Capitulo 8 - Ilha da lua palida, Crescentia

O pequeno barco que transportava Naruto, Sanji e Jack Sparrow se aproximava discretamente da imponente Ilha de Crescentia. Mesmo à distância, era possível ver a grandiosidade do porto principal. Estaleiros tomavam conta de toda a baía, com guindastes rudimentares, pilhas de madeira naval e navios em diferentes estágios de construção. Barcos da Marinha circulavam pelas águas como tubarões em guarda, reforçando que aquele lugar era vigiado de perto.

No convés do barquinho improvisado, Jack assumia o leme com maestria, o olhar afiado analisando as movimentações dos navios da Marinha ancorados e patrulhando. O sol refletia nas lentes de seu monóculo, e ele mascava um pequeno graveto com uma tranquilidade que contrastava com a tensão no ar.

Naruto, sentado sobre a proa, franzia a testa. Vestia um casaco cinza sobre seu tronco nu e um chapéu simples para proteger-se do sol. Seus olhos percorreram as docas, procurando por uma entrada que não estivesse fortemente vigiada.

Sanji acendia um cigarro com um estalar do isqueiro. "Essa ilha parece uma fortaleza... e esse porto tá mais cheio de marinheiro do que bar de bêbado em dia de pagamento."

Jack bufou e respondeu com um tom sarcástico:
"Bem-vindos à Crescentia, senhores. Paraíso para construtores... inferno para foras-da-lei. Só há dois motivos para vir até aqui: ou você quer o melhor navio do East Blue, ou quer ser preso pelos melhores fuzileiros daqui."

O trio se aproximava de uma zona mais afastada da costa. Ao leste da baía principal, havia um pequeno ancoradouro secundário, mais rudimentar, usado por pescadores e pequenos comerciantes locais. Um velho galpão abandonado encobria parte da vista da Marinha. Ali, o tráfego de barcos era menos intenso, e Jack já havia navegado por aquelas águas antes.

"Ali!" — apontou ele. "Vamos contornar aquela enseada, por trás das docas industriais. A maré está baixa, mas dá pra passar com esse barquinho, se souber o que está fazendo."

Naruto segurou firme na lateral da embarcação enquanto o barco fazia a curva frente às rochas. O som das ondas batendo suavemente nas pedras abafava momentaneamente o ruído do casco deslizando pela água.

A névoa da manhã começava a se dissipar enquanto o pequeno barco de madeira cortava suavemente as águas calmas da enseada sudeste de Crescentia. A ilha se estendia à frente como um quadro pintado à mão — falésias brancas, palmeiras curvas dançando ao vento e, no horizonte, os primeiros telhados vermelhos da cidade portuária.

Jack Sparrow mantinha firme o leme, olhos atentos às formações rochosas que cercavam aquela entrada secundária da ilha. Ele rosnou baixinho ao ver a pequena torre de vigia da Marinha em um platô à direita, meio escondida entre as pedras. Um soldado uniformizado observava o mar com um par de binóculos, mas parecia mais entediado do que vigilante.

— "Ali está o posto de patrulha," sussurrou Jack, sem tirar os olhos do vigia. "Se formos direto, ele vai nos ver. E nos parar. Ou pior… alertar o quartel principal."

Naruto se inclinou para a frente, apoiando-se na proa do barco com um sorriso confiante.

— "Então vamos fazer do jeito difícil, né?"

— "Difícil não," murmurou Sanji, que já havia enrolado um pano escuro ao redor da cabeça para disfarçar o cabelo loiro. "Vamos fazer do nosso jeito."

Jack guiou o barco com precisão entre duas pedras, quase raspando a lateral, enquanto Naruto pulava para a ponta do mastro com um movimento felino, equilibrando-se com a mesma facilidade com que caminhava em terra firme.

O trio havia se preparado bem: a vela principal estava coberta com um pano desgastado, camuflando seu padrão chamativo. Eles haviam reduzido a velocidade, usando os remos para se mover com silêncio absoluto. O casco do barco havia sido parcialmente coberto com lama e algas secas para se misturar com as águas e os corais da costa.

Naruto observava o vigia com atenção. O homem bocejou e se virou de costas por alguns segundos, distraído com uma gaivota que pousara no beiral da torre.

— "Agora!", sussurrou Naruto.

Jack deu dois toques leves na lateral do casco, o sinal. Sanji empurrou com força os remos, guiando o barco para uma fenda estreita entre as rochas cobertas de musgo. A embarcação passou raspando por um arco natural de pedra e, por alguns segundos, sumiu completamente da vista do vigia.

Lá de cima, o marinheiro voltou a olhar para o mar e franziu a testa, desconfiado. Algo parecia ter se movido… mas não havia mais nada ali além das ondas calmas.

— "Talvez seja só um cardume…" murmurou ele, voltando para sua cadeira e pegando um copo de chá quente.

Enquanto isso, do outro lado do arco rochoso, o barco de Jack deslizou suavemente até um pequeno píer de madeira abandonado, onde amarraram o barco com cuidado.

— "Eu falei que a gente ia conseguir," disse Jack, sorrindo e dando um tapinha no ombro de Naruto.

"Passamos da primeira barreira. Agora é só encontrar o caminho para o coração de Crescentia sem levantar a marinha inteira."

Sanji olhou para Naruto e disse, meio rindo:
"E você achava que ia ser fácil?"

Naruto respondeu com um sorriso travesso.
"Quem disse que eu queria fácil?"

— "E sem nem precisamos bater em ninguém," completou Sanji com um sorriso torto.

— "Ainda é cedo, Sanji. O dia mal começou," respondeu Naruto, piscando.

Os três então recolheram o pouco que carregavam e desapareceram entre os becos e vielas de Crescentia, misturando-se aos pescadores, vendedores e turistas que já começavam a encher as ruas. O disfarce funcionava: apenas três viajantes comuns em busca de uma refeição quente e talvez… um navio bom o suficiente para eles.

A travessia pela ilha foi feita com cuidado. Crescentia era viva, cheia de vozes, marteladas, gritos de comerciantes e sinos de forja ecoando no ar. Havia crianças brincando entre barris, e marinheiros de folga caminhando lado a lado com civis. As ruas de pedra eram limpas e bem cuidadas, mas ainda guardavam aquele charme rústico de uma cidade portuária cheia de história.

Naruto se encantava com tudo — com os enormes navios em construção que se erguiam como montanhas de madeira ao longe, com as bandeiras balançando ao vento, e com o cheiro do mar misturado ao de óleo e ferro queimado.

Depois de alguns minutos de caminhada discreta pelas vielas menos movimentadas, eles finalmente chegaram à parte mais tranquila da cidade. Um bairro residencial com casas simples, varandas floridas e pequenos comércios. E no canto de uma praça com uma fonte no centro, encontraram o lugar que procuravam: um restaurante familiar normal, com uma placa de madeira acima da porta esculpida com capricho.

"Hawkins e Filhos – Cozinha caseira desde 1489"

O aroma de comida quente escapava pelas janelas abertas. Havia um forno a lenha nos fundos e uma pequena horta do lado esquerdo. O som de risadas e pratos batendo indicava que o local estava em pleno funcionamento.

Naruto colocou as mãos nos bolsos e lançou um olhar discreto para Jack.

— "É aqui?"

Jack assentiu. — "Sim. Comida boa, preço honesto... e, mais importante, uma dona que sabe manter a boca fechada."

Sanji estalou os dedos e sorriu. — "Se a comida for mesmo boa, talvez eu fique por aqui."

Ao entrarem, o sino da porta tilintou suavemente. O ambiente era acolhedor — madeira escura nas paredes, toalhas de mesa simples e coloridas, e um balcão com potes de temperos e bebidas organizados com esmero. Uma mulher de cerca de quarenta anos, de cabelos castanhos presos num coque e olhos vivos e gentis, se virou ao ouvir o som da porta.

Ela sorriu de leve, mas seus olhos analisaram os três com atenção.

— "Bem-vindos ao Hawkins & Filhos. Sentem-se onde quiserem. O ensopado do dia tá saindo agora."

Jack tirou o seu chapéu temporario até conseguir o seu de verdade, cumprimentando com um charme quase natural:
— "É sempre bom voltar pra casa, Sarah."

A mulher o encarou por um segundo, surpresa e depois divertida, cruzando os braços.
— "Jack Sparrow… ainda vivo, hein? E sem marinheiros atrás? Que milagre é esse?"

Jack sorriu com aquele brilho maroto no olhar.
— "Milagres acontecem, minha cara. Especialmente quando se tem bons amigos… e bons disfarces."

Sarah deu uma risada leve, balançou a cabeça e apontou para uma mesa nos fundos.
— "Senta aí. Vocês têm cara de quem não come direito há dias. E eu quero ouvir essa história toda… depois de vocês comerem."

Naruto sorriu de orelha a orelha. Sanji apenas agradeceu, já de olho na cozinha aberta. E, pela primeira vez desde que chegaram à ilha, os três puderam respirar aliviados — pelo menos por um tempo.

Sentados em uma mesa nos fundos do restaurante, próximo a uma janela que deixava a luz do fim da tarde dourar suavemente os pratos de madeira, Naruto, Jack e Sanji se acomodaram em cadeiras rústicas, rangentes, mas firmes. O cheiro de pão recém-assado, ervas frescas e carne cozinhando no fundo da cozinha criava uma atmosfera aconchegante, e o murmúrio tranquilo das poucas mesas ocupadas fazia parecer que o tempo ali passava mais devagar.

Sarah Hawkins trouxe três canecas de madeira com suco de frutas cítricas e um prato generoso de pão rústico com manteiga temperada. Com um sorriso caloroso, ela os deixou à vontade, voltando para a cozinha com a promessa de trazer o ensopado especial.

Jack foi o primeiro a quebrar o silêncio, apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos:

— "Muito bem, capitão… vamos falar do que importa. Estamos numa ilha famosa por seus estaleiros. Se queremos entrar na Grand Line vivos, temos que sair daqui com um navio de verdade."

Naruto bebeu um gole do suco, limpou a boca com as costas da mão e respondeu:

— "Eu não quero qualquer navio… quero um que seja forte, rápido e que consiga aguentar qualquer coisa. Tempestades, monstros do mar, batalhas... tudo."

Sanji, mordendo um pedaço do pão, acrescentou de boca cheia:

— "E com uma cozinha decente. A última era praticamente um caixote com fogo dentro."

Jack riu.

— "É, e isso vindo do nosso cozinheiro oficial… bom, temos que pensar grande. Crescentia tem três estaleiros principais. Um deles pertence à própria marinha — obviamente fora de cogitação. Outro é voltado pra navios mercantes… nada que serviria pra piratas. Mas o terceiro... ah, o terceiro é especial."

Naruto se inclinou um pouco pra frente, interessado.

— "O que tem de especial?"

Jack baixou o tom da voz, como se contasse um segredo:

— É gerido por um velho mestre construtor chamado Dorian. Ele trabalhou décadas atrás para a própria marinha, construindo navios de guerra. Mas abandonou tudo depois de uma briga com um comandante e montou o próprio estaleiro, longe da vista da capital. Ele constroi por encomenda… barcos únicos, feitos à mão, com materiais da melhor qualidade no East Blue e técnicas que só ele conhece."

Sanji arqueou uma sobrancelha.

— "E ele aceitaria construir pra piratas?"

— "Se pagarmos o preço certo… e se ganharmos o respeito dele, talvez. Dizem que Dorian só aceita construir navios para quem ele acredita que vai realmente desafiar os mares. Ele detesta covardes."

Naruto ficou pensativo por um instante, e então falou com convicção:

— "Então é ele. É esse cara que vai construir o meu navio. Um que consiga cruzar a Reverse Mountain e me leve até o fim do mundo se for preciso."

Jack assentiu lentamente.

— "Bom… então precisamos planejar. Amanhã vamos até o estaleiro dele, mas antes disso precisamos levantar informações. Saber como chegar, com quem falar, e principalmente… não chamar atenção da marinha. Estamos literalmente dentro de uma das maiores bases do East Blue."

Sanji olhou pela janela com a testa franzida.

— "Esse lugar pode ser bonito, mas eu não gosto de como alguns olhares nos seguem desde que entramos. Melhor comermos, descansarmos… e amanhã nos mexermos com cuidado."

Naruto então apoiou o cotovelo na mesa e olhou para os dois companheiros com um sorriso determinado.

— "Se a gente conseguir esse navio… aí sim, vamos estar prontos. A Grand Line vai ser só o começo."

Jack ergueu sua caneca.

— "Ao começo de uma tripulação de verdade, então."

Sanji também ergueu a dele, com um sorriso de canto de boca.

— "Desde que tenha uma cozinha, eu brindo."

Naruto ergueu a caneca com os olhos brilhando de empolgação.

— "Ao navio que vai me levar a ser o Rei dos Piratas."

As três canecas se chocaram com um leve tink, e naquele instante, sob a luz dourada do fim da tarde e o cheiro do ensopado vindo da cozinha, o primeiro verdadeiro plano da tripulação começou a tomar forma.

O sol já começava a descer lentamente no horizonte, tingindo o céu da Ilha de Crescentia com tons de laranja e púrpura. No alto do convés de um dos maiores navios da marinha atracados no estaleiro, o jovem de cabelos castanhos desgrenhados e olhar atento finalizava seu último ajuste nas cordas principais da vela central. Suas mãos, calejadas pelo trabalho constante, se moviam com precisão enquanto amarrava os nós, e seus olhos, de um verde intenso como o mar profundo, analisavam cada detalhe com uma calma meticulosa.

Suado, coberto por fuligem e poeira de sal, ele desceu por uma das cordas laterais com a agilidade de alguém acostumado a viver pendurado no mastro. Quando seus pés tocaram o chão do cais, respirou fundo e passou a manga da camisa sobre a testa, limpando o suor de um dia interios de serviso.

O céu já estava tingido por tons dourados e rosados quando Jim decidiu fazer um desvio antes de ir direto para casa. Seus pés o levaram por caminhos que já conhecia de cor, passando pelas docas de madeira rangente até alcançar o estaleiro mais respeitado da Ilha Crescentia — o estaleiro de Dorian. Aquele lugar tinha cheiro de maresia, serragem e nostalgia. Era quase como visitar o passado.

Assim que Jim entrou pelo portão de ferro meio enferrujado, ouviu o som familiar do martelo batendo madeira e o tilintar de correntes sendo puxadas. No centro do pátio, cercado por andaimes improvisados, erguia-se um majestoso navio em construção, com linhas elegantes e um casco forte. Mas antes que pudesse examinar melhor, ouviu uma voz grave e ranzinza, porém cheia de carinho:

— "Ora, ora, se não é o pequeno pirralho do Thomas voltando pra me visitar depois de tanto tempo!"

Jim abriu um sorriso largo e ergueu a mão em um aceno descontraído.

