Luna me guiou até um quarto, alojado no corredor longo repleto de quadros curiosos. O mesmo corredor em que viktor desapareceu. O quarto era onde o silêncio parecia confortável e o ar soava mais leve. O ambiente era simples, mas carregado de magia. Havia dois beliches com quatro camas: três camas já ocupadas, e uma vazia. Segundo Luna, aquele seria meu novo lar... ao menos por agora.
Dei alguns passos, observando o lugar. As paredes eram de pedra clara, cobertas por tapeçarias antigas com símbolos que pareciam se mover sutilmente quando não se olhava diretamente para eles. O chão rangia levemente, mas transmitia aconchego. Depositei minha mala com cuidado na única cama que restava, escolhendo aquele canto para chamar de meu.
A iluminação do quarto era algo que eu nunca tinha visto antes, apenas lido sobre: uma luz violeta suave se espalhava pelo ambiente, não por velas, nem por feitiços convencionais, mas por pequenas criaturas mágicas chamadas Clarilux. Pareciam gafanhotos do tamanho de um copo, com cabeças luminosas que pulsavam em tons de lilás. Estavam fixados no teto e nas paredes, posicionados como se fossem delicados abajures vivos. Com certeza Luna os colocou ali.
— Eles gostam de lugares tranquilos — disse Luna, observando as pequenas criaturas com olhos brilhantes de encantamento. — E quando se sentem seguros, brilham ainda mais.
Me sentei na cama devagar, sentindo o colchão afundar em panos macios. Pela primeira vez em muito tempo, permiti a mim mesma um suspiro aliviado. Aquele lugar, por mais simples que fosse, tinha algo... familiar. Quente. Como se, enfim, eu pudesse me sentir acolhida de verdade.
— Não temos quatro guarda-roupas, mas eu posso dividir com você. Não tenho muitas roupas, e sempre sobra espaço. — Ela disse com aquele tom suave e sonhador, como se compartilhar fosse uma oferenda gentil ao universo.
— Claro, Luna. Podemos dividir, se quiser. — respondi com um sorriso pequeno, mas sincero.
Luna me observou em silêncio por um instante, o olhar perdido em algo que só ela parecia conseguir ver. Era como se estivesse diante de um tabuleiro de xadrez bruxo e precisasse escolher a jogada mais delicada. Seu semblante flutuava entre a leveza e a intuição afiada.
— Algo te incomoda, Hermione... — disse enfim. — Deve ser o Draco. Me desculpa por ter enviado ele. Mas... sinto que vocês dois precisam se unir mais do que os outros. — Ela fez uma pausa, como se estivesse pesando cada palavra. — Draco é inteligente, eu vejo isso. Mas está tão confuso, tão mergulhado em sombras, que já não enxerga o quão bonito pode ser a luz.
Sua voz era serena, mas as palavras cortavam com precisão. Fiquei em silêncio, deixando que a verdade dela se infiltrasse em mim. Luna sempre teve essa habilidade: parecer distraída e ao mesmo tempo entender tudo.
— Hogwarts precisa de vocês dois trabalhando juntos. Draco com seu conhecimento obscuro e você, com a inteligência da magia branca. É um equilíbrio perfeito, não acha? — disse Luna, encantada com a própria reflexão, como se suas palavras fossem poesia recém-descoberta. — Luz e sombra não são inimigas, Hermione. Elas só existem juntas...
Fiquei olhando para ela, sem saber o que responder. A ideia parecia absurda à primeira vista. Draco Malfoy e eu, uma dupla? Mas... havia uma estranha lógica ali. Por mais improvável que fosse, nossas diferenças se encaixavam de alguma forma. Como feitiços de polaridades opostas que, juntos, formam algo mais poderoso.
Suspirei, apertando levemente os lençóis da cama. O peso da guerra, dos anos de silêncio, dos nomes trocados como farpas... Tudo isso ainda existia. Mas agora, misturado àquilo, havia algo novo. Um sentimento que eu ainda não conseguia nomear. Curiosidade? Desconfiança? Ou talvez... esperança.
