O sol da manhã banhava as ruas de Konoha com uma luz dourada e suave, dissipando os últimos traços do frio noturno. A vila estava em plena atividade — mercadores abrindo suas tendas, shinobi correndo pelos telhados, crianças rindo nas esquinas. E entre os tantos que caminhavam, três figuras se destacavam.

Naruto vinha na frente, pulando em cada sombra do chão como se fosse uma armadilha invisível.

— Eu ainda acho que deviam ter deixado eu levar meu cartaz com "Futuro Hokage"! Ia intimidar os outros candidatos logo de cara!

— Ia chamar atenção pelos motivos errados — respondeu Sasuke, mãos nos bolsos, expressão relaxada mas alerta.

Sakura os acompanhava com um sorriso discreto, o pergaminho de Yakushi bem guardado no bolso interno da blusa. Apesar da animação, seu olhar percorria a vila como se estivesse absorvendo tudo com mais profundidade. Cada passo a lembrava: ela estava prestes a cruzar uma nova fronteira.

— Então... é isso mesmo, né? Vamos entrar nos Exames Chuunin — disse ela, mais para si do que para os dois.

Naruto parou, virando-se com os braços erguidos como se estivesse prestes a soltar um discurso.

— É claro que vamos! E vamos mostrar que o Tim melhor! Hmph, imagina só... os três promovidos de uma vez!

Sasuke deu de ombros, mas havia um brilho no olhar dele.

— Só espero que não sejam todos tão fracos quanto os que encontramos nas últimas missões.

Sakura arqueou uma sobrancelha, encarando-o.

— Você fala como se já fosse um chuunin.

— Eu só me comporto como um — respondeu ele, sem ironia, mas sem arrogância também.

Naruto riu, alto.

— Tá se achando, Sasuke! Mas vamos ver se você ainda vai falar assim quando eu te deixar comendo poeira!

Sakura observava os dois trocando provocações, mas havia algo diferente agora. Eles não pareciam tão distantes. Aquele confronto dias atrás... aquilo os abalou, sim — fisicamente e emocionalmente — mas também os ajustou. Como peças de engrenagens que finalmente se alinhavam.

E talvez fosse isso o que mais a surpreendia. Ela não sentia mais que precisavaalcançá-los. Agora, queriaestar ao lado deles— e isso era mais poderoso do que qualquer jutsu aprendido.

A entrada do prédio da Academia se erguia à frente deles como uma lembrança dos primeiros dias — quando eram apenas três genins tentando sobreviver às tarefas mais banais. Sakura parou um instante nos degraus, os olhos passando pelas paredes familiares.

— Engraçado... parece que foi ontem que a gente estava aprendendo a lançar kunai aqui — murmurou ela.

— E você quase acertou minha orelha — disse Naruto, sem perder a chance de lembrar.

— E você errou o alvo seis vezes seguidas — retrucou ela, sorrindo.

Sasuke já estava alguns degraus acima, olhando para a porta com calma, mas com o corpo tenso — pronto para o que viria.

— Vamos. A sala 301 nos espera.

Sakura respirou fundo e seguiu. Naruto se apressou ao lado dela, e juntos, os três atravessaram a porta da academia, os passos ressoando pelo corredor como tambores de guerra suaves.

Sabiam que não seriam os únicos. Que os melhores genins de outras vilas estariam ali. Que teriam de se enfrentar, provar valor, suportar pressão. Mas naquele momento, enquanto subiam juntos os degraus que levavam ao segundo andar, algo era certo:

Eles eram o Time 7. E estavam prontos.

O corredor do segundo andar estava mais silencioso do que deveria. À medida que Naruto, Sakura e Sasuke se aproximavam da porta da sala 301, sons abafados de vozes exaltadas começaram a se tornar nítidos — e em meio a eles, a risada forçada de alguém tentando parecer ameaçador.

— Vocês são muito fracos pra sequer tentarem os Exames Chuunin — dizia um dos dois genins à frente da porta. Seus uniformes eram discretos, sem distintivos de vila visíveis. Um deles estava com os braços cruzados, bloqueando a passagem. O outro girava uma kunai entre os dedos, com um sorriso provocador.

Na frente deles, três ninjas estavam acuados. Um garoto de sobrancelhas absurdamente grossas e cabelo em tigela estava agachado, com expressão dolorida. Uma garota de cabelos curtos observava em silêncio, claramente irritada, mas contendo-se. Ao lado dela, um garoto mais alto de olhos semicerrados parecia entediado, como se aquela situação fosse apenas uma inconveniência menor.

