A primeira coisa que Sakura sentiu foi o calor do sol atravessando as pálpebras. Em seguida, o cheiro leve de álcool e o murmúrio distante de passos no corredor. Mas o que a fez despertar de verdade foi o pânico.
— A Floresta...! — arfou, sentando-se de súbito na maca.
O coração disparava, e por um momento o mundo girou ao seu redor. O quarto branco, os lençóis sobre ela, o som monótono do hospital — tudo parecia abafado, distante. O último que se lembrava era do coelho. Do jutsu. Da dor pulsando por todo o corpo.
— Quanto tempo...? — ela murmurou, as mãos trêmulas procurando os sapatos no chão.
Uma enfermeira apareceu à porta, assustada com o barulho.
— Haruno-san, você acordou! Não devia levantar ainda, seu chakra estava quase zerado! O doutor Yakushi disse pra—
— Que horas são?! — cortou Sakura, já em pé, tropeçando um pouco, mas firme na decisão.
— São quase oito... da manhã.
O sangue gelou.
A segunda fase começava às nove.
— Eu tenho que ir — disse Sakura, com a voz firme, pegando os equipamentos que estavam sobre a cadeira ao lado. — Meus companheiros já devem estar a caminho da Floresta da Morte.
— Mas você mal consegue ficar de pé! Se for usar chakra nessa condição—
— Eutenhoque ir — repetiu, encarando a enfermeira com a mesma convicção que usara com Yakushi na noite anterior.
Não havia tempo para debate.
Ela saiu do hospital cambaleando, mas não parou. A cada passo sentia o corpo protestar, os músculos pesados como pedras. Mas uma adrenalina fria, pura e focada, a empurrava pra frente.
Eles precisam de mim.
Eu treinei pra isso.
Eu não vou ser a que fica pra trás.
Ela atravessou a vila em uma corrida irregular, a respiração curta, o chakra ainda desequilibrado — mas não importava. Quando os portões da Floresta da Morte surgiram no horizonte, com as bandeiras da prova já erguidas e os examinadora posicionada, Sakura se obrigou a correr mais rápido.
Sakura observou com atenção enquanto Anko Mitarashi, a segunda examinadora, tomava a frente e começava a explicar as regras da segunda fase dos Exames Chuunin. Anko era uma figura excêntrica e um tanto enigmática, seu comportamento excêntrico e sua energia intensa rapidamente conquistaram a atenção de todos na sala. Mesmo assim, Sakura não pôde deixar de notar o ar de seriedade e, talvez, um pouco de perigo que a cercava.
"Escutem bem, porque não vou repetir!" Anko começou, sua voz firme e carregada de uma energia peculiar que fazia todos os presentes se manterem em silêncio. "A segunda fase dos Exames Chuunin não é brincadeira, e a Floresta da Morte não perdoa. Pelo menos metade de vocês vai sair daqui sem qualquer possibilidade de continuar. Não é um simples teste de habilidade, mas de sobrevivência."
Sakura sentiu um arrepio na espinha ao ouvir aquelas palavras. A Floresta da Morte... até o nome soava ameaçador. Ela olhou para Naruto e Sasuke, tentando não demonstrar sua apreensão, mas sabia que, se o exame já estava difícil até agora, o que estava por vir seria ainda mais desafiador.
Anko continuou a explicar. "Dentro da floresta, todas as equipes receberão um pergaminho. Um de vocês vai pegar o pergaminho do céu, e o outro, o pergaminho da terra. Cada equipe terá de capturar o pergaminho de outra equipe. Para chegar à Torre, no centro da floresta, onde a próxima fase se realizará, vocês devem ter tanto o pergaminho do céu quanto o da terra. O objetivo é eliminar equipes, pegar os pergaminhos delas e sobreviver. Aqueles que chegarem com os dois pergaminhos poderão avançar para a terceira fase."
Sakura ficou silenciosa por um momento, absorvendo as implicações dessa prova. A ideia de ter que competir contra outras equipes para capturar seus pergaminhos e sobreviver em uma floresta cheia de perigos parecia mais um pesadelo do que uma prova. O fato de que a floresta poderia ser mortal deixou claro que a habilidade de combate e a estratégia seriam cruciais. Não seria apenas uma prova de força física ou técnica, mas também de inteligência e tomada de decisões rápidas.
