Nota da autora: SIIIIM, mais um capítulo do presente porque estão mais adiantados que os do passado. Acho que teve gente feliz por aí... huahauahua 😝 Enquanto eu não terminar a parte do passado, vou ficar postando os capítulos do presente.
MUITO OBRIGADA pelos comentários! 😍❤️ Todos lindos e eu ameeei! Muito obrigada aos comentários de Merinah, DR, Valgv9, Yuki, Isa Raissa, Paulinha, DindaT, 05csomoragnes11 e a quem comentou anonimamente ❤️
Semana passada estive a trabalho numa cidade sem mesa para trabalhar, sem internet, sem nada. Foi horrível. Agora que consegui revisar o texto.
Um capítulo grandinho de novo😄
Beijos e até semana que vem 😘 (com o passado? Com o presente?)
Nota: Mochi é um doce feito com pasta de arroz e feijão azuki.
(vou começar a colocar essas notas culturais por aqui).
De todo coração
Capítulo 26 - Presente
Parte XIV
Hakudoushi passou rápido pelas portas automáticas das empresas Taisho para não atrasar nenhum segundo. Ele queria chegar exatamente no horário determinado por Sesshoumaru para não ter que ficar ouvindo reclamações depois – não tão cedo pela manhã.
Não havia dado nem dois passos quando viu Jaken no caminho até o elevador. Apressou-se e o alcançou, andando juntos para aguardarem um ao lado do outro a subida, mas sem trocar uma palavra.
Isto é, até Hakudoushi querer quebrar o silêncio com aquele homenzinho que parecia não gostar dele:
— Atrasado também? – ele tentou uma conversa.
As portas do elevador se abriram e Jaken deu o primeiro passo adentro.
— Jamais. – o outro respondeu com certo ar de superioridade.
Hakudoushi reprimiu um suspiro cansado. Entrou e virou-se para ficar novamente ao lado do secretário. Eram colegas de trabalho. Trabalhavam para Sesshoumaru. Não poderia e nem tinha muito tempo para fazer inimizades nas empresas Taisho.
As portas do elevador iriam fechar quando, de súbito, a mão de alguém impediu. Hakudoushi arregalou de leve os olhos ao ver quem era e ficou tenso, endireitando o ombro e erguendo um pouco mais o rosto ao reconhecer quem entrava.
Na frente dele, estava uma mulher tão alta quanto Sesshoumaru, com longos cabelos prateados amarrados numa trança bem arrumada, casaco de pele branco, bolsa de couro combinando a vestimenta e joias, muitas joias.
— Mas vejam só... – a mãe de Sesshoumaru falou num tom cordial e alegre, carregando de certa malícia – Se não é o advogado preferido do meu filho.
— Bom dia. – Hakudoushi a saudou, curvando a cabeça de leve. Duvidava muito que fosse o "advogado preferido" de Sesshoumaru. Ele apenas cumpria com o que era ordenado e, para ele, era o básico que tinha que fazer na profissão.
— Bom dia, senhora. – Jaken também teve que saudá-la – Espero que esteja bem.
Não houve qualquer comentário por parte dela, tampouco quisera perguntar por educação se os dois estavam bem. Ela entrou, seguida de um assistente pessoal com cara de poucos amigos, e as portas fecharam.
A mulher e o secretário, por terem entrado depois, ficaram na frente dos dois aliados de Sesshoumaru, mas um pouco mais próximos de Hakudoushi.
— Meu filho anda dando muito trabalho, advogado-san? – ela perguntou olhando para Hakudoushi pelo reflexo das portas de metal – Por isso veio aqui?
— Oh, não, ele não dá trabalho. – mentiu ele porque nos últimos tempos tinha sido exatamente o contrário – Eu só vim resolver um caso para ele.
A mulher não respondeu. Pelo pouco que via do rosto dela, Hakudoushi conseguiu notar que ela sorria com a resposta.
Pouco tempo depois, o elevador parou no andar onde Sesshoumaru trabalhava e as portas abriram.