— Por favor... não queremos confusão — disse a garota.

— Isso não é confusão, é um favor — riu o genin da kunai. — Se não conseguem sequer passar por aqui, melhor desistirem logo.

Naruto já avançava, bufando de indignação.

— Ei! Quem vocês acham que são?!

— Naruto — advertiu Sasuke, o olhar fixo nos dois genins à frente da porta. — Espera.

Os olhos de Sasuke haviam detectado algo errado. O chakra deles... não combinava com o que seus movimentos deixavam transparecer. Era mais contido. Mais refinado. Estavam fingindo. E os três ali no chão... não pareciam exatamente derrotados.

Sasuke deu um passo à frente, firme, e falou sem elevar a voz:

— Vocês não são genins comuns, e isso aqui é uma encenação.

Os dois à porta trocaram olhares. A kunai parou de girar. O de braços cruzados ergueu um canto da boca.

— E o que vai fazer, garoto esperto?

Sasuke não respondeu. Sumiu em um piscar de olhos.

Kanchi no Jutsu ativado num impulso, Sakura sentiu o chakra de Sasuke se acumular nos pés antes do movimento — um salto ágil, direto para o flanco do inimigo. Um golpe preciso foi desferido, mirando o ombro do genin da kunai, que se virou a tempo, mas não com rapidez suficiente. O impacto ecoou seco, empurrando-o para trás.

O segundo genin tentou intervir, mas então — como um vulto surgindo da poeira — o garoto das sobrancelhas grossas saltou entre eles.

— Isso já é suficiente — disse Rock Lee, sua voz surpreendentemente firme.

O salto dele foi tão veloz que Sakura quase perdeu o rastro mesmo com o sensoriamento ativado. Ele se colocou entre Sasuke e os dois genins como uma muralha, os braços erguidos num estilo de taijutsu perfeitamente formal.

Os outros dois genins riram, como se aquilo fosse parte do plano.

— Já chega, Lee — disse a garota de cabelos curtos, avançando com passos firmes. — Eles não vão cair nessa ilusão de nível básico. A maioria não cai.

Aos poucos, a "tensão" no corredor se dissipava. Os dois "inimigos" desfizeram o Henge no Jutsu — revelando-se como ninjas mais velhos, provavelmente chuunins disfarçados.

— Teste de percepção — explicou o mais alto, dando de ombros. — Os Exames não perdoam os distraídos.

Sakura apertou os olhos. O coração ainda batia forte, o corpo pronto pra uma luta que não veio. Mas mais do que a adrenalina, era a surpresa com Lee que a prendia. Ele estivera todo curvado no chão... e num instante, se transformara num ninja veloz, técnico, firme.

Sasuke o observava com uma curiosidade contida.

— Você é rápido — disse, direto.

Lee virou-se com um sorriso que contrastava com o momento anterior.

— E você é perceptivo. Isso é bom. Vamos nos enfrentar mais tarde, com certeza.

Sakura notou algo nos olhos de Lee. Uma faísca — não arrogância, mas convicção. Ele não se importava em parecer estranho, ou fraco. Ele queria apenas provar seu valor. De alguma forma, ela entendeu. E respeitou.

Naruto coçava a cabeça, visivelmente confuso.

— Mas peraí, por que a gente tá lutando antes mesmo de entrar na sala?!

Sasuke já caminhava em direção à porta 301, agora livre.

— Porque issojáfaz parte do exame — respondeu, sem se virar.

Sakura seguiu logo atrás, e ao cruzar a porta, sentiu novamente aquela onda: como se estivesse atravessando uma fronteira invisível. A sala estava cheia. O ar era denso com a presença de dezenas de genins de diferentes vilas. Mas ela não recuou.

Ela estava pronta. Eles estavam prontos.

O ambiente se acalmou instantaneamente. Todos estavam em silêncio, observando aquele garoto como se ele fosse uma espécie de líder improvisado. E, em um certo sentido, ele era. Ele parecia ter o controle de tudo ao seu redor.

Foi então que ele se virou para Sasuke, com o sorriso ainda mais largo no rosto. "Você aí! O cara que parece ser forte! Vamos lutar! Quero ver do que você é capaz!"

Sasuke não respondeu imediatamente. Ele olhou para o garoto com um olhar que poderia ser descrito como indiferente, mas havia algo em seu rosto que me dizia que ele não estava nada confortável. Eu sabia que ele ainda estava lidando com os efeitos da luta da noite passada. Mas o garoto parecia não perceber isso. Ele continuava a olhar para Sasuke com uma expectativa quase infantil.