— "Oi, tio Dorian!"

Do alto de uma plataforma, surgiu o velho construtor naval. Sua barba espessa já estava quase toda branca, e suas mãos, calejadas, carregavam a marca de décadas lidando com madeira, pregos e sonhos. Dorian desceu os degraus com a agilidade surpreendente para alguém da sua idade, limpando o suor da testa com um pano sujo de graxa.

— "Tava começando a achar que você tinha me trocado por aqueles canhões da Marinha," resmungou, embora o brilho em seus olhos traísse a afeição que sentia por Jim.

Jim deu um riso leve, caminhando até ele.

— "Você sabe que eu sempre passo aqui quando posso. Só… andei ocupado."

— "Ocupado, bah! Quando eu tinha sua idade, já tinha cruzado três arquipélagos e escapado de dois bloqueios navais! Mas tudo bem… vem cá, quero te mostrar uma coisa."

Com um gesto amplo, Dorian conduziu Jim até a estrutura que dominava o estaleiro. Assim que chegaram perto, Jim ficou boquiaberto.

— "Uau…"

O navio ainda estava em processo de finalização, mas já era magnífico. Seu casco era longo, elegante, mas visivelmente resistente. A madeira escura tinha um brilho suave sob o pôr do sol, e as velas — embora ainda não içadas — estavam dobradas com precisão, já marcadas com desenhos de ondas estilizadas e símbolos marítimos antigos. O formato lembrava claramente o lendário navio de Sinbad, dos contos que Jim lia quando criança.

— "Você reconhece?" perguntou Dorian, orgulhoso, cruzando os braços.

— "É igual ao navio do Sinbad… o que viajou pelo mundo e enfrentou monstros e deuses…" Jim murmurou, maravilhado.

Dorian deu um tapinha firme nas costas do rapaz.

— "O mesmo. Ou quase. Uma versão um pouco mais robusta, com reforço especial no casco e muito maior do que o original. Vai aguentar o que vier na Grand Line. Mas esse navio… ainda não tem dono."

Jim se virou para ele, intrigado.

— "Você não está construindo pra ninguém?"

— "Não, os que eu construo para clientes estão do outro lado do hangar do meu estaleiro Jimmy. Esse aqui é especial, eu construo por paixão. Só vai navegar quando o capitão certo aparecer." Ele olhou diretamente nos olhos do rapaz. "Alguém com o espírito certo. Aquele brilho nos olhos… como o que seu pai tinha."

Jim desviou o olhar por um segundo, sentindo um aperto no peito, misturado com orgulho.

— "Eu não sei… ainda não tô pronto."

Dorian sorriu, mais suave agora.

— "Talvez não esteja mesmo. Mas vai estar. E quando esse dia chegar, esse navio vai te esperar. Porque é isso que ele foi feito pra fazer… voar com alguém que sonha alto."

Os dois ficaram em silêncio por um momento, contemplando o navio sob a luz do entardecer, com o som das ondas quebrando suavemente ao fundo.

— "Jim! Ei, garoto, venha aqui um instante!"

A voz rouca e familiar vinha de um dos galpões do estaleiro de Dorian. Era o velho mestre carpinteiro Osvaldo, um homem magro como um prego, com barba branca curta e uma bandana azul sobre a testa suada. Ele gesticulava ansioso perto de uma das embarcações em construção.

Jim se aproximou, curioso, enquanto Dorian o seguia para saber o que estava acontecendo.

— "O que foi, mestre Osvaldo?"

— "A gente tá com um problema aqui que só você consegue resolver direito."

O garoto arqueou uma sobrancelha.

— "E o que seria?"

— "Ajuste de velame principal. Aquela corda precisa passar exatamente por dentro do anel central da engrenagem do mastro… e ninguém aqui tem precisão o bastante pra arremessar o gancho de metal no ângulo certo. Se errar por pouco, o gancho não encaixa, trava tudo, e vamos perder mais meio-dia desmontando a armação."

" Nós não temos cabos de estensão para resolver esse problema Osvaldo!" pergunta Dorian

" Lamento senhor mas o que temos não são o suficientemente longos para chegar tão alto assim "

" Mais que droga, Bem jim só sobre você para resolver isso " Diz Dorian

Jim olhou para cima. O mastro do navio em construção se erguia como uma torre de madeira pura, com cordas penduradas e andaimes improvisados. Lá no alto, a polia principal esperava o encaixe da corda com o gancho de aço. Era um buraco minúsculo — talvez do tamanho de um punho fechado — e o ar estava começando a ficar úmido com a mudança do clima. Um erro de cálculo e o gancho poderia cair, danificar o deck ou, pior, machucar alguém.

Jim sorriu. Aquilo era um desafio, e ele adorava desafios.

— "Me dê o gancho e me diga de que ponto vocês querem que eu arremesse."

Osvaldo o levou até uma plataforma lateral improvisada a mais de vinte metros do solo. Lá embaixo, os carpinteiros pararam para observar. Jim ajustou a posição dos pés, girou o ombro direito, e analisou o vento. Mesmo com as mãos nuas, sentiu a leve mudança de pressão no ar. Sua percepção era aguçada — ele reparava nas pequenas coisas: o modo como o vento se curvava entre as cordas, o modo como a madeira ressoava sob seus pés, o exato momento em que o mundo ficava… calmo.

Ele girou o gancho uma vez na mão, respirou fundo e arremessou.

O gancho subiu em um arco elegante e preciso, girando sobre si como uma estrela cadente, e atravessou perfeitamente o anel da engrenagem — encaixando-se com um clique metálico. Os homens ao redor soltaram um grito coletivo de surpresa e alívio.

— "ELE CONSEGUIU!"

— "Que mira, garoto!"

— "Se não fosse meu sobrinho, eu dizia que tinha usado magia," gritou Dorian no pátio gargalhando.

Jim apenas sorriu de canto, descendo da plataforma com calma.

— "Só prestei atenção no vento."

Osvaldo lhe deu um tapinha nas costas.

— "Você tem um dom, Jim. Não desperdice isso."

Jim apenas olhou para o céu, onde o gancho balançava suavemente preso à engrenagem. Lá no fundo, algo dentro dele vibrava com a vontade de explorar o mundo, ir além daquela ilha… onde ele pudesse usar sua mira, sua percepção, seu instinto — não só para trabalho, mas para aventura.

— "Agora vai, antes que sua mãe mande alguém me buscar com um rolo de massa," brincou Dorian, empurrando Jim de leve.

Jim riu, se afastando devagar, mas olhando para trás uma última vez.

— "Obrigado, tio Dorian."

— "Sempre, moleque. Vai viver. Vai buscar teu sonho."

E assim, com o coração mais leve e a mente fervilhando de ideias, Jim seguiu seu caminho, levando consigo a imagem daquele navio — a promessa de um futuro que talvez estivesse mais próximo do que imaginava.

A vila portuária de Crescentia estava, masque viva. E entre os telhados baixos e ruas de pedra, havia um lugar que sempre o chamava de volta: sua casa.

O restaurante, de fachada simples e bem cuidada, exalava um cheiro inconfundível de comida caseira. As janelas abertas deixavam escapar o som de risos, pratos tilintando e conversas calorosas. Ao se aproximar da porta lateral, usada apenas pelos moradores da casa, Jim lançou um breve olhar pela janela do salão principal.

A porta dos fundos do restaurante rangeu suavemente quando Jim a empurrou. O calor familiar da cozinha o envolveu de imediato — o aroma de ensopado recém-feito, o som da chaleira apitando, e o crepitar suave da lenha no forno antigo. Ele mal deu dois passos para dentro antes de ser surpreendido.

— "Jim!" — a voz de sua mãe, Sarah Hawkins, ecoou em pura alegria antes que ela se lançasse em seus braços.

Ela o envolveu num abraço apertado, o rosto escondido no ombro do filho, como se o dia só estivesse completo com aquele reencontro. Em seguida, cobriu seu rosto com beijos carinhosos, sorrindo como só uma mãe sabe sorrir ao ver o filho voltar são e salvo.

— "Você chegou mais cedo hoje!" — disse ela, passando a mão pelos cabelos dele como fazia desde que ele era criança.

Jim sorriu de leve, ainda envolto no calor do momento. — "O turno acabou um pouco antes... Nada fora do normal hoje." Ele retribuiu o abraço com firmeza, apoiando o queixo no ombro dela por um instante antes de se afastar gentilmente.

Sarah pegou as mãos do filho, ainda sorrindo. — "Então é perfeito! Preciso da sua ajuda, meu amor."

— "Claro. O que você precisa?"

— "Temos três hóspedes novos esta noite. Estão na mesa da frente — simpáticos, embora um deles seja meio... espevitado." — Ela riu, lembrando-se das piadas do loiro de cabelos espetados, claramente se referindo a Naruto. — "Quero que você arrume o quarto de hóspedes com as três camas extras, e troque a roupa de cama, está bem?"

Jim assentiu, olhando de soslaio para o salão, onde os três viajantes agora observavam a cena através do vão da porta. Naruto apoiava o rosto na mão, sorrindo divertido. Sanji arqueava uma sobrancelha, analisando Jim com um olhar mais sério, enquanto Jack girava calmamente uma moeda os dedos, sem dizer nada.

— "Eles vão dormir aqui hoje?" — perguntou Jim, mais para si do que para a mãe.

— "Sim, estão apenas de passagem. Mas a noite vai ser fria, e o pequeno barco em que vieram mal parece segurar um bom vento. Aqui eles terão uma cama quente e uma refeição decente."

Sarah deu um tapinha leve no ombro do filho e voltou à cozinha, enquanto Jim subia as escadas, já visualizando o trabalho que teria com os lençóis e os travesseiros. Lá embaixo, Naruto se inclinou em direção a Jack e Sanji e comentou em voz baixa:

— "Esse aí tem jeito de ser gente boa..."

Jack apenas sorriu.

— "Talvez mais do que você imagina, capitão..."

Naruto e seus companheiros se encontravam mais relaxados após o jantar no restaurante de Sarah Hawkins. A conversa fluía naturalmente, mas Naruto, com seu jeito curioso e espontâneo, não conseguia evitar a pergunta que o vinha cutucando desde que haviam chegado à ilha.

Sentado com os cotovelos apoiados sobre a mesa de madeira rústica, ele olhou para Sarah, que arrumava alguns pratos vazios com um pano limpo pendurado no ombro.

— "Sarah... Posso te fazer uma pergunta meio boba?" — disse Naruto, com um meio sorriso.

Sarah parou por um segundo, apoiando a bandeja de pratos na bancada ao lado, e virou-se para ele com um sorriso caloroso.

— "Claro, Naruto. Pode perguntar o que quiser."

— "Por que essa ilha tem esse nome? 'Ilha da Lua Pálida'... É um nome bonito, mas estranho também. Tem alguma história por trás disso?"

Ao ouvir aquilo, Sarah sorriu ainda mais. Era raro ver alguém realmente interessado nas raízes da ilha. Ela puxou uma cadeira e se sentou junto a eles, descansando por um momento.

— "Não é uma pergunta boba, é uma ótima pergunta. E já faz tempo que ninguém me faz ela..." — disse, olhando levemente para cima, como se puxasse as memórias com cuidado.

Ela pegou um copo com água e deu um pequeno gole antes de continuar, com a voz suave e envolvente, quase como se contasse uma lenda antiga.

— "A ilha de Crescentia, como é conhecida hoje, é única em todo o East Blue. Não só pela sua localização ou pelas correntes ao redor... mas pelo que cresce debaixo das suas águas."

— "Você tá falando dos corais?" — perguntou Sanji, interessado.

— "Sim. Mas não são corais comuns. Há uma enorme enseada de corais que contorna quase toda a ilha, formando uma espécie de anel natural. E entre esses corais, existe um tipo muito raro — um coral branco-pérola. Ele tem um brilho levemente prateado quando refletido pela luz da lua."

Naruto arregalou os olhos, curioso.

— "E o que tem de especial nele?"

Sarah apoiou os cotovelos sobre a mesa, agora claramente animada em contar mais.

— "Esse coral é especial por vários motivos. Primeiro, ele pode ser processado para extrair uma essência branca pura... uma substância que, quando refinada, se torna uma das tintas de mais alta qualidade de todo o mundo. Essa tinta, Naruto, é tão resistente que mesmo os navios que enfrentam anos no mar continuam com suas cores vibrantes. Alguns dizem que ela dura mais de vinte anos sem desbotar."

Sanji assobiou, impressionado.

— "E não é só isso. A culinária da ilha também usa esse coral. Pequenos fragmentos dele, que se soltam naturalmente ou são retirados com cuidado, são secos e moídos, virando um tempero mineral raro. Tem um gosto leve, quase cítrico, e é parte essencial do prato típico daqui — o arroz do luar. Uma receita passada de geração em geração."

Sarah se levantou lentamente e apontou pela janela do restaurante, para as falésias do lado leste da ilha, onde o mar batia suavemente contra as pedras brancas.

— "Mas sabe qual é o verdadeiro motivo do nome 'Ilha da Lua Pálida'?"

Naruto balançou a cabeça, atento.

— "Dois motivos, na verdade."

Sarah sorriu com um ar de encantamento no olhar.

— "Primeiro: se você observar um mapa aéreo da ilha, verá que sua forma natural lembra uma lua crescente. Como se fosse uma lua cortada, bem desenhada pelas próprias mãos da natureza. E segundo..."

Ela se virou para eles, sua voz ficando um pouco mais baixa, quase como se fosse um segredo.

— "...é o que acontece quando os corais brancos morrem. Sejam arrancados por peixes ou destruídos pelas ondas fortes, esses pedaços quebrados são levados até a margem. Com o tempo, eles se fragmentam tanto que viram pó branco — misturando-se com a areia. Assim, as praias de Crescentia tornaram-se brancas como marfim. Tão brancas quanto a luz da lua cheia. E quando a lua aparece no céu, e sua luz se reflete sobre essa areia branca... parece que você está andando na própria lua."

Todos ficaram em silêncio por alguns instantes, imersos na imagem que Sarah acabara de pintar com palavras. O brilho do luar nas praias brancas... a visão devia ser algo que beirava o sonho.

Naruto, com os olhos brilhando, falou quase num sussurro:

— "Uau... agora eu entendo por que esse lugar é especial."

Sarah sorriu, voltando a recolher os pratos da mesa.

Sarah já estava de pé novamente, mas sua mente ainda estava conectada às memórias e à história que acabara de compartilhar. Naruto, Sanji e Jack permaneciam em silêncio por alguns segundos, como se estivessem saboreando aquela imagem vívida da areia branca sob o luar.

Jack foi o primeiro a quebrar o silêncio, com um leve sorriso no rosto:

— "Hah… essa ilha é mesmo cheia de surpresas. Não é só uma joia do East Blue — é um baú de tesouros culturais também."