— Com licença. – Jaken passou direto pelos dois.
Já Hakudoushi não conseguiu passar entre as duas pessoas que estavam com ele.
— Er... Com licença. – ele falou para o secretário cujo nome desconhecia, com a mão levantada para tocar no ombro para chamar a atenção.
Nada. Ninguém se moveu ou deu passagem. Era como se ele não tivesse voz e nem estivesse ali.
Abaixou a mão, fechando-a em punho. Ele sabia o que ia acontecer.
As portas fecharam e ele viu, num último relance, Jaken olhar preocupado para ele, mas seguir caminho até o escritório de Sesshoumaru.
Bem, pelo menos ele vai avisar que alguém me interceptou, pensou.
O elevador seguiu curso para mais dois andares acima de onde Sesshoumaru trabalhava, abrindo as portas para revelar o escritório da mãe dele.
A mulher saiu, o assistente pessoal também. Hakudoushi não teve alternativa a não ser segui-los pelo corredor e entrar na sala.
— Menoumaru... – ela falou para o secretário – Advogado-san e eu vamos tomar um chá.
— Perfeito. – ele se afastou – Estarei em um minuto com vocês.
Sem agradecer ao funcionário, ela entrou na sala e sentou-se na cadeira presidencial em frente à grande mesa do recinto.
Depois apoiou o lado do rosto na mão e observou a figura de Hakudoushi sentar-se corajosamente na cadeira de visitante, ficando um de frente ao outro.
— Como está meu filho, advogado-san? Da última vez, soube que ele estava emprestado para Toga para escolher alguma criancinha prodígio para ser financiada.
Que tipo de pergunta era aquela? Considerando o que conhecia da relação entre os dois, provavelmente há tempos que Sesshoumaru e a mãe não se falavam.
E que história era aquela de financiamento?
— Meu nome é Hakudoushi, senhora. – ele a corrigiu suavemente – E eu acredito que Sesshoumaru esteja muito bem. Ele marcou uma reunião para as oito e meia.
A mulher deu um sorriso doce. Atrás dela, um relógio de ponteiros marcava oito e trinta e cinco.
— Eu ligo para meu filho todos os dias e ele nem me dá um retorno. – ela fez um biquinho e uma voz quase infantil para chamar atenção – Anda tão ocupado que esqueceu da própria mãe.
Hakudoushi se limitou a sorrir educadamente, sem realmente ter o que responder. Se Sesshoumaru também estava com algum problema com a mãe, ele não tinha mesmo o que comentar.
O secretário pessoal chamado Menoumaru entrou e deixou na frente de Hakudoushi uma xícara de chá verde e outra na frente da chefe.
— Muito obrigado. – ele imediatamente começou a se servir, notando que a mulher tinha já deixado o drama de lado para tomar um gole de chá.
— Sesshoumaru também gosta desse chá. Eu deixo aqui caso ele apareça para me visitar.
Era realmente delicioso. Hakudoushi lembrou de adicionar o nome depois à lista de coisas para comprar para agradar clientes, como ele havia feito quando foi com Sesshoumaru visitar Rin e as filhas.
— Você disse que está resolvendo um caso para Sesshoumaru. – ela começou – É tão ruim assim para precisar aparecer por aqui quase todos os dias nas últimas semanas?
Então ela sabia que ele não tinha ido apenas naquele dia para encontrar Sesshoumaru. Muito provavelmente ela tinha acesso à agenda dele dentro do prédio.
Temos que tomar mais cuidado com as visitas a Takasaki, Hakudoushi concluiu.
— Sesshoumaru está apenas adquirindo algumas empresas pequenas para fazerem parte das empresas Taisho. Estou verificando a legalidade da transação.
A mulher deu um sorriso, pousando o queixo em cima do dorso da mão.
— Isso significa que ele vai voltar a viajar de novo? – a voz saiu um pouco fria.
— Acredito que sim, minha senhora. – ele respondeu com cuidado.
— Que pena. Estou há meses tentando conseguir um encontro entre ele e a filha de um velho conhecido meu, mas ele sempre desconversa.
