Nota da autora: Tive que trabalhar dois domingos seguidos! Depois fiquei sem tempo e sem internet para postar este capítulo! 😩
Espero que gostem! Aqui começa uma parte bem dramática e necessária para entender o que aconteceu entre eles e as ações da Rin do presente. Vejam como ela realmente se importava com ele e o considerava como um grande amigo. Percebam que, mesmo nas pequenas ações, ela pensava apenas nele porque era parte da natureza carinhosa dela.
Como falei antes, o foco no passado será da Rin e o presente será mais com Sesshoumaru.
Obrigada pelos comentários da DindaT (será que teremos briga ou mais compras? 😂😂😂 ), Yuki (acho que o Sesshoumaru já mostrou saber lidar bem com criança, com as filhas dele parece que nem faz esforço kkkk 😂😂😂 ), Isa Raissa (a Rin é muito maleável, mas pensem numa pessoa que trabalha muito e que não quer mudar uma rotina kkkk Não se preocupe que eles vão precisar fazer isso mesmo 😌) e ao comentário anônimo (Gracias por el comentario, me alegró mucho saber que más personas están leyendo la historia aquí 😄 La traducción del sitio web es mejor que la de Spirit... Lo que pasó entre ambos se explicará a partir de ahora, pero ya se han dicho muchos detalles. ¡Actualizaré más a menudo ahora! ¡Gracias nuevamente por el comentario! ❤️)
Semana que vem tem mais! Até! 😘
De todo coração
Capítulo 16 – Passado
Parte VIII
Três meses depois
O período do semestre de inverno era sempre o mais movimentado nas escolas técnicas. Era quando as turmas mais avançadas começavam a se preparar para a formatura e as intermediárias lutavam por conseguir uma vaga no curso específico em que desejavam futuramente trabalhar. Alguns ficavam na área de construção, outros desejavam trabalhar em comunicações. Também havia aqueles que queria trabalhar com comida e outros preferiam corte e costura, como no caso de Rin.
Em uma das salas de aula de corte e costura, ela ouviu a campainha de encerramento da prova prática soar e encerrou o trabalho. Primeiro tirou o tecido florido de um quimono da agulha, cortou o fio com uma tesoura e o dobrou habilmente para ficar em cima da mesa, ao lado da máquina de costura. Depois deu um leve impulso para afastar a cadeira com rodas da mesa de trabalho.
Por fim, para mostrar que havia encerrado de vez, tirou o avental com a insígnia da escola técnica, a alça prendendo por segundos no coque da cabeça. Soltou os longos cabelos negros e levantou-se, passando pelo professor ao ir para a saída, um homem já idoso que usava uma barba pequena muito estilosa, assim como as roupas que usava – um casaco cinza, camisa preta de gola, calças pescador e sapatos Oxford.
— Obrigada pela avaliação, sensei. – ela acenou já próximo da porta para sair, mas não deu muitos passos depois.
— Nakashima, gostaria de falar com você. – ela ouviu o professor pedir e parou, olhando por cima do ombro – Fique, por favor.
— Oh... – ela segurou a bolsa com os pertences na frente do corpo, sentindo uma leve ansiedade por falar com ele. Era a primeira vez que se falavam em final de aula. Será que havia feito alguma coisa errada? – Sim?
Além do porte elegante e da barba estilosa, o professor tinha enormes olhos e um rabo de cavalo prendendo os últimos fios de cabelo que tinha na cabeça calva.
Assim que viu os alunos se retirarem, ele sentou-se em uma confortável cadeira.
Rin sentiu a ansiedade aumentar.
— Eu vi os seus trabalhos nas outras turmas. – ele começou, os enormes olhos mirando-a de cima para baixo sem piscar. Ela usava blusa branca de mangas compridas e uma saia amarela que ia até abaixo dos joelhos – Você costura desde criança?
Rin deu um sorriso, lembrando-se de como costumava fazer roupinhas para as bonecas quando era mais nova. Sim, ela fazia quase tudo desde criança – desenhava os próprios vestidos, combinações, aprendeu sozinha a fazer bordados, tricotava os próprios suéteres. Na escola ela aprendeu a usar apropriadamente os materiais, a entender quais tecidos deveria usar e como melhorar algumas técnicas.