"Mas não se enganem", continuou Anko, com um sorriso ameaçador. "Além de outros competidores, a floresta está cheia de monstros e armadilhas. Não se esqueçam que os examinadores estarão observando e podem até intervir se necessário. Agora, cada equipe receberá seu pergaminho, e é hora de entrar na Floresta da Morte. Boa sorte, porque vão precisar."
Sakura sentiu um calafrio ao ouvir isso. A palavra "monstros" ecoou em sua mente. Ela havia lido sobre a Floresta da Morte em livros antigos, mas agora, de repente, parecia muito mais real e perigosa. Ela olhou para Naruto e Sasuke, tentando entender o que eles pensavam, mas seus rostos estavam tão focados quanto o seu.
Anko, então, distribuiu os pergaminhos. Cada equipe recebeu um, e o Time 7 foi agraciado com o pergaminho da Terra. Sakura segurou o pergaminho com firmeza, sentindo o peso da responsabilidade que agora recai sobre ela e seus companheiros. Essa não seria uma prova simples, e ela sabia que cada passo que desse na floresta poderia ser decisivo para sua sobrevivência e sucesso.
"Não se esqueçam das regras", Anko disse uma última vez, seus olhos brilhando com um certo entusiasmo perturbador. "Sei que estão todos ansiosos, mas não será fácil. Só os mais fortes, astutos e resilientes passarão."
Com isso, ela os guiou até a entrada da Floresta da Morte. Sakura deu um último olhar para trás, onde os outros candidatos estavam se preparando para entrar também. Ela não podia deixar de se perguntar como os outros times estavam se sentindo, especialmente aqueles com mais experiência. De qualquer maneira, ela sabia que não poderia se deixar abalar. O time dela ainda tinha muito a aprender, mas ela confiava em seus amigos. Naruto e Sasuke talvez fossem diferentes dela, mas juntos, eles formavam uma equipe capaz de superar desafios.
"Estamos prontos", disse Naruto, quebrando o silêncio. "Vamos fazer isso."
Sakura sorriu, embora sentisse a tensão em seu corpo. Não havia mais volta. Eles haviam entrado na segunda fase dos Exames Chuunin e, agora, a Floresta da Morte os aguardava.
Com um último olhar de determinação para seus companheiros, Sakura avançou. Ela sabia que a verdadeira prova havia começado.
A floresta estava silenciosa, com uma densa névoa que parecia engolir qualquer som ao redor. O ar estava mais pesado, carregado com o cheiro de vegetação úmida e o toque da natureza que, ao mesmo tempo, era acolhedor e ameaçador. Eu podia sentir cada fibra do meu ser alertada, como se a floresta em si estivesse nos observando. Uma tensão estava no ar, algo palpável, que me fazia ficar em guarda o tempo todo.
Anko, com seu sorriso enigmático, havia nos informado que ali, na Floresta da Morte, nada seria fácil. Não seria apenas uma corrida para capturar um pergaminho, mas um teste de sobrevivência. Eu sabia que as coisas ficariam ainda mais intensas, mas o que mais me preocupava era como cada um de nós reagiria à pressão. Não seria só o exame físico que estaria em jogo. A floresta tinha algo de insidioso, um peso psicológico que nos faria questionar cada passo.
Fiquei alerta ao redor, sentindo os olhos de cada membro da minha equipe, percebendo a forma como Sasuke estava calado, concentrado, mas com uma tensão visível. Não queria olhar muito para ele, sabia que ele estava passando por algo interno que o deixava distante. Mas eu podia sentir que, apesar de tudo, ele estava em sintonia com o que acontecia ao nosso redor. No entanto, Naruto parecia inconsciente da gravidade da situação. Ele estava mais agitado do que nunca, sempre pronto para falar em voz alta, sempre disposto a dar o máximo de si – algo que, eu tinha que admitir, me dava uma sensação de confiança, embora, em muitos momentos, fosse um pouco irritante.
A floresta parecia em silêncio, mas havia uma sensação de que estávamos sendo observados por algo além de nossas equipes. Os galhos das árvores balançavam suavemente, como se a própria natureza estivesse respirando. Eu queria sentir o vento, mas não conseguia ignorar o instinto de que qualquer movimento poderia atrair algo. Cada sombra poderia esconder um inimigo, e cada arbusto poderia esconder um perigo.