Sarah riu suavemente, cruzando os braços com carinho.

— "Eu diria que é uma ilha de contrastes. Tem beleza, mas também tem cicatrizes. Quando descobriram o valor do coral branco, a exploração começou ferozmente. Muitos vieram de outras ilhas para tentar lucrar, arrancando os corais sem cuidado, danificando o ecossistema marinho. Foi aí que a marinha se estabeleceu com força por aqui — pra proteger o que sobrou."

Naruto inclinou-se um pouco sobre a mesa, intrigado.

— "Então… o coral virou tipo o coração da ilha, né? Ele dá cor pros navios, sabor pra comida, e até molda a aparência da praia..."

Sarah assentiu.

— "Exato. E sabe o que é mais interessante, Naruto? O coral branco só cresce aqui. Ninguém nunca conseguiu transportá-lo pra outra ilha e fazê-lo prosperar. Alguns dizem que é por causa da corrente quente que passa debaixo da ilha. Outros acham que tem a ver com a lua mesmo… uma lenda antiga diz que o coral branco só nasce em lugares tocados pela luz da lua quando ela está mais pura. E Crescentia… bom, o nome já diz tudo."

Jack arqueou uma sobrancelha, curioso.

— "Lendas, hein? E esse coral já teve algum... uso mais simbólico? Algo além da tinta ou do tempero?"

Sarah olhou para ele com um brilho no olhar.

— "Já sim. Antigamente, era costume aqui presentear os navegadores que partiam para a Grand Line com um pingente feito do primeiro fragmento de coral branco que tocasse a areia naquela estação. Um amuleto de proteção, sabe? Uma forma de desejar que voltassem vivos — ou que suas histórias jamais fossem esquecidas."

Naruto sorriu. Ele gostava daquilo. Da ideia de carregar um pedaço da ilha, um pedaço da lua, com ele… uma promessa de retorno e um lembrete de onde partiu.

— "Eu queria ver isso com meus próprios olhos. As praias brancas, o coral brilhando sob a lua…"

Sarah assentiu, ainda sorrindo.

— "Hoje à noite, a lua estará cheia. Se vocês forem até o lado norte da ilha, na enseada de Luar, vão entender por que esse lugar carrega esse nome com tanto orgulho."

Naruto trocou olhares com Sanji e Jack, e os três sabiam: antes de partirem para cruzar a Reverse Mountain, precisavam ver aquilo com os próprios olhos. Como se fosse uma bênção silenciosa da ilha.

Sarah recolheu os pratos restantes e fez um gesto carinhoso com a cabeça:

— "Amanhã vocês vão atrás do navio dos sonhos, não é? Pois esta noite, aproveitem o que a ilha tem de mais mágico. Nem todo tesouro é feito de ouro e prata."

Com isso, ela se retirou em direção à cozinha, deixando os três em um momento de contemplação.

Do lado de fora, a brisa noturna começava a soprar, e a luz da lua cheia já despontava no céu — pálida, brilhante, e misteriosamente familiar.

A escada de madeira rangeu sob o peso dos passos calmos de Jim enquanto ele guiava os três hóspedes pelo estreito corredor do andar superior. Com uma lanterna a óleo na mão, ele iluminava o caminho suavemente, revelando as molduras simples nas paredes e o cheiro leve de madeira encerada misturado ao perfume de alfazema que sua mãe sempre usava nos lençóis limpos.

— "Aqui está," — disse ele, parando diante de uma porta ao final do corredor. Abriu-a com cuidado e se afastou, deixando-os ver o interior aconchegante do quarto.

Era simples, mas acolhedor. Três camas de madeira escura estavam alinhadas, todas com colchões macios, lençóis recém-passados e cobertores dobrados com capricho. Havia uma janela com cortinas leves que balançavam com a brisa suave da noite, e uma pequena estante com alguns livros antigos e um lampião aceso no canto. Uma mesa baixa com uma jarra d'água e três copos completava o ambiente.

— "Minha mãe se certificou de deixar tudo arrumado. Espero que gostem." — disse Jim, ainda de pé na porta.

Naruto olhou em volta com os olhos brilhando de entusiasmo e gratidão. — "Gostar? Cara... depois de dias naquele barquinho, isso aqui é o paraíso! Valeu mesmo."

Jim deu um leve sorriso e fez um gesto com a cabeça. — "Boa noite, então." E, com isso, se virou para o corredor e caminhou lentamente até seu próprio quarto, logo ao lado, fechando a porta com um clique suave.

No silêncio da noite, ele se jogou na cama, mas não conseguiu dormir de imediato. Ouvia vozes abafadas através da parede de madeira fina — não por intenção, mas porque o isolamento acústico da casa era precário e o trio do outro lado não se preocupava em sussurrar.

— "Amanhã vai ser o dia," disse a voz animada de Naruto. "A gente precisa de um navio de verdade se quiser atravessar a Reverse Mountain."

— "E como exatamente pretende conseguir isso, cabeça de vento?" — respondeu Sanji com um tom levemente sarcástico. "Barcos desse porte não são vendidos como fruta na feira."

— "Jack disse que essa ilha tem um homen chamado Dorian lembra," completou Naruto. "E se a gente jogar bem nossas cartas... talvez a gente convença ele a ajudar."

Jim, deitado com os olhos no teto, franziu a testa. Reverse Mountain? Estaleiros? Dorian?

— "Ajudar? Você quer convencer um mestre construtor a entregar um navio desses pra três forasteiros desconhecidos?" — A voz de Sanji carregava ceticismo.

— "Não somos tão desconhecidos assim," interrompeu Jack, calmo como sempre. "E essa ilha tem um velho nome nos bastidores... tem gente aqui que ainda se lembra de mim."

Houve uma breve pausa. Jim prendeu a respiração, intrigado.

— "Amanhã cedo vamos explorar. Procurar pistas, nomes, contatos... alguém aqui vai nos levar até esse homem Dorian certo." — concluiu Naruto.

Jim se sentou devagar na cama, o olhar sério agora voltado para a janela. Ele não sabia quem exatamente eram aqueles três... mas se queriam sair da ilha com um navio poderoso o bastante para enfrentar a entrada da Grand Line, talvez... talvez ele pudesse se envolver. Ainda não sabia como, mas algo dentro dele dizia que aqueles caras estavam prestes a mexer com toda Crescentia.

E talvez, só talvez... essa fosse sua chance de viver algo muito maior do que a rotina previsível de sempre.

A noite repousava suavemente sobre Crescentia, com o som das ondas sussurrando ao longe e o perfume salgado do mar deslizando pelas ruas silenciosas da cidade portuária. Dentro do quarto de hóspedes, em uma pousada discreta anexa ao restaurante, as luzes já estavam baixas. Apenas a janela aberta deixava entrar a claridade natural da lua.

Naruto se aproximou da moldura de madeira, apoiando os braços cruzados sobre o parapeito. Sanji estava sentado em uma cadeira com um cigarro entre os dedos, olhando preguiçosamente pela fresta da cortina. Jack estava recostado contra a parede, com um copo d'água pela metade, observando em silêncio.

Do alto do segundo andar, a visão era serena, quase etérea.

A praia ao longe, emoldurada por dunas claras e palmeiras solitárias, reluzia como prata líquida. O mar refletia a luz pálida da lua — uma esfera branca que pairava no céu como uma guardiã distante — e a areia, com seu tom quase branco, parecia brilhar suavemente. Pequenas ondas vinham e iam, em um ritmo tão constante quanto uma canção de ninar antiga.

— "Tsc… uma praia dessas e a gente trancado aqui dentro," resmungou Sanji com uma leve frustração poética.

Naruto, no entanto, não parecia desapontado. Seus olhos azuis estavam fixos na paisagem, mas sua mente parecia muito além dali.

— "É bonito… tranquilo," disse ele, sua voz carregando um tom quase admirado. "Mesmo sem pisar lá, só de ver já parece que… lava a alma."

Jack, em silêncio, terminou seu gole de água e foi até a janela também. O vento leve que passava pela abertura bagunçava seus cabelos enquanto ele observava.

— "Crescentia não tem só navios bons… tem beleza demais pra um lugar só," comentou, quase como se falasse para si mesmo.

Por um instante, nenhum deles falou mais nada. Só ficaram ali, contemplando. O momento era frágil, feito vidro — mas também poderoso. O tipo de visão que permanece no coração dos viajantes, que acende desejos antigos de liberdade, de partir, de cruzar horizontes.

Era o tipo de cena que um dia, em um navio qualquer, sob uma tempestade ou uma batalha, ainda viveria em suas memórias como um fragmento de paz.

Naruto sorriu de leve, ainda encarando o mar.

— "Amanhã... a gente parte. Mas essa noite, essa visão… acho que vou guardar."

E, naquele silêncio sagrado, onde o mundo parecia suspenso entre sonho e realidade, os três piratas — cada um com seus fantasmas, planos e desejos — compartilharam um momento de rara calma. Um pedaço de lua, de mar, de tempo… que seria deles para sempre.

A noite havia caído sobre a ilha de Crescentia, cobrindo as construções elegantes e industriais com o manto escuro de tranquilidade ilusória. Mas no coração da base naval da ilha — uma imensa fortaleza cinzenta de pedra e metal cravada nas falésias ao norte — as luzes continuavam acesas.

Lá dentro, entre colunas de mármore azuladas e bandeiras da Marinha tremulando sob o sopro de lanternas a gás, o Comodoro Mizuki caminhava lentamente pelo salão principal de sua ala pessoal. Sua farda branca estava impecável, cintilando com medalhas de campanhas que ele nunca havia vencido em campo, mas que soubera conquistar por política e manipulação.

Ele se aproximou da grande mesa oval de cristal negro, onde estava de pé seu vice-comandante, um homem magro e pálido, de olhar sonolento e sorriso malicioso: Tenente Carver.

— "Mais um relatório da inteligência," disse Canver, estendendo uma pasta de couro com o selo da Marinha.

Mizuki pegou a pasta sem pressa. Seus olhos deslizaram sobre as informações com desdém quase teatral, como se já soubesse o conteúdo antes mesmo de ler. Havia menções a três suspeitos: um jovem loiro com personalidade provocadora, outro mais sério de cabelos dourados encaracolados e um último — com cabelos bagunçados e atitude estranha — que fora claramente identificado como Jack Sparrow, o pirata recém-resgatado.

Mizuki soltou um suspiro arrogante, fechando a pasta com um estalo.

— "Criminosos comuns," disse ele com frieza. "Moleques com sonhos grandes demais e sorte de principiante."

Carver deu uma risada seca. — "Devem estar achando que vão se tornar lendas."

— "E vão…," respondeu Mizuki, ajeitando os punhos da luva branca. "...lendas esquecidas no fundo do oceano. Como todos os que vieram antes com essa ilusão de cruzar a Grand Line. Deixe-os brincar. A maré vai levá-los."

Carver se encostou numa cadeira, relaxando. — "Quer que eu envie patrulhas para vasculhar a cidade amanhã?"

Mizuki balançou a cabeça lentamente.

— "Não vale o esforço. Eles ainda nem têm um navio. Além disso… eu tenho coisa melhor para fazer "

Ele se virou, encarando o grande retrato de si mesmo pendurado atrás da mesa — uma pintura onde Mizuki aparece empunhando uma espada decorativa, com o olhar para o horizonte como um herói de contos fictícios.

— "Entendido, senhor," disse Carver, com um leve sorriso. "Vou arquivar o caso como... sem prioridade."

Mizuki virou-se novamente, os olhos frios como a brisa que vinha do mar pela sacada do salão.

— "Exato. Esses três vão se destruir sozinhos. Nós só precisamos assistir."

Ele ergueu uma taça de vinho que estava sobre a mesa, girando o líquido escuro com a mesma elegância falsa com que girava o destino de homens em relatórios.

Do lado de fora, o símbolo da Marinha brilhava à luz das tochas. Mas, por trás daquela fachada de ordem e justiça... o verdadeiro descaso governava.

A alvorada mal havia tocado o céu de Crescentia quando os primeiros passos apressados ecoaram pelas vielas ainda vazias da cidade. Naruto, Sanji e Jack andavam juntos, cada um com o rosto parcialmente encoberto por capas simples, evitando chamar atenção. A luz suave da manhã tingia os telhados com tons dourados, e as gaivotas começavam seu ritual de voo pelas rotas costeiras.

— "Temos que achar esse velho antes que os olhos da Marinha abram," disse Naruto em voz baixa, ajustando a faixa azul que usava sobre a testa como forma improvisada de esconder os cabelos dourados.

Jack assentiu. — "Ele é conhecido por alguns como 'O Olho do Luar'. Dizem que só aparece quando quer… mas se alguém pode indicar um navio que sobreviva à Reverse Mountain, é ele."

Sanji bufou levemente. — "Se for só mais um velho bêbado com histórias de marinheiro, eu mesmo boto fogo na cadeira dele."

Eles vasculharam a ilha inteira.

Foram até o mercado de peixes, onde conversaram com pescadores velhos e rabugentos. Passaram pela zona dos armazéns navais, onde a fumaça dos fornos dos ferreiros subia como colunas de suor. Foram à taverna dos estivadores, ao pequeno cemitério de âncoras abandonadas e até ao templo dos ventos, onde monges tatuados observavam o mar em silêncio.

Em cada lugar, a mesma resposta:

— "O velho? Ninguém vê ele faz meses."

Foi só no final da manhã, com os estômagos já reclamando e os ânimos se esgotando, que encontraram um homem de olhos apertados e dedos calejados lixando uma prancha de madeira na beira de um galpão quase esquecido.

— "Tão atrás do Elias?" perguntou ele sem levantar os olhos. "Sigam a trilha atrás da enseada das pedras, ele vive lá… ou pelo menos dorme por lá."

Naruto assentiu. Jack sorriu. Sanji acendeu outro cigarro.

— "Finalmente."

Enquanto isso, algumas ruas atrás, passos leves seguiam na sombra.

Jim Hawkins, ainda usando o seu colete aberto, vinha os seguindo desde o momento em que eles saíram da hospedaria. Não sabia o porquê exato — talvez fosse instinto, talvez fosse curiosidade. Mas havia algo diferente nesses três. Algo que não combinava com o ar de viajantes inocentes.

Saltando de telhado em telhado, escorando-se em esquinas, fingindo ler jornais, Jim os acompanhou com maestria.

Até que, quando atravessavam a parte traseira de um mercado coberto, Naruto parou de repente. Seus olhos brilharam por um instante, não de alarme… mas de compreensão.

Ele olhou discretamente para Sanji, que o seguia logo atrás. Com um leve movimento de cabeça, Naruto deu um sinal sutil.

"Temos uma sombra."

Sanji olhou de esgueira para uma esquina e viu, por uma fração de segundo, um vulto se mover. Mas ao contrário do que faria normalmente, ele não se mexeu. Apenas tragou o cigarro e deu outro sinal de cabeça.

