Com o anúncio feito, o clima no salão ficou mais denso, quase palpável. Vários genin trocaram olhares tensos - alguns preocupados, outros confiantes demais, muitos tentando esconder o nervosismo sob expressões rígidas. O silêncio logo foi quebrado por um zumbido eletrônico vindo da parede à frente. Um painel se iluminou, e Hayate se afastou um passo.

- Este é o placar eletrônico. Ele selecionará aleatoriamente os nomes dos participantes para cada duelo. Quando os nomes aparecerem, ambos os lutadores devem descer imediatamente para a arena e iniciar a luta sob o meu sinal.

Sakura sentiu o estômago apertar. Agora era real.

Ela não sabia quem enfrentaria, se seria alguém da própria vila ou de fora. Sabia apenas que tinha que estar pronta. Seu corpo ainda doía por dentro, mas ela estava alerta. A floresta já a havia testado com vida ou morte - aquilo agora era apenas um palco diferente para o mesmo jogo.

O painel brilhou e os nomes começaram a girar, letras passando em alta velocidade como se o destino estivesse brincando com o coração de cada ninja ali. Sakura prendeu a respiração. Naruto se inclinou, com olhos arregalados, enquanto Sasuke permanecia firme, mas ela sentia a vibração da tensão em seu companheiro.

Então, os nomes pararam:

Sasuke Uchiha vs. Yoroi Akadou

O coração de Sakura batia tão alto em seus ouvidos que mal conseguia ouvir o restante da chamada. Quando o nome deSasuke Uchihaecoou pela arena, um arrepio percorreu sua espinha. Ele caminhava até o centro com a mesma confiança contida de sempre, mas havia algo mais naquele instante — um peso invisível sobre seus ombros. Ela sabia. Eles todos sabiam. O selo amaldiçoado estava ali, pulsando como uma ameaça silenciosa.

Yoroi Akadou, o oponente, ajustava as luvas devagar, como se estudasse Sasuke em cada movimento. Sakura sentiu um aperto no peito. Esse não era um adversário comum.

As luzes sobre a arena pareciam mais intensas. Os olhares dos genin e dos jounin observadores eram como lâminas invisíveis, e Sakura sabia que cada um deles julgaria Sasuke a partir do que vissem agora.

O sinal para começar soou.

Sasuke foi o primeiro a se mover — rápido, decidido, como um raio partindo do solo. Ele optou pelotaijutsu, golpeando com chutes e socos precisos, evitando qualquer técnica que exigisse molde de chakra. Sakura viu sua estratégia imediatamente: ele estava evitando liberar chakra para não provocar o selo.

Yoroi, porém, parecia preparado. Seu corpo se moveu com uma calma irritante, desviando, bloqueando, até finalmente encontrar uma brecha. Ele agarrou o braço de Sasuke, o aperto firme como uma armadilha.

— Não! — o sussurro escapou dos lábios de Sakura, involuntário.

Algo estranho aconteceu naquele contato. Um brilho pálido surgiu da mão de Yoroi, e o corpo de Sasuke estremeceu visivelmente. Sakura arregalou os olhos, reconhecendo o que estava vendo. Ele estava drenando o chakra de Sasuke — lentamente, como um veneno que se espalhava nas veias.

Sasuke se debatia, tentava se soltar, mas era como se suas forças evaporassem. Cada movimento se tornava mais pesado, cada tentativa mais desesperada.

Sakura fechou as mãos com força sobre as barras da arquibancada. Ela queria gritar, correr até lá — mas sabia que isso só pioraria tudo. A luta era de Sasuke. Era a prova dele.

Por um momento, o rosto de Sasuke se contorceu em dor. Depois, algo mudou. Seus olhos, aqueles olhos negros e determinados, brilharam com uma fúria fria.

Ele sabia. Sabia que se deixasse aquilo continuar, estaria acabado.

Sasuke puxou todo o restante de sua força, torcendo o corpo com brutalidade para se libertar do aperto de Yoroi. Num salto impulsivo, afastou-se, ofegando, os olhos fixos no adversário.

E então, para surpresa de todos, sorriu de lado — aquele sorriso desafiador que Sakura conhecia tão bem.

Ela percebeu o que ele estava prestes a fazer antes mesmo que os outros entendessem.

Sasuke se lançou novamente ao ataque, mas dessa vez, seus movimentos eram diferentes — mais rápidos, mais afiados, como uma dança mortal que seguia uma batida precisa.

Sakura reconheceu a sequência: era aRajada de Leões(Shishi Rendan), a técnica de taijutsu que Sasuke adaptara depois de observar Rock Lee. Era como ver um trovão se materializar — ele chutou Yoroi no ar, acompanhou-o com socos e cotoveladas, antes de girar e esmagá-lo contra o chão com um estrondo surdo.

A arena inteira pareceu prender a respiração.

O examinador correu até Yoroi, checando seu estado rapidamente. Quando se ergueu, ergueu também o braço, declarando em voz alta:

— Vencedor: Sasuke Uchiha!

A arquibancada explodiu em murmúrios e olhares surpresos.

