A reação de Kazuki à notícia da gravidez de sua namorada seria uma aula magistral de caos controlado, tanto externamente composto quanto internamente em espiral.
No início, haveria um momento de silêncio atordoado, seu sorriso sempre presente vacilando um pouco. É uma visão rara, sua máscara escorregando, mas apenas por um segundo antes de se recuperar, inclinando-se para trás com uma expiração exagerada, talvez passando a mão pelo cabelo.
"Bem, isso é... Muito surpreendente, querida. Eu... Isso não estava nos meus planos agora, nem nos seus, eu suponho."
Sua voz é suave, misturada com algo ilegível, mas seus olhos estão fixos nos seus com uma intensidade que trai seu tom casual.
Por dentro, ele está cambaleando. Sua mente executa mil cálculos ao mesmo tempo, todos os riscos, todos os resultados possíveis, todas as escolhas que ele poderia fazer a partir deste momento. E então, mais fundo, por baixo de tudo isso, há algo a mais, algo desconhecido arranhando seu peito.
Medo. Esperança. Uma emoção que ele não consegue nomear. Para alguém que passou a vida controlando o jogo, desarmando seus oponentes com charme, persuasão e preparação, esse é um movimento que ele nunca havia previsto.
Não que ele não soubesse que isso poderia acontecer. Ele é um homem adulto, sabe de onde vem os bebês. Mas ele também sabe que a chance de algo acontecer com as várias medidas de proteção que eles colocaram era ínfima. Sua namorada já era, inclusive, uma mulher de certa idade, e poderia ser que, mesmo querendo muito, já fosse difícil, para não falar nada do por acidente.
Se MC se incomodar em observar com atenção, ela pode notar sua mão esquerda se contorcer, como se estivesse lutando contra o instinto de escondê-la nas costas, um hábito subconsciente quando confrontado com apostas que parecem muito reais. Em vez disso, ele pega a mão dela, os dedos traçando a parte de trás dela quase distraidamente. Seu toque é quente, mas há tensão por baixo dele, uma hesitação que ele não consegue se livrar.
"Você me conhece, eu sempre aposto em mim mesmo. Mas isso? Isso é... Isso é maior do que qualquer aposta que já fiz. Isso é maior do que eu, do que você." Ele murmura, a voz mais suave agora, mais genuína. Ele solta uma risada ofegante, balançando a cabeça levemente como se ainda estivesse processando. "Diga-me, amor. Você acha que o destino está sorrindo para nós ou essa é a piada mais cruel do universo até agora?"
Não é desdenhoso. Não é cruel. Só é... Kazuki. É típico. O homem que sempre expressa sua sinceridade em enigmas e meias-verdades, como se abraçá-la totalmente pudesse deixá-lo vulnerável. Mas se MC olhar além de suas palavras, se ela vir a maneira como seus dedos se apertam em torno dos dela, a maneira como ele não solta, ela saberá a resposta.
Pela primeira vez na vida, ele está disposto a arriscar sem calcular as probabilidades.