Luna se aproximou, colocando a mão sobre meu ombro com leveza.
— Às vezes, os melhores aliados são os que menos esperamos. — disse ela, quase num sussurro. — Agora... dorme um pouco. Amanhã será um dia grande.
— Boa noite, Luna! — respondi, já me ajeitando sob os lençóis quando ela parou de repente na porta, com aquele olhar típico de quem vive entre o real e o extraordinário.
— Ah, antes que eu me esqueça... Tenho algo pra você. — disse, voltando apressadamente. Foi até a mesa de cabeceira e abriu a gaveta com delicadeza, como se guardasse ali algo sagrado. Pegou o objeto com cuidado e voltou até mim, sentando-se ao meu lado. — Eu encontrei isso durante a guerra... caída no chão, entre os escombros. Achei que talvez fosse importante pra você.
Ela estendeu a mão, me entregando o que parecia ser uma fotografia um pouco desgastada. Peguei com certa hesitação, como se já soubesse o que encontraria ali, e mesmo assim, o impacto foi inevitável.
Na imagem, Rony, Harry e eu. Estávamos abraçados, lado a lado, com os rostos iluminados por uma felicidade tão pura que doía só de olhar. Hagrid aparecia logo atrás, grandalhão e sereno, com um sorriso bobo no rosto. A imagem se mexia como sempre, nós ríamos, nos cutucávamos, como se o tempo não tivesse nos tocado. Senti um nó na garganta. As lembranças vieram como uma avalanche, aquecendo e sufocando ao mesmo tempo.
A saudade por Harry gritava, e era ensurdecedora. Como o lamento das mandrágoras recém-arrancadas da terra, agudo, penetrante, impossível de ignorar. Eu apertei a fotografia contra o peito, como se aquilo pudesse trazer de volta o calor dos braços que já não estavam mais ali.
As lembranças me atingiram como feitiços sem aviso. A noite antes da festa de aniversário de morte do Nick Quase Sem Cabeça. Nós ríamos juntos no Salão Comunal, tentando convencer Harry a não ir naquela festa mórbida. Ele, com aquele olhar teimoso e o sorriso escondido nos cantos da boca, dizia que era importante, que queria entender mais do mundo bruxo, até o dos fantasmas.
— Eu pensei em queimar todas as lembranças... certa vez. — confessei em voz baixa, sem tirar os olhos da foto. — Mas não consegui. E agora... vendo isso... parece que ainda vale a pena manter elas comigo.
Luna assentiu com suavidade, respeitando meu momento.
— Ele está aqui, sabe? De algum jeito... ainda está com você. Só esperando você se lembrar de quem realmente é.
Ela se levantou, deixando a foto comigo.
— Durma bem, Hermione. Amanhã é mais um passo. Mas hoje... permita sentir.
Ela se afastou lentamente, e os clarilux começaram a piscar num ritmo suave, como se embalassem o ambiente para o descanso.
Me deito, com a fotografia agarrada em mim, encarando o teto com a mente inquieta, e uma única certeza ecoando dentro de mim: vamos vencer essa luta. A porta se fechou com um clique suave. E pela primeira vez em muito tempo, permiti que as lágrimas viessem. Silenciosas, quentes, libertadoras. Eu adormeci ao lado da dor da saudade.
No momento em que acordei, a luz violeta da clarilux ainda dançava suavemente pelo quarto. Mas algo estava fora do lugar. A foto, nossa foto, estava caída ao chão, virada de cabeça para baixo. Meu coração disparou num susto irracional, como se aquela imagem tão preciosa pudesse ter se ferido com a queda.
Sem fazer o menor barulho para não acordar Luna, me levantei num pulo silencioso, ajoelhei ao lado da cama e peguei a foto com delicadeza. Os rostos ainda sorriam, ainda se moviam lentamente, mas só de imaginar que poderia perdê-la de novo, senti o aperto no peito retornar.