Sakura soltou o ar que nem sabia que estava segurando, os joelhos tremendo de alívio. Mas sua alegria foi curta. Algo errado chamou sua atenção — uma vibração estranha, uma sensação de mal-estar.

Os olhos dela buscaram Sasuke, e o que viu fez seu estômago revirar.

Linhas negras se espalhavam pelo pescoço dele, ramificando-se lentamente como marcas vivas. Oselo amaldiçoado.

O corpo de Sasuke tremeu. Sua expressão endureceu num misto de raiva e medo. Por um segundo, parecia que ele seria tomado por aquela energia maligna — perderia o controle diante de todos.

— Por favor, não... — Sakura sussurrou, o coração implorando.

Mas Sasuke não era qualquer genin.

Com um esforço que parecia físico e espiritual, ele cerrou os dentes, apertou os punhos com força até os nós ficarem brancos, e conteve o selo. As marcas recuaram devagar, sumindo sob a gola.

Sakura sentiu lágrimas ardendo nos olhos — de alívio, de orgulho.

Antes que Sasuke pudesse voltar para o Time 7,Kakashisurgiu ao lado dele, silencioso como uma sombra. Seu olhar era grave, intransigente.

— Vem comigo — disse ele apenas.

Sasuke hesitou, os olhos deslizando pelas arquibancadas. Sakura viu o conflito nele — o desejo de ficar, de observar seus futuros rivais, de aprender. Mas também viu a aceitação amarga quando Kakashi o empurrou gentilmente para longe.

Os dois desapareceram por um dos corredores, deixando Sakura, Naruto e o restante da plateia para trás.

Sakura ficou ali, imóvel, o coração apertado. Ela queria correr atrás deles, queria fazer algo — qualquer coisa — para ajudá-lo. Mas sabia que a luta de Sasuke, agora, era outra. Era invisível. E ele precisava ser forte o suficiente para vencê-la também.

Ela apertou as mãos contra o peito, sentindo o suor frio escorrer por sua nuca.

Sakura se inclinou para frente, o coração ainda um pouco acelerado após a luta de Sasuke. QuandoShino AburameeZaku Abumiforam chamados para a segunda partida, ela sentiu uma mudança sutil no ambiente — como se uma nova tensão, mais fria e calculada, tomasse conta da arena.

Shino caminhava até o centro do ringue com sua habitual calma imperturbável, o colarinho alto e os óculos escuros ocultando qualquer emoção. Em contraste, Zaku vinha mancando ligeiramente, o rosto contorcido numa máscara de raiva contida. Sakura lembrou-se do estado em que ele havia ficado depois da luta deles naFloresta da Morte. Seus braços... Ela havia acertado os pontos vitais. Ele ainda estava danificado.

Quando ambos se posicionaram, o examinador deu o sinal de início.

Shino permaneceu imóvel. Apenas suas palavras ecoaram pela arena, calmas e cortantes.

— Seus braços ainda estão danificados — ele declarou, sem provocação, apenas constatando o óbvio. — Se continuar, só vai se machucar ainda mais.

Sakura prendeu a respiração. Shino era diferente. Não havia arrogância em sua voz. Apenas uma lógica impiedosa.

Zaku, no entanto, pareceu enraivecido com a simples menção de sua fraqueza. Ele rosnou, os dentes trincados.

— Eu não preciso da sua piedade! — berrou, levantando o único braço que ainda podia usar.

Sem esperar mais, disparou uma poderosa rajada de vento comprimido pelas palmas da mão direita — lâminas invisíveis cortando o ar na direção de Shino. O estrondo do ataque ecoou pela arena, levantando poeira e destroços.

Sakura teve que erguer um braço para proteger o rosto. Quando a poeira baixou, Shino ainda estava lá — imóvel, intocado.

E então Zaku percebeu.

O chão ao redor dele, suas costas, seus flancos... Estavam cobertos de pequenos pontos pretos.

Insetos.

— Maldito... — Zaku murmurou, os olhos arregalados.

Sakura sentiu um frio subir pela espinha. A especialidade de Shino: ele havia liberado silenciosamente seu enxame durante o ataque de Zaku, cercando-o sem que percebesse.

Sabendo que não podia se dar ao luxo de ser pego, Zaku ergueu novamente seu braço funcional. Ele tentou disparar outra rajada para varrer os insetos. Um zumbido abafado preencheu o ar.

Mas não era suficiente.

Sakura viu a hesitação em seus movimentos, a ineficácia de seus ataques. O enxame se espalhava, absorvendo sua energia, bloqueando seus movimentos. Desesperado, Zaku tomou uma decisão fatal.

Ele usou seu braço ferido.

Gritando de frustração, ele forçou o chakra a atravessar os tubos danificados nas palmas de suas mãos, buscando uma explosão de ar que o libertasse.

Foi nesse instante que tudo desmoronou.

O ataque falhou. Ao invés de escapar, a pressão acumulada sem uma saída adequada explodiu dentro de seus braços. Um estalo horrível, como de madeira se partindo, ecoou pela arena. E então o grito — um som agudo de pura dor.