— "Encontro"? – Hakudoushi piscou extremamente surpreso, tomando um gole do chá.
— Sim. – ela também elegantemente posicionou a xícara na frente dos lábios – Estou preocupada porque estou já chegando a uma idade em que preciso ter netinhos correndo pelos corredores da nossa empresa.
Hakudoushi cuspiu a bebida e começou a tossir, sentindo o rosto ficar quente.
Recuperando-se, ele ergueu o rosto para ver o da mãe de Sesshoumaru extremamente sério, com uma sobrancelha erguida olhando para a sujeira que estava na mesa.
— Perdão, senhora... – ele tirou um lenço do bolso e rapidamente começou a limpar a mesa de tampo de vidro, ajeitando papéis, mudando bibelôs de lugar para tirar os respingos da água – Sinto muito... Sinto muitíssimo.
Mas ela o observava em silêncio, notando a forma como ele rapidamente deixava a mesa limpa e organizada de novo.
— Diga-me, advogado-san... – ela começou quase sombriamente – Por que realmente Sesshoumaru decidiu viajar de novo?
Hakudoushi limpava os últimos resquícios de água e paralisou, levantando a vista para ela.
Dois segundos se passaram e ele abriu a boca, mas nem chegou a falar porque ela se adiantou:
— Diga a verdade desta vez. – ela falou em um tom de aviso.
Outros segundos se passaram e Hakudoushi se ajeitou na cadeira, voltando a assumir um ar profissional.
— Ele quer controlar as empresas do pai, então está comprando as menores primeiro até passar a porcentagem que o senhor Toga detém. – ele respondeu sem piscar e titubear.
Outros dois segundos se passaram.
— Oh. – ela voltou a beber o chá – Querendo mais poder que o próprio pai, como sempre.
Hakudoushi preferiu manter-se em silêncio, terminando de limpar a mesa e colocando cada bibelô e papel no lugar.
— Isso significa mesmo que ele vai trabalhar e viajar muito e não vai ter tempo de me dar netinhos... – ela voltou a falar com uma voz quase infantil, jogando-se dramaticamente na cadeira com o braço na testa – Oh! Será que nunca vou ver meu filho casar e ter filhos que herdarão nossas empresas?
Houve um pequeno movimento em uma das sobrancelhas de Hakudoushi, o mínimo de reação possível por parte do advogado e que felizmente ela não percebeu, ao lembrar-se de algo que ainda não havia discutido com Sesshoumaru – a parte da herança das gêmeas no testamento de Toga. Assim como a filha do meio-irmão, elas também teriam direito.
— Pode ir, advogado-san. – ela o dispensou – Sei o quanto meu filho detesta atrasos.
Hakudoushi levantou-se segurando a pasta de couro e fez uma rápida reverência, virando-se para sair.
—Hakudoushi. – ela o chamou pelo nome pela primeira vez e ele sentiu um arrepio na espinha, preferindo até que ela voltasse a chamá-lo pelo apelido.
Virou-se lentamente para ficarem de novo frente a frente, notando que ela voltava a apoiar o rosto no dorso da mão.
—Se eu souber que esteve mentindo para mim, eu acabo com a sua carreira para você ficar sem emprego em todo país pelo resto da vida. – ela falou em tom de aviso.
Hakudoushi assentiu e saiu apressado da sala. Momentos depois, na frente do elevador, ele, um pouco trêmulo, tirou discretamente o caderninho do bolso interno do blazer e anotou rápido algo antes de entrar no cubículo.
No andar do escritório de Sesshoumaru, a secretária viu Hakudoushi sair do elevador e não ligou para avisar ao chefe. Apenas fez um sinal para o advogado entrar direto.
Ao abrir a porta, Sesshoumaru estava calmamente esperando por ele, sentado na confortável cadeira de presidente.
—Desculpe a demora. – Hakudoushi começou – Anotei o estresse que passei no caderninho. Eu quase morri engasgado lá.