— Conjurius.
Com um simples feitiço, conjurei um pequeno suporte mágico e depositei a foto na parede, logo ao lado da minha cama. Agora, ela me acompanharia nos dias bons e ruins. Um lembrete do que éramos. Do que ainda podemos ser. Arrumei minhas coisas com uma rapidez mecânica: roupas dobradas com movimentos de varinha, livros alinhados com precisão. A mala, esvaziada, voltou ao seu lugar embaixo da cama. Era hora de seguir com o dia.
Assim que pisei na sala principal, o cheiro de pão quente e ervas doces me atingiu como um abraço. Mas algo rolou pelo chão, batendo levemente no meu pé. Olhei para baixo.
Uma bolinha vermelha translúcida: um lembrol. Me agachei e a peguei nas mãos.
— Ah, isso é meu. Deixei cair, desculpe. — disse Neville, visivelmente preocupado. — Acho que esqueci alguma coisa… ela não para de ficar vermelha. — Pegou a lembrança de minhas mãos e saiu apressado pelo longo corredor.
Logo em seguida, Draco apareceu, brincando com pássaros de papel encantados que voavam ao seu redor.
— E aí, Granger. Sonhou com dementadores essa noite? — disse com um sorriso torto, claramente apenas testando minha paciência.
— Muito engraçado, Malfoy. Mas não. — respondi com ironia, revirando os olhos.
Ele pegou um dos pássaros no ar e o amassou sem cerimônia, como se fosse um papel qualquer, antes de se jogar com preguiça em uma das cadeiras da grande mesa de jantar.
— Aquele seu amigo... ronca como um trasgo bêbado. — disse, fazendo menção clara a Viktor.
— Obrigada por lembrar. E, só pra constar, você foi extremamente inconveniente ontem à noite.
Draco arqueou uma sobrancelha e deu um sorriso irônico.
— Inconveniente? Eu? — ele cruzou as pernas, relaxado. — Eu só fui honesto. Como sempre sou.
— Ser honesto não é licença para ser rude. — rebati com firmeza, mantendo um tom contido.
Por um instante, ele desviou o olhar e mordeu levemente o lábio, como se refletisse sobre minhas palavras.
— Tá, talvez eu tenha exagerado um pouco. — murmurou, quase imperceptível.
O silêncio que seguiu foi estranho. Mas eu o quebrei.
— E Viktor? Já está de pé ou ainda está dormindo? — perguntei, me sentando a mesa e pegando uma fatia de pão.
— Levantou de manhã e foi pro norte, levar suprimentos para os sobreviventes refugiados.
Luna apareceu pouco depois, seus cabelos desgrenhados dançavam em fios soltos sobre os ombros. O rosto ainda marcado pelo travesseiro, o olhar perdido, como se estivesse voltando de um sonho que a deixou mais cansada do que o sono em si. Ela parou na porta e observou com atenção — a mim, Draco… e então um canto vazio da sala, como se esperasse encontrar alguém ali.
— Astoria ainda não voltou?
— Astoria? — perguntei surpresa, franzindo a testa. — Ela está alojada aqui também?
— Sim — respondeu Luna, como se fosse óbvio. — Ela decidiu nos ajudar depois que viu Draco se rendendo a nós.
O ar pareceu mudar de temperatura naquele instante. Draco virou o rosto devagar em direção a Luna, os olhos estreitos como navalhas. Aquela troca silenciosa falava mais do que qualquer feitiço: Por que você contou isso?
— Eu não me rendi, Lovegood — disse ele, a voz baixa, mas carregada de raiva contida. — Apenas escolhi o lado com mais chances de vencer.
Luna apenas o observou, com aquele meio sorriso distante que ninguém conseguia decifrar. Era como se ela enxergasse algo além do que Draco tentava esconder, ou proteger.
— Às vezes, Draco… vencer é só uma consequência de fazer o que é certo — ela disse com ternura, como quem fala com uma criança que ainda tem medo do escuro. — E você fez a escolha certa. Mesmo que ainda não saiba por quê.