Os braços de Zaku foram jogados para trás, seus tubos internos destruídos, seus músculos e articulações completamente comprometidos.

Ele caiu de joelhos, os olhos vidrados de dor e incredulidade.

O examinador correu até ele, checando rapidamente seu estado antes de erguer o braço de Shino, declarando:

— Vencedor: Shino Aburame!

Houve um silêncio respeitoso por um momento. Depois, murmúrios baixos se espalharam entre os genin e jounin observadores.

Sakura soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.

Shino, fiel à sua natureza, apenas virou-se calmamente e caminhou de volta para onde o Time 8 observava. Nenhuma celebração, nenhum sorriso. Apenas o cumprimento de uma missão.

Enquanto o corpo semi-inconsciente de Zaku era levado para atendimento médico, Sakura refletiu, inquieta. Ela sabia o quanto um erro de julgamento podia custar. Zaku havia ignorado seus próprios limites, sua própria condição física — e pagara um preço severo por isso.

Sakura lançou um olhar para Naruto ao seu lado, e depois para a direção por onde Sasuke havia desaparecido com Kakashi. O torneio preliminar não era apenas uma competição de força. Era uma guerra de estratégia, paciência e inteligência.

Ela inspirou fundo.

Ainda com o choque da última luta percorrendo seus nervos, Sakura forçou-se a focar na próxima chamada. Os nomesKankuroueMisumi Tsurugiecoaram pela arena, atraindo novos olhares curiosos.

Ela apertou levemente as mãos sobre o colo, observando enquanto ambos os competidores se dirigiam ao centro do ringue. Kankurou, com seu rosto pintado e carregando um estranho embrulho nas costas, parecia relaxado, quase desleixado. Misumi, em contraste, exibia uma confiança fria, o corpo curvado de modo que parecia pronto para se lançar como uma serpente.

O sinal foi dado.

Sakura mal teve tempo de processar o movimento. Misumi deslizou pelo chão numa velocidade assustadora, seu corpo se retorcendo de forma antinatural, como se não tivesse ossos. Em poucos segundos, ele já havia se enrolado em volta de Kankurou, prendendo-o num aperto brutal.

— Renda-se — Misumi sibilou, a voz fria contra a orelha do oponente — ou vou quebrar seu pescoço aqui e agora.

Sakura sentiu seu estômago revirar. Ela sabia o que significava aquele tipo de ameaça. Não era bravata.

Kankurou apenas riu baixinho, uma risada abafada e provocadora.

— Então tente.

Num estalo sinistro, Misumi torceu violentamente o pescoço de Kankurou.

Sakura engasgou num grito preso, levando uma mão à boca. Naruto ao seu lado ficou boquiaberto, e até Sasuke — de onde estava, recuperando-se — estreitou os olhos, atento.

Mas, no instante seguinte, algo estava errado.

Muito errado.

Kankurou não caiu morto. Em vez disso, seu corpo... partiu-se estranhamente, como se fosse feito de madeira.

Sakura arregalou os olhos ao perceber.

— Uma marionete! — ela murmurou para si mesma, o choque misturado com fascínio.

O verdadeiro Kankurou já não estava mais ali — ou melhor, estava, oculto o tempo todo. A marionete —Karasu— havia tomado seu lugar. E agora, enquanto Misumi ainda estava preso a ela, os fios de controle de Kankurou se moveram sutilmente.

Antes que Misumi pudesse se afastar, braços ocultos da marionete se abriram em um movimento mecânico, prendendo-o. Garras surgiram das extremidades, envolvendo-o num aperto mortal.

— Não é tão fácil me derrotar — disse Kankurou, aparecendo atrás de sua criação, manipulando Karasu com precisão cruel.

Misumi tentou lutar, tentou gritar sua rendição, mas era tarde demais. Com um movimento seco e definitivo, Karasu apertou as garras, esmagando Misumi.

O examinador se moveu rapidamente, encerrando a luta para impedir danos mais sérios. Declarou Kankurou como o vencedor, enquanto médicos se apressavam para cuidar de Misumi, que jazia inconsciente.

Sakura soltou o ar que nem tinha percebido que estava prendendo.

Kankuroucaminhou de volta para onde seu time o esperava, a marionete recolhida às costas como se nada tivesse acontecido. Seu sorriso era presunçoso, mas havia também um brilho cruel em seus olhos.

Sakura franziu o cenho.

Ela já sabia que os ninjas da Vila da Areia — Sunagakure — eram perigosos, mas agora começava a compreender o quão pouco sabia sobre eles. Kankurou não era apenas um usuário de marionetes. Era um estrategista frio, alguém que planejava e armava suas lutas desde o primeiro movimento.

Esses exames Chūnin... não eram apenas uma prova de força.

A tensão no ar era palpável quando os nomes deSakura HarunoeIno Yamanakaforam chamados para a quarta partida. Sakura sentiu um peso no peito, uma mistura de nervosismo e excitação. Ela não sabia se estava mais nervosa pela luta em si ou pela sensação de estar finalmente enfrentando Ino em um palco tão importante.