— Sim, desde criança. – ela respondeu sem dar maiores detalhes – Quero trabalhar com moda.
O professor que não piscava ficou em silêncio por um momento, agora mais sério que antes.
— É uma trajetória um pouco difícil aqui na cidade. E cara.
— Eu sei. – ela falou timidamente com um sorriso – Mas aqui é um começo poder trabalhar com o que eu gosto depois de me formar.
— Chamei você para ser uma das minhas assistentes para ano que vem. O último ano é o mais importante por conta do projeto final de curso. Eu poderia orientar o seu trabalho, se for o caso. – ele pegou uma agenda – Sempre chamo os melhores alunos para trabalharem comigo. Ano passado chamei Jakotsu e ele ficará trabalhando comigo até o final do curso... E você? Você gostaria também?
A jovem ficou paralisada por um momento até perceber que o professor aguardava a resposta. Ela ficou tão surpresa com o convite que quase esquecia como tinha que responder:
— Claro, aceito sim! – ela deu um sorriso com a novidade inesperada do dia – Nunca conversei com Jakotsu-senpai, mas vou procurá-lo para conversar sobre ano que vem.
— Bem, era isso... – ele anotou o nome dela na agenda – Creio que só vamos nos falar em março.
— Sim... – ela começou a se afastar sem deixar de sorrir – Obrigada pelo convite, professor!
Deu passos apressados corredor afora e, agora quase saltitando de alegria, foi para a saída do edifício, direto para o jardim da entrada do instituto. Apesar de não terem combinado, ela sabia do horário de saída de Sesshoumaru e queria aguardar por ele em um dos bancos com um lanche até o encerramento da última disciplina do dia.
Não demorou muito para ela vê-lo sair do instituto, acenando para chamar a atenção dele.
— Falei que não precisava me esperar hoje... – ele comentou, notando como ela ficava na ponta dos pés para beijar o rosto dele – Preciso voltar cedo para casa.
— Eu tenho uma novidade! – ela pulava de alegria, não se contendo em esperar para contar o que havia acontecido – Meu professor de Técnicas de Montagem e Costuras me chamou pra trabalhar com ele! – deu uma volta completa, a saia amarela girando também – Meu sonho de ser estilista está cada vez mais perto!
A reação dele foi estender a mão e tocar o rosto dela, o polegar deslizando na maçã do rosto para mostrar que ele estava contente por ela.
— O seu dia foi bom hoje? – desta vez ela se preocupou com o dia dele, fechando os olhos para apreciar aquele momento. A mão dele era tão quente tocando no rosto dela...
— Agora está bom. – ele cessou o contato e ajeitou no ombro a alça de uma mochila carregada às costas – Teve uma boa prova, então?
— Acho que sim. – ela começou a acompanhá-lo até o estacionamento segurando-o pelo braço – Também vai depender desse resultado pra conseguir trabalhar ano que vem com o professor.
Pararam próximo ao carro e ela ficou novamente na ponta dos pés para beijá-lo rápido nos lábios.
— Vou esperar a sua ligação hoje. – eles não se veriam mais tarde, mas ela gostava quando se falavam à noite para conversar sobre o que havia acontecido durante o dia. E ele disse que tinha um compromisso de família, então...
Sesshoumaru apenas confirmou com a cabeça e a viu andar quase saltitando até um ponto de ônibus próximo para pegar o transporte para ir para o trabalho naquele restaurante.
Não demorou muito para que ela subisse. Em poucos minutos, quem aguardava no ponto se levantava e organizava uma fila para entrarem assim que o veículo parou e abriu as portas. Da janela do ônibus ela ainda teve tempo de acenar para ele e vê-lo ir embora.
o-o-o-o-o
Mais tarde, depois de voltar do trabalho no restaurante do senhor Mushin, Rin preparava o bentô para a manhã seguinte quando ouviu uma batida suave na porta que conhecia muito bem.
Franziu a testa e, pensando que tivesse ouvido coisas, olhou a porta.
Segundos depois, ouviu de novo.
Lavando rapidamente as mãos e enxugando-as no avental, ela andou depressa até a porta e a abriu, encontrando Sesshoumaru parado ali. Ele já sabia o código do portão de entrada e subiu direto para o apartamento de Rin, sem avisar que passaria por lá.
