Natsu sentiu um calafrio percorrer toda a extensão de suas coluna, a rua principal da cidade celeste estava completamente deserta, todas as portas e janelas estavam fechadas, o único som que conseguia ouvir era o som do vento assobiando, um prenúncio para a tempestade que se formava.

Pelo meno não teria que lidar com os olhares de medo e nojo do outros anjos ao verem o sangue negro que cobria toda sua armadura. Um raio conectou o céu e a terra, e por alguns segundos Natsu ficou cego, o brilho tinha lhe pego desprevenido, a luz foi seguida por um estourou que fez o chão sob seus pés estremecer.

'É melhor eu me apressar' Natsu abriu suas asas, e se preparou para decolar, quando a primeira gota de chuva o atingiu, sendo seguido pela torrente de água, que o encharcou da cabeça aos pés. 'Pelo menos vai limpar o sangue da armadura.' Ele fechou as asas, e automaticamente sentiu suas costas secarem contra o calor das penas incandescentes.

Resignado, continuou andando pela rua deserta, se arrependendo, pela primeira vez em sua longa vida, de sua decisão de morar longe do centro, sempre tinha preferido a paz do campo, da distância dos outros anjos, nunca tinha gostado dos tumultos da cidade, das ruas apertadas que o faziam esbarrar em outros anjos, dos olhares assustados todas as vezes que suas asas queimavam quem ousasse tocá-las, mesmo que por acidente.

Natsu se virou repentinamente, chamas surgiram em seus punhos, se alastrando até seus ombros, o calor evaporou toda a água que o cobria, assim como o chão sob seus pés, e as parede mais próximas Seus instintos estavam em alerta máximo, poucas pessoas no mundo, sejam anjos, demônios, ou até mesmo Deuses eram capazes de se aproximarem de suas costas sem serem percebidos, e qualquer um que conseguisse, eram uma ameaça considerável.

Uma silhueta claramente angelical se destacava contra a cortina de água que caía sobre o mundo, ao perceber quem era, Natsu deixou as chamas se apagarem.

Parado a alguns metros, tão encharcado quanto ele, estava O Arcanjo Miguel, seu longo cabelo dourado estava grudado em seu pescoço, suas asas douradas estavam caídas, as pontas das penas primárias tocando o chão, Miguel o encarava, mas seus olhos verdes estavam desfocados, como se estivesse perdido em pensamentos.

Natsu se aproximou lentamente, tentando o máximo possível não fazer nenhum movimento brusco, apesar do rosto bondoso que não parecia ser capaz de machucar uma mosca, Miguel era um guerreiro por natureza, tinha sobrevivido a Eons de guerra ao lado do criador, matado tantos 'Inimigos' que poderia erguer uma montanha do mesmo tamanho que o monte olimpo.

"Miguel, Você está bem?" Natsu perguntou no tom mais apaziguador que conseguia.

Lentamente os olhos verdes do Arcanjo recuperaram o foco, mas logo foram tomado por lágrimas que escorriam por seu rosto, se misturando com a água da chuva, o Arcanjo se virou, e sem dizer uma única palavra começou a andar em direção ao portão sul da cidade.

Sem saber o que fazer, Natsu o seguiu, durante todos os anos em que conheceu o príncipe regente, nunca o vira daquele jeito, Miguel sempre foi aberto com suas emoções mais calorosas, sempre tinha um sorriso estampado no rosto, mas talvez pela responsabilidade que carregava, nunca deixou sua tristeza ou indecisão transparecer.

Natsu o seguiu por horas, até que estivessem a poucos quilômetros da linha de frente, o chão havia perdido qualquer resquício de vida, se tornando ressecado e quebradiço, o Arcanjo parou ao lado de uma imensa árvore de cerejeira, completamente retorcida pelo miasmas que emanava do campo de batalha, seus galhos secos e desnudos tinham perdido suas coloração marrom, se tornado cinza.

Miguel se recostou contra o tronco da árvore, suas penas recuperam um pouco de seu brilho original, a cerejeira explodiu em vida, flores que brilhavam com todas as cores do arco íris nasceram em seus galhos, e se deixaram levar pelo vento, onde caiam, a vida retornava.

"Os Arcanjos restantes decidiram suas punição, להבה הרסנית שמורידה את המציאות לאפר."Miguel se virou para encará-lo, seu rosto sério, seus olhos ainda que inchados de chorar estavam secos.

"Entendo." Natsu se preparou para o que estava por vir, desde o dia que cometeu seu crime, sabia que estava vivendo em tempo emprestado."Estou pronto."

"POR QUE VOCÊ É ASSIM?"O Arcanjo explodiu, lágrimas voltaram a cair."PORQUE NÃO IMPLORA POR PERDÃO? POR QUE SIMPLESMENTE ACEITA SEU DESTINO POR MAIS INJUSTO QUE SEJA?" O Arcanjo soluçava de tanto chorar, seu corpo inteiro tremia.

"Miguel, não me arrependo do crime que cometi, se estivesse naquela situação, não mudaria nada."Natsu sorriu, o que só fez o choro do arcanjo se intensificar."E por que imploraria por minha vida, quando sei que isso só lhe traria ainda mais sofrimento?"

"Adeus, Velho Amigo."Miguel secou o rosto, suas asas se abriram brilhando como os primeiros raios do nascer do sol. "Eu peço ao criador que possamos nos encontrar novamente, na próxima vida."

O brilho dourado se intensificou, até que Natsu não conseguia encará-lo diretamente, a cerejeira sucumbiu ao poder do Arcanjo, se desintegrando sem deixar vestígios.

Natsu sentiu a luz de Miguel tocar suas pele, e agradeceu por suas morte ter vindo de forma tão gentil, não havia dor ou sofrimento, seu corpo apenas desaparecia pouco a pouco.

"..."Uma voz retumbante sobrepôs o barulho da chuva, e da água que evaporou de seu corpo, as nuvens se abriram revelando um céu repleto de estrelas."..."A voz disse algo mais, em uma língua tão antiga que Natsu não a reconhecia.

Miguel olhou para o céu estrelado, depois para Natsu, e sorriu, a luz de suas asas se intensificou.

Natsu não sabia por que estava vivo, a luz de Miguel deveria ter transformado seu corpo em pó, lentamente abriu os olhos, se deparando com um céu completamente preto, água gelada açoitava seu corpo, o encharcando da cabeça aos pés, raios cruzavam as nuvens as acendendo de dentro, a cada segundo o céu ficava mais distante, o vento assobiando em seus ouvidos conforme caia.

Natsu percebeu que sua punição havia sido mudada, ao invés de uma morte rápida e misericordiosa, havia sido condenado ao sofrimento eterno no submundo.

Suas asas estavam curvadas ao seu redor, pena a pena pedir a coloração avermelhada, se tornando negras como a noite, até mesmo quem era, estava sendo tomado de sua existência.

Natsu fechou os olhos, pela primeira vez em milênios, fez um pedido ao seu criador, desejou com todas as suas forças que o impacto com o submundo acabasse com sua vida, mas sabia que era um pedido inútil, nunca em todo os milênios que passou lutando em nome dele, protegendo sua criação, o criador se dignou a responder, e ainda assim continuou rezando, mesmo quando seu corpo se transformou em chamas, e atingiu o chão.