Ino, por outro lado, parecia confiante. Seu sorriso habitual estava no rosto, mas seus olhos estavam mais calculistas, como se ela tivesse um plano em mente. Sakura sabia que Ino tinha evoluído bastante desde os tempos da academia, mas ela mesma havia mudado. Não era mais a garota tímida que se via superada pelas palavras e ações de Ino. Ela estava mais forte, mais focada. E isso a fez sentir que estava pronta para dar o seu melhor, independentemente de quem fosse o adversário.

As regras da luta foram anunciadas, e a arena foi montada. O sol estava alto no céu, aquecendo o ambiente enquanto o público se acomodava, aguardando com expectativa o início da batalha.

As duas se posicionaram frente a frente. Sakura não conseguiu evitar um olhar furtivo para Ino, tentando entender o que ela estava pensando. Ino fez uma careta como se percebesse a tensão de Sakura, mas a provocação logo se transformou em um sorriso audacioso.

— Vamos ver se você realmente ficou mais forte, Sakura — disse Ino com um tom desafiador, mas com uma pitada de respeito. — Eu ainda sou a melhor.

— Comecem! — bradou o instrutor.

Instantaneamente, Ino avançou, ágil como uma flecha. Mas para Sakura, que agora lia o fluxo de chakra e os mínimos movimentos corporais com precisão quase cirúrgica, o ataque parecia lento, previsível. Ela se moveu de lado, desviando da investida com elegância mínima, o cabelo rosa ondulando no ar.

Ino rosnou e atacou de novo, desta vez com uma sequência de socos rápidos — direita, esquerda, gancho — tentando romper a guarda de Sakura. Mas Sakura, usando sua leitura de chakra e percepção sensorial treinada, interceptava cada golpe com defesas perfeitas, bloqueando com os antebraços e recuando nos ângulos certos. Sua mente estava fria, calculando.

— Você ficou melhor, Ino — disse Sakura, voz baixa, quase provocativa. — Mas ainda é previsível.

Ino cerrou os dentes e saltou para trás, formando rapidamente selos de mão. Sakura sentiu o acúmulo de chakra e soube o que viria — o Shintenshin no Jutsu, a técnica de posse da mente. Sem hesitar, Sakura lançou três kunais em trajetória errática, forçando Ino a interromper a concentração e desviar, quebrando o jutsu.

A plateia murmurava — não era só força, Sakura estava lutando como uma verdadeira estrategista.

Ino, irritada, arrancou um punhado de shuriken da bolsa e lançou-os em arco, tentando encurralar Sakura contra a parede do ringue. Sem perder a compostura, Sakura usou o Kawarimi no Jutsu, trocando de lugar com uma galho quebrado do lado da arena. Os projéteis acertaram o objeto com estalos secos.

Sakura não deu tempo para Ino se recompor: avançou com velocidade genuína, seu punho se envolvendo de chakra para aumentar o impacto. Ela fingiu um soco de direita, mas girou o quadril e aplicou um chute giratório que passou raspando pela cabeça de Ino, desalinhando seus cabelos loiros no vento do impacto.

Ino cambaleou para trás, surpresa, mas conseguiu se equilibrar. Seus olhos estavam arregalados — ela começava a perceber que não era apenas uma diferença de determinação. Sakura era, de fato, mais forte.

— Ino! — gritou alguém da plateia, mas Sakura não desviou os olhos dela.

Ino, ferida no orgulho, saltou novamente e desta vez conseguiu agarrar a manga de Sakura, tentando prender seu braço para aplicar um arremesso. Mas Sakura, com uma torção rápida do pulso e um movimento ágil do quadril, aplicou um contra-ataque perfeito, lançando Ino sobre o próprio ombro. A loira caiu no chão com um baque pesado, soltando o ar dos pulmões.

Ainda assim, ela rolou para o lado e se ergueu com esforço. Suas roupas estavam sujas, o suor colando seus cabelos na testa, mas seu olhar ainda queimava de desafio.

— Não vou perder para você, Sakura! — rosnou.

Sakura respirou fundo, sentindo o calor do próprio sangue correndo pelas veias, o chakra pulsando controladamente em seus tenketsus. Seus olhos brilhavam de concentração.

— Então lute melhor — disse apenas.

Ino tentou mais uma vez usar o Shintenshin no Jutsu, formando o selo de tigre com as mãos. O chakra se expandiu, buscando Sakura como uma lança invisível. Mas Sakura já esperava: de olhos semicerrados, ela saltou para o lado no último segundo, cortando o fio mental de Ino antes que pudesse prendê-la.

Vendo Ino vulnerável após a tentativa, Sakura investiu com uma sequência de taijutsu — joelhada no estômago, cotovelada no ombro, um chute ascendente que jogou Ino de costas no chão, fazendo-a deslizar pela pedra áspera do ringue.

Ofegante, Ino se ergueu de novo, tremendo. O juiz já considerava interromper a luta, mas o olhar feroz de ambas as meninas o fez hesitar.