Sesshoumaru não riu.
—Ela perguntou o que você está planejando. – ele revelou.
—E você respondeu o que nós combinamos?
Hakudoushi assentiu e finalmente se sentou na cadeira do visitante, respirando fundo. As mãos ainda estavam geladas.
Uma pessoa como a mãe de Sesshoumaru poderia acabar com uma pessoa comum como ele só com uma palavra.
—Começou a fazer o que eu pedi?
—Sim. – ele deu mais um suspiro e tirou uma agenda – Vou ficar dois dias lá. Terei tudo até sexta que vem para você.
O telefone de Sesshoumaru sinalizou o recebimento de uma mensagem e ele abriu após ler o nome de Towa nos remetentes.
Towa: Deu tudo certo hoje! 😀
Towa: Tio Kohaku também expulsou o outro menino 😀😀
Towa: e criou uma nova competição pra semana que vem pra ver quem fica com a vaga 😃😃😃
Towa: A mamãe ficou tão brava com ele 😝
Towa: Vou ganhar porque sou mais forte 😌
Towa: Você vai me ver lutar? 👊 👀
—Algum problema? – Hakudoushi perguntou e fez Sesshoumaru tirar os olhos da tela do celular.
—Towa vai competir na semana que vem. – ele respondeu simplesmente.
—Parece divertido. – o outro comentou com um pequeno sorriso – Isso é bom. Já notei que ela é muito receptiva e quer se ligar a você.
Sesshoumaru tirou os olhos do advogado e voltou a ler as mensagens, respondendo "sim".
Segundos depois, vieram outras mensagens dela:
Towa: êêê 😁😁😁😁 Vivaaaa
Towa: Vou desligar agora porque tenho aula de ciências 😭
Towa:👋 👋 👋
—Sua mãe perguntou sobre um evento com alguns jovens prodígios. Não sabia que estava emprestado para o seu pai.
O evento onde ele reencontrou Rin e conheceu as meninas, o momento que as coisas haviam mudado para ele. Setsuna havia tocado lá. Um prodígio que nascia a cada quinhentos anos.
E ele tinha ido contra a vontade apenas como um favor da mãe ao pai.
—Jaken está cuidando disso. – ele começou – Setsuna estava procurando um patrocinador num evento. Foi onde eu reencontrei Rin e conheci as meninas. Vamos financiar os estudos e as apresentações dela agora.
—Oh. – Hakudoushi realmente não sabia daqueles detalhes. Sesshoumaru só havia pedido inicialmente para ele calcular as despesas e tomar providências sobre as visitas e reconhecimento das filhas.
Depois de um momento de silêncio, ele voltou a falar:
—Elas têm direito nos bens do seu pai.
Sesshoumaru estreitou de leve o olhar e Hakudoushi calou-se. Era óbvio que a relação entre pai e filho ainda era bastante estremecida.
—Tente convencer Rin a voltar a morar em Chiba. É mais perto de Tokyo e parece que a família dela está toda lá. Se ela não quiser voltar para lá, tente atraí-la para a capital. – Sesshoumaru mudou de assunto.
—Por quê? – Hakudoushi tirou o caderno do bolso e começou a anotar algumas coisas.
—Ontem fui vê-las porque Towa se meteu em uma briga de escola e tive que levá-la para o hospital. Ela acabou me contando aquela situação que quero que investigue. Também falou que elas odeiam aquela cidade. Só moram ali porque o trabalho de Rin é lá.
—Okay... – o advogado anotava com cuidado.
—Rin nem precisa mais trabalhar com o dinheiro que vai receber todos os meses, pode ficar só cuidando das meninas em uma cidade próxima daqui ou aqui mesmo. – Sesshoumaru levantou-se e ajeitou os punhos do casaco do terno – Resolva isso hoje, Hakudoushi. Você sequer terminou de resolver a questão das visitas e das viagens.
Hakudoushi apenas acompanhou com o olhar Sesshoumaru se retirar da sala enquanto organizava mentalmente o que precisava fazer. Convencer Rin, viajar para Chiba, investigações...