"Deixa ele vir."

Jack percebeu a troca. Com seus olhos experientes, rapidamente entendeu a jogada. Viu o reflexo de uma sombra no vidro de uma carroça estacionada. Sorriu com os próprios pensamentos e não disse nada.

Continuaram o caminho.

Finalmente chegaram à cabana escondida entre as pedras e o mato salgado da enseada. Lá encontraram o velho Elias: cabelos brancos como espuma, olhos opacos, e pele marcada pelo tempo e pela maresia. Ele os recebeu sem surpresa, como se já esperasse a visita.

— "Querem um navio… um que suba a Montanha Reversa sem virar fogueira flutuante?" perguntou o velho, cuspindo no chão.

Naruto assentiu.

Elias bufou. — "Se fosse há vinte anos… talvez. Mas hoje? Só conheço um homem capaz de construir uma embarcação dessas. E ele não sou eu."

Jack franziu a testa. — "Quem então?"

O velho sorriu de lado, quase sem dentes. — "Dorian. O 'Velho Lobo do Estaleiro'. Ele tem um navio… e dizem que é mais rápido que o próprio vento."

Naquele momento, Jim ouviu tudo da beirada das pedras, abaixado atrás de uma moita de arbustos salinos. Seus olhos estavam arregalados. Dorian… o velho Dorian? Seu tio?

E então, por algum motivo que ele mesmo não soube explicar de imediato, ele tomou sua decisão.

Ergueu-se, afastou as folhas e revelou-se.

— "Eu posso levar vocês até ele."

Naruto, Sanji e Jack o encararam. Não houve espanto — apenas um momento de silêncio, seguido de sorrisos tranquilos.

Naruto cruzou os braços. — "Sabia que era você. Desde o segundo mercado."

Sanji tragou o cigarro, exalando pela lateral da boca. — "Então… o filho da Sarah resolveu falar com a gente."

Jack sorriu e ergueu uma sobrancelha. — "Você tem nome, garoto?"

Jim ergueu o queixo. — "Jim Hawkins. E eu sei onde encontrar Dorian."

O sol já começava a subir em seu ponto mais alto quando os quatro — Naruto, Sanji, Jack e Jim — caminharam juntos pela trilha de pedras que serpenteava a borda litorânea, deixando para trás a enseada escondida do velho Elias.

O silêncio entre eles era denso, mas não desconfortável. Era o tipo de silêncio que precedia algo importante, como o momento em que o mar recua antes da próxima onda.

Naruto caminhava ao lado de Jim, observando o garoto com olhos curiosos. Apesar de sua expressão firme e passos seguros, havia algo em Jim… algo que o fazia parecer dividido entre dois mundos.

— "Você não parece alguém que vive com medo da Marinha," comentou Naruto, quebrando o silêncio com um tom leve.

Jim deu de ombros. — "É porque eu não vivo. Mas também não sou um pirata... ainda."

Sanji riu baixo ao fundo, tirando o cigarro dos lábios. — "Esse 'ainda' entregou tudo."

— "Você cresceu aqui?" perguntou Jack, suas botas batendo suavemente nas pedras.

— "Sim," respondeu Jim. "Minha mãe me criou sozinha. E... Dorian sempre esteve por perto. Ele foi o melhor amigo do meu pai. Um pirata... não um dos grandes, mas sobreviveu à Grand Line. E Dorian sempre cuidou da gente desde que meu pai desapareceu."

Naruto sorriu de lado. — "Você fala dele como se fosse um tio."

Jim sorriu, dessa vez com mais leveza. — "É praticamente isso."

Pouco tempo depois, a trilha terminou em um portão de madeira reforçada com placas de ferro enferrujado. Além dele, se estendia um estaleiro largo, montado sobre pilares cravados diretamente nas águas rasas da enseada de coral. Havia grandes guindastes manuais, roldanas penduradas, pranchas empilhadas e mastros em fase de montagem. Um cheiro misturado de óleo, madeira recém-cortada e maresia pairava no ar.

Lá dentro, Dorian — um homem largo, de barba branca desgrenhada, braços tão grossos quanto cordas de navio e olhar duro como casco de galeão — martelava os últimos rebites em uma base de casco.

Ao ouvir os passos e a voz familiar de Jim, Dorian ergueu o olhar e seu semblante duro suavizou ligeiramente.

— "Hawkins? Você de novo? Não era pra estar de folga, moleque?"

Jim caminhou até ele com respeito, mas sem submissão.

— "Trouxe gente que precisa de ajuda. E... talvez você seja o único que pode oferecer."

Dorian olhou por cima do ombro de Jim e viu os três estranhos. Avaliou-os de cima a baixo com olhos experientes.

Naruto — firme, confiante, com o tipo de aura que não se compra.

Sanji — postura calma, cigarro no canto da boca, olhar de lobo.

Jack — olhar misterioso, o tipo que guarda mais do que mostra.

— "Vocês não são daqui," murmurou Dorian, voltando ao trabalho.

Naruto deu um passo à frente. — "Não. E não vamos ficar por muito tempo. Estamos indo para a Grand Line. E nos disseram que você talvez tenha... um navio capaz de enfrentar a montanha."

Dorian parou de martelar.

Silêncio.

Ele olhou para Jim, depois para Naruto novamente. Coçou a barba, soltando um longo suspiro.

— "Tem um navio... mas ele não é comum. E não é barato. Nem fácil de conseguir."

Jack se aproximou. — "Estamos dispostos a negociar."

Dorian girou e caminhou até uma lona grande no fundo do estaleiro. Com um puxão firme, revelou o navio que estavam procurando.

Ali estava ele, ainda em construção, mas já revelando sua imponência: casco curvado com reforço de metal nas bordas, velas sob medida feitas com tecido tratado de coral branco, e um leme decorado com um entalhe em forma de serpente do mar.

Era o mesmo navio inspirado em um lendário explorador dos Sete Mares — o Simba. Um projeto resgatado por Dorian, aprimorado com cada detalhe aprendido nas décadas de trabalho.

Sanji assobiou, impressionado.

Jim observava a cena, mas seu olhar estava em Naruto. Ele ainda tentava entender quem eram aqueles três de verdade… mas naquele instante, sentia que algo o puxava para essa jornada.

Dorian encarou o grupo e disse:

— "Se querem esse navio, vão precisar provar que são dignos dele. E ajudar com algo."

Naruto sorriu, confiante como sempre.
— "É só dizer o que precisa, velhote."

Dorian cruzou os braços, os olhos brilhando com astúcia por trás de rugas endurecidas pelo sal e pelo tempo. O homem não era tolo — sabia reconhecer aventureiros de verdade quando via um grupo como aquele. Mas confiança, coragem e bons reflexos não bastavam para merecer o navio de um lenda como aquele.

Ele virou-se lentamente, batendo com a mão no corrimão do estaleiro de madeira polida, chamando a atenção de todos.
— "Este navio não é apenas madeira e vela… ele é, espírito, e responsabilidade. Sinbad navegou por todos os oceanos conhecidos e desconhecidos, enfrentou horrores do Novo Mundo e viu terras que poucos sonhariam alcança."

Sanji, ainda observando o casco robusto e as velas cuidadosamente enroladas, murmurou:
— "E o que exatamente você quer em troca?"

Dorian voltou-se para eles, sua expressão agora mais séria, quase sombria.
— "Quero que vocês façam algo que nenhum da Marinha se atreveu a tentar. Há uma enseada escondida ao sul da ilha… um antigo navio de transporte foi engolido pelas rochas durante uma tempestade há semanas."

Jack arqueou uma sobrancelha.
— "Deixe-me adivinhar… carregamento importante ainda está lá dentro?"

— "Correto," disse Dorian. "Caixas com peças raras de coral branco processado e artefatos antigos que seriam enviados para pesquisa no Quartel da Marinha Central… mas a Marinha considerou a missão arriscada demais por causa da presença de uma criatura."

Naruto estreitou os olhos.
— "Criatura?"

Dorian assentiu lentamente.
— "Dizem que uma enguia gigante agora vive entre os destroços, atraída pela energia do coral branco e pelo cheiro de ferrugem e carne. É rápida, e esconde-se nas sombras do recife."

Sanji cruzou os braços, pensativo.
— "E ninguém tentou resgatar o conteúdo desde então?"

— "Tentei mandar alguns pescadores locais… só um voltou, e nem conseguiu falar do que viu. Desde então, todos evitam aquela parte da costa. Mas se vocês conseguirem trazer de volta pelo menos metade da carga — e voltarem vivos — o navio será de vocês."

Jim, quieto até então, apertou os punhos. Ele observava tudo com mais do que curiosidade agora. Havia um sentimento estranho nascido em seu peito: anseio.

Naruto trocou um olhar com Sanji e Jack. Depois, se virou para Dorian com aquele mesmo sorriso largo e destemido.
— "Então está combinado. A gente vai buscar seu tesouro… e mostrar que somos dignos desse navio."

Dorian sorriu de lado.
— "Vamos ver se os ventos realmente estão do lado de vocês, piratas."

O sol ainda mal havia rompido o horizonte quando Naruto, Sanji, Jack e Jim se encontraram novamente no estaleiro. O grupo estava em silêncio por alguns instantes, observando o navio repousar, como se aguardasse que eles estivessem prontos de verdade.

Dorian apareceu com passos pesados e um charuto apagado no canto da boca.
— "Se querem se meter naquela enseada, vão precisar de ajuda. E sorte. Mas principalmente, de alguém que conheça as profundezas como conhece sua própria casa e por sorte essa pessoa sou eu."

Dorian deu um passo à frente e disse:

— "Bem… pelo menos se vocês morrerem tentando conquistar um navio que vale a pena."

Jim, calado, observava Naruto com mais atenção. Ele sentia que havia algo de diferente naquele loiro — não apenas força ou coragem, mas uma espécie de brilho no olhar. Algo familiar… algo que ele próprio sentia quando olhava para o mar.

O sol mal havia nascido quando o barco de transporte partiu discretamente do cais oculto do Estaleiro Número 3. O casco cortava as águas silenciosas da costa sul da ilha de Crescentia como uma sombra, embalado por ondas preguiçosas e discretas. A neblina matinal cobria parcialmente as velas baixas e os mastros cobertos por lonas desbotadas.

Na proa, Dorian segurava o leme com mãos firmes e calejadas. Seu olhar, endurecido pelos anos de navegação e construção naval, estava focado no horizonte. A pequena embarcação era sua criação, discreta e funcional, feita para missões que não podiam chamar atenção. Ele nem precisava se preocupar com a guarda costeira — sendo o dono do Estaleiro Número 3, sua autoridade era suficiente para passar pelos postos da Marinha sem ser questionado.

— "Barco de inspeção de casco sul", murmurou um dos marinheiros ao ver a silhueta se afastar.
— "Ah, é só o Dorian de novo", respondeu o outro, bocejando.
E assim, sem alarmes, o grupo desapareceu entre as ondas.

Dentro do barco, o ambiente era tenso, mas cheio de energia. Cordas, ganchos, arpões improvisados, redes e um guincho manual estavam organizados ao lado das caixas reforçadas com madeira de nogueira. Naruto amarrava firmemente a faixa em seu braço enquanto aquecia os ombros, fazendo leves rotações com o pescoço.

Jim estava sentado em silêncio, encostado ao mastro, observando cada movimento. O jeito como eles se preparavam… era como se já tivessem feito isso antes. Mas ao mesmo tempo, havia algo de improvisado e instintivo neles — como se agissem no calor da missão, guiados pela confiança cega uns nos outros.

Naruto, já sem camisa, analisava o mapa dobrado da enseada com foco.

— "Eu sou o melhor nadador entre nós", disse ele com segurança. "Então, se a enguia aparecer, eu vou mergulhar direto pra distraí-la. Se ela tentar atacar, eu fico no caminho. Faço barulho. Movimento. Chamo atenção. Deixem o resto comigo."

Jack, com a calma que lhe era natural, examinava os nós e os ganchos, ajustando-os com precisão.

— "Enquanto isso, eu vou ser responsável por prender as caixas. Cada uma precisa estar bem firme. Se uma se soltar, a gente perde tempo, ou pior — perde a chance de pegar tudo de uma vez. E tempo, nesse caso, é a diferença entre viver e morrer."

Sanji se inclinou, ajustando as botas e prendendo um pequeno punhal na parte interna da perna.
— "Eu fico com a parte de suporte. Onde for preciso, eu entro. Se tiver que pular na água, eu pulo. Se tiver que subir pra içar carga, eu subo. Meu trabalho é fazer tudo correr suave... e se algum peixe decidir ser folgado, eu cozinho ele no tapa."

Jim estreitou os olhos, surpreso com a frieza e naturalidade com que eles tratavam tudo aquilo. Não havia gritos. Nem bravatas. Apenas planejamento. Aquele tipo de calma só se via em marinheiros experientes… ou em pessoas que já haviam enfrentado o inferno antes.

Dorian então virou parcialmente o rosto, sua voz ecoando pelo convés:
— "Estamos chegando à enseada. Vocês têm vinte minutos no máximo antes que a corrente mude. Depois disso, o barco não vai conseguir se manter estável."

Naruto deu um aceno para o velho construtor e encarou Jim por um breve instante.
— "Fica aqui e observa, Jim. Vai valer a pena."

Jim apenas assentiu. Algo dentro dele queimava de curiosidade, admiração... e uma pitada crescente de vontade.

Ele ainda não sabia que aquela missão, aquele momento, seria o início de uma jornada que mudaria tudo

A embarcação ancorou em silêncio, ocultando-se entre formações rochosas cobertas de limo e corais brancos que brilhavam suavemente sob a luz filtrada da manhã. A enseada parecia um santuário submerso — profunda, escura, misteriosa… e viva. Os sons da água eram abafados, distorcidos, como se o próprio mar sussurrasse segredos antigos.

Dorian desligou o motor de propulsão, mantendo o barco em posição apenas com as âncoras duplas de profundidade. Ele virou-se e deu um olhar firme para o grupo.

— "A carga está abaixo de nós, a vinte e cinco metros. Cuidado com as correntes, e… com o que está lá embaixo."

Naruto, já com a máscara de mergulho improvisada, prendeu uma faca na cintura e saltou na água sem hesitar. O mergulho foi limpo, quase silencioso, como um traço dourado cruzando a superfície e desaparecendo na imensidão azul.

Jim correu até a beirada, espiando por entre as rochas. Lá embaixo, por um segundo, conseguiu ver o vulto ágil de Naruto nadando com a mesma naturalidade de um peixe.

Jack olhou para Sanji e prendeu o cinto com os ganchos de segurança.

— "Assim que ele sinalizar, a gente começa."

— "Pronto desde que acordamos", disse Sanji com um leve sorriso no canto dos lábios.