— Oi... – ela falou num sussurro, dando espaço para ele deixar os sapatos no genkan e entrar com uma mochila grande – Aconteceu alguma coisa?
Sesshoumaru apenas tirou os sapatos e colocou uma pesada mochila preta no chão, sem responder e ela sorriu num gesto de compreensão. Aparentemente ele havia voltado a encontrar o pai e haviam brigado de novo.
—Já comeu alguma coisa? – ela resolveu perguntar.
— Ainda não. – desta vez, ele respondeu observando que ela ainda tinha as roupas do trabalho e estava com o avental, o que significava que ainda estava cozinhando.
—Eu estava preparando nossa comida para amanhã. – ela falou ao perceber o olhar dele nas roupas dela – Vou ter mais uma prova, mas podemos nos ver depois que eu acabar.
Com a menção sobre as provas, ele parou de tentar tirar a jaqueta, os olhos fixos nela.
—Achei que já tinha terminado suas provas. – ele comentou.
— Falta apenas uma. Você já acabou, né? Ou tem mais alguma coisa pra fazer até a sua formatura?
Sesshoumaru deu apenas um passo para entrar no apartamento – no caso, um passo para sair do genkan e pisar na pequena sala. Era um apartamento tão pequeno, menor que o quarto dele na casa da mãe.
— Vou preparar uma coisa pra você agora. – ela virou-se para ir para a cozinha, falando por cima do ombro – Quer tomar um banho rápido antes?
Rin o viu confirmar com a cabeça e entrar no banheiro. Tomar um banho talvez fosse a melhor solução naquele momento, quando ele parecia estar chateado com alguma coisa.
— O que será que aconteceu entre eles...? – ela se perguntou enquanto começava a tirar as coisas da geladeira. Para Sesshoumaru ter que passar uma noite no pequeno apartamento de Rin para não ficar na casa da mãe, deve ter sido muito ruim.
No banheiro, ele mantinha as duas mãos apoiadas na parede do pequeno box enquanto sentia a água quente escorrer pela cabeça, ombros e costas, sem reação.
Momentos depois, ele já estava saindo do banheiro com uma calça moletom preta e uma camisa de algodão branca sem mangas que usava para dormir.
Viu Rin terminando de colocar a comida na pequena mesa com kotatsu, para protegerem as pernas do frio e sentar-se no chão. Para ele, ela tinha preparado arroz, legumes cozidos e ensopado de carne com batatas.
— Foi meio em cima da hora. Espero que goste. – ela sentou-se ao lado dele, tocando-o no braço, sempre tão preocupada em fazê-lo sentir-se bem – Você está se sentindo melhor depois do banho?
— Um pouco. – ele começou a servir-se – Você deve ter chegado tarde hoje do trabalho. Achei que já estivesse se preparando para dormir.
— Ah, o senhor Mushin estava me ensinando a fazer um prato chinês. – ela explicou – Cha siu baau.
— "Cha siu baau"?
— É algo parecido com um gyoza, mas tem mais recheio. É temperado também com um pouco de vinho e caramelo. – ela deu um sorriso – Preparei um para você comer amanhã.
Sesshoumaru nada respondeu, limitando-se a servir-se.
— O que houve? – a namorada perguntou suavemente e recebeu um olhar intenso por parte dele.
Sesshoumaru pegou a tigela de arroz e o hashi, fixando o olhar na comida para falar:
— Desculpe... Você deveria dormir hoje só pensando no convite do seu professor para ano que vem. Eu deveria ter ligado para perguntar se poderia passar aqui.
— Que bobagem... – ela deu um sorriso sincero – Posso continuar feliz com o que aconteceu hoje comigo e cuidar de você aqui também.
Sesshoumaru começou a comer ainda pensativo, evidentemente preocupado com alguma coisa.
— Quer me contar o que aconteceu? – ela perguntou – Você brigou com o seu pai de novo?
No silêncio que se seguiu, ela viu uma preocupação nos olhos dele.
— Não brigamos muito. Na verdade, só discutimos um pouco. Ele está muito doente.
Rin arregalou os olhos.
— O que houve com ele?
Sesshoumaru largou a comida por um instante. O assunto era sério e ele precisava escolher bem as palavras naquela hora.
— Ele teve um princípio de infarto e está internado desde ontem.
Rin arregalou os olhos.