"Você acha que pode me derrotar?" O garoto continuou, sem hesitar. "Eu sei que você tem potencial! Vamos lutar! Vai ser divertido!"

Eu podia ver claramente no rosto de Sasuke o conflito interno. Ele estava cansado, visivelmente desgastado pela noite de ontem, e estava longe de ser o Sasuke que todos conheciam, aquele que sempre respondia aos desafios com um brilho no olhar. Mas esse garoto, com toda a sua energia, não estava dando trégua.

"Vai lá, Sasuke," disse o garoto, quase como um comando. "Você não vai se esconder para sempre. Vamos ver do que você é realmente capaz!"

Sasuke suspirou, uma expressão vazia e cansada, mas mesmo assim aceitou o desafio. A luta estava prestes a acontecer, mas eu podia sentir a relutância dele. Ele não queria aquela luta, e, sinceramente, eu não sabia se ele estava em condições de participar dela. Mas não era algo que ele pudesse evitar agora. A tensão estava no ar.

Antes que eu pudesse dizer algo, o garoto já estava se posicionando para o combate. E, por mais que eu quisesse intervir, sabia que Sasuke não queria a minha ajuda. Ele estava sempre tão orgulhoso, e talvez fosse esse orgulho que o motivava, mais do que qualquer outra coisa.

Eu fiquei parada ali, observando. Não sabia o que esperar, mas sabia que o Sasuke estava em um ponto em que qualquer coisa poderia acontecer. Aquela luta, por mais desnecessária que fosse, agora era algo inevitável. O garoto estava pronto para desafiar Sasuke de qualquer maneira, e eu só poderia assistir.

Eu torcia para que Sasuke conseguisse lidar com a situação, mas uma parte de mim sabia que as coisas não seriam tão fáceis quanto ele gostaria de acreditar.

Eu estava parada ali, observando. Não sabia o que esperar, mas sabia que o Sasuke estava em um ponto em que qualquer coisa poderia acontecer. Aquela luta, por mais desnecessária que fosse, agora era algo inevitável. O garoto estava pronto para desafiar Sasuke de qualquer maneira, e eu só poderia assistir.

Sasuke avançou com confiança, os olhos fixos no genin de bandana cinza que. Era óbvio que o cara estava blefando — sua postura era frouxa, e o chakra que exalava não tinha o refinamento de um verdadeiro veterano. Mas ainda assim, o instinto de Sasuke clamava por ação. Ele lançou um golpe rápido, direto ao peito do oponente.

No entanto, antes que o impacto acontecesse, uma figura surgiu entre eles como um raio de jade.

— Por favor, não faça isso! — a voz foi firme, mas educada.

O chute veio logo em seguida — veloz, limpo e preciso — e forçou Sasuke a recuar três passos, os olhos arregalados em surpresa. O atacante, que até então estava ajoelhado no chão parecendo desorientado, agora mantinha uma postura sólida. Cabelos negros penteados para trás, sobrancelhas grossas, o uniforme verde e a bandana presa como faixa: Rock Lee.

Sakura piscou, surpresa. Aquela era a mesma figura que ela vira minutos antes sendo praticamente ridicularizada? A mudança foi tão brusca que sua sensorialidade demorou a reconhecer o chakra concentrado com precisão nos membros inferiores de Lee. Ele não era apenas rápido — era absurdamente veloz.

— Meu nome é Rock Lee — disse ele, erguendo o polegar com seriedade dramática. — E eu sou o shinobi mais forte que usa apenas taijutsu!

Sasuke, ainda se recompondo do contragolpe, estreitou os olhos. O Sharingan não havia sido ativado, mas sua percepção já notara algo fora do comum. Aquela velocidade... não era normal para alguém que parecia tão simples.

— E o que você quer com isso? — perguntou Sasuke, em tom seco.

Lee se virou para ele com uma reverência elegante, como se estivesse diante de um mestre.

— Eu gostaria de desafiá-lo para um duelo, Uchiha Sasuke. E também você, Sakura-san!

Ela franziu o cenho, surpresa por ser mencionada.

— Eu...?

— Sim! — ele sorriu, uma leve cor ruborizando suas bochechas. — Desde que a vi no corredor, meu coração bateu mais forte. Sakura Haruno, você é adorável como uma flor de cerejeira na brisa da primavera. Por favor, permita-me lutar para conquistar seu coração!

