saltou com os punhos fechados, mas Sasuke já se preparava para se esquivar. Porém, Sakura não deixaria que ele escapasse dessa vez. Ela tomou a frente, saltando para a lateral de Sasuke com a agilidade de uma felina, suas mãos moldando os selos de chakra em um ritmo constante, treinado, preciso.
"Kanchi no Jutsu."
Ela sentia o chakra de Sasuke se acumulando na base de seus pés, uma assinatura que ela reconhecia agora com facilidade. Ele estava preparando algo, ela sabia disso antes mesmo de ele se mover. Mas não era o suficiente. Não seria.
Com um movimento rápido, ela lançou uma série de senbons diretamente em sua direção. Sasuke, com sua velocidade sobre-humana, conseguiu desviar de dois deles, mas o terceiro acertou sua coxa, fazendo-o cambalear levemente. Um pequeno sorriso se formou nos lábios de Sakura. Ela não era mais a mesma de antes. Ele podia ser rápido, mas ela também havia aprendido a ser rápida. E mais importante, ele não a havia vencido.
Sasuke se afastou, a dor claramente visível em seus olhos. Não por muito tempo. Ele rosnou, como se estivesse se preparando para lançar algo ainda mais destruidor. O chakra dele aumentava a cada segundo, e ela soubera o que viria a seguir.
Ele usou oKaton: Goukakyuu no Jutsu, e o mundo à sua volta parecia se aquecer instantaneamente, o ar se tornando irrespirável enquanto a bola de fogo avançava na direção de Sakura. Ela não hesitou. No momento exato, ela saltou para o lado, sentindo a vibração do chakra de Sasuke mesmo antes dele liberar o jutsu. A explosão de chamas queimou o ar ao redor dela, mas ela estava em movimento, já longe o suficiente para não ser pega pelo calor.
Ela girou no ar, aterrissando com precisão. Sasuke estava se movendo novamente, rápido demais. Ela podia ver seus movimentos se tornando cada vez mais predatórios. Mas ela estava preparada.
Naruto, percebendo a brecha em Sasuke, avançou também. Ele não perderia a chance. Como sempre, ele era impulsivo, mas naquele momento, Sakura estava ao lado dele, e sua confiança mútua parecia imbatível.
— Vai ser agora! — gritou Naruto, saltando com uma kunai na mão.
Mas Sasuke, mais uma vez, não era surpreendido. Ele bloqueou o ataque de Naruto com um único movimento, antes de desferir um golpe rápido em direção ao peito de Naruto. Sakura não poderia deixar isso acontecer.
Com um grito, ela se lançou para frente, seu corpo se movendo com a velocidade de um relâmpago.
O golpe aéreo foi direto no peito de Sasuke, e o impacto foi forte o suficiente para jogá-lo para trás, fazendo-o perder o equilíbrio por um momento. Sakura não deu espaço para ele se recompor. Ela seguiu em frente, seus olhos fixos nele, seus pensamentos rápidos como o vento.
"Eu não sou fraca."
A lembrança do treinamento que passou por sua mente em um flash. Ele havia sido implacável, exigindo dela o melhor. E agora, ela sentia que todas aquelas horas de prática estavam se concretizando em um só movimento, em cada golpe e em cada contra-ataque. Ele não poderia mais subestimá-la.
Ela sabia que Sasuke iria se levantar, e ela estava pronta. Ele era forte, mas ela estava determinada. Determinada a mostrar a ele o que significava lutar com tudo o que ela tinha. E naquele momento, ela não sentia medo. Só uma pura e inabalável vontade de vencer.
Ela não olhou para Naruto, mas soubera que ele estava ali, lado a lado com ela, igualmente determinado. Eles haviam passado por muitas coisas juntos, e juntos, eles venceriam.
O próximo movimento de Sasuke viria em breve, mas ela estava pronta para enfrentá-lo.
Ele não sabia, mas o jogo havia mudado.
Sakura observava atentamente, cada movimento de Sasuke como se fosse uma linha de código prestes a ser decifrada. Ele estava recuando um pouco, talvez pela dor do golpe que ela acabara de desferir, mas não havia dúvida de que ele ainda estava em plena condição de lutar. O brilho nos olhos dele, aquela chama intensa doSharingan, estava em plena ação, e sua postura estava tensa, esperando o momento certo para revidar.
Naruto, ao seu lado, continuava a mostrar sua confiança inabalável, como sempre fazia. Ele havia ficado para trás por um momento, tentando recuperar o fôlego após o golpe de Sasuke. Mas mesmo em sua recuperação, o chakra de Naruto parecia vibrar no ar, pulsando com uma energia que ela sempre sentia quando ele estava por perto. Juntos, eles eram um time. Mas agora, Sakura sabia que dependia dela. Ela não era mais a menina fraca que ficava para trás. Ela era alguém que podia proteger seus amigos.
