Nota da autora: Fechei o mês de janeiro com quatro capítulos postados! 😁 Quero manter a regularidade agora em fevereiro. Como eu disse, quero muito finalizar a história ainda este ano, atualizando toda semana! 😁
Obrigada a todos os comentários! Gracias por los comentarios, espero que disfruten el capítulo! Beijos para Yuki, 05csomoragnes11, Valgv9 e DR! 😘💕💕💕
Espero que gostem do final do capítulo! Mhwahahaha! 😁😜
Até semana que vem! 😍
De todo coração
Capítulo 21 – Presente
Parte XI
No carro, Sesshoumaru e Towa compartilhavam o silêncio cômodo enquanto ouviam a engrenagem no motor suavemente pulsar enquanto ele dirigia pelas ruas de Takasaki.
Era possível eles irem andando para o hospital? Sim. Era possível pagar um profissional para atender a menina em casa, como ele havia feito com a mãe na semana anterior? Sim.
Mas ele queria ter aquele momento a sós para uma conversa.
Sentada nos bancos de trás e com cinto afivelado, ela olhava pela janela com um olhar pensativo.
— O que aconteceu com o seu rosto? – ele finalmente perguntou, quebrando o silêncio entre os dois.
Towa continuou calada.
— Se não quiser falar, não tem problema. – ele continuou.
Sesshoumaru olhava de quando em quando para ela pelo retrovisor, notando que ela mantinha os olhos na janela.
— Sua mãe acabou de se recuperar de uma gripe. Não foi muito inteligente da sua parte fazer isso logo agora e aborrecê-la.
Depois de alguns segundos, ela comentou:
— Mamãe disse que se decepcionou comigo. – ela murmurou com imensa tristeza.
Foi a única coisa que ela disse na curta viagem de carro até o hospital do bairro.
Quando o GPS apontou que estavam próximos ao local, Sesshoumaru procurou um lugar para estacionar.
Ainda em silêncio, eles desceram e andaram lado a lado até a portaria, onde foram encaminhados para que ela fizesse o exame.
— Ah, Towa-chan. – uma enfermeira de cabelos longos e pintados num tom azulado os recepcionou, curvando-se para falar com a menina – Aconteceu alguma coisa?
Como ela ficou calada, com vergonha, a mulher olhou para Sesshoumaru, sendo possível para ele ver o crachá escrito Botan - enfermeira.
— Briga na escola. – ele simplesmente disse – Viemos ver se o ombro precisa de mais cuidados.
A mulher arregalou de leve os olhos e balançou a cabeça, recebendo o cartão de Towa das mãos de Sesshoumaru e indicando que eles deveriam aguardar sentados na sala de espera.
Minutos depois, eles estavam novamente em silêncio, agora lado a lado no espaço indicado pela enfermeira Botan. Eram os únicos ali naquela hora. Towa tinha as mãos nos joelhos e Sesshoumaru os braços cruzados e as pernas elegantemente cruzadas.
— Uns garotos me encurralaram porque um deles queria ficar com a minha vaga no campeonato de aikido da nossa escola. – ela quebrou o silêncio.
Surpreso ao ouvi-la começar a conversar, ele virou o rosto para continuar aquela conversa:
— Aquele que você me convidou? – ele perguntou.
Desta vez, Towa olhou para ele com surpresa.
— Você lembra disso? – perguntou.
Sesshoumaru pensou que talvez fosse uma coisa de criança por não ter ainda noção do tempo, mas o convite dela veio uma semana antes, então obviamente ele lembrava do que ela tinha falado.
— Achei que não tinha prestado atenção. – ela completou simplesmente ao entender que ele lembrava sim do convite.
— Meu secretário me avisou e ia perguntar quando seria. – ele comentou.
Towa deu de ombros e começou a balançar as pernas enquanto aguardava.
— Sua mãe falou que você precisa pedir desculpas para um deles.
A perna esquerda dela balançou mais forte, como se estivesse chutando uma pedra imaginária para bem longe.
— É que eu acho que quebrei o nariz dele.