Abaixo da superfície, Naruto deslizava com precisão. A água fria não o incomodava. Ele avançava entre cardumes coloridos, evitando corais afiados e fendas traiçoeiras. Quando finalmente avistou os destroços… seu coração acelerou.

Ali estava. O que restava de uma antiga embarcação — possivelmente naufragada durante uma tempestade ou abandonada após uma fuga. Entre os destroços, estavam as caixas protegidas, envoltas em redes que se prendiam a ganchos enferrujados nas pedras do fundo.

Mas não estava sozinho.

Um movimento repentino chamou sua atenção. Algo enorme se deslocava nas sombras.

Era a enguia.

A criatura tinha escamas prateadas, olhos luminosos e corpo longo como uma serpente marinha. Ela girava em círculos, protegendo o território como se aquilo fosse seu covil.

Naruto franziu a testa, então e nadou rapidamente até o ponto acordado. Pegou a faca e corto um saco que continha tinta para sinalizar o local.

Na superfície, a água borbulhou, tingindo-se com um leve brilho azul.

— "Sinal!", exclamou Sanji.
— "Hora de dançar", murmurou Jack, pulando para preparar as cordas com o guincho.

Sanji mergulhou com o outro gancho e começou a amarrar as caixas sob orientação dos gestos de Naruto. Enquanto isso, Jack coordenava a força do guincho e dos cabos, mantendo tudo em sincronia com as ondas.

Naruto, por sua vez, nadou na direção oposta, criando distrações com pedras e vibrações, chamando a atenção da enguia, que agora se aproximava lenta e ameaçadora.

A criatura não atacava de imediato — ela parecia observar, testar… medir.

Naruto abriu os braços, imóvel, encarando-a frente a frente por alguns segundos.

Foi quando Jim, ainda no convés, teve uma visão clara do monstro. O brilho dos olhos da criatura encontrou o sol e reluziu até a superfície, como faróis submersos.

— "Aquilo não é uma enguia comum…", sussurrou, fascinado.

A enguia investiu, mas Naruto desviou com maestria, cortando a água em espiral. Sanji puxou uma das caixas e sinalizou.
— "Subindo!"

Jack ativou o guincho com precisão, puxando a primeira caixa. A madeira emergiu, pesada e molhada, mas intacta. Naruto mergulhou de novo, atraindo a enguia para longe enquanto a segunda carga era amarrada por Sanji.

A tensão aumentava. O tempo se esgotava.

— "Última!", gritou Sanji na superfície, tossindo água salgada.

A enguia rugiu debaixo d'água, sua vibração alcançando até os ouvidos de Jim no barco.
Naruto lançou uma última distração, dando um chute lateral em uma pedra presa no fundo. A criatura mudou de direção, indo atrás do ruído.

Jack puxou a última caixa com força, enquanto Sanji emergia arfando. Naruto subiu logo atrás, cortando a água em um mergulho ascendente como uma flecha dourada.

Todos caíram ofegantes no barco.

Dorian sorriu, satisfeito, ao ver as caixas intactas.

— "Nada mal pra um bando de forasteiros", murmurou. "Mas isso foi só o começo."

Jim os observava com olhos brilhando de admiração. Ele não precisava mais de provas.
Eles eram reais.
E agora, ele queria fazer parte daquilo.

Capítulo 21 – A Verdade no Horizonte

A embarcação deslizava de volta para o estaleiro número 3 com a luz suave da tarde dourando a superfície do mar. O motor roncava suave sob as mãos experientes de Dorian, enquanto os quatro jovens — molhados, cansados e cobertos de pequenos cortes e hematomas — sentavam-se sobre as cordas, caixas e barris improvisados como bancos. As ondas batiam ritmadas no casco, embalando a conversa que surgia.

Naruto, ainda com gotas de água escorrendo pelos cabelos dourados, olhou para Jim, que o encarava com a curiosidade de quem não conseguia mais se conter.

— "Você foi bem lá atrás," comentou o loiro com um sorriso sincero. "Tá começando a provar que tem olho pra coisa."

Jim ruborizou um pouco, mas respondeu com um leve sorriso.
— "E você… Aquela enguia... Nunca vi alguém nadar daquele jeito."

Naruto riu, descontraído.
— "Ah, isso não foi nada. Um dia antes de me tornar oficialmente um pirata, eu matei cinco reis do mar... de 35 a 40 metros cada um."

O barco pareceu silenciar por um segundo. Jack, que estava bebendo de uma cabaça, engasgou e se virou devagar.

— "Desculpa... cinco reis do mar? De uma vez só?"

Naruto deu de ombros, como se fosse algo rotineiro.
— "Não foi fácil, mas precisava defender uma aldeia costeira. Eles vieram juntos por alguma razão... o que foi ótimo. Menos trabalho pra mim."

— "Isso é impossível." — Jack cruzou os braços, arqueando a sobrancelha com ceticismo. — "Ou você é o maior mentiroso do East Blue... ou…"

Sanji interrompeu, olhando para o horizonte.
— "É verdade."

Jack piscou, surpreso.
— "Você viu?"

Sanji balançou a cabeça.
— "Não. Mas conheço o Naruto. Ele mente sobre comer os doces da cozinha. Mente quando diz que não tá cansado. Mas quando ele fala de algo assim, algo que envolve proteger alguém... ele não mente. Nunca mente sobre isso."

Capítulo 32 – Histórias que o Mar Carrega

Corte – Outro ponto do East Blue

O sol brilhava sobre o convés do Going Merry, e a brisa do mar trazia consigo o cheiro salgado do oceano. Luffy estava deitado de barriga para cima no telhado da cabine, com as mãos atrás da cabeça e um sorriso bobo no rosto. Zoro dormia encostado no mastro, espadas ao lado, enquanto Usopp mexia em uma engenhoca estranha feita com pedaços de madeira, cordas e... um peixe seco?

Até que derrepente!

— "AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!"

O grito fez os pássaros alçarem voo e o timão girar sozinho por um instante. Usopp estava na proa do navio, os braços erguidos para o céu, como se tivesse acabado de receber uma revelação divina.

Luffy, que mascava carne , arregalou os olhos.
Zoro acordou, confuso.
Nami, deitada com um mapa, bufou.

— "O que foi agora, Usopp?! Achou outro peixe gigante invisível?"

— "Não! Melhor ainda!" — ele bateu no peito com orgulho. — "Acho que finalmente começaram a espalhar minhas histórias pelo East Blue! Deve ter algum jornal, algum bardo, sei lá! O mar está reagindo à minha lenda!"

Zoro bufou e se virou.
Luffy apenas riu.
Nami nem olhou.

— "Você não é uma lenda."
— "Ainda." — corrigiu Usopp com o dedo em riste. — "Mas quando descobrirem sobre o Usopp — o lendário guerreiro dos mares — que enfrentou cem peixes-canhão com um estilingue...!"

Nami, por sua vez, rabiscava em um mapa com expressão séria, até que largou o lápis com um suspiro frustrado.

— "Precisamos decidir nosso próximo passo," — ela disse, levantando-se. — "Já temos um navegador — no caso, eu — e um capitão desmiolado..." ela lançou um olhar para Luffy, que respondeu com um sorriso e um aceno.

— "Oi!"

— "...mas ainda estamos sem um cozinheiro decente. A próxima parada devia ser pra arrumar um!"

Luffy pulou de onde estava e apontou animado:

— "E se a gente arrumar um músico?!"

Silêncio.

Zoro abriu um olho. Usopp parou o que estava fazendo. Nami travou a mandíbula.

— "UM MÚSICO?!" — os três gritaram ao mesmo tempo.

— "É! Imagina, a gente viajando pelo mar, com música ao vivo! Um cara com violão ou tambor, ou... sei lá, qualquer coisa! Vai ser incrível!" — disse Luffy, empolgado, já dançando imaginariamente no convés.

Usopp colocou as mãos na cintura.

— "A gente quase morreu de fome na última ilha porque você queimou o peixe inteiro que eu pesquei!"

Zoro se levantou, ainda com sono.

— "Sem comida, não tem música que ajude."

Nami apontou firmemente o dedo.

— "Nós precisamos de um cozinheiro antes de tudo! Um que saiba lidar com Luffy, com peixe podre, com falta de recursos... e que ainda faça café da manhã decente!"

Luffy coçou a cabeça, pensativo.

— "Tá... então... a gente pode arrumar um cozinheiro... que também seja músico?"

— "NÃO!" — gritaram os três de novo em uníssono.

Usopp cruzou os braços.

— "Prioridades, capitão. Prioridades."

Luffy fez bico, claramente desapontado, mas logo voltou a sorrir.

— "Beleza... então vamos procurar um cozinheiro primeiro."

Zoro suspirou, se recostando.

— "Pelo menos dessa vez não vamos seguir o som de um banjo flutuando no vento..."

Sanji que estava dentro do barco de Dorian esperando a volta para a ilha.

De repente, Sanji espirrou alto. Tão alto que até alguns gaivotas próximas alçaram voo assustadas.

— "A... ATCHIM!"

Ele balançou a cabeça, franzindo o cenho com raiva, enquanto esfregava o nariz.

— "Mas que droga..."

Deu uma longa tragada no cigarro, e então olhou para o cim com um olhar sombrio, como se pudesse atravessar os oceanos com a força do ódio.

— "Eu... acabei de me sentir insultado... profundamente insultado..."

Apernou o cigarro entre os dentes, estalando os dedos e dando um giro com a perna, como se aquecesse antes de uma luta.

— "Alguém, em algum lugar, acabou de dizer... que um músico é mais importante que um cozinheiro..."

Ele deu um chute giratório no ar tão forte que o vento soprou forte dentro do Barco.

" Epa calma ai Sanji o que de deixou tão puto assim do nada cara " Diz Naruto alarmado com a mudança repentina de humor de Sanji

— "...E aposto que essa maldita pessoa tá usando um chapéu de palha."

Ele mordeu o cigarro com raiva, bufando fumaça pelas narinas, já pronto para chutar alguma parede ou caixa, enquanto Dorian ao longe gritava:

— "SANJI! PARA DE QUEBRAR AS COISAS DENTRO DO MEU BARCO"

Sanji resmungou, se acalmando um pouco.

— "Cozinheiro... antes de músico. Sempre foi... sempre será, seus ingratos..."

Com Naruto e Jack vendo essa situação com a sobrancelhas levatadas e caras de não entende porra nenhum.

O silêncio tomou conta por um instante, apenas preenchido pelo som das ondas. Jim olhou para Naruto com ainda mais respeito. O loiro, por sua vez, deu um sorriso sereno mais nervoso e cruzou os braços atrás da cabeça.

Ao chegarem no estaleiro, Dorian manobrou o barco até um galpão lateral discreto, protegido da vista por lonas e estruturas de madeira. Homens de confiança já os esperavam, prontos para descarregar as caixas.

— "Com cuidado, cuidado!" — gritou Dorian, descendo com vigor apesar da idade. — "Essas belezinhas estiveram no fundo do mar por tempo demais!"

As caixas foram colocadas sobre suportes reforçados. Estavam cobertas por algas secas, conchas incrustadas e lama endurecida. Dorian puxou um pé-de-cabra e com um estalo liberou a primeira tampa.

Dentro, havia dezenas de cilindros metálicos envoltos em pano impermeável, selados com marcas antigas — marcas do Reino de Marava, uma civilização extinta há quase dois séculos."

Ele então abriu outra caixa.

Esta continha frascos lacrados com líquido âmbar brilhante.

Sanji se aproximou e pegou um deles, observando com olhos atentos.

— "Óleo de Coral da Lua..." — disse quase em reverência. — "Isso vale mais do que ouro puro."

Dorian assentiu.
— "Este carregamento estava perdido há mais de cinquenta anos. Era parte de uma última expedição e desapareceu quando o navio foi dado como afundado. Esses cilindros e esse óleo... são tesouros."

Naruto cruzou os braços, curioso.

— "E o que vai fazer com tudo isso?"

Dorian sorriu com um brilho nos olhos.

— "Vender é claro só que para as pessoas certas"

Todos se entreolharam, e Jim deu um passo à frente. Pela primeira vez, sentiu-se parte de algo maior.

Em um canto mais calmo do estaleiro, próximo a um monte de caixas empilhadas, os quatro — Naruto, Sanji, Jack e Jim — se reuniam. Jim havia chamado todos com um certo nervosismo, e agora, de frente para eles, respirava fundo, tentando organizar seus sentimentos.

— "Então… eu gostaria de conversar com vocês por um momento, se não se importarem."

Naruto, com as mãos atrás da cabeça e um sorriso tranquilo, respondeu:

— "Claro."

Sanji cruzou os braços, o cigarro aceso balançando entre os lábios, e apenas assentiu. Jack, sentado sobre uma pilha de barris, girava casualmente sua adaga entre os dedos, curioso.

Jim então falou. A voz saiu baixa no começo, mas à medida que prosseguia, ia ganhando força.

— "Tem algo que preciso contar para vocês antes. Eu… bem, eu sempre soube que meu pai era um pirata. E sempre sonhei em viver no mar, em explorar. Eu cresci ouvindo histórias sobre a Grand Line, sobre como meu pai sobreviveu lá, e isso me inspirou. Mas, ao mesmo tempo, sempre tive medo… medo de decepcionar minha mãe, medo de não estar pronto."

Ele fez uma pausa. O vento soprou mais forte, e Naruto apenas observava, sem interromper.

— "Mas depois de tudo o que aconteceu... … e de como vocês enfrentaram tudo, e… eu comecei a pensar que talvez... talvez eu esteja pronto para essa jornada."

Jack deixou a adaga cravar na madeira ao lado e apoiou os braços nos joelhos, olhando diretamente para Jim.

— "Você tem coragem de adimitir isso, garoto. Não é todo dia que alguém encara o que você encarou e continua de pé. E se seu pai era um pirata, você já tem o sangue certo."

Sanji tirou o cigarro da boca, soltou a fumaça devagar e comentou:

— "Ser pirata não é só lutar, ou caçar tesouros. É também proteger quem importa. Ter algo que vale a pena arriscar a vida. Você já tem e isso é o seu sonho, Jim."

Jim olhou para Naruto, que ainda sorria com calma. O loiro então falou:

— "Você não precisa provar nada pra mim, Jim. A verdade é que... quando você falou do seu sonho com o mesmo olhar que eu tinha quando menor, você já entrou no nosso navio. Só faltava você perceber isso."

O silêncio caiu por alguns segundos. Jim piscou, engolindo em seco. Um leve brilho surgiu em seus olhos.

— "Então... vocês me aceitariam?"

Naruto se aproximou, estendeu o punho fechado para um toque.

— "Já aceitamos. Bem-vindo ao bando."

Jim bateu o punho no de Naruto, sorrindo com força. Sanji sorriu de canto, e Jack apenas bufou, rindo.