— Por que você não me contou? – ela quis saber numa voz ansiosa – Foi por isso que falou que tinha que voltar mais cedo?
Sesshoumaru confirmou com a cabeça.
— Você podia ter me falado. – ela continuou naquela voz compreensiva, deslizando suavemente a mão pelo braço dele – Podia ter ficado com você no hospital.
— Não quando você está nas suas provas finais. – ele apontou – O seu curso é mais importante.
— E como ele está hoje? – ela quis saber numa preocupação genuína.
— Ele está melhor. Ele está... – a pausa dele foi tão prolongada que Rin pensou que haveria algum alerta médico, algum risco avisado pelos médicos a respeito daquela melhora.
Naquele momento, ele parou de comer e olhou sério para ela, tão sério que Rin sentiu algo estranho dominar o coração.
— Ele quer que eu assuma temporariamente os negócios dele em Hong Kong. – ele começou, notando a forma como ela arregalou de leve os olhos – Pelo menos até ele se recuperar.
Silêncio de um minuto.
— E você vai? – a voz também saiu estranha.
Não demorou muito para ela ouvir a resposta:
— Nós discutimos por conta disso... – ele começou – Ele tem várias pessoas que poderiam substituí-lo, incluindo o sócio dele, mas ele disse que confia em mim. Não pude falar muito porque ele começou a ficar nervoso e minha madrasta pediu para pararmos de brigar.
Ainda sem saber como reagir, Rin tentou ver um lado bom da história:
— Pra ele pedir pra fazer isso por ele, é porque realmente confia em você. – ela deu um sorriso compreensivo – Você não disse que ele tem vários sócios numa grande empresa ou algo assim?
Sesshoumaru confirmou de leve com a cabeça.
— Seu pai deve estar feliz por te ver ao lado dele nessas horas! – ela tentou mostrar-se ainda mais positiva e enfiar a sensação estranha para um canto minúsculo do coração, cruzando as mãos como se fizesse uma breve prece – Vamos torcer pra ele se recuperar logo, né?
— Rin... – ele começou com o olhar tranquilo fixo nela – Ele quer que eu vá agora e fique por até três meses lá.
— Três meses? – ela repetiu, com a alegria de antes sumindo aos poucos.
Três meses significava que...
— Você nem vai participar da formatura? – ela perguntou.
— Eu voltaria depois que minha turma se formar e pegaria o diploma depois. Não é muito importante participar da festa.
— Oh... – ela falou meio decepcionada, olhando de relance para uma estante de gavetas de plástico onde guardava o vestido que pretendia usar no dia da formatura dele.
— O que foi? – ele acompanhou o olhar dela até o canto onde estava o gaveteiro organizador. O apartamento de Rin era pequeno demais, mas era bastante funcional, com móveis práticos que ocupavam pouco espaço.
— Eu estava preparando uma surpresa... – ela falou num tom meio tímido para esconder um pouco aquele sentimento estranho que ameaçava dominá-la – Você pretende fazer alguma coisa quando voltar?
A resposta demorou a vir e parecia ter sido pensada cuidadosamente para não deixá-la chateada.
— Eu não havia planejado. Se quiser, podemos pensar em alguma coisa para eu ter a sua surpresa.
Aquilo a deixou menos preocupada e a fez sorrir. Ela queria muito mostrar o quimono que estava costurando para a formatura dele.
— Então tudo vai ficar bem! Seu pai vai melhorar e logo, logo ele vai voltar para a empresa. Também podemos fazer uma festinha de formatura só para nós dois! – ela levantou-se e continuou a manter uma expressão confiante – Vou deixar você jantando enquanto tomo um banho. Você pode deixar as coisas na cozinha quando terminar de comer?
Rin não esperou a resposta dele. Saiu da sala/quarto e foi direto para o corredor/cozinha para tomar banho. Queria tirar aquele sentimento ruim que ameaçava dominá-la.
No chuveiro, ela sentia a água escorrer pelos cabelos, ombros e costas, sem reação, ao compreender que a estranha sensação que teve momentos antes, durante a conversa com Sesshoumaru, era medo.
Com o medo, vieram também várias perguntas:
Sesshoumaru ia mesmo trabalhar fora do país?
O pai dele ia melhorar?
E se ele não quisesse mais voltar?