Eu olhava para os outros participantes, para as equipes que estavam se espalhando pela floresta. Tenten parecia igualmente focada, seus olhos analisando cada canto com precisão. Kiba estava em um estado de alerta total, e Hinata, como sempre, estava um pouco mais tímida, mas igualmente atenta ao que acontecia ao seu redor. Todos nós tínhamos algo em comum, mas, por dentro, eu sabia que cada um estava lutando com suas próprias inseguranças e medos.
Então, o momento em que tudo virou. Naruto, sempre o irreverente, saiu para um canto para atender a uma necessidade natural. Quando ele retornou, algo estava diferente. Ele estava com um olhar estranho, e seus movimentos pareciam um pouco... desconexos. O que mais me chamou a atenção foi o detalhe no bolso de seu traje. O bolso de kunai estava no lado esquerdo. Naruto era destro, e sabia que ele jamais faria isso. Algo estava errado.
Sasuke, que sempre tinha um olhar afiado para qualquer movimento estranho, percebeu quase ao mesmo tempo que eu. Seus olhos se estreitaram, e antes que eu pudesse reagir, ele já estava se aproximando de Naruto com uma expressão de desconfiança. "Você não é o Naruto", ele disse com uma frieza cortante.
O impostor não demorou a reagir. Ele sorria de uma forma que não me era familiar, e o ambiente em torno de nós se transformou rapidamente. A tensão aumentou, e, sem aviso, Sasuke estava já se preparando para um confronto.
Eu estava paralisada por um momento, a surpresa me deixando sem palavras. O que estava acontecendo? Era uma armadilha? Algo dentro de mim dizia que era, mas não conseguia compreender os detalhes do plano. Estávamos em território desconhecido, e nada mais parecia seguro. O som da floresta que antes parecia ser apenas o vento nas árvores agora se tornava ameaçador, como se tudo estivesse se alinhando para algo maior.
Eu precisava reagir, então, com um esforço, consegui focar na situação, analisando as reações dos outros. Naruto, ou quem quer que fosse o impostor, parecia mais habilidoso do que eu imaginava. Ele estava jogando um jogo perigoso, e Sasuke estava jogando a parte dele com uma confiança que eu não via há algum tempo. Mas eu sabia que qualquer erro, qualquer movimento mal calculado, poderia significar nossa derrota.
Tentei manter a calma, mas a sensação de estar sendo observada pela floresta e pela situação em si me deixava ainda mais alerta. Eu sentia que a luta iria começar a qualquer momento, e que nossa sobrevivência dependia da habilidade de todos em reagir a tempo. Sasuke parecia pronto para avançar, e eu sabia que, embora ele tivesse uma confiança inabalável, o ambiente ao nosso redor estava começando a agir como um inimigo por si só.
A floresta estava viva, e nós éramos apenas peças em um tabuleiro que começava a se mover em direção ao que eu sentia ser uma grande armadilha. E o pior era que eu não sabia em quem confiar completamente – nem mesmo em mim mesma, às vezes. Eu teria que me manter atenta e calcular cada movimento cuidadosamente. Tudo o que eu podia fazer era observar e esperar o momento certo para agir.
Quando a luta entre Sasuke e o impostor finalmente estava pra iniciar, algo dentro de mim me dizia que ainda não sabíamos nem metade do que esperar da Floresta da Morte. Cada um de nós teria que dar o seu melhor, ou o exame se tornaria nossa última missão. E eu sabia que, por mais difícil que fosse, ninguém poderia falhar. Não agora.
A tensão estava no ar, e eu sabia que não podia mais esperar. Sasuke e o impostor estavam trocando olhares desafiadores, e a luta parecia prestes a explodir. A cada movimento, o ambiente ao nosso redor se tornava mais denso, como se a própria floresta estivesse se fechando sobre nós. Eu não podia ficar parada. Sabia que, se a luta continuasse, haveria mais risco para todos nós, e não podíamos perder tempo aqui.