— "Então é isso. Mais um maluco a bordo."

A brisa soprou novamente, mais forte agora, agitando as velas do navio ainda preso ao estaleiro.

Ali, entre madeira e mar, quatro homens se tornavam irmãos de jornada. E a Grand Line esperava por eles.

Capítulo 23 – Uma sombra dentro de casa

A noite ainda brilhava com tons prateados e azuis quando Jim Hawkins se despediu temporariamente do grupo.

Naruto, Jack e Sanji estavam animados demais para dormir, circulando pelo estaleiro, explorando cada canto do navio que um dia fora de Sinbad. Havia um brilho nos olhos dos três, como crianças diante de um brinquedo Novo.

Mas Jim... Jim sentia outra coisa.

Enquanto se afastava pelos becos de pedra, o jovem mantinha as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Seus passos ecoavam pelo caminho iluminado apenas por lamparinas suspensas. A brisa salgada do mar soprava contra seu rosto, e seus pensamentos fervilhavam.

"Pirata..."
"Será que eu estou pronto para isso? Como será que a mamãe vai reagir a isso? Será que ela seria contra?"

Pensava em seu pai, nas histórias, nos mapas guardados...
Mas pensava principalmente em sua mãe. A ideia de deixá-la sozinha o apertava por dentro, mas ele sentia... que não podia mais ignorar aquele chamado.

Ele precisava conversar com ela. Olho no olho.

Quando chegou à rua principal e viu a placa do restaurante balançando suavemente com o vento, o coração de Jim acelerou — nervoso, mas decidido.

Empurrou a porta com cuidado, esperando encontrar sua mãe limpando o balcão, ou talvez revisando os livros de contas. Mas o que viu o fez parar na entrada como se tivesse levado um soco no estômago.

Ele estava lá.

Sentado à mesa do canto, com as pernas cruzadas e um ar de superioridade nojenta no rosto. O Vice-Comandante Carver. O homem que Jim sempre detestou, mesmo sem nunca ter tido coragem de dizer isso em voz alta.

Sarah Hawkins estava atrás do balcão. Pálida. Rígida. Tentando parecer tranquila — mas Jim a conhecia. Conhecia seus silêncios, suas expressões, o jeito como segurava a toalha nas mãos quando queria evitar quebrar algo.

A atmosfera, que deveria ser familiar e acolhedora, estava sufocante.

Jim ficou com os olhos travados naquela cena.

Carver notou o movimento e ergueu os olhos, abrindo um sorriso torto.

— "Ora, ora... se não é o pequeno Hawkins," disse com aquele tom de desprezo disfarçado de charme. "Está ficando tarde para garotos andarem por aí."

Jim não respondeu. Sarah o olhou por um instante, e por trás daquele olhar cansado, havia alívio. Um suspiro quase imperceptível.

— "Você voltou cedo," disse ela, baixinho.

Jim não olhou para ela. Seu queixo estava tenso, os punhos cerrados.

— "Acho que eu precisava voltar... antes do que imaginava."

A porta ainda balançava levemente com a corrente de ar marinha quando Sarah e Jim voltaram ao silêncio do restaurante.

Um baque seco de botas militares quebrou o breve instante de paz.

A porta foi escancarada com violência, e um homem de uniforme azul-escuro, o rosto duro e a postura altiva, entrou com pressa. Ele carregava uma expressão séria demais para ser ignorada.

— "Comandante Carver!" — chamou alto, ignorando completamente Sarah e Jim. — "O Comodoro Mizuki exige sua presença imediata. Ele está no escritório aguardando, e... não está de bom humor."

Carver, que mal havia se afastado do restaurante, parou à porta e se virou lentamente, lançando um último olhar para Sarah.

— "Parece que o destino quer interromper nossa conversa, Sarah..." — disse ele, voltando a caminhar devagar até o centro do restaurante. — "Mas antes de ir, preciso da sua resposta."

Jim, que já se preparava para levantar, ficou confuso.

— "Que resposta...?"

Carver parou a apenas dois passos da mulher.

— "Você sabe qual." — sua voz ficou mais fria, mais carregada. — "Você aceita... se casar comigo?"

O mundo pareceu parar.

O rosto de Jim congelou. Ele virou-se lentamente para a mãe, como se não tivesse entendido o que acabara de ouvir. Seu estômago revirava. Ele nunca imaginou... nunca soube que esse monstro havia feito tal proposta.

Sarah fechou os olhos por um breve segundo. Um silêncio denso caiu no ambiente, quebrado apenas pelo barulho distante do mar lá fora. Ela olhou para Jim, e seus olhos estavam cheios de dor... e culpa.

Mas então, com toda a coragem que ainda tinha, Sarah deu um passo à frente.

— "Não."

Foi simples. Firme. Definitivo.

Carver respirou fundo. O queixo trincou. Os olhos brilharam com raiva.

— "O quê... você disse...?"
— "Eu disse que não, Carver. Nunca. Jamais. Você é um verme." — completou ela, agora com a voz embargada, mas forte.

Foi quando Carver explodiu.

— "SUA... VADIA INGRATA!"

Com um movimento selvagem, ele avançou e desferiu um tapa brutal no rosto de Sarah, fazendo-a cair contra as cadeiras. Jim gritou, mas nem pensou — apenas correu para a frente.

— "NÃO TOCA NA MINHA MÃE!"

Jim avançou, mas Carver virou o corpo e o acertou com um soco seco e preciso, direto no rosto.

CRACK.

Jim foi lançado contra a parede com força, escorregando no chão. Seu lábio estava cortado e sangue escorria debaixo do olho esquerdo. A dor queimava, mas nada doía mais do que ver sua mãe caída no chão, sendo humilhada por aquele monstro.

Algo despertou dentro dele.

A raiva... a fúria... o instinto de proteger... tudo veio como uma onda.

Jim se levantou cambaleando, olhou ao redor e viu o subordinado da Marinha parado na entrada, chocado com a cena.

Num piscar de olhos, Jim correu até ele, desferiu um soco direto no queixo do homem, que caiu desacordado, e arrancou a espingarda de sua mão antes que qualquer um pudesse reagir.

Carver se virou, espantado.
— "O que você pensa que está..."

BOOM.

O disparo ecoou como um trovão.

O mundo parou.

A bala atravessou a testa de Carver com precisão cirúrgica, e ele caiu como uma estátua despedaçada no chão de madeira do restaurante, sem nem teve tempo de gritar.

Sarah gritou, cobrindo a boca.
Jim permaneceu parado, o corpo tremendo, a arma ainda em mãos.

Seu coração batia tão rápido que parecia explodir. Mas dentro de tudo aquilo, ele sentia... alívio.
Um alívio sombrio, perigoso... e necessário.

Capítulo 24 – O disparo que silenciou a noite

O restaurante estava morto em silêncio.

A fumaça da espingarda ainda subia devagar do cano. O corpo de Carver, antes arrogante e ameaçador, agora jazia imóvel no chão de madeira, os olhos abertos sem vida, um fio de sangue escorrendo da ferida redonda no centro da testa.

Jim permanecia parado, as mãos tremendo ao redor da arma.
O sangue em seu rosto já havia começado a secar, mas o calor da ação ainda fervia dentro dele.

Sarah estava ajoelhada, os olhos arregalados, sem conseguir falar. Ela olhava para o corpo de Carver, depois para o filho... depois de volta para o corpo. Sua respiração estava curta, e as lágrimas escorriam silenciosamente pelas bochechas.

— "...Jim?" — a voz dela saiu fraca, mais um sussurro do que um chamado.

Jim ainda olhava para o corpo.
Como se a realidade demorasse a alcançar o que ele havia acabado de fazer.

— "Ele... ele ia te matar. Ele ia fazer coisas horríveis, mãe. Eu..." — sua voz falhou. — "Eu não ia deixar. Nunca."

Sarah se aproximou devagar. A cada passo, os joelhos pareciam falhar. Quando chegou perto o suficiente, tomou a arma das mãos do filho, com cuidado, e a colocou no chão, longe de ambos.

Ela olhou fundo nos olhos dele — os mesmos olhos que tantas vezes tinha visto brilhar de curiosidade e sonhos de aventura. Agora estavam carregados de choque, medo e um orgulho sombrio.

— "Você... salvou minha vida, Jim." — sussurrou. — "Mas... agora nada mais vai ser como antes."

Jim abaixou os olhos.
— "Eu sei."

Ela o puxou para um abraço. Forte. Dolorido. Desesperado.
Os dois se abraçaram por longos segundos, como se o tempo pudesse parar ali e poupá-los do que vinha a seguir.

— "Ele ia continuar voltando... ia continuar ameaçando você, me forçando a aceitar isso. Eu não... eu não tinha mais força." — ela chorava agora, com o rosto escondido no ombro do filho. — "Mas você... você teve. E eu... eu sou grata."

Jim apertou os olhos, tentando segurar as lágrimas.
Ele queria dizer que estava com medo. Que não sabia o que fazer agora. Mas ele também sabia que não havia mais volta.

Ele tinha feito uma escolha.

Um ruído atrás deles os fez se virarem: o subordinado da Marinha que Jim havia nocauteado começava a gemer no chão.

O silêncio ainda pairava sobre o restaurante como uma névoa pesada.

O corpo de Carver permanecia estirado no chão, com a cabeça virada em um ângulo grotesco, um filete de sangue se espalhando lentamente pelas tábuas da madeira.

Mas o silêncio foi quebrado por um gemido fraco.

O subordinado da Marinha — aquele enviado para buscar Carver — começou a se mexer. Sua cabeça latejava, e ele sentia um gosto metálico na boca. Quando abriu os olhos, tudo estava turvo, mas aos poucos a cena diante dele se revelou:

O corpo de Carver.
A poça de sangue.
A espingarda caída.
E Jim, parado ali, suando, ofegante.

— "N-não...!" — o marinheiro balbuciou, engatinhando para trás como um rato encurralado, os olhos arregalados de puro pavor.

Jim deu um passo à frente, tentando dizer algo — talvez para explicar, talvez para impedir. Mas o marinheiro girou o corpo e saiu correndo pela porta lateral, escorregando nas tábuas molhadas e quase caindo.

— "AJUDA! ELE MATOU O CARVER!" — o grito do homem ecoou pelas ruas escuras da vila.

Minutos antes, do outro lado da vila...

Naruto, Sanji, Jack e Dorian estavam reunidos no cais, diante do novo navio. A embarcação reluzia sob a luz do dia, com detalhes em bronze e madeira reforçada — um verdadeiro navio digno de cruzar os mares. A tripulação improvisada sorria, orgulhosa da conquista.

— "Heh, olha só isso," — disse Jack, com os braços cruzados, observando a vela ainda dobrada. — "Agora sim temos uma senhora embarcação."

— "E tudo graças a você, Dorian," — completou Sanji. — "Esse navio... é uma obra-prima."

Dorian sorriu com humildade, acendendo um charuto.
— "A inspiração em Simba deixaria esse barco orgulhoso. Mas o verdadeiro mérito foi de vocês. Agora, falta só o batismo."

Antes que alguém pudesse responder, Naruto franziu o cenho, com o olhar voltado para a rua principal da vila.

— "...Ei. Vocês ouviram isso?"

Jack virou-se.
— "Ouvir o quê?"

Foi então que todos viram: um homem com o uniforme da Marinha correndo em desespero, aos gritos. A respiração pesada, os olhos arregalados. Ele corria em direção à base naval — e pela expressão em seu rosto, algo horrível havia acontecido.

— "Isso não é bom..." — murmurou Sanji, os olhos afiados como lâminas. — "Esse tipo de pânico não é normal."

Naruto já estava correndo.
— "Vamos! Ele veio do lado do restaurante!"

Os quatro largaram o que estavam fazendo e dispararam pela rua, cruzando becos e escadarias até que o restaurante surgiu à vista, sua fachada ainda aberta, iluminada por dentro — mas estranhamente silenciosa.

Eles arrombaram a porta com um empurrão.

E então viram: o corpo de Carver no chão, uma arma ao lado. E Sarah caída de joelhos, com os olhos marejados.

Sanji foi o primeiro a reagir, indo até ela.
— "Senhora Hawkins?! O que... o que aconteceu aqui?"

Ela levantou o olhar devagar.
— "Carver... tentou me forçar. E Jim... ele..."

Naruto olhou em volta, o coração acelerado.
— "Cadê o Jim?"

— "Foi atrás de vocês. Precisava de ajuda. Mas... um dos marinheiros acordou... ele correu até Mizuki."

Jack assobiou, baixo, a expressão agora sombria.
— "Estamos encrencados."

Naruto cerrou os punhos, os olhos brilhando com determinação.
— "Então a gente vai ter que resolver isso. Rápido. Antes que Mizuki mande todo o maldito batalhão pra cá."

Sanji olhou para Sarah, e depois para o corpo.

Capítulo 26 – Isca Viva

O silêncio dentro do restaurante ainda era denso como fumaça. Sarah tremia levemente, abraçada aos próprios braços, enquanto Sanji a ajudava a se sentar. Jack mantinha-se em alerta perto da entrada, olhos fixos na rua escura. Dorian permanecia calado, observando cada detalhe com a frieza de um homem que já tinha visto guerra.

Naruto estava no centro, parado em frente ao corpo de Carver. O sangue ainda escorria entre as tábuas, mas ele já não olhava para isso. Seus olhos estavam fixos na porta do restaurante, como se enxergasse algo além... algo no horizonte.

Ele fechou os olhos por um instante, inspirou profundamente e então disse com firmeza:

— "Acho que já passou da hora da gente mostrar quem somos."

Todos olharam para ele.

— "Esse cara... esse tal de Mizuki… vai querer transformar a Sarah numa criminosa. Vai caçar o Jim como se fosse um assassino cruel. Tudo isso porque um verme com farda morreu pelas mãos de quem só queria proteger a própria mãe."

Sanji se levantou, já entendendo o tom da voz de seu capitão.
— "Tá pensando em quê, Naruto?"

Naruto olhou para todos com uma expressão séria, mas cheia de energia selvagem, como uma tempestade prestes a cair.

— "Eu vou fazer um plano simples. Tão direto que ninguém vai prever. Eu vou colocar um alvo tão grande nas minhas costas… que vai ofuscar qualquer outra coisa nessa ilha."

Jack franziu a testa.
— "Naruto, isso é loucura. Você quer fazer o quê exatamente?"

Naruto estalou os punhos com um sorriso selvagem.

— "Eu vou até a base da Marinha. Bato na porta. E aí… invado aquela maldita fortaleza com tudo. Destruo tudo em meu caminho até encontrar Mizuki."

— "Você ficou doido!" — exclamou Sanji.
— "Eles têm canhões, soldados, armamento pesado! Isso não é só invadir um armazém!"