Ino, reunindo o resto de suas forças, arrancou uma mecha de cabelo e lançou-a no ar, tentando usar como condutor para uma técnica surpresa. Sakura sorriu, adivinhando a estratégia — haviam treinado isso juntas, anos atrás. E agora, ela já conhecia a falha daquele plano.

Saltando por cima da armadilha, Sakura desceu com o peso total de seu corpo e aplicou um poderoso soco no chão próximo a Ino, quebrando a superfície de pedra e desequilibrando a oponente. Ino caiu de joelhos, o chakra se dispersando, o corpo exausto.

O juiz levantou a mão.

— A vencedora é Sakura Haruno!

A plateia explodiu em murmúrios. Sakura permaneceu imóvel por um momento, olhando para Ino — não com desprezo, mas com respeito silencioso. Lutaram com tudo que tinham. Mas no fim, a força de vontade, o treinamento incansável e o coração decidido de Sakura prevaleceram.

Ela ajudou Ino a se levantar, mesmo que suas mãos estivessem trêmulas.

— Obrigada, Ino — murmurou, para que só ela ouvisse.

Ino sorriu, cansada, mas sincera.

— Só... só não pense que acabou aqui, testa grande.

Sakura soltou uma risada curta, e juntas, mancando, saíram do ringue.

Elas haviam lutado como rivais.

A tensão era palpável enquanto Shikamaru Nara caminhava até o centro da arena, mãos nos bolsos, com a expressão aborrecida de sempre. À sua frente, Kin Tsuchi, da Vila do Som, exalava confiança, os olhos cintilando com a certeza de que poderia despachá-lo rapidamente.

— Comecem! — ordenou o instrutor.

Shikamaru permaneceu imóvel, analisando o ambiente com preguiça deliberada, enquanto Kin já preparava seus senbon, pequenas agulhas mortais presas a fios quase invisíveis. Num piscar de olhos, ela lançou a primeira saraivada. Shikamaru desviou com movimentos mínimos, passos curtos e esquivos, parecendo mais irritado do que preocupado.

Mas então — um som metálico ecoou pelo campo. Shikamaru virou a cabeça, surpreso: o tilintar de sinos. Ele franziu o cenho, percebendo que os senbon lançados estavam amarrados a fios com sinos presos. Kin sorria — não era apenas um ataque físico, era também um ataque sonoro, projetado para confundir e desorientar.

Ela atacou de novo, mais feroz, os fios dançando como serpentes no ar. Para qualquer observador, parecia que Shikamaru seria dominado rapidamente.

No entanto, o olhar entediado dele escondeu um lampejo de astúcia.

Kin se moveu para encurtar a distância, girando seus fios de modo que o som dos sinos ecoasse em várias direções, confundindo a percepção de espaço. Era uma armadilha elegante.

Mas, silenciosamente, Shikamaru já havia estendido sua sombra — a Shikamaru Kage Mane no Jutsu estava em ação. Aproveitando o chão iluminado e os fios de Kin que cortavam a luz, ele usou as próprias linhas lançadas por ela como vetores para expandir sua técnica. A sombra se arrastou ao longo dos fios suspensos e, sem que Kin percebesse, tocou a sombra projetada atrás dela.

De repente, Kin sentiu seu corpo enrijecer. Seus braços e pernas não respondiam — estavam sincronizados com Shikamaru.

— Peguei você — disse ele, suspirando, como se fosse um incômodo menor.

Com calma, Shikamaru puxou uma shuriken e lançou para frente. Sem escolha, Kin repetiu o gesto, jogando uma shuriken também.

Então, com um movimento ágil e calculado, Shikamaru inclinou seu corpo para trás, esquivando-se da shuriken em um movimento simples. Kin foi forçada a imitá-lo. Mas, diferente dele, que tinha pleno domínio do espaço, Kin não percebeu o quanto estava próxima da parede de pedra atrás de si.

Com um baque seco, ela bateu a cabeça contra a parede. O impacto a deixou atordoada e desequilibrada — suficiente para que sua resistência ao Kage Mane se quebrasse e ela desabasse no chão, inconsciente.

O juiz não hesitou.

— Vitória de Shikamaru Nara! — anunciou.

Shikamaru soltou um longo suspiro e coçou a nuca, claramente mais aborrecido do que satisfeito com a vitória.

— Que trabalho problemático... — murmurou enquanto se retirava do ringue, as mãos novamente enfiadas nos bolsos.

A plateia ficou em silêncio por um momento, surpresa com a maneira estranha — mas incrivelmente eficaz — com que Shikamaru venceu. Ele não se destacou pela força ou velocidade, mas pela pura genialidade.

Sakura, observando das arquibancadas, pensou consigo mesma:Ele é muito mais inteligente do que parece.

Enquanto Kin era carregada para fora da arena para receber cuidados médicos, o nome de Shikamaru ecoava discretamente entre os presentes. Pela primeira vez, muitos perceberam que subestimá-lo seria um erro fatal.

Agora, sozinha, com apenas a companhia distante dos demais genin e de seus próprios pensamentos, ela assistia a próxima luta ser anunciada:

— Próxima partida: Naruto Uzumaki contra Kiba Inuzuka.