O impostor, com seus movimentos calculados e rápidos, parecia estar se aproveitando da distração de Sasuke. No entanto, eu sabia que ele não estava esperando o que vinha a seguir. Eu me movi rapidamente. Em um único movimento, passei por Sasuke, que estava em um confronto direto com o impostor, e me posicionei atrás dele. O ambiente estava tão silencioso que minha respiração parecia quase ensurdecedora.
Parei apenas por um segundo, focando no ponto preciso que eu precisava atingir. Com a mesma precisão que aprendi em meus treinamentos, alinhei meu corpo para um ataque certeiro. Em um movimento quase imperceptível, fui em direção ao ponto vital dele, um ponto específico na nuca, onde o impacto da pressão poderia desmaiar qualquer pessoa sem causar danos permanentes. Era uma técnica que eu havia aprendido durante minhas sessões de treino, com o objetivo de incapacitar o inimigo de forma eficaz e rápida, sem matar.
Eu não hesitei. O ataque foi rápido, direto e calculado. A palma da minha mão encontrou o ponto exato na base do pescoço do impostor, e ele caiu imediatamente, desmaiado no chão, sem ter tempo de reagir. O som do impacto foi abafado pela folhagem ao nosso redor, mas eu sabia que tinha feito o movimento certo.
Sasuke me olhou surpreso, ainda com a tensão visível em seus ombros. Ele parecia não entender completamente o que acabara de acontecer. Mas eu sabia que, no momento, a prioridade era garantir nossa segurança. O impostor estava fora de combate, e a situação estava sob controle por agora.
"Vamos, Sasuke", eu disse, com um tom firme, mas sem perder a calma. "Não temos tempo para isso. A floresta vai nos engolir se não seguirmos em frente."
Sasuke olhou para o corpo do impostor no chão, ainda processando o que acontecera. Ele, mais do que ninguém, sabia como um ataque como o meu poderia ser mortal, mas ele também sabia que, naquele momento, fiz o que era necessário. Não éramos apenas genins tentando passar nos exames – éramos ninjas em uma missão, e tínhamos que tomar decisões rápidas e precisas.
Com o inimigo fora de combate e a situação mais tranquila por enquanto, percebi que a Floresta da Morte não seria fácil. Mas, pela primeira vez desde que entramos ali, senti que estava mais preparada para o que vinha pela frente. Eu sabia que tinha agido corretamente, e a confiança de que nossa equipe poderia enfrentar qualquer desafio voltava a crescer dentro de mim. Agora, mais do que nunca, a prova era sobre nossa habilidade de trabalhar juntos e sobreviver a tudo o que a floresta jogasse em nosso caminho.
Após o confronto com o impostor, a tensão ainda estava no ar, mas agora parecia que a calma havia retornado por um momento. Sasuke, com seu olhar calculista, se aproximou do corpo do impostor. Ele observou por um instante e, sem perder tempo, libertou Naruto das amarras que o impediam de se mover, algo que poderia ter sido fatal caso o impostor tivesse sido mais habilidoso.
Naruto, ainda atordoado, se levantou rapidamente, esfregando a cabeça, tentando processar o que acabara de acontecer. "O que... aconteceu? Eu estava tão distraído", ele murmurou, um pouco perdido. Sasuke apenas deu um olhar rápido para ele e começou a se afastar, deixando Naruto confuso, mas ele sabia que o mais importante era seguir em frente.
Foi então que eu percebi que precisávamos estabelecer algo mais, uma forma de comunicação, uma forma de garantir nossa segurança caso nos separássemos durante a prova. Eu sabia que, se algo acontecesse e precisássemos nos reunir rapidamente, precisávamos de um método claro de identificação, uma senha que nos permitisse saber que estávamos todos no mesmo time, sem erros.
"Escutem", comecei, minha voz agora mais firme e séria, "nós precisamos de uma senha, algo simples, mas eficaz, para podermos nos identificar caso nos separemos." Olhei para os dois, tentando passar a ideia de que isso não era apenas uma precaução, mas uma necessidade. "A Floresta da Morte pode ser traiçoeira, e a última coisa que quero é que qualquer um de nós seja confundido com um inimigo."
Sasuke, como sempre, apenas acenou com a cabeça, compreendendo rapidamente o que eu queria dizer. Ele sabia que, em momentos de tensão, qualquer erro de identidade poderia ser fatal.