Sesshoumaru parecia inexpressivo por fora, mas por dentro ele se perguntava como Towa poderia ter agido daquela maneira porque a imagem que ela passava era de ser extremamente amigável. Foi, por exemplo, ela quem iniciou a conversa entre eles na primeira noite que as visitou.
— O nariz? – ele repetiu.
Towa chutou outra pedra imaginária mais forte:
—Queria na verdade ter acertado a boca dele pra quebrar todos os dentes pra ele parar de falar merda sobre a minha mãe.
Outro silêncio se fez e ela notou que ele tinha uma expressão surpresa no rosto – ou algo próximo a isso.
— Por favor, não conta pra mamãe que eu falei um palavrão. – ela pediu num sussurro suplicante – Senão ela vai ficar mais chateada comigo.
Sesshoumaru ainda estava impressionado pelo motivo que a levou a atacar o moleque e demorou a voltar a falar, apenas para perguntar:
— O que ele estava falando sobre a sua mãe?
Towa hesitou por um momento na hora de balançar as pernas, depois deu de ombros.
— Ele ficou me provocando falando que eu consegui a vaga porque o sensei é amigo da mamãe.
Crianças eram realmente maldosas naquela idade... Ele mesmo fazia comentários mais ou menos daquele nível sobre Izayoi para provocar o irmão quando ainda moravam na mesma casa.
As coisas realmente retornavam da forma que menos se esperava.
— O sensei é aquele homem que estava na casa de vocês hoje? "Kohaku"?
Towa confirmou com a cabeça.
— Eu já ouvi vocês chamando de "tio Kohaku" para ele.
De novo a menina olhou com surpresa para ele.
— Achei que não tinha prestado atenção nisso também. Ele diz que é pra gente chamar de sensei na escola e de tio Kohaku em casa.
Sesshoumaru apenas estreitou de leve os olhos. Aparentemente a menina achava que ele não era atento às coisas, sendo que Rin havia dito para elas desde o primeiro dia, durante aquele jantar, que ele queria conhecê-las.
Era exatamente o que ele estava fazendo – prestando atenção a cada detalhe envolvendo as duas.
— E por isso você bateu nele? Se ele é seu tio, ele pode ser até mais exigente com você nesse caso. – ele opinou. Na época dele, era comum os parentes serem mais exigentes nessa situação. Towa, sendo sobrinha, poderia ser até mais cobrada que outros colegas do time de aikido.
A menina hesitou de novo, depois olhou para o chão.
— Não... – ela voltou a balançar as pernas – Ele depois falou que eu tiro notas boas em ciências porque o Houjou-sensei também gosta da mamãe.
Até as crianças perceberam que o tal Houjou-sensei gosta de Rin, ele concluiu em pensamento. É tão descarado assim?
— ... e depois todos eles falaram que os nossos professores devem ser namorados dela, por isso nós tiramos boas notas em tudo. Aí começamos a brigar e eu acertei a cara dele e ele bateu no meu ombro com uma espada de bambu. Mas nem tá doendo tanto assim...
Quando o final da narrativa veio, ele não tirava os olhos dela, que continuava balançando as pernas. Era claro o que o garoto insinuava. Ou garotos, no caso. Towa apenas quis defender a imagem da mãe.
— Quantos eram? – ele quis saber.
— "Quantos"? – ela repetiu, franzindo a testa.
— Os garotos que encurralaram e falaram essas coisas.
— Ah! – ela pensou um instante – Eram quatro. Mas eu só bati no Riku. Era ele que queria a minha vaga.
—E o que aconteceu com os outros?
Towa de novo deu de ombros. Aparentemente era algo que fazia por hábito, ele havia notado.
—Mandei embora. Eles eram fracos. Ia só perder meu tempo com eles.
Os olhares se encontraram – ele observando Towa, ela segurando o olhar de Sesshoumaru.
—O... O que foi? – ela ficou confusa, franzindo a testa.
Sesshoumaru apenas pensava no quanto ela era impressionantemente parecida com ele. Não perder o tempo com gente fraca – ou sequer lançar um olhar sobre a pessoa – era algo que ele teria feito se ainda se metesse em briga de escola.