Ele desviou o olhar. E por um segundo, muito breve, vi algo em seus olhos que nunca havia visto antes: fragilidade. Um medo enraizado, talvez... ou o eco de uma culpa antiga. Draco não era só arrogância e sarcasmo, havia uma história que ele ainda se recusava a contar.
Eu respirei fundo, tentando absorver tudo aquilo. A menção de Astoria. A tensão silenciosa. As palavras não ditas. Luna, com seu jeito quase mágico de ler as emoções, apenas se virou e caminhou lentamente até a mesa, deixando o silêncio reinar entre mim e Draco. E naquele silêncio... eu entendi. Ele também estava quebrado, como todos nós. Só escondia melhor.
Alguns minutos se passaram após o término silencioso do nosso café da manhã. O clima na sala oscilava entre a serenidade e a tensão não resolvida. Foi então que um som sutil ecoou pelo corredor, passos leves, mas decididos, interrompendo a calma passageira. Todos os olhares se voltaram na direção da porta quando a silhueta de alguém surgiu no clarão suave da luz matinal.
Astoria.
Ela descia o último degrau da escada com a leveza de quem sempre soube exatamente onde pisar. Os cabelos castanhos, lisos e bem alinhados, balançavam suavemente sobre os ombros. O rosto sereno exibia um sorriso gentil, quase perfeito. E embora houvesse outras presenças naquela sala, seu olhar foi direto a Draco, como uma flecha certeira, carregada de expectativa e alegria genuína. Ele retribuiu com um aceno quase imperceptível, o tipo de gesto que tenta parecer indiferente, mas quase não conseguindo esconder a informação que obteve.
Meu estômago revirou.
Foi instintivo, meus olhos desviaram, como se estivessem protegendo algo que eu nem sabia que estava ali. Um incômodo nasceu dentro de mim, um desconforto que não sabia nomear... ciúmes? O que? Não, não pode ser! Talvez seja só o pão que não caiu bem. Na aparência, nada havia mudado. Mas dentro de mim, uma parte silenciosa começava a acordar.
— Vou lá fora. — avisei, sem qualquer esforço para disfarçar o tom distante. Levantei antes que Astoria pudesse se aproximar demais de Draco, e me retirei pelo corredor, desejando não ter que olhar para trás.
Por um momento, desejei estar de volta ao Glamore, o bar que sempre me acolhia nas noites mais difíceis. Aquele lugar carregava um tipo estranho de consolo, um abrigo onde os pensamentos gritavam mais baixo.
Do lado de fora, a casa não parecia tão assombrada quanto à noite. A luz do dia diluía um pouco da tensão que aquele lugar exalava. Caminhei pelas ruas vazias, marcadas por destruição e abandono. A neblina havia desaparecido, como se desse espaço para que a dor se mostrasse por completo. Cada casa em ruínas era uma memória esquecida, um lar desfeito pela guerra.
Avancei até encontrar um banco antigo, torto e gasto pelo tempo e as chuvas, em frente a uma casa semi-destruída. Era perfeito. Sentei, sem pressa, apenas permitindo-me existir ali. Sem planos, sem pressões. Apenas o som distante do vento e o leve ranger da madeira sob meu peso. Não sei quanto tempo passou. O suficiente para que meus pensamentos começassem a se acalmar. Até que o som de passos interrompeu o silêncio. Pesados, mas ritmados... familiares. Virei o rosto, de forma leve, e lá estava ele.
Viktor se aproximava devagar, como se tivesse ensaiado aquele momento. O sorriso nos lábios era discreto, como se o canto de sua boca escondesse um segredo travesso. Não mencionei a mim mesma, mas Viktor é lindo. Não apenas por sua aparência marcante, mas pelo modo como carrega o mundo nas costas, com determinação, com aquele olhar que parece sempre saber mais do que diz. Há algo de nobre em sua presença, algo que faz com que a dor em volta pareça... suportável.