Eu respirei fundo e falei a senha que eu havia pensado, uma que fosse simples, mas que ao mesmo tempo não fosse fácil de esquecer. "A senha será 'O horizonte se encontra com o sol à tarde'. Não é muito longa, mas ainda assim, é única. Caso nos separemos, quem nos encontrar pode dizer isso e saberemos que é realmente um de nós."
Naruto, como era de se esperar, não parecia entender a importância imediata daquilo. Ele deu um sorriso bobo, mas ao mesmo tempo um tanto confuso, e deu de ombros. "Ah, beleza... então, o que mesmo era? Ah! 'O horizonte se encontra com o sol à tarde'. Vai ser difícil lembrar disso, hein?"
Sasuke olhou para ele com uma expressão irritada, mas, ao mesmo tempo, eu podia perceber que ele estava mais preocupado com o fato de que o tempo estava passando e nós ainda não sabíamos o que a floresta nos reservaria. "Naruto, vai ser simples, não custa nada tentar lembrar", disse Sasuke, com um tom impaciente. Ele sabia que, em uma situação de emergência, cada segundo contava.
Eu suspirei, tentando não me deixar abalar pela distração de Naruto. "Naruto, é sério. Precisamos ficar atentos. Isso não é apenas uma brincadeira."
Naruto, com um sorriso no rosto, tentou se convencer, balançando a cabeça enquanto repetia a senha para si mesmo, mas com a mesma facilidade com que se distraía. "O horizonte se encontra com o sol à tarde... É isso? Eu vou tentar não esquecer."
Sasuke olhou para ele, a irritação visível, mas, por alguma razão, ele não disse mais nada. Sabíamos que ele estava certo em ser cético sobre a memória de Naruto, mas naquele momento, havia mais urgência do que nunca. Não podíamos nos permitir perder tempo.
E assim, com a senha estabelecida, continuamos nosso caminho pela Floresta da Morte. Sabíamos que, em qualquer momento, qualquer coisa poderia acontecer. Cada sombra, cada movimento ao longe poderia ser um inimigo. Mas, ao menos, tínhamos algo que poderia ajudar a nos reunir se nos separássemos, algo que, por mais simples que fosse, poderia significar a diferença entre a vida e a morte.
Eu só esperava que, no momento crucial, quando tudo estivesse em jogo, nós nos lembrássemos da senha. Porque, se não o fizéssemos, a floresta não seria o nosso maior inimigo.
Enquanto caminhávamos pela floresta, tentando nos manter vigilantes, o ambiente ao nosso redor parecia cada vez mais opressor. As árvores altas e densas faziam com que o espaço parecesse pequeno e sufocante, e a constante sensação de ser observado não nos deixava em paz. Cada passo era uma aposta no que viria a seguir.
De repente, uma rajada de vento cortou a tranquilidade da floresta, e a sensação de que estávamos sendo seguidos se intensificou. Antes que qualquer um de nós pudesse reagir adequadamente, uma ninja apareceu, com uma máscara que cobria parcialmente seu rosto, e com uma habilidade surpreendente em manipular o vento.
Ela havia se aproximado tão rápido que nem percebemos a ameaça até que uma forte rajada de vento nos separou, arrancando-nos da linha de formação. A força do vento foi brutal, um impacto repentino que nos fez perder o equilíbrio e nos espalhar por diferentes direções da floresta. Meu corpo foi lançado para trás, e antes que pudesse me recompor, ouvi o grito de Naruto à distância.
"O que...?! Sakura!" A voz de Naruto ecoou, mas a força do vento que nos separou fez com que a sua figura desaparecesse logo atrás das árvores.
O impacto do ataque foi tão inesperado que, por um momento, tudo o que eu pude fazer foi tentar me agarrar a uma árvore para não ser completamente arrastada. Eu sentia o ar cortando meu rosto e, por um segundo, pensei que o que acontecia era apenas uma ilusão, mas, infelizmente, estava muito real. A ninja da grama havia nos dividido, e agora, estávamos em uma situação ainda mais perigosa.