O nome de Naruto ecoou pelo salão, e Sakura franziu a testa em ansiedade. Seu estômago se revirava.
É claro que tinha que ser ele..., ela pensou, rangendo os dentes.
Ela se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, observando.

Kiba desceu para o centro da arena como uma sombra confiante, seguido por Akamaru, saltitante e leal. Ele tinha aquele sorriso provocador nos lábios, como se já considerasse a luta vencida antes mesmo de começar. Naruto, por outro lado, gritava, se jogava na arena com seu entusiasmo barulhento de sempre.
Sakura apertou os olhos. Ela podia ver — mesmo de longe — a tensão no corpo dele. Naruto estava determinado. Mas seria suficiente?

O juiz autorizou o início.

Kiba partiu como uma flecha, ágil como um lobo faminto. Antes mesmo que Sakura pudesse piscar, ele já tinha acertado Naruto, jogando-o de lado com um chute seco. Naruto se levantou rápido, xingando, mas Sakura mordeu o lábio: a diferença de velocidade era brutal.

Kiba zombava dele, chamando-o de perdedor, rindo com desdém.
Naruto, mesmo cambaleante, rebateu — chamando Kiba de fraco, o que fez Sakura arregalar os olhos.
Isso é burrice, Naruto!ela pensou, sentindo o peito apertar. Provocar Kiba só o faria lutar com ainda mais agressividade.

Kiba, irritado, atirou uma bomba de fumaça no chão. A arena se cobriu de uma névoa espessa.
Sakura se inclinou ainda mais para frente, tentando enxergar algo através da fumaça. Ouviu grunhidos, golpes abafados — depois, a fumaça se dissipou.

Ali, caído no chão, estava... Naruto? E ao lado dele, de pé, Akamaru — ou pelo menos era o que parecia.

O juiz hesitou, observando.
Sakura franziu a testa. Algo estava errado.

Kiba sorriu e lançou uma pílula para Akamaru, que a engoliu num pulo. De imediato, Akamaru pareceu energizar-se, seus músculos tensos e olhos mais ferozes. Kiba então fez um selo epuf!— Akamaru se transformou numa cópia idêntica dele.

Sakura arregalou os olhos.
Merda... agora são dois Kibas!

Naruto olhava de um lado para o outro, desorientado, incapaz de identificar qual era o verdadeiro. Os dois Kibas atacaram em sincronia, e Naruto mal conseguia desviar. Sakura viu que ele estava desesperado, recuando, defendendo-se como podia.

Mesmo assim... mesmo assim, ele não desistia.

Naruto... você sempre foi teimoso..., ela pensou, sentindo uma pontada estranha — um misto de frustração e respeito.

Kiba riu alto, escarnecendo da "esperança inútil" de Naruto.
Mais uma vez, Kiba investiu — mas Naruto, de repente, se transformou.
Num instante, havia três Kibas na arena.

Sakura levou a mão à boca.
Que estratégia é essa?!

O verdadeiro Kiba rosnou, farejando rapidamente, e atacou aquele que achava ser Naruto disfarçado. No impacto, o clone se desfez... mas não em fumaça — em...Akamaru?

Sakura piscou, confusa.
Espera... o que...?!

No instante seguinte, Akamaru — o verdadeiro — estava sendo contido por um Clone das Sombras de Naruto, enquanto o Naruto verdadeiro surgia do nada, mordendo Kiba nas costas!

O salão inteiro explodiu em murmúrios.
Sakura sentiu uma onda de surpresa varrer seu corpo.
Ele... ele enganou o Kiba!

Kiba, irritado, conseguiu se livrar e atacou Naruto por trás, buscando terminar de uma vez — mas Naruto, num movimento bizarro e nada ortodoxo, soltou um... peido.

Sakura arregalou os olhos, envergonhada e incrédula.
Isso... isso não é tática ninja!

Mas, para sua surpresa — e de todos —, o plano funcionou.
Kiba cambaleou, desorientado pelo cheiro, o rosto contorcido de agonia.
Aproveitando a brecha, Naruto concentrou seu chakra, avançando com sua técnica: —Rajada de Naruto Uzumaki!

Um golpe certeiro.

Kiba foi lançado para trás, batendo contra o chão, inconsciente.

O salão ficou em silêncio por um segundo. Então o juiz ergueu a mão:

—Vencedor: Naruto Uzumaki!

O som da vitória ecoou, e Sakura permaneceu imóvel por um instante, apenas olhando Naruto ofegante, mas de pé, no centro da arena.

Ele olhou para cima, o sorriso mais largo do que nunca, o peito arfando — e pela primeira vez em muito tempo, Sakura não sentiu vergonha.
Ela sentiu orgulho.

Você conseguiu, Naruto.

Naruto... o "fracassado" da academia... havia derrotado Kiba.

Com seus próprios olhos, Sakura viu: ele não era mais apenas aquele garoto irritante. Ele estava crescendo, lutando, desafiando todas as expectativas.