No modo automático, sorri de volta. Um sorriso real, leve, ainda que tímido.
— Eu adoraria te pagar uma cerveja amanteigada, mas acho que nenhum lugar se arriscaria a ficar aberto, com Voldemort por aí. — ele disse, parando ao meu lado com as mãos nos bolsos e os ombros levemente curvados, como se quisesse parecer menos ameaçador. Seu sotaque era um charme a mais. Soltei uma risada suave, o tipo que nasce mais do alívio do que da diversão.
— Com sorte, um dia ainda vamos brindar a liberdade. — respondi, olhando o céu acinzentado. — Por enquanto, sentar em um banco e não precisar lutar já é quase um luxo.
Viktor me observou em silêncio por alguns segundos, e então se sentou ao meu lado. Não disse nada imediatamente. E eu gostei disso. Gostei do silêncio confortável. Gostei da ausência de perguntas, do não precisar explicar o que doía.
— Eu vim até aqui por você, Hermione. Não porque achei que fosse uma guerra fácil. Mas porque eu me lembrava de como você olha para as coisas... com esperança, mesmo quando tudo parece quebrado. Eu precisava ver se ainda era assim.
Seu olhar encontrou o meu, e por um breve instante, me senti vista. Não como heroína, não como peça de um plano, mas como alguém... que sente.
— Como sabia que eu iria estar aqui? Eu nem queria estar aqui. — minhas palavras saíram mais duras do que eu pretendia, mas não conseguia disfarçar a confusão que crescia dentro de mim. — Você teria vindo sem nenhum motivo, se eu não estivesse?
Viktor não desviou o olhar. Em vez disso, se aproximou um pouco mais, e segurou minha mão com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo. Um arrepio me percorreu — não só pela surpresa do toque, mas pela intensidade silenciosa que ele carregava.
— Hermione... — disse com a voz baixa, quase como se falasse só para mim — Fui um dos que votou para que fossem te procurar. A questão não era se você estaria aqui. A questão é que, de qualquer maneira... você iria estar.
Por um instante, tudo ficou em silêncio. Um pássaro solitário piou ao longe, e eu fiquei encarando nossas mãos unidas, tentando entender o que ele realmente queria dizer.
"Teve votação?" — foi o pensamento que explodiu na minha mente, como um feitiço inesperado.
Eles haviam se reunido. Discutido. Escolhido. E entre tantas possibilidades, entre tantos nomes... o meu foi o escolhido. E, de alguma forma, isso doeu mais do que deveria. Porque eu não sabia se me sentia grata... ou culpada.
— Tem algo que eu gostaria de fazer. — disse Viktor, com a voz baixa cheia de sotaque, quase sussurrada, o semblante sereno e os olhos fixos nos meus. Ele se aproximava devagar, como se cada centímetro respeitasse o tempo que meu coração levava para entender.
Por um instante, meu pensamento correu mais rápido que meu corpo. Eu sabia — ou achava que sabia — o que estava prestes a acontecer. Mas o que me confundia não era o que ele faria... era o que eu sentia.
Draco.
O nome dele surgiu na minha mente como uma lembrança teimosa. Um eco de algo mal resolvido. Mas Draco era confusão, era sombra e silêncio. Viktor, por outro lado, parecia constante, como a brisa calma depois da tempestade.
E talvez... eu só precisasse de paz.
Fechei os olhos, deixei a dúvida de lado, e me permiti sentir. Viktor foi gentil, como se respeitasse todas as cicatrizes que o tempo não apagou. Seu toque foi leve, mas firme. Seus lábios encontraram os meus com uma ternura inesperada. E ali, naquele momento suspenso, tudo pareceu... silencioso. Seguro.
O beijo não foi sobre paixão. Foi sobre acolhimento. Sobre reencontro. Sobre lembrar que eu ainda era humana, e merecia sentir algo bom, mesmo em tempos sombrios.