Tentei manter a calma, focando na necessidade de reagir rapidamente. Sasuke estava à frente de mim, tentando se manter firme e entender o que estava acontecendo. Ele não parecia surpreso – ele sempre estava preparado para uma luta. Eu o vi se concentrar e, com seus olhos Sharingan, tentar analisar o que estava acontecendo ao nosso redor.
Eu, por outro lado, não sabia exatamente onde Naruto estava. A sensação de estar sozinha, sem saber onde ele ou Sasuke estavam, foi o suficiente para deixar meu coração batendo mais rápido. O que eu sabia era que, sem nossa coordenação, a situação havia se tornado muito mais arriscada. Eles poderiam estar em qualquer lugar, e a ninja que nos separou certamente tinha mais truques sob sua manga.
Por um momento, parecia impossível nos reunirmos novamente. E, se ela tivesse algum tipo de controle sobre o vento, seria difícil lutar contra ela sem um plano.
"Precisamos agir rápido", pensei comigo mesma, sabendo que não podia esperar pela ajuda de Sasuke ou Naruto. Eu precisava ser rápida e eficiente.
A ninja da grama deu mais um passo em minha direção, e o vento começou a se concentrar ao seu redor, formando uma espiral. Era uma técnica de pressão, algo que poderia facilmente me imobilizar se eu não fosse cuidadosa. Eu observei seus movimentos com atenção, tentando encontrar uma brecha para agir.
Quando a rajada de vento nos separou, fui arrastada para trás com força, sem conseguir manter o equilíbrio. Por um momento, tudo ficou turvo, como se eu estivesse sendo empurrada por uma onda invisível que me impedia de reagir. Antes que pudesse me recuperar, a força do vento me fez cair, e eu fui projetada para uma direção completamente diferente.
Eu não tive tempo de ver o que acontecia com Naruto ou Sasuke. Só consegui ouvir a voz de Naruto ao longe, chamando meu nome, mas a distância parecia crescente, e logo ele desapareceu de vista. Eu me vi sozinha, cercada pela densa floresta, sem saber onde estavam os outros.
Tentei me levantar rapidamente, mas o vento parecia ainda me empurrar, me fazendo perder a direção. O ar ao meu redor estava denso, como se a própria floresta tivesse se tornado um campo de batalha, e eu fosse uma peça à mercê das forças que agora dominavam aquele lugar.
A ninja da grama não me atacou diretamente. Ao contrário, ela observou à distância, como se estivesse esperando alguma reação de nossa parte. Eu ainda estava atordoada pela separação repentina, mas a pressão da situação logo me fez ficar mais alerta. Eu não sabia se ela pretendia nos capturar um por um ou se simplesmente estava esperando o momento certo para agir, mas uma coisa era certa: tínhamos sido separados e, por enquanto, não podíamos nos ajudar.
Eu me levantei e olhei ao redor, tentando sentir a presença de meus companheiros. Mas, com a densidade da floresta e o som do vento mascarando qualquer outro ruído, era difícil até mesmo entender qual direção tomar. Meu coração estava acelerado, e a sensação de isolamento se intensificava.
Fui empurrada para outro canto da floresta, onde a visão da ninja se desfazia à medida que eu me afastava mais e mais. O vento me empurrou sem misericórdia, e antes que eu pudesse reagir ou tentar voltar ao meu ponto de origem, fui jogada contra um tronco de árvore.
O impacto me fez soltar um gemido, e eu tentei me recompor rapidamente. Eu sabia que não poderia ficar ali indefinidamente. De alguma forma, tinha que me reunir com Naruto e Sasuke, mas como? Eu não conseguia ouvi-los nem vê-los.
Olhei para os lados, tentando entender o que estava acontecendo. A sensação de desorientação estava começando a me afetar, mas o pensamento de que meus amigos poderiam estar em perigo me fez focar novamente.
Eu precisava ser forte. Não podia me permitir vacilar.
Com isso, respirei fundo e comecei a caminhar cautelosamente, me afastando da área onde a ninja da grama havia me empurrado. A frustração de estar separada do meu time era palpável, mas eu sabia que não podia me deixar abater. O Exame Chuunin estava apenas começando, e, mesmo estando sozinha, não havia tempo para desespero. Eu tinha que ser capaz de agir rápido, para que, assim que nos reuníssemos, estivéssemos prontos para qualquer coisa.