Quanto será que ele cobraria por aqueles trabalhos extras?
o-o-o-o-o
— Achei que viríamos mais tarde. – Hakudoushi comentou no carro a caminho de Takasaki – Eu queria organizar algumas coisas para passar alguns dias em Chiba.
Sesshoumaru nada comentou, optando por observar a paisagem no carro onde estavam.
Uma hora depois, estavam circulando no centro de Takasaki, com Jaken estacionando o carro num quarteirão com lojas populares, mercadinhos e empresas que ofereciam outros serviços.
— O que vamos fazer aqui? Compras? – Hakudoushi perguntou ao sair do carro, olhando para o relógio no pulso. As gêmeas haviam gostado de ter feito compras na semana anterior, talvez fosse uma boa estratégia repetir a ação, mas em um lugar menos movimentado que aquele quarteirão comercial.
Sem responder, Sesshoumaru seguiu direto a um salão, com o secretário e o advogado trocando um olhar desconfiado atrás dele.
Os três entraram no salão e Jaken e Hakudoushi viram uma mulher de cabelos curtos e negros jogada em uma cadeira lendo uma revista, com blusa sem manga preta e saia da mesma cor por baixo de um avental verde escuro com o nome do salão em letras garrafais na região do busto.
Ao ouvir a porta abrindo, ela ergueu a vista e Hakudoushi viu os olhos dela brilharem.
— Ora, ora... – ela se levantou, largando a revista na cadeira – Você realmente veio.
A mulher apontou para uma cadeira anexada a um lavatório e Sesshoumaru obedeceu sem questionar, onde ela começou a lavar os longos cabelos prateados.
Os dois que o acompanhavam observavam tudo sem entender porque tanto Sesshoumaru quanto a cabelereira não se falavam, até que, ao mesmo tempo, arregalaram os olhos ao vê-lo andar até uma cadeira em frente a um espelho e ela girar habilmente o assento para deixá-lo de frente ao espelho e posicionar-se atrás dele com uma tesoura em mãos.
— Mas o quê...? – Jaken deixou escapar ao ver a mulher separar cuidadosamente uma mecha prateada e fazer um snip seco com a tesoura.
Hakudoushi simplesmente não falava nada e parecia não respirar.
Momentos depois, Sesshoumaru estava pronto e levanta-se da cadeira sem olhar para o espelho e tirava uma carteira do bolso interno do terno. A mulher já tinha uma bandejinha prateada em mãos para receber a cédula de cinco mil ienes dele.
— Ela vai adorar. – ela avisou ao guardar o dinheiro e a bandejinha em um bolso externo do avental.
Sesshoumaru virou-se e seguiu para a porta.
— Vamos. – ele avisou ao passar direto entre os dois que não tiravam os olhos de um Sesshoumaru de cabelos curtos – Não quero chegar atrasado.
o-o-o-o-o
Momentos depois, os três estavam na frente do pequeno prédio onde tinham compromisso. Ao subirem as escadas, os três viram um pequeno movimento nas cortinas de uma das janelas e, logo em seguida, a porta se abrir.
Hakudoushi e Jaken arregalaram os olhos ao ver Towa, de cabelos curtos e ainda mais parecida com Sesshoumaru, recepcioná-los.
— Vocês estão atrasados! – ela reclamou. A roupa era quase a mesma da semana anterior. Aparentemente ela gostava muito de usar qualquer coisa de jeans e uma camisa de mangas curtas com alguma estampa de desenho.
Os dois acompanhantes continuaram de olhos arregalados – primeiro porque ela falou a mesma coisa que o pai falava quando alguém se atrasava para uma reunião com ele; segundo porque Sesshoumaru colocar um joelho no chão e ficar quase na mesma altura dela. Quem visse a cena de longe, pensaria que era alguém se vendo num espelho.