O silêncio pairava pesado na arena quando Hayate Gekkou anunciou a próxima partida:
— Hinata Hyuuga contra Neji Hyuuga.

Sakura sentiu o ar ficar tenso à sua volta. Todos na arquibancada se viraram, atentos. A diferença entre eles era conhecida — Hinata, herdeira da casa principal, e Neji, prodígio amargo da casa secundária.

Hinata caminhava hesitante até o centro da arena, o corpo rígido, mas o olhar determinado.
Ela não desistiu,pensou Sakura, lembrando-se do aviso de Kiba para que Hinata se rendesse se fosse sorteada contra alguém como Neji ou tem mais coragem do que parece.

Neji já a esperava, braços cruzados e um leve sorriso de desprezo no rosto. Assim que Hayate deu o sinal para começar, Neji nem sequer assumiu posição de luta — apenas começou a falar, a voz cortante como lâmina:

— Você não deveria ter descido aqui, Hinata-sama.

O "sama" soou como veneno.
Sakura viu Hinata estremecer, os punhos apertados.

Neji continuou, impassível:

— Você é fraca. Sempre foi. Só está aqui porque nasceu na casa principal.
Ele avançou dois passos.
— Deveria desistir antes de se envergonhar ainda mais.

As palavras afiadas perfuravam Hinata visivelmente. Seus olhos tremiam, seus ombros hesitavam. Por um momento, Sakura achou que ela realmente recuaria.
Mas então — vindo da arquibancada — uma voz ecoou:

— NÃO DESISTA, HINATA!

Era Naruto. De pé, punhos cerrados, gritando a plenos pulmões.

Hinata ergueu os olhos, surpresa. Ela encontrou o olhar de Naruto — tão cheio de fé, tão cheio de esperança. A mão dela tremeu, mas ao invés de recuar, ela deu um passo à frente.

Neji franziu a testa.

Hinata assumiu a posição tradicional doJūken— o Punho Suave.
Neji imitou o gesto, agora sério.

O combate começou.

O primeiro impacto foi quase imperceptível — eles deslizaram em círculos, procurando uma abertura. Então, num movimento súbito, Hinata atacou.

Sakura mal conseguia acompanhar — golpes rápidos e curtos, voltados não para ferir externamente, mas para atingir o sistema de chakra do oponente diretamente.
Hinata desferiu alguns acertos, leves, rápidos — mas Neji, com reflexos impecáveis, bloqueava ou desviava a maioria.

Neji contra-atacou com eficiência fria. Seus dedos finos e mortais encontraram os pontos vitais de Hinata, fechando o fluxo de chakra em pequenos toques. A cada impacto, o corpo de Hinata vacilava mais. A cada golpe, sua respiração ficava mais pesada.

Sakura mordeu o lábio inferior, nervosa.
Hinata está tentando... mas ele é muito mais forte.

Num instante brutal, Neji atingiu diretamente o peito de Hinata com o Jūken. Ela recuou, ofegante, sangue nos lábios. Mas ainda assim, com o corpo tremendo, ela firmou as pernas e avançou novamente.

Neji parecia irritado agora.
— Você perdeu, Hinata-sama. — disse com frieza. — Você não pode me vencer. Você não nasceu para vencer.

Seus dedos dançaram novamente, atingindo o chakra de Hinata em pontos ainda mais profundos. Ela cambaleou, quase caiu de joelhos — mas se manteve de pé.

Naruto continuava gritando, o punho erguido:
— Continua, Hinata! Você ainda pode ganhar!

Sakura sentiu uma pontada no peito. Naruto estava lutando junto com ela. Talvez isso fosse o que Hinata precisava.

Hinata sorriu, mesmo com sangue escorrendo pela boca.
Ela avançou, mesmo sabendo que seus golpes não surtiriam efeito.

Sakura viu no rosto dela algo diferente — não era apenas determinação cega. Era... liberdade. Hinata lutava, pela primeira vez, por si mesma.

Neji não teve misericórdia. Seus ataques se tornaram ainda mais cruéis, acertando o coração, os pulmões — danificando órgãos internos com precisão. Hinata começou a tossir sangue.

Hayate avançou, tentando parar o combate.

— Basta!

Mas Naruto gritou, com toda a força que tinha:

— ESPERA!
Hayate congelou.

Hinata usou o pouco de força que lhe restava para levantar a cabeça e olhar diretamente para Neji.

— Você... — disse ela, com a voz trêmula, mas clara — Você diz que sou fraca... Mas no fundo... é você quem está preso.

Neji ficou rígido.

Hinata continuou, mesmo cambaleando:

— Você... odeia a casa principal... mas ainda assim... é prisioneiro do destino que odeia...
— Cala a boca! — rosnou Neji, pela primeira vez perdendo a compostura.

Com raiva, ele avançou para um golpe final — que teria matado Hinata se não fosse pela intervenção dos jōnin na arena. Gai, Kakashi, Kurenai e Asuma surgiram, interceptando-o a tempo.

Hinata caiu de joelhos.
O chão parecia se desfazer sob ela.