Enquanto caminhava, meus sentidos estavam mais aguçados do que nunca. Eu precisava de pistas, qualquer coisa que me ajudasse a encontrar Sasuke e Naruto. Não era apenas uma questão de sobrevivência, mas também de cumprir nossa missão, proteger uns aos outros, como uma equipe.
E, sem hesitar, continuei minha busca, consciente de que a floresta era traiçoeira e que a ninja da grama poderia estar à espreita.
Sakura corria, ofegante, desviando dos galhos e arbustos densos da Floresta da Morte, enquanto o coração martelava com força dentro do peito. Não era apenas adrenalina. O que a impulsionava era uma sensação angustiante — como se algo estivesse profundamente errado.
Ela ainda sentia aquela pressão absurda no ar, uma concentração de chakra tão densa que fazia sua pele formigar. O chamado "pico de chakra" que havia sentido momentos antes só aumentava, e mesmo que seus conhecimentos sobre sensoriamento não fossem refinados, era impossível ignorar algo tão esmagadoramente presente.
Seu instinto gritava. Seus passos se apressavam.
Quando finalmente rompeu por entre os galhos de uma árvore caída e se esgueirou por um tronco torto, Sakura congelou.
Ali, numa clareira irregular, ela viu Naruto no chão, caído, imóvel. Seus cabelos loiros estavam sujos de terra e folhas, o rosto virado de lado, e seu corpo parecia sem forças. O sangue lhe subiu à cabeça.
— N-Naruto! — ela correu alguns passos, mas parou abruptamente. Havia outra presença ali.
De pé, poucos metros adiante, uma figura feminina de aparência estranha — vestida com o uniforme padrão de Kusa, a Vila da Grama — permanecia em silêncio, como uma sombra enraizada no centro do caos. O cabelo comprido e escuro voava com a brisa, mas seus olhos... havia algo de grotesco neles. Algo inumano.
Sakura engoliu em seco, tentando raciocinar. Era aquela ninja da Grama a responsável por isso? Ela olhou para Naruto novamente. Sua expressão não era apenas de dor. Ele estava inconsciente, mas havia algo mais. Seu corpo parecia... drenado. Fraco demais.
"Ela fez alguma coisa com ele..." pensou, sentindo os joelhos quase cederem. Mas firmou-se.
A ninja da Grama não falava, apenas mantinha aquele sorriso... e então, seus olhos deslizaram de Naruto para outro ponto da clareira. Sakura seguiu o olhar.
Sasuke estava ali.
Ele parecia diferente. Mais concentrado, os punhos cerrados. Seu olhar, normalmente arrogante e seguro, agora era tenso, vigilante.
Sakura deu dois passos para o lado, colocando-se perto de Naruto, mesmo sem saber o que fazer. Sentia-se inútil diante daquela aura opressiva. Mas não iria recuar. Nem agora.
— O que você fez com ele? — perguntou, tentando manter a voz firme.
A mulher nada respondeu.
Sasuke, no entanto, avançou um passo.
— Sakura... fique atrás de mim. — Sua voz era baixa, controlada, mas havia uma seriedade incomum nela.
Ela obedeceu, puxando Naruto com cuidado para perto de si, verificando seu pulso. Ele estava vivo, o coração batia... mas fraco. Muito fraco. Havia algo profundamente errado com ele, como se sua energia tivesse sido trancada ou cortada. Não era ferimento visível. Era algo mais sutil.
Sakura estreitou os olhos. "Não faz sentido. Ele estava bem minutos atrás... E agora...?"
A ninja da Grama finalmente falou, e sua voz era diferente do que Sakura esperava: calma demais. Quase zombeteira.
— É admirável a determinação de vocês... Mas inútil.
Sasuke não respondeu. Seus olhos já estavam avermelhados com o Sharingan ativado. Sakura nunca o vira tão sério, nem mesmo em suas missões anteriores. Ele parecia entender o perigo que enfrentavam — mesmo que nenhum dos dois soubesse exatamente quem ou o quê era aquela pessoa.
Mas Sakura podia sentir. Algo ali era errado.
"O chakra dela... está em constante rotação, como uma serpente. E se esconde, se disfarça. Não é normal. Não é de um genin."