— "Exatamente," — respondeu Naruto, firme. — "Eles vão ficar tão ocupados tentando me parar, que vão esquecer completamente do restaurante, da Sarah, do Jim, e até do próprio Carver. Porque um pirata invadindo a base principal da Marinha é uma manchete bem maior do que qualquer assassinato de oficial corrupto."

Sarah, ainda abalada, ergueu os olhos.

— "Você… faria isso por nós?"

Naruto se aproximou, ajoelhando à frente dela com gentileza.
— "Eu faço isso porque você é a mãe de um dos meus. E porque ninguém toca na família de um dos meus e sai impune."

Jim estava parado na porta, ofegante, tendo retornado rápido após correr pelas ruas.

— "Eu não mereço isso..." — murmurou, com a voz embargada.
— "Foi minha culpa. Fui fraco. Fiz algo terrível…"

Naruto virou-se para ele.

— "Você fez o que tinha que fazer. Salvou a vida da sua mãe. Agora deixa comigo. O mundo vai olhar pro lado errado... e vocês vão ficar seguros."

Dorian respirou fundo, cruzando os braços.

— "É arriscado. Mas se alguém consegue causar o suficiente pra virar o foco da Marinha… é você, moleque."

Sanji colocou um cigarro na boca, acendendo com calma.
— "Se você for, eu vou também."

— "Não," — disse Naruto, firme. — "Se eu cair, você lidera o bando. Protege Sarah e Jim até estarmos prontos pra zarpar. Mas se eu voltar... a gente parte desse lugar de cabeça erguida."

Jack apenas assentiu, dando um pequeno sorriso.
— "Você é maluco. Mas é por isso que a gente te segue."

Naruto caminhou até a porta, o dia iluminando seu rosto.

— "Preparem o navio. Quando Mizuki cair… a gente vai precisar zarpar antes que o resto do mundo apareça."

Capítulo 27 – Escolhas e Promessas

Antes de desaparecer , Naruto parou em frente a Jim, que ainda segurava o ombro, tentando conter a dor e o medo que o consumiam por dentro. O corte abaixo do olho ainda sangrava levemente, mas não era isso que o fazia tremer — era o peso do que havia feito.

Naruto o encarou com seriedade, o sol cortando seu rosto como uma lâmina dourada.

— "Jim…"

O garoto levantou os olhos. O tom da voz de Naruto era diferente agora — nem leve, nem agressivo… era sincero. Quente. Quase como de um irmão mais velho.

— "Você quer ver o mundo lá fora, certo? Queria escapar dessa ilha, ser livre, viver aventuras pelos mares… Essa era a sua vontade antes disso tudo acontecer."

Jim engoliu seco.

— "Era… mas depois do que eu fiz…"

Naruto balançou a cabeça.
— "O que você fez foi proteger quem você ama. O mundo lá fora não é só mar azul e céu limpo, Jim. É cheio de monstros, dores, escolhas difíceis. E às vezes… a gente tem que sujar as mãos pra manter alguém limpo."

Ele então estendeu a mão para o garoto.

— "Então aqui vai minha proposta: entre pro meu navio. Seja um membro legítimo da minha tripulação. Viaje comigo. Viva de verdade. E, ao mesmo tempo, fique protegido. Porque quando a Marinha descobrir quem foi que matou Carver… eles vão querer um bode expiatório. E eu vou ser esse bode. Vou fazer tanto barulho, que ninguém vai lembrar de você."

Jim olhou para aquela mão estendida. A mão de um pirata… mas também a mão de alguém que o compreendia. Alguém que oferecia mais do que fuga — oferecia liberdade.

— "A escolha é sua." — disse Naruto. — "Mas se disser sim, quando eu voltar… quero você pronto."

Sem mais uma palavra, Naruto virou-se, e partiu.

No Estaleiro Nº 3

Dorian chegou bufando ao portão de ferro pesado do estaleiro, escancarando-o com força. Suas botas ecoaram no chão de metal enquanto ele gritava:

— "TODOS PRA DENTRO! VAMOS TERMINAR ESSE NAVIO HOJE!"

Os trabalhadores, já acostumados com o tom explosivo de seu mestre, começaram a correr, subindo nas estruturas, preparando ferramentas, verificando os reforços no casco.

Dorian puxou uma prancheta, rabiscando instruções.

Jack apareceu segundos depois, ainda ajeitando o chapéu.

— "Me chamou?"

— "Você conhece o navio, sabe o que ele precisa. Ajuda a coordenar as velas e o equilíbrio do convés. Esse casco precisa estar pronto antes que tudo comece a desabar em caos nesta ilha!"

Jack sorriu com confiança.
— "Então é agora. O lendário navio de Simba vai zarpar de novo…"

— "Não," — respondeu Dorian, firme. — "Agora é o navio do Naruto D. Uzumaki."

De Volta ao Restaurante

Enquanto o estaleiro pulsava como um coração em fúria, Sanji ficou ao lado de Sarah, que tentava se recompor no canto da sala. Ele preparava uma xícara de chá com mãos firmes, mas o olhar dele era como o de um lobo guardando a porta.

Sarah murmurou:

— "Ele… vai mesmo invadir a base da Marinha?"

— "Vai," — respondeu Sanji. — "Por vocês dois."

Ela olhou para Jim, que se sentava perto da janela, a mão apertando uma toalha no rosto machucado. Ainda em silêncio… mas claramente mais forte.

— "Você acha que ele volta?"

Sanji serviu o chá calmamente.

— "Se alguém tem coragem, força e teimosia o bastante pra voltar andando de lá com o quartel explodindo atrás… é o nosso capitão."

Ele então encostou na parede, cruzando os braços, o olhar frio e protetor.

— "Mas até lá… ninguém vai tocar em você, senhora Hawkins. Palavra de cozinheiro. Palavra de pirata."

Capítulo 28 – Confissões à Luz de uma Nova Aurora

O silêncio no restaurante já durava longos minutos.

Sanji ainda vigiava perto da porta, enquanto os estalos distantes de martelos e serras do estaleiro ecoavam suavemente pela cidade adormecida.

Jim continuava sentado, o rosto machucado ainda parcialmente coberto por uma toalha, os olhos fixos em um ponto vago na parede. A cabeça dele estava uma tempestade — medo, culpa, coragem, confusão… e uma centelha que crescia no fundo do peito: esperança.

Então, passos suaves cruzaram o chão de madeira.

Sarah se aproximou dele lentamente, o coração apertado com o que precisava dizer. Sentou-se ao lado dele, e por um tempo, apenas olhou. Seu filho… tão novo, e já com o peso do mundo nos ombros.

Com voz baixa, ela finalmente perguntou:

— "É isso mesmo que você quer… Jim? Ser um pirata?"

O garoto hesitou, engoliu seco… e, enfim, assentiu com a cabeça, olhando nos olhos da mãe com sinceridade.

— "É…" — murmurou. — "Desde pequeno eu sonhava em sair daqui. Navegar pelos mares. Ver o mundo além dos limites da ilha… conhecer ilhas do céu, mares de fogo, cidades submersas… Eu nunca tive coragem de dizer isso em voz alta. Achava que você ia me impedir. Que você ia me achar… louco."

Sarah abaixou os olhos, mordendo o lábio com força.

— "Eu… sinto muito por isso."

Jim a encarou, surpreso.

Ela respirou fundo, como se estivesse tirando um peso gigantesco do peito.

— "Eu te escondi muita coisa, Jim. Eu… não te contei sobre o Carver. Ele me pressionava há muito tempo. Com ameaças, com aquele olhar asqueroso. Ele queria que eu me casasse com ele. E eu… não queria colocar esse fardo nas suas costas. Eu pensei que… se você soubesse, carregaria a culpa, ou tentaria me proteger… e se machucaria. Ou pior."

Ela deixou cair uma lágrima silenciosa.

— "Mas eu estava errada. Você estava pronto. Você é mais forte do que eu imaginava. E me salvou."

Jim respirava com dificuldade. Uma mistura de sentimentos o engolia… mas aquela fala final… me salvou, bateu fundo.

— "Eu só queria proteger você…" — disse ele, a voz embargada.

Sarah sorriu entre lágrimas, pegando suavemente a mão dele.

— "E agora… é a minha vez de te proteger. Indo atrás do seu sonho."

Ele arregalou os olhos.

— "Você… tá dizendo que—"

Ela assentiu.

— "Vá, Jim. Vá com eles. Siga seu sonho. Navegue. Voe. Viva. Você não precisa ficar aqui por minha causa. E eu vou estar bem."

Ela se levantou, limpando as lágrimas com firmeza, e o olhou com um sorriso caloroso.

— "Agora sobe, vá arrumar suas coisas. Eu vou ajudar. Vamos te deixar pronto antes que o navio parta."

Jim ficou ali, atônito por alguns segundos, o coração disparado. Mas então um sorriso se formou em seu rosto… talvez o primeiro sorriso verdadeiro em muito tempo.

Ele pulou do banco e correu escada acima, enquanto sua mãe seguia logo atrás.

Naquele momento, não era mais apenas um restaurante… era o ponto de partida de uma nova vida.

Capítulo 30 – O Laço Que Nunca Parte

O céu já tingia-se com o sol alto no ceu. Os raios de sol espiavam por entre os telhados da ilha de Crescentia, tocando as vidraças do Restaurante Hawkins pela última vez com Jim ainda dentro dele como morador.

Ele descia as escadas devagar, os passos leves, como se não quisesse acordar os ecos das memórias que moravam ali. O cheiro do pão fresco ainda impregnava o ar, misturado ao aroma doce de chá de canela. Cada detalhe da cozinha, das cadeiras gastas, da mesa com riscos de faca... tudo parecia ter vida própria naquele dia.

Sarah o esperava junto à porta. Os cabelos soltos, o olhar calmo, mas as mãos tremiam levemente enquanto segurava algo embrulhado em tecido azul marinho.

— "Você... vai mesmo?" — ela perguntou, com a voz baixa, como quem já sabia a resposta.

Jim parou diante dela e assentiu.

— "Vou. Mas não estou fugindo… estou correndo atrás do que sempre sonhei. Pela primeira vez, de verdade."

Sarah sorriu com tristeza. Ela respirou fundo, tentando manter a compostura,

Capítulo 31 – O Peso das Armas, o Valor da Escolha

O restaurante já estava mais calmo. Sarah se recolhera para arrumar as últimas coisas do filho. Do lado de fora, o som dos martelos no estaleiro ecoava no vento — Dorian e seus homens corriam contra o tempo para finalizar o navio.

Jim voltou devagar até o salão principal, agora silencioso, com a luz da manhã iluminando a cena do que havia acontecido horas antes.

O corpo de Carver ainda jazia no chão, coberto apenas por um pano escuro que alguém colocara em respeito. Mas Jim não desviou os olhos. Ele caminhou direto até lá, com o coração pesado e os pensamentos embaralhados, mas os passos firmes.

Ao lado do corpo, a espingarda que ele havia usado ainda estava caída, com parte do cano sujo de fuligem. Ele a pegou com calma, segurando-a com ambas as mãos, sentindo o peso real e simbólico daquela arma.

"Você me forçou a isso...", pensou, encarando o pano sobre o rosto de Carver. "Mas essa escolha... agora é minha."

Ao se levantar, notou algo que não vira antes.

Duas pistolas presas à cintura de Carver.

Eram peças elegantes, de madeira escura polida com entalhes de prata no cabo. Cada uma com um símbolo gravado no cano: um corvo com olhos de rubi.

— "Customizadas…" — murmurou, se ajoelhando. — "Claro que você teria algo assim."

Ele hesitou. Uma parte dele queria virar as costas e deixar tudo aquilo para trás. Mas outra parte, mais profunda, entendia que a vida que ele estava escolhendo agora exigiria não apenas coragem… mas ferramentas.

Armas.

Proteção.

E lembrança.

Com cuidado, desabotoou o cinto de Carver e retirou as duas pistolas. Eram leves, bem equilibradas. Mortais.

Ele girou os cilindros, checando a munição. Estavam carregadas.

Jim olhou por um momento para a espingarda, depois para as pistolas. Suspirou e deixou a espingarda encostada à parede.

— "Eu não sou mais aquele garoto."

Prendeu pistolas à cintura, ajeitando o cinto improvisado. Respirou fundo e se ergueu, olhando para o futuro com um brilho nos olhos.

Ele não carregaria aquelas armas por gosto.

Mas por escolha.

E pelo que pretendia proteger.

— "Não olhe pra trás com culpa, meu filho. Eu vou ficar bem. E agora... você também vai."

Ela então se afastou, secou as lágrimas e sorriu de novo, com um brilho novo nos olhos.

— "Agora vai. Seus amigos estão esperando. E... se encontrar o mar azul e limpo de noite, como seu pai dizia... pense em mim."

Jim sorriu, A jornada dele começava de verdade.

Fim de Capitulo.

— "Quando o navio estiver pronto. E quando o mar estiver calmo o suficiente... ou agitado o bastante pra nos desafiar."

capitulo

Jim caminhou de volta para o caminho que o levaria de volta ao restaurante da mãe, mas seus pensamentos estavam longe. Ele não podia deixar de imaginar o que Dorian dissera sobre o navio e o capitão certo. O que ele queria mesmo era sair da ilha, explorar, e talvez… talvez, ele fosse o capitão certo, se o destino o permitisse.

A ideia de se aventurar pela Grand Line, de se tornar parte de um novo mundo, estava mais viva do que nunca em sua mente. Mas não era apenas o brilho nos olhos dos outros que ele precisava. Jim sabia que precisava de algo mais — ele precisava entender o que significava ser o capitão de um navio como aquele, de realmente assumir o peso de seus sonhos e responsabilidades.

Ele parou por um momento na beira do cais, olhando para o horizonte, onde o céu e o mar se fundiam em uma linha tênue. Ele sabia que não poderia ficar ali para sempre, preso entre o passado e o presente, entre o conforto da ilha e a vastidão da Grand Line. Mas o que ele faria para alcançar esse futuro?

Com um suspiro, Jim se virou e continuou a caminhada. Não demorou muito para que ele chegasse ao restaurante, onde a luz suave de dentro aquecia a rua. Ele entrou e foi recebido por sua mãe, Sarah, que estava no balcão, ainda ajeitando os pratos para a noite. Quando ela o viu, seus olhos se iluminaram.

— "Jim! Como foi seu dia? Trouxe alguma novidade?" Ela sorriu, mas Jim percebeu um toque de preocupação em sua expressão. Ela sempre se preocupava quando ele saía para o trabalho, mas ele sabia que ela também sabia que ele estava buscando algo além da ilha.

Jim deu um sorriso suave e se aproximou dela, dando-lhe um abraço apertado.

— "Foi um bom dia, mãe. Só… passando por algumas coisas. Como sempre." Ele tentou esconder os pensamentos sobre o navio e o sonho de se tornar um pirata. Não queria preocupar sua mãe ainda mais.