De repente, Sasuke se moveu com uma rapidez estonteante. Sua figura borrava à medida que ele avançava na direção de Naruto, uma série deShurikensurgindo de sua mão, girando com uma precisão mortal. Naruto se desviou com um salto acrobático, mas não o suficiente. Uma lâmina cortou seu ombro, fazendo-o vacilar por um segundo. Foi o suficiente para Sasuke avançar, já pronto para um golpe mais definitivo.
— Não! — Sakura gritou, sentindo o pânico crescendo em sua garganta.
Ela não iria deixar que ele fosse atingido. Nunca mais. Com os olhos fixos na cena diante dela, Sakura concentrava todo seu chakra. Ela moldou os selos rapidamente, preparando-se para uma manobra ousada, um ataque que ela sabia que poderia surpreender Sasuke. Com um impulso, ela lançou-se em sua direção, usando oKawarimi no Jutsuno último segundo, se trocando por uma tora que estava escondida desde o início do confronto.
Enquanto ela se posicionava, seus olhos rastrearam o movimento de Sasuke. Ele já estava à frente de Naruto, prestes a desferir um golpe fatal. Ela não hesitou.
— Shannaro— Gritou, disparando uma chuva de agulhas de forma completamente inesperada.
Sasuke não teve tempo de esquivar completamente. Embora ele conseguisse desviar de parte delas, um dossenbonscortou a lateral de sua perna, fazendo-o cambalear. O ataque tinha sido perfeito, mas não suficiente para derrotá-lo de uma vez.
Naruto, recuperando-se rapidamente, se preparou para retomar a ofensiva. Ele estava se movendo para se reposicionar, os punhos prontos para lançar outro golpe. A tensão no campo de batalha era palpável, e Sakura sabia que mais um movimento e os dois poderiam realmente desferir o golpe decisivo. Mas justo quando parecia que eles iriam finalmente levar Sasuke ao limite, o ambiente ao redor deles mudou.
A atmosfera ficou mais pesada, o chakra de alguém familiar tomou conta do campo de batalha. O som de folhas movendo-se ao vento foi o primeiro indício, mas o chakra que se espalhou pela área indicava que era alguém de altíssimo nível.
Sakura, com os olhos atentos, não pôde deixar de reconhecer a presença. Não muito longe, uma figura de capa e máscara apareceu, silenciosa como uma sombra. Kakashi. Ele estava ali, de pé, com a mesma expressão tranquila, mas o poder em sua presença era inconfundível.
— O suficiente, vocês dois. — Sua voz soou calma, mas firme, cortando a tensão como uma lâmina.
Sasuke, que estava prestes a avançar novamente, parou ao ouvir a ordem. Ele se virou lentamente, encarando Kakashi com uma expressão impassível. Naruto, por outro lado, parecia frustrado, os punhos ainda cerrados.
— Sensei... — Naruto começou a protestar, claramente irritado por ter sido interrompido. — Estamos quase lá!
Kakashi, no entanto, não demonstrou nem um sinal de ceder. Ele olhou para Naruto com os olhos cansados, mas também com um toque de autoridade que fez com que o moreno se calasse.
— Essa luta já passou dos limites, Naruto. — Kakashi disse com um tom que não admitia discussão. — Você sabe o que aconteceu na última vez que essas brigas ultrapassaram o controle. Não vamos deixar que isso se repita.
Sakura, que estava ainda ofegante e com o coração acelerado, baixou a guarda, mas seu olhar continuava fixo em Sasuke. Não sabia se sentia alívio ou frustração. A luta estava no auge, e ela estava a um passo de mostrar sua força, mas o fim havia chegado.
Kakashi olhou para os três, seu olhar passando de Sasuke para Naruto, depois para Sakura. Ele não disse nada mais, mas sua presença era suficiente para que os três soubessem que ele estava decidido a acabar com aquela luta ali.
Sasuke, mesmo com seu semblante frio, não contestou. Ele apenas observou Kakashi com os olhos cansados e, em um movimento quase imperceptível, abaixou a guarda. Mesmo ele sabia que não valia a pena lutar contra um shinobi de nível tão alto, e, de certa forma, sabia que algo estava prestes a acontecer.
Naruto foi o último a relaxar, os músculos tensos de frustração. Ele ainda olhou para Sasuke e depois para Sakura, mas sabia que não havia mais nada a fazer.