—Nakashima Towa-chan. – a enfermeira a chamou, interrompendo a conversa entre os dois.
Sesshoumaru levantou-se e Towa deu um pequeno salto da cadeira, andando até a recepção. A enfermeira, com o prontuário em mãos, lia e franzia a testa.
—Vi aqui que você também já quebrou um braço, né? É por causa disso que você veio? – ela perguntou a Towa.
A resposta que Sesshoumaru não esperava veio através de um olhar sombrio e raivoso de Towa, tão furioso que a mulher, assustada, deu um passo para trás como se tivesse levado um choque.
—Não. – a menina respondeu friamente – É só por causa do ombro.
Segundos depois, ela corrigiu a postura, encaminhando os dois a um corredor para que Towa fosse examinada pela pediatra de plantão.
Intrigado, ele observou as feições da menina enquanto andavam juntos. Ela parecia normal agora, mas, sem dúvida alguma, tinha visto algo naqueles olhos depois que a enfermeira fez a pergunta.
Ao chegarem na frente de uma porta, Towa o parou com a mão de "pare" como se fosse um guarda de trânsito.
— Vou entrar sozinha. – ela avisou.
Sesshoumaru estreitou os olhos e ela o enfrentou com indiferença.
A porta se abriu e uma médica de cabelo castanho avermelhado e curto apareceu:
—Ah, é você, Towa-chan? – ela falou num tom compreensivo.
—Boa noite, Momiji-sensei... – ela começou timidamente – Desculpe por dar trabalho...
—Sem problemas. Vamos entrar? – ela perguntou gentilmente.
Towa olhou mais uma vez para Sesshoumaru, que confirmou com a cabeça. Ela provavelmente teria que tirar a camisa para mostrar o ombro e fazer algum exame, preferindo que ele não a visse daquela maneira.
—Vou aguardar na sala. – ele avisou, voltando para onde estavam antes.
o-o-o-o-o
Meia hora depois, Towa aparecia no corredor que levava à sala de espera acompanhado da médica que a atendeu. A mulher tinha um sorriso no rosto e segurava uma chapa de raio-x e alguns papéis.
—Não quebrou nada. – Momiji falou ao entregar os resultados a Sesshoumaru – Mas prescrevi uma pomada anti-inflamatória e compressa fria para serem usadas por alguns dias.
— Obrigada, Momiji-sensei. – Towa falou, sentindo os dedos da médica passarem longos pelos cabelos.
—De nada. Cuide-se bem, Towa-chan – ela recomendou com um sorriso.
Sesshoumaru nada falou com a médica e afastou-se logo, escutando os passos de Towa atrás dele até alcançá-lo.
—Eu falei que não tinha quebrado nada. – ela comentou num tom triunfante, como se quisesse mostrar que não havia necessidade de tanta preocupação.
Ocupado em pagar pelos serviços e pegar os papéis e resultados para mostrar para Rin, ele não se preocupou em responder ao comentário dela.
Minutos depois, já a caminho do estacionamento, Sesshoumaru resolveu perguntar algo que o intrigava durante o tempo que ficou na sala de espera:
—Como você quebrou o braço?
Os passos de Towa pararam atrás dele e Sesshoumaru precisou olhar por cima do ombro para ver o que havia acontecido: parada, a menina olhava para o chão como se estivesse decidindo alguma coisa.
Sesshoumaru estreitou os olhos de leve.
— O que houve? – ele perguntou.
A resposta foi novamente aquele olhar que ela havia lançado para a enfermeira – furioso e sombrio, os olhos quase negros de raiva.
Mas, ao contrário da mulher, ele bravamente a enfrentou, virando-se para ficarem frente a frente e perguntar outra vez:
— Como foi que você quebrou o braço, Towa?
A resposta veio segundos depois:
— Foi o namorado da mamãe que quebrou na hora que tentei fazer ele parar de bater nela.
Os olhos levemente estreitados de Sesshoumaru abriram à medida que ia ouvindo o motivo, perguntando logo depois num tom mais severo:
— O que foi que você disse?