Naruto correu para ela, ajoelhando-se ao seu lado, segurando sua mão fraca e ensanguentada.
Hinata ergueu os olhos com dificuldade, vendo-o ali, sorrindo para ela, tão próximo — e então tudo escureceu enquanto ela desmaiava.

Sakura apertou os punhos.

Hinata... você foi incrível.

Neji, parado e frio, olhou para Naruto com desprezo.

— Você é um tolo se acha que palavras mudam alguma coisa. — disse ele. — Um fracassado será sempre um fracassado.

Naruto, ainda ajoelhado ao lado de Hinata, não desviou o olhar.
Seus olhos azuis queimavam com a promessa silenciosa de que provaria Neji errado.

Sakura, observando tudo, sentiu a tensão no ar se transformar em algo mais denso — como se o verdadeiro combate ainda estivesse para começar.

Sakura manteve os olhos presos em Naruto enquanto ele ainda se ajoelhava ao lado de Hinata desacordada. A expressão dele era intensa, cheia de algo que fazia até a atmosfera da arena parecer diferente — como se o peso da luta ainda estivesse pairando ali.

Neji, de pé e impassível, olhava com desdém.

— Patético. — murmurou ele, alto o bastante para todos ouvirem. — Você viu o que aconteceu. Não adianta sonhar. Um fracassado sempre será um fracassado.

O sangue subiu ao rosto de Sakura. Ela apertou os ...Ele falava como se tudo estivesse determinado antes mesmo de alguém tentar.

Naruto ficou em silêncio por um instante.
Então, devagar, ele se levantou.

Seu olhar — aquele azul vivo e cheio de fogo — encontrou o de Neji sem medo, sem hesitação.
Havia algo novo nos olhos de Naruto naquele instante. Uma promessa silenciosa, uma certeza tão intensa que parecia contagiar até o ar que se respirava.

— Eu vou vencer você. — declarou Naruto, a voz firme e vibrante, cortando o silêncio.

A arena ficou em choque. Até Hayate, do alto do seu posto, pareceu prender a respiração.

Sakura sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Naruto, que todos sempre tinham considerado um bobalhão, o último da classe, um desastre ambulante... ali estava ele, prometendo derrotar alguém como Neji Hyuuga — o prodígio do clã mais respeitado de Konoha — com uma certeza que fazia cada palavra vibrar.

Neji arqueou uma sobrancelha, como se achasse aquilo engraçado.

— Você não entende? — disse ele, ainda em tom de superioridade. — As pessoas nascem destinadas ao que são. A diferença entre nós já foi decidida no momento em que viemos ao mundo.

Naruto apenas sorriu — um sorriso teimoso, desafiador, carregado da pura força de vontade que Sakura sabia que era única dele.

— Talvez pra você. — Naruto rebateu. — Mas eu não ligo pro seu destino ou pras suas regras.
Ele fechou o punho e o ergueu diante de si, como se selasse a própria decisão.
— Eu vou vencer você, Neji. Porque eu nunca desisto. E eu vou mudar o que significa ser um fracassado!

As palavras ecoaram pelo salão como uma explosão.

Sakura viu a expressão de vários genin mudar — espanto, dúvida, talvez até esperança.
Até mesmo Shikamaru, que até então parecia entediado, ergueu as sobrancelhas, atento. Kiba encarava Naruto como se o visse pela primeira vez. Shino manteve o olhar oculto sob seus óculos, mas seus insetos se agitaram discretamente.

Mesmo Gaara, isolado na sombra, abriu um leve sorriso... um sorriso sinistro, porém curioso.

Sakura olhou para Naruto e sentiu o coração apertar no peito.
Ele estava carregando nos ombros não só a luta dele — mas a de todos aqueles que já haviam sido chamados de inúteis, fracassados, sem futuro. Era como se ele estivesse lutando por algo muito maior que si mesmo.

E Hinata, mesmo inconsciente, parecia repousar em paz, como se tivesse ouvido tudo.

Neji virou as costas, desdenhoso, mas a rigidez em seus ombros denunciava: Naruto tinha deixado uma marca.

Naruto se ajoelhou de novo brevemente ao lado de Hinata, segurando a mão dela com gentileza.

— Obrigado, Hinata. — sussurrou ele, numa voz que só Sakura — e talvez o próprio coração ferido da garota — pudesse ouvir.

Quando ele se levantou para voltar para a arquibancada, Sakura percebeu que, de alguma forma, o Naruto que subira naquela arena no começo do dia não era o mesmo agora.

Ele está crescendo, pensou na frente dos nossos olhos.

E pela primeira vez, Sakura sentiu que talvez — apenas talvez — aquele garoto barulhento, estabanado e imprevisível pudesse realizar promessas impossíveis.

Ela sorriu, suavemente, enquanto observava Naruto caminhar de volta, iluminado pela própria fé que parecia contagiar todos ao redor.

O próximo combate seria decidido em breve — mas para Sakura, aquela era a verdadeira luta que dava início ao exame Chunin.

Naruto Uzumaki havia jurado.

E no fundo do peito, Sakura acreditava nele.