Sakura, embora ainda com o coração acelerado e a respiração descompassada, sentiu uma sensação estranha de realização. Não era só pela luta em si, mas pela maneira como se posicionara. Não se importava mais em ser vista apenas como a "garota" do time, ou a que precisava de proteção. Ela havia dado um passo significativo para se afirmar não apenas como uma aliada, mas como uma força por si mesma. E aquele foi o primeiro momento, mesmo que instintivo, em que ela realmente sentiu que os outros — Sasuke, Naruto, até Kakashi — começaram a reconhecê-la. Não só como uma amiga ou colega, mas como uma ninja. Uma ninja forte.
Naruto, por outro lado, estava frustrado. Não pelo fato de a luta ter acabado, mas porque sentia que ainda tinha algo a provar — não apenas a Sasuke, mas a si mesmo. Ele queria mostrar que não era apenas o "da-para-rir", o imaturo. Ele queria provar que podia lutar ao lado de Sakura e Sasuke, sem ser subestimado. A interrupção de Kakashi o fez pensar que talvez ele estivesse sendo um pouco impetuoso, mas, ao mesmo tempo, ele sabia que a briga entre os três ainda não tinha acabado. Aquela tensão, aquela chama interna que o impelia a lutar, continuava lá, sempre alimentada pelo desejo de melhorar, de não ser deixado para trás. De ser alguém digno de estar ao lado de Sasuke e Sakura.
Mas ele também sentia algo mais — uma estranha sensação de que havia algo a mais naquela luta, além do que ele conseguira entender até então. Ele nunca tinha visto Sakura lutar com tanta determinação, tanta confiança. Isso mexeu com ele, mais do que gostaria de admitir. Ela estava ficando mais forte, mais capaz, e isso o fez pensar no que ele mesmo precisava fazer para acompanhar esse ritmo. Para acompanhá-la.
Sasuke, o mais quieto dos três, mantinha sua postura fria, mas não conseguia esconder o olhar de leve reconhecimento que lhe escapou durante o confronto. Sakura havia sido mais do que uma mera distração ou apoio. Ela o havia surpreendido. Não era só força bruta, era a estratégia, a precisão, a intenção por trás de cada movimento. Quando ele bloqueou osenboncom a kunai, ele quase sentiu um leve arrepio. Ela quase o alcançara. Quase. O pensamento de que ela poderia ter o atingido com aquele ataque o fez pensar — ele havia subestimado ela, sim, mas ao mesmo tempo, sabia que ela havia evoluído muito. Talvez mais do que ele mesmo soubesse ou estivesse disposto a admitir.
Por mais que ele tentasse manter sua fachada indiferente, havia uma nova percepção de Sakura em sua mente. Ele não a via mais como a mesma garota que, em um passado distante, ele tinha que proteger. Ela tinha se tornado uma adversária à altura, alguém capaz de ficar ao lado dele e de Naruto, alguém que não dependia deles para lutar. E, de alguma maneira, isso mexeu com ele. Ele não gostava de admitir, mas aquilo havia quebrado alguma parede dentro de si.
Kakashi observou os três com um olhar atento, como se tivesse percebido tudo o que estava acontecendo ali, mesmo sem precisar dizer uma palavra. Ele sabia que a luta não acabava com a interrupção dele — na verdade, era ali que começava. Eles estavam no começo de algo maior, algo que, para ele, parecia óbvio. Para Sakura, para Naruto, para Sasuke, a batalha entre eles não se limitava a golpes e ataques. Eles estavam lutando, mas também estavam se encontrando.
A caminhada de volta até a vila foi silenciosa, mas o clima entre os três havia mudado. Não havia mais o mesmo distanciamento entre eles, nem as velhas divisões. As diferenças ainda estavam ali, é claro — Sasuke ainda era o distante e focado, Naruto o impetuoso e cheio de energia, e Sakura... bem, Sakura estava se encontrando. Mas, pela primeira vez, ela podia ver que havia um vínculo ali. Algo que eles estavam construindo, ainda que aos poucos. Não era mais uma luta por superioridade, mas sim uma luta para se entender, para aprender um com o outro, e, de certo modo, se respeitar.
Kakashi, enquanto caminhava ao lado deles, sabia que esse tipo de experiência — esses choques de personalidade, essas tensões — eram necessários para que o verdadeiro vínculo de time fosse formado. Ele havia visto isso antes, e sabia que, quando eles finalmente se entendessem, quando suas forças e fraquezas se harmonizassem, esse time seria imbatível.
Ao olhar para os três, ele se permitiu sorrir por um breve momento, algo que poucos viam. Não era um sorriso de vitória, mas de expectativa. Eles estavam no caminho certo, e embora o futuro ainda fosse incerto, ele sabia que, a partir daquele momento, algo havia mudado.
Sakura, ao seu lado, sentia a mudança em seu interior. Ela sabia que as lutas continuariam, mas o que importava era que ela finalmente tinha encontrado seu lugar, ao lado de Naruto e Sasuke. E, talvez, para ela, esse fosse o maior triunfo de todos.