Naruto, com o orgulho ferido e a raiva fervendo sob a pele, não aguentou ver Lee ignorá-lo completamente. O fato de ele só querer lutar com Sasuke — como se o resto fosse irrelevante — o fez cerrar os punhos.

— Ei! Eu também sou um ninja, sabia?! — gritou, avançando com um soco direto.

Lee desviou com facilidade, o corpo se inclinando com a leveza de uma folha ao vento. Com um simples movimento de perna, desequilibrou Naruto e o lançou ao chão. O loiro se levantou resmungando, atordoado mais pela velocidade do que pela dor.

Sasuke observava em silêncio, agora com os olhos fixos em Lee de forma muito mais atenta.

— Você não é comum... — murmurou. — Quero ver até onde vai com isso.

Dessa vez, foi Sasuke quem deu o primeiro passo, os olhos doSharinganativando com um brilho escarlate. Por um momento, pareceu que ele tinha vantagem — ele lia os movimentos, antecipava os ataques. Mas, na prática, não conseguia reagir a tempo. Os golpes de Lee vinham de ângulos baixos, impulsionados pelas pernas treinadas exclusivamente para velocidade. E Sasuke, mesmo vendo, não podia acompanhar.

— Isso não é genjutsu... — pensou, esquivando-se por pouco de uma sequência de chutes. — E não há selo de mão. Então... não é ninjutsu?

Foi então que percebeu. Era purotaijutsu. E era letal.

A diferença de preparo físico entre eles era clara. Lee estava em outro nível — cada golpe tinha precisão, controle e intenção.

— Mesmo com meu Sharingan... eu não consigo... — Sasuke rangeu os dentes.

Lee então mudou de postura. A faixa em sua cintura balançou, e ele girou com uma força centrífuga repentina. Com um sorriso determinado, anunciou:

— Agora vou usar minha técnica especial:Omote Renge... o Lótus Frontal!

Ele se lançou para frente, o corpo se movendo em espiral, prestes a capturar Sasuke. Mas antes que pudesse completar o ataque, uma grande sombra caiu entre eles com um baque pesado.

— Já chega, Lee — disse uma voz grave.

EraNingame, a tartaruga gigante invocada de Gai, empoleirada de forma surpreendentemente firme no chão do corredor.

— Prometemos que só usaria isso com permissão. Está se esquecendo da disciplina?

Lee caiu de joelhos imediatamente, cabeça baixa.

— Me desculpe, Ningame. Eu me empolguei...

Sasuke ofegava, uma gota de suor descendo pela têmpora. Mesmo sem ter sido atingido pelo Lótus, só o risco já deixava claro: se tivesse sido, ele não estaria de pé agora.

Sakura observava tudo com olhos arregalados. O chakra de Lee ainda queimava intensamente, mesmo enquanto ele se curvava em arrependimento. Não era um truque. Não era uma técnica secreta. Era treino. E dedicação.

O Time 7 ficou estático, observando a estranha tartaruga gigante diante deles — ela permanecia imóvel, de semblante sério, como se fosse a autoridade máxima do local.

— Espera aí... — murmurou Naruto, ainda se levantando com dificuldade. — Não me diga queessatartaruga é o mestre dele?!

— Isso explicaria bastante coisa, na verdade... — comentou Sakura, franzindo a testa, ainda tentando entender o que tinham acabado de testemunhar.

Sasuke, por outro lado, não dizia nada. Os olhos cravados em Lee e a mandíbula travada falavam por si.

Antes que pudessem especular mais, uma figura surgiu num borrão de velocidade, criando uma rajada de vento que balançou os cabelos dos três. O homem vestia um uniforme verde justo, protetores de perna laranja e ostentava um brilho exageradamente branco nos dentes ao sorrir.

—LEE!— gritou, com lágrimas escorrendo dos olhos. —VOCÊ PROMETEU NÃO USAR ESSA TÉCNICA SEM MINHA AUTORIZAÇÃO!

Antes que qualquer um pudesse reagir, Might Guy ergueu o punho e socou o topo da cabeça de Lee com força suficiente para fazê-lo ajoelhar.

— AÍII! — Lee gritou, levando as mãos à cabeça.

Naruto arregalou os olhos.

— O quê?! Ele bateu no próprio aluno?!

— É o mestre dele?! — Sakura perguntou em voz alta, tão chocada quanto confusa.

Mas logo a cena virou completamente.