Ela pensou em Anko. Em Ibiki. Nas instruções claras de que aquele teste era feito para eliminar os fracos. Mas aquilo estava indo longe demais. Não era um teste — era uma caçada.
Sasuke então se moveu, atacando com velocidade, e Sakura prendeu a respiração. O confronto começou num ritmo frenético. A ninja da Grama desviava com facilidade antinatural, como se estivesse brincando com Sasuke. Seus movimentos não pareciam de um humano normal. Cada ataque que Sasuke desferia era bloqueado ou evitado com mínimo esforço.
E mesmo assim, ele não recuava.
Sakura, ainda ao lado de Naruto, observava tudo com um olhar analítico. Seus olhos percorriam a movimentação da oponente, tentando encontrar um padrão. Algo, qualquer coisa, que pudesse ajudar Sasuke.
Mas havia apenas um sentimento recorrente: medo.
Não o medo do fracasso. Era medo do desconhecido. Medo de perceber que havia inimigos no mundo que simplesmente não se podia vencer ainda.
Ela olhou para Naruto, imóvel, e cerrou os punhos.
Ele era o mais impulsivo, o mais barulhento, e ainda assim... tinha corrido na frente. Tinha se exposto. E agora estava ali, caído, por talvez tentar proteger eles.
Sasuke então parou, ofegante, os olhos ainda ativados. A ninja da Grama apenas sorriu, como se tivesse se divertido.
Sakura sabia, naquele momento, que algo maior estava em jogo. Que aquela missão — aquele teste — não era apenas sobre avançar como chuunin.
Era sobre sobreviver.
E pela primeira vez, ela sentiu que talvez... isso fosse muito mais difícil do que imaginava.
?
A oponente deu um passo à frente, o sorriso ainda estampado no rosto. O vento passava por entre as árvores, mas tudo parecia parado, congelado no terror.
Sasuke estava tenso, o corpo preparado, mas sua respiração denunciava: ele também estava no limite.
— Estão assustados? — ela disse, com um tom quase carinhoso, como se estivesse zombando. — Que decepção. Eu esperava mais de um time com o Uchiha.
Sasuke franziu o cenho.
— Quem é você?
Ela não respondeu. Apenas sorriu... e sumiu.
O chão sob os pés de Sasuke explodiu com a força do impacto. Ela apareceu acima dele com a kunai erguida, mirando sem hesitação. Ele pulou para o lado, mas ela já estava lá, como uma sombra. A velocidade era absurda.
Sasuke conseguiu bloquear o ataque com uma kunai, mas foi jogado contra uma árvore com o impacto. O tronco rachou atrás de suas costas. Ele caiu de joelhos, arfando, o braço tremendo.
Sakura gritou:
— SASUKE!
Ela segurava Naruto, ainda desacordado. O medo tomava conta. E mesmo assim… não conseguia desviar os olhos da cena.
A mulher olhou para os dois com um olhar que não era mais de uma ninja qualquer. Era frio. Antinatural.
— Já está bom por hoje — ela disse, e então levou a mão ao rosto.
A pele começou a se desfazer, como uma ilusão se quebrando. Os olhos mudaram. O cabelo escureceu. A língua se alongou grotescamente.
Sasuke arregalou os olhos.
— Orochimaru...?!
Orochimaru sorriu.
— Estou apenas... testando. E você, Sasuke-kun, passou com louvor.
Sasuke não conseguia se mover. A presença daquele homem o esmagava. Não era só medo. Era como estar diante de algo que não pertencia àquele mundo.
Orochimaru se aproximou, como uma serpente antes do bote.
— Em breve, você entenderá... o poder que pode alcançar.
Sakura tentou se levantar, mas as pernas mal respondiam.
Naruto ainda não despertava.
Sasuke fechou os olhos por um instante... depois os abriu, o Sharingan ainda mais nítido.
— Fica longe da gente — ele rosnou. — Não importa quem você é... não vou deixar tocar neles.
Orochimaru parou. Sorriu.
E então desapareceu.
Como se nunca tivesse estado ali.
O silêncio caiu sobre a floresta, pesado e cruel.
Sasuke caiu de joelhos, tremendo.
Sakura olhava para ele, o coração em pedaços.
Aquilo... não era mais só um exame. Era guerra.