Ela deu-lhe um beijo na bochecha, como sempre fazia, antes de continuar a preparar os pratos.

— "Bem, eu recebi novos hóspedes hoje. Eles estão esperando lá no quarto de hóspedes, todos arrumadinhos. Três homens, muito educados, mas com um ar de… aventureiros, se é que me entende. Acho que eles vão querer um bom prato de comida."

Jim sorriu, imaginando quem seriam aqueles "aventureiros". Ele não sabia ainda que estava prestes a cruzar os caminhos de pessoas que poderiam mudar sua vida para sempre. Ele ficou em silêncio por um momento, pensando em Dorian e no navio, mas logo voltou à realidade.

— "Isso é ótimo, mãe. Vou lá ver o que está acontecendo com os novos hóspedes." Ele não queria fazer ela se preocupar, então foi direto para o quarto onde os três estavam. Ele bateu na porta e entrou, encontrando Naruto, Jack e Sanji sentados conversando animadamente.

Naruto olhou para ele com um sorriso largo.

— "Ah, Jim! Chegou! Sentamos aqui para planejar nosso próximo passo."

Jim entrou, um pouco surpreso, mas também interessado. Ele se aproximou da mesa onde os outros estavam e sentou-se ao lado deles.

— "Então, pessoal. Como estão as coisas?" Perguntou ele, com um ar curioso. "Vocês estão prontos para a aventura?"

Jack levantou a cabeça e olhou para Jim com um sorriso travesso.

— "Jim, meu jovem amigo, você sabe que isso aqui não é só uma aventura qualquer. Estamos falando da Grand Line. Para entrar lá, você precisa mais do que apenas coragem — você precisa de um bom barco."

Jim concordou, já sabendo disso. A Grand Line não era para qualquer um. Era perigosa, traiçoeira, e cheia de surpresas. Ele tinha ouvido as histórias de seu pai, o pirata que nunca foi famoso, mas que soubera sobreviver àquele mar imprevisível. E agora, ele estava prestes a entrar nesse mundo. A grande questão era se ele estava realmente pronto para isso.

Sanji, que estava ocupado mexendo em alguns ingredientes na mesa, levantou os olhos e disse:

— "Bom, o que precisamos é de um bom navio, não só para entrar na Grand Line, mas para realmente sobreviver lá. Eu sei que o navio de Dorian está pronto, mas será que ele pode nos ajudar a seguir em frente? Será que ele estará disponível?"

Jim olhou para eles, percebendo que essa era a chave para o próximo passo. Ele sabia que o navio de Dorian era uma boa opção, mas agora era hora de agir, de tomar as rédeas e tomar uma decisão.

— "Eu posso falar com Dorian, mas… tem algo que preciso contar para vocês antes. Eu… bem, eu sempre soube que meu pai era um pirata. E sempre sonhei em viver no mar, em explorar. Eu cresci ouvindo histórias sobre a Grand Line, sobre como meu pai sobreviveu lá, e isso me inspirou. Mas, ao mesmo tempo, eu nunca quis seguir o caminho dele. Agora, com vocês, eu estou começando a pensar que talvez eu esteja pronto para essa jornada."

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A noite estava se aproximando quando Jim se retirou da conversa e foi até o quarto dos hóspedes, onde ele sabia que seus amigos estavam descansando após o dia de atividade intensa. A tensão na ilha estava aumentando com cada minuto, e ele podia sentir que, em breve, suas vidas seriam alteradas para sempre. Mesmo com toda a animação sobre a aventura iminente, ele sabia que era um passo arriscado. Mas também sabia que não podia mais fugir de seu destino.

Quando entrou no quarto, encontrou Naruto, Jack e Sanji já se acomodando em camas improvisadas, aparentemente relaxados após o longo dia. A energia deles era diferente da sua. Eles estavam prontos para seguir em frente, para colocar suas ambições à prova. Jim estava animado, mas ao mesmo tempo sentia que havia algo mais profundo dentro dele que o impelia a continuar essa jornada. Ele queria provar algo não apenas para os outros, mas para si mesmo.

Ele se sentou na borda da cama de Jack, que estava deitado com a mão atrás da cabeça, olhando pensativamente para o teto. O olhar de Jack, muitas vezes brincalhão, agora estava sério, talvez tão sério quanto Jim já o vira.

— "Você parece pensativo, Jim," Jack disse, virando a cabeça para olhar o jovem.

Jim olhou de volta, um pouco surpreso com a percepção de Jack.

— "Eu estava só pensando... sobre o que vem depois. Sobre como tudo isso vai mudar. Estou empolgado, mas ao mesmo tempo, não posso negar o medo. Não tenho um barco, e a ideia de entrar na Grand Line sem o mínimo de segurança… é assustadora."

Jack riu baixo, com um sorriso que parecia mais compreensivo do que irônico.

— "Medo é bom, garoto. Significa que você ainda se importa com o que vai acontecer. Mas o segredo da Grand Line não é se preocupar com os perigos à frente. O segredo é saber que você tem a coragem para enfrentá-los. E o navio? Bom, se o destino nos trouxe até aqui, é porque o navio vai aparecer na hora certa."

Jim se sentiu aliviado com as palavras de Jack. Talvez ele não tivesse todas as respostas, mas de alguma forma, isso o ajudava a seguir em frente. Ele olhou para os outros, que estavam sentados em suas camas agora.

— "E vocês, o que pensam? Todos nós estamos na mesma... no mesmo barco, certo? O que vai acontecer daqui pra frente?"

Naruto, que estava deitado de lado, com as mãos atrás da cabeça, sorriu de forma descontraída, como sempre. Ele era o tipo de pessoa que fazia com que tudo parecesse mais leve, mais fácil.

— "Eu acho que, por mais que a gente tenha nossas diferenças e objetivos, no fundo todo mundo aqui quer algo mais. Talvez seja só isso que nos une. Eu quero ver o que mais esse mundo tem a oferecer. E, se isso significa enfrentar a Grand Line, então que venha."

Sanji, que estava sentado na cama com os cotovelos nos joelhos, olhou para Jim com um olhar de entendimento, mas também com uma ponta de certeza. Ele estava acostumado com a vida no mar, com a ideia de viajar para lugares desconhecidos e perigosos.

— "A Grand Line é um lugar difícil, Jim. Mas a verdade é que, quando você está com pessoas em quem confia, fica um pouco menos assustador. E não se esqueça, você tem muito a aprender. Ainda mais sobre o que fazer com sua mira."

Jim deu um sorriso forçado, tentando parecer mais confiante do que realmente se sentia. Ele sabia que Sanji estava falando da habilidade que ele nunca soubera quando usava sua antiga mira com o rifle.

— "Eu sei. Vou aprender o máximo possível."

A conversa continuou mais um pouco, com os três compartilhando experiências passadas e ideias sobre o futuro. Jim os ouvia, com cada palavra de Jack e Sanji se encaixando em seu entendimento sobre o que ele queria fazer, sobre o que ele tinha que fazer.

O vento lá fora soprava com mais força, como se a ilha estivesse se preparando para uma mudança, para algo maior. Jim ficou em silêncio por um momento, olhando pela janela do quarto. Lá fora, o mar estava calmo, mas ele sabia que isso logo mudaria. Assim como a calma antes da tempestade.

Na manhã seguinte, depois de uma noite tranquila e de muito pensamento, Jim acordou cedo. Ele se levantou antes de todos e foi até a varanda do restaurante de sua mãe. O céu estava tingido de rosa, e o sol começava a surgir no horizonte, iluminando o oceano com uma luz dourada. Ele sabia que o dia seria importante.

Enquanto Jim se preparava para sair e conversar com Dorian sobre o barco, ele viu sua mãe passando pela cozinha. Sarah sempre fora uma presença constante em sua vida, e hoje não seria diferente. Ela olhou para ele, com um sorriso caloroso, mas também com a sensação de algo não dito entre eles.

— "Jim, eu sei o que você está pensando. E eu sei que você quer partir. Eu só… espero que você me prometa uma coisa."

Jim olhou para ela, surpreso, mas ainda assim com a confiança de sempre.

— "Claro, mãe. O que for."

Ela hesitou por um momento antes de continuar.

— "Não importa o que aconteça, sempre voltarei para você. E você pode sempre voltar para casa, não importa onde você esteja."

Jim sentiu um aperto no peito, mas isso o motivou ainda mais. Ele não sabia o que a Grand Line reservava, mas sabia que, com ou sem seu retorno, ele nunca se esqueceria de sua casa, de sua mãe. Ela sempre seria o farol que o guiaria.

Com esse pensamento em mente, Jim se preparou para a próxima etapa da jornada. Ele se virou e olhou para o horizonte uma última vez antes de sair, como se dizendo a si mesmo que ele estava pronto para enfrentar qualquer coisa que o destino tinha para ele.

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Jim caminhou pela rua estreita e movimentada da Ilha Crescentia, seu coração pulsando mais rápido com cada passo que dava em direção ao estaleiro de Dorian. O vento suave fazia as árvores balançarem suavemente, e o som distante das ondas quebrando nas rochas à beira-mar parecia distante em sua mente. Ele sabia o que estava prestes a fazer, e a excitação misturada com um toque de nervosismo o fazia andar com uma energia renovada.

Chegando ao estaleiro, ele viu Dorian, o velho amigo de seu pai, de pé perto de um grande navio, observando atentamente o trabalho dos carpinteiros que mexiam em várias partes do casco. O cheiro de madeira recém-cortada e a visão das ferramentas espalhadas por toda parte eram um lembrete claro do que ele estava prestes a buscar: seu futuro no mar.

Dorian levantou a cabeça ao ouvir os passos de Jim, e um sorriso largo se formou em seu rosto ao vê-lo se aproximar. O homem, um pouco mais velho e com alguns cabelos grisalhos ao redor das têmporas, sempre fora um amigo da família, mais especificamente de seu pai. Jim sabia que, apesar de Dorian ser um pouco rabugento, ele tinha um carinho especial por ele. Para Dorian, ele era quase como um sobrinho, mesmo que eles nunca tivessem sido formalmente ligados por sangue.

— "Ah, Jim! Você chegou no momento certo!" disse Dorian, estendendo os braços em um gesto acolhedor. "E como você está? Crescendo rápido, hein, rapaz? Meus bons tempos no mar parecem coisa de outro mundo quando vejo você aqui, tão novo e cheio de energia."

Jim sorriu, apreciando o carinho do velho amigo de seu pai. Eles sempre se davam bem, mesmo com as constantes brincadeiras e risadas que Dorian fazia sobre sua ideia de se tornar pirata.

— "Eu estou bem, Dorian. Tenho pensado em algumas coisas. E pensei que poderia vir ver o que você tem de novo por aqui."

Dorian deu uma risada baixa e assentiu, virando-se para o barco que estava em construção.

— "Bom, você sabe como eu sou. Não sou mais tão jovem quanto antigamente, mas ainda sei como fazer um bom barco. Esse aqui... esse é especial, Jim. Pode ser o tipo de navio que você precisa. O tipo de navio que eu sempre quis construir."

Jim olhou para o barco com atenção. Ele era grandioso, imponente, e claramente projetado para enfrentar as ondas selvagens da Grand Line. O casco estava sendo finalizado, e as velas ainda precisavam ser erguidas, mas a estrutura era inconfundível. Era um navio rápido, forte e resistente, com uma estética que lembrava muito as lendas de navios de piratas lendários.

— "Isso é incrível, Dorian... ele é perfeito." Jim disse, com os olhos brilhando de admiração. "Eu sabia que você tinha algo grande em mente, mas nunca imaginei que seria algo assim."

Dorian sorriu, cruzando os braços com orgulho.

— "Este aqui é inspirado no navio de Sinbad. Lembra-se das histórias que seu pai me contou sobre a Grand Line? Pois bem, a ideia era ter um navio que fosse mais do que só um barco, mas sim uma verdadeira lenda em si. Isso aqui vai ser o tipo de embarcação que pode enfrentar qualquer coisa, desde as correntes fortes até as criaturas enormes que você vai encontrar por aí. E você, Jim, pode ser quem o leve para os mares desconhecidos."

Jim, completamente absorvido pela visão do navio, sabia que seu destino estava prestes a ser traçado. Ele sempre soubera que um dia teria que enfrentar a Grand Line, mas nunca imaginou que esse dia chegaria tão cedo, nem que um navio como aquele apareceria para lhe dar a oportunidade.

— "E você... realmente acha que eu sou capaz de levar um navio assim para a Grand Line?" Jim perguntou, um pouco inseguro.

Dorian riu novamente, dessa vez com um tom mais suave, quase paternal.

— "Jim, seu pai sempre acreditou em você, mesmo que não tenha dito muitas palavras sobre isso. Ele sabia que você tinha um espírito aventureiro. E eu também sei. Não é só o navio que faz o marinheiro, é o coração que ele coloca no que faz. Se você estiver pronto para o mar, esse navio estará pronto para você."

Jim ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Dorian. Ele sabia que, no fundo, a verdadeira jornada não seria apenas sobre o navio, mas sobre ele próprio se provar no mar, enfrentando os desafios que viriam.

— "Vou precisar de mais do que apenas coragem para isso, Dorian. Eu preciso saber como navegar por essas águas traiçoeiras. Preciso aprender a ser um pirata."

Dorian sorriu com um olhar malicioso, como se estivesse esperando por esse momento.

— "Você está no lugar certo, Jim. Aqui você vai aprender tudo o que precisa, seja de mim ou dos outros que frequentam o estaleiro. O mar é um lugar imenso, mas quem sabe, com o navio certo e a mentalidade certa, você pode encontrar seu caminho. Eu vou ajudar você. Sempre."

Jim sorriu de volta, sentindo-se mais confiante do que nunca. Ele sabia que a vida que ele tinha escolhido não seria fácil, mas, ao mesmo tempo, sabia que estava preparado para enfrentá-la. Ele não estava mais apenas sonhando com a Grand Line — ele estava se preparando para fazer parte dela.

Antes de sair do estaleiro, Jim deu um último olhar para o navio, um símbolo do que estava por vir. Seu sonho de aventura estava prestes a se tornar realidade, e, com a ajuda de Dorian e o navio à sua disposição, ele finalmente sentiu que poderia realmente cruzar os mares em busca de sua própria lenda.

Com um sorriso determinado no rosto, Jim se virou para Dorian, pronto para dar o próximo passo.

— "Obrigado, Dorian. Eu vou fazer isso acontecer."

Dorian assentiu, colocando uma mão firme no ombro de Jim.

— "Eu sei que vai. Agora vá em frente, garoto. O mar espera por você."

E com isso, Jim partiu, sentindo-se mais preparado do que nunca para a grande aventura que estava prestes a começar

Fim de Capítulo