—VOCÊ ESTAVA TÃO JOVEM, TÃO INTENSO, QUE EU NÃO PUDE FICAR BRAVO!— Guy caiu de joelhos, abraçando Lee num aperto quase sufocante. —VOCÊ É O ORGULHO DA MINHA JUVENTUDE!

Ambos choravam, rostos colados, enquanto corações cor-de-rosa pareciam brotar ao redor da dupla — ao menos era essa a impressão que deixavam pela intensidade dramática da cena.

O Time 7 observava tudo aquilo em silêncio absoluto.

— ...O que... tá acontecendo? — Naruto finalmente sussurrou, completamente perdido.

— Não sei se isso é um castigo ou uma demonstração de afeto... — disse Sakura, ainda tentando processar.

Sasuke não comentou nada. Seus olhos estavam baixos, a sombra do choque anterior ainda pesando em seu semblante. Ter sido derrotado tão facilmente, mesmo usando o Sharingan, ainda pulsava em sua mente como um lembrete cruel.

Lee, por sua vez, limpou as lágrimas, fez uma reverência exagerada ao mestre e se despediu com uma pose dramática antes de desaparecer ao lado de Guy.

O corredor ficou em silêncio por alguns instantes.

Naruto coçou a cabeça.

— Esse cara é ainda mais esquisito que o Kakashi-sensei.

Sakura soltou um suspiro.

— Mas... deu pra ver que ele é forte. E muito dedicado. O mestre dele também deve ser.

Sasuke se virou sem dizer nada, as mãos cerradas. Cada passo era tenso, como se carregasse o próprio orgulho nos ombros.

— Esse Lee... — murmurou ele, mais para si mesmo. — Euvoualcançá-lo.

O grupo seguiu adiante pelos corredores sinuosos do prédio, ainda sob os resquícios do encontro bizarro com Lee e seu mestre. O silêncio entre eles não era mais de desconforto — era de antecipação. A tensão antes do salto.

Ao virarem o último corredor em direção à sala de inscrição, encontraram uma figura encostada casualmente na parede, como se estivesse ali há horas. O calor de uma única leitura de olho esquerdo os atingiu em cheio.

— Yo — disse Kakashi, com sua voz arrastada e despreocupada. Ele fechou o livro que lia, enfiando-o no bolso do colete. — Estava esperando por vocês.

— Kakashi-sensei! — exclamou Naruto, com um sorriso animado. — Já sabia que a gente ia vir, né?!

— Hm — ele olhou primeiro para Sasuke, que permaneceu calado, e então para Sakura. Seu único olho visível suavizou levemente. — Haruno. Fico satisfeito que tenha tomado sua decisão.

Sakura arregalou os olhos com leve surpresa, mas não disse nada de imediato. Não foi um elogio aberto, nem um parabéns grandioso — mas dela, bastou ver o pequeno aceno de reconhecimento vindo dele. Era o suficiente. Era raro. E era sincero.

— Vocês ainda podem voltar atrás — continuou Kakashi, cruzando os braços. — Os Exames Chuunin não são como testes escolares. Vocês estarão se arriscando com ninjas de verdade. Alguns vão querer machucar vocês, e outros vão querer provar que merecem avançar custe o que custar. Inclusive com sangue.

Naruto estreitou os olhos, mas sua voz soou firme:

— A gente já entendeu isso quando enfrentou o Zabuza. E no País das Ondas. A gente não vai voltar atrás.

Sasuke apenas assentiu, sombrio.

Sakura respirou fundo.

— Eu sei no que estou me metendo — disse. — E não vou desperdiçar essa chance.

Kakashi observou os três, um por um, antes de relaxar os ombros e se afastar da parede.

— Muito bem. Como devem saber, genin só podem participar em grupos completos de três. E parece que, apesar de algumas lutas no caminho... — ele olhou brevemente para Naruto, que ainda esfregava a nuca onde havia levado um golpe de Lee, — vocês continuam juntos.

Um sorriso cansado surgiu no rosto dele.

— Vão em frente.

Naruto deu um grito animado, quase tropeçando nos próprios pés ao correr até a porta. Sasuke caminhou com firmeza, olhos à frente. Sakura ficou um segundo a mais ao lado de Kakashi.

— Eu não vou decepcioná-lo — disse ela, firme, antes de seguir os outros dois.

Kakashi a observou por alguns instantes. O vento do corredor fez seu colete balançar levemente. Ele não respondeu de imediato — apenas deixou escapar uma palavra, baixa, mas carregada de algo raro.

— Sei que não.