Apalermados, ouviram pai e filha conversarem sobre alguma coisa que havia acontecido na escola:
— ... e aí o tio Kohaku disse que quem vencer nessa competição da semana que vem vai entrar no time e participar de um torneio em Osaka no final do ano! E eu vou vencer! – ela deu pulinhos de alegria.
Sem comentar mais nada, Sesshoumaru levantou-se e preparou-se para entrar depois que Towa se afastou pulando cheia de energia na direção da cozinha.
— Mamãe, eles chegaram! Eles chegaram! – os três ouviram do genkan enquanto tiravam os sapatos da rua.
Ao pisar na sala, Sesshoumaru viu Setsuna com um vestido lilás de mangas curtas e longos cabelos soltos, as mãos na frente do corpo da mesma maneira que Rin fazia. Era a primeira vez que ele a via de cabelos soltos. Normalmente ela os prendia num coque que disfarçava o comprimento ou deixava presos num longo rabo de cavalo.
Parecia uma mini-Rin.
Não tinha ele já visto Rin com uma roupa parecida? Quando marcavam os encontros, ela normalmente o aguardava exatamente naquela pose.
—Boa tarde, senhor Sesshoumaru. – ela começou educadamente, como se tivesse ensaiado bastante para o momento – Ontem eu tive que dormir mais cedo e não vi vocês voltarem...
Sesshoumaru se aproximou dela. Setsuna ergueu o rosto e continuou:
— Muito obrigada por ter levado minha irmã pro hospital ontem. – ela continuou – E desculpe por ligar na hora do trabalho.
Definitivamente uma mini-Rin, ele concluiu ao aproximar a mão do topo da cabeça dela para afagá-la.
A mão, no entanto, não chegou a tocá-la porque ela ergueu a dela num claro sinal de "pare".
— Eu não sou um cachorrinho. – ela avisou com um olhar que lembrava o dele – Não precisa fazer isso.
Sesshoumaru recolheu a mão e colocou um joelho no chão para falar com ela:
— Depois vou conversar com sua mãe sobre o financiamento para os seus estudos de música e concertos. Estamos fazendo os últimos ajustes. – ele explicou e viu os olhos dela se iluminarem. Mais perto, notou o quanto eram lilases como os da mãe dele. O vestido ainda realçava a cor.
— O-Obrigada... – ela falou timidamente, corando de leve – Achei que ninguém tinha gostado de mim porque ninguém nos ligou desde aquele dia...
Ninguém ligou porque Sesshoumaru imediatamente impediu que outros a financiassem. Ela não precisava de mais patrocinadores porque ele poderia fazer isso por ela.
— Foi falha de Jaken. Ele deveria ter avisado. – ele falou e não viu o secretário atrás dele arregalar os olhos – Até semana que vem tudo estará acertado.
Setsuna deu um sorriso tão largo que era impossível não ver uma herança de Rin ali.
A porta da cozinha se abriu e Towa apareceu equilibrando uma bandeja com as xícaras vazias para serem servidas. Sesshoumaru aproveitou o momento para levantar-se e olhar para a direção do cômodo.
— Desculpem a demora... – a menina sentou-se em seiza perto da mesinha de centro e distribuiu a louça que seria usada para o chá – Mamãe estava terminando de preparar mochi.
Enquanto ela terminava de arrumar a mesa habilmente como se tivesse sido treinada, Sesshoumaru ouviu a voz de Rin saindo da cozinha.
— Desculpem... - ela apareceu na sala com uma tigela branca com mochi ainda quentinho – Demorou um pouco para...
Ao ver Sesshoumaru ao lado de Towa, os dois de cabelo curto e extremamente parecidos, ela se assustou e largou a tigela, que só não quebrou no chão porque Hakudoushi a segurou a tempo.
Silêncio se fez entre os dois – ela olhando para ele, ele olhando sério para ela, os outros quatro presentes olhando para o ex-casal.
Foi quando ele notou o rosto dela levemente corado, coisa que normalmente acontecia quando ela gostava de algo bonito.
Sesshoumaru conteve um leve sorriso de vitória.
Sim. Ela definitivamente tinha gostado do novo corte